Questões de Concurso Sobre redação - reescritura de texto em português

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Q2501793 Português

O gerente de uma empresa escreveu o seguinte comunicado:

Srs. Trabalhadores:


Cada um dos trabalhadores da oficina passa a ter um armário individual no vestiário, onde devem atirar suas roupas a partir de hoje. Cada armário tem o nome do operário na porta.


Nesse comunicado há uma palavra mal-empregada, que é:

Alternativas
Q2499993 Português
Texto para o item.



Internet: <www.g1.globo.com> (com adaptações).
A respeito do texto, julgue o item.
O pronome “ninguém” (linha 6) não poderia ser substituído pela expressão uma pessoa sem prejuízos à correção gramatical e ao sentido original do texto.
Alternativas
Q2499044 Português
O que são os manguezais e por que é importante conservá-los

         Os manguezais estão na lista dos mais produtivos ecossistemas do mundo, de acordo com especialistas. Segundo a Convenção de Ramsar (Convenção sobre as Áreas Úmidas de Importância Internacional), os ecossistemas de mangue são únicos, raros e extremamente ricos em biodiversidade. Com espécies da flora, fauna e até solo exclusivos, esse ambiente, quando gerenciado de forma sustentável, tem um papel importante na mitigação das mudanças climáticas, na proteção de zonas costeiras e na subsistência de milhões de pessoas.
           Entretanto, segundo a Unesco, as áreas úmidas estão desaparecendo três a cinco vezes mais rápido do que as outras florestas no mundo, trazendo sérios impactos ecológicos e socioeconômicos. O órgão estima que a cobertura de mangue global foi reduzida à metade da área original nos últimos 40 anos.

O que são os manguezais

       A bióloga Marta Vannucci, uma das pioneiras em estudos oceanográficos no Brasil e responsável por mais de 100 publicações científicas sobre os mangues, descreve as florestas desse ecossistema como “grandiosas, únicas e maravilhosas”. “Não há, como nas outras florestas, chão sobre o qual andar. Durante a maré cheia, a floresta está inundada e, quando a maré recua, deixa atrás de si um emaranhado caótico de raízes de todo tipo, recobertos por mucilagem, liquens e algas que crescem também sobre os galhos e emergem do lodo, onde é possível afundar-se até os joelhos, se houver espaço suficiente para apoiar os pés”, escreve ela.
       Trata-se de um lugar que funciona como uma transição do meio marinho para o terrestre, comumente encontrado em regiões tropicais e subtropicais onde a vida é controlada pelo ritmo das marés.
         Por serem donos de características tão específicas, os manguezais abrigam espécies únicas, como algumas adaptadas para ambientes com água salobra (onde a salinidade é maior que nos rios e menor que no mar).
        Árvores típicas do ecossistema, os mangues propriamente ditos chamam atenção por suas raízes, que ficam expostas acima do solo lodoso e formam redes complexas capazes de sustentar os altos troncos e as copas cheias.

Onde encontramos ecossistemas de mangue

         Os manguezais colonizam os litorais de 123 nações e territórios pelo mundo, segundo a Unesco. Entretanto, eles ainda são considerados ecossistemas raros, já que representam menos de 1% das florestas tropicais e menos de 0,4% das superfícies florestais do planeta.
        Ainda que espalhados por todo o mundo, apenas um punhado de países abriga mais de 70% dos manguezais do planeta.
      Só no Brasil, de acordo com o levantamento do Atlas dos Manguezais do Brasil, lançado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), em 2018, existem aproximadamente 14 mil km² de florestas de mangue ao longo do litoral. Isso coloca o país como o segundo com a maior extensão de manguezais no mundo, com 12% do total, atrás apenas da Indonésia.

Por que os manguezais são importantes

    Com toda essa biodiversidade, os manguezais também são responsáveis por inúmeros serviços ecossistêmicos, que beneficiam tanto os seres humanos quanto as demais espécies que os habitam. A importância dos manguezais vai desde a proteção de costas e controle climático até a reprodução de espécies.
     “O emaranhado de raízes e o solo rico em nutrientes formam um excelente berçário para muitos animais, principalmente marinhos, que vivem nas raízes submersas quando jovens e seguem para o mar aberto depois de adultos”, explica Aburto.
     “Por exemplo, entre as espécies de interesse comercial, a tainha, o linguado, a sardinha e o mero são altamente dependentes do manguezal para a manutenção de suas populações", diz Monica Tognella, da Ufes.
     Outro serviço prestado é a redução da vulnerabilidade de zonas costeiras a perigos naturais. “[O manguezal] impede a erosão das costas e protege qualquer infraestrutura, sejam casas, hotéis, ou outros empreendimentos, porque consegue barrar a força das ondas e de tempestades”, diz Aburto.
       Segundo a Unesco, uma faixa de 500 metros de mangues consegue diminuir a altura das ondas que chegam ao litoral em 50 a 99%.
       Em relação ao controle climático, os manguezais também são importantes sequestradores de carbono. “Eles sequestram CO2 da atmosfera 50 vezes mais rápido do que qualquer outra árvore, e o armazenam no solo em uma quantidade que pode ser até cinco vezes maior do que qualquer outra floresta”, diz Aburto. Dados da Unesco mostram que um hectare de bosque de mangues é capaz de armazenar 3.754 toneladas de carbono, o equivalente ao emitido por 2.650 carros em um ano. “É por isso que os manguezais têm sido considerados os grandes super-heróis que podem nos ajudar a combater as mudanças climáticas”, afirma o explorador.
       O Atlas dos Manguezais do Brasil reforça que eles também impactam na sobrevivência humana no dia a dia. O documento informa que, aproximadamente 120 milhões de pessoas em todo o mundo vivem a pelo menos 10 quilômetros de distância de áreas significativas de mangue, se beneficiando deles de diversas formas, como com a pesca e extração de produtos florestais, a obtenção de água potável e a proteção contra erosão e eventos climáticos extremos. O Atlas também menciona que os manguezais são importantes para a recreação e o turismo, além de serem importantes para religiões populares.

