Questões de Concurso Sobre sintaxe em português

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Q3720771 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão:

     Uma fábula conta que um camponês construiu sua choupana perto da toca da cobra cascavel. Um dia, a cobra saiu da toca, picou e matou seu único filho. Ele ficou com tamanho ódio da serpente que pegou um machado e correu atrás dela para matá-la, mas, embora tenha dado um golpe certeiro, não conseguiu seu objetivo porque a cobra foi mais esperta, entrou rapidamente na toca. O que o camponês conseguiu foi apenas cortar um pedaço do rabo da serpente. Ela ficou viva e ferida, mais perigosa ainda. E a fábula conta que, depois disso, o camponês quis reatar a amizade com a cobra, porque ficou com medo de ser, ele mesmo, também picado pela cascavel. Então, ele colocou pão e sal na entrada da toca da cobra (para começar a dar sinais de amizade). No entanto, a serpente saiu e disse: “Todas as vezes que nos encontrarmos, camponês, lembrarei que quiseste matar-me e que não conseguiste seu objetivo somente porque fui mais esperta. Mas, embora queira reatar nossa amizade, na verdade eu não sei se ainda tens a intenção de acabar comigo. E, de tua parte, quando me encontrares, vais te lembrar imediatamente de teu filho morto. Portanto, esquece. Não existe a menor chance, a menor hipótese de sermos amigos porque não confiamos um no outro”.

(Carlos Pessoa, professor e especialista em Negociação e Gestão Estratégica)
Assinale a opção incorreta quanto à análise da passagem em destaque retirada do texto:  
Alternativas
Q3720767 Português
Leia a notícia a seguir:

Captura_de tela 2025-11-12 170851.png (263×335)

Assinale a única alternativa que não apresenta um erro de português:
Alternativas
Q3720765 Português
Leia o texto a seguir para responder à questtão:

ALÉM DA POSSE

    Não há dúvidas de que foi histórica a posse do presidente Lula. Com a ausência do Jair, ele reuniu os representantes da sociedade civil Aline Sousa, o cacique Raoni, Weslley Rocha, Murilo Jesus, Jucimara dos Santos, Ivan Baron, Flávio Pereira, Francisco, de 10 anos, além da cachorrinha Resistência, na passagem da faixa presidencial. Tudo isso em uma semana densa que juntou não apenas notícias que vinham de Brasília, mas também o triste adeus ao rei Pelé.
    Sob o sol escaldante, acompanhei de pertinho um pouco das cerimônias que marcaram o retorno de Lula para um terceiro mandato, e também a posse de alguns dos ministros.
  Recomendo a experiência pelo menos uma vez na vida, seja qual for sua convicção política. Acompanhar de perto e observar os formatos, as falas e os públicos de cada cerimônia de posse... Isso já diz muito do direcionamento que dá base a cada um. E certamente o desenrolar das práticas ao longo do tempo, para além dos discursos, dirá muito mais. Vivendo isso, pensei sobre como podemos abrir caminhos para fazer valer o legado do rei Pelé, deixando brilhar mais reis e rainhas, no plural.
     Me emocionei ao ver a ministra Margareth Menezes e a cultura tomando posse. Ou, ainda, o ministro dos Direitos Humanos e da Cidadania, Silvio Almeida, em seu discurso sobre não esquecer os esquecidos, destacando que todos “existem e são valiosos”. Fiz questão de cumprimentar os ministros, desejando sorte, e também cobrando para que aquela representatividade, tão bonita na foto da histórica posse de Lula, não seja apenas limitada àquele momento.
    Que vá para além das pastas de Direitos Humanos, da Igualdade Racial ou dos Povos Originários. São conquistas, e já nascem mais representativas de setores da sociedade geralmente sub-representados. Mas queremos mais.
   Queremos que a representatividade seja escalada intencionalmente para os demais cargos de confiança que apoiam as tomadas de decisão que movimentam o país. Na fala do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, destaco a importante promessa em reduzir o peso tributário das famílias de baixa renda. Vamos acompanhar de perto seu quadro de secretários e assessores majoritariamente composto por homens e brancos com apenas duas representantes mulheres, sendo uma negra: Fernanda Santiago, assessora especial de Assuntos Jurídicos.
     Temos muitas conquistas a ser celebradas, como o número recorde, mesmo ainda sem paridade, de ministras e presidentes de bancos estatais mulheres. Mas o quadro esmagadoramente masculino e branco ainda se repete para a maioria dos outros ministérios e cargos de confiança.
     E “passam a boiada” do privilégio branco sob a cartada da competência em primeiro lugar, mas que sabidamente têm um viés de indicação e manutenção de pessoas brancas, heterossexuais, cisgêneros e sem deficiência, parecidas com as que majoritariamente já estão lá.
     Como já dizia Gal Costa, é preciso estar “atento e forte”, cobrando mudanças concretas. Uma delas, boa e necessária, seria a alteração do decreto da lei 10829/2021, incluindo reserva de 30% de vagas para negras e negros em cargos de comissão e funções de confiança em todos os níveis, com equidade de gênero. Não esquecer dos esquecidos não deve ser uma pauta apenas dos Direitos Humanos, mas de todas as partes de um novo governo que se propõe a cuidar de todas as pessoas.

