Questões de Concurso Sobre português
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Texto 1

SANSIL, Madu. Às vezes esqueço como respirar. Goiânia: Mondru, 2024. p. 88.
Lançamento da Mondru Editora, às vezes esqueço como respirar é a estreia na poesia da professora, pesquisadora e multiartista pernambucana Madu Sansil, que nos convida a um mergulho intenso na complexidade do sentir humano.
O título já é explicativo: o corpo do eu lírico deixa de respirar pela pletora de emoções que o atingem de uma vez só. Na poesia de Sansil, isso é mais do que evidente, já que os textos perpassam temas como ansiedade, síndrome da impostora, perdas e relações abusivas. Entretanto, o leitor vai percebendo que, conforme a obra vai se concebendo, a voz poética passa a comportar o ar e os mecanismos respiratórios perdidos pelo corpo.
Isso se vê, por exemplo, no poema “parestesia” (p. 23), que diz: “na loucura / vou me abraçar a todos os demônios que me invadem. / faremos nossas juras e morreremos assim: / fantasiando sonho de realidade”.
[...]
O tom bem-humorado está presente ao longo de todo o livro, refletindo uma poética ferida, marcada, mas em busca de se reconstruir. Não se trata de uma mera tentativa de equilibrar a obra, mas de testar outros pontos de vista para nossas falhas, como exercício de elaboração.
às vezes esqueço como respirar revela as muitas camadas entre o trágico e o cômico, sendo um livro que dialoga, certamente, com as questões de nossos tempos. Madu Sansil busca, na formulação poética, meios de se “lembrar de respirar” – ou talvez, mais do que isso, de se lembrar do próprio corpo.
Laura Redfern Navarro
Poeta, jornalista e pesquisadora.
Disponível em: https://diplomatique.org.br/miscelanea-64/. Acesso em: 18 fev. 26. [Adaptado].
Texto 1

SANSIL, Madu. Às vezes esqueço como respirar. Goiânia: Mondru, 2024. p. 88.
Lançamento da Mondru Editora, às vezes esqueço como respirar é a estreia na poesia da professora, pesquisadora e multiartista pernambucana Madu Sansil, que nos convida a um mergulho intenso na complexidade do sentir humano.
O título já é explicativo: o corpo do eu lírico deixa de respirar pela pletora de emoções que o atingem de uma vez só. Na poesia de Sansil, isso é mais do que evidente, já que os textos perpassam temas como ansiedade, síndrome da impostora, perdas e relações abusivas. Entretanto, o leitor vai percebendo que, conforme a obra vai se concebendo, a voz poética passa a comportar o ar e os mecanismos respiratórios perdidos pelo corpo.
Isso se vê, por exemplo, no poema “parestesia” (p. 23), que diz: “na loucura / vou me abraçar a todos os demônios que me invadem. / faremos nossas juras e morreremos assim: / fantasiando sonho de realidade”.
[...]
O tom bem-humorado está presente ao longo de todo o livro, refletindo uma poética ferida, marcada, mas em busca de se reconstruir. Não se trata de uma mera tentativa de equilibrar a obra, mas de testar outros pontos de vista para nossas falhas, como exercício de elaboração.
às vezes esqueço como respirar revela as muitas camadas entre o trágico e o cômico, sendo um livro que dialoga, certamente, com as questões de nossos tempos. Madu Sansil busca, na formulação poética, meios de se “lembrar de respirar” – ou talvez, mais do que isso, de se lembrar do próprio corpo.
Laura Redfern Navarro
Poeta, jornalista e pesquisadora.
Disponível em: https://diplomatique.org.br/miscelanea-64/. Acesso em: 18 fev. 26. [Adaptado].
Texto 1

SANSIL, Madu. Às vezes esqueço como respirar. Goiânia: Mondru, 2024. p. 88.
Lançamento da Mondru Editora, às vezes esqueço como respirar é a estreia na poesia da professora, pesquisadora e multiartista pernambucana Madu Sansil, que nos convida a um mergulho intenso na complexidade do sentir humano.
O título já é explicativo: o corpo do eu lírico deixa de respirar pela pletora de emoções que o atingem de uma vez só. Na poesia de Sansil, isso é mais do que evidente, já que os textos perpassam temas como ansiedade, síndrome da impostora, perdas e relações abusivas. Entretanto, o leitor vai percebendo que, conforme a obra vai se concebendo, a voz poética passa a comportar o ar e os mecanismos respiratórios perdidos pelo corpo.
Isso se vê, por exemplo, no poema “parestesia” (p. 23), que diz: “na loucura / vou me abraçar a todos os demônios que me invadem. / faremos nossas juras e morreremos assim: / fantasiando sonho de realidade”.
[...]
O tom bem-humorado está presente ao longo de todo o livro, refletindo uma poética ferida, marcada, mas em busca de se reconstruir. Não se trata de uma mera tentativa de equilibrar a obra, mas de testar outros pontos de vista para nossas falhas, como exercício de elaboração.
