Questões de Concurso Sobre redação - reescritura de texto em português

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Q4390579 Português
TEXTO I

Confiança do consumidor cai e ameaça empregos

Pessimismo das famílias pode reduzir consumo e pressionar empresas neste segundo semestre


    A confiança dos consumidores brasileiros caiu pelo quarto mês consecutivo em agosto. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), recuou 3,6 pontos, para 84,7 pontos, o menor nível desde novembro de 2022. O resultado mostra que as famílias estão mais pessimistas tanto sobre o momento atual quanto sobre os próximos meses.

    O principal problema está nas expectativas. O indicador, que mede a percepção dos consumidores sobre o futuro, caiu 5,4 pontos, para 86,1 pontos. A disposição para comprar bens duráveis, como móveis, eletrodomésticos e outros produtos de maior valor, despencou 10 pontos, para 74,7 pontos, o menor nível desde julho de 2022.

    Confiança: menos consumo; mais pressão e riscos

    O cenário preocupa, porque o consumidor menos confiante tende a adiar compras e controlar mais os gastos. Segundo a FGV, o movimento reflete as dificuldades financeiras das famílias, marcadas por endividamento e inadimplência elevados em um ambiente de juros altos.

     Essa retração pode atingir diretamente o comércio e a indústria. Se as empresas vendem menos, começam a reduzir estoques, investimentos e, em alguns casos, custos com pessoal.

    Risco para os empregos

    O dado ganha ainda maior importância porque o mercado de trabalho brasileiro continua forte. A própria FGV ressalta, porém, que a sequência de quedas na confiança pode sinalizar uma desaceleração do consumo das famílias no segundo semestre.

     Na prática, existe o risco de uma reação em cadeia: consumidores mais cautelosos compram menos, empresas faturam menos, e negócios pressionados podem reduzir contratações ou até cortar postos de trabalho.

    O indicador, portanto, não significa que haverá uma onda imediata de demissões. Mas funciona como um sinal de alerta para a economia. Se o pessimismo persistir e o consumo perder força, a manutenção do emprego pode se tornar mais difícil nos próximos meses.


Fonte: BOUÉRI, Fábio. Confiança do consumidor cai e ameaça empregos. https://revistaoeste.com/economia/confianca-doconsumidor-cai-e-ameaca-empregos/ (adaptado).  
“Na prática, existe o risco de uma reação em cadeia: consumidores mais cautelosos compram menos, empresas faturam menos, e negócios pressionados podem reduzir contratações ou até cortar postos de trabalho.” A partir do fragmento exposto acima, assinale a alternativa cuja reescrita tenha mantido o valor semântico, bem como o respeito à norma-padrão da Língua Portuguesa.
Alternativas
Q4389959 Português
   Desde os primórdios, os seres humanos investigam e buscam conhecer a natureza ‒ gesto inevitável e indispensável, e no qual empregamos cada vez mais os métodos científicos. O problema reside na separação brutal entre humanidade e natureza, princípio de inúmeras correntes técnicas, científicas e ideológicas. A voracidade da acumulação capitalista impeliu ainda mais as sociedades humanas a subjugarem a natureza, que foi transformada numa fonte de recursos “inesgotável”, o que não é sustentável.
    Além disso, não podemos ignorar que nem a ciência nem as tecnologias que dela derivam são inerentemente positivas. Direta ou indiretamente, muitas de suas aplicações podem ser nocivas à humanidade. Por exemplo, o estudo científico da radiatividade levou à fabricação de bombas atômicas, causando arrependimento nos próprios promotores da energia nuclear. As tecnologias agrárias baseadas no reducionismo da monocultura provocaram a perda de biodiversidade. A lista pode alongar-se, até porque grande parte dos avanços científicos foi resultado de pesquisas com fins militares e só em um momento posterior se estenderam ao uso civil. Semelhantes aplicações da ciência são questionáveis.
     Recentemente, a promoção de energias alternativas que nos ajudam a superar a dependência dos combustíveis fósseis ‒ uma meta louvável ‒ se dá ao custo de uma crescente e destruidora demanda por outros recursos. É o caso do lítio e de outros minerais, cuja exploração, embora essencial para produzir as baterias empregadas nos veículos elétricos, amplia os impactos nocivos da mineração.


(Alberto Acosta. O bem viver, 2026. Adaptado)
Sem prejuízo ao sentido original e em conformidade com a norma-padrão de concordância verbal, em “É o caso do lítio e de outros minerais, cuja exploração, embora essencial para produzir as baterias...” (3º parágrafo), o trecho destacado pode ser substituído por:
Alternativas
Q4389327 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão:


   Desde os primórdios, os seres humanos investigam e buscam conhecer a natureza ‒ gesto inevitável e indispensável, e no qual empregamos cada vez mais os métodos científicos. O problema reside na separação brutal entre humanidade e natureza, princípio de inúmeras correntes técnicas, científicas e ideológicas. A voracidade da acumulação capitalista impeliu ainda mais as sociedades humanas a subjugarem a natureza, que foi transformada numa fonte de recursos “inesgotável”, o que não é sustentável.

  Além disso, não podemos ignorar que nem a ciência nem as tecnologias que dela derivam são inerentemente positivas. Direta ou indiretamente, muitas de suas aplicações podem ser nocivas à humanidade. Por exemplo, o estudo científico da radiatividade levou à fabricação de bombas atômicas, causando arrependimento nos próprios promotores da energia nuclear. As tecnologias agrárias baseadas no reducionismo da monocultura provocaram a perda de biodiversidade. A lista pode alongar-se, até porque grande parte dos avanços científicos foi resultado de pesquisas com fins militares e só em um momento posterior se estenderam ao uso civil. Semelhantes aplicações da ciência são questionáveis.

   Recentemente, a promoção de energias alternativas que nos ajudam a superar a dependência dos combustíveis fósseis ‒ uma meta louvável ‒ se dá ao custo de uma crescente e destruidora demanda por outros recursos. É o caso do lítio e de outros minerais, cuja exploração, embora essencial para produzir as baterias empregadas nos veículos elétricos, amplia os impactos nocivos da mineração.


(Alberto Acosta. O bem viver, 2026. Adaptado)
Sem prejuízo ao sentido original e em conformidade com a norma-padrão de concordância verbal, em “É o caso do lítio e de outros minerais, cuja exploração, embora essencial para produzir as baterias...” (3o parágrafo), o trecho destacado pode ser substituído por:
Alternativas
Q4388886 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão:


Desde os primórdios, os seres humanos investigam e buscam conhecer a natureza ‒ gesto inevitável e indispensável, e no qual empregamos cada vez mais os métodos científicos. O problema reside na separação brutal entre humanidade e natureza, princípio de inúmeras correntes técnicas, científicas e ideológicas. A voracidade da acumulação capitalista impeliu ainda mais as sociedades humanas a subjugarem a natureza, que foi transformada numa fonte de recursos “inesgotável”, o que não é sustentável.

