Questões de Concurso Sobre tipologia textual em português

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Q4138748 Português
Texto 4


‘O Agente Secreto’ é um ‘thriller político estiloso e vibrante’ candidato a Oscar, diz crítico da BBC


Um dos maiores destaques da temporada de premiações de 2025 foi Ainda Estou Aqui, que ganhou o Oscar de Melhor Filme Internacional e que retrata a crueldade da ditadura militar no Brasil nos anos 70. Agora, um outro filme, com a mesma temática, está ganhando atenção e também se destaca na próxima temporada de premiações. O diretor Kleber Mendonça Filho foi premiado em Cannes e o protagonista Wagner Moura levou o prêmio de melhor ator, o primeiro nessa categoria conquistada por uma obra brasileira no festival francês. O filme se passa na cidade de Recife, durante o efervescente Carnaval e transborda sexo, tiroteios, matadores de aluguel e carros antigos — e mostra uma perna humana decepada encontrada na barriga de um tubarão. Mesmo com todo o visual exagerado, com cores vibrantes e uma estética grindhouse, O Agente Secreto está enraizado nas angústias de tragédias reais de cidadãos comuns. Na verdade, seu herói não é um agente secreto, apesar de Wagner Moura ser alto, moreno e tão charmoso quanto qualquer outro superespião do cinema. Ele interpreta Marcelo, um sujeito pacato que aparece na primeira cena dirigindo o seu fusca amarelo com destino a Recife.
O filme não tem pressa, mas, aos poucos, descobrimos que Marcelo é um professor viúvo que se opôs às tentativas de um funcionário do governo de roubar sua pesquisa patenteada. Agora, Marcelo planeja se reencontrar com o filho pequeno, que mora com os avós, e conseguir os documentos para deixar o país. Enquanto isso, trabalha disfarçado em um cartório, onde espera encontrar ao menos uma prova oficial da existência de sua falecida mãe. Antes mesmo de chegar a Recife, Marcelo encontra um cadáver no pátio de um posto de gasolina — um corpo que ninguém se deu ao trabalho de remover —, o que mostra que ele não é ingênuo sobre o quanto a vida está difícil naquele momento. Mas Marcelo fica chocado ao descobrir que um dos seus inimigos antigos contratou dois assassinos para segui-lo e fica horrorizado com a falta de moral do chefe da polícia local.
Marcelo observa os acontecimentos de Recife com um olhar de turista maravilhado. Ele ri incrédulo de um gato de duas caras, da obsessão de seu filho em assistir Tubarão no cinema, das pessoas fazendo sexo em lugares públicos, e de uma lenda urbana surreal sobre uma perna decepada que volta à vida e chuta homens em um local de paquera.
Com mais de duas horas e meia de duração, o filme divaga aqui e ali, acompanhando vários personagens que sonham em fugir do Brasil. Um dos temas centrais do filme é o que é lembrado e o que é esquecido no Brasil, e Kléber Mendonça Filho, que cresceu em Recife, parece determinado em registrar, na película, todos esses detalhes antes que eles sejam apagados para sempre. Além de riqueza e comédia para a trama de espionagem, esses detalhes da época reforçam a melancolia silenciosa que Wagner Moura transmite tão bem em cena: de um jeito ou de outro, Marcelo não vai ficar no Brasil por muito tempo para aproveitar tudo isso. Uma perseguição pelas ruas da cidade, coreografada com maestria, leva a um clímax sangrento e espetacular, mas, assim como em Ainda Estou Aqui, ainda há perguntas perturbadoras a serem respondidas e mistérios a serem resolvidos. Afinal de contas, de quem era aquela perna na barriga do tubarão?


Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/c4geld2gk1go. Acesso em: 15 jan. 2026.
O modo discursivo representado pela resenha do filme O Agente Secreto reflete uma opção por sequências descritivas que
Alternativas
Q4137690 Português
Observe a imagem a seguir para responder a questão:


Captura_de tela 2026-06-26 083652.png (342×342)


Fonte: http://www.arionaurocartuns.com.br/2016/09/charge-viciocelular-internet.html Acesso em 11 de maio de 2026.
Analise as assertivas seguintes sobre a charge.

I. O texto pertence ao gênero charge, caracterizado pela articulação entre linguagem verbal e não verbal com finalidade crítica e humorística.
II. A expressão “ficar sem internet” evidencia uso figurado da linguagem, aproximando-se semanticamente de uma situação de privação extrema.
III. A construção “qual o seu maior medo?” admite, na norma-padrão, a forma “qual é o seu maior medo?”, sem prejuízo sintático ou semântico relevante.
IV. A linguagem utilizada no texto afasta-se totalmente da oralidade e aproxima-se exclusivamente do registro técnico-formal.

Após análise, conclui-se que estão corretas as assertivas:
Alternativas
Q4137685 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.

Brain rot: vício em telas e o “apodrecimento” do cérebro

O membro da Comissão Organizadora do XV Congresso Paulista de Neurologia fala sobre o longo tempo gasto em telas e em conteúdos não estimulantes

    “Brain rot” foi eleita a expressão mais procurada do último ano, de acordo com o Dicionário Oxford. Ao pé da letra, o significado é “cérebro apodrecido” e está relacionado às consequências do vício em telas – principalmente entre crianças e adolescentes – ao consumir conteúdos pouco desafiadores e superficiais. Os efeitos desta condição são graves e preocupantes, já que estão diretamente atrelados ao desenvolvimento de transtornos mentais e prejudicam as interações sociais dos indivíduos.
Nesta edição, a Revista da APM conversou com o neurologista Marcel Simis, membro da Comissão Organizadora do XV Congresso Paulista de Neurologia, para esclarecer alguns pontos fundamentais sobre o tema. Ele demonstra como o brain rot pode potencializar distúrbios já existentes, de que forma se desenvolve, como evitar a condição e como tratá-la. Confira a seguir.