às vezes esqueço como respirar revela as muitas camadas entre o trágico e o cômico, sendo um livro que dialoga, certamente, com as questões de nossos tempos. Madu Sansil busca, na formulação poética, meios de se “lembrar de respirar” – ou talvez, mais do que isso, de se lembrar do próprio corpo.
Laura Redfern Navarro
Poeta, jornalista e pesquisadora.
Disponível em: https://diplomatique.org.br/miscelanea-64/. Acesso em: 18 fev. 26. [Adaptado].
Comunicação elegante: a arte de lidar com opiniões diversas
A comunicação eficaz é uma habilidade essencial nas interações humanas, especialmente ao expressar discordância. Tentar impor argumentos com lógica rígida nem sempre produz bons resultados, pois pode ferir os sentimentos do interlocutor e gerar conflitos. Em vez de buscar mudar imediatamente a opinião do outro, é mais adequado agir com discrição, respeito e sensibilidade, favorecendo um ambiente mais propício ao diálogo.
Nosso olhar, tom de voz e gestos influenciam profundamente a forma como a mensagem é recebida. Ao enfrentar uma opinião considerada equivocada, a humildade é a melhor estratégia, pois evita confrontos desnecessários. Admitir a possibilidade de erro demonstra maturidade e cria uma atmosfera de abertura, incentivando o diálogo construtivo. O uso de expressões mais moderadas contribui para o respeito mútuo e amplia as chances de compreensão entre as partes.
Quando afirmamos diretamente que alguém está errado, podemos ferir sua dignidade e prejudicar a convivência. Esse tipo de postura gera resistência e dificulta a construção de relações saudáveis. Por isso, agir com diplomacia é fundamental para preservar o respeito e favorecer trocas produtivas. A comunicação respeitosa fortalece os vínculos e contribui para diálogos mais equilibrados e construtivos.
HOJEPR. Comunicação elegante: a arte de lidar com opiniões diversas. HojePR, 23 nov. 2023. Disponível em: https://hojepr.com/coluna-hag-comunicacao-elegante-a-arte-de-lidar-co m-opinioes-diversas/ . Acesso em: 18 fev. 2026.
Comunicação elegante: a arte de lidar com opiniões diversas
A comunicação eficaz é uma habilidade essencial nas interações humanas, especialmente ao expressar discordância. Tentar impor argumentos com lógica rígida nem sempre produz bons resultados, pois pode ferir os sentimentos do interlocutor e gerar conflitos. Em vez de buscar mudar imediatamente a opinião do outro, é mais adequado agir com discrição, respeito e sensibilidade, favorecendo um ambiente mais propício ao diálogo.
Nosso olhar, tom de voz e gestos influenciam profundamente a forma como a mensagem é recebida. Ao enfrentar uma opinião considerada equivocada, a humildade é a melhor estratégia, pois evita confrontos desnecessários. Admitir a possibilidade de erro demonstra maturidade e cria uma atmosfera de abertura, incentivando o diálogo construtivo. O uso de expressões mais moderadas contribui para o respeito mútuo e amplia as chances de compreensão entre as partes.
Quando afirmamos diretamente que alguém está errado, podemos ferir sua dignidade e prejudicar a convivência. Esse tipo de postura gera resistência e dificulta a construção de relações saudáveis. Por isso, agir com diplomacia é fundamental para preservar o respeito e favorecer trocas produtivas. A comunicação respeitosa fortalece os vínculos e contribui para diálogos mais equilibrados e construtivos.
HOJEPR. Comunicação elegante: a arte de lidar com opiniões diversas. HojePR, 23 nov. 2023. Disponível em: https://hojepr.com/coluna-hag-comunicacao-elegante-a-arte-de-lidar-co m-opinioes-diversas/ . Acesso em: 18 fev. 2026.
Comunicação elegante: a arte de lidar com opiniões diversas
A comunicação eficaz é uma habilidade essencial nas interações humanas, especialmente ao expressar discordância. Tentar impor argumentos com lógica rígida nem sempre produz bons resultados, pois pode ferir os sentimentos do interlocutor e gerar conflitos. Em vez de buscar mudar imediatamente a opinião do outro, é mais adequado agir com discrição, respeito e sensibilidade, favorecendo um ambiente mais propício ao diálogo.
Nosso olhar, tom de voz e gestos influenciam profundamente a forma como a mensagem é recebida. Ao enfrentar uma opinião considerada equivocada, a humildade é a melhor estratégia, pois evita confrontos desnecessários. Admitir a possibilidade de erro demonstra maturidade e cria uma atmosfera de abertura, incentivando o diálogo construtivo. O uso de expressões mais moderadas contribui para o respeito mútuo e amplia as chances de compreensão entre as partes.
Quando afirmamos diretamente que alguém está errado, podemos ferir sua dignidade e prejudicar a convivência. Esse tipo de postura gera resistência e dificulta a construção de relações saudáveis. Por isso, agir com diplomacia é fundamental para preservar o respeito e favorecer trocas produtivas. A comunicação respeitosa fortalece os vínculos e contribui para diálogos mais equilibrados e construtivos.