Além disso, não podemos ignorar que nem a ciência nem as tecnologias que dela derivam são inerentemente positivas. Direta ou indiretamente, muitas de suas aplicações podem ser nocivas à humanidade. Por exemplo, o estudo científico da radiatividade levou à fabricação de bombas atômicas, causando arrependimento nos próprios promotores da energia nuclear. As tecnologias agrárias baseadas no reducionismo da monocultura provocaram a perda de biodiversidade. A lista pode alongar-se, até porque grande parte dos avanços científicos foi resultado de pesquisas com fins militares e só em um momento posterior se estenderam ao uso civil. Semelhantes aplicações da ciência são questionáveis.

Recentemente, a promoção de energias alternativas que nos ajudam a superar a dependência dos combustíveis fósseis ‒ uma meta louvável ‒ se dá ao custo de uma crescente e destruidora demanda por outros recursos. É o caso do lítio e de outros minerais, cuja exploração, embora essencial para produzir as baterias empregadas nos veículos elétricos, amplia os impactos nocivos da mineração.


(Alberto Acosta. O bem viver, 2026. Adaptado)
Sem prejuízo ao sentido original e em conformidade com a norma-padrão de concordância verbal, em “É o caso do lítio e de outros minerais, cuja exploração, embora essencial para produzir as baterias...” (3o parágrafo), o trecho destacado pode ser substituído por: 
Alternativas
Q4388831 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão:


    Desde os primórdios, os seres humanos investigam e buscam conhecer a natureza ‒ gesto inevitável e indispensável, e no qual empregamos cada vez mais os métodos científicos. O problema reside na separação brutal entre humanidade e natureza, princípio de inúmeras correntes técnicas, científicas e ideológicas. A voracidade da acumulação capitalista impeliu ainda mais as sociedades humanas a subjugarem a natureza, que foi transformada numa fonte de recursos “inesgotável”, o que não é sustentável.

    Além disso, não podemos ignorar que nem a ciência nem as tecnologias que dela derivam são inerentemente positivas. Direta ou indiretamente, muitas de suas aplicações podem ser nocivas à humanidade. Por exemplo, o estudo científico da radiatividade levou à fabricação de bombas atômicas, causando arrependimento nos próprios promotores da energia nuclear. As tecnologias agrárias baseadas no reducionismo da monocultura provocaram a perda de biodiversidade. A lista pode alongar-se, até porque grande parte dos avanços científicos foi resultado de pesquisas com fins militares e só em um momento posterior se estenderam ao uso civil. Semelhantes aplicações da ciência são questionáveis.

    Recentemente, a promoção de energias alternativas que nos ajudam a superar a dependência dos combustíveis fósseis ‒ uma meta louvável ‒ se dá ao custo de uma crescente e destruidora demanda por outros recursos. É o caso do lítio e de outros minerais, cuja exploração, embora essencial para produzir as baterias empregadas nos veículos elétricos, amplia os impactos nocivos da mineração.


(Alberto Acosta. O bem viver, 2026. Adaptado)
Sem prejuízo ao sentido original e em conformidade com a norma-padrão de concordância verbal, em “É o caso do lítio e de outros minerais, cuja exploração, embora essencial para produzir as baterias...” (3° parágrafo), o trecho destacado pode ser substituído por:
Alternativas
Q4387143 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Dia do Folclore: entenda importância das tradições populares na educação


O Dia do Folclore é celebrado internacionalmente no dia 22 de agosto. No Brasil, a data tem o objetivo de garantir a preservação do folclore brasileiro, além de incentivar o estudo das tradições.


O dia costuma retomar elementos da cultura popular brasileira: danças, ritmos, festas e lendas tradicionais, como as do Saci-Pererê, do Curupira, da Iara e do Boto-cor-de-rosa, entre outras. Mas, além de reforçar todas as tradições, esses conhecimentos também podem ser inseridos na educação.


Thaís Ciardella, coordenadora pedagógica na Roda Educativa, explica que o Dia do Folclore é uma oportunidade de abordar a diversidade cultural no planejamento escolar de uma maneira mais ampla, crítica e contextualizada.


"O mais potente é a comunidade escolar se colocar para identificar quais são os conhecimentos, quais são as manifestações culturais do próprio território, como cantigas, narrativas populares, manifestações culturais. É um saber tradicional; tudo isso pode ser objeto de pesquisa, de análise, de produção artística, de reflexão", avalia a coordenadora.


Ciardella reitera a necessidade de valorizar a história, a cultura afro-brasileira e indígena, dialogando com o que a própria legislação brasileira exige.


"É possível refletir sobre os diferentes saberes, sobre as diferentes linguagens, sobre a investigação sobre o território. E isso dialoga com o desenvolvimento integral e a valorização dos saberes ancestrais", afirma. Para a especialista, é preciso assumir o compromisso com a transmissão de saberes populares de uma geração para outra.


Ao analisar os efeitos de uma prática pedagógica que aplique os conhecimentos folclóricos, a especialista aponta que lendas, cantigas e brincadeiras populares podem reforçar o pertencimento.


"Essas expressões culturais vão permitindo que crianças, jovens e adultos se sintam pertencentes e produtores de saberes populares e de arte popular", explica.


Segundo Thaís Ciardella, a escola é o espaço para dialogar sobre todas as culturas. "Quando a gente fala das diversidades culturais, das histórias populares, dos saberes populares, a gente usa a identidade cultural do Brasil, mas a gente também usa a de outros países para valorizar as múltiplas culturas e identidades", detalha ela.


A coordenadora pedagógica explica que diferentes grupos sociais produzem folclore e culturas populares no Brasil contemporâneo. Por isso, é preciso ouvir reconhecer essas diversidades.     


"No caso das culturas indígenas e quilombolas, isso é especialmente importante para não reforçar no imaginário dos estudantes que esses são povos do passado. São povos historicamente presentes, com produções e lutas contemporâneas em meio aos desafios que vivenciamos para estruturar a sociedade brasileira no tempo presente", defende Ciardella.


A educadora ressalta que o ensino sobre saberes tradicionais e diversidade não se restringe a uma única data. "A BNCC (Base Nacional Comum Curricular) assegura esse tipo de formação, com um currículo articulado que contemple os saberes dos povos indígenas, das comunidades quilombolas e das comunidades tradicionais", pontua Thaís Ciardella.


A coordenadora pedagógica também lembra que o ensino sobre culturas populares não precisa ser restrito à educação infantil. "Isso pode aparecer em todas as etapas educacionais. Mais importante do que celebrar a data é garantir que esses diferentes saberes, manifestações e produções culturais façam parte da sociedade brasileira, que estejam presentes no currículo ao longo de todo ano", finaliza ela.


DIA do Folclore: 5 razões para as escolas celebrarem a data [adaptado]. CNN Brasil, [S. l.], 22 ago. 2025. Educação. Disponível em:

https://www.cnnbrasil.com.br/educacao/dia-do-folclore-5-razoes-para-a s-escolas-celebrarem-a-data/. Acesso em: 20 ago. 2026.   

