Questões de Concurso Sobre redação - reescritura de texto em português

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Q2579722 Português

Como os escritórios ‘zumbis’, impactados pelo home office, viraram um problema para os bancos.


Graciosos edifícios art-deco erguidos no principal distrito comercial de Chicago registram taxas de ocupação de 17%. Um conjunto de torres de escritórios reluzentes em Denver, que estava cheio de inquilinos e valia US$ 176 milhões em 2013, agora está praticamente vazio e foi avaliado pela última vez em apenas US$ 82 milhões, de acordo com dados fornecidos pela Trepp, uma empresa de pesquisa que rastreia empréstimos imobiliários. Até mesmo os famosos edifícios de Los Angeles estão custando cerca de metade de seus preços antes da pandemia.

De São Francisco a Washington, a história é a mesma. Os edifícios de escritórios continuam presos em uma crise de combustão lenta. Os funcionários enviados para trabalhar em casa no início da pandemia ainda não retornaram totalmente, uma situação que, combinada com as altas taxas de juros, está eliminando o valor de uma importante classe de imóveis comerciais. Os preços de imóveis comerciais de qualidade ainda mais alta caíram 35% em relação ao pico registrado no início de 2022, com base em dados da empresa de análise de imóveis Green Street.

Essas forças colocaram os bancos que detêm uma grande parte da dívida imobiliária comercial dos Estados Unidos na berlinda — e os analistas e até mesmo os órgãos reguladores disseram que o acerto de contas ainda não foi totalmente realizado. A questão não é se grandes perdas estão chegando. A questão é se elas serão um sangramento lento ou uma onda indutora de pânico.

A semana passada trouxe uma amostra dos problemas que estão se formando, quando as ações do New York Community Bancorp despencaram depois que o credor divulgou perdas inesperadas em empréstimos imobiliários vinculados a edifícios de escritórios e apartamentos.

Até agora, “as manchetes foram mais rápidas do que o estresse real”, disse Lonnie Hendry, diretor de produtos da Trepp. “Os bancos estão sentados em um monte de perdas não realizadas. Se esse vazamento lento for exposto, ele poderá ser liberado muito rapidamente.” Quando uma série de bancos faliu na primavera passada — em parte devido ao aumento das taxas de juros que reduziram o valor de seus ativos — os analistas temiam que os imóveis comerciais pudessem desencadear um conjunto mais amplo de problemas.

Os bancos detêm cerca de US$ 1,4 trilhão dos US$ 2,6 trilhões em empréstimos para imóveis comerciais que devem vencer nos próximos cinco anos, com base em dados da Trepp, e os credores pequenos e regionais são especialmente ativos no mercado. Os economistas e os órgãos reguladores temiam que a forte exposição ao setor de aparência arriscada pudesse assustar os depositantes dos bancos, principalmente aqueles com poupanças acima do limite de US$ 250 mil para o seguro do governo, e levá-los a sacar seus fundos.

No entanto, as autoridades governamentais reagiram vigorosamente à turbulência de 2023. Eles ajudaram a vender as instituições falidas e o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) criou uma opção de financiamento bancário barato. As ações restauraram a confiança, e o nervosismo dos bancos desapareceu de vista. Isso mudou nos últimos dias com os problemas do New York Community Bancorp. Alguns analistas estão descartando o fato como algo isolado. O New York Community Bancorp absorveu o falido Signature Bank na primavera passada, acelerando seus problemas. E, até o momento, os depositantes não estão retirando seu dinheiro dos bancos em grande número.

Mas outros veem a situação do banco como um lembrete de que muitos credores estão sujeitos a sofrer, mesmo que isso não provoque pânico em todo o sistema. O alívio que o governo deu ao sistema bancário no ano passado foi temporário: O programa de financiamento do Fed deve ser encerrado no próximo mês, por exemplo. Os problemas dos imóveis comerciais são duradouros.

Fonte: Como os escritórios ‘zumbis’, impactados pelo home office, viraram um problema para os bancos (msn.com)

Assinale a alternativa que apresente termo que possa substituir o termo em destaque no período, mantendo as mesmas relações de sentido no texto: “Mas outros veem a situação do banco como um lembrete de que muitos credores estão sujeitos a sofrer, mesmo que isso não provoque pânico em todo o sistema”.

Alternativas
Q2579029 Português

Leia o texto para responder às questões de 1 a 06.


Sonda chinesa identifica mineral inédito na Lua


As crateras lunares são resultado da colisão entre a Lua e objetos celestiais, como asteroides e cometas. O impacto é rápido, envolvendo alta velocidade, pressão e temperatura. O fenômeno, além de alterar o relevo da superfície do satélite natural da Terra, também é responsável por mudanças na composição mineral do solo lunar, chamado de regolito. Por isso, uma das formas de estudar o passado da Lua consiste em analisar os minerais que compõem a sua superfície. Recentemente, a missão chinesa Chang'e-5 retornou para a Terra com 1,73 kg de regolito, fornecendo novos materiais para a investigação da história do nosso satélite natural.

Os pesquisadores identificaram um novo mineral lunar, o Changesite-(Y), bem como minerais do grupo dos silicatos em uma combinação considerada “desconcertante”. As amostras foram coletadas em uma região denominada Oceanus Procellarum. Tais descobertas foram descritas em artigo publicado na revista Matter and Radiation at Extremes na última terça-feira (6).

De acordo com as estimativas dos cientistas, a colisão de objetos celestiais que resultou nas amostras teve uma pressão máxima entre 11 e 40 GPa e uma duração de 0,1 a 1 segundo. A cratera gerada na Lua pode ter entre 3 e 32 km de largura.

O novo mineral Changesite-(Y) pertence ao grupo dos fosfatos e é caracterizado por colunas de cristais transparentes, sem cor. A combinação dos silicatos, por sua vez, inclui a seifertita e a estishovita — ambas quimicamente similares ao quartzo, mas com estruturas cristalinas distintas.

O fragmento que contém seifertita e estishovita surpreendeu os pesquisadores, uma vez que esses minerais, teoricamente, só coexistiriam em pressões muito mais elevadas do que as da amostra. “Embora a superfície da Lua esteja coberta por dezenas de milhares de crateras de impacto, minerais de alta pressão são incomuns em amostras lunares”, afirma a pesquisadora e autora do estudo Wei Du em nota. “Uma das possíveis explicações para isso é que a maioria dos minerais de alta pressão são instáveis em altas temperaturas.”

