Questões de Concurso Sobre redação - reescritura de texto em português

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Q3812409 Português
        A expressão saúde pública veterinária é utilizada para designar o marco conceitual e a implementação das atividades de saúde pública que empregam conhecimentos e recursos da medicina veterinária para proteger e melhorar a saúde humana. A saúde pública veterinária vincula a agricultura, a saúde animal, a educação, o ambiente e a saúde humana.

        Por sua vez, as atividades de medicina veterinária preventiva têm seu princípio na pré‑história e continuam até o primeiro século da Era Cristã. No Código de Hamurábi, código de leis mais antigo do mundo, já havia menções a práticas de medicina veterinária entre indivíduos específicos com tais atribuições. Os primeiros esforços dirigidos contra a doença animal foram descritos nas antigas civilizações da Suméria, do Egito e da Grécia, com referências a curandeiros de animais antes da Era Cristã.

        Ao lado do tratamento médico, cirúrgico e obstétrico individual, duas outras táticas eram aplicadas localmente para o controle das enfermidades animais, antes mesmo do desenvolvimento da teoria do contágio: o emprego da quarentena (segregação dos animais doentes dos sadios) e o sacrifício de animais enfermos.

        No cenário atual, a medicina veterinária enfoca a saúde humana e o controle de qualidade dos alimentos, e há uma política muito tímida voltada à saúde dos animais domésticos. Todavia, isso deve estar na pauta das políticas, haja vista que, para muitos proprietários de animais, esses são como filhos, e as pessoas gostam de dar o tratamento adequado a seus animais. A esse respeito, as clínicas veterinárias aplicam preços vultosos, e, muitas vezes, os donos dos pets têm de escolher entre comer, pagar as contas ou levar seu bicho a uma clínica. Assim, é importante o desenvolvimento de uma medicina veterinária populacional, por meio, por exemplo, da criação, pelos governos, de um hospital veterinário gratuito, centralizado nas cidades, e que atenda a população mais pobre, que não tem condições de levar seus animais a uma clínica privada.

        Em suma, a orientação dispensada à medicina veterinária dentro da tríade formada por ambiente, animal e homem deve ser acompanhada de uma importante expansão da saúde pública veterinária.

Internet:<rsdjournal.org>  (com adaptações).

Acerca das estruturas linguísticas e gramaticais do texto, julgue o item a seguir.


Sem prejuízo à correção gramatical, o segmento “A saúde pública veterinária vincula a agricultura, a saúde animal, a educação, o ambiente e a saúde humana.” pode ser reescrito como A saúde pública veterinária é uma área de atuação multidisciplinar e interdependente, que funciona como um elo crucial entre diversos setores da sociedade (agricultura, saúde animal, educação, ambiente e saúde humana).

Alternativas
Q3806090 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


Adolescentes do ano 2000


    Elas se telefonam, se bipam, marcam encontros e se reúnem nervosas diante da escrivaninha, cadernos e livros abertos e espalhados. Não devo dizer escrivaninha, é termo da minha adolescência, e entre a minha e a da minha filha se passaram 47 anos, o Brasil mudou, as palavras mudaram. No entanto, alguma coisa permanece imutável. Percebo ao passar pelo corredor, vendo-as no quarto, deitadas no chão, sentadas à escrivaninha, livros e cadernos compulsados, sofregamente. Não, não se diz caderno, e sim fichário. Elas estão ansiosas, inquietas. São dias de prova. O clima é o mesmo da minha adolescência. Na aula a atenção se dirigia pouco ao professor. A menos que fosse criativo e soubesse segurar a classe. Se houvesse, como hoje, jovens professores, as meninas gostariam mais. Por que nossos professores pareciam velhos e sisudos?

    Nas vésperas das provas, os estoques de Pervitin esgotavam-se nas farmácias. Era preciso passar a noite acordado. Podíamos comprar Pervitin sem receita. Mas ninguém se viciava, pois era apenas para as provas. A ansiedade que essas meninas sentem é a mesma que sofríamos. Uma angústia que as deixa desatentas, irritadas. Viram e reviram páginas do livro, apostilas, pulam de um ponto ao outro, sem concentração. Como todos fizemos, menos os CDFs. Esses sabiam e sabem tudo. De que matéria orgânica são feitos? Chegava um momento, na véspera da prova, que cada um decidia aprender bem um único ponto e jogar na sorte. Era a Mega Sena educacional. (...)