"Ao analisar os efeitos de uma prática pedagógica que aplique os conhecimentos folclóricos, a especialista aponta que lendas, cantigas e brincadeiras populares podem reforçar o pertencimento."
Com base na concordância verbal, analise as afirmativas a seguir.
I.O verbo 'poder' está flexionado no plural para concordar com o sujeito composto, formado por três núcleos coordenados.
II.Caso o trecho fosse reescrito como 'A maioria das lendas, cantigas e brincadeiras populares pode reforçar o pertencimento', a concordância estaria de acordo com a norma-padrão.
III.Caso a construção fosse 'pode reforçar o pertencimento a lenda, as cantigas e as brincadeiras...', o verbo estaria corretamente empregado no singular, pois o verbo pode concordar com o núcleo mais próximo.
IV.Se o sujeito fosse reescrito como 'Um conjunto de lendas, cantigas e brincadeiras populares', a concordância no singular ('pode') estaria em conformidade com a norma-padrão.
É correto o que se afirma em:
Alternativas
Q4384407 Português

Leia o texto I a seguir para responder à questão:


IA e as tendências do futuro


O uso da inteligência artificial (IA) já é uma realidade em todo o mundo, provocando mudanças profundas em todos os ramos da atividade humana, incluindo os negócios. Além disso, trata-se de uma ferramenta à disposição de qualquer pessoa que possua um smartphone ou notebook.


Constatar essa realidade implica também reconhecer que nenhum exercício de futurologia conseguirá prever todas as consequências dessas mudanças. Porém, essas possibilidades têm de ser estudadas de modo a identificar tendências e preparar governos e empresas para conviver com a revolução tecnológica.


Relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), de maio de 2025, anota o seguinte: “A obtenção de taxas mais elevadas de adoção de IA pode aumentar a produtividade do trabalho e gerar outros resultados desejáveis, como menores taxas de defeitos na produção, reduzindo a necessidade de insumos materiais. As informações para políticas públicas provenientes deste e de outros estudos comparáveis provavelmente se tornarão mais importantes à medida que mais empresas buscarem se tornar usuárias ativas de IA”.


Esses temas serão debatidos no Futura Trend, evento que terá em pauta o processo acelerado de transformação digital e os impactos da inteligência artificial generativa na reconfiguração da sociedade, na educação e na economia. Será debatida, também e de forma aprofundada, a questão do letramento digital e da educação, a partir da primeira infância, para o acesso à tecnologia, o que evitará mais uma geração de excluídos da era digital, como aconteceu nos anos 1990 e início do ano 2000.


O seminário, portanto, está inserido no grande debate que hoje mobiliza países de todo o mundo para estudar as tendências que regularão a sociedade permeada pela inteligência artificial.


(Editorial, 06.08.2026. Disponível em: www.opovo.com.br. Adaptado)

Assinale a alternativa em que o trecho entre parênteses substitui o trecho destacado, de acordo com a norma- -padrão e com sentido compatível com o original.
Alternativas
Q4383236 Português

Medo da Eternidade


    Jamais esquecerei o meu aflitivo e dramático contato com a eternidade.  


    Quando eu era muito pequena ainda não tinha provado chicles e mesmo em Recife falava-se pouco deles. Eu nem sabia bem de que espécie de bala ou bombom se tratava. Mesmo o dinheiro que eu tinha não dava para comprar: com o mesmo dinheiro eu lucraria não sei quantas balas. 


    Afinal minha irmã juntou dinheiro, comprou e ao sairmos de casa para a escola me explicou: 


    — Tome cuidado para não perder, porque esta bala nunca se acaba. Dura a vida inteira. 


    — Como não acaba? — Parei um instante na rua, perplexa. 


    — Não acaba nunca, e pronto. 


    Eu estava boba: parecia-me ter sido transportada para o reino de histórias de príncipes e fadas. Peguei a pequena pastilha cor-de-rosa que representava o elixir do longo prazer. Examinei-a, quase não podia acreditar no milagre. Eu que, como outras crianças, às vezes tirava da boca uma bala ainda inteira, para chupar depois, só para fazê-la durar mais. E eis-me com aquela coisa cor-de rosa, de aparência tão inocente, tornando possível o mundo impossível do qual já começara a me dar conta. 


    Com delicadeza, terminei afinal pondo o chicle na boca. 


    — E agora que é que eu faço? — Perguntei para não errar no ritual que certamente deveria haver.


    — Agora chupe o chicle para ir gostando do docinho dele, e só depois que passar o gosto você começa a mastigar. E aí mastiga a vida inteira. A menos que você perca, eu já perdi vários.


    Perder a eternidade? Nunca.


    O adocicado do chicle era bonzinho, não podia dizer que era ótimo. E, ainda perplexa, encaminhávamo-nos para a escola. 


    — Acabou-se o docinho. E agora?


    — Agora mastigue para sempre.


    Assustei-me, não saberia dizer por quê. Comecei a mastigar e em breve tinha na boca aquele puxa-puxa cinzento de borracha que não tinha gosto de nada. Mastigava, mastigava. Mas me sentia contrafeita. Na verdade eu não estava gostando do gosto. E a vantagem de ser bala eterna me enchia de uma espécie de medo, como se tem diante da ideia de eternidade ou de infinito. 


    Eu não quis confessar que não estava à altura da eternidade. Que só me dava aflição. Enquanto isso, eu mastigava obedientemente, sem parar.


    Até que não suportei mais, e, atravessando o portão da escola, dei um jeito de o chicle mastigado cair no chão de areia.


    — Olha só o que me aconteceu! — Disse eu em fingidos espanto e tristeza. — Agora não posso mastigar mais! A bala acabou! 


    — Já lhe disse —  repetiu minha irmã —  que ela não acaba nunca. Mas a gente às vezes perde. Até de noite a gente pode ir mastigando, mas para não engolir no sono a gente prega o chicle na cama. Não fique triste, um dia lhe dou outro, e esse você não perderá.


    Eu estava envergonhada diante da bondade de minha irmã, envergonhada da mentira que pregara dizendo que o chicle caíra na boca por acaso. 


    Mas aliviada. Sem o peso da eternidade sobre mim.