No caso da amostra coletada pela missão Chang'e-5, levantou-se a hipótese de que a presença de um terceiro polimorfo dos silicatos, a o-cristobalita, pode ter sido importante para viabilizar a combinação de seifertita e estishovita.

“A seifertita pode ter se formado a partir da acristobalita durante o processo de compressão, e uma parte da amostra se transformou em estishovita durante o subsequente processo de elevação de temperatura”, propõe Du.


Revista Galileu. Disponível em<https:/'revistagalileu.globo .com/ciencia/espaco/noticia/2024/02/sonda-chinesa-identifica-mineral-inedito-na-lua .ghtm]>

Considere o excerto a seguir para responder às questões 4 e 5:


O fragmento que contém seifertita e estishovita surpreendeu os pesquisadores, uma vez que esses minerais, teoricamente, só coexistiriam em pressões muito mais elevadas do que as da amostra.


O advérbio “teoricamente”, que ocorre no excerto apresentado, poderia ser substituído, pela expressão de valor correspondente:

Alternativas
Q2578736 Português

Leia a tirinha a seguir para responder às questões de 11 a 16.



Watterson, B. Calvin e Haroldo, 1988.

Ao substituir a expressão “a gente” pelo pronome “nós” na sentença “contanto que a gente não fique com fome”, que ocorre no quarto quadrinho, a sentença deve ser reescrita da seguinte forma:

Alternativas
Q2578682 Português

Considere o excerto a seguir, retirado de uma reportagem publicada na Revista Galileu, acerca de uma descoberta arqueológica:

““A parte mais incrível [da descoberta] é o quanto tudo está bem preservado e que agora sabemos onde havia árvores em ambientes que não as têm mais”, diz Basil Stow, guarda florestal do National Trust, em entrevista ao jornal The Guardian.”


O excerto dado se apresenta em discurso direto. Assinale a alternativa que o reescreve corretamente em discurso indireto.

Alternativas
Q2578187 Português

Exercício físico como deleite?


Por Carlos Alberto Gianotti


  1. Dia desses, falei com um velho colega e amigo ultramaratonista para saber como ele havia
  2. se saído na recente Travessia Torres-Tramandaí. A resposta veio taxativa: "Simplesmente
  3. desisti, abandonei a prova na altura da Praia do Barco e fui tomar uma cerveja, porque cheguei
  4. ___ conclusão de que corria por obrigação, e não por prazer."
  5. Sei que meu amigo chegaria a Tramandaí entre os melhores, não só em sua categoria. Mas
  6. parou ao sentir ou a falta de prazer no que estava a fazer, ou o tormento da obrigação. Sim,
  7. concluir uma prova, como meta, é a obrigação. Disputá-la, o sacrifício. Ao término, e só então,
  8. há o prazer de haver cumprido o percurso. No caso, parece, houve, além de algo estranhável,
  9. ou um erro de avaliação ou de autoengano momentâneo (o mais provável), por alguém
  10. acostumado a treinos de longas distâncias, horas ___ fio. Corridas de fundo não se constituem
  11. em prazer, mas em disciplina, esforço, sacrifício. Logo, não há deleite.
  12. Há, entre os vídeos que se acumulam na internet, um essencialmente pedagógico relativo
  13. ___ prática do fundismo, com o doutor Dráuzio Varella, conhecido médico, escritor e
  14. maratonista, com cujo conteúdo concordo plenamente, depois de eu, hoje aos 71 anos, já ter
  15. corrido por mais de 36 anos cerca de 48 mil quilômetros. Diz Dráuzio que o exercício físico não
  16. é algo "natural" para o ser humano, sendo ele o único animal que o pratica. A tendência das
  17. pessoas é de permanecer quietinhas, gastando energia apenas para reprodução da espécie, para
  18. conseguir alimentos (no caso dos humanos, o tal trabalho) e para escapar de predadores da
  19. espécie (no Brasil, fugir da bandidagem). Diz o médico que nunca ninguém viu, em um zoológico,
  20. girafa fazendo alongamento ou leão correndo maratona.
  21. Ora, essa conversa bacana de que correr pelos parques ou pelas ruas é um momento
  22. edificante espiritual e físico pode ser faltar .... verdade para os ouvintes ou para si mesmo.
  23. Prática esportiva continuada requer disciplina, logo é sacrifício. Creio que não houve uma vez
  24. nesses meus anos de fundista em que me preparasse para sair a treinar e que não tenha, antes
  25. da partida, conjecturado comigo mesmo: "Por que estou fazendo isso?". Claro que há benefícios
  26. físicos e psíquicos notórios na prática periódica do exercício físico, mas daí a dizer que se trata
  27. de um prazer é um grande autoengano.


(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/esportes/noticia/2018/02/carlos-alberto-gianotti-exercicio-fisico-como-deleite-cjddnqo9a07sj01kevloi0rqm.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Assinale a alternativa que indica palavra que poderia substituir corretamente o vocábulo “conjecturado” (l. 25) sem causa alteração de sentido significativa ao trecho do texto em que ocorre.

Alternativas
Q2578101 Português

Os repelentes de tomada fazem mal à saúde?


Como quase todos os produtos químicos, sim. Mas isso não acontece sempre. Ao serem ligados na tomada, os aparelhos se aquecem e liberam, na forma de vapor, uma substância chamada piretroide, extraída da flor do crisântemo. Em altas doses, a substância paralisa o sistema nervoso do inseto e ele morre. Mas a quantidade liberada pelo aparelho apenas deixa-o tonto e fraco. Percebendo o perigo, o bicho foge.

Em humanos, o repelente algumas vezes dispara processos alérgicos. Surgem coceiras, coriza ou até reações mais graves como crises de asma e bronquite. “Mesmo que não surjam problemas na primeira vez que se usa o produto, isso não significa que não possam ocorrer em outras ocasiões”, alerta Antony Wong, toxicologista do Hospital das Clínicas, em São Paulo. “Por isso, é preciso prestar atenção cada vez que ele for usado”, diz Wong.

O perigo de intoxicação praticamente não existe; a menos que o piretroide seja ingerido por acidente, principalmente por crianças. Nesse caso, os sintomas serão dores de cabeça e vômito. “Como precaução, recomendamos sempre que se lavem bem as mãos após trocar o refil e se mantenha o rosto, no mínimo, a dois metros de distância do aparelho”, diz Tânia Lúcia Garcez, da empresa paulista Ceras Johnson, fabricante do repelente Raid.


