Questões de Concurso Sobre pronomes pessoais oblíquos em português

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Q3180883 Português
O domínio das regras gramaticais é fundamental para digitadores que trabalham com produção e revisão de textos. Além de garantir a clareza da comunicação, o conhecimento gramatical evita erros que possam comprometer a credibilidade do conteúdo. Considere um profissional que está digitando um relatório técnico e precisa revisar questões de concordância verbal e nominal, uso correto de pronomes e pontuação.

Com base nesse cenário, assinale a alternativa CORRETA
Alternativas
Q3178146 Português
Complete a frase: Era para ________ falar __________ essa semana, mas não ___________ encontrei pela cidade. 
Alternativas
Q3175341 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.

Até breve

    Há temperamentos urbanos por nascimento, mas há, igualmente, os temperamentos rurais. Uns só podem viver no asfalto, embalam-se com o escapamento das lambretas, escutam a voz dos anjos no rádio do vizinho e vão para a fila da carne como para festinha de aniversário. O rural, ao contrário, só consegue viver na cidade como escafandrista debaixo d’água: de vez em quando carece ir à tona, a fim de se livrar da pressão; doses ilimitadas de cidade são, para tal gente, perigo de morte certa, bolha de ar no sangue, pulmão achatado, colapso periférico. Que fazer se sou um desses — se aqui em casa somos rurais?
    Eis por que esta semana me parto, em procura do retiro sertanejo de todos os anos. Alguns meses passaremos entre céu e terra, sem edifícios nem ruas, nem lotações, nem política, nem literatos, nem teatro, nem cinema; nenhum dos encantos da civilização a prejudicar o indispensável recolhimento pelo qual a alma chora e que o corpo não dispensa, sob pena de morrer ou enloucar e sair brizolando por aí, atirando pedra em quem não merece.
    Dirá quem não gosta de mim que isso é folga, que lugar de cronista é no asfalto, e que só se podem comentar acontecimentos estando no meio deles. E eu responderei que folgados têm muitos, mas não sou desses, minha lei e minha fé é o esforço e o sofrimento; e lembrarei também a verdade elementar de que não há perspectiva sem distância, e se há uma coisa neste país de que carecemos tanto quanto de divisas fortes, é de perspectiva. Vivemos dentro demais dos acontecimentos, somos absorvidos por eles, sugestionados por eles, exacerbados por eles. Eles é que nos arrastam, não somos nós que os esmiuçamos. [...] Envolvida pela fofoca, o transitório, o gás néon, perde a gente aqui os olhos de ver as grandes coisas.
    E tem mais: lembremo-nos de que hoje em dia já não há isolamento campestre que nos afaste do noticiário. Na selva mais perdida basta um pequeno transistor para nos transformar na testemunha auditiva da história. [...] Que vale a distância quando temos as asas do rádio? [...]
    Vocês aqui, e nas outras cidades grandes, pensam que são os únicos seres vivos do mundo
— ou pelo menos do só mundo que interessa. Talvez, talvez contudo, ainda sobre muito mundo por aí. Vocês são os dançarinos no palco e não enxergam a plateia no escuro, por causa dos holofotes que só botam luz no pessoal do balé. Porém, há mais gente do lado de lá do que do lado de cá. Deixem-me ir para lá um pouquinho, para ver se lhes mando o eco do que vocês cantam, para lhes dizer na verdade se vocês funcionam e estão vivos. Lá para onde eu vou tem milhões, sim, milhões mais de povo do que aqui. Vocês não sabem deles, mas eles sabem de vocês. A comparação da plateia é certa: lindo pode ser o espetáculo, mas sem plateia não tem razão de ser; só da plateia é que parte a ovação ou a pateada.
    Meu Deus, estou falando tão bobo, cheia de imagens e de charadas, mas é isso — preciso mesmo sair de baixo da pressão, limpar o sangue. Sentiram o drama? O doutor bota aqui a lei do arroz, do açúcar ou da carne — deixem a gente ir ver como é que essa lei funciona lá no roçado onde o arroz nasce! [...] Enfim, enfim, as desculpas são muitas, mas a verdade é uma: está chovendo no Ceará que é uma beleza... Adeus, Guanabara, adeus!


QUEIROZ, R. de. Até breve. O cruzeiro. (Adaptado). Disponível em: <https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/19085/ate- breve>.