Ameaças aos manguezais

      A União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês) alerta para os danos aos manguezais causados por extração predatória de lenha e alimentos (caranguejos, lagostas, peixes, camarões, etc.); retirada da vegetação nativa para culturas agrícolas – como arroz, cana-de-açúcar, palmeiras (extração de óleo de palma); e construção de estradas, imóveis e grandes empreendimentos turísticos. “A agricultura e a criação de animais, principalmente a cultura de camarão, são os principais problemas, porque entram em conflito com as áreas de manguezais, causando o desmatamento”, explica Aburto.
       Segundo o IUCN, nos últimos 20 anos, o mundo perdeu 36% dos seus manguezais. Só no Brasil, de acordo com o Atlas, 25% das florestas de mangue foram destruídas desde o começo do século 20. A situação é particularmente grave nas regiões Nordeste e Sudeste do Brasil, que apresentam um alto nível de fragmentação – estimativas recentes sugerem que cerca de 40% do que um dia foi uma extensão contínua de manguezais já não existe mais.

Como ajudar na conservação de manguezais

    “O primeiro passo é saber mais sobre eles”, diz Aburto. Segundo ele, por ser um ambiente que ocorre em poucas áreas do planeta, há quem não saiba da sua existência, o que dificulta ações coletivas de conservação. “Muitas pessoas consomem produtos que vêm ou dependem dos manguezais, mas nunca ouviram falar desse ecossistema. Como se protege algo que não se conhece?”
    Para a professora Monica Tognella, “devemos construir um diálogo entre os estudos científicos que mostram como os ambientes intactos são mais benéficos do que a retirada dos bosques de mangue, influenciando esforços coletivos para a conservação."
     Outras ações possíveis para proteger os manguezais, segundo os especialistas, estão ligadas ao consumo consciente. “Saber da onde vem e como são produzidos os alimentos que consumimos, por exemplo, é um meio de proteger esses ecossistemas, considerando que a produção de camarão e óleo de palma para alimentação é uma das principais causas do desmatamento dos mangues”, diz Aburto. “Exigir produções mais sustentáveis e que empreendimentos, como grandes hotéis, não destruam áreas de mangue também são ações que cidadãos comuns podem se comprometer.”
    “Compartilhar e se informar sobre o valor dos manguezais para os humanos e o meio ambiente", diz Aburto, "é uma forma de promover, cada vez mais, sua proteção e o uso sustentável."

Adaptado de: https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-
ambiente/2022/07/o-que-sao-os-manguezais-e-por-que-e-
importante-conserva-los Acesso em: 25/03/24
 
“Entretanto, segundo a Unesco, as áreas úmidas estão desaparecendo três a cinco vezes mais rápido do que as outras florestas no mundo”
O trecho acima poderia ser reescrito sem prejuízo de significação por:
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Q2498874 Português

Texto I


No divã com a IA: os jovens que fazem terapia com bots de inteligência artificial 


    Harry Potter, Elon Musk, Beyoncé, Super Mario e Vladimir Putin. Estas são apenas algumas das milhões de personas de inteligência artificial (IA) com as quais você pode conversar no Character.ai – uma plataforma onde qualquer um pode criar chatbots baseados em personagens reais ou fictícios, popular especialmente entre jovens.


    A tecnologia de IA é a mesma do ChatGPT, mas o supera em termos de tempo gasto pelos usuários na plataforma. E um bot tem sido mais procurado do que os conhecidos nomes citados acima. Chama-se Psychologist (psicólogo, em inglês). Um total de 78 milhões de mensagens, 18 milhões desde novembro, foram compartilhadas com o bot desde que ele foi criado por um usuário chamado Blazeman98, há pouco mais de um ano.


    O bot apresenta-se como “alguém que ajuda nas dificuldades da vida”. A empresa de São Francisco minimiza a popularidade da conta, argumentando que os usuários estão mais interessados em role-playing para entretenimento. Os bots mais populares são personagens de anime ou jogos de computador. No entanto, entre os milhões de personagens existentes na plataforma, poucos são tão populares como o Psicólogo com muitos usuários compartilhando comentários elogiosos no Reddit. “É um salva-vidas”, postou uma pessoa. O usuário por trás do Blazeman98 é Sam Zaia, 30 anos, da Nova Zelândia.


    “A intenção nunca foi que ele se tornasse popular, que outras pessoas o procurassem ou o usassem como uma ferramenta”, diz ele. O estudante de psicologia diz que treinou o bot usando princípios de sua formação, conversando com ele e moldando as respostas a serem dadas aos problemas de saúde mental mais comuns, como depressão e ansiedade.


    Ele criou o bot para uso próprio, quando seus amigos estavam ocupados e ele precisava, em suas palavras, de “alguém ou alguma coisa” com quem conversar, e a terapia com um humano era muito cara. Sam ficou tão surpreso com o sucesso do bot que está trabalhando em um projeto de pesquisa de pós-graduação sobre a tendência emergente de terapia de IA e o porquê de ela atrair os jovens.


   Sam também acha que os jovens se sentem mais confortáveis com o formato de texto. “Falar por mensagem de texto é potencialmente menos assustador do que pegar o telefone ou ter uma conversa cara a cara”, teoriza ele.