Como se caracteriza o brain rot e quais são os seus efeitos?

    Brain rot foi eleita a palavra do ano de 2024 pela Oxford University Press, mas é importante destacar que este não é um termo e nem um diagnóstico médico, já que não está incluído no DSM-5, que é o Manual Diagnóstico Estatístico dos Transtornos Mentais, e nem no CID10, que é o Manual das Doenças, então é um termo que não é um diagnóstico clínico. Porém, é um termo interessante que, inclusive, serve como importante alerta para a sociedade, porque está associado ao consumo excessivo de materiais e conteúdos online que são considerados triviais ou pouco desafiadores para a atividade cognitiva cerebral.
    Então, em tese, o termo coloca como se fosse um “apodrecimento cerebral” por uma exposição excessiva de conteúdos on-line que não geram maior engajamento mental ou maior atividade intelectual. No entanto, temos que tomar cuidado em dizer a expressão “apodrecimento cerebral”, porque, para alguns, pode soar que verdadeiramente acontece dos neurônios e das células cerebrais morrerem e apodrecerem, e não é isso. É até um termo que eu, pessoalmente, não gosto, por passar uma ideia como se fosse um dano estrutural dos neurônios que, na verdade, não acontece desta maneira. Todavia, embora não aconteça o dano estrutural, é algo, sim, preocupante, visto que o excesso de exposição a este tipo de conteúdo on-line pode trazer prejuízos para a vida da pessoa. 

Como o brain rot pode potencializar transtornos já existentes, como ansiedade, depressão e síndrome do pânico?

    Já existem estudos mostrando que a exposição excessiva a telas e diferentes conteúdos on-line está relacionada com a depressão, ansiedade, estresse e alteração na qualidade do sono. É interessante que não gera um dano neuronal, mas gera uma disfunção de circuitos neuronais. Um circuito que comumente é relatado, e há artigos científicos sobre o assunto, é um circuito dopaminérgico, ou seja, o que está relacionado com aspectos de recompensa e de reforço, que são associados à motivação, à vontade de perseguir algum objetivo. No caso, esse tipo de exposição a, por exemplo, vídeos curtos em aplicativos como YouTube e TikTok, entre outros, faz com que a pessoa fique engajada naquela atividade por muito tempo, buscando, então, essa rápida recompensa. Assim, bagunçando e desregulando o circuito dopaminérgico, a pessoa desenvolve algo semelhante mesmo a um vício dessa atividade online. É essa desregulação dos circuitos que predispõe a transtornos mentais nas pessoas que têm esse uso excessivo de telas.

Há algum tratamento para conseguir reverter esta situação? Quais as possibilidades?

    A boa notícia é que isso é tratável, então são alterações reversíveis. Na questão da criança é mais preocupante, porque não se sabe o quanto esse tipo de alteração pode ser duradoura ao longo da vida. Mas, já se sabe que muito desse processo é reversível, então com a pessoa deixando de ficar exposta à tela, essas alterações de circuitos dopaminérgicos, entre outros circuitos neuronais, tendem a se reestabelecer e aí reverte esse processo. Então, como tratar? É reduzindo, e muito, o tempo de exposição a esse tipo de conteúdo. Esse seria o principal tratamento, se fiscalizar e os pais fiscalizarem as crianças e os adolescentes em relação a esse conteúdo e, realmente, retirar, evitar essa exposição abrangente a celulares, tablets, televisões e computadores.


Fonte: Matéria publicada na edição 749 (Março/Abril de 2025) da Revista da APM. Disponível em: https://www.apm.org.br/brain-rotvicio-em-telas-e-o-apodrecimento-do-cerebro/ Acesso em 14 de maio de 2026.
O texto pode ser caracterizado predominantemente como: 
Alternativas
Q4136871 Português
Produtores que apostaram no plantio de nogueiras há 10 anos celebram a primeira grande safra da noz-pecã na Serra


Por Pedro Zanrosso







(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/economia/noticia/2026/05/produtores-que-apostaram-no-plantio-de-nogueiras-ha-dez-anos-celebram-a-primeira-grande-safra-da-noz-peca-naserra.html – texto adaptado especialmente para esta prova).
Considerando o gênero textual e a situação comunicativa apresentada no texto, assinale a alternativa INCORRETA sobre as características predominantes da linguagem do texto.
Alternativas
Q4136661 Português
Imagem associada para resolução da questão
Com base na imagem apresentada, assinale a alternativa que corresponde ao tipo textual nela predominante e o seu objetivo principal. 
Alternativas
Q4136596 Português
Produtores que apostaram no plantio de nogueiras há 10 anos celebram a primeira grande safra da noz-pecã na Serra


Por Pedro Zanrosso 





Considerando o gênero textual e a situação comunicativa apresentada no texto, assinale a alternativa INCORRETA sobre as características predominantes da linguagem do texto. 
Alternativas
Q4135987 Português

Nem toda dor de cabeça é igual, saiba quando procurar um médico


Por Bianca Queiroz









(Disponível em: www.metropoles.com/saude/dor-de-cabeca-pode-indicar-algo – texto adaptado especialmente para esta prova). 