(Fonte: Abril — adaptado.)

Uma outra maneira de reescrevermos o segmento: “[...] Ao serem ligados na tomada, os aparelhos se aquecem e liberam, na forma de vapor, uma substância chamada piretroide, extraída da flor do crisântemo.” (1º parágrafo), respeitando-se a lógica textual e as normas gramaticais é:

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Q2577872 Português

Katherine Johnson


Por Rachel Ignotofsky


01 Nasceu em 1918, na Virgínia Ocidental, e sempre gostou de aprender e de matemática, era

02 uma ótima aluna e se matriculou na Universidade West Virgínia State College quando tinha apenas

03 15 anos. Katherine achava que ia ser professora de matemática ou enfermeira, como as outras

04 mulheres que conhecia, até entrar na faculdade e conhecer seu professor, o famoso matemático

05 W. W. Schieffelin Claytor. Ele inspirou Katherine a se tornar pesquisadora em matemática e a

06 ajudou a escolher as disciplinasde que precisava para atingir esse objetivo.

07 Aos 18 anos, Katherine se formou na faculdade. Era o auge de Grande Depressão e os

08 empregos eram poucos, então ela foi lecionar no Ensino Médio. Na década de 1950, a Nasa

09 começou a ter mais vagas para mulheres afro-americanas que fossem “computadores humanos”

10 e, logo que ela se candidatou, conseguiu um emprego. Katherine queria conhecer todos os detalhes

11 daquilo em que estava trabalhando, porém ela não tinha permissão para participar de reuniões.

12 Então, perguntou se era contra __ lei que uma mulher assistisse a uma reunião: sua coragem e

13 sua curiosidade deram resultado, e ela foi incluída. O cálculo de planos de voo envolvia equações

14 de geometria complexas, e Katherine era extremamente boa nelas. Ela foi transferida para

15 trabalhar no projeto Mercury, de 1961, e conseguiu calcular a janela de lançamento.

16 Sua habilidade com matemática era incrível, e ela logo se tornou uma líder no cálculo de

17 trajetórias, sendo uma parte essencial da equipe que calculou a rota para a primeira missão

18 tripulada __ Lua, em 1969. Ela fez a maior parte dos cálculos do projeto e ficou encarregada de

19 verificar as contas dos novos computadores mecânicos da Nasa. A matemática tinha de ser perfeita

20 para que os tripulantes da nave Apolo voltassem __ Terra em segurança. A missão Apolo foi um

21 sucesso, e as importantes contribuições de Katherine a tornaram possível.

22 Mais tarde, ela trabalhou em muitos projetos importantes da Nasa, inclusive no programa dos

23 ônibus espaciais e nos planos para a missão a Marte. O trabalho dela ajudou os astronautas a

24 visitar as estrelas e retornar em segurança.

25 Katherine se aposentou em 1986, depois de trinta e três anos de trabalho, entretanto, o

26 reconhecimento só veio oficialmente em 2015, quando ela recebeu a Medalha Presidencial da

27 Liberdade – a maior condecoração que um civil pode receber nos EUA – das mãos de Barack

28 Obama. Em maio de 2016, a NASA inaugurou uma central de pesquisa batizada com seu nome.

29 Katherine Johnson faleceu em fevereiro de 2024, aos 101 anos de idade. O filme Hidden Figures

30 ('Estrelas Além do Temp") o baseado na história de Katherine e outras duas matemáticas,

31 Dorothy Vaughn e Mary Jackson, estreou em 2016.

(Disponível em: www.mtciencias.com.br/mulheres/katherine-johnson%E2%80%8B/ – texto adaptado especialmente para esta prova).

Assinale a alternativa que apresenta a palavra que poderia substituir o vocábulo “lecionar” (l. 08) sem causar alterações no sentido original do trecho em que ocorre.

Alternativas
Q2575824 Português
Tome o trecho:

Naming rights se refere ao direito de uma empresa ter seu nome associado a um local, evento, estádio, edifício ou qualquer outra propriedade. Isso geralmente é feito através de um acordo financeiro, onde a empresa paga para ter seu nome vinculado a determinado local ou evento. Quando uma empresa adquire os naming rights de um estádio esportivo, o estádio passa a ser conhecido pelo nome da empresa em troca do pagamento acordado, por exemplo, como a Arena Neo Química Corinthians.

Reescrevendo esse trecho com correção gramatical, coesão e coerência, fica:
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Q2575187 Português
Ninguém come dinheiro


    Quando falo de humanidade não estou falando só do Homo sapiens, me refiro a uma imensidão de seres que nós excluímos desde sempre: caçamos balela, tiramos barbatana de tubarão, matamos leão e o penduramos na parede para mostrar que somos mais bravos que ele. Além da matança de todos os outros humanos que a gente achou que não tinham nada, que estavam aí só para nos suprir com roupa, comida, abrigo. Somos a praga do planeta, uma espécie de ameba gigante. Ao longo da história, os humanos, aliás, esse clube exclusivo da humanidade que está na declaração universal dos direitos humanos e nos protocolos das instituições, foram devastando tudo ao seu redor. É como se tivessem elegido uma casta, a humanidade, e todos que estão fora dela são a sub-humanidade. Não são só os caiçaras, quilombolas e povos indígenas, mas toda vida que deliberadamente largamos à margem do caminho. E o caminho é o progresso: essa ideia prospectiva de que estamos indo para algum lugar. Há um horizonte, estamos indo para lá, e vamos largando no percurso tudo que não interessa, o que sobra, a sub-humanidade — alguns de nós fazemos parte dela.

   É incrível que esse vírus que está aí agora esteja atingindo só as pessoas. Foi uma manobra fantástica do organismo da Terra tirar a teta da nossa boca é dizer: “Respirem agora, quero ver”. Isso denuncia o artifício do tipo de vida que nós criamos, porque chega uma hora que você precisa de uma máscara, de um aparelho para respirar, mas, em algum lugar, o aparelho precisa de uma usina hidrelétrica, nuclear ou de um gerador de energia qualquer. E o gerador também pode apagar, independentemente do nosso decreto, da nossa disposição. Estamos sendo lembrados de que somos tão vulneráveis que, se contarem nosso ar por alguns minutos, a gente morre. Não é preciso nenhum sistema bélico complexo para apagar essa tal de humanidade: se extingue com a mesma facilidade que os mosquitos de uma sala depois de aplicado um aerossol. Nós não estamos com nada: essa é a declaração da Terra.