    Theresa Plewman é psicoterapeuta profissional e já experimentou conversar com o Psychologist. Ela diz que não está surpresa que esse tipo de terapia seja popular entre os mais jovens, mas questiona a eficácia. “O bot tem muito a dizer e rapidamente faz suposições, como me dar conselhos sobre depressão quando eu disse que estava triste. Não é assim que um humano responderia”, disse ela. Theresa diz que o bot não é capaz de reunir todas as informações que um ser humano seria e não é um terapeuta competente. Mas ela diz que a sua natureza imediata e espontânea pode ser útil para quem precisa de ajuda.


    Ela diz que o número de pessoas que utilizam o bot é preocupante e pode apontar para elevados níveis de problemas de saúde mental e falta de recursos públicos. Mas a Character.ai é um espaço estranho para sediar uma revolução terapêutica. “Estamos felizes de ver que as pessoas estão encontrando grande apoio e conexão através dos personagens que elas e a comunidade criam, mas os usuários devem consultar profissionais certificados na área para obter aconselhamento e orientação legítimos,” disse uma porta-voz da empresa.

   

   É um lembrete de que a tecnologia subjacente, chamada Large Language Model (LLM), não pensa da mesma forma que um ser humano. Os LLMs funcionam como a predição de mensagens de texto, encadeando palavras de maneiras que sejam mais prováveis que apareçam em outros textos nos quais a IA foi treinada.


   Alguns psicólogos alertam que os bots de IA podem estar dando conselhos inadequados aos pacientes ou podem trazer preconceitos de raça ou gênero. Mas em outros lugares o mundo médico começa a provisoriamente aceitar os bots de IA como ferramentas a serem utilizadas para ajudar a lidar com a alta demanda nos serviços públicos. 

  

   No ano passado, um serviço de IA chamado Limbic Access tornou-se o primeiro chatbot de saúde mental a receber do governo, no Reino Unido, uma certificação de dispositivo médico. Agora é usado em muitos postos do serviço público de saúde britânico para classificar e fazer a triagem de pacientes.


Adaptado de:

https://www.bbc.com/portuguese/articles/c8025nkdjd3o



Analise as assertivas a seguir. 

I - O trecho “para obter aconselhamento e orientação legítimos” poderia ser reescrito sem configurar desvio da norma-padrão da seguinte maneira: “para obter aconselhamento e orientação legítima”.

PORQUE

II - O adjetivo (legítimo) pode concordar apenas com o substantivo mais próximo (orientação), que está no feminino singular. 
Alternativas
Q2498805 Português
Leia o excerto da matéria abaixo, extraído da Isto É, 06/10/23, responda à questão.

MENTE SÃ

Em dez de outubro, comemora-se, em todo mundo, o Dia da Saúde Mental.

    De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a quantidade de pessoas com transtornos mentais, especialmente ansiedade e depressão, tem aumentado nos últimos anos, principalmente depois da pandemia. O caos na saúde com a chegada da Covid-19, o medo da infecção e a imposição do isolamento social são alguns dos fatores que aumentaram exponencialmente o sofrimento mental. [...] Apesar dos diversos tratamentos disponíveis – medicamentosos e psicoterápicos –, a maior parte dos pacientes desconhece sua condição: não sabe, não procura ajuda e não se trata. [...]


Segundo a Organização Mundial da Saúde, existe aproximadamente um bilhão de pessoas vivendo com algum tipo de transtorno da mente

    O estigma de que pessoas com transtornos mentais são problemáticas, perigosas ou mesmo incapazes contribui para isolá-las socialmente e afastá-las do diagnóstico e de um possível tratamento. Estranha-me que a sociedade que enaltece corpos esculpidos em academias é a mesma que esconde a visita ao psiquiatra. Como se cultuar o corpo fosse glória e cuidar da mente, humilhação.

Inaceitável, portanto, essa dicotomia quando a ciência já nos ensinou: não existe separação entre corpo e mente. Pois, mente sem saúde faz o corpo adoecer. E corpo doente também adoece a mente.

Quanto mais falamos sobre saúde mental, mais ajudamos a vencer o estigma. E quando o estigma se desfaz, o silêncio se quebra, o paciente se dá conta de que não está só, que há mais gente ao redor, sofrendo, talvez, dos mesmos males, buscando, também, mesma cura. Talvez por isso, em psicoterapia se diz que a cura vem do falar.
Assinale a alternativa, na qual a frase apresentada consiste numa paráfrase da estrutura: “Quanto mais falamos sobre saúde mental, mais ajudamos a vencer o estigma.”:
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Q2497659 Português

Texto 3


Acredito que a produção de arte está diretamente ligada a quem você é, ao local que ocupa no mundo. Neste sentido, os objetos que me rodeiam e que, muitas vezes, estiveram presentes durante minha formação – e estão, ainda hoje, em minha vida – são importantes para pensar quem eu sou, qual minha relação com a sociedade na qual eu vivo. Sendo assim, objetos como pequenas garrafas, tecidos, linhas, agulhas e atos como costurar me ajudam a construir uma narrativa. E posso ampliar essa narrativa se penso que os objetos, simbolicamente falando, têm histórias próprias. Um exemplo: minha mãe foi bordadeira quando eu era criança. Isso ajudava a pagar nossos estudos. Além disso, ela fazia nossos vestidos, nossas roupas, para economizar. O bordado ou a costura, como trabalho, nunca foram profissões valorizadas e estão historicamente ligados às mulheres e a determinadas camadas sociais, geralmente as mais baixas. Eleger a costura como um dos elementos da minha poética fala muito sobre quem eu sou e de onde eu vim.
[…]