Clarice Lispector  

“Mas aliviada. Sem o peso da eternidade sobre mim.” A conjunção destacada PODE ser substituída por outra SEM alteração de sentido por: 
Alternativas
Q4382698 Português
TEXTO I

Os piores entre nós

Instituições não existem. Só existem pessoas

    Instituições são ficções. Em Sapiens, Yuval Harari chama a Peugeot, a montadora francesa de automóveis, de uma ficção jurídica: os carros, as fábricas e os funcionários existem fisicamente, mas a empresa é uma entidade imaginária cuja existência depende de leis e do que ele chama de uma “história compartilhada” na qual combinaram de acreditar. Mas ninguém jamais tocou na Peugeot ou jantou com ela – a Peugeot não é um organismo vivo ou um objeto físico. A mesma coisa pode ser dita de um governo, de um Congresso ou de um Tribunal. Essas instituições são ficções, representadas essencialmente pelas pessoas que as compõem.
    Instituições não existem. Só existem pessoas – e elas podem ser competentes ou incapazes, virtuosas ou maléficas, generosas ou psicopatas.
    O economista Douglas North, no seu livro Instituições, Mudança Institucional e Desempenho Econômico, diz que instituições são as regras do jogo em uma sociedade. Instituições são a Constituição, as leis, os regulamentos, as tradições e as regras não escritas de convívio social. Segundo North, as instituições de um país determinam seu desenvolvimento. Mas regras, em si, não são suficientes. É preciso que as pessoas decidam respeitá-las.
    Em 2011, ao falar no Senado dos EUA, Antonin Scalia, juiz da Suprema Corte americana, lembrou que a antiga União Soviética – que ele, ecoando Ronald Regan, chamou de império do mal – tinha uma Constituição que garantia direitos muito mais amplos do que os previstos na Constituição americana. Mas eram direitos de papel, que nada valiam diante do Estado soviético. Scalia disse que a liberdade americana não é garantida por palavras, mas por uma estrutura de governo que, dividindo o Estado em vários poderes que competem entre si, impede a hegemonia de qualquer um deles. O confronto entre os poderes não é um problema – essa foi a mensagem de Scalia. A disputa entre poderes é a garantia de nossa liberdade.
    Daron Acemoglu e James Robinson, autores de Por Que as Nações Fracassam, dividem as instituições em dois grupos: extrativas – quando extraem riqueza da sociedade para concentrá-la nas mãos de poucos – e inclusivas – quando permitem que a maior parte da sociedade se beneficie da riqueza. Nossas instituições são, evidentemente, extrativas. Mesmo as mais inclusivas são conduzidas por pessoas, e a condução refletirá a concepção que essas pessoas têm do Estado. Para algumas delas, a função do Estado é enriquecêlas.
    No prefácio de sua excepcional tradução de A República de Platão, Allan Bloom comenta a preocupação de Sócrates com a educação dos governantes: “Os regimes dependem das virtudes dos homens e não das instituições; se as virtudes mais altas não estiverem presentes nos governantes, um regime inferior será instituído. Não há guardiões acima dos guardiões [...]”.
    Alguém precisa dizer isso aos brasileiros que, repetidamente, caem na armadilha ideológica e emocional de atribuir abstrações políticas (“democracia”, “Estado Democrático de Direito”, “Constituição”, “tribunal” ou “conselho”) o mágico poder de consertar as imoralidades e punir os crimes, apenas para ver essas abstrações sendo usadas como justificativa para mais imoralidades e mais crimes. As instituições às quais confiamos nossos direitos se revelaram quadrilhas organizadas para nos expropriar.
    Instituições não existem. Só existem pessoas. E um indivíduo ou um grupo, investido de grande poder, só será contido por outros indivíduos, ou grupos com poder semelhantes, que recusem submissão. Mas, em nosso país, a submissão parece estar sempre ao alcance de um uísque puro malte, um contrato de “assessoria” e uma promessa de manter em segredo mensagens, fotos e vídeos comprometedores.
    Os incentivos da política são perversos em todos os lugares, como já explicou Niall Ferguson em A Grande Degeneração. Políticos são estimulados a mentir, fraudar e roubar porque a recompensa é enorme, e o custo – a possibilidade de punição – é baixo. Mas, quando essas práticas contaminam até as áreas do Estado responsáveis pela aplicação da lei, a pergunta que o cidadão se faz é: como é possível que tenhamos selecionado, para nos governar, os piores entre nós?

Fonte: MOTTA, Roberto. Revista Oeste, ed.342. Os piores entre nós. https://revistaoeste.com/revista/edicao-342/os-piores-entre-nos-2/ (adaptado). 
Assinale a alternativa cuja reescrita de um fragmento do texto apresente incorreção gramatical quanto ao emprego de um sinal de Pontuação, segundo a norma culta da Língua Portuguesa. 
Alternativas
Q4379658 Português

Leia o trecho da crônica “Minhas fila” a seguir para responder à questão.

A fila é um sofrimento. É mesmo? Depende de como você encara uma fila. Em primeiro lugar, você não pode levar a fila a sério. Existem filas e filas. Uma fila de banco, por exemplo, é completamente diferente de uma fila de padaria.

A pior fila, por consenso, é a fila do banco. Sim, você começa a sofrer com ela no dia anterior. Amanhã vou ter de ir ao banco. E você já dorme com aquela fila na cabeça. Sonha com ela. Ela vai até à rua. Ninguém está feliz na fila do banco, já notou? O sujeito que está ali está sofrendo. Já chega sofrendo. Ele sabe que vai sair dali um pouco mais pobre, no mínimo.

Mas o pior na fila do banco é que a gente, que está mais atrás, olha a quantidade de papelzinho que o da frente tem na mão e logo pensa: isso vai longe. E quando a menina do caixa pede licença e sai para obter uma orientação do gerente lá na outra sala? Todo mundo olha o relógio. E a inveja que a gente fica do segundo da fila? Dá vontade de matar o sujeito. E aquele que disfarça? Está só com um papelzinho na mão. Mas quando chega na vez dele, abre uma pasta. Uma pasta!

Mas toda fila tem seus encantos (basta saber curtir). Menos a fila da fome, esperando comida. Não dá para olhar para a foto (na primeira página dos jornais) daqueles brasileiros e fazer brincadeira. Aquela fila é uma coisa muito séria, gente.

(Mário Prata, Minhas tudo. Adaptado)

Considere as passagens a seguir:
•  E aquele que disfarça? Está só com um papelzinho na mão… (3º parágrafo)
•  Mas toda fila tem seus encantos (basta saber curtir).     Menos a fila da fome, esperando comida. (4º parágrafo)
Os termos destacados podem ser substituídos, correta e respectivamente, por:
Alternativas
Q4378935 Português
    Todo aquele que adquiriu uma habilidade pouco comum sente prazer em exercitá-la até que a domine sem esforço ou que já não possa aperfeiçoá-la. Esta motivação para a atividade começa na primeira infância: o menino que sabe plantar bananeira acaba perdendo o gosto de andar com os pés. Muitos trabalhos proporcionam o mesmo prazer que os jogos de habilidade. O trabalho de um advogado ou de um político deve produzir um prazer similar ao que experimentamos ao jogar bridge, mas de uma forma mais agradável. Naturalmente, aqui não se trata apenas de um exercício de habilidade, mas de superação de um adversário hábil. Porém, ainda que não exista este elemento de competição, a execução de proezas difíceis nos é sempre agradável.
    O homem capaz de fazer acrobacias com um aeroplano experimenta um prazer tão grande que, por ele, está disposto a arriscar a vida. Imagino que um bom cirurgião, malgrado as dolorosas circunstâncias em que realiza seu trabalho, obtém satisfação da requintada precisão de suas operações. O mesmo tipo de prazer, embora de forma menos intensa, é obtido em muitos trabalhos de natureza mais humilde. Já ouvi falar até de homens que gostam do trabalho de abrir poços. Todo trabalho que exija habilidade pode causar prazer, desde que a habilidade requerida seja variável ou possa ser indefinidamente aperfeiçoada. Sem tais condições, o trabalho deixará de ser interessante quando a pessoa alcançar o grau máximo de habilidade. O atleta bem-sucedido em corridas de cinco mil metros rasos deixará de obter prazer com essa ocupação quando chegar a uma idade em que já não lhe for possível bater suas marcas anteriores.
    Felizmente, existem muitíssimos trabalhos em que as novas circunstâncias exigem novas habilidades — e uma pessoa pode continuar melhorando, pelo menos até alcançar a idade madura. Em alguns tipos de trabalhos qualificados, como a política, por exemplo, parece que a melhor idade do homem se acha entre os sessenta e os setenta anos; o motivo é que nessa classe de profissões é imprescindível ter uma grande experiência no trato com os demais. Por isso os políticos bem-sucedidos podem ser mais felizes aos setenta anos do que outros homens da mesma idade. Seus únicos concorrentes nesse aspecto são os que dirigem grandes negócios.