Considerando a intencionalidade discursiva do texto, assinale a alternativa que melhor representa a sua finalidade. 
Alternativas
Q4135909 Português
A estrutura básica de uma redação é composta por três partes: introdução, desenvolvimento e conclusão. Assinale a alternativa que apresenta parte da conclusão. 
Alternativas
Q4135862 Português

Texto para responder à questão.


    De acordo com a classificação Nova, alimentos ultraprocessados são definidos como formulações industriais resultantes de uma sequência de processos, incluindo fracionamento de alimentos inteiros em substâncias, modificação e/ou recombinação dessas substâncias, bem como uso de aditivos cosméticos e embalagens atrativas. Esses produtos são altamente duráveis, rentáveis por utilizarem ingredientes de baixo custo, prontos para o consumo, hiperpalatáveis e com potencial para substituir todos os outros grupos de alimentos. O consumo excessivo de alimentos ultraprocessados tem sido associado a uma deterioração geral da qualidade nutricional das dietas, uma vez que está diretamente ligado ao consumo em excesso de energia e ao aumento do consumo de açúcares livres, gorduras totais e gorduras saturadas e diminução do do consumo de fibras, proteínas e vitaminas.


Disponível em: <https://rsp.fsp.usp.br/wp-content/uploads/articles_xml/1518-8787-rsp-59-00e5-TCsyf/1518-8787-rsp-59-00e5-TCsyf-pt.pdf>. Acesso em 17 mar. 2026.

Com relação à tipologia textual, o texto apresentado é predominantemente,
Alternativas
Q4135693 Português
Mulheres que amam de menos... (Martha Medeiros).

Eu quero dar meu depoimento. Creio ter um problema. Se mulheres que amam demais são aquelas que sufocam seus parceiros, que não confiam neles, que investigam cada passo que eles dão e que não conseguem pensar em mais nada a não ser em fantasiosas traições, então eu preciso admitir: sou uma mulher que ama de menos.
Eu nunca abri a caixa de mensagens do celular do meu marido.
Eu nunca abri um papel que estivesse em sua carteira.
Eu nunca fico irritada se uma colega de trabalho telefona pra ele.
Eu não escuto a conversa dele na extensão.
Eu não controlo o tanque de gasolina do carro dele para saber se ele andou muito ou pouco.
Eu não me importo quando ele acha outra mulher bonita, desde que ela seja realmente bonita.
Se não for, é porque ele tem mau gosto
Eu não me sinto insegura se ele não me faz declarações de amor a toda hora.
Eu não azucrino a vida dele.
Segundo o que tenho visto por aí, meu diagnóstico é lamentável: eu o amo pouco. Será?
Obsessão e descontrole são doenças sérias e merecem respeito e tratamento, mas batizar isso de "amar demais" é uma romantização e um desserviço às mulheres e aos homens. Fica implícito que amar tem medida, que amar tem limite, quando na verdade amar nunca é demais. O que existem são mulheres e homens que têm baixa autoestima, que têm níveis exagerados de insegurança e que não sabem a diferença entre amor e possessão. E tem aqueles que são apenas ciumentos e desconfiados, tornando-se chatos demais.
Mas se todo mundo concorda que uma patologia pode ser batizada de "amor demais", então eu vou fundar As Mulheres que Amam De Menos, porque, pelo visto, quem é calma, quem não invade a privacidade do outro e quem confia na pessoa que escolheu pra viver também está doente.
Referindo-se à tipologia textual, leia os itens, assinale (V) verdadeiro ou (F) falso e indique a alternativa correta.
( ) No texto dissertativo há verbos de ação. Conectores temporais.
( ) Texto narrativo: relatar acontecimentos.
( ) Texto descritivo: caracterizar, qualificar cenas, personagens.
( ) Texto dissertativo: discutir, abstrair, discorrer, conceituar. Não descrever. 
Alternativas
Q4132954 Português

Imagem associada para resolução da questão


Com base na imagem apresentada, assinale a alternativa que corresponde ao tipo textual nela predominante e o seu objetivo principal.

Alternativas
Q4132862 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.