(Luana Génot. Revista Ela. O Globo, 8/01/23, p. 23) 
As alternativas a seguir apresentam fragmentos retirados do texto lido, nos quais foram destacados exemplos de aposto especificativo. Isso só não ocorre em:  
Alternativas
Q3720099 Português
Sobre as definições e exemplos a seguir, marque a alternativa incorreta.
Alternativas
Q3720095 Português
Assinale a opção na qual há um erro de concordância verbal.
Alternativas
Q3720094 Português
Todas as frases abaixo estão incorretas do ponto de vista da gramática normativa, exceto:
Alternativas
Q3716550 Português
O tempo está voando?


    Pode não parecer para alguns de nós, mas as horas, os minutos e os segundos se moviam no passado na mesma velocidade que no presente. “O tempo absoluto, verdadeiro e matemático, por si mesmo e por sua própria natureza, flui igualmente sem relação com nada de externo, e com outro nome, é chamado de duração”, disse Isaac Newton séculos atrás. Então, __________ tantas pessoas sentem que ele tem andado mais rápido? E ___________, ele parece estar parado, em alguns momentos?


    Não é o tempo que fica mais curto. Ao contrário. A cada século, nossos dias se tornam 1,8 milissegundos mais longos. O que acontece é que a sensação de passagem do tempo reflete o que ocorre no nosso mundo interno. Ou seja, é o que sentimos que nos faz ver o tempo voar ou se arrastar. E essa nossa visão particular envolve diferentes áreas cerebrais – como as relacionadas à emoção e à memória – além de vários neurotransmissores.


    Nada interfere tanto na percepção do tempo como as nossas emoções. Quando o relógio não anda em sintonia com o que estamos sentindo no momento, ele pode parecer apressado ou lento.


    É por isso que quando nos acontecem coisas boas, temos a impressão de que o tempo passa rápido demais. Mas se vivemos um momento ruim, ele parece durar uma eternidade. Ambos despertam em nós reações diferentes. Quando estamos nos divertindo, nos envolvemos nessas atividades e não prestamos atenção no horário em si. Isso faz com que o tempo voe. Já quando estamos em uma situação aversiva, desconfortável, não vemos a hora dela terminar e acabamos voltando nossa atenção ao relógio.


    Sentir o tempo voar é uma sensação mais forte para algumas pessoas do que para outras. Antigamente, a ciência acreditava que o envelhecimento acentuava essa percepção. Mas essa certeza vem sendo contestada. Em um artigo publicado recentemente, os pesquisadores Sylvie Droit-Volet e John Wearden afirmam que experiência da passagem do tempo na vida cotidiana não tem a ver com a idade, mas com o estado emocional de cada um.


    Não se pode negar que é comum pessoas mais velhas terem um dia a dia sem muitos acontecimentos, sem as novidades e experiências marcantes que costumam fazer parte do início da vida. Por não terem memórias novas, elas veem os anos passarem num piscar de olhos. Mas isso não é uma regra. Há idosos que têm uma vida dinâmica e jovens presos a uma rotina monótona. Independentemente da idade, uma boa dica para “alongar” os dias é apreciar as coisas simples, como prestar mais atenção nas pessoas, nas ruas, nas cores, nos cheiros, nos sabores e em outros encantos do cotidiano que geralmente passam despercebidos.