    Há uma diferença entre essa geração e a minha. A atual não recorre aos poderes superiores. Nunca as vi rezando. Nem pondo sobre a mesa santinhos de Santo Expedito ou São Roque. Contam com elas mesmas. Na minha época, dia de exame final, era uma romaria à igreja. Findos os estudos, a vida seria leve. Como supor que o coração jamais descansa? Os santos recebiam com o olhar complacente as promessas que, sabiam, seriam esquecidas. (...) Chegamos ao ano 2000 e nada mudou! Mesmo tendo tudo mudado. A adolescência será sempre uma e indivisível! Sofredora e feliz. Assim, carregamos a vida toda um coração adolescente, dolorido um dia, sorridente no outro.


BRANDÃO, Ignácio de Loyola. Adolescentes do ano 2000. Disponível em .<https://www.professorcadu.com.br/blog/adoles
centes-do-ano-2000/1>.
“Por que nossos professores pareciam velhos e sisudos?”

Assinale a alternativa que apresenta uma forma reescrita do trecho acima totalmente correta.
Alternativas
Q3799903 Português
TEXTO I

Em um mundo cada vez mais conectado por telas e imerso em rotinas sedentárias, a relevância da prática esportiva e da adoção de uma vida saudável ganha contornos de urgência. Longe de ser apenas uma opção de lazer, o esporte se configura como um pilar fundamental para o desenvolvimento humano integral, abrangendo aspectos físicos, mentais e sociais. Nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos, por exemplo, testemunhamos não apenas a superação de limites individuais, mas também a celebração da diversidade e da inclusão, onde atletas de diferentes origens e capacidades inspiram milhões ao redor do globo. A magnitude desses eventos, contudo, não deve ofuscar a importância do esporte em contextos mais próximos, como o futebol comunitário nos bairros periféricos, que serve como catalisador social, promovendo a cooperação, o respeito às regras e a construção de laços de solidariedade entre jovens.

Ademais, a simples inserção de atividades físicas regulares, como caminhadas em parques ou a adesão a grupos de corrida, possui um impacto transformador na saúde coletiva. A ideia de que mente sã reside em corpo são é um axioma que se solidifica a cada pesquisa científica que aponta a correlação entre a atividade física e a redução de doenças crônicas, melhora da função cognitiva e diminuição dos níveis de estresse e ansiedade. No ambiente escolar, a educação física, muitas vezes relegada a segundo plano, deveria ser revitalizada e compreendida como uma disciplina essencial na formação de hábitos saudáveis, na promoção da disciplina e no desenvolvimento de habilidades motoras e interpessoais. É imperativo que as políticas públicas incentivem a criação de espaços e programas que tornem a prática esportiva acessível a todos, independentemente de idade, condição socioeconômica ou aptidão física, pavimentando o caminho para uma sociedade mais robusta e equilibrada. A valorização do esporte e da vida saudável é, em última análise, um investimento direto no futuro das próximas gerações e na qualidade de vida presente. O desafio reside em transcender a percepção do esporte como mera competição e elevá-lo ao status de ferramenta essencial para o bem-estar e a integração social.

(Adaptado de Jornal do Brasil, nov. 2024)
Com base no texto acima, julgue o item a seguir.
No segmento “A magnitude desses eventos, contudo, não deve ofuscar a importância do esporte em contextos mais próximos [...]”, a conjunção “contudo” poderia ser substituída por “porquanto” sem que houvesse alteração no sentido adversativo e na correção gramatical da frase, pois ambas estabelecem uma relação de oposição entre as ideias.
Alternativas
Q3799902 Português
TEXTO I

Em um mundo cada vez mais conectado por telas e imerso em rotinas sedentárias, a relevância da prática esportiva e da adoção de uma vida saudável ganha contornos de urgência. Longe de ser apenas uma opção de lazer, o esporte se configura como um pilar fundamental para o desenvolvimento humano integral, abrangendo aspectos físicos, mentais e sociais. Nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos, por exemplo, testemunhamos não apenas a superação de limites individuais, mas também a celebração da diversidade e da inclusão, onde atletas de diferentes origens e capacidades inspiram milhões ao redor do globo. A magnitude desses eventos, contudo, não deve ofuscar a importância do esporte em contextos mais próximos, como o futebol comunitário nos bairros periféricos, que serve como catalisador social, promovendo a cooperação, o respeito às regras e a construção de laços de solidariedade entre jovens.