    E, se nós não estamos com nada, deveríamos ter contato com a experiência de estar vivos para além dos aparatos tecnológicos que podemos inventar. A ideia da economia, por exemplo, essa coisa invisível, a não ser por aquele emblema de cifrão. Pode ser uma ficção afirmar que se a economia não estiver funcionando plenamente nós morremos. Nós poderíamos colocar todos os dirigentes do Banco Central em um cofre gigante e deixá-los vivendo lá, com a economia deles. Ninguém come dinheiro. Hoje de manhã eu vi um indígena norte-americano do conselho dos anciões do povo Lakota falar sobre o coronavírus. É um homem de uns setenta e poucos anos, chamado Wakya Un Manee, também conhecido como Vernon Foster. (Vernon, que é um típico nome americano, pois quando os colonos chegaram na América, além de proibirem as línguas nativas, mudavam os nomes das pessoas.) Pois, repetindo as palavras de um ancestral, ele dizia: “Quando o último peixe estiver nas águas e a última árvore for removida da terra, só então o homem perceberá que ele não é capaz de comer seu dinheiro”.

     Quem sabe a própria ideia de humanidade, essa totalidade que nós aprendemos a chamar assim, venha a se dissolver com esses eventos que estamos experimentando. Se isso acontecer, como é que Os caras que concentram a grana do mundo - que são poucos — vão ficar? Quem sabe a gente consiga tirar o chão debaixo dos pés deles. Porque eles precisam de uma humanidade, nem que seja ilusória, para aterrorizarem toda manhã com a ameaça de que a bolsa vai cair, de que o mercado está nervoso, de que o dólar vai subir Quando tudo isso não tiver sentido nenhum — o dólar que se exploda, o mercado que se coma! -, aí não vai ter mais lugar para toda essa concentração de poder. Porque a concentração, de qualquer coisa, só pode existir num determinado ambiente. Até a poluição, se ela se espalhar, sem contenção, o que vai acontecer? O ar vai passar por um processo de limpeza. O ar das cidades não ficou mais limpo quando diminuirmos o ritmo? Acredito que essa ilusão de uma casta de humanoides que detém o segredo do santo graal, que se entope de riqueza enquanto aterroriza o resto do mundo, pode acabar implodindo. Talvez a pista mais recente sobre isso seja aquela história dos bilionários que estão construindo uma plataforma fora da Terra para irem viver, sei lá, em Marte. A gente deveria dizer “Vão logo, esqueçam a gente aqui”. Deveríamos dar um passe livre para eles, para os donos da Tesla, da Amazon. Podem deixar o endereço que depois a gente manda suprimentos. [...]


(Fragmento de: KRENAK, Aliton. A vida não é útil. São Paulo: Companhia das Letras, 2020)
Considere o frecho a seguir.

Pode ser uma ficção afirmar que se a economia não estiver funcionando plenamente nós morremos. (3º parágrafo)

Está mantido o sentido original do trecho acima em:
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Q2574186 Português
Texto CG1A1


    Uma pesquisa feita na Universidade Federal Fluminense (UFF) gerou um método para detecção de notícias falsas, as chamadas fake news, nas redes sociais, com o uso de inteligência artificial (IA). A técnica é fruto de um estudo do engenheiro de telecomunicações Nicollas Rodrigues, em sua dissertação de mestrado pela universidade.
    O estudante e seu orientador, Diogo Mattos, professor do Laboratório de Ensino e Pesquisa em Redes de Nova Geração da UFF, desenvolveram uma ferramenta de IA capaz de diferenciar fatos de notícias falsas, a partir da análise de palavras e estruturas textuais, com precisão de 94%.
    Isso significa que, a cada 100 notícias analisadas, a ferramenta conseguiu acertar se era fato ou boato em 94 situações. No total, foram analisadas mais de 30 mil mensagens publicadas em uma rede social na Internet.
    “Testamos três metodologias e duas tiveram sucesso maior. A gente indica, no final dos resultados, a possibilidade de utilizar ambas em conjunto, de forma complementar”, explica Rodrigues.
    A primeira metodologia consistiu em abastecer um algoritmo com notícias verdadeiras e depois treinar o algoritmo para reconhecer essas notícias. Aquelas que não se encaixavam no perfil aprendido eram classificadas como fake news.
    A outra abordagem é semelhante à primeira no que se refere à análise textual, mas, no lugar do algoritmo, foi utilizada metodologia estatística que analisa a frequência com que determinadas palavras e combinações de palavras aparecem nas fake news.
    Os resultados do trabalho podem-se transformar em ferramentas úteis para o usuário da Internet identificar notícias que apresentam indícios de fake news e, assim, ter cautela maior com aquela informação.
    “Pode-se transformar a ferramenta em um plugin [ferramenta que apresenta recursos adicionais ao programa principal] compatível com algumas redes sociais. E, a partir do momento em que você usa a rede social, o plugin vai poder indicar não que a notícia é falsa, de maneira assertiva, mas que ela pode ser falsa, de acordo com alguns parâmetros, como erros de português. Também existe a possibilidade de fazer uma aplicação na própria Web, onde você cola o texto da notícia e essa aplicação vai te dizer se aquilo se assemelha ou não a uma notícia falsa”, explica Rodrigues.