(Fonte: Uol - adaptado.)
Se passarmos a palavra “relógio”, sublinhada no terceiro parágrafo do texto, para o plural, quantas outras palavras devem ser alteradas para que o período fique gramaticalmente CORRETO?
Alternativas
Q3715845 Português
Assinale a única alternativa em que a palavra ou expressão grifadas não é um adjunto adverbial.
Alternativas
Q3715841 Português
Com base nas orações abaixo, assinale a alternativa correta:

I. Os jovens gostam de aventuras.
II. Fred e Dudu adormeceram.
Alternativas
Q3714825 Português
O texto a seguir servirá de referência para a questão:

REVELAÇÃO

    Um leão foi atacado por uma matilha de lobos, que formaram um círculo em torno dele, uivando como todas as forças, embora nenhum deles tivesse coragem de se aproximar.
     - Essas criaturas são muito úteis – disse o leão, deitando-se para fazer a sesta – porque me revelam as minhas virtudes. Até hoje eu ignorava que minha carne fosse boa de comer. (José Carlos Oliveira) 
Identifique a voz verbal utilizada no trecho: “Um leão foi atacado por uma matilha de lobos”: 
Alternativas
Q3714822 Português
Leia o texto a seguir:

O CARRO E O CACHORRINHO
     Sujo, barulhento e opressor, o carro está acabando com o espaço vital do homem. O homem, porém, não vive sem ele. Na escala afetiva o carro superou até o cachorrinho de estimação. O que em parte se explica. O cachorrinho nós temos que levar para passear. Com o carro ocorre o contrário. Ele é que nos leva. O cachorrinho nos obriga a parar em tudo quanto é poste. Com o carro é diferente. A gente só para num poste de vez em quando. (Carlos Eduardo Novais)

No fragmento “O homem, porém, não vive sem ele.”, a palavra destacada apresenta uma ideia de:  
Alternativas
Q3714820 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão:

UM TESTE

     Minha avó tinha um processo único para contratar empregadas domésticas. No dia marcado para a entrevista, colocava no chão uma vassoura, perto da porta da frente, e ficava sentada na sala de espera. Quando a campainha soava, ela mandava a candidata entrar. Quem saltasse cuidadosamente a vassoura, era logo despachada. Quem apanhava a vassoura, logo ouvia a voz da vovó: “Está contratada”. (Revista Realidade)
As alternativas a seguir apresentam exemplos de adjuntos adverbiais retirados do texto, exceto:  
Alternativas
Q3714819 Português
O texto a seguir é um acróstico em homenagem ao município de Chácara. Leia-o para responder à questão:


MENSAGEM PARA MINHA CIDADE

Conhecer Chácara, torna-se muito prazeroso;
Hospitaleira, pura simplicidade, que povo carinhoso;
A igreja centenária, casas rústicas, que lugar gostoso;
Cativar as pessoas, contar histórias, acreditar ou ficar duvidoso;
Ao amanhecer, a buzina do padeiro acorda o preguiçoso;
Regar a horta, as flores, filho na escola, futuro auspicioso;
Acolhedora, carnaval, exposição, amigos, já estou saudoso!

(Onofre de Paula) 
Releia: “Ao amanhecer, a buzina do padeiro acorda o preguiçoso;”. A expressão destacada exerce a função sintática de:
Alternativas
Q3714532 Português

“Miguel levantou-se, fez uma pergunta e a professora respondeu...”.


Sobre o trecho acima, há uma alternativa que está incorreta. Assinale-a:

Alternativas
Q3714405 Português

Q20.png (360×253)

(Fonte: http://revistaverde.net.br/site/vernoticia/88/dia-dos-namorados/)


Em relação à charge acima, é INCORRETO afirmar que

Alternativas
Q3713913 Português
        O Sol é a estrela que mantém o Sistema Solar unido graças à sua gravidade. Sem sua presença, a vida na Terra como conhecemos não seria possível. A conexão e as interações entre a estrela e este planeta determinam as estações do ano, as correntes oceânicas, o tempo e o clima, entre outras coisas, de acordo com a NASA – agência espacial norte-americana.