Ademais, a simples inserção de atividades físicas regulares, como caminhadas em parques ou a adesão a grupos de corrida, possui um impacto transformador na saúde coletiva. A ideia de que mente sã reside em corpo são é um axioma que se solidifica a cada pesquisa científica que aponta a correlação entre a atividade física e a redução de doenças crônicas, melhora da função cognitiva e diminuição dos níveis de estresse e ansiedade. No ambiente escolar, a educação física, muitas vezes relegada a segundo plano, deveria ser revitalizada e compreendida como uma disciplina essencial na formação de hábitos saudáveis, na promoção da disciplina e no desenvolvimento de habilidades motoras e interpessoais. É imperativo que as políticas públicas incentivem a criação de espaços e programas que tornem a prática esportiva acessível a todos, independentemente de idade, condição socioeconômica ou aptidão física, pavimentando o caminho para uma sociedade mais robusta e equilibrada. A valorização do esporte e da vida saudável é, em última análise, um investimento direto no futuro das próximas gerações e na qualidade de vida presente. O desafio reside em transcender a percepção do esporte como mera competição e elevá-lo ao status de ferramenta essencial para o bem-estar e a integração social.

(Adaptado de Jornal do Brasil, nov. 2024)

Com base no texto acima, julgue o item a seguir.


A expressão “contornos de urgência”, no primeiro parágrafo, pode ser substituída, sem prejuízo de sentido e correção gramatical, por “matizes de premente necessidade”. A substituição mantém a ênfase na criticidade da situação abordada pelo autor.

Alternativas
Q3788930 Português
Da Educação Tradicional à Escola Nova

        Todos os conceitos e todas as teorias estão interconectados. Não há conceitos em hierarquias. Uma ciência ou uma disciplina não é mais importante do que a outra. A visão do conhecimento em rede constitui um instrumento para a transformação potencial do próprio conhecimento. Reconhece-o como um processo, algo que não possui um aspecto definível absolutamente fixo. Implica um sistema aberto à participação, uma estrutura dissipadora e que está em constante fluxo de energia, capaz de crescimento e de transformação sem fim. A imagem de rede, tanto do conhecimento em rede como de redes de conhecimentos, pressupõe flexibilidade, plasticidade, interatividade, adaptabilidade, cooperação, parceria, apoio mútuo e auto-organização.

As novas gerações encontram-se inseridas em diversas redes e não concebem seu cotidiano sem interações e trocas e compartilhamentos constantes e rápidos de informações. Sendo assim, na medida em que a universidade tem papel incontestável na formação do caráter discente, pode vir a transformar fundamentalmente a realidade da sociedade.

TORRES, Patrícia L.; TRINDADE, Rui; CARNEIRO, Virgínia B. Autonomia discente na universidade: metodologias ativas e a cibercultura. In: Revista Teias, v. 20, n. 56, jan./mar. 2019, com adaptações.
Ao se reescrever o trecho “Reconhece-o como um processo, algo que não possui um aspecto definível absolutamente fixo”, mantendo-se o mesmo sentido, a substituição do pronome oblíquo átono “o” por “lhe” (isto é, “Reconhece-lhe como um processo...”) está correta, uma vez que o verbo “reconhecer” admite complemento indireto com referência a objeto não animado.
Alternativas
Q3781399 Português
Tico‑tico no limoeiro

        Um tico‑tico (Zonotrichia capensis), muito confundido com o pardal (Passer domesticus), subiu no limoeiro do meu quintal. Com impressionante destreza, começou a comer pequenos insetos e larvas, movimentando o pescoço para isso e para observar o entorno e saber se estava seguro. Olhou‑me diretamente nos olhos, ameaçou voar e, como visse que eu não era lá uma ameaça, continuou alimentando‑se. Soube que era uma fêmea quando um macho da espécie a cortejou, deu‑lhe como que um beijo após meter o bico em um limão suculento e montou nela. Toda a cena do acasalamento não durou cinco segundos.

        A fêmea voou. O macho ficou batendo as asas e cantando (felicidade?). Eu observei o verde do limão chupado contra o azul do céu de outubro. Um azul vivo e quente como a vida que insiste em pulsar, apesar das agruras lá fora.

Internet:<folhadabaixada.com.br>  (com adaptações).

Quanto aos aspectos gramaticais do texto, julgue o item seguinte.


A omissão do artigo definido “a” em “Toda a cena do acasalamento não durou cinco segundos” manteria a correção gramatical, mas alteraria o sentido.

Alternativas
Q3781398 Português
Tico‑tico no limoeiro

        Um tico‑tico (Zonotrichia capensis), muito confundido com o pardal (Passer domesticus), subiu no limoeiro do meu quintal. Com impressionante destreza, começou a comer pequenos insetos e larvas, movimentando o pescoço para isso e para observar o entorno e saber se estava seguro. Olhou‑me diretamente nos olhos, ameaçou voar e, como visse que eu não era lá uma ameaça, continuou alimentando‑se. Soube que era uma fêmea quando um macho da espécie a cortejou, deu‑lhe como que um beijo após meter o bico em um limão suculento e montou nela. Toda a cena do acasalamento não durou cinco segundos.