Bertrand Russell. A conquista da felicidade. 5. ed.
Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2017 (com adaptações 
Mantendo-se os sentidos e a correção gramatical do texto, a palavra “malgrado” (segundo parágrafo) poderia ser substituída por
Alternativas
Q4378154 Português

TEXTO I


Robô humanoide do Exército custa R$ 194 mil

Modelo usado pelo Instituto Militar de Engenharia foi colocado em uma viatura e realizou saudação durante o desfile em Brasília


    Um robô humanoide fardado do Exército Brasileiro chamou atenção durante o desfile cívico-militar do 7 de Setembro, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. As plataformas de marketplace vendem o equipamento, que a chinesa Unitre Robotics fabrica, por cerca de R$ 194 mil.


    O Exército confirmou que o modelo usado na cerimônia é o Unitree G1, na versão EDU. O Instituto Militar de Engenharia (IME) adquiriu o equipamento com recursos da Financiadora de Estudos e Projetos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações.


    Durante o desfile, o robô permaneceu sobre uma viatura Marruá e realizou movimentos de saudação protocolar diante da tribuna principal. O equipamento acenou para o público e bateu continência aos chefes dos Três Poderes presentes no palanque.


    Entre as autoridades estavam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). A primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, sorriu, aplaudiu e retribuiu a saudação feita pelo robô.


    Equipamento é usado em pesquisas do Exército


    No IME, o robô integra atividades de ensino, pesquisa e extensão. Segundo o Exército, os dados coletados pelos sensores e a capacidade de processamento do equipamento servem ao desenvolvimento de algoritmos de controle e atuadores.


    As pesquisas abrangem áreas como robótica, inteligência artificial, percepção ambiental, navegação e autonomia de sistemas. A chinesa Unitree Robotics projetou o equipamento também para operações em ambientes de risco. Entre suas funções estão a inspeção, identificação, manipulação e neutralização de artefatos explosivos a distância.


    O Centro de Comunicação Social do Exército informou que não existe previsão de emprego operacional direto do robô humanoide pela força. Os algoritmos desenvolvidos na plataforma, contudo, podem ter aplicação em tecnologias militares utilizadas em conflitos modernos. Entre os possíveis usos citados pelo Exército estão sistemas embarcados em drones, armamentos remotos, veículos autônomos e robôs destinados à detecção e à desativação de bombas.


Fonte: BATALHA, Victória. Revista Oeste, Tecnologia. Robô humanoide do Exército custa R$ 194 mil. https://revistaoeste.com/tecnologia/robo-humanoide-do-exercito-custa-r-194-mil/ (adaptado).

“O Centro de Comunicação Social do Exército informou que não existe previsão de emprego operacional direto do robô humanoide pela força.”


A partir do fragmento exposto acima, assinale a alternativa cuja reescrita manteve o valor semântico presente, bem como o respeito à norma-padrão da Língua Portuguesa.

Alternativas
Q4377922 Português

O Dia Nacional do Uso Racional de Medicamentos (5 de maio) foi criado para alertar a população sobre os riscos à saúde causados pelo uso indiscriminado de medicamentos e pela automedicação.

O uso incorreto de medicamentos ou o seu consumo sem critérios médicos podem prejudicar a saúde, causando intoxicações, problemas mais graves ou até mesmo a morte.

A automedicação, ou seja, o uso de medicamentos por conta própria ou por indicação de pessoas não habilitadas, sem a avaliação prévia de um médico ou dentista, conforme o caso, deve ser evitada. O que é eficaz para uns pode ser nocivo a outros, pois o problema de saúde pode ser bastante diferente, apesar da aparente semelhança dos sintomas percebidos.

Todo medicamento é um remédio, mas nem todo remédio é um medicamento. Existem vários tratamentos, produtos e cuidados que ajudam a combater doenças ou aliviar dores e que não são medicamentos, como, por exemplo, a acupuntura, a fisioterapia ou as caminhadas. Para ser considerado medicamento no Brasil, o respectivo produto precisa ter registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Alimentos, mesmo aqueles comercializados em formas tipicamente farmacêuticas, como cápsulas e comprimidos, também não são medicamentos. Manter uma alimentação equilibrada é indispensável para uma boa saúde, mas um alimento não pode ser anunciado como responsável pela cura de doenças.

Medicamentos tampouco são bens de consumo comuns, como roupas, sapatos e artigos de higiene pessoal. Eles são bens de saúde, por isso não podem ser anunciados como produtos de livre mercado.

Qualquer produto terapêutico, independentemente de sua natureza (animal, vegetal, mineral ou sintética), deve ser considerado medicamento e sua fabricação e comercialização devem ser registradas na Anvisa. Para que um medicamento seja registrado e comercializado, é necessária uma análise criteriosa da documentação administrativa e técnico-científica relacionada à qualidade, à segurança e à eficácia do produto para garantir o seu uso terapêutico correto.

Após a obtenção do registro pela empresa e quando o medicamento já está sendo comercializado, cabe à farmacovigilância identificar, avaliar e monitorar a ocorrência dos possíveis eventos adversos relacionados ao seu uso. O objetivo desse monitoramento é garantir que os benefícios do produto sejam maiores que os riscos por ele causados. Também são importantes para a farmacovigilância informações que digam respeito aos eventos adversos gerados por desvios de qualidade, à inefetividade terapêutica, a erros de medicação, ao uso de medicamentos com indicações não aprovadas no registro, ao seu uso abusivo, bem como a intoxicações e interações medicamentosas.

Para aumentar a segurança do uso de medicamentos e estimular a notificação de erros de medicação, a Anvisa implantou, em 2019, um sistema novo de notificações nacional de eventos adversos provocados por medicamentos e de relatos de casos de erros de medicação em serviços de saúde, o VigiMed. O acesso ao sistema é rápido e fácil, o que facilita a notificação e, consequentemente, as ações preventivas da Agência.