        O Sol tem um impacto importante sobre o clima da Terra: ele é considerado um garantidor da vida, pois ajuda a manter o planeta quente o suficiente para que ela exista. No entanto, a estrela mais próxima da Terra não é responsável pela tendência de aquecimento global registrada nas últimas décadas. De acordo com NASA, o aquecimento global em evidência nas últimas décadas é um evento muito precoce para ser vinculado às mudanças na órbita da Terra e grande demais para ser causado pela atividade solar, diz a agência espacial. A NASA vem estudando a estrela do Sistema Solar há bastante tempo e, segundo a agência, há duas evidências que refutam a crença de que o Sol é a causa do aquecimento global.

        Por um lado, observa a agência, a quantidade de energia solar que atinge a atmosfera superior tem sido monitorada desde 1978, e os cientistas conseguiram determinar que não houve tendência de aumento na quantidade de energia solar que atinge o planeta. "Uma segunda evidência irrefutável é que, se o Sol fosse responsável pelo aquecimento global, esperaríamos ver um aumento nas temperaturas em todas as camadas da atmosfera. Na realidade, o que se observa é um aquecimento na superfície e um resfriamento na estratosfera. Isso é consistente com o fato de esse fenômeno ser devido a um acúmulo de gases que retêm o calor perto da superfície da Terra", informa a NASA.

        Como o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU aponta, há um amplo consenso científico de que as variações de longo e curto prazo na atividade solar desempenham apenas um papel muito pequeno no clima da Terra. De fato, o aquecimento causado pelo aumento dos gases de efeito estufa induzido pelo ser humano é muito maior do que os efeitos decorrentes das variações recentes da atividade solar. Desde 1750, o aquecimento causado pelos gases de efeito estufa, provenientes da combustão de combustíveis fósseis, é mais de 270 vezes maior do que o leve aumento nas temperaturas do próprio sol no mesmo intervalo de tempo.

(Fonte: National Geographic Brasil — adaptado.)
A respeito das conjunções e locuções conjuntivas, marcar C para as afirmativas Certas, E para as Erradas e, após, assinalar a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
( ) Se a frase “Ele não pratica natação nem corrida” fosse reescrita como “Ele pratica natação e corrida”, manteria a ideia de adição.
( ) Se a frase “Ela dormiu cedo, mas acordou tarde” fosse reescrita como “Ela dormiu cedo, porém acordou tarde”, manteria a ideia de oposição.
( ) Se a frase “O paciente apresentou melhoras, portanto, poderá ir para casa” fosse reescrita como “O paciente apresentou melhoras, logo, poderá ir para casa”, manteria a ideia de condição.
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Q3713872 Português
O encontro

Ela o encontrou pensativo em frente aos vinhos importados. Quis virar, mas era tarde, o carrinho dela parou junto ao pé dele. Ele a encarou, primeiro sem expressão, depois com surpresa, depois com embaraço, e no fim os dois sorriram. Tinham estado casados seis anos e separados, um, e aquela era a primeira vez que se encontravam depois da separação. Sorriram, e ele falou antes dela; quase falaram ao mesmo tempo.

― Você está morando por aqui?

― Na casa do papai.

Na casa do papai! Ele sacudiu a cabeça, fingiu que arrumava alguma coisa dentro do seu carrinho ― enlatados, bolachas, muitas garrafas ― tudo para ela não ver que ele estava muito emocionado. Soubera da morte do ex-sogro, mas não se animara a ir ao enterro. Fora logo depois da separação, ele não tivera coragem de ir dar condolências formais à mulher que, uma semana antes, ele chamara de vaca. Como era mesmo que ele tinha dito? “Tu és uma vaca sem coração!” Ela não tinha nada de vaca, era uma mulher esbelta, mas não lhe ocorrera outro insulto. Fora a última palavra que ele lhe dissera. E ela lhe chamara de farsante. Achou melhor não perguntar pela mãe dela.

― E você? ― perguntou ela, ainda sorrindo. Continuava bonita…

― Tenho um apartamento aqui perto.

Fizera bem em não ir ao enterro do velho. Melhor que o primeiro reencontro fosse assim, informal, num supermercado, à noite. O que é que ela estaria fazendo ali àquela hora?