BBB: O ESPELHO QUE A GENTE EVITA — MAS NÃO CONSEGUE PARAR DE OLHAR

Patrícia Silva Rosas de Araújo

    O que parecia improvável aconteceu: voltei a assistir ao Big Brother Brasil. Minha única referência era a estreia, em 2002. Naquele tempo, o país inteiro ficou meio hipnotizado ao ver desconhecidos topando o confinamento numa casa cenográfica, cercados por câmeras 24 horas por dia. A lógica segue a mesma até hoje: participantes isolados do mundo, convivendo sob pressão, enfrentando provas, formando alianças, votando uns nos outros e sendo eliminados semanalmente pelo público até que reste um vencedor levando um prêmio milionário.
     Voltei agora meio sem querer. Procurava distração num ano que já começou pesado: conflitos internacionais que não cessam, clima eleitoral sempre turvo, alianças políticas difíceis de engolir e até a ansiedade pré-Copa do Mundo, com aquela sensação incômoda de não saber direito quem são nossos craques. 2026 mal começou e já parece cansado.
    Nessas horas, a gente tenta escapar por algum canto. Eu, por exemplo, estava esperando a nova temporada de Virgin River. Veio e me decepcionou. A vida de Mel e Jack virou um acúmulo interminável de problemas. Chega uma hora em que cansa. Lembrei de Maya Angelou: "Cada pessoa merece um dia no qual nenhum problema é enfrentado, nenhuma solução é procurada." A série parece não ter entendido isso. Esse desvio todo talvez soe como justificativa. E é mesmo, um pouco. Porque, convenhamos, uma professora universitária tem uma lista infinita de tarefas: aulas, orientações, projetos, reuniões, bancas. Onde entra o BBB nisso tudo?
    Entrei sem compromisso, como quem abre a janela só para ver o tempo. Mas o que encontrei não foi exatamente descanso.
    A premissa é simples e cruel: coloque pessoas diferentes, algumas com histórias mal resolvidas entre si, dentro da mesma casa, sob vigilância constante e com um prêmio que pode ultrapassar os cinco milhões de reais. Pronto. Está montado o experimento social mais popular do país. E, como em todo experimento, o que aparece ali diz mais sobre nós do que gostaríamos de admitir.
    Dessa edição, duas coisas têm me chamado atenção.
    A primeira: casa nenhuma é neutra. Toda casa é um campo de disputa, com ou sem prêmio milionário. Convivência é negociação o tempo todo. Há sempre quem queira ordem, rotina, controle. E há quem viva melhor no improviso, tomando café na primeira caneca que aparecer, ou até num copo de extrato de tomate. Dentro de quatro paredes, essas diferenças não desaparecem, elas se amplificam. A casa vira uma panela de pressão. A gente regula o fogo como pode, mas qualquer descuido faz a válvula chiar. A segunda: somos, em grande medida, cegos para nós mesmos. Não temos muita noção do peso das nossas palavras, dos nossos silêncios, dos nossos gestos. No confinamento, isso se intensifica.
    A falsa sensação de intimidade embaralha tudo. Quando os participantes saem assistem ao que fizeram lá dentro, o espanto é quase sempre o mesmo. "Eu não sou assim." "Ali dentro é diferente." “Era o jogo." E difícil sustentar a própria imagem quando ela volta editada, repetida, ampliada na tela.
    Confesso que um dos momentos que mais me interessam é justamente a eliminação. Quando o participante deixa a casa e encara o mundo de novo, não tem como não lembrar do Mito da Caverna de Platão. Lá dentro, tudo parece fazer sentido. Aqui fora, a luz incomoda. Ver-se de fora exige um tipo de coragem que nem todo mundo tem.
    No fim, fico com uma dúvida que não é simples: o que realmente molda o comportamento de quem está ali? É o dinheiro em jogo, capaz de justificar quase qualquer estratégia? Ou é a vigilância constante, esse olho que nunca pisca e que, paradoxalmente, parece distorcer mais do que revelar?
    Talvez o desconforto venha justamente daí. O BBB não é só entretenimento. É um espelho meio cruel. E nem todo mundo gosta do que vê quando a luz acende e escuta a frase: "Quem sai hoje, é você"!

ARAÚJO, Patrícia Silva Rosas de. Fala Tu! João Pessoa, v. 1, n. 2, 2026. ISSN 3086-111X. Acesso em16/05/2026.
Considerando as características discursivas, linguísticas e composicionais do texto, assinale a alternativa que identifica corretamente o gênero predominante.
Alternativas
Ano: 2026 Banca: FGV Órgão: Prefeitura de Macaé - RJ Provas: FGV - 2026 - Prefeitura de Macaé - RJ - Cirurgião-Dentista - Pacientes com Necessidades Especiais | FGV - 2026 - Prefeitura de Macaé - RJ - Cirurgião-Dentista Protesista | FGV - 2026 - Prefeitura de Macaé - RJ - Médico Diarista Infectologista | FGV - 2026 - Prefeitura de Macaé - RJ - Enfermeiro do Trabalho | FGV - 2026 - Prefeitura de Macaé - RJ - Médico I – Diarista Neurologista | FGV - 2026 - Prefeitura de Macaé - RJ - Médico Diarista Pediatra | FGV - 2026 - Prefeitura de Macaé - RJ - Médico I – Diarista Cardiologista | FGV - 2026 - Prefeitura de Macaé - RJ - Médico I – Diarista Pneumologista | FGV - 2026 - Prefeitura de Macaé - RJ - Médico Cirurgião Pediátrico | FGV - 2026 - Prefeitura de Macaé - RJ - Médico da Estratégia Saúde da Família | FGV - 2026 - Prefeitura de Macaé - RJ - Médico I - Diarista Endocrinologista | FGV - 2026 - Prefeitura de Macaé - RJ - Médico I – Diarista Geriátrico | FGV - 2026 - Prefeitura de Macaé - RJ - Médico I – Diarista Mastologista | FGV - 2026 - Prefeitura de Macaé - RJ - Médico I – Diarista Proctologista | FGV - 2026 - Prefeitura de Macaé - RJ - Médico I – Diarista Psiquiatra | FGV - 2026 - Prefeitura de Macaé - RJ - Cirurgião-Dentista Bucomaxilofacial Diarista | FGV - 2026 - Prefeitura de Macaé - RJ - Cirurgião-Dentista Estomatologista | FGV - 2026 - Prefeitura de Macaé - RJ - Cirurgião-Dentista Odontopediatra | FGV - 2026 - Prefeitura de Macaé - RJ - Médico I – Patologista | FGV - 2026 - Prefeitura de Macaé - RJ - Médico I – Reumatologista | FGV - 2026 - Prefeitura de Macaé - RJ - Médico Plantonista Endoscopista Digestivo |
Q4132655 Português
Assinale a opção que apresenta a frase que deve ser incluída entre os textos argumentativos por apresentar a defesa de uma ideia com argumentos.
Alternativas
Q4132323 Português
Texto para a questão.