        A fêmea voou. O macho ficou batendo as asas e cantando (felicidade?). Eu observei o verde do limão chupado contra o azul do céu de outubro. Um azul vivo e quente como a vida que insiste em pulsar, apesar das agruras lá fora.

Internet:<folhadabaixada.com.br>  (com adaptações).

Quanto aos aspectos gramaticais do texto, julgue o item seguinte.


Nesse trecho, “Olhou‑me diretamente nos olhos, ameaçou voar e, como visse que eu não era lá uma ameaça, continuou alimentando‑se”, a oração “como visse que eu não era lá uma ameaça” poderia ser reescrita da seguinte maneira, sem prejuízo à correção gramatical nem ao sentido, “como viu que eu não era lá uma ameaça”.

Alternativas
Q3759514 Português
Ajudar não dói


     “Ajudar não dói”. É o que dizia Eek, o gato, no desenho animado. Na vida real, doeu sim. Eis o ocorrido: Fabiano zapeou o professor João Zito, e lhe contou sobre tê‑lo indicado para aulas particulares. Depois de perceber que o trabalho não teria prestígio algum nem traria novos seguidores no YouTube, o pê do professor ficou tão maiúsculo quanto seu ego. E o fim da conversa pode ser resumido com o vocábulo “ultrajante”, que, segundo o youtuber, qualifica o ato espontâneo de um ser humano querer ajudá‑lo.


Internet: <folhadabaixada.com.br> (com adaptações).

Considerando o texto seus aspectos de forma e conteúdo, julgue o item a seguir.

“Depois de perceber que o trabalho não teria prestígio algum nem traria novos seguidores no YouTube”. Nesse trecho, a palavra “nem” poderia ser substituída por “e não”.
Alternativas
Q3752631 Português
Todas as frases a seguir mostram palavras repetidas, que foram reescritas de forma a eliminar a repetição.
A frase em que a estratégia utilizada na reescritura foi a omissão do termo repetido, é: 
Alternativas
Ano: 2025 Banca: Quadrix Órgão: CRC-AM Prova: Quadrix - 2025 - CRC-AM - Contador |
Q3741755 Português
XIV Fórum Estadual da Mulher Contabilista do Amazonas acontece nesta semana em Manaus

        O Conselho Regional de Contabilidade do Amazonas (CRC‑AM) realiza nesta semana, nos dias 10 e 11 de outubro, o XIV Fórum Estadual da Mulher Contabilista do Amazonas, no Centro de Convenções do Manaus Plaza Shopping.

        O evento reunirá profissionais e estudantes de Ciências Contábeis em dois dias de palestras e debates sobre temas atuais e inspiradores, como inteligência artificial na contabilidade, carreira, maternidade, saúde da mulher e tendências de mercado.

        Entre os destaques da programação estão o presidente da Câmara de Comércio do Brics Mercosul, Nelson Hoppe, que participa pela primeira vez de um evento em Manaus, a palestra magna com Zenaide Carvalho e a palestra motivacional com Andrea Saad, além de outros renomados profissionais da área contábil e de gestão.

        Os ingressos ainda estão disponíveis e a entrada é solidária para acadêmicos de Ciências Contábeis, mediante a doação de 2 kg de alimentos não perecíveis. A programação completa pode ser conferida em: www.crcam.org.br/eventos.

        O CRC‑AM convida a imprensa amazonense e toda a classe contábil a prestigiar esse importante evento, que celebra o protagonismo da mulher na contabilidade e promove conhecimento, networking e valorização profissional.

Internet:<jaraquinarede.com>  (com adaptações).

Com base no texto e na consideração das suas características de forma e conteúdo, julgue o item a seguir. 


Em “O CRC‑AM convida a imprensa amazonense e toda a classe contábil a prestigiar esse importante evento”, a alteração da ordem vocabular do par de palavras “importante evento” para “evento importante” não alteraria as classes gramaticais das palavras nem ao sentido original, assim como ocorreria com “contador amazonense”.

Alternativas
Q3741590 Português
Joselita

        Joselita foi pobre de passar fome. Quando deixou de sê‑lo, o espírito não acompanhou. A vida não gozava. Comia pouco, usava trapos. Reciclava lenços, lavava o fio dental usado. Afastou‑se de todos. Em “Morreu sozinha em sua cama, onde ratazanas criavam filhotes, alimentadas por sua carne magra e aquecidas por cerca de 300 mil reais que juntara sob o colchão.”