― Você sempre faz compras de madrugada?

Meu Deus, pensou, será que ela vai tomar a pergunta como ironia?

Esse tinha sido um dos problemas do casamento, ele nunca sabia como ela ia interpretar o que ele dizia. Por isso, ele a chamara de vaca, no fim. Vaca não deixava dúvidas de que ele a desprezava. 

― Não, não. É que estou com uns amigos lá em casa, resolvemos fazer alguma coisa para comer e não tinha nada em casa.

― Curioso, eu também tenho gente lá em casa e vim comprar bebidas, patê, essas coisas.

― Gozado.

Ela dissera uns amigos. Seria alguém do seu tempo? A velha turma? Ele nunca mais vira os antigos amigos do casal. Ela sempre fora mais social do que ele. Quem sabe era um amigo? Ela era uma mulher bonita, esbelta, claro que podia ter namorados, a vaca. E ela estava pensando: ele odiava festas, odiava ter gente em casa. Programa, para ele, era ir para casa do papai jogar buraco. Agora tem amigos em casa. Ou será uma amiga? Afinal, ele ainda era moço… Deixara a amiga no apartamento e viera fazer compras. E comprava vinhos importados, o farsante. Ele pensou: ela não sente minha falta. Tem a casa cheia de amigos. E na certa viu que eu fiquei engasgado ao vê-la, pensa que eu sinto falta dela. Mas não vai ter essa satisfação, não senhora.

― Meu estoque de bebidas não dura muito. Tem sempre gente lá em casa ― disse ele.

― Lá em casa também é uma festa atrás da outra.

― Você sempre gostou de festas.

― E você, não.

― A gente muda, né? Muda de hábitos…

― Tou vendo.

― Você não me reconheceria se viesse viver comigo outra vez.

Ela, ainda sorrindo:

― Que Deus me livre.

Os dois riram. Era um encontro informal. Durante seis anos, tinham se amado muito. Não podiam viver um sem o outro. Os amigos diziam: Esses dois, se um morrer, o outro se suicida. Os amigos não sabiam que havia sempre uma ameaça de mal-entendido entre eles. Eles se amavam mas não se entendiam. Era como se o amor fosse mais forte, porque substituía o entendimento, tinha função acumulada. Ela interpretava o que ele dizia, ele não queria dizer nada. Passaram juntos pela caixa, ele não ofereceu para pagar, afinal era com a pensão que ele lhe pagava que ela dava festas para uns amigos. Ele pensou em perguntar pela mãe dela, ela pensou em perguntar se ele estava bem, se aquele problema do ácido úrico não voltara, começaram os dois a falar ao mesmo tempo, riram, depois se despediram sem dizer mais nada. Quando ela chegou em casa ainda ouviu a mãe resmungar, da cama, que ela precisava acabar com aquela história de fazer as compras de madrugada, que ela precisava ter amigos, fazer alguma coisa, em vez de ficar lamentando o marido perdido. Ela não disse nada. Guardou as compras antes de ir dormir. Quando ele chegou no apartamento, abriu uma lata de patê, o pacote de bolachas, abriu o vinho português, ficou bebendo e comendo sozinho, até ter sono e aí foi dormir. Aquele farsante, pensou ela, antes de dormir. Aquela vaca, pensou ele, antes de dormir.

Luís Fernando Veríssimo. Ed Mort – todas as histórias. 1ª Ed. São Paulo: Objetiva, 2011.
Considere o seguinte excerto, retirado do texto: “Os amigos não sabiam que havia sempre uma ameaça de mal-entendido entre eles.” Neste contexto, a palavra “sabiam” concorda em número com:
Alternativas
Q3713871 Português
O encontro

Ela o encontrou pensativo em frente aos vinhos importados. Quis virar, mas era tarde, o carrinho dela parou junto ao pé dele. Ele a encarou, primeiro sem expressão, depois com surpresa, depois com embaraço, e no fim os dois sorriram. Tinham estado casados seis anos e separados, um, e aquela era a primeira vez que se encontravam depois da separação. Sorriram, e ele falou antes dela; quase falaram ao mesmo tempo.

― Você está morando por aqui?

― Na casa do papai.