HOJEPR. Comunicação elegante: a arte de lidar com opiniões diversas. HojePR, 23 nov. 2023. Disponível em: https://hojepr.com/coluna-hag-comunicacao-elegante-a-arte-de-lidar-co m-opinioes-diversas/ . Acesso em: 18 fev. 2026.
Comunicação elegante: a arte de lidar com opiniões diversas
A comunicação eficaz é uma habilidade essencial nas interações humanas, especialmente ao expressar discordância. Tentar impor argumentos com lógica rígida nem sempre produz bons resultados, pois pode ferir os sentimentos do interlocutor e gerar conflitos. Em vez de buscar mudar imediatamente a opinião do outro, é mais adequado agir com discrição, respeito e sensibilidade, favorecendo um ambiente mais propício ao diálogo.
Nosso olhar, tom de voz e gestos influenciam profundamente a forma como a mensagem é recebida. Ao enfrentar uma opinião considerada equivocada, a humildade é a melhor estratégia, pois evita confrontos desnecessários. Admitir a possibilidade de erro demonstra maturidade e cria uma atmosfera de abertura, incentivando o diálogo construtivo. O uso de expressões mais moderadas contribui para o respeito mútuo e amplia as chances de compreensão entre as partes.
Quando afirmamos diretamente que alguém está errado, podemos ferir sua dignidade e prejudicar a convivência. Esse tipo de postura gera resistência e dificulta a construção de relações saudáveis. Por isso, agir com diplomacia é fundamental para preservar o respeito e favorecer trocas produtivas. A comunicação respeitosa fortalece os vínculos e contribui para diálogos mais equilibrados e construtivos.
HOJEPR. Comunicação elegante: a arte de lidar com opiniões diversas. HojePR, 23 nov. 2023. Disponível em: https://hojepr.com/coluna-hag-comunicacao-elegante-a-arte-de-lidar-co m-opinioes-diversas/ . Acesso em: 18 fev. 2026.
TEXTO PARA A QUESTÃO.
Na discoteca do algoritmo
Eu me preparava para sair, mas, como tinha ainda algum tempo, quis ouvir no celular mesmo uma música que me viera à lembrança. Acessei o YouTube e busquei I Left My Heart in San Francisco, com Tony Bennett. Enquanto amarrava os cadarços, deliciava-me com o veludo da voz do cantor norte-americano no arranjo grandioso que a canção pedia. Era o que eu precisava ouvir, talvez por um estado emocional indefinido que buscasse sua expressão na beleza melancólica que a canção oferecia.
Fui pegar a mochila, e o YouTube logo engatou outra pérola: Nature Boy, com Nat King Cole. Uau, adoro essa também! Bela emenda com a canção anterior: outro veludo de voz, outro arranjo clássico, a mesma emoção subjacente. E na sequência veio I Put a Spell on You, com Nina Simone. Meu Deus! Assim eu não saio! Sentei-me no sofá, entregue a essa joia na voz da diva que tanto amo. Aí o celular tocou Georgia on My Mind, com Ray Charles. Misericórdia! Quer me matar, algoritmo?
Imóvel estava, imóvel fiquei, tonto de emoção. E nem tive forças para interromper o aparelho e sair de casa, ante os acordes iniciais da canção seguinte: Perfect Day, com Lou Reed. Eis uma das músicas com maior poder de me derrubar, no sentido de ser tragado pelo mistério das densas emoções. E a mente a me alertar que já perigava atrasar-me para o meu compromisso. Não teria cabimento atribuir o atraso à seleção musical supostamente aleatória do celular...
Num rompante de responsabilidade, calei justamente o grande Frank Sinatra quando entoava a maravilhosa The World We Knew. Ah, venci o algoritmo, sobrevivi ao seu assédio tão traiçoeiro quanto irresistível! E fui andando a pensar justamente nessa espécie de divindade de nosso tempo, o tal algoritmo. Que serzinho mágico é esse, que consegue, em suas associações, mapear o que se passa em nossa alma? E se a tecnologia já devassa nossa alma, o que de subjetivo e secreto restará em nós?
O historiador Yuval Harari aponta o algoritmo como o conceito mais importante em nosso mundo: “Se quisermos compreender nossa vida e nosso futuro, devemos fazer todo esforço para compreender o que é um algoritmo e como eles estão ligados a emoções”. O algoritmo no YouTube “sabia” daquela sequência musical emocionante para mim porque eu já acessei as ditas canções em outras oportunidades. Ele só fez reunilas, por um critério temático, e fui ficando de coração exposto.
Embora tenha sido uma experiência fascinante, resisto o quanto posso a fazer do algoritmo um DJ pessoal. Tão cedo a tal Alexia não entra em minha casa. Sou dos que curtem escolher a dedo o que ouvir — e ainda adepto dos discos —, com direito a desvios repentinos de rota, passando de Billie Holiday a Morais Moreira, por exemplo — coisa que dificilmente o esquemático algoritmo fará.