Analise o seguinte excerto, com especial atenção aos pronomes enumerados:
Vivemos dentro demais dos acontecimentos, somos absorvidos por eles(1), sugestionados por eles(2), exacerbados por eles(3). Eles(4) é que nos arrastam, não somos nós que os esmiuçamos”.
Ainda que se apresentem de uma mesma forma, os pronomes em destaque desempenham funções sintáticas diferentes. Por essa razão, classificam- se, respectivamente, como:
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Q3172130 Português
Destaque o pronome que foi classificado de forma incorreta.
Alternativas
Q3171004 Português
Analise o emprego dos pronomes pessoais nas sentenças a seguir. Há incorreção apenas em: 
Alternativas
Q3164040 Português
Aninha e Suas Pedras

Cora Coralina

Não te deixes destruir...
Ajuntando novas pedras
e construindo novos poemas.
Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.
Faz de tua vida mesquinha um poema.
E viverás no coração dos jovens
e na memória das gerações que hão de vir.
Esta fonte é para uso de todos os sedentos.
Toma a tua parte.
Vem a estas páginas e não entraves seu uso
aos que têm sede. 
Sobre o poema, marque a alternativa INCORRETA
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Q3162615 Português
Entre as frases abaixo há uma em que não foi respeitada a norma padrão em relação à colocação de pronomes oblíquos; assinale essa frase.
Alternativas
Q3161153 Português

Q1_10.png (676×413)



RODRIGUES, Sérgio. A gente é a língua que a gente fala. Folha de São Paulo. 16/03/2022. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/sergio-rodrigues/2022/03/a-gente-e-a-lingua-que-a-gente-fala.shtml

O uso do pronome destacado na frase: "Me refiro ao estrago que a brigada de guardiães da 'norma curta'" (linha 04) constitui: 
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Q3160101 Português

“UMA VELA PARA DARIO”


Dalton Trevisan



    Dario vinha apressado, guarda-chuva no braço esquerdo e, assim que dobrou a esquina, diminuiu o passo até parar, encostando-se à parede de uma casa. Por ela escorregando, sentou-se na calçada, ainda úmida de chuva, e descansou na pedra o cachimbo. Dois ou três passantes rodearamno e indagaram se não se sentia bem. Dario abriu a boca, moveu os lábios, não se ouviu resposta. O senhor gordo, de branco, sugeriu que devia sofrer de ataque. Ele reclinou-se mais um pouco, estendido agora na calçada, e o cachimbo tinha apagado. O rapaz de bigode pediu aos outros que se afastassem e o deixassem respirar. Abriu-lhe o paletó, o colarinho, a gravata e a cinta. Quando lhe retiraram os sapatos, Dario roncou feio e bolhas de espuma surgiram no canto da boca. Cada pessoa que chegava erguia-se na ponta dos pés, embora não o pudesse ver. Os moradores da rua conversavam de uma porta à outra, as crianças foram despertadas e de pijama acudiram à janela. O senhor gordo repetia que Dario sentara-se na calçada, soprando ainda a fumaça do cachimbo e encostando o guarda-chuva na parede. Mas não se via guarda-chuva ou cachimbo ao seu lado. A velhinha de cabeça grisalha gritou que ele estava morrendo. Um grupo o arrastou para o táxi da esquina. Já no carro a metade do corpo, protestou o motorista: quem pagaria a corrida? Concordaram em chamar a ambulância. Dario conduzido de volta e recostado à parede não tinha os sapatos nem o alfinete de pérola na gravata. Alguém informou da farmácia na outra rua. Não carregaram Dario além da esquina; a farmácia no fim do quarteirão e, além do mais, muito pesado. Foi largado na porta de uma peixaria. Um enxame de moscas lhe cobriu o rosto, sem que fizesse um gesto para espantá-las. Ocupado o café próximo pelas pessoas que vieram apreciar o incidente e, agora, comendo e bebendo, gozavam as delícias da noite. Dario ficou torto como o deixaram, no degrau da peixaria, sem o relógio de pulso. Um terceiro sugeriu que lhe examinassem os papéis, retirados - com vários objetos - de seus bolsos e alinhados sobre a camisa branca. Ficaram sabendo do nome, idade e sinal de nascença. O endereço na carteira era de outra cidade. Registrou-se correria de mais de duzentos curiosos que, a essa hora, ocupavam toda a rua e as calçadas: era a polícia. O carro negro investiu a multidão. Várias pessoas tropeçaram no corpo de Dario, que foi pisoteado dezessete vezes. O guarda aproximou-se do cadáver e não pôde identificá-lo — os bolsos vazios. Restava a aliança de ouro na mão esquerda, que ele próprio quando vivo - só podia destacar umedecida com sabonete. Ficou decidido que o caso era com o rabecão. A última boca repetiu:


    - Ele morreu, ele morreu. A gente começou a se dispersar. Dario levara duas horas para morrer, ninguém acreditou que estivesse no fim. Agora, aos que podiam vê-lo, tinha todo o ar de um defunto. Um senhor piedoso despiu o paletó de Dario para lhe sustentar a cabeça. Cruzou as suas mãos no peito. Não pôde fechar os olhos nem a boca, onde a espuma tinha desaparecido. Apenas um homem morto e a multidão se espalhou, as mesas do café ficaram vazias. Na janela alguns moradores com almofadas para descansar os cotovelos. Um menino de cor e descalço veio com uma vela, que acendeu ao lado do cadáver. Parecia morto há muitos anos, quase o retrato de um morto desbotado pela chuva. Fecharam-se uma a uma as janelas e, três horas depois, lá estava Dario à espera do rabecão. A cabeça agora na pedra, sem o paletó, e o dedo sem a aliança. A vela tinha queimado até a metade e apagou-se às primeiras gotas da chuva, que voltava a cair.


    Texto extraído do livro "Vinte Contos Menores", Editora Record – Rio de Janeiro, 1979, pág. 20. Este texto faz parte dos 100 melhores contos brasileiros do século, seleção de Ítalo Moriconi para a Editora Objetiva.

Quanto ao uso dos pronomes notamos duas situações nas quais são usados diferentes colocações em relação ao verbo. Vejamos: “Ele reclinou-se mais um pouco...” e “O rapaz de bigode pediu aos outros que se afastassem...”. Considerando as regras de colocação pronominal, qual das alternativas a seguir está incorreta?
Alternativas
Q3158590 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Por que crianças pequenas gostam de ver os mesmos desenhos e ler os mesmos livros


É um sentimento familiar para muitos pais. Não importa o que você sugira, seu filho em idade pré-escolar só quer assistir aquele episódio de Bluey de novo, e não importa que ele tenha acabado de assistir. E, na hora de dormir, tem que ser um livro que você tenha lido com frequência suficiente para ter desenvolvido um repertório de vozes específicas para cada personagem.


Estes interesses profundos e repetitivos em um determinado episódio de desenho animado, jogo ou tema podem ser frustrantes para os pais que querem apenas assistir a algo diferente. Mas esta repetição, na verdade, oferece grandes benefícios para o aprendizado e o bem-estar das crianças.


Uma razão para isso é o que podemos chamar de "efeito input", que não é um conceito novo na ciência cognitiva.


Em busca de padrões


Pense no cérebro como um órgão que faz seu melhor para descobrir o que é normal em nossas vidas — o que faz parte de um padrão regular, e o que não faz. Os pesquisadores descobriram um fenômeno conhecido como "aprendizagem estatística". De acordo com esta ideia, as crianças são muito sensíveis à ocorrência de regularidades e padrões em suas vidas.


É interessante notar que os bebês são particularmente hábeis em compreender certos tipos de informação, como a probabilidade de certos sons na fala que dirigimos a eles. Mas eles precisam ser expostos a muitos exemplos disso para detectar regularidades.


Por exemplo, em todas as línguas, e o inglês não é exceção, os sons incluídos nas palavras tendem a seguir determinados padrões. Por exemplo, algumas das combinações mais comuns de três letras em inglês são "the", "and" e "ing". Faz sentido que o cérebro das crianças busque a repetição — neste exemplo, isso vai ajudá-las a aprender o idioma.


Portanto, quando as crianças pequenas voltam a assistir ao mesmo programa, o que elas estão fazendo, quer saibam ou não, é motivado pelo desejo de detectar e consolidar os padrões do que estão assistindo, ouvindo ou lendo.


Conforto familiar


Além de apoiar o aprendizado, a repetição também oferece benefícios para as emoções das crianças, no que estamos chamando aqui de "efeito de bem-estar".


A principal tarefa da infância é o aprendizado, e isso significa buscar ativamente novas experiências e estímulos. No entanto, ter que processar e se adaptar a coisas novas pode ser exaustivo, mesmo para uma criança pequena com energia inesgotável.


O mundo também pode ser um lugar mais estranho e estressante para as crianças do que para os adultos. Como adulto, você terá aprendido o que esperar e como se comportar em determinados contextos, mas as crianças estão constantemente se deparando com situações novas pela primeira vez.


Estímulos bem conhecidos, como aquele episódio de desenho animado que elas já assistiram inúmeras vezes, podem proporcionar uma fonte de conforto e segurança que protege contra esse estresse e incerteza.


Interesses profundos em uma atividade específica também podem proporcionar benefícios de bem-estar por meio de uma sensação de controle e domínio.