Na casa do papai! Ele sacudiu a cabeça, fingiu que arrumava alguma coisa dentro do seu carrinho ― enlatados, bolachas, muitas garrafas ― tudo para ela não ver que ele estava muito emocionado. Soubera da morte do ex-sogro, mas não se animara a ir ao enterro. Fora logo depois da separação, ele não tivera coragem de ir dar condolências formais à mulher que, uma semana antes, ele chamara de vaca. Como era mesmo que ele tinha dito? “Tu és uma vaca sem coração!” Ela não tinha nada de vaca, era uma mulher esbelta, mas não lhe ocorrera outro insulto. Fora a última palavra que ele lhe dissera. E ela lhe chamara de farsante. Achou melhor não perguntar pela mãe dela.

― E você? ― perguntou ela, ainda sorrindo. Continuava bonita…

― Tenho um apartamento aqui perto.

Fizera bem em não ir ao enterro do velho. Melhor que o primeiro reencontro fosse assim, informal, num supermercado, à noite. O que é que ela estaria fazendo ali àquela hora?

― Você sempre faz compras de madrugada?

Meu Deus, pensou, será que ela vai tomar a pergunta como ironia?

Esse tinha sido um dos problemas do casamento, ele nunca sabia como ela ia interpretar o que ele dizia. Por isso, ele a chamara de vaca, no fim. Vaca não deixava dúvidas de que ele a desprezava. 

― Não, não. É que estou com uns amigos lá em casa, resolvemos fazer alguma coisa para comer e não tinha nada em casa.

― Curioso, eu também tenho gente lá em casa e vim comprar bebidas, patê, essas coisas.

― Gozado.

Ela dissera uns amigos. Seria alguém do seu tempo? A velha turma? Ele nunca mais vira os antigos amigos do casal. Ela sempre fora mais social do que ele. Quem sabe era um amigo? Ela era uma mulher bonita, esbelta, claro que podia ter namorados, a vaca. E ela estava pensando: ele odiava festas, odiava ter gente em casa. Programa, para ele, era ir para casa do papai jogar buraco. Agora tem amigos em casa. Ou será uma amiga? Afinal, ele ainda era moço… Deixara a amiga no apartamento e viera fazer compras. E comprava vinhos importados, o farsante. Ele pensou: ela não sente minha falta. Tem a casa cheia de amigos. E na certa viu que eu fiquei engasgado ao vê-la, pensa que eu sinto falta dela. Mas não vai ter essa satisfação, não senhora.

― Meu estoque de bebidas não dura muito. Tem sempre gente lá em casa ― disse ele.

― Lá em casa também é uma festa atrás da outra.

― Você sempre gostou de festas.

― E você, não.

― A gente muda, né? Muda de hábitos…

― Tou vendo.

― Você não me reconheceria se viesse viver comigo outra vez.

Ela, ainda sorrindo:

― Que Deus me livre.

Os dois riram. Era um encontro informal. Durante seis anos, tinham se amado muito. Não podiam viver um sem o outro. Os amigos diziam: Esses dois, se um morrer, o outro se suicida. Os amigos não sabiam que havia sempre uma ameaça de mal-entendido entre eles. Eles se amavam mas não se entendiam. Era como se o amor fosse mais forte, porque substituía o entendimento, tinha função acumulada. Ela interpretava o que ele dizia, ele não queria dizer nada. Passaram juntos pela caixa, ele não ofereceu para pagar, afinal era com a pensão que ele lhe pagava que ela dava festas para uns amigos. Ele pensou em perguntar pela mãe dela, ela pensou em perguntar se ele estava bem, se aquele problema do ácido úrico não voltara, começaram os dois a falar ao mesmo tempo, riram, depois se despediram sem dizer mais nada. Quando ela chegou em casa ainda ouviu a mãe resmungar, da cama, que ela precisava acabar com aquela história de fazer as compras de madrugada, que ela precisava ter amigos, fazer alguma coisa, em vez de ficar lamentando o marido perdido. Ela não disse nada. Guardou as compras antes de ir dormir. Quando ele chegou no apartamento, abriu uma lata de patê, o pacote de bolachas, abriu o vinho português, ficou bebendo e comendo sozinho, até ter sono e aí foi dormir. Aquele farsante, pensou ela, antes de dormir. Aquela vaca, pensou ele, antes de dormir.