Internet: www.artigo.anvisa.gov.br (com adaptações).

Assinale a alternativa em que é apresentada proposta de reescrita gramaticalmente correta e coerente com as ideias do texto para o seguinte trecho: “Eles são bens de saúde, por isso não podem ser anunciados como produtos de livre mercado.” (sexto parágrafo) 
Alternativas
Q4376621 Português

TEXTO I


Inadimplência das famílias chega a recorde de 8%


Crédito em atraso há mais de 90 dias atingiu o maior patamar

da série histórica do Banco Central, iniciada em 2011  


    A inadimplência das famílias no crédito livre chegou a 8% em agosto, maior nível da série histórica do Banco Central (BC), iniciada em março de 2011. O indicador considera operações com pagamentos atrasados há mais de 90 dias. Em relação a julho, houve alta de 0,2 ponto porcentual. Na comparação com agosto do ano passado, o avanço foi de 1 ponto porcentual. Os dados foram divulgados durante esta terça-feira, 29.


    O crédito livre reúne operações com condições negociadas entre bancos e clientes, como empréstimos pessoais e cartão de crédito. Nesse segmento, a taxa média de juros cobrada das famílias subiu. O índice passou de 60,3% ao ano em julho para 61,7% em agosto.  


    Os atrasos também aumentaram quando o levantamento considerou todas as modalidades de crédito do sistema financeiro.


    Inadimplência cresce no sistema financeiro


    Entre as pessoas físicas, o índice chegou a 6% em agosto, alta de 0,2% ponto porcentual no mês. Entre as empresas, a taxa permaneceu em 3,3%. Considerando o conjunto das operações de crédito, a inadimplência passou de 4,9% em julho para 5% em agosto.   


    O saldo dos empréstimos destinados às famílias também aumentou. O volume chegou a R$ 4,7 trilhões em agosto, crescimento de 0,8% no mês e de 10,5% em 12 meses. 


    Segundo o Banco Central, os financiamentos de veículos, o cartão de crédito rotativo e os empréstimos consignados para trabalhadores do setor privado puxaram o avanço no crédito livre. 


    Os dados mais recentes sobre o peso das dívidas no orçamento das famílias são de julho. Naquele mês, o endividamento alcançou 49,9% da renda disponível acumulada em 12 meses, alta de 0,2 ponto porcentual em relação a junho. A parcela da renda mensal comprometida com o pagamento de dívidas permaneceu em 28,7%.


    Na sexta-feira 25, o governo federal lançou uma nova etapa do Desenrola Brasil para renegociar dívidas antigas. O anúncio ocorreu depois do período considerado pelos dados de agosto do Banco Central. Por isso, os números divulgados nesta terça - feira ainda não mostram possíveis efeitos da medida.  


Fonte: BATALHA, Victória. Inadimplência das famílias chega a recorde de 8%

(https://revistaoeste.com/economia/inadimplencia-das-familias-chega-a-recorde-de-8/)

(Adaptado). 

“Na sexta-feira 25, o governo federal lançou uma nova etapa do Desenrola Brasil para renegociar dívidas antigas. O anúncio ocorreu depois do período considerado pelos dados de agosto do Banco Central.” 
A partir do fragmento exposto acima, assinale a alternativa cuja reescrita manteve o valor semântico presente, bem como o respeito à norma-padrão da Língua Portuguesa. 

Alternativas
Q4371768 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão



Ética e inclusão: Atender com respeito às singularidades



Respeitar singularidades não é um favor; é um dever ético. A escuta com atenção, o olhar cuidadoso ao outro e a recusa a qualquer forma de discriminação são a base de um serviço público verdadeiramente ético e inclusivo.



Você já parou para pensar no que significa, de fato, atender o outro com respeito? Não se trata apenas de um bom dia educado ou de seguir um roteiro. Trata-se de enxergar a pessoa à nossa frente, seja ela um cidadão que busca um serviço, um colega de trabalho ou uma pessoa que trabalha conosco, em sua totalidade, com suas vivências, limitações e qualidades.



A ética pública nos convida a ir além da impessoalidade correta. Ela nos chama à escuta com atenção: aquela que não interrompe, não julga antes da hora e não impõe soluções padronizadas. O trabalho com pessoas, praticado todos os dias por todo servidor público, exige respeito à individualidade, ao ritmo, ao jeito de cada um, exige ajustes às necessidades e limitações.



Quantas vezes, no atendimento ao público, chamamos uma demanda de "difícil" apenas porque fugia do roteiro? Quantas vezes, na relação entre servidores, colocamos a hierarquia acima do respeito, a ponto de silenciar o outro? E nas Comissões de Ética, quantas diferenças podem passar despercebidas se não houver um olhar atento e sensível às diferentes realidades, de gênero, raça, deficiência, neurodiversidade, crença ou situação familiar? A honestidade, a cortesia, a boa-fé e a eficiência só se realizam plenamente quando somamos a inclusão como valor presente em tudo. Isso significa adaptar a linguagem, oferecer tempo e espaço para que o outro se expresse, e evitar atitudes de superioridade ou discriminatórias — ainda que sem querer.



Para as Comissões de Ética, esse cuidado é ainda mais importante. Suas funções exigem uma postura respeitosa e justa, mas também sensibilidade para compreender o contexto de quem fala. Um servidor com deficiência auditiva pode não responder a um comando falado de imediato; uma pessoa em situação de rua pode ter dificuldade de se expressar de forma mais formal; um colega autista pode entender instruções de forma literal. Acolher essas diferenças não é "dar tratamento privilegiado", é garantir a igualdade de tratamento naquilo que é essencial, respeitando o que é particular de cada um.



Para as autoridades mais altas, o chamado é ainda mais forte, é obrigatório: a hierarquia não dispensa o respeito. Pelo contrário, exige ainda mais responsabilidade na forma de cobrar resultados, de ouvir opiniões contrárias e de reconhecer os próprios erros de julgamento. Um gestor que não respeita as diferenças de sua equipe gera medo, adoecimento e prejudica não só o ambiente de trabalho, mas a confiança na instituição.



Neste mês, fazemos um convite à reflexão.



Minhas atitudes, palavras e decisões demonstram escuta ativa e respeito às diferenças?



Estou atento(a) a situações em que, mesmo sem intenção, padronizo expectativas e desconsidero as diferenças das pessoas?



Como posso contribuir para que o ambiente de trabalho e o atendimento ao público sejam espaços de acolhimento e igualdade? 



A ética pública não se resume ao cumprimento de leis e regras. Ela se vive na relação concreta com o outro, em como pedimos desculpas por um erro e como aprendemos com quem é diferente de nós. E a empatia, a capacidade de se colocar no lugar do outro, de compreender suas motivações, limitações e emoções, é ferramenta essencial para uma conduta verdadeiramente íntegra, ética e inclusiva. Sem empatia, o trato neutro vira frieza; a hierarquia, autoritarismo; a regra, obstáculo.