Internet:<folhadabaixada.com.br>  (com adaptações).

Acerca do texto e dos seus aspectos linguísticos, julgue o item a seguir.


A frase “Joselita foi pobre de passar fome” poderia ser reescrita, sem prejuízo ao sentido original do texto nem à sua correção gramatical, da seguinte maneira: Joselita foi tão pobre, que chegou a passar fome.

Alternativas
Q3706134 Português

Texto para o item.


Autobiografia sem fatos 



    A maioria dos homens vive com espontaneidade uma vida fictícia e alheia. “A maioria da gente é outra gente”, disse Oscar Wilde, e disse bem. Uns gastam a vida na busca de qualquer coisa que não querem; outros empregam-se na busca do que querem e lhes não serve; outros, ainda, se perdem.



    Mas a maioria é feliz e goza a vida sem isso valer. Em geral, o homem chora pouco, e, quando se queixa, é a sua literatura. O pessimismo tem pouca viabilidade como fórmula democrática. Os que choram o mal do mundo são isolados — e se choram, é pelo próprio mal. Um Leopardi, um Antero não têm amado ou amante? O universo é um mal. Um Vigny é mal ou pouco amado? O mundo é um cárcere. Um Chateaubriand sonha mais que o possível? A vida humana é tédio. Um Jó é coberto de bolhas? A terra está coberta de bolhas. Pisam os calos do triste? Ai dos pés dos sóis e das estrelas.



    Alheia a isto, e chorando só o preciso e no menos tempo que pode — quando lhe morre o filho que esquecerá pelos anos fora, salvo nos aniversários; quando perde dinheiro, e chora enquanto não arranja outro, ou se não adapta ao estado de perda —, a humanidade continua digerindo e amando. A vitalidade recupera e reanima. Os mortos ficam enterrados. As perdas ficam perdidas.



    Quando vejo um gato ao sol lembra-me sempre do homem ao sol.



Fernando Pessoa. Livro do Desassossego. São Paulo: Companhia de Bolso, 2023 (com adaptações).

Sem prejuízo da correção gramatical, o último parágrafo do texto poderia ser reescrito da seguinte forma: Quando assisto um gato no sol, lembra-me sempre do homem no sol.
Alternativas
Q3698928 Português
Texto 2

Leia o texto abaixo para responder à questão.


Não traiam o Machado.


Rio de Janeiro - Mais uma vez Machado de Assis no vestibular. Dois capítulos de “Dom Casmurro”, na prova de Português aí em São Paulo. Ao menos assim Machado vai sendo conhecido, ou imposto, entre a meninada. Se entendi bem as questões propostas e as resoluções que saíram no “Fovest 92”, a prova não apenas opta pela versão do ciúme, como nela insiste de maneira tão enfática que nem admite sombra de controvérsia.

A hipótese aí encampada, de que Capitu não traiu Bentinho, um Bentinho paranoicamente ciumento qual Otelo, está fundamentada em “O enigma de Capitu”. Apareceu de fato no ensaio de interpretação de Eugênio Gomes, publicado em 1967. Muitas vozes discordaram da hipótese gratuita e absurda, que terá sido levantada como simples quebra-cabeça, um joguinho enigmático para descansar o espírito numa hora de folga e tédio.

Quem fica tiririca, e com toda razão, com essa história mal contada, e tão mal contada que desmente o próprio Machado, é o Dalton Trevisan, machadiano de mão cheia e olho agudíssimo. Pois nessa prova do vestibular, o drama do Bentinho se apresenta como “centrado no ciúme doentio e na suposta traição de sua esposa”. Suposta? De onde os senhores professores tiraram este despropósito e o passam aos imberbes e indefesos vestibulandos? “Dom Casmurro” saiu em 1900. Machado morreu em 1908. Nenhum crítico nesses oito anos jamais ousou negar o adultério de Capitu.

Leiam a carta do Graça Aranha, amigo pessoal do Machado: “Casada, teve por amante o maior amigo do marido”. Voltem ao artigo do Medeiros e Albuquerque. Dar o Bentinho como “o nosso Otelo” é pura fantasia. Bestialógico mesmo. Um disparate indigno de pisar no vestíbulo da universidade. Refinadíssimo escritor, mestre do subentendido, virtuose da meia palavra, do “understatement”, Machado jamais desabaria numa grosseira cena de alcova, como num flagrante policial de adultério. (…)

Machado merece respeito!