Luís Fernando Veríssimo. Ed Mort – todas as histórias. 1ª Ed. São Paulo: Objetiva, 2011.
Considere os seguintes excertos, retirados do texto:
I. “Os dois riram.”
II. “Ele pensou em perguntar pela mãe dela”

No contexto em que ocorrem, os verbos “rir” e “pensar” apresentam, respectivamente as regências:
Alternativas
Q3713869 Português
O encontro

Ela o encontrou pensativo em frente aos vinhos importados. Quis virar, mas era tarde, o carrinho dela parou junto ao pé dele. Ele a encarou, primeiro sem expressão, depois com surpresa, depois com embaraço, e no fim os dois sorriram. Tinham estado casados seis anos e separados, um, e aquela era a primeira vez que se encontravam depois da separação. Sorriram, e ele falou antes dela; quase falaram ao mesmo tempo.

― Você está morando por aqui?

― Na casa do papai.

Na casa do papai! Ele sacudiu a cabeça, fingiu que arrumava alguma coisa dentro do seu carrinho ― enlatados, bolachas, muitas garrafas ― tudo para ela não ver que ele estava muito emocionado. Soubera da morte do ex-sogro, mas não se animara a ir ao enterro. Fora logo depois da separação, ele não tivera coragem de ir dar condolências formais à mulher que, uma semana antes, ele chamara de vaca. Como era mesmo que ele tinha dito? “Tu és uma vaca sem coração!” Ela não tinha nada de vaca, era uma mulher esbelta, mas não lhe ocorrera outro insulto. Fora a última palavra que ele lhe dissera. E ela lhe chamara de farsante. Achou melhor não perguntar pela mãe dela.

― E você? ― perguntou ela, ainda sorrindo. Continuava bonita…

― Tenho um apartamento aqui perto.

Fizera bem em não ir ao enterro do velho. Melhor que o primeiro reencontro fosse assim, informal, num supermercado, à noite. O que é que ela estaria fazendo ali àquela hora?

― Você sempre faz compras de madrugada?

Meu Deus, pensou, será que ela vai tomar a pergunta como ironia?

Esse tinha sido um dos problemas do casamento, ele nunca sabia como ela ia interpretar o que ele dizia. Por isso, ele a chamara de vaca, no fim. Vaca não deixava dúvidas de que ele a desprezava. 

― Não, não. É que estou com uns amigos lá em casa, resolvemos fazer alguma coisa para comer e não tinha nada em casa.

― Curioso, eu também tenho gente lá em casa e vim comprar bebidas, patê, essas coisas.

― Gozado.

Ela dissera uns amigos. Seria alguém do seu tempo? A velha turma? Ele nunca mais vira os antigos amigos do casal. Ela sempre fora mais social do que ele. Quem sabe era um amigo? Ela era uma mulher bonita, esbelta, claro que podia ter namorados, a vaca. E ela estava pensando: ele odiava festas, odiava ter gente em casa. Programa, para ele, era ir para casa do papai jogar buraco. Agora tem amigos em casa. Ou será uma amiga? Afinal, ele ainda era moço… Deixara a amiga no apartamento e viera fazer compras. E comprava vinhos importados, o farsante. Ele pensou: ela não sente minha falta. Tem a casa cheia de amigos. E na certa viu que eu fiquei engasgado ao vê-la, pensa que eu sinto falta dela. Mas não vai ter essa satisfação, não senhora.

― Meu estoque de bebidas não dura muito. Tem sempre gente lá em casa ― disse ele.

― Lá em casa também é uma festa atrás da outra.

― Você sempre gostou de festas.

― E você, não.

― A gente muda, né? Muda de hábitos…

― Tou vendo.

― Você não me reconheceria se viesse viver comigo outra vez.

Ela, ainda sorrindo:

― Que Deus me livre.