As crianças estão constantemente sendo desafiadas em relação ao que sabem e entendem na creche, na escola e em outros lugares. Isso é fundamental para o aprendizado, mas também representa uma ameaça aos seus sentimentos de competência.


A capacidade de relaxar durante uma atividade na qual se sentem bem, como um jogo favorito, atende a essas necessidades de competência.


Além disso, o fato de poderem optar por uma atividade de que gostam permite que tenham um senso de autonomia e controle sobre suas vidas, que, de outra forma, podem se resumir a serem levadas para lá e para cá pelos pais.


É claro que nem todas as crianças têm a mesma probabilidade de desenvolver estes tipos de interesses repetitivos. Por exemplo, crianças com autismo geralmente apresentam interesses particularmente específicos.


A repetição tem um valor enorme em termos de aprendizado e bem-estar. Portanto, embora você não deva forçá-las a assistir novamente aos programas, também não precisa se preocupar se isso for algo que elas próprias estão buscando.


No entanto, pode se tornar problemático se afetar a capacidade da criança de se envolver em outros aspectos importantes da sua vida, como sair de casa na hora certa, interagir com outras pessoas ou praticar exercícios físicos.


É claro que não existe uma regra de ouro que possa ser aplicada a todas as crianças em todos os contextos.


Como pais, só podemos ficar atentos à situação e tomar uma decisão. Mas, ao colocar Frozen mais uma vez, pense nos efeitos de input e bem-estar, e tente deixar de lado a preocupação de que seu filho deveria estar fazendo algo — qualquer outra coisa! — diferente.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/c0lg061w184o
"Faz sentido que o cérebro das crianças busque a repetição — neste exemplo, isso vai ajudá-las a aprender o idioma."

No trecho, a forma do pronome oblíquo, 'las', foi empregada corretamente e substituiu o termo 'crianças'. Identifique a alternativa em que o uso do pronome oblíquo NÃO foi empregado corretamente:
Alternativas
Q3147674 Português
        É ponto pacífico que um dos legados da linguística de grande utilidade no contexto escolar é a visão não preconceituosa sobre línguas e variedades de línguas. Esse foi um legado da linguística estrutural que se consolidou com os desenvolvimentos subsequentes da linguística, sobretudo a sociolinguística variacionista. Essa visão não preconceituosa derivou naturalmente da perspectiva da língua como estrutura, daí que o caráter não normativo da linguística se opôs frontalmente à atitude de preconceito linguístico que existia até então. Exemplos de preconceito linguístico são o conceito de língua primitiva (i.e., a ideia de que a povos de cultura dita “primitiva” correspondem línguas igualmente “primitivas”), a valoração de certas variedades de língua ou registros de língua em detrimento de outras variedades e registros, e assim por diante. Acho que ninguém hoje contestaria que o estudante que vai ser professor de ensino básico deve receber uma formação que o torne isento de preconceitos ou, pelo menos, o sensibilize contra preconceitos linguísticos e o norteie para saber como reagir diante de situações de variação dialetal.

Lucia Lobato. Linguística e ensino de línguas.
Brasília: Editora da UnB, 2015, p. 15 (com adaptações).

Julgue o item subsequente, referente a construções linguísticas do texto apresentado.


Estaria mantida a correção gramatical do texto caso se empregasse a ênclise do pronome “se” no segundo e no terceiro períodos, haja vista a falta de critério impositivo da próclise pronominal nesses períodos.  

Alternativas
Q3146674 Português
        Manu, S. Paulo, 6-VIII-33

        Estou fazendo week-end..., dando um balanço geral em tudo quanto tenho que responder, livros a agradecer, papelada pra distribuir nos lugares, etc., etc. Seus comentários sobre o meu “O desespera” quase que me desesperaram. Não é justo você dizer que pra mim é atual falar numa coisa, como se eu não me rendesse a razões plausíveis. Me rendo sim senhor. Confesso com lealdade que jamais refleti seriamente sobre isso, isto é, seriamente, refleti, sim, mas não refleti longamente. Mas a seriedade está nisto: emprego flexões pronominais iniciando a frase, coisa que literariamente é erro. Me parece etc. Devo empregar também literariamente “O desespera” porque o caso é absolutamente o mesmo. Se trata de uma ilação, é verdade, mas ilação absolutamente lógica sobre o ponto de vista filosófico, e tirada da índole brasileira de falar, o que a torna, além de filosoficamente certa, psicologicamente admissível. Diz você que não se trata dum fato de linguagem brasileira. Poderei estar de acordo. Mas isso se dá simplesmente porque o povo, pelo menos o povo rural que é a grande e pura fonte, ignora o pronominal, e diz, por exemplo, “fazer isso” e “dizer isso” “desespera ele” por fazê-lo e dizê-lo. Você tem o argumento dos alfabetizados da cidade. Sim, mas estes, desde que ponham um reparo na fala, já não dizem “me parece” também, porque o professor da escola primária proibia. Mas se dizem, sem querer, “me parece” por que, então, não dizem “o desespera”?
         Ciao, com abraço.