Cabe a nós reafirmar nosso compromisso permanente com a ética, a integridade e o respeito nas relações institucionais, reconhecendo que empatia não é fraqueza e inclusão não é excesso de tolerância, mas o reconhecimento "do outro" como parte legítima da relação. Que a escuta com atenção e o respeito às diferenças sejam nossa referência. Assim, o serviço público se fortalece, e o Brasil avança com ética para todos.

"Sem empatia, o trato neutro vira frieza; a hierarquia, autoritarismo; a regra, obstáculo." 



Analise as reescritas a seguir e assinale aquela que não mantém o sentido essencial do trecho.

Alternativas
Q4370395 Português
Texto CB1A1

        A “abolição” da escravização dos corpos negros na sociedade brasileira ocorreu seguida de uma completa ausência de políticas de reparação social e econômica para a população negra. As análises relacionadas às dimensões sociais, políticas e econômicas do cenário brasileiro apontam para profundas desigualdades raciais, decorrentes dessa violação de direitos que as pessoas negras sofreram, sofrem e continuam a sofrer.

        Entre as recentes políticas de ações afirmativas voltadas para a população negra, fruto de muitas lutas e reivindicações dos movimentos negros, há as voltadas para o contexto do serviço público. Destacamos, nesse âmbito, a Lei n.º 12.711/2012, que reserva vagas para o ingresso no ensino superior federal a estudantes oriundos da rede pública, com recorte para pessoas negras; a Lei n.º 12.990/2014, que determina que 20% das vagas oferecidas nos concursos públicos sejam destinadas a pessoas negras; e, mais recentemente, o Decreto n.º 11.443/2023, que indica a necessidade de reservar 30% de vagas às pessoas negras em cargos e funções de confiança.

        Mesmo com esses avanços, o cenário do serviço público brasileiro continua a reproduzir, de forma geral, as desigualdades existentes na sociedade: dados de 2018 revelam que, embora as pessoas autodeclaradas negras somassem mais de 56% da população brasileira, somente 36% dos servidores públicos se declaravam negros. Além disso, há uma concentração de servidores negros e indígenas nos cargos de nível mais baixo de escolaridade. A análise dos cargos de direção e assessoramento, os mais elevados na hierarquia do Poder Executivo federal, indica que as mulheres negras ocupam somente 1,25% desses cargos.

ENAP. Datathon: desigualdades de gênero no serviço público.
Brasília: Enap, 2025, p.12 (com adaptações).

Julgue o item subsequente, acerca de aspectos linguísticos do texto CB1A1.


Estariam mantidas a correção gramatical do texto e a coerência de suas ideias caso o primeiro período do segundo parágrafo fosse reescrito da seguinte forma: As ações afirmativas voltadas para o contexto do serviço público estão entre as recentes políticas destinadas à população negra, que resultam de muitas lutas e reivindicações dos movimentos negros.

Alternativas
Q4370392 Português
Texto CB1A1

        A “abolição” da escravização dos corpos negros na sociedade brasileira ocorreu seguida de uma completa ausência de políticas de reparação social e econômica para a população negra. As análises relacionadas às dimensões sociais, políticas e econômicas do cenário brasileiro apontam para profundas desigualdades raciais, decorrentes dessa violação de direitos que as pessoas negras sofreram, sofrem e continuam a sofrer.

        Entre as recentes políticas de ações afirmativas voltadas para a população negra, fruto de muitas lutas e reivindicações dos movimentos negros, há as voltadas para o contexto do serviço público. Destacamos, nesse âmbito, a Lei n.º 12.711/2012, que reserva vagas para o ingresso no ensino superior federal a estudantes oriundos da rede pública, com recorte para pessoas negras; a Lei n.º 12.990/2014, que determina que 20% das vagas oferecidas nos concursos públicos sejam destinadas a pessoas negras; e, mais recentemente, o Decreto n.º 11.443/2023, que indica a necessidade de reservar 30% de vagas às pessoas negras em cargos e funções de confiança.

        Mesmo com esses avanços, o cenário do serviço público brasileiro continua a reproduzir, de forma geral, as desigualdades existentes na sociedade: dados de 2018 revelam que, embora as pessoas autodeclaradas negras somassem mais de 56% da população brasileira, somente 36% dos servidores públicos se declaravam negros. Além disso, há uma concentração de servidores negros e indígenas nos cargos de nível mais baixo de escolaridade. A análise dos cargos de direção e assessoramento, os mais elevados na hierarquia do Poder Executivo federal, indica que as mulheres negras ocupam somente 1,25% desses cargos.

ENAP. Datathon: desigualdades de gênero no serviço público.
Brasília: Enap, 2025, p.12 (com adaptações).

Julgue o item subsequente, acerca de aspectos linguísticos do texto CB1A1.


Estariam preservadas a correção gramatical do texto e a coerência de suas ideias caso se substituísse, no último parágrafo do texto, o sinal de dois-pontos, empregado após o termo “sociedade”, por ponto final, feitos os devidos ajustes de letra inicial minúscula e maiúscula no novo período.

Alternativas
Q4370268 Português
Texto CB2A1-I

        O grande número de bets que atuam no Brasil tem provocado o aumento extraordinário de apostas, o que tem despertado a preocupação com o crescimento de casos patológicos. Segundo um artigo de pesquisadores da Noruega e Reino Unido, que revisaram dados de 4,6 milhões de pessoas, os apostadores chegam a correr risco atentar contra a própria vida. Especialistas em saúde mental temem que o problema se torne bem mais frequente, em consequência do grande número de plataformas online que passaram a atuar no país, a partir de 2018, quando foi sancionada a lei que permitiu a exploração comercial de apostas esportivas e jogos caça-níquel.

         Inicialmente, os manuais de diagnóstico médico enquadravam o jogo patológico na categoria dos transtornos de controle do impulso, ao lado da piromania (impulso de atear fogo), da cleptomania (impulso de furtar sem razão aparente) ou de transtorno explosivo intermitente, que causa surtos de agressividade. Com o tempo, estudos realizados em centros de diversos países, entre eles os da USP, mostraram que, no que diz respeito tanto à ativação cerebral quanto ao curso da doença, a relação problemática com o jogo se assemelhava mais às dependências químicas que aos transtornos ligados ao impulso. Em 2013, essa relação passou a ser qualificada como uma dependência induzida pelo comportamento — e não por uma substância química, como no caso do álcool — e recebeu o nome de ludopatia.

        No caso de quem desenvolve esse distúrbio, o fator que o provoca é a aposta. Empenhar um valor na expectativa de receber um retorno maior ativa as conexões cerebrais associadas à sensação de gratificação e de recompensa. Nas pessoas com ludopatia, porém, elas parecem não funcionar de maneira adequada. Uma consequência da habituação do organismo é que o apostador passa a ter de jogar mais vezes ou empenhar valores mais elevados.