Entrevista com Rosana Paulino. Revista do centro de pesquisa e Formação, São Paulo, SESC, n. 5, p. 232-233, set. 2017. (fragmento)

O trecho “E posso ampliar essa narrativa se penso que os objetos, simbolicamente falando, têm histórias próprias”, reescrito, mantém o mesmo sentido e correção linguística na alternativa:
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Q2495996 Português
Leia o texto a seguir:


 Cansado depois de uma reunião online? Cientistas descobrem o que causa fadiga e como evitá-la


Estudo da Universidade de Galway confirma que pessoas se sentem mais cansadas após videoconferências


Desde a pandemia de Covid-19, o aumento das reuniões virtuais e interações pelas telas deram espaço para um novo problema social: o cansaço causado pelas videochamadas, lives e outros modelos de conferências virtuais que os especialistas chamaram de “fadiga do Zoom”, em referência a um dos programas mais utilizados para essa finalidade.

Um estudo feito por acadêmicos da Universidade de Galway, na Irlanda, confirmou essa tendência e descobriu que as pessoas que participam dessas reuniões ficam ainda mais cansadas quando conseguem se ver na tela. Conduzida pelo professor Eoin Whelan, da Escola de Negócios e Economia, a análise foi feita por meio do monitoramento eletroencefalográfico (EEG) de 32 voluntários, sendo 16 homens e 16 mulheres, que participaram de uma reunião Zoom ao vivo, com o modo de autovisualização ativado e desativado em momentos diferentes.

Por meio do EEG, aparelho que registra a atividade espontânea no cérebro usando eletrodos colocados na cabeça, foi observado que os níveis de fadiga eram bem maiores durante os momentos em que os participantes podiam ver a própria imagem.

De acordo com estudos anteriores, baseados em relatos pessoais extraídos de entrevistas e questionários abertos, as mulheres experimentariam mais fadiga do Zoom do que os homens. Entre os principais motivos pensados para explicar essa diferença de gênero, os pesquisadores destacavam a maior autoconsciência que as mulheres têm da sua aparência quando se olham em um espelho.

No entanto, a pesquisa da Universidade de Galway contradiz as conclusões alcançadas no passado ao constatar que não foram captadas diferenças significantes no nível de fadiga neurofisiológica entre homens e mulheres.

Em um comunicado publicado no site da universidade, essas descobertas são celebradas como fundamentais para o estabelecimento de boas práticas para proteger o bem-estar dos funcionários na era do trabalho híbrido e remoto. — Nosso estudo mostra que a sensação de cansaço que você sente durante as videochamadas é real, e ver seu próprio reflexo torna tudo ainda mais cansativo. Simplesmente desligar a imagem espelhada pode ajudar a compensar o cansaço em reuniões virtuais — afirma Whelan.

Fonte: https://oglobo.globo.com/saude/noticia/2024/04/22/cansado-depois-deuma-reuniao-online-cientistas-descobrem-o-que-causa-fadiga-e-como-evita-la.ghtml?utm_source=Facebook&utm_medium=Social&utm_campaign=OGlobo. Acesso em 27 abr. 2024.
“[...] os especialistas chamaram de ‘fadiga do Zoom’, em referência a um dos programas mais utilizados para essa finalidade” (1º parágrafo). Em termos sintáticos, uma possível substituição do trecho destacado, em conformidade com a norma-padrão, seria a:
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Q2495906 Português

Texto 1

REVOLTAS Quilombo de Maricá



Q1_7.png (415×687)



Richard Enbel, graduando no curso de História da UFF e pesquisador do projeto “Um Rio de Revoltas” – FAPERJ – CNE/2018-2021). Adaptado. Disponível em https://www.historia.uff.br/impressoesrebeldes/revolta/quilombode-marica/. Acesso em: 11 mar. 2024.

Responda à questão, após ler o enunciado:
“Houve muitas formas de resistir no Brasil, mas as fugas e a formação de comunidades pretas eram as que mais ameaçavam as autoridades locais.” (Linhas 10-13)
Assinale a opção em que a substituição do conectivo sublinhado – “mas” – ALTERA o sentido do enunciado.
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Q2495901 Português

Texto 1

REVOLTAS Quilombo de Maricá



Q1_7.png (415×687)



Richard Enbel, graduando no curso de História da UFF e pesquisador do projeto “Um Rio de Revoltas” – FAPERJ – CNE/2018-2021). Adaptado. Disponível em https://www.historia.uff.br/impressoesrebeldes/revolta/quilombode-marica/. Acesso em: 11 mar. 2024.

De acordo com o sentido expresso pelo texto, a preferência pela palavra “escravizados”, no lugar de “escravos”, como em “No início do século XIX, escravizados fugitivos [...] organizaram um quilombo nas matas da região” (Linhas 01-04),
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Q2495864 Português
Leia o texto abaixo e responda a questão.