Não sei se essa birra é conservadorismo ou resistência ao poder da máquina. Ou se mera ilusão de que, em tempos de vaidades e padronizações, mantenho na alma seu mistério e suas nuances. Mas confesso: venha de onde vier, eleita ou não por mim, música é a chave que sempre me escancara a alma.
Autor: Nivaldo Pereira - GZH (adaptado).
TEXTO PARA A QUESTÃO.
Na discoteca do algoritmo
Eu me preparava para sair, mas, como tinha ainda algum tempo, quis ouvir no celular mesmo uma música que me viera à lembrança. Acessei o YouTube e busquei I Left My Heart in San Francisco, com Tony Bennett. Enquanto amarrava os cadarços, deliciava-me com o veludo da voz do cantor norte-americano no arranjo grandioso que a canção pedia. Era o que eu precisava ouvir, talvez por um estado emocional indefinido que buscasse sua expressão na beleza melancólica que a canção oferecia.
Fui pegar a mochila, e o YouTube logo engatou outra pérola: Nature Boy, com Nat King Cole. Uau, adoro essa também! Bela emenda com a canção anterior: outro veludo de voz, outro arranjo clássico, a mesma emoção subjacente. E na sequência veio I Put a Spell on You, com Nina Simone. Meu Deus! Assim eu não saio! Sentei-me no sofá, entregue a essa joia na voz da diva que tanto amo. Aí o celular tocou Georgia on My Mind, com Ray Charles. Misericórdia! Quer me matar, algoritmo?
Imóvel estava, imóvel fiquei, tonto de emoção. E nem tive forças para interromper o aparelho e sair de casa, ante os acordes iniciais da canção seguinte: Perfect Day, com Lou Reed. Eis uma das músicas com maior poder de me derrubar, no sentido de ser tragado pelo mistério das densas emoções. E a mente a me alertar que já perigava atrasar-me para o meu compromisso. Não teria cabimento atribuir o atraso à seleção musical supostamente aleatória do celular...
Num rompante de responsabilidade, calei justamente o grande Frank Sinatra quando entoava a maravilhosa The World We Knew. Ah, venci o algoritmo, sobrevivi ao seu assédio tão traiçoeiro quanto irresistível! E fui andando a pensar justamente nessa espécie de divindade de nosso tempo, o tal algoritmo. Que serzinho mágico é esse, que consegue, em suas associações, mapear o que se passa em nossa alma? E se a tecnologia já devassa nossa alma, o que de subjetivo e secreto restará em nós?
O historiador Yuval Harari aponta o algoritmo como o conceito mais importante em nosso mundo: “Se quisermos compreender nossa vida e nosso futuro, devemos fazer todo esforço para compreender o que é um algoritmo e como eles estão ligados a emoções”. O algoritmo no YouTube “sabia” daquela sequência musical emocionante para mim porque eu já acessei as ditas canções em outras oportunidades. Ele só fez reunilas, por um critério temático, e fui ficando de coração exposto.
Embora tenha sido uma experiência fascinante, resisto o quanto posso a fazer do algoritmo um DJ pessoal. Tão cedo a tal Alexia não entra em minha casa. Sou dos que curtem escolher a dedo o que ouvir — e ainda adepto dos discos —, com direito a desvios repentinos de rota, passando de Billie Holiday a Morais Moreira, por exemplo — coisa que dificilmente o esquemático algoritmo fará.
Não sei se essa birra é conservadorismo ou resistência ao poder da máquina. Ou se mera ilusão de que, em tempos de vaidades e padronizações, mantenho na alma seu mistério e suas nuances. Mas confesso: venha de onde vier, eleita ou não por mim, música é a chave que sempre me escancara a alma.
Autor: Nivaldo Pereira - GZH (adaptado).
TEXTO PARA A QUESTÃO.
Na discoteca do algoritmo
Eu me preparava para sair, mas, como tinha ainda algum tempo, quis ouvir no celular mesmo uma música que me viera à lembrança. Acessei o YouTube e busquei I Left My Heart in San Francisco, com Tony Bennett. Enquanto amarrava os cadarços, deliciava-me com o veludo da voz do cantor norte-americano no arranjo grandioso que a canção pedia. Era o que eu precisava ouvir, talvez por um estado emocional indefinido que buscasse sua expressão na beleza melancólica que a canção oferecia.
Fui pegar a mochila, e o YouTube logo engatou outra pérola: Nature Boy, com Nat King Cole. Uau, adoro essa também! Bela emenda com a canção anterior: outro veludo de voz, outro arranjo clássico, a mesma emoção subjacente. E na sequência veio I Put a Spell on You, com Nina Simone. Meu Deus! Assim eu não saio! Sentei-me no sofá, entregue a essa joia na voz da diva que tanto amo. Aí o celular tocou Georgia on My Mind, com Ray Charles. Misericórdia! Quer me matar, algoritmo?