Internet: <www.cartacapital.com.br> (com adaptações). 
Mantendo-se o sentido e a correção gramatical do sétimo parágrafo do texto CG1A1, o vocábulo “assim” poderia ser substituído por 
Alternativas
Q2574185 Português
Texto CG1A1


    Uma pesquisa feita na Universidade Federal Fluminense (UFF) gerou um método para detecção de notícias falsas, as chamadas fake news, nas redes sociais, com o uso de inteligência artificial (IA). A técnica é fruto de um estudo do engenheiro de telecomunicações Nicollas Rodrigues, em sua dissertação de mestrado pela universidade.
    O estudante e seu orientador, Diogo Mattos, professor do Laboratório de Ensino e Pesquisa em Redes de Nova Geração da UFF, desenvolveram uma ferramenta de IA capaz de diferenciar fatos de notícias falsas, a partir da análise de palavras e estruturas textuais, com precisão de 94%.
    Isso significa que, a cada 100 notícias analisadas, a ferramenta conseguiu acertar se era fato ou boato em 94 situações. No total, foram analisadas mais de 30 mil mensagens publicadas em uma rede social na Internet.
    “Testamos três metodologias e duas tiveram sucesso maior. A gente indica, no final dos resultados, a possibilidade de utilizar ambas em conjunto, de forma complementar”, explica Rodrigues.
    A primeira metodologia consistiu em abastecer um algoritmo com notícias verdadeiras e depois treinar o algoritmo para reconhecer essas notícias. Aquelas que não se encaixavam no perfil aprendido eram classificadas como fake news.
    A outra abordagem é semelhante à primeira no que se refere à análise textual, mas, no lugar do algoritmo, foi utilizada metodologia estatística que analisa a frequência com que determinadas palavras e combinações de palavras aparecem nas fake news.
    Os resultados do trabalho podem-se transformar em ferramentas úteis para o usuário da Internet identificar notícias que apresentam indícios de fake news e, assim, ter cautela maior com aquela informação.
    “Pode-se transformar a ferramenta em um plugin [ferramenta que apresenta recursos adicionais ao programa principal] compatível com algumas redes sociais. E, a partir do momento em que você usa a rede social, o plugin vai poder indicar não que a notícia é falsa, de maneira assertiva, mas que ela pode ser falsa, de acordo com alguns parâmetros, como erros de português. Também existe a possibilidade de fazer uma aplicação na própria Web, onde você cola o texto da notícia e essa aplicação vai te dizer se aquilo se assemelha ou não a uma notícia falsa”, explica Rodrigues.


Internet: <www.cartacapital.com.br> (com adaptações). 
A correção gramatical e o sentido do segundo parágrafo do texto CG1A1 seriam mantidos se o verbo “diferenciar” fosse substituído por 
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Q2572411 Português

Texto CB1A2-I 


        A Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), em sua 41.ª sessão, reconhece os impactos profundos e dinâmicos, positivos e negativos da inteligência artificial (IA) nas sociedades, no meio ambiente, nos ecossistemas e nas vidas humanas, inclusive na mente humana, em parte devido às novas formas como seu uso influencia o pensamento, a interação e a tomada de decisões e afeta a educação, as ciências humanas, sociais e naturais, a cultura, a comunicação e a informação.


        A Conferência considera que as tecnologias de IA podem ser de grande utilidade para a humanidade e podem beneficiar todos os países, mas também suscitam questões éticas fundamentais, por exemplo, em relação às distorções que podem incorporar e exacerbar, o que resultaria potencialmente em discriminação, desigualdade, exclusão digital, exclusão em geral e ameaça à diversidade cultural, social e biológica, além de divisões sociais ou econômicas. Suscitam, ainda, questões relativas à necessidade de transparência e compreensibilidade do funcionamento dos algoritmos e dos dados com que eles foram alimentados, além de seu potencial impacto sobre, entre outros aspectos, a dignidade humana; os direitos humanos e as liberdades fundamentais; a igualdade de gênero; a democracia; os processos sociais, econômicos, políticos e culturais; as práticas científicas e de engenharia; o bem-estar dos animais; o meio ambiente e os ecossistemas.


        A Conferência reconhece, ainda, que as tecnologias de IA podem aprofundar as divisões e as desigualdades existentes no mundo, dentro dos países e entre eles, e que a justiça, a confiança e a equidade devem ser defendidas para que nenhum país e nenhum indivíduo sejam deixados para trás, seja em razão do acesso justo às tecnologias de IA e de seus benefícios, seja em razão de medidas de proteção contra suas implicações negativas. Reconhecem-se as diferentes circunstâncias de diferentes países e respeita-se o desejo de algumas pessoas de não participar de todos os desenvolvimentos tecnológicos.


        Com base nas considerações acima, entre outras, a UNESCO aprova a presente Recomendação sobre a Ética da Inteligência Artificial.


UNESCO. Recomendação sobre a Ética da Inteligência Artificial (com adaptações).





Julgue o item seguinte, referentes aos sentidos e a aspectos linguísticos do texto CB1A2-I. 


A correção gramatical e o sentido do texto seriam mantidos caso a forma verbal “resultaria”, no trecho “o que resultaria potencialmente em discriminação” (primeiro período do segundo parágrafo), fosse substituída por acarretaria. 

Alternativas
Q2572407 Português

Texto CB1A2-I 


        A Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), em sua 41.ª sessão, reconhece os impactos profundos e dinâmicos, positivos e negativos da inteligência artificial (IA) nas sociedades, no meio ambiente, nos ecossistemas e nas vidas humanas, inclusive na mente humana, em parte devido às novas formas como seu uso influencia o pensamento, a interação e a tomada de decisões e afeta a educação, as ciências humanas, sociais e naturais, a cultura, a comunicação e a informação.


        A Conferência considera que as tecnologias de IA podem ser de grande utilidade para a humanidade e podem beneficiar todos os países, mas também suscitam questões éticas fundamentais, por exemplo, em relação às distorções que podem incorporar e exacerbar, o que resultaria potencialmente em discriminação, desigualdade, exclusão digital, exclusão em geral e ameaça à diversidade cultural, social e biológica, além de divisões sociais ou econômicas. Suscitam, ainda, questões relativas à necessidade de transparência e compreensibilidade do funcionamento dos algoritmos e dos dados com que eles foram alimentados, além de seu potencial impacto sobre, entre outros aspectos, a dignidade humana; os direitos humanos e as liberdades fundamentais; a igualdade de gênero; a democracia; os processos sociais, econômicos, políticos e culturais; as práticas científicas e de engenharia; o bem-estar dos animais; o meio ambiente e os ecossistemas.


        A Conferência reconhece, ainda, que as tecnologias de IA podem aprofundar as divisões e as desigualdades existentes no mundo, dentro dos países e entre eles, e que a justiça, a confiança e a equidade devem ser defendidas para que nenhum país e nenhum indivíduo sejam deixados para trás, seja em razão do acesso justo às tecnologias de IA e de seus benefícios, seja em razão de medidas de proteção contra suas implicações negativas. Reconhecem-se as diferentes circunstâncias de diferentes países e respeita-se o desejo de algumas pessoas de não participar de todos os desenvolvimentos tecnológicos.