Mário de Andrade. Cartas a Manuel Bandeira, 2001, p. 222-3 (com adaptações)

Julgue o próximo item, acerca das ideias e de aspectos textuais e gramaticais do texto precedente.


O segmento ‘desespera ele’ (décimo segundo período) é exemplo de emprego de pronome do caso reto, em vez de pronome oblíquo átono, em posição de complemento verbal.

Alternativas
Q3137573 Português
O pronome oblíquo átono foi CORRETAMENTE empregado em:
Alternativas
Q3551440 Português
Filme A Baleia (2022, Darren Aronofsky)

        Inicio este meu texto sobre o filme “A Baleia” (The Whale, 2022) direcionando as luzes das ribaltas diretamente para o diretor Darren Aronofsky e sua coragem em dirigir mais um drama da sua filmografia peculiar, muitas vezes capaz de nos fazer pensar por dias sobre, quase sempre boquiaberto ao final da história e com uma lição de vida, neste drama uma doença crônica tão presente na vida humana do século XXI: a obesidade mórbida.
    
        Charlie é o protagonista de “A Baleia”, personagem interpretado de maneira descomunal, visceral pelo até então ausente ator, Brendan Fraser. Este ressurge ao cinema de forma triunfal e irreconhecível, outro profissional que merece quase que todo o mérito pelo sucesso desta perene obra da sétima arte, e porque não um soco no estômago para conscientizar dramaticamente o mundo sobre a obesidade.

        Utilizando-me da figura de linguagem metafórica, Moby Dick sobrevive encalhado; à sua volta espalha-se uma abundante opção de alimentos calóricos, cercando-o à distância de um braço. O corpulento se move raramente, quando o faz – no caso de necessidade – é via movimentos parcos, sofríveis, devido à incapacidade de força física para sustentar a adiposidade crescente; tudo isso sob o teto de seu habitat escuro, limitado a quatro paredes.

        A figura de linguagem utilizada no parágrafo acima deste, nada mais é do que uma alegoria do decadente cenário em que se passa o filme e do moribundo personagem que se encontra afundado em seu sofá, vezes comendo, outras ministrando aulas de inglês à distância, comunicada aos seus alunos via áudio com a ausência proposital da câmera do notebook.

        O filme já nos dá as boas-vindas com o impacto lastimável de Charlie se masturbando ao assistir a uma cena de pornô gay, interrompida por um gemido confuso de prazer misturado a dor, mas que pela mão ao peito a última opção seja a mais provável. Na continuação da cena anterior, rapidamente Charlie retira um texto de uma pasta e começa a lê-lo, logo o segundo personagem bate à porta e entra em cena, trata-se do jovem missionário Thomas (Ty Simpkins), este é encarregado a dar continuidade à leitura do texto capaz de acalmar o angustiante coração do protagonista.

        Uma vez ou outra Charlie recebe a visita de sua única amiga – e enfermeira -, Liz (Hong Chau). As visitas de Liz resultam quase sempre no monitoramento da pressão de Charlie, mas apesar de todo o cuidado dedicado ao recluso amigo, há um paradoxo quanto a isso, pois ela abre mão de dar a ele alimentos nada saudáveis como um pote imenso de frango frito, cena esta que ao ver causa um certo desespero, um passo largo rumo ao precipício.

        A fotografia escura de Matthew Libatique ajuda a captar com potência a atmosfera enfadonha do ambiente em que a história é narrada. É triste de ver a rotina sofrível do protagonista. A lente do diretor Darren Aronofsky capta com perfeição ângulos impactantes da obesidade mórbida do protagonista, neste ponto vale parabenizar também o trabalho da equipe de maquiagem.

        É angustiante ver os passos de Charlie sustentado em seu andador, situações simples de mobilidade tornam-se complexas para ele, o esforço no breve movimento de agachar para pegar uma chave que caiu no chão torna-se impossível, dói de ver. As adaptações instaladas sobre a cama para ajudá-lo a se deitar antecipa em nós o sofrimento dele, uma luta diária.

        Brendan Fraser deixa transbordar em seus olhos a dor existente na alma do personagem. De dor o ator entende, ele passou anos mergulhado em diversos problemas pessoais como cirurgias, divórcio, exploração midiática, morte familiar traumática e uma depressão que o fez se afastar por anos da indústria cinematográfica.