Os dois riram. Era um encontro informal. Durante seis anos, tinham se amado muito. Não podiam viver um sem o outro. Os amigos diziam: Esses dois, se um morrer, o outro se suicida. Os amigos não sabiam que havia sempre uma ameaça de mal-entendido entre eles. Eles se amavam mas não se entendiam. Era como se o amor fosse mais forte, porque substituía o entendimento, tinha função acumulada. Ela interpretava o que ele dizia, ele não queria dizer nada. Passaram juntos pela caixa, ele não ofereceu para pagar, afinal era com a pensão que ele lhe pagava que ela dava festas para uns amigos. Ele pensou em perguntar pela mãe dela, ela pensou em perguntar se ele estava bem, se aquele problema do ácido úrico não voltara, começaram os dois a falar ao mesmo tempo, riram, depois se despediram sem dizer mais nada. Quando ela chegou em casa ainda ouviu a mãe resmungar, da cama, que ela precisava acabar com aquela história de fazer as compras de madrugada, que ela precisava ter amigos, fazer alguma coisa, em vez de ficar lamentando o marido perdido. Ela não disse nada. Guardou as compras antes de ir dormir. Quando ele chegou no apartamento, abriu uma lata de patê, o pacote de bolachas, abriu o vinho português, ficou bebendo e comendo sozinho, até ter sono e aí foi dormir. Aquele farsante, pensou ela, antes de dormir. Aquela vaca, pensou ele, antes de dormir.

Luís Fernando Veríssimo. Ed Mort – todas as histórias. 1ª Ed. São Paulo: Objetiva, 2011.
Considere o seguinte excerto, retirado do texto: “Esses dois, se um morrer, o outro se suicida.” Neste contexto, a palavra “se” atua, respectivamente, como:
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Q3713752 Português
Qual o idioma mais antigo já registrado?

Apesar de sua importância histórica, este idioma não chegou a ser usado fora do território em que se originou.

Os idiomas são uma ponte de comunicação entre diferentes povos, culturas e países. E embora o inglês seja o idioma mais usado no mundo atualmente, atingindo um número estimado de 1,27 bilhão de falantes, ele não é o mais antigo que se tem registro.


Qual o idioma mais antigo?

O idioma sumério surgiu no Oriente Médio aproximadamente por volta de 3.100 a.C. no sul da Mesopotâmia (atual Iraque, Turquia e Síria), de acordo com a Encyclopædia Britannica, plataforma de dados voltada para a educação do Reino Unido. No entanto, por volta de 2.000 a.C., esse idioma foi substituído na oralidade pelo semítico acadiano, sendo que a sua forma escrita continuou sendo usada por mais alguns anos. Ainda que tenha sido de grande importância e influência no desenvolvimento da Mesopotâmia e de outras civilizações antigas, o sumério nunca conseguiu se expandir para outros territórios, acrescenta a Britannica.


A história do sumério

O sumério pode ser dividido em quatro categorias: sumério arcaico, sumério antigo/clássico, novo sumério e pós-sumério. A primeira denominação abrange o período de 3.100 a.C., quando surgiram os registros iniciais do sumério, até cerca de 2.500 a.C. Sua compreensão ainda é complexa devido às dificuldades de leitura e interpretação, diz a Britannica. O sumério antigo ou sumério clássico abrange o período de 2.500 a 2.300 a.C., sendo usado pelos primeiros governantes de Lagash (uma importante cidade da antiga Suméria) em seus textos comerciais, jurídicos e administrativos, bem como em cartas particulares ou oficiais. Em relação ao período histórico do novo sumério, a Britannica menciona que ele chegou ao fim por volta de 2.000 a.C. No período da Antiga Babilônia, os sumérios perderam sua identidade política e o idioma foi gradualmente desaparecendo, mas a escrita continuou até o fim do uso da escrita cuneiforme (produzida com o auxílio de objetos em formato de cunha). Deu-se o nome de “pós-sumério” a essa última fase do idioma.

National Geographic - História e cultura. Disponível em:
<https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2023
/08/qual-o-idioma-mais-antigo-ja-registrado>
Considere o seguinte excerto: “A primeira denominação abrange o período de 3.100 a.C., quando surgiram os registros iniciais do sumério, até cerca de 2.500 a.C.” Neste contexto, a palavra “iniciais” estabelece relação direta de concordância com:
Alternativas
Respostas
19441: C
19442: D
19443: B
19444: C
19445: A
19446: B
19447: X
19448: D
19449: C
19450: B
19451: A
19452: D
19453: B
19454: D
19455: D
19456: A
19457: B
19458: A
19459: B
19460: C