Otto Lara Resende - Folha de S. Paulo, - 08/01/1992 – texto editado
Do trecho retirado do Texto 2, são propostas substituições no emprego da conjunção.

Se Machado quisesse escolher uma alternativa, ele o teria feito, e sem perda de elegância.

Assinale a alternativa que mantem o significado original da construção.
Alternativas
Q3683294 Português
Ao reescrever a frase 'Os alunos não compreenderam o texto porque não prestaram atenção' substituindo porque por embora, o sentido da oração passa a indicar: 
Alternativas
Ano: 2025 Banca: MPE-RS Órgão: MPE-RS Prova: MPE-RS - 2025 - MPE-RS - Promotor de Justiça |
Q3659500 Português



Extraído e adaptado de: Bolívar Lamounier, Tribunos, Profetas e Sacerdotes: Intelectuais e Ideologias no Século XX. São Paulo: Companhia das Letras, 2014. p.206-223.

Considere o período abaixo destacado do texto e as três propostas de reescrita para ele.

Se fosse única e essencialmente uma sobrevivência cultural, (o clientelismo) já teria murchado, evaporado, desaparecido, da política brasileira. (l.40-42)
I. Como é única e essencialmente uma sobrevivência cultural, (o clientelismo) já deveria ter murchado, evaporado, desaparecido, da política brasileira.
II, Por ser única e essencialmente uma sobrevivência cultural, (o clientelismo) já deveria ter murchado, evaporado, desaparecido, da política brasileira.
III. Se é única e essencialmente uma sobrevivência, por que (o clientelismo) não murchou, não evaporou, não desapareceu, da política brasileira?

Quais propostas mantêm a posição de Lamounier em relação à hipótese de Sérgio Buarque?
Alternativas
Q3657070 Português
Todas as frases abaixo mostram o emprego da palavra “coisa”. Assinale a opção em que a substituição dessa palavra é adequada e mais precisa.
Alternativas
Q3638618 Português
        A família representa o espaço de socialização, de busca coletiva de estratégias de sobrevivência, de exercício da cidadania e de possibilidade para o desenvolvimento individual e grupal de seus membros, independentemente dos arranjos apresentados ou das novas estruturas que vêm se formando. Sua dinâmica é própria, e é afetada tanto pelo desenvolvimento de seu ciclo vital como pelas políticas econômicas e sociais. A família é um dos principais contextos de socialização dos indivíduos e, portanto, possui um papel fundamental para a compreensão do desenvolvimento humano. Este, por sua vez, é um processo em constante transformação, sendo multideterminado por fatores do próprio indivíduo e por aspectos mais amplos do contexto social no qual está inserido.

        Segundo Salvador Minuchin, médico e terapeuta familiar, a família é um complexo sistema de organização, com crenças, valores e práticas ligadas diretamente às transformações da sociedade, e visa à melhor adaptação possível para a sobrevivência de seus membros e da instituição como um todo. O sistema familiar muda à medida que a sociedade muda, e todos os que dele participam podem ser afetados por pressões internas e externas. 

        Com as mudanças econômicas, políticas, sociais e culturais ocorridas ao longo dos tempos, a sociedade está sendo obrigada a reorganizar regras básicas para amparar a nova ordem familiar. No Código Civil de 1916, a família “legítima” era definida apenas pelo casamento oficial. Em janeiro de 2003, começou a vigorar o Novo Código Civil, que incorporou uma série de novidades: a definição de família passou a abranger as unidades formadas por casamento, união estável ou comunidade de qualquer genitor e descendentes; casamento passou a ser definido como uma “comunhão plena de vida, com base na igualdade de direitos e deveres dos cônjuges”; os filhos adotados ou concebidos fora do casamento passaram a ter direitos idênticos aos dos nascidos dentro do matrimônio; a palavra “pessoa” substituiu “homem” e o “pátrio poder” que o pai exercia sobre os filhos passou a ser denominado “poder familiar” e atribuído também à mãe. A Lei do Divórcio, de 1977, atribuía a guarda dos filhos ao cônjuge que não tivesse provocado a separação ou, não havendo acordo, à mãe. Hoje, é concedida a “quem revelar melhores condições para exercê‑la”.

Internet:<books.scielo.org> . (com adaptações).

Em relação à estrutura linguística e vocabular do texto, julgue o item seguinte.