Quanto à tipologia, o texto é predominantemente  
Alternativas
Q4132186 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.

BBB: O ESPELHO QUE A GENTE EVITA — MAS NÃO CONSEGUE PARAR DE OLHAR

Patrícia Silva Rosas de Araújo

    O que parecia improvável aconteceu: voltei a assistir ao Big Brother Brasil. Minha única referência era a estreia, em 2002. Naquele tempo, o país inteiro ficou meio hipnotizado ao ver desconhecidos topando o confinamento numa casa cenográfica, cercados por câmeras 24 horas por dia. A lógica segue a mesma até hoje: participantes isolados do mundo, convivendo sob pressão, enfrentando provas, formando alianças, votando uns nos outros e sendo eliminados semanalmente pelo público até que reste um vencedor levando um prêmio milionário.
     Voltei agora meio sem querer. Procurava distração num ano que já começou pesado: conflitos internacionais que não cessam, clima eleitoral sempre turvo, alianças políticas difíceis de engolir e até a ansiedade pré-Copa do Mundo, com aquela sensação incômoda de não saber direito quem são nossos craques. 2026 mal começou e já parece cansado.
    Nessas horas, a gente tenta escapar por algum canto. Eu, por exemplo, estava esperando a nova temporada de Virgin River. Veio e me decepcionou. A vida de Mel e Jack virou um acúmulo interminável de problemas. Chega uma hora em que cansa. Lembrei de Maya Angelou: "Cada pessoa merece um dia no qual nenhum problema é enfrentado, nenhuma solução é procurada." A série parece não ter entendido isso. Esse desvio todo talvez soe como justificativa. E é mesmo, um pouco. Porque, convenhamos, uma professora universitária tem uma lista infinita de tarefas: aulas, orientações, projetos, reuniões, bancas. Onde entra o BBB nisso tudo?
    Entrei sem compromisso, como quem abre a janela só para ver o tempo. Mas o que encontrei não foi exatamente descanso.
    A premissa é simples e cruel: coloque pessoas diferentes, algumas com histórias mal resolvidas entre si, dentro da mesma casa, sob vigilância constante e com um prêmio que pode ultrapassar os cinco milhões de reais. Pronto. Está montado o experimento social mais popular do país. E, como em todo experimento, o que aparece ali diz mais sobre nós do que gostaríamos de admitir.
    Dessa edição, duas coisas têm me chamado atenção.
    A primeira: casa nenhuma é neutra. Toda casa é um campo de disputa, com ou sem prêmio milionário. Convivência é negociação o tempo todo. Há sempre quem queira ordem, rotina, controle. E há quem viva melhor no improviso, tomando café na primeira caneca que aparecer, ou até num copo de extrato de tomate. Dentro de quatro paredes, essas diferenças não desaparecem, elas se amplificam. A casa vira uma panela de pressão. A gente regula o fogo como pode, mas qualquer descuido faz a válvula chiar. A segunda: somos, em grande medida, cegos para nós mesmos. Não temos muita noção do peso das nossas palavras, dos nossos silêncios, dos nossos gestos. No confinamento, isso se intensifica.
    A falsa sensação de intimidade embaralha tudo. Quando os participantes saem assistem ao que fizeram lá dentro, o espanto é quase sempre o mesmo. "Eu não sou assim." "Ali dentro é diferente." “Era o jogo." E difícil sustentar a própria imagem quando ela volta editada, repetida, ampliada na tela.
    Confesso que um dos momentos que mais me interessam é justamente a eliminação. Quando o participante deixa a casa e encara o mundo de novo, não tem como não lembrar do Mito da Caverna de Platão. Lá dentro, tudo parece fazer sentido. Aqui fora, a luz incomoda. Ver-se de fora exige um tipo de coragem que nem todo mundo tem.
    No fim, fico com uma dúvida que não é simples: o que realmente molda o comportamento de quem está ali? É o dinheiro em jogo, capaz de justificar quase qualquer estratégia? Ou é a vigilância constante, esse olho que nunca pisca e que, paradoxalmente, parece distorcer mais do que revelar?
    Talvez o desconforto venha justamente daí. O BBB não é só entretenimento. É um espelho meio cruel. E nem todo mundo gosta do que vê quando a luz acende e escuta a frase: "Quem sai hoje, é você"!