        Com base nas considerações acima, entre outras, a UNESCO aprova a presente Recomendação sobre a Ética da Inteligência Artificial.


UNESCO. Recomendação sobre a Ética da Inteligência Artificial (com adaptações).





Julgue o item seguinte, referentes aos sentidos e a aspectos linguísticos do texto CB1A2-I. 


A substituição da expressão “deixados para trás” (primeiro período do terceiro parágrafo) pelo vocábulo negligenciados não prejudicaria a correção gramatical nem a coerência das ideias do texto. 

Alternativas
Q2572406 Português

Texto CB1A2-I 


        A Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), em sua 41.ª sessão, reconhece os impactos profundos e dinâmicos, positivos e negativos da inteligência artificial (IA) nas sociedades, no meio ambiente, nos ecossistemas e nas vidas humanas, inclusive na mente humana, em parte devido às novas formas como seu uso influencia o pensamento, a interação e a tomada de decisões e afeta a educação, as ciências humanas, sociais e naturais, a cultura, a comunicação e a informação.


        A Conferência considera que as tecnologias de IA podem ser de grande utilidade para a humanidade e podem beneficiar todos os países, mas também suscitam questões éticas fundamentais, por exemplo, em relação às distorções que podem incorporar e exacerbar, o que resultaria potencialmente em discriminação, desigualdade, exclusão digital, exclusão em geral e ameaça à diversidade cultural, social e biológica, além de divisões sociais ou econômicas. Suscitam, ainda, questões relativas à necessidade de transparência e compreensibilidade do funcionamento dos algoritmos e dos dados com que eles foram alimentados, além de seu potencial impacto sobre, entre outros aspectos, a dignidade humana; os direitos humanos e as liberdades fundamentais; a igualdade de gênero; a democracia; os processos sociais, econômicos, políticos e culturais; as práticas científicas e de engenharia; o bem-estar dos animais; o meio ambiente e os ecossistemas.


        A Conferência reconhece, ainda, que as tecnologias de IA podem aprofundar as divisões e as desigualdades existentes no mundo, dentro dos países e entre eles, e que a justiça, a confiança e a equidade devem ser defendidas para que nenhum país e nenhum indivíduo sejam deixados para trás, seja em razão do acesso justo às tecnologias de IA e de seus benefícios, seja em razão de medidas de proteção contra suas implicações negativas. Reconhecem-se as diferentes circunstâncias de diferentes países e respeita-se o desejo de algumas pessoas de não participar de todos os desenvolvimentos tecnológicos.


        Com base nas considerações acima, entre outras, a UNESCO aprova a presente Recomendação sobre a Ética da Inteligência Artificial.


UNESCO. Recomendação sobre a Ética da Inteligência Artificial (com adaptações).





Julgue o item seguinte, referentes aos sentidos e a aspectos linguísticos do texto CB1A2-I. 


A correção gramatical do texto e a coerência de suas ideias seriam mantidas caso o segundo período do terceiro parágrafo fosse reescrito da seguinte forma: A Conferência reconhece as variadas circunstâncias de diferentes países; ademais, respeita o desejo que algumas pessoas têm de não participar de todos os desenvolvimentos tecnológicos.

Alternativas
Q2572398 Português

Texto CB1A1-I


        A emergência de uma grande variedade de plataformas digitais, desde o final da década de 1990, provocou uma mudança econômica radical e uma reorganização de mercados e arranjos de trabalho. A economia de plataforma não está apenas mudando a forma como o trabalho é realizado e remunerado. Os mercados de trabalho também estão se transformando drasticamente, levando a uma situação em que o “emprego padrão” é cada vez mais suplementado ou substituído por trabalho temporário “fora do padrão”, mediado por plataformas. Em um contexto de crescente instabilidade macroeconômica, de desregulamentação das relações de trabalho — em função do impacto disruptivo de tecnologias digitais na intermediação dessas relações —, verifica-se a emergência de novas formas de emprego “fora do padrão”, que reforçam diversos tipos de “flexibilidade” — temporal, espacial, gerencial e funcional, entre outras. Grande parte dessas novas formas de emprego está vinculada à mediação de plataformas digitais, que conectam ofertantes e demandantes de trabalho.


        As plataformas digitais facilitam a articulação entre ofertantes e demandantes de trabalho que, de outra forma, poderiam ter dificuldades para interagir entre si, tornando a realização de transações mais eficiente do que seria possível em relacionamentos bilaterais entre as partes, fornecendo infraestrutura e regras para sua realização. No âmbito dessas plataformas, a correspondência (matching) entre ofertantes e demandantes de trabalho pode ser feita de forma eficaz, por exemplo, por meio de algoritmos que diminuem a quantidade de tempo utilizado para encontrar trabalhadores adequados para tarefas específicas, além de oferecer a base para o controle e gerenciamento dessas tarefas.


        No entanto, a força de trabalho torna-se mais vulnerável, pois as leis trabalhistas ainda se baseiam em um antigo sistema “binário”, segundo o qual quem é empregado recebe direitos — por exemplo, aviso de demissão ou férias pagas —, mas para quem é contratado o acesso a esses direitos tende a ser restringido. Assim, se o modelo de plataformas de trabalho com a interveniência de uma gestão algorítmica oferece vantagens no que se refere à flexibilidade sobre formas convencionais de organização e gestão do trabalho, esse mesmo modelo suscita questões relevantes como a distribuição desigual de oportunidades, benefícios e riscos entre os agentes envolvidos, bem como os possíveis custos sociais advindos de uma eventual precarização das relações de trabalho.


Herbert P. S. de Oliveira e Jorge N. de P. Britto. Gerenciamento e disciplina algorítmica:

uma análise focalizada em plataformas de emprego de elevada qualificação.

Economia e Sociedade, Campinas, v. 32, n.º 3 (79), 2023 (com adaptações).

Julgue o próximo item, relativos a aspectos linguísticos do texto CB1A1-I.


Estaria mantida a correção gramatical do texto caso fosse empregado o acento indicativo de crase no vocábulo “a” em “a distribuição desigual de oportunidades” (último período do texto), visto que seu emprego é facultativo nesse caso. 