Imóvel estava, imóvel fiquei, tonto de emoção. E nem tive forças para interromper o aparelho e sair de casa, ante os acordes iniciais da canção seguinte: Perfect Day, com Lou Reed. Eis uma das músicas com maior poder de me derrubar, no sentido de ser tragado pelo mistério das densas emoções. E a mente a me alertar que já perigava atrasar-me para o meu compromisso. Não teria cabimento atribuir o atraso à seleção musical supostamente aleatória do celular...
Num rompante de responsabilidade, calei justamente o grande Frank Sinatra quando entoava a maravilhosa The World We Knew. Ah, venci o algoritmo, sobrevivi ao seu assédio tão traiçoeiro quanto irresistível! E fui andando a pensar justamente nessa espécie de divindade de nosso tempo, o tal algoritmo. Que serzinho mágico é esse, que consegue, em suas associações, mapear o que se passa em nossa alma? E se a tecnologia já devassa nossa alma, o que de subjetivo e secreto restará em nós?
O historiador Yuval Harari aponta o algoritmo como o conceito mais importante em nosso mundo: “Se quisermos compreender nossa vida e nosso futuro, devemos fazer todo esforço para compreender o que é um algoritmo e como eles estão ligados a emoções”. O algoritmo no YouTube “sabia” daquela sequência musical emocionante para mim porque eu já acessei as ditas canções em outras oportunidades. Ele só fez reunilas, por um critério temático, e fui ficando de coração exposto.
Embora tenha sido uma experiência fascinante, resisto o quanto posso a fazer do algoritmo um DJ pessoal. Tão cedo a tal Alexia não entra em minha casa. Sou dos que curtem escolher a dedo o que ouvir — e ainda adepto dos discos —, com direito a desvios repentinos de rota, passando de Billie Holiday a Morais Moreira, por exemplo — coisa que dificilmente o esquemático algoritmo fará.
Não sei se essa birra é conservadorismo ou resistência ao poder da máquina. Ou se mera ilusão de que, em tempos de vaidades e padronizações, mantenho na alma seu mistério e suas nuances. Mas confesso: venha de onde vier, eleita ou não por mim, música é a chave que sempre me escancara a alma.
Autor: Nivaldo Pereira - GZH (adaptado).
Ao final da crônica, o narrador não oferece uma condenação simplista da tecnologia nem adere sem reservas à lógica algorítmica. Ao contrário, sua posição resulta de uma tensão entre o fascínio provocado pela precisão das associações musicais e a necessidade de preservar, na experiência estética, certa margem de ________ e de ________ pessoal, que ele entende como parte constitutiva da vida interior.
Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas.
TEXTO PARA A QUESTÃO.
Na discoteca do algoritmo
Eu me preparava para sair, mas, como tinha ainda algum tempo, quis ouvir no celular mesmo uma música que me viera à lembrança. Acessei o YouTube e busquei I Left My Heart in San Francisco, com Tony Bennett. Enquanto amarrava os cadarços, deliciava-me com o veludo da voz do cantor norte-americano no arranjo grandioso que a canção pedia. Era o que eu precisava ouvir, talvez por um estado emocional indefinido que buscasse sua expressão na beleza melancólica que a canção oferecia.
Fui pegar a mochila, e o YouTube logo engatou outra pérola: Nature Boy, com Nat King Cole. Uau, adoro essa também! Bela emenda com a canção anterior: outro veludo de voz, outro arranjo clássico, a mesma emoção subjacente. E na sequência veio I Put a Spell on You, com Nina Simone. Meu Deus! Assim eu não saio! Sentei-me no sofá, entregue a essa joia na voz da diva que tanto amo. Aí o celular tocou Georgia on My Mind, com Ray Charles. Misericórdia! Quer me matar, algoritmo?
Imóvel estava, imóvel fiquei, tonto de emoção. E nem tive forças para interromper o aparelho e sair de casa, ante os acordes iniciais da canção seguinte: Perfect Day, com Lou Reed. Eis uma das músicas com maior poder de me derrubar, no sentido de ser tragado pelo mistério das densas emoções. E a mente a me alertar que já perigava atrasar-me para o meu compromisso. Não teria cabimento atribuir o atraso à seleção musical supostamente aleatória do celular...
Num rompante de responsabilidade, calei justamente o grande Frank Sinatra quando entoava a maravilhosa The World We Knew. Ah, venci o algoritmo, sobrevivi ao seu assédio tão traiçoeiro quanto irresistível! E fui andando a pensar justamente nessa espécie de divindade de nosso tempo, o tal algoritmo. Que serzinho mágico é esse, que consegue, em suas associações, mapear o que se passa em nossa alma? E se a tecnologia já devassa nossa alma, o que de subjetivo e secreto restará em nós?
O historiador Yuval Harari aponta o algoritmo como o conceito mais importante em nosso mundo: “Se quisermos compreender nossa vida e nosso futuro, devemos fazer todo esforço para compreender o que é um algoritmo e como eles estão ligados a emoções”. O algoritmo no YouTube “sabia” daquela sequência musical emocionante para mim porque eu já acessei as ditas canções em outras oportunidades. Ele só fez reunilas, por um critério temático, e fui ficando de coração exposto.