        De volta ao drama do filme, o passado de Fraser é confrontado nas visitas de sua filha, a jovem rebelde Ellie (Sadie Sink), esta possui um certo desprezo pelas atitudes passadas do pai, a relação dos dois não é nada amistosa, isso do lado da garota; ela o maltrata e o humilha, é a maneira que ela encontra para descontar tudo o que ele fez a ela e à mãe, abandono e traição são tatuagens marcadas para sempre na vida de Ellie.

        A forma ríspida da menina sobra até para o garoto Thomas, este chega à casa para tentar levar a palavra do Senhor Jesus Cristo e acaba que ninguém está interessado em ouvir o que ele tem a trazer de luz espiritual àquela casa tão escura e de ínfima luz. A pouca fé de todos se dilui por situações do passado, como é o caso da enfermeira Liz, o trauma dela é quanto à imposição dos pais adotivos para que ela frequentasse a igreja Nova Vida, por coincidência a mesma do missionário, e que também traumatizou a vida de Charlie.

        Assim que entra em cena a reserva em dinheiro (herança) de Charlie e a sua ex-esposa, Mary (Samantha Morton), as verdades são reveladas e os diálogos entre os personagens se tornam calorosos e cheios de ressentimentos, a intensidade das discussões se dá entre todos, aqui é possível perceber que quando o dinheiro aparece, os interessados se transformam, neste momento quem mais sofre é Charlie e, inevitavelmente, nos juntamos ao sofrimento dele nos momentos finais do filme.

        A cena de compulsão alimentar de Charlie é aterrorizante, um prelúdio para o que virá, junto ao momento em que ele decide liberar a câmera e revelar a sua imagem aos alunos. Antes desta cena, o estopim para a atitude de revelar a sua identidade foi aceso na última tentativa de Thomas em ajudá-lo, quando ele mostra uma passagem bíblica. Adiante, as dores no peito se intensificam e o último encontro entre pai e filha revela o significado da redação sobre Moby Dick escrita por ela, na oitava série. Você vai no mínimo marejar os olhos quando ver o último esforço do gigante Charlie.

        O filme “A Baleia” (The Whale) insere na trama uma doença crônica que afeta milhões de crianças, jovens e adultos pelo mundo; existem pessoas sendo irresponsáveis ao romantizar a obesidade, há até influenciadora digital que o faça. O estímulo não deve ser à autoaceitação, mas sim à mudança de vida, construir um hábito saudável através de uma alimentação balanceada, da prática de exercícios físicos e, se possível, até na busca por ajuda psicológica.

        Darren Aronofsky não titubeia ao retratar a obesidade sem fantasias, não pensa em agradar a hipocrisia do politicamente correto. Por aí é possível ver pessoas escrevendo e falando que “A Baleia” é um filme gordofóbico, preconceituoso, devido ao seu título e como são mostrados os perigos mortais que a obesidade pode trazer à vida. Chego a ser redundante quanto às precauções. Este longa-metragem é um alerta audiovisual para que as pessoas cuidem da saúde.

        Um assunto tão sério deve sim ser demonstrado para chocar, para fazer as pessoas tirarem a bunda do sofá e a cara da tela do smartphone e se exercitar. A Baleia é até um eufemismo diante dos malefícios que a obesidade mórbida traz à saúde. Repito aqui, a qualidade do filme é avassaladora, ainda mais com a irretocável atuação do renascido ator Brendan Fraser caracterizado sob a impactante maquiagem.

Disponível em https://www.leiaeassista.com.br/resenha-do-filme-a-baleia-2022/. Adaptado. Acessado em 06.maio.2024. 
No período “O corpulento se move raramente, quando o faz – no caso de necessidade – é via movimentos parcos, sofríveis...”, extraído do Texto, o termo destacado exerce função gramatical de
Alternativas
Q3470541 Português

O texto seguinte servirá de base para responder a questão.



Os desafios de lidar com o envelhecimento dos pais



Uma dura fase marcada por conflitos e dificuldades. É assim que especialistas resumem a forma como o envelhecimento dos pais é encarado diversas vezes, porque muitos filhos não estão preparados para lidar com as exigências desse período.



À medida que a idade avança, uma pessoa precisa de cada vez mais apoio, seja em atividades simples do dia a dia ou mesmo uma ajuda financeira, e isso cobra um preço de quem fica responsável por esses cuidados, como apontam especialistas.