Alternativas
Q2572395 Português

Texto CB1A1-I


        A emergência de uma grande variedade de plataformas digitais, desde o final da década de 1990, provocou uma mudança econômica radical e uma reorganização de mercados e arranjos de trabalho. A economia de plataforma não está apenas mudando a forma como o trabalho é realizado e remunerado. Os mercados de trabalho também estão se transformando drasticamente, levando a uma situação em que o “emprego padrão” é cada vez mais suplementado ou substituído por trabalho temporário “fora do padrão”, mediado por plataformas. Em um contexto de crescente instabilidade macroeconômica, de desregulamentação das relações de trabalho — em função do impacto disruptivo de tecnologias digitais na intermediação dessas relações —, verifica-se a emergência de novas formas de emprego “fora do padrão”, que reforçam diversos tipos de “flexibilidade” — temporal, espacial, gerencial e funcional, entre outras. Grande parte dessas novas formas de emprego está vinculada à mediação de plataformas digitais, que conectam ofertantes e demandantes de trabalho.


        As plataformas digitais facilitam a articulação entre ofertantes e demandantes de trabalho que, de outra forma, poderiam ter dificuldades para interagir entre si, tornando a realização de transações mais eficiente do que seria possível em relacionamentos bilaterais entre as partes, fornecendo infraestrutura e regras para sua realização. No âmbito dessas plataformas, a correspondência (matching) entre ofertantes e demandantes de trabalho pode ser feita de forma eficaz, por exemplo, por meio de algoritmos que diminuem a quantidade de tempo utilizado para encontrar trabalhadores adequados para tarefas específicas, além de oferecer a base para o controle e gerenciamento dessas tarefas.


        No entanto, a força de trabalho torna-se mais vulnerável, pois as leis trabalhistas ainda se baseiam em um antigo sistema “binário”, segundo o qual quem é empregado recebe direitos — por exemplo, aviso de demissão ou férias pagas —, mas para quem é contratado o acesso a esses direitos tende a ser restringido. Assim, se o modelo de plataformas de trabalho com a interveniência de uma gestão algorítmica oferece vantagens no que se refere à flexibilidade sobre formas convencionais de organização e gestão do trabalho, esse mesmo modelo suscita questões relevantes como a distribuição desigual de oportunidades, benefícios e riscos entre os agentes envolvidos, bem como os possíveis custos sociais advindos de uma eventual precarização das relações de trabalho.


Herbert P. S. de Oliveira e Jorge N. de P. Britto. Gerenciamento e disciplina algorítmica:

uma análise focalizada em plataformas de emprego de elevada qualificação.

Economia e Sociedade, Campinas, v. 32, n.º 3 (79), 2023 (com adaptações).

Julgue o próximo item, relativos a aspectos linguísticos do texto CB1A1-I.


A correção gramatical do quarto período do primeiro parágrafo seria preservada caso se suprimisse a vírgula empregada logo após o travessão que segue o vocábulo “relações”, pois o emprego dos travessões no período dispensa a necessidade da vírgula. 

Alternativas
Q2570015 Português
Quando começa o verão em 2023 no Brasil?



      As temperaturas recordes das últimas semanas podem ter confundido muitos brasileiros. Apesar de a recente onda de calor ter dado uma palinha da próxima estação, é a primavera que permanece ativa no hemisfério sul. Em 2023, o verão começa no fim de dezembro.

      Em termos exatos, o início da estação será no dia 22 de dezembro, à 00h27 (horário de Brasília), e termina em 20 de março de 2024, à 00h06, data de início do outono. A precisão do horário não é um mero detalhe. O marco é resultado de cálculos matemáticos feitos por especialistas do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP (IAG/USP).

     A depender da inclinação do eixo de rotação da Terra, uma estação diferente se estabelece em cada hemisfério. Como o cálculo considera o tempo de rotação do planeta ao redor do sol — que dura, em média, 365 dias, 5 horas e 45 minutos —, há pequenas diferenças entre um ano e outro. São elas as responsáveis pelos minutos quebrados.

     Segundo a MetSul Meteorologia, a estação será marcada por altas temperaturas na maior parte do Brasil, principalmente entre janeiro e março de 2024. “Com menos chuva, o centro do país e áreas do Norte e do Nordeste podem notar que o clima estará mais quente do que o habitual”, afirmam.

        Apesar da previsão de calor, os especialistas não esperam que os termômetros atinjam picos similares aos da primavera de 2023 no Centro-Oeste e em São Paulo e Minas Gerais. Por outro lado, há previsão de novas temperaturas recorde no Rio de Janeiro e no sul do país, principalmente no Rio Grande do Sul.

        Sob influência do fenômeno El Niño — que seguirá ativo até abril de 2024 —, nos próximos meses, os dias devem ser abafados e as noites, quentes. Há previsão de chuvas, mas elas podem não ser suficientes para suprir as demandas da safra de verão, alerta Desirée Brandt, meteorologista da Nottus.

        Além disso, novas ondas de calor podem atingir o país até março de 2024. O meteorologista Celso Oliveira esclarece que as águas de todos os oceanos, e não apenas do Pacífico, estão mais quentes. “A tendência é que a frequência e intensidade desses fenômenos aumente”, diz.


(Fonte: Globo Rural — adaptado.)
A frase “Os usuários das mídias sociais cuja atenção tem sido prejudicada devem reduzir o acesso a elas.” continuará gramaticalmente CORRETA caso se substitua o elemento sublinhado por: 
Alternativas
Q2569574 Português

A nova geração de bebês com plásticos

Micropartículas já estão em nossos corpos desde a gestação


        Uma das invenções modernas de mais impacto sobre a humanidade foi o plástico, cuja praticidade e versatilidade deram ensejo a que a indústria fabricasse milhões de toneladas por ano. Porém, a produção cada vez maior de itens, alguns dos quais rapidamente descartáveis, virou um problema, dada a longevidade do material no ambiente. Não só a degradação ambiental, mas também o uso cotidiano do plástico produzem microplásticos, minúsculas partículas de tamanho inferior a um milímetro, já presentes por todo o planeta: no ar, nas águas, nas plantas, nos animais e nos alimentos.


        Nos últimos anos, micro e nanopartículas plásticas foram detectadas em órgãos, fezes e sangue humanos. (...) Além de uma possível toxicidade dos componentes plásticos em si, o material que é degradado no ambiente pode se agregar a outros poluentes, incluindo compostos tóxicos que, embora banidos há décadas, ainda persistem contaminando o planeta. (...)