A (IN)EXISTÊNCIA DA EMPATIA EM UMA SOCIEDADE LÍQUIDA E SUPERFICIAL

“[...] Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.”
Fernando Pessoa

       Das palavras de Fernando Pessoa, ecoam, em minha mente, os versos “Tudo vale a pena, se a alma não é pequena”. Isso me faz pensar na importância de agirmos não apenas mecanicamente, mas, sobremaneira, espiritualmente. Será que nossas ações diárias visam o bem-estar, também, dos outros? Ou será que nossa alma é pequena a ponto de pensarmos apenas em nosso benefício próprio? Infelizmente, diante da globalização, parece-me que as pessoas estão, cada vez mais, mecânicas e menos humanas, uma vez que é priorizado o bem material, bem de consumo, em detrimento do bem espiritual. Nessa linha de raciocínio, como brasileira, por meio de evidências presentes em nossa realidade social, reflito sobre a “invisibilidade pública” (COSTA, 2004) decorrente de ações oriundas de uma sociedade moderna e líquida (BAUMAN, 2001), cuja fluidez nos consome diariamente.
       Em primeiro lugar, percebo, no dia a dia, a supervalorização de umas funções, como, por exemplo, a de médico, engenheiro, advogado, em detrimento de outras, não menos importantes, tais como: gari, pedreiro, eletricista, dentre tantas outras. Como comprovado por Costa (2004), nossa sociedade tende a invisibilizar essas profissões cujos cidadãos são da classe trabalhadora, como se eles tivessem a obrigação de servir os grupos privilegiados. Pessoas que possuem este pensamento, como diria o poeta português Fernando Pessoa, parecem apresentar a alma pequena, pois não conseguem enxergar a semelhança e dependência que todos nós, cidadãos, temos em comunidade, independentemente da posição social que ocupamos. O que seria de nós, por exemplo, sem o advogado, o médico, o engenheiro e o professor? Mas, também, o que seria de nós sem o gari que higieniza nossas vias públicas, o pedreiro que constrói nossas casas e o eletricista que nos possibilita a luz elétrica para que possamos ter mais conforto e, até mesmo, cumprir nossas funções diárias?
       Essas reflexões me fazem compreender, em segundo lugar, que essa supervalorização e, por conseguinte, a invisibilidade pública (COSTA, 2004) é decorrente de uma modernidade líquida, conforme aponta Bauman (2001), a qual tem como prioridade os bens de consumo; bens esses que chegam às mãos dos pobres com muito mais dificuldade. Uma sociedade que cultiva ações materiais, em detrimento de ações de compaixão e solidariedade. Enxergo, como fruto desta realidade, pessoas que constroem suas mansões em alicerces superficiais e vazios, uma vez que, embora possuam os materiais de construção mais caros e luxuosos, não possuem sentimentos simples e imprescindíveis, tais como: o amor e a empatia. 
      Portanto, concluo que essas pessoas priorizam tanto os bens concretos que esquecem os mais importantes, aqueles que não são visíveis aos nossos olhos, mas que sentimos (SAINT-EXUPÉRY, 1987). São sentimentos que nos propiciam alicerçar a nossa moradia da maneira mais forte possível, propiciando-nos a capacidade de sermos empáticos; em outras palavras, segundo o psicólogo norte-americano Carl Rogers, é importante procurarmos enxergar o mundo com os olhos do outro, em vez de enxergarmos o nosso mundo como um reflexo nos olhos dele (ROGERS, 2017). Defendo, dessa maneira, que nem as melhores tecnologias ou lentes do mundo são capazes de nos fazer enxergar com os olhos do outro, quando temos a alma pequena, uma vez que compreendo que é procurando edificar ações mais coerentes e empáticas, em meio a uma sociedade alicerçada em superficialidades, que tornaremos visíveis as necessidades e angústias do próximo, em prol da “visibilidade pública” e grandeza de nosso espírito.

Fonte: <https://www.revistadobiu.org/
publica%C3%A7%C3%B5es/v-1-n-2-2021 [editado].
Compreendendo que o título é o retrato de um texto, de modo que, a partir dele, o autor pode revelar a temática e, até mesmo, o seu posicionamento no texto, no caso de gêneros argumentativos, assinale, a seguir, a alternativa que apresenta a reescrita mais adequada do título “A in(existência) da empatia em uma sociedade líquida e superficial”. 
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Q2495804 Português

TEXTO 2

OS BENEFÍCIOS INCRÍVEIS DO TRABALHO REMOTO E POR QUE VEIO PARA FICAR



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Disponível em: https://dailyuptea.com/os-beneficios-incriveis-dotrabalho-remoto-e-por-que-veio-paraficar/?pixel=0&vid=efKrZFovCALFFs1HfTutV8uz7Px. Acesso em: 9 out. 2022.

No trecho “Serviços comerciais, desenvolvimento web e design de interiores são apenas alguns dos campos em que os funcionários encontraram muitas vantagens ao optar por trabalhar de maneira mais flexível. Um equilíbrio trabalho-vida mais gerenciável e a eliminação de deslocamentos muitas vezes longos e cansativos são alguns dos principais benefícios, que resultam em um aumento notável na produtividade” (linhas 04-13), de acordo com a gramática prescritiva da Língua Portuguesa, os termos sublinhados podem ser substituídos, sem perda de sentido, respectivamente, por
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Q2495452 Português
Escutatória


    Faz muito tempo, nunca me esqueci. Eu ia de ônibus. Atrás, duas mulheres conversavam. Uma delas contava para a amiga os seus sofrimentos. (Contoume uma amiga, nordestina, que o jogo que as mulheres do Nordeste gostam de fazer quando conversam umas com as outras é comparar sofrimentos. Quanto maior o sofrimento, mais bonitas são a mulher e a sua vida. Conversar é a arte de produzir-se literariamente como mulher de sofrimentos. Acho que foi lá que a ópera foi inventada. A alma é uma literatura. É nisso que se baseia a psicanálise...). Voltando ao ônibus. Falavam de sofrimentos. Uma delas contava do marido hospitalizado, dos médicos, dos exames complicados, das injeções na veia — a enfermeira nunca acertava —, dos vômitos e das urinas. Era um relato comovente de dor. Até que o relato chegou ao fim, esperando, evidentemente, o aplauso, a admiração, uma palavra de acolhimento na alma da outra que, supostamente, ouvia. Mas o que a sofredora ouviu foi o seguinte: “Mas isso não é nada...”. A segunda iniciou, então, uma história de sofrimentos incomparavelmente mais terríveis e dignos de uma ópera que os sofrimentos da primeira.
    Parafraseio o Alberto Caeiro: “Não é bastante ter ouvidos para se ouvir o que é dito. É preciso também que haja silêncio dentro da alma”. Daí a dificuldade: a gente não aguenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor, sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer. Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração e precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor. No fundo somos todos iguais às duas mulheres do ônibus. Certo estava Lichtenberg — citado por Murilo Mendes: “Há quem não ouça até que lhe cortem as orelhas”.