"Em alguns casos, esses filhos experimentam níveis significativos de estresse e sobrecarga ao lidar com as demandas do envelhecimento dos pais, especialmente quando há questões de saúde ou limitações funcionais", diz a psicóloga Deusivania Falcão, professora de Psicogerontologia, área da psicologia que estuda o envelhecimento, da Universidade de São Paulo (USP).



Há, inclusive, um nome para definir esse senso de obrigação dos filhos em apoiar pais mais velhos: responsabilidade filial.



"É uma obrigação baseada em um padrão cultural, relacionado à percepção de que esse é um comportamento socialmente responsável em resposta ao envelhecimento e à dependência dos pais", explica Falcão. "Ou seja, de que é dever do filho adulto ajudar ou ser responsável pelos pais idosos."



O número de pessoas com mais de sessenta anos passou de 20,5 milhões no Censo de 2010 para 32,1 milhões no mesmo levantamento em 2022 − um crescimento de 56% em pouco mais de uma década.



As estimativas apontam que a população de idosos se tornará ainda maior ao longo das próximas décadas.



Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que o brasileiro viverá cada vez mais: a expectativa de vida, que era de 69,8 anos no início dos anos 2000, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), hoje é de 75,5 anos. 



Isso não só aumenta o período em que uma pessoa precisa de auxílio, mas também torna mais comum que os filhos acompanhem diferentes fases do envelhecimento dos pais.



Um ponto importante nesse período é a forma como filhos encaram o envelhecimento dos pais e, como em tantas outras fases da vida, não há uma cartilha universal a seguir.



Essa experiência, dizem especialistas, costuma ser influenciada por padrões familiares do passado e pela forma como uma pessoa foi criada, além de aspectos culturais, históricos, sociais e religiosos de uma família.



"Há vários modelos de envelhecimento e de velhice. Cada indivíduo envelhece de maneira diferenciada, na singularidade de suas condições genéticas, ambientais, familiares, sociais, educacionais, econômicas, históricas e culturais", diz Falcão.



"Isso tudo depende do tipo de sistema desenvolvido pela família ao longo dos anos."



Um dos principais desafios e motivos de atrito está nos papéis que pais e filhos assumem nessa fase da vida, apontam especialistas.



De um lado, os filhos enxergam uma pessoa fragilizada, adoecida e que precisa de cuidados e limitações e protegem seus pais, fazendo com que não se exponham a riscos.



Do outro, há uma pessoa que não quer perder sua autonomia e que até percebe que precisa de cuidados, mas tem dificuldade de aceitar isso, afirma a geriatra Fernanda Andrade.



"Na imensa maioria das vezes, há uma grande diferença entre a visão dos filhos e a dos pais. Os filhos não costumam lidar bem com as escolhas dos pais nesse período", afirma Andrade.



Um dos comentários mais recorrentes que a médica ouve dos filhos é que seus pais são "teimosos" por não seguirem à risca o que os filhos acreditam que eles devem agir.



"É angustiante assistir ao envelhecimento − e, muitas vezes, ao adoecimento − de uma pessoa que se ama e não controlar tudo isso."



Mas, por trás dessa "teimosia", apontam especialistas, estão características atribuídas à idade avançada.



Entre elas, estão o sentimento de solidão, a perda de sentido da vida, a saudade de amigos ou parentes que já faleceram e o medo da morte.



Além disso, o temor de depender dos outros, ainda que sejam os próprios filhos, causa preocupação em muitos idosos e faz com que sejam resistentes a cuidados. 



"Imagina passar 50 anos da sua vida totalmente independente e começar a precisar de alguém para ir ao mercado para você, te ajudar a vestir uma roupa ou realizar sua higiene íntima?", diz Andrade.



Para não perder a autonomia, diz Fernanda, muitos idosos não querem parar de dirigir, não aceitam ir ao médico ou não querem abandonar outras atividades que costumavam fazer sozinhos.



Nesse momento, surgem conflitos na relação com os filhos, caso não haja uma comunicação aberta na família sobre as expectativas, desejos e necessidades dos dois lados, pontuam os especialistas.



Muitas vezes, é preciso entender que se trata de uma fase de constante adaptação às demandas que surgem com o passar dos anos.



Por isso, é fundamental perceber que as necessidades dos pais mudam ao longo do tempo.



"O ideal é que os pais conversem muito com os filhos e mostrem as diferenças geracionais", afirma o médico.



"Esse diálogo é importante, mas é difícil, porque muitos pais não conseguem essa conversa e muitos filhos se consideram senhores da verdade, o que dificulta muito essa situação."



Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/ articles/c842z9en455o.adaptado.


Esse diálogo é importante, mas é difícil, porque muitos pais não conseguem essa conversa e muitos filhos se consideram senhores da verdade, o que dificulta muito essa situação."