Embora tenha sido uma experiência fascinante, resisto o quanto posso a fazer do algoritmo um DJ pessoal. Tão cedo a tal Alexia não entra em minha casa. Sou dos que curtem escolher a dedo o que ouvir — e ainda adepto dos discos —, com direito a desvios repentinos de rota, passando de Billie Holiday a Morais Moreira, por exemplo — coisa que dificilmente o esquemático algoritmo fará.
Não sei se essa birra é conservadorismo ou resistência ao poder da máquina. Ou se mera ilusão de que, em tempos de vaidades e padronizações, mantenho na alma seu mistério e suas nuances. Mas confesso: venha de onde vier, eleita ou não por mim, música é a chave que sempre me escancara a alma.
Autor: Nivaldo Pereira - GZH (adaptado).
TEXTO PARA A QUESTÃO.
Na discoteca do algoritmo
Eu me preparava para sair, mas, como tinha ainda algum tempo, quis ouvir no celular mesmo uma música que me viera à lembrança. Acessei o YouTube e busquei I Left My Heart in San Francisco, com Tony Bennett. Enquanto amarrava os cadarços, deliciava-me com o veludo da voz do cantor norte-americano no arranjo grandioso que a canção pedia. Era o que eu precisava ouvir, talvez por um estado emocional indefinido que buscasse sua expressão na beleza melancólica que a canção oferecia.
Fui pegar a mochila, e o YouTube logo engatou outra pérola: Nature Boy, com Nat King Cole. Uau, adoro essa também! Bela emenda com a canção anterior: outro veludo de voz, outro arranjo clássico, a mesma emoção subjacente. E na sequência veio I Put a Spell on You, com Nina Simone. Meu Deus! Assim eu não saio! Sentei-me no sofá, entregue a essa joia na voz da diva que tanto amo. Aí o celular tocou Georgia on My Mind, com Ray Charles. Misericórdia! Quer me matar, algoritmo?
Imóvel estava, imóvel fiquei, tonto de emoção. E nem tive forças para interromper o aparelho e sair de casa, ante os acordes iniciais da canção seguinte: Perfect Day, com Lou Reed. Eis uma das músicas com maior poder de me derrubar, no sentido de ser tragado pelo mistério das densas emoções. E a mente a me alertar que já perigava atrasar-me para o meu compromisso. Não teria cabimento atribuir o atraso à seleção musical supostamente aleatória do celular...
Num rompante de responsabilidade, calei justamente o grande Frank Sinatra quando entoava a maravilhosa The World We Knew. Ah, venci o algoritmo, sobrevivi ao seu assédio tão traiçoeiro quanto irresistível! E fui andando a pensar justamente nessa espécie de divindade de nosso tempo, o tal algoritmo. Que serzinho mágico é esse, que consegue, em suas associações, mapear o que se passa em nossa alma? E se a tecnologia já devassa nossa alma, o que de subjetivo e secreto restará em nós?
O historiador Yuval Harari aponta o algoritmo como o conceito mais importante em nosso mundo: “Se quisermos compreender nossa vida e nosso futuro, devemos fazer todo esforço para compreender o que é um algoritmo e como eles estão ligados a emoções”. O algoritmo no YouTube “sabia” daquela sequência musical emocionante para mim porque eu já acessei as ditas canções em outras oportunidades. Ele só fez reunilas, por um critério temático, e fui ficando de coração exposto.
Embora tenha sido uma experiência fascinante, resisto o quanto posso a fazer do algoritmo um DJ pessoal. Tão cedo a tal Alexia não entra em minha casa. Sou dos que curtem escolher a dedo o que ouvir — e ainda adepto dos discos —, com direito a desvios repentinos de rota, passando de Billie Holiday a Morais Moreira, por exemplo — coisa que dificilmente o esquemático algoritmo fará.
Não sei se essa birra é conservadorismo ou resistência ao poder da máquina. Ou se mera ilusão de que, em tempos de vaidades e padronizações, mantenho na alma seu mistério e suas nuances. Mas confesso: venha de onde vier, eleita ou não por mim, música é a chave que sempre me escancara a alma.
Autor: Nivaldo Pereira - GZH (adaptado).
Ao narrar a sequência de músicas sugeridas pela plataforma, o cronista não se limita a relatar um episódio cotidiano de consumo digital, mas desenvolve uma reflexão sobre tecnologia, subjetividade e autonomia individual. Considerando a progressão argumentativa do texto, analise as assertivas a seguir.
I. A experiência descrita revela uma ambivalência do narrador diante do algoritmo, pois ele reconhece o poder de acerto das sugestões musicais e, ao mesmo tempo, desconfia do alcance dessa inteligência sobre sua interioridade.
II. Ao afirmar que o algoritmo “só fez reuni-las, por um critério temático”, o narrador sustenta que a tecnologia apenas organiza dados previamente fornecidos por ele, embora o efeito produzido pareça tocar dimensões íntimas de sua sensibilidade.