        Além da preocupação com o potencial aumento de adultos com transtorno do jogo, os especialistas em saúde mental estão apreensivos com o que pode ocorrer com as crianças e os adolescentes. Bem antes das febres das bets, sabia-se que a frequência de adolescentes que participavam de jogos de azar no Brasil era 6,9% inferior à de países nos quais o jogo era liberado. No entanto, a proporção de jovens que desenvolviam a relação problemática com o jogo era a mesma, 1,6%. Com o cérebro ainda em maturação, os adolescentes tornam-se mais vulneráveis à propaganda, revelando dificuldade em tomar decisões baseadas nas consequências de longo prazo, afirmam os especialistas. E acrescentam que o que se observa, no momento, é a experimentação da sociedade com novas formas de jogos de azar, mas ainda serão necessários muitos anos para descobrirmos o tamanho do problema e, certamente, não será pequeno.

Ricardo Zorzetto; Ana Paula Orlandi. Os efeitos nocivos dos jogos online.
In: Revista FAPESP, 344, 2024, p. 13-21 (com adaptações).

Julgue o item a seguir, a respeito das ideias e de aspectos linguísticos do texto CB2A1-I.


Os sentidos e a correção gramatical do texto seriam preservados caso o trecho “mas ainda serão necessários muitos anos para descobrirmos o tamanho do problema e, certamente, não será pequeno” (último parágrafo) fosse reescrito da seguinte forma: todavia ainda será necessário muitos anos para que descubramos o tamanho do problema, que, certamente, não será pequeno.

Alternativas
Q4370264 Português
Texto CB2A1-I

        O grande número de bets que atuam no Brasil tem provocado o aumento extraordinário de apostas, o que tem despertado a preocupação com o crescimento de casos patológicos. Segundo um artigo de pesquisadores da Noruega e Reino Unido, que revisaram dados de 4,6 milhões de pessoas, os apostadores chegam a correr risco atentar contra a própria vida. Especialistas em saúde mental temem que o problema se torne bem mais frequente, em consequência do grande número de plataformas online que passaram a atuar no país, a partir de 2018, quando foi sancionada a lei que permitiu a exploração comercial de apostas esportivas e jogos caça-níquel.

         Inicialmente, os manuais de diagnóstico médico enquadravam o jogo patológico na categoria dos transtornos de controle do impulso, ao lado da piromania (impulso de atear fogo), da cleptomania (impulso de furtar sem razão aparente) ou de transtorno explosivo intermitente, que causa surtos de agressividade. Com o tempo, estudos realizados em centros de diversos países, entre eles os da USP, mostraram que, no que diz respeito tanto à ativação cerebral quanto ao curso da doença, a relação problemática com o jogo se assemelhava mais às dependências químicas que aos transtornos ligados ao impulso. Em 2013, essa relação passou a ser qualificada como uma dependência induzida pelo comportamento — e não por uma substância química, como no caso do álcool — e recebeu o nome de ludopatia.

        No caso de quem desenvolve esse distúrbio, o fator que o provoca é a aposta. Empenhar um valor na expectativa de receber um retorno maior ativa as conexões cerebrais associadas à sensação de gratificação e de recompensa. Nas pessoas com ludopatia, porém, elas parecem não funcionar de maneira adequada. Uma consequência da habituação do organismo é que o apostador passa a ter de jogar mais vezes ou empenhar valores mais elevados.

        Além da preocupação com o potencial aumento de adultos com transtorno do jogo, os especialistas em saúde mental estão apreensivos com o que pode ocorrer com as crianças e os adolescentes. Bem antes das febres das bets, sabia-se que a frequência de adolescentes que participavam de jogos de azar no Brasil era 6,9% inferior à de países nos quais o jogo era liberado. No entanto, a proporção de jovens que desenvolviam a relação problemática com o jogo era a mesma, 1,6%. Com o cérebro ainda em maturação, os adolescentes tornam-se mais vulneráveis à propaganda, revelando dificuldade em tomar decisões baseadas nas consequências de longo prazo, afirmam os especialistas. E acrescentam que o que se observa, no momento, é a experimentação da sociedade com novas formas de jogos de azar, mas ainda serão necessários muitos anos para descobrirmos o tamanho do problema e, certamente, não será pequeno.

Ricardo Zorzetto; Ana Paula Orlandi. Os efeitos nocivos dos jogos online.
In: Revista FAPESP, 344, 2024, p. 13-21 (com adaptações).

Julgue o item a seguir, a respeito das ideias e de aspectos linguísticos do texto CB2A1-I.


Estariam mantidas a correção gramatical e a coerência das ideias do texto caso o trecho “e recebeu o nome de ludopatia” (final do segundo parágrafo) fosse reescrito como e recebeu o nome de transtorno do jogo, ou ludopatia.

Alternativas
Q4359891 Português

        O trânsito é uma disputa pelo espaço físico que reflete

uma disputa pelo tempo e pelo acesso aos equipamentos urbanos. É uma negociação permanente, coletiva e conflituosa do espaço, pois, no trânsito, surgem conflitos de interesse de um grupo social contra outro. Sob o ponto de vista ideológico, a posição que as pessoas se atribuem e ocupam na sociedade vai condicionar sua disputa pelo espaço através da eleição e do uso de determinados meios de transporte. Essa disputa pelo espaço gera conflito físico, acarretando a negociação desse espaço, pautada pelo poder real ou imaginário de cada ator social envolvido. Esse poder imaginário estaria relacionado ao valor simbólico de potência atribuído aos veículos, segundo o qual quanto maior e mais rápido o veículo, maior sua supremacia numa disputa e maior o status simbólico inerente.

        Leis, normas e regras são forçosamente criadas para garantir o respeito e a convivência e para atenuar os conflitos. Não há sociedade humana que não possua forma de controle para o comportamento social, do mesmo modo que não há nenhuma atividade humana importante destituída de regras para exercê-la. É pelo ambiente normativo, que às vezes nos sufoca, que procuramos segurança e bem-estar.

        Para que o trânsito possa realizar sua função eminentemente social, faz-se necessário o atendimento às demandas dos seus participantes. Entre essas demandas está a garantia de mobilidade. Esse conceito pode ser interpretado como a capacidade dos indivíduos de se moverem de um lugar para outro.


M. R. M. de Araújo et al. Transporte público coletivo: discutindo acessibilidade, mobilidade e qualidade de vida. In: Psicologia & Sociedade, v. 23, n. 3, p. 574–582, set. 2011 (com adaptações).

Julgue o item a seguir, em relação ao texto apresentado.


No trecho “a posição que as pessoas se atribuem e ocupam na sociedade vai condicionar sua disputa pelo espaço através da eleição e do uso de determinados meios de transporte” (primeiro parágrafo), a substituição do vocábulo “eleição” por escolha preservaria os sentidos do texto.

Alternativas
Respostas
1: A
2: A
3: A
4: A
5: A
6: C
7: D
8: C
9: C
10: A
11: D
12: E
13: D
14: E
15: C
16: C
17: C
18: E
19: C
20: C