Assinale a opção que contenha apenas pronomes: 
Alternativas
Q3457946 Português

Quanto mais difícil, melhor


    Assim como os historiadores, bibliotecários e arquivistas, vivo profissionalmente às voltas com livros centenários, documentos antigos e recortes amarelados. Isso significa coabitar com poeira, mofo e populações inteiras de fungos. O problema é que sou alérgico a bolor e sofro as consequências do manuseio dessas relíquias. Um amigo me perguntou se uso máscara para trabalhar. Respondi: “Não. Uso espirro. A cada espirro voam várias gerações de fungos”.


    A incompatibilidade entre certas condições físicas e a profissão de seus portadores pode ser dramática. Minha amiga, a feminista Rose Marie Muraro, nascida quase cega, precisava usar óculos muito grossos e lupa para conseguir ler. E qual era sua profissão? Leitora da Editora Vozes. Portinari, para muitos o maior pintor brasileiro, era alérgico a certas tintas. Morreu em 1962, envenenado por elas, depois de 40 anos de trabalho. E Garrincha, cujos dribles você sabe, tinha uma perna para dentro e outra para fora, como dois parênteses lado a lado: )).


    Beethoven era surdo, o que, pelo visto, não lhe fazia diferença. Django Reinhardt, imortal guitarrista do jazz, tinha dois dedos paralisados na mão esquerda. E a Harold Lloyd, um dos grandes da comédia no cinema mudo americano, faltavam dois na direita — e foi sem eles que escalou um edifício em Nova York em seu filme “O Homem-Mosca” (1923), fazendo ele próprio quase todas as cenas.
    John Wayne, Humphrey Bogart, James Stewart, Frank Sinatra, Bing Crosby, Fred Astaire, Gene Kelly, Henry Fonda e Sean Connery tinham algo em comum: eram carecas. Não que haja problema nisso (e eu mesmo já posso tecnicamente ser chamado de), mas, na velha Hollywood, Ava Gardner, Grace Kelly e Raquel Welch nunca poderiam ser beijadas por carecas, ainda que galãs. Sem problema — as perucas eram tão perfeitas que ninguém notava.
    

        Este artigo deve me custar uns cinco espirros.

Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/ 2023/12/quanto-mais-dificilmelhor.shtml?pwgt=kye73frks3762ppiv3c8ms8a gtyutnr6i2zmqyam6pqtcz5u&utm_source=whats app&utm_medium=social&utm_campaign=comp wagift. Acesso em: 20 dez. 2023.Adaptado.
Releia o parágrafo abaixo:

    Beethoven era surdo, o que, pelo visto, não lhe fazia diferença. Django Reinhardt, imortal guitarrista do jazz, tinha dois dedos paralisados na mão esquerda. E a Harold Lloyd, um dos grandes da comédia no cinema mudo americano, faltavam dois na direita — e foi sem eles que escalou um edifício em Nova York em seu filme “O Homem-Mosca” (1923), fazendo ele próprio quase todas as cenas.

Numere os parênteses conforme a nomenclatura de cada pronome

1. “o”                   
2. “que”               
3. “lhe”              
4. “eles”            
5. “seu”              
6. “todas”     

() possessivo
() indefinido 
() relativo
() pessoal oblíquo tônico
() demonstrativo
() pessoal oblíquo átono
       A ordem correta é
Alternativas
Q3415758 Português
Versões


Vivemos cercados pelas nossas alternativas, pelo que podíamos ter sido. Ah, se apenas tivéssemos acertado aquele número (unzinho e eu ganhava a sena acumulada), topado aquele emprego, completado aquele curso, casado com a Doralice… Agora mesmo neste bar imaginário em que estou bebendo para esquecer o que não fiz — aliás, o nome do bar é Imaginário —, sentou um cara do meu lado direito e se apresentou: — Eu sou você, se tivesse feito aquele teste no Botafogo. E ele tem mesmo a minha idade e a minha cara. E o mesmo desconsolo.
— Por quê? Sua vida não foi melhor do que a minha?
— Durante um certo tempo, foi. Cheguei a titular. Cheguei à seleção. Fiz um grande contrato. Levava uma grande vida. Até que um dia…
— Eu sei, eu sei… — disse alguém sentado ao lado dele. Olhamos para o intrometido… Tinha a nossa idade e a nossa cara e não parecia mais feliz do que nós. Ele continuou:
— Você hesitou entre sair e não sair do gol. Não saiu, levou o único gol do jogo, caiu em desgraça, largou o futebol e foi ser um medíocre propagandista.