ARAÚJO, Patrícia Silva Rosas de. Fala Tu! João Pessoa, v. 1, n. 2, 2026. ISSN 3086-111X. Acesso em16/05/2026.
Considerando as características discursivas, linguísticas e composicionais do texto, assinale a alternativa que identifica corretamente o gênero predominante.
Alternativas
Ano: 2026 Banca: IV - UFG Órgão: Prefeitura de Senador Canedo - GO Provas: IV - UFG - 2026 - Prefeitura de Senador Canedo - GO - Analista de Saúde - Assistente Social | IV - UFG - 2026 - Prefeitura de Senador Canedo - GO - Analista de Saúde - Biomédico | IV - UFG - 2026 - Prefeitura de Senador Canedo - GO - Analista de Saúde - Psicólogo | IV - UFG - 2026 - Prefeitura de Senador Canedo - GO - Analista de Saúde - Enfermeiro | IV - UFG - 2026 - Prefeitura de Senador Canedo - GO - Analista de Saúde - Enfermeiro Obstetrico | IV - UFG - 2026 - Prefeitura de Senador Canedo - GO - Analista de Saúde - Terapeuta Ocupacional | IV - UFG - 2026 - Prefeitura de Senador Canedo - GO - Analista de Saúde - Fisioterapeuta | IV - UFG - 2026 - Prefeitura de Senador Canedo - GO - Cirurgião Dentista - Endodontista | IV - UFG - 2026 - Prefeitura de Senador Canedo - GO - Analista de Saúde - Farmacêutico | IV - UFG - 2026 - Prefeitura de Senador Canedo - GO - Cirurgião Dentista - Bucomaxilofacial | IV - UFG - 2026 - Prefeitura de Senador Canedo - GO - Cirurgião Dentista - Ortodontista | IV - UFG - 2026 - Prefeitura de Senador Canedo - GO - Cirurgião Dentista - Paciente Especial | IV - UFG - 2026 - Prefeitura de Senador Canedo - GO - Analista de Saúde - Fonoaudiólogo | IV - UFG - 2026 - Prefeitura de Senador Canedo - GO - Cirurgião Dentista - Protesista | IV - UFG - 2026 - Prefeitura de Senador Canedo - GO - Cirurgião Dentista - Periodontista | IV - UFG - 2026 - Prefeitura de Senador Canedo - GO - Analista de Saúde - Médico Veterinário | IV - UFG - 2026 - Prefeitura de Senador Canedo - GO - Educador Físico | IV - UFG - 2026 - Prefeitura de Senador Canedo - GO - Analista de Saúde - Nutricionista | IV - UFG - 2026 - Prefeitura de Senador Canedo - GO - Fiscal de Saude Publica - Arquiteto | IV - UFG - 2026 - Prefeitura de Senador Canedo - GO - Cirurgião Dentista - Clínico Geral |
Q4132060 Português
Leia o Texto 2 para responder à questão.


Texto 2


O movimento conhecido como cultura do cancelamento, que começou, sim, como uma forma de chamar a atenção para injustiças de todo tipo e proteção ambiental, se tornou uma arma de execração pública e de censura capaz de atingir indistintamente anônimos e famosos, tanto faz.

A cultura do cancelamento é um linchamento virtual e é assim que vou chamá-lo, pois funciona como o conhecido linchamento ou linchagem, que é o assassinato de uma ou mais pessoas cometido por uma multidão com o objetivo de punir um suposto transgressor.

Basta um registro aleatório jogado na internet de um possível ato reprovável ou que contrarie os valores geralmente aceitos como corretos, para que uma pessoa seja marcada permanentemente pelo linchamento virtual […].

Para muitos não há uma segunda chance. As redes sociais tornaram-se reféns dos excessos irrazoáveis do justiçamento do cancelamento.

Assim, a ferramenta que era para intensificar a voz de grupos oprimidos, forçar ações políticas ou banir aqueles que tivessem cometido atos reprováveis — como racismo e violência sexual, dentre outros — tornou-se uma ameaça, pronta para destruir reputações a qualquer preço. E isso exige vigilância e um combate jurídico dos excessos na mesma proporção, rapidez e intensidade […].


WILIANS, Nelson. Linchamento virtual: a cultura do cancelamento. Estúdio Folha, Folha de São Paulo, 10. Fev. 2021. Disponível em: https://estudio.folha.uol.com.br/nelson-wilians/2021/02/linchamento-virtua-acultura-do-cancelamento.shtml. Acesso em: 29 nov. 2025.
Considerando o texto apresentado sobre a cultura do cancelamento, qual é o tipo de argumento predominante empregado pelo autor?
Alternativas
Ano: 2026 Banca: IV - UFG Órgão: Prefeitura de Senador Canedo - GO Provas: IV - UFG - 2026 - Prefeitura de Senador Canedo - GO - Analista de Saúde - Assistente Social | IV - UFG - 2026 - Prefeitura de Senador Canedo - GO - Analista de Saúde - Biomédico | IV - UFG - 2026 - Prefeitura de Senador Canedo - GO - Analista de Saúde - Psicólogo | IV - UFG - 2026 - Prefeitura de Senador Canedo - GO - Analista de Saúde - Enfermeiro | IV - UFG - 2026 - Prefeitura de Senador Canedo - GO - Analista de Saúde - Enfermeiro Obstetrico | IV - UFG - 2026 - Prefeitura de Senador Canedo - GO - Analista de Saúde - Terapeuta Ocupacional | IV - UFG - 2026 - Prefeitura de Senador Canedo - GO - Analista de Saúde - Fisioterapeuta | IV - UFG - 2026 - Prefeitura de Senador Canedo - GO - Cirurgião Dentista - Endodontista | IV - UFG - 2026 - Prefeitura de Senador Canedo - GO - Analista de Saúde - Farmacêutico | IV - UFG - 2026 - Prefeitura de Senador Canedo - GO - Cirurgião Dentista - Bucomaxilofacial | IV - UFG - 2026 - Prefeitura de Senador Canedo - GO - Cirurgião Dentista - Ortodontista | IV - UFG - 2026 - Prefeitura de Senador Canedo - GO - Cirurgião Dentista - Paciente Especial | IV - UFG - 2026 - Prefeitura de Senador Canedo - GO - Analista de Saúde - Fonoaudiólogo | IV - UFG - 2026 - Prefeitura de Senador Canedo - GO - Cirurgião Dentista - Protesista | IV - UFG - 2026 - Prefeitura de Senador Canedo - GO - Cirurgião Dentista - Periodontista | IV - UFG - 2026 - Prefeitura de Senador Canedo - GO - Analista de Saúde - Médico Veterinário | IV - UFG - 2026 - Prefeitura de Senador Canedo - GO - Educador Físico | IV - UFG - 2026 - Prefeitura de Senador Canedo - GO - Analista de Saúde - Nutricionista | IV - UFG - 2026 - Prefeitura de Senador Canedo - GO - Fiscal de Saude Publica - Arquiteto | IV - UFG - 2026 - Prefeitura de Senador Canedo - GO - Cirurgião Dentista - Clínico Geral |
Q4132055 Português
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Texto 1