A expressão “vêm se formando”, no trecho “A família representa o espaço de socialização, de busca coletiva de estratégias de sobrevivência, de exercício da cidadania e de possibilidade para o desenvolvimento individual e grupal de seus membros, independentemente dos arranjos apresentados ou das novas estruturas que vêm se formando.”, poderia ser substituída por têm se formado, sem que isso prejudicasse a correção gramatical ou a coerência entre as ideias. 

Alternativas
Q3638507 Português
        O cérebro humano, assim como o restante do organismo, é formado por bilhões de células. Cada tipo de célula tem uma função específica, mas todas elas são perfeitamente sincronizadas e conectadas. É possível comparar o cérebro com um daqueles relógios antigos com centenas de engrenagens trabalhando em uníssono para fornecer a hora certa. O nosso cérebro é composto de duas metades, ou hemisférios cerebrais. Mas, ao contrário do que pode parecer, não se trata de duas estruturas isoladas e independentes.

        Os dois hemisférios são extraordinariamente conectados por uma espécie de “cabeamento” que faz a comunicação entre eles. Trata‑se do corpo caloso, formado por mais de 200 milhões de fibras nervosas que levam informações de um hemisfério para o outro. Esta organização permite realizar e coordenar todas as funções próprias do sistema nervoso. E, para isso, os hemisférios dividem o seu trabalho.

        É neste ponto que começa o mito de que o cérebro é dividido em duas metades e que, dependendo do lado que mais usarmos, teremos esta ou aquela habilidade. É a chamada teoria do hemisfério dominante. De acordo com essa teoria, se você for bom em matemática, linguagem ou lógica, por exemplo, é porque o seu hemisfério esquerdo é o dominante. E, se você for uma pessoa artística, com vocação para a pintura ou a música, o hemisfério dominante é o direito.

        Esta teoria classifica erroneamente as pessoas em dois tipos: as objetivas, racionais e analíticas, de um lado; e as passionais, sonhadoras e criativas, de outro. Na verdade, não existe um hemisfério dominante. Há inúmeros estudos neste campo da ciência. Os resultados das análises deixam claro que todos nós usamos os dois hemisférios igualmente, embora a atividade registrada em cada um deles dependa “do que estivermos fazendo”. Os estudos também demonstraram que o lado do cérebro utilizado para uma determinada atividade pode não ser o mesmo para todas as pessoas e, ainda, que há variações entre os indivíduos em relação a qual área ou metade do cérebro é empregada para uma ação específica.

        Apesar dos inúmeros estudos existentes sobre o tema, o mito do hemisfério dominante ainda está muito presente hoje em dia. Isso se deve, em parte, porque ainda existem muitos aspectos desconhecidos sobre o funcionamento do cérebro humano.

Internet:<bbc.com>  (com adaptações).

De acordo com a estrutura linguística e vocabular do texto, julgue o item a seguir.


A oração final do texto, “ainda existem muitos aspectos desconhecidos sobre o funcionamento do cérebro humano”, poderia ser reescrita, com manutenção da correção gramatical e dos sentidos originais, da seguinte forma: ainda há bastantes aspectos não conhecidos acerca do funcionamento do cérebro humano.

Alternativas
Q3638504 Português
        O cérebro humano, assim como o restante do organismo, é formado por bilhões de células. Cada tipo de célula tem uma função específica, mas todas elas são perfeitamente sincronizadas e conectadas. É possível comparar o cérebro com um daqueles relógios antigos com centenas de engrenagens trabalhando em uníssono para fornecer a hora certa. O nosso cérebro é composto de duas metades, ou hemisférios cerebrais. Mas, ao contrário do que pode parecer, não se trata de duas estruturas isoladas e independentes.

        Os dois hemisférios são extraordinariamente conectados por uma espécie de “cabeamento” que faz a comunicação entre eles. Trata‑se do corpo caloso, formado por mais de 200 milhões de fibras nervosas que levam informações de um hemisfério para o outro. Esta organização permite realizar e coordenar todas as funções próprias do sistema nervoso. E, para isso, os hemisférios dividem o seu trabalho.

        É neste ponto que começa o mito de que o cérebro é dividido em duas metades e que, dependendo do lado que mais usarmos, teremos esta ou aquela habilidade. É a chamada teoria do hemisfério dominante. De acordo com essa teoria, se você for bom em matemática, linguagem ou lógica, por exemplo, é porque o seu hemisfério esquerdo é o dominante. E, se você for uma pessoa artística, com vocação para a pintura ou a música, o hemisfério dominante é o direito.