(ALVES, Rubem. O amor que acende a lua. 8. ed. Campinas, SP: Papirus, 1999 – fragmento). 
Faz muito tempo, nunca me esqueci.

A reescrita desse período com a inserção de um conector está CORRETA em:
Alternativas
Q2495236 Português
Honremos o nome do amor 

Por Fabrício Carpinejar



(Disponível em:gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/carpinejar/noticia/2024/03/e-uma-heresia-associaro-crime-ao-amor-clu76rdzs0058019m38cssfll.html – texto adaptado especialmente para esta prova).
Assinale a alternativa que apresenta a correta reescrita do trecho a seguir caso alterássemos a forma do imperativo de “nós” para “tu”.
“Não tomemos seu santo nome em vão”. 
Alternativas
Q2494665 Português
A literatura como ferramenta, ontem e hoje


      Em seu texto “Literatura, escola e leitura”, Regina Zilberman (2008) propõe uma visita ao percurso histórico da interface entre literatura e educação. A autora retorna à Antiguidade e reflete sobre a Educação Moral e Social promovida pelas tragédias gregas e epopeias; à Idade Média, período no qual a literatura era entendida como parte da Gramática, Retórica e Lógica; e ao Renascimento, em que a literatura era utilizada para o ensino do Grego e do Latim.

        Entre os séculos XVII e XVIII, surge o modelo moderno de escola e a educação se torna obrigatória e responsabilidade dessa instituição. Nesse momento, a literatura segue com propensão educativa, mas de outra natureza, deixando de ter finalidade ética para privilegiar um caráter linguístico. Em um contexto de consolidação dos Estados Nacionais – isto é, a centralização do poder político e econômico –, o estudo da literatura nacional passa a compor as propostas pedagógicas da escola, como maneira de dar força à língua estabelecida como nacional e às ideologias dominantes.

       Desde então, o ensino da literatura move-se entre dois objetivos: ajuda a conhecer a norma linguística nacional, de que é simultaneamente a expressão mais credenciada; e, arranjada segundo um eixo cronológico, responde por uma história que coincide com a história da região de quem toma o nome e cuja existência acaba por comprovar. (Zilberman, 2008, p. 49.)

      Contemporaneamente, parece-nos que a escola não passou incólume por esse processo. No contexto brasileiro, até a década de 1970, a literatura era entendida como um meio de transmitir a norma culta e incutir valores morais. A partir dessa década, com a entrada da literatura no então 2º grau, é adotada uma abordagem cronológica e historiográfica, com foco em características de uma época, e a literatura também passa a ser utilizada para o ensino da língua.

       Dessa forma, não é exagero dizer que, em contextos escolares, tradicionalmente, a literatura tem funcionado como uma espécie de ferramenta ou apoio (Todorov, 2010), que auxilia no ensino da língua e difunde a história do país e do mundo. Além disso, observa-se uma abordagem calcada na historiografia literária, que busca estabelecer uma série de autores e escolas literárias, com suas características próprias e engessadas.

       Tudo isso nos leva à constatação de que as aulas hoje abordam diversas coisas, mas literatura não é uma delas. Por mais que essa maneira de ensinar pareça um porto seguro – e é frequentemente apregoada por algumas universidades e livros didáticos – acreditamos que se trata, na verdade, de uma armadilha, que pode afastar cada vez mais crianças e jovens de um direito fundamental: o direito à literatura (Candido, 2011).



(Texto – Esdras Soares e Lara Rocha. 07 de agosto de 2023.
Disponível em: <https://www.escrevendoofuturo.org.br/conteudo/revista-digital/artigo/104/a-literatura-os-jovens-e-a-escola-caminhos-para-aleitura-literaria-e-a-formacao-de-leitores. Fragmento.)
Mantendo-se a correção gramatical e o sentido original do texto, o período “Tudo isso nos leva à constatação de que as aulas hoje abordam diversas coisas, mas literatura não é uma delas.” (6º§) pode ser reescrito da seguinte forma: 
Alternativas
Q2494249 Português
Honremos o nome do amor

Por Fabrício Carpinejar



(Disponível em:gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/carpinejar/noticia/2024/03/e-uma-heresia-associaro-crime-ao-amor-clu76rdzs0058019m38cssfll.html – texto adaptado especialmente para esta prova). 

Assinale a alternativa que apresenta uma proposta de reescrita correta e na qual não haja alterações significativas do sentido original do trecho a seguir:
“Deram de comer secretamente, gradualmente, em seu interior, ao monstro da desconfiança”.
Alternativas
Q2494172 Português

Escrever bem


Às vezes vejo-me envolvido em discussões sobre “escrever bem”. Já pensei no assunto e tenho uma ideia formada: ninguém “escreve bem”. Alguns “reescrevem bem” e, com isso, produzem textos mais enxutos, claros e eficientes. O segredo está em ler o que se acabou de escrever, enxergar os excessos, as impropriedades, as palavras ou frases obscuras e meter-lhes a caneta — português arcaico para “deletar”. Donde o mais exato seria dizer que ninguém escreve bem de primeira. Um ou outro achado brilhante pode piscar de repente na frase, e é ótimo quando acontece. Mas, em geral, tudo o que é fácil de ler foi difícil de escrever e vice-versa.