Eu não acredito na transparência do olhar sobre mim ou sobre os outros. O olhar puro e transparente pressupõe uma essência e uma capacidade que eu acredito que não sejamos portadores. Eu não poderia olhar para mim, porque não tenho uma essência e nem sou permanentemente algo. Eu sou uma soma de muitas coisas e posso ter, sobre mim, opiniões muito variadas e distintas.

Uma fábula indiana de que gosto muitíssimo narra que quatro cegos se aproximam de um elefante. O primeiro cego, que nunca tinha visto um elefante, diz, ao apalpar seu abdômen, que ele se parece com uma parede. Outro cego diz que ele se parece com uma corda, ao apalpar sua cauda. O terceiro diz que ele se parece com quatro colunas, ao apalpar suas pernas, e o último cego diz que o elefante se parece com uma espada, ao apalpar o marfim. Todos os quatro têm razão e todos eles deram uma visão parcial do elefante. A verdade não é a soma dos quatro, porque o elefante não é uma parede, corda, colunas e espada: é algo ainda além disso.

Eu não acredito na transparência. Porém, não acredito também que estamos condenados ao olhar opaco. Ao defender que não existe o olhar opaco, quero dizer que não estamos condenados ao narciso permanente de nós mesmos num espelho, como uma velha que pergunta ao espelho se haverá alguém mais bela do que ela, e que só aceita uma resposta ou ameaça quebrar o espelho, caso a resposta não seja aquela.

Eu não acredito na transparência e nem na opacidade do olhar. Eu acredito que o exercício crítico, a filosofia, a psicanálise, a história, a antropologia, a sabedoria, a idade, a experiência, a dor – todas essas coisas podem tornar o meu olhar cada vez mais translúcido.

Cada vez mais eu olho para os outros, mas nunca os verei. Cada vez mais eu olho para mim, mas nunca captarei, pois sempre me falta a experiência totalizadora, a última, a absoluta - que é morrer. Logo, nunca terei domínio de tudo, por que não sei ainda como é morrer. Como diz Woody Allen: “Não tenho nada contra a morte. Só não gostaria de estar presente.”


KARNAL, Leandro. Por que nunca chegaremos à verdade. In: Fronteiras do Pensamento. Site. Disponível em: https://www.fronteiras.com/leia/exibir/leandro-karnal-por-que-nuncachegaremos-a-verdade. Acesso em: 26. nov. 2025. [Adaptado].
O texto apresentado desenvolve uma reflexão sobre a impossibilidade de um olhar plenamente transparente sobre si e sobre o outro, recorrendo a reflexões filosóficas, e a narrativas e referências culturais para construir seu ponto de vista. Considerando a tipologia e o gênero textual-discursivo, compreende-se que o texto
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Q4132007 Português
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Texto 1


Todas as vezes em que se fala sobre a incrível capacidade humana de dominar a natureza – com os elogios de praxe à nossa inventividade e poderio e, mais ainda, o orgulho de uma racionalidade que se aproxima da petulância – Benauro Roberto de Oliveira, um paulista estudioso da história natural e social –, conta e reconta em suas competentes e concorridas aulas uma das lendárias manifestações que cercam a personalidade de Jacques-Yves Cousteau, o francês que se tornou o maior dos oceanógrafos do século 20.

Dizem que um jovem jornalista entrevistava Cousteau sobre o nosso temor aos tubarões e desejava saber quais as chances de um de nós escapar no enfrentamento direto com um desses estupendos animais. O cientista respondeu que as probabilidades de sair ileso eram nulas. O jornalista não se satisfez e perguntou, em sequência, se o tubarão atacaria se já estivesse alimentado, se fosse de noite, se estivéssemos numa jaula, se fôssemos muitos, se carregássemos um arpão, se entregássemos alguma isca etc.; a cada pergunta, a resposta de Cousteau era a mesma: o bicho atacará de qualquer modo. Irritado, o jovem bradou: mas isso não tem lógica! Com paciência, o genial pesquisador dos mares retrucou: Tem sim, mas é a lógica do tubarão...

É preciso lembrar insistentemente a sabedoria emanada dos muitos modos como a vida se expressa no planeta no qual habitamos (e que muitos preferem chamar de “nosso” planeta, com uma dissimulada satisfação de dono): não somos proprietários, e sim usuários compartilhantes. Podemos, em alguns momentos da nossa história, imaginar que controlamos, dominamos e possuímos sem restrições tudo que nesta terra está, com uma ilusão fugaz de invulnerável soberania [...].