III. O texto defende de modo categórico a superioridade da curadoria algorítmica sobre a escolha humana, já que a sequência automática se mostra mais refinada do que qualquer seleção deliberada do usuário.
Das assertivas, pode-se afirmar que:
TEXTO PARA A QUESTÃO.
O brilho não vai embora
Tem dias em que a gente acorda achando que vai encontrar cansaço no espelho. Você já passou por isso? Aquela expectativa silenciosa de crítica antes mesmo de abrir os olhos por completo?
Mas e se, em vez de procurar defeitos, você resolvesse procurar sinais de vida?
Olhe de novo. Não é só um corpo. É alguém que atravessou fases, sobreviveu a quedas, suportou silêncios e ainda está aí. Talvez o brilho não seja mais o da ingenuidade (e ainda bem!), agora ele carrega experiência. Já reparou como o olhar amadurecido tem uma luz diferente? Não grita, sustenta.
“Ah, mas o passado…”, você pode dizer. Ele ainda incomoda às vezes, não é? Só que repare: o passado não é mais um fantasma correndo atrás de você. É arquivo. É capítulo lido. Ele existe, claro, mas não tem mais o poder de narrar o presente. Quem escreve agora é você.
E os erros? Eles ainda sussurram? Talvez. Mas escute melhor: o tom mudou. O que antes era acusação hoje pode ser aprendizado. Nenhuma história interessante é feita apenas de acertos. Você não é a soma dos seus tropeços. Levante! Como diz a música: já é um vencedor quem sabe a dor de uma derrota enfrentar!
Emoções não são soldados em formação perfeita. Às vezes elas bagunçam mesmo. A diferença é que agora você sabe respirar antes de reagir. Já percebeu isso? Há uma pausa nova entre o sentir e o agir. E essa pausa é crescimento.
Não é preciso fugir de si mesmo. O mundo não precisa ser esconderijo. Ele pode ser palco. Você pode ocupar espaços sem se explicar o tempo todo, sem carregar culpa como sobrenome.
Talvez a maior virada seja essa: entender que você não é o problema a ser resolvido, mas a construção em andamento. Obras fazem barulho, levantam poeira, parecem caóticas, ainda assim estão evoluindo.
Então, quando a tristeza tentar sentar novamente no sofá da sua sala, experimente convidar a esperança para o outro lado. Elas até podem dividir o ambiente, mas quem decide o volume da conversa é você.
E se alguém perguntar onde foi parar aquele brilho, você já sabe a resposta: ele não foi embora. Só estava amadurecendo.
Autor: Marco Matos - GZH (adaptado).
I. A palavra espelho é paroxítona, com sílaba tônica em pe.
II. A palavra você é oxítona, com sílaba tônica em cê.
III. A palavra capítulo é paroxítona, com sílaba tônica em pí.
Das assertivas, pode-se afirmar que:
TEXTO PARA A QUESTÃO.
O brilho não vai embora
Tem dias em que a gente acorda achando que vai encontrar cansaço no espelho. Você já passou por isso? Aquela expectativa silenciosa de crítica antes mesmo de abrir os olhos por completo?
Mas e se, em vez de procurar defeitos, você resolvesse procurar sinais de vida?
Olhe de novo. Não é só um corpo. É alguém que atravessou fases, sobreviveu a quedas, suportou silêncios e ainda está aí. Talvez o brilho não seja mais o da ingenuidade (e ainda bem!), agora ele carrega experiência. Já reparou como o olhar amadurecido tem uma luz diferente? Não grita, sustenta.
“Ah, mas o passado…”, você pode dizer. Ele ainda incomoda às vezes, não é? Só que repare: o passado não é mais um fantasma correndo atrás de você. É arquivo. É capítulo lido. Ele existe, claro, mas não tem mais o poder de narrar o presente. Quem escreve agora é você.
E os erros? Eles ainda sussurram? Talvez. Mas escute melhor: o tom mudou. O que antes era acusação hoje pode ser aprendizado. Nenhuma história interessante é feita apenas de acertos. Você não é a soma dos seus tropeços. Levante! Como diz a música: já é um vencedor quem sabe a dor de uma derrota enfrentar!
Emoções não são soldados em formação perfeita. Às vezes elas bagunçam mesmo. A diferença é que agora você sabe respirar antes de reagir. Já percebeu isso? Há uma pausa nova entre o sentir e o agir. E essa pausa é crescimento.
Não é preciso fugir de si mesmo. O mundo não precisa ser esconderijo. Ele pode ser palco. Você pode ocupar espaços sem se explicar o tempo todo, sem carregar culpa como sobrenome.
Talvez a maior virada seja essa: entender que você não é o problema a ser resolvido, mas a construção em andamento. Obras fazem barulho, levantam poeira, parecem caóticas, ainda assim estão evoluindo.