    Reescrever consiste em expurgar o desnecessário. Se um adjetivo não servir de alimento ao substantivo a que se acopla, um dos dois está errado. E há os advérbios de modo que, automaticamente (epa, olha um!), se intrometem no texto e, geralmente (outro!), podem ser apagados sem prejuízo. Certa vez, revisei um livro de autor famoso e joguei fora tantos naturalmentes e principalmentes que dariam para encher um caminhão. O livro melhorou muito. Tenho para mim que os advérbios de modo estão para a escrita assim como os sisos para a boca: só servem para ocupar espaço e produzir cáries.

    Reescrever exige colocar-se no lugar do leitor e perguntar se a informação precisa de certos anexos. Um deles é o “vale ressaltar que...” — ao qual se segue a informação que se quer ressaltar. Experimente cortar o “vale ressaltar” e ir direto à informação. Descobrirá que não perderá nada com isso.

    E, assim como “vale ressaltar”, há o “é bom frisar”, “cabe destacar”, “convém assinalar”, “cumpre notar”, “deve-se salientar”, “importa sublinhar”, “é preciso enfatizar”, “realçar”, “atentar”, “caracterizar” etc. e, claro, “pontuar” (por que não “virgular”?). Pesos mortos, inúteis.

    O papel aceita tudo, como sabemos. Mas muitos leitores não.



(CASTRO, Ruy. Escrever bem. Folha de S. Paulo, São Paulo, 29 set. 2023. Opinião, p. 2. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/2023/09/escrever-bem.shtml).

Com base no texto, julgue estes itens:

I. O domínio da gramática normativa por parte do escritor garante a produção de textos claros.
II. A reescrita é um recurso por meio do qual o escritor problematiza os assuntos em discussão.
III. O escritor, no processo de reescrita, valoriza as habilidades linguísticas e textuais dos leitores.
IV. Os cortes de advérbios, na ação de reescrita, visam a eliminar os excessos e a garantir a objetividade.

Está CORRETO o que se afirma APENAS em
Alternativas
Q2493943 Português

Quem está perdido, a bala ou nós?


    A linguagem é perigosa. A primeira vez que uma criança foi abatida à bala em algum beco pululante de uma metrópole brasileira e nós decidimos arquivar sua morte na gaveta “bala perdida”, seguindo com o dia sem pensar mais no caso, perdemos parte da humanidade.

    Difícil precisar quando foi esse ato inaugural. “Bala perdida” é uma expressão antiga, talvez tão antiga quanto as armas de fogo. Projéteis sempre deram um jeito de se extraviar do alvo, indo traçar retas fatais no território do acaso.

    Menos antiga é a imensa probabilidade de que uma reta dessas, inapelável feito um deus indiferente, intercepte um menino jogando bola na rua ou uma menina debruçada na janela do quarto e sussurre em seu ouvido: acabou.

    Não que algo parecido não pudesse acontecer antes de nossas metrópoles começarem a inchar, latejar e apodrecer, mais de meio século atrás.

    Podia acontecer, mas era evento raríssimo enquanto não havia essa guerra sem fim entre polícia e bandidos, a fronteira entre os dois lados muitas vezes difusa — e um monte de gente no meio.

    Falta treinamento, perícia, profissionalismo? Bom, ainda que todos os atiradores fossem medalhistas olímpicos, nem assim deixaria de haver bala perdida. E olha que ainda não falamos das “balas perdidas” que são puro cinismo, eufemismo de chacina, disparadas pelas costas ou à queima-roupa.

    Mentirosa ou cândida, é estranha a preferência da tal bala por crianças. Seria por que estas são serelepes e teimam em se intrometer em assunto de gente grande, aonde não foram chamadas?

    Ou não, nada disso, pessoas de todas as idades morrem assim — e nós é que, viciados em sentimentalismos, só damos importância ao banal quando ele se abate sobre o futuro?

    Sim, a bala perdida nos desumaniza. Começa que não é perdida coisa nenhuma. É supercentrada, segura de si. Feita para matar, vai lá e mata. Perdida, a bala?

    Mesmo quando erra e não mata nem fere ninguém, e acaba encravada em alguma parede ou tronco de árvore aleatório, nem assim é o caso de dizer que se perdeu. Abriu um buraco, não abriu?

    Pois então. Negócio de bala é abrir buraco, mais até do que matar. Claro que abrir buraco é muito bom quando o objetivo é matar, mas também serve para outros propósitos. Digamos que a intenção do atirador seja, sei lá, pôr abaixo uma porta trancada; bala funciona para isso também.

    E pode acontecer, lógico, que alguém queira arrombar a porta para em seguida matar uma pessoa que está do outro lado; acontece, nada impede, desde que haja balas suficientes. Derrubar portas requer muitos cartuchos, razão pela qual tantos especialistas recomendam a pistola automática.

    A bala que se diz perdida está encontradíssima, zunindo por aí como foi projetada para fazer, esticando um fio que pode cortar destinos feito linha de pipa braba com cerol. Perdidos estão os outros; perdidos estamos nós. 

    Perdido, muito, está quem disparou a bala. É bem difícil que a pessoa esteja andando na rua e, ao esbarrar sem querer em seu revólver, veja balas saírem loucas pelo mundo. Mais comum é que meta o dedo no gatilho para onde o nariz aponta e seja o que Deus quiser — e assim o atirador se torna perdido.