CORTELLA, M. S. Não espere pelo Epitáfio!: Provações filosóficas. 16 ed. Petrópolis/RJ: Vozes Nobilis, 2014, p. 31. 
O modo de organização do discurso e a natureza do raciocínio empreendido pelo filósofo Mário Sérgio Cortella, valendo-se da voz do estudioso Benauro Robert de Oliveira diante da experiência vivida por Jacques-Yves Cousteau, consistem em um raciocínio
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Q4131721 Português
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Texto 3


Em um cenário polarizado, no qual discussões fundamentais são reduzidas a disputas passionais comparáveis a torcidas de futebol, a ideia de independência segue um valor ético indispensável.

Não falo apenas da independência política ou econômica – as quais, cada qual a seu modo, possuem imenso valor –, mas daquela que se desdobra no campo do pensamento: a autonomia para refletir sem subordinação a consensos fáceis, para agir sem a necessidade de aprovação alheia.

A independência intelectual, essa condição tão rara quanto preciosa, me remete aos versos de Sérgio Sampaio em "Sinceramente", quando canta: "Não há nada mais bonito do que ser independente. E poder se conquistar, sair, chegar, assim, tão simplesmente. Não há nada mais tranquilo do que ser o que se sente. E poder amar, perder, chorar, depois ganhar, assim, tão livremente. Não há nada mais sozinho do que ser inteligente e poder cantarolar, errar, desafinar, assim, sinceramente".

É bonito bancar o que se é, ganhar, perder, mas ser fiel a si. Em "Minhas palavras estarão lá", a poeta feminista negra Audre Lorde também trouxe uma importante reflexão sobre independência, quando escreveu linhas memoráveis, que me fortalecem sempre que as leio: "Meus críticos sempre quiseram me ver sob uma determinada ótica. As pessoas fazem isso. É mais fácil lidar com um poeta, certamente com uma poeta negra, quando você a categoriza, limitando-a tanto que ela consegue preencher suas expectativas". E Lorde continua: "mas eu sempre senti que não posso ser categorizada, e esse sentimento tem sido tanto minha fraqueza quanto minha força. Tem sido minha fraqueza porque minha independência me custou o suporte de algumas pessoas. Mas, veja você, também tem sido minha força porque me dá o poder para seguir em frente".

Para mulheres negras em uma sociedade capitalista, racista e patriarcal, ser independente é um jogo de capoeira, um encontro entre a dança e a luta. Partindo de lugares vulneráveis economicamente, é preciso ginga para seguir, saber a hora de desviar do golpe, a hora de golpear, entender que o silêncio, muitas vezes, não é consenso, mas estratégia de sobrevivência. É uma dança que exige solitude, mas que projeta solidariedade, porque ao se libertar das amarras do pensamento hegemônico abre-se também espaço para que outros respirem."


RIBEIRO, Djamila. Independência ou morte: pensar de forma independente é recusar o mito da ordem e progresso. Folha de S. Paulo, 28 ago. 2025.
O texto trata de independência intelectual, incorporando conceitos, vozes de outros autores e imagens metafóricas ao longo de seu desenvolvimento. Considerando sua forma de organização, mostra-se predominante a sequência
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Q4128249 Português

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Texto 2 


O velhinho (sei que eu não deveria falar “velhinho”, não é politicamente correto, deveria falar “o cidadão da terceira idade” ou o “idoso”; mas o da minha estória era um “velhinho” mesmo...), pois o velhinho, após 50 anos de ausência, voltava pela primeira vez ao sítio onde passara sua infância. Visitava as matas, os caminhos, o riachinho. Quantas vezes o saltara com um pulo! E resolveu fazer o que sempre fizera: pulou... e caiu no meio. Assentado na água ele comentou: “E não é que o danado do riachinho nesses anos todos alargou e eu não havia notado?”.


Aconteceu coisa parecida comigo, não com um riachinho, mas com um bujão de gás. Quantas vezes levantei um bujão de gás com u’a mão só. E foi o que fiz, corrijo-me, foi o que tentei fazer. Não realizei a proeza porque, no momento mesmo em que peguei o bujão, uma mordida no nervo da minha coluna me obrigou a largá-lo no chão. E lá fui eu, gemendo e andando como um caranguejo. Aí, como o velhinho, esse velhinho que lhes escreve, lamenta que os bujões tenham dobrado de peso sem que eu tenha sido avisado. Daí pra frente tem sido dor, tudo por causa do maldito bujão.


Já passei por várias experiências de dor. Hérnia de disco. Um ortopedista me disse que só opera hérnia de disco quando o sofredor está a ponto de cometer suicídio. Tudo, menos dor. Cálculo renal. No hospital aplicaram-me seis ampolas de Buscopan. Foi igual a água. Aí eu estava verde e comecei a vomitar de dor. O médico então disse à enfermeira: “Aplique uma Dolantina nele...” Ela aplicou. Não se passaram nem cinco minutos. Eu estava no Paraíso. Senti, então, a felicidade indescritível que não depende de prazer algum. Bastava não ter dor. Sem dor o universo é maravilhoso.


ALVES, Rubem. A dor. Folha de S. Paulo, 21 mar. 2006. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2103200611.htm. Acesso em: 28 nov. 2025. [Adaptado].

No primeiro parágrafo da crônica, o texto apresenta informações sobre um personagem, seus deslocamentos e suas percepções ao revisitar um ambiente conhecido. Considerando a tipologia textual predominante nesse trecho, o parágrafo 
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Respostas
1: D
2: B
3: D
4: A
5: D
6: A
7: C
8: D
9: E
10: D
11: D
12: B
13: C
14: A
15: B
16: C
17: C
18: A
19: D
20: B