Então, quando a tristeza tentar sentar novamente no sofá da sua sala, experimente convidar a esperança para o outro lado. Elas até podem dividir o ambiente, mas quem decide o volume da conversa é você.
E se alguém perguntar onde foi parar aquele brilho, você já sabe a resposta: ele não foi embora. Só estava amadurecendo.
Autor: Marco Matos - GZH (adaptado).
TEXTO PARA A QUESTÃO.
O brilho não vai embora
Tem dias em que a gente acorda achando que vai encontrar cansaço no espelho. Você já passou por isso? Aquela expectativa silenciosa de crítica antes mesmo de abrir os olhos por completo?
Mas e se, em vez de procurar defeitos, você resolvesse procurar sinais de vida?
Olhe de novo. Não é só um corpo. É alguém que atravessou fases, sobreviveu a quedas, suportou silêncios e ainda está aí. Talvez o brilho não seja mais o da ingenuidade (e ainda bem!), agora ele carrega experiência. Já reparou como o olhar amadurecido tem uma luz diferente? Não grita, sustenta.
“Ah, mas o passado…”, você pode dizer. Ele ainda incomoda às vezes, não é? Só que repare: o passado não é mais um fantasma correndo atrás de você. É arquivo. É capítulo lido. Ele existe, claro, mas não tem mais o poder de narrar o presente. Quem escreve agora é você.
E os erros? Eles ainda sussurram? Talvez. Mas escute melhor: o tom mudou. O que antes era acusação hoje pode ser aprendizado. Nenhuma história interessante é feita apenas de acertos. Você não é a soma dos seus tropeços. Levante! Como diz a música: já é um vencedor quem sabe a dor de uma derrota enfrentar!
Emoções não são soldados em formação perfeita. Às vezes elas bagunçam mesmo. A diferença é que agora você sabe respirar antes de reagir. Já percebeu isso? Há uma pausa nova entre o sentir e o agir. E essa pausa é crescimento.
Não é preciso fugir de si mesmo. O mundo não precisa ser esconderijo. Ele pode ser palco. Você pode ocupar espaços sem se explicar o tempo todo, sem carregar culpa como sobrenome.
Talvez a maior virada seja essa: entender que você não é o problema a ser resolvido, mas a construção em andamento. Obras fazem barulho, levantam poeira, parecem caóticas, ainda assim estão evoluindo.
Então, quando a tristeza tentar sentar novamente no sofá da sua sala, experimente convidar a esperança para o outro lado. Elas até podem dividir o ambiente, mas quem decide o volume da conversa é você.
E se alguém perguntar onde foi parar aquele brilho, você já sabe a resposta: ele não foi embora. Só estava amadurecendo.
Autor: Marco Matos - GZH (adaptado).
TEXTO PARA A QUESTÃO.
O brilho não vai embora
Tem dias em que a gente acorda achando que vai encontrar cansaço no espelho. Você já passou por isso? Aquela expectativa silenciosa de crítica antes mesmo de abrir os olhos por completo?
Mas e se, em vez de procurar defeitos, você resolvesse procurar sinais de vida?
Olhe de novo. Não é só um corpo. É alguém que atravessou fases, sobreviveu a quedas, suportou silêncios e ainda está aí. Talvez o brilho não seja mais o da ingenuidade (e ainda bem!), agora ele carrega experiência. Já reparou como o olhar amadurecido tem uma luz diferente? Não grita, sustenta.
“Ah, mas o passado…”, você pode dizer. Ele ainda incomoda às vezes, não é? Só que repare: o passado não é mais um fantasma correndo atrás de você. É arquivo. É capítulo lido. Ele existe, claro, mas não tem mais o poder de narrar o presente. Quem escreve agora é você.
E os erros? Eles ainda sussurram? Talvez. Mas escute melhor: o tom mudou. O que antes era acusação hoje pode ser aprendizado. Nenhuma história interessante é feita apenas de acertos. Você não é a soma dos seus tropeços. Levante! Como diz a música: já é um vencedor quem sabe a dor de uma derrota enfrentar!
Emoções não são soldados em formação perfeita. Às vezes elas bagunçam mesmo. A diferença é que agora você sabe respirar antes de reagir. Já percebeu isso? Há uma pausa nova entre o sentir e o agir. E essa pausa é crescimento.
Não é preciso fugir de si mesmo. O mundo não precisa ser esconderijo. Ele pode ser palco. Você pode ocupar espaços sem se explicar o tempo todo, sem carregar culpa como sobrenome.
Talvez a maior virada seja essa: entender que você não é o problema a ser resolvido, mas a construção em andamento. Obras fazem barulho, levantam poeira, parecem caóticas, ainda assim estão evoluindo.
Então, quando a tristeza tentar sentar novamente no sofá da sua sala, experimente convidar a esperança para o outro lado. Elas até podem dividir o ambiente, mas quem decide o volume da conversa é você.
E se alguém perguntar onde foi parar aquele brilho, você já sabe a resposta: ele não foi embora. Só estava amadurecendo.
Autor: Marco Matos - GZH (adaptado).