    Claro que mais perdida ainda está a pessoa que a bala encontra, mas no fim do tiroteio perdidos estamos nós, todos nós, que deixamos que a história de tantas vidas estupidamente destruídas seja insultada por uma expressão covarde e imoral.



(RODRIGUES, Sérgio. Folha de S. Paulo, São Paulo, 31 ago. 2023. Cotidiano, p. 3. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/sergio-rodrigues/2023/08/quem-esta-perdido-a-bala-ou-nos.shtml. Com adaptações).

Assinale a alternativa em que a substituição do elemento grifado por pronome correspondente está CORRETA, de acordo com a gramática normativa.
Alternativas
Q2493939 Português

Quem está perdido, a bala ou nós?


    A linguagem é perigosa. A primeira vez que uma criança foi abatida à bala em algum beco pululante de uma metrópole brasileira e nós decidimos arquivar sua morte na gaveta “bala perdida”, seguindo com o dia sem pensar mais no caso, perdemos parte da humanidade.

    Difícil precisar quando foi esse ato inaugural. “Bala perdida” é uma expressão antiga, talvez tão antiga quanto as armas de fogo. Projéteis sempre deram um jeito de se extraviar do alvo, indo traçar retas fatais no território do acaso.

    Menos antiga é a imensa probabilidade de que uma reta dessas, inapelável feito um deus indiferente, intercepte um menino jogando bola na rua ou uma menina debruçada na janela do quarto e sussurre em seu ouvido: acabou.

    Não que algo parecido não pudesse acontecer antes de nossas metrópoles começarem a inchar, latejar e apodrecer, mais de meio século atrás.

    Podia acontecer, mas era evento raríssimo enquanto não havia essa guerra sem fim entre polícia e bandidos, a fronteira entre os dois lados muitas vezes difusa — e um monte de gente no meio.

    Falta treinamento, perícia, profissionalismo? Bom, ainda que todos os atiradores fossem medalhistas olímpicos, nem assim deixaria de haver bala perdida. E olha que ainda não falamos das “balas perdidas” que são puro cinismo, eufemismo de chacina, disparadas pelas costas ou à queima-roupa.

    Mentirosa ou cândida, é estranha a preferência da tal bala por crianças. Seria por que estas são serelepes e teimam em se intrometer em assunto de gente grande, aonde não foram chamadas?

    Ou não, nada disso, pessoas de todas as idades morrem assim — e nós é que, viciados em sentimentalismos, só damos importância ao banal quando ele se abate sobre o futuro?

    Sim, a bala perdida nos desumaniza. Começa que não é perdida coisa nenhuma. É supercentrada, segura de si. Feita para matar, vai lá e mata. Perdida, a bala?

    Mesmo quando erra e não mata nem fere ninguém, e acaba encravada em alguma parede ou tronco de árvore aleatório, nem assim é o caso de dizer que se perdeu. Abriu um buraco, não abriu?

    Pois então. Negócio de bala é abrir buraco, mais até do que matar. Claro que abrir buraco é muito bom quando o objetivo é matar, mas também serve para outros propósitos. Digamos que a intenção do atirador seja, sei lá, pôr abaixo uma porta trancada; bala funciona para isso também.

    E pode acontecer, lógico, que alguém queira arrombar a porta para em seguida matar uma pessoa que está do outro lado; acontece, nada impede, desde que haja balas suficientes. Derrubar portas requer muitos cartuchos, razão pela qual tantos especialistas recomendam a pistola automática.

    A bala que se diz perdida está encontradíssima, zunindo por aí como foi projetada para fazer, esticando um fio que pode cortar destinos feito linha de pipa braba com cerol. Perdidos estão os outros; perdidos estamos nós. 

    Perdido, muito, está quem disparou a bala. É bem difícil que a pessoa esteja andando na rua e, ao esbarrar sem querer em seu revólver, veja balas saírem loucas pelo mundo. Mais comum é que meta o dedo no gatilho para onde o nariz aponta e seja o que Deus quiser — e assim o atirador se torna perdido.

    Claro que mais perdida ainda está a pessoa que a bala encontra, mas no fim do tiroteio perdidos estamos nós, todos nós, que deixamos que a história de tantas vidas estupidamente destruídas seja insultada por uma expressão covarde e imoral.



(RODRIGUES, Sérgio. Folha de S. Paulo, São Paulo, 31 ago. 2023. Cotidiano, p. 3. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/sergio-rodrigues/2023/08/quem-esta-perdido-a-bala-ou-nos.shtml. Com adaptações).

Assinale a alternativa em que a alteração proposta interfere significativamente no sentido. 
Alternativas
Q2493739 Português

Texto I


A revolução da IA mudará o trabalho?






Disponível em: https://exame.com/carreira/a-revolucao-da-ia-mudara-o-trabalho-veja-o-que-bill-gates-pensa-sobre-oassunto/?utm_source=pushnews&utm_medium=pushnotification.

Texto adaptado.



De acordo com o Texto I, responda à questão.

“Dados do Fundo Monetário Internacional (FMI) mostram que quase 40% dos empregos no mundo serão afetados pelo avanço da IA. No entanto, isso não significa a extinção de profissões.” (l. 11 e 12) A reescrita que mantém o significado básico desse trecho é:
Alternativas
Q2492609 Português
Observe o texto: “Suas palavras, sempre que as proferia, em qualquer situação em que o fazia, eram sempre irrefutáveis.” Das palavras abaixo, a que pode substituir a que se destaca no texto, sem prejuízo da significação do texto é:
Alternativas
Respostas
981: D
982: E
983: D
984: A
985: D
986: A
987: C
988: C
989: E
990: E
991: E
992: A
993: E
994: C
995: C
996: D
997: B
998: A
999: C
1000: A