        Esta teoria classifica erroneamente as pessoas em dois tipos: as objetivas, racionais e analíticas, de um lado; e as passionais, sonhadoras e criativas, de outro. Na verdade, não existe um hemisfério dominante. Há inúmeros estudos neste campo da ciência. Os resultados das análises deixam claro que todos nós usamos os dois hemisférios igualmente, embora a atividade registrada em cada um deles dependa “do que estivermos fazendo”. Os estudos também demonstraram que o lado do cérebro utilizado para uma determinada atividade pode não ser o mesmo para todas as pessoas e, ainda, que há variações entre os indivíduos em relação a qual área ou metade do cérebro é empregada para uma ação específica.

        Apesar dos inúmeros estudos existentes sobre o tema, o mito do hemisfério dominante ainda está muito presente hoje em dia. Isso se deve, em parte, porque ainda existem muitos aspectos desconhecidos sobre o funcionamento do cérebro humano.

Internet:<bbc.com>  (com adaptações).

De acordo com a estrutura linguística e vocabular do texto, julgue o item a seguir.


O trecho “De acordo com essa teoria, se você for bom em matemática, linguagem ou lógica, por exemplo, é porque o seu hemisfério esquerdo é o dominante. E, se você for uma pessoa artística, com vocação para a pintura ou a música, o hemisfério dominante é o direito.” poderia ser reescrito, com maior grau de formalidade e manutenção da correção gramatical e da coerência entre as ideias, da seguinte forma: De acordo com essa teoria, se uma pessoa é proficiente em matemática, linguagem ou lógica, por exemplo, o seu hemisfério esquerdo é o dominante. Mas, se apresentar habilidades artísticas, com vocação para a pintura ou a música, o seu hemisfério dominante é o direito.

Alternativas
Q3638073 Português
        O nome atribuído às línguas não é uma definição aleatória. As línguas precisam ser nomeadas para poder existir. Línguas são batizadas a partir do momento histórico em que é necessário afirmar sua posição ou conferir identidade aos seus falantes. Assim, a língua dos portugueses chamamos português. Além disso, territórios etnicamente diversos podem apresentar línguas que se relacionam com as populações ali pertencentes. Desse modo, à língua falada no País de Gales dá‑se o nome de galês, e a língua mais falada no sudeste da China chamamos cantonês.

        Parece simples, mas nem tanto. Há diferentes modelos de povoação linguística, que representam a complexidade dos modelos de povoação humana. Mas o que todas as línguas naturais conhecidas compartilham é justamente o fato de servirem à comunicação de seus falantes e terem, por isso, um nome. No que se refere ao Brasil, a língua majoritariamente utilizada em seu vasto território é a que se costumou chamar português. Usar o português no Brasil é fruto de uma herança de colonização e dominação de Portugal, país cuja língua tem esse mesmo nome.

        O português falado no Brasil e o utilizado em Portugal não compartilham as mesmas características. Diferenciam‑se em relação ao vocabulário, à maneira de falar e de entoar as frases, à posição das palavras na frase e assim por diante. Convém questionar, portanto, no que se refere à nomenclatura, se seria necessário modificar o nome pelo qual a língua falada no Brasil é chamada. Há quem continue se referindo a ela tão somente como “português”. Outros propõem o uso consciente de “português brasileiro”, com nome e sobrenome. Já alguns poucos assumiram uma postura mais diferente de chamar “brasileiro” a língua utilizada no Brasil. 

        Chamar apenas “português”, na perspectiva histórica da língua, é um anacronismo. Não corresponde aos fatos históricos. Desconsidera as noções de desenvolvimento independente e contínuo que a língua portuguesa teve no Brasil, especialmente após o século XIX. Chamar apenas de “brasileiro” também evidencia anacronismo. Desconsidera toda a herança linguística trazida para o Brasil, que é inegavelmente portuguesa. O nome “português brasileiro” representa ruptura e continuidade. É um nome apropriado não apenas nos contextos de pesquisa acadêmica, mas uma importante ferramenta para que os falantes se reconheçam diante de sua língua.

OLIVEIRA JUNIOR, R. Português ou brasileiro – qual é o nome da nossa
língua? Revista Roseta, v. 5. n. 1, 2022. Abralin, 2022.
Internet:<roseta.org.br>  (com adaptações).

Considerando os aspectos linguísticos do texto, julgue o item seguinte. 


Na oração “Há diferentes modelos de povoação linguística”, a substituição da forma verbal “Há” por Existe manteria a correção gramatical e o significado original do texto. 

Alternativas
Respostas
321: C
322: C
323: E
324: C
325: E
326: C
327: C
328: C
329: A
330: E
331: C
332: E
333: A
334: D
335: C
336: E
337: C
338: C
339: C
340: E