        Até mesmo a placenta pode ser contaminada: em 2021, um grupo de pesquisadores italianos encontrou, pela primeira vez, a presença de microplásticos medindo de 5 a 10 micrômetros em quatro de seis placentas analisadas. (...)


        Pesquisas mais recentes analisaram outras amostras de placentas, obtidas de parto vaginal ou cesárea, e encontraram microplásticos em todas elas. As "plasticentas", como foram denominadas, são uma clara representação dessa nova geração da humanidade. (...)


        Experimentos feitos em camundongos mostraram alterações cerebrais, cognitivas e comportamentais, em filhotes cujas mães ingeriram grandes quantidades de microplásticos. Outro efeito observado nessas fêmeas é a redução da fertilidade e alterações no sistema imune. Camundongos machos também podem sofrer as consequências de uma dieta "plastificada", com redução nos níveis de testosterona e nos parâmetros de qualidade dos espermatozoides, além de danos nas células do sistema reprodutor.


        Se o bebê já é exposto a microplásticos desde a gestação, após o nascimento a exposição é ainda maior, já que grande parte dos objetos que o circundam são de plástico. Se alimentado com mamadeira, a ingestão será inevitável. E nem o leite materno está a salvo: um estudo desse ano encontrou microplásticos de diferentes origens, como polietileno e polipropileno, em 26 de 34 amostras analisadas. A hipótese mais provável é que as mães foram contaminadas pelo consumo de alimentos, bebidas e produtos de higiene pessoal, e, assim, as micropartículas passaram para o leite. Mas o simples fato de respirar já nos torna suscetíveis à contaminação. Novamente, ainda não conseguimos avaliar se isso é de fato um risco a nossa saúde, e futuras pesquisas deverão estimar os prejuízos que a exposição desde o nascimento pode nos trazer.


        Enquanto isso, a poluição gerada pela excessiva presença de plástico no mundo precisa ser combatida. No plano individual, podemos reduzir o consumo de itens e embalagens plásticas. No plano coletivo, incluindo indústrias, instituições e governos, é urgente a adoção de medidas para desacelerar a produção e incentivar o reaproveitamento — o apoio e o financiamento adequado à ciência serão fundamentais para tornar as próximas gerações mais saudáveis e sustentáveis.


Adaptado de: https://www1.folha.uol.com.br/blogs/ciencia

fundamental/2023/02/a-nova-geracao-de-bebes-com

plasticos.shtml. Acesso em: 30 out. 2023.


Respeitando-se a norma-padrão, assinale a alternativa em que a reescrita de cada sentença manteve-se fiel à sintaxe e aos sentidos propostos no texto original.
Alternativas
Q2569442 Português
Leia o texto e responda à questão.

Ministério da Saúde lança campanha de prevenção ao uso de cigarros eletrônicos

O Ministério da Saúde e o Instituto Nacional de Câncer (Inca) lançaram, nessa quarta-feira (29), campanha de prevenção ao uso de cigarros eletrônicos. “De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), novos produtos, como os cigarros eletrônicos, e informações enganosas da indústria do tabaco são uma ameaça, levando a uma iniciação ao tabagismo cada vez mais precoce”, destacou a pasta em nota.
Dados apresentados pelo ministério indicam que crianças e adolescentes que usam cigarros eletrônicos têm pelo menos duas vezes mais probabilidade de fumar cigarros mais tarde na vida. O mote da campanha é o Dia Mundial Sem Tabaco 2024, lembrado nesta sexta-feira (31) e que, este ano, tem como tema Proteção das crianças contra a interferência da indústria do tabaco.
“Por meio de linguagem jovem, a campanha visa a promover uma mudança de comportamento, além de proteger as novas gerações dos perigos do uso do tabaco, alertando sobre as táticas da indústria para atrair crianças e adolescentes, com interesse em garantir e ampliar seu mercado consumidor.”
O ministério destaca que os dispositivos eletrônicos para fumar (DEFs), que englobam os cigarros eletrônicos e outros produtos de tabaco aquecido, têm quantidades variáveis de nicotina e outras substâncias tóxicas, o que faz com que suas emissões sejam prejudiciais tanto para quem faz o uso direto quanto para quem é exposto aos aerossóis.
“Mesmo alguns produtos que alegam não conter nicotina podem apresentar a substância em sua composição e suas emissões são nocivas”, ressaltou a pasta. “A nicotina causa dependência e pode afetar negativamente o desenvolvimento cerebral de crianças e adolescentes, impactando no aprendizado e na saúde mental.”
Ainda de acordo com o ministério, o consumo de tabaco é considerado importante fator de risco para doenças cardiovasculares e respiratórias e para mais de 20 tipos ou subtipos diferentes de câncer, além de outras condições de saúde classificadas como “debilitantes”.
“Alguns estudos recentes sugerem que o uso de DEFs pode aumentar o risco de doenças cardíacas e distúrbios pulmonares. Além disso, a exposição à nicotina em mulheres grávidas pode afetar negativamente o desenvolvimento cerebral do feto. Já a exposição acidental de crianças aos líquidos dos cigarros eletrônicos representa sérios riscos, pois os dispositivos podem vazar ou as crianças podem engolir o líquido ou as cápsulas.”
Em 2009, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou resolução proibindo a comercialização, a fabricação e a publicidade de cigarros eletrônicos no Brasil. Recentemente, em abril, a diretoria colegiada da agência revisou a legislação e proibiu a fabricação, a importação, a comercialização, a distribuição, o armazenamento, o transporte e a propaganda de dispositivos eletrônicos para fumar.

Disponível em: https://portalcorreio.com.br. Acesso em 31/05/2024. Adaptado)
“Além disso, a exposição à nicotina em mulheres grávidas pode afetar negativamente o desenvolvimento cerebral do feto.”
A palavra destacada pode ser substituída, sem alterar o sentido do texto, por
Alternativas
Q2568543 Português
“Por que se contentar com o ordinário quando se pode conquistar o extraordinário?”

No que se refere a sentença apresentada, assinale a alternativa em que a frase tenha sido reescrita sem prejuízo gramatical.
Alternativas
Respostas
921: C
922: D
923: A
924: D
925: A
926: C
927: D
928: A
929: A
930: B
931: A
932: E
933: C
934: C
935: E
936: E
937: D
938: C
939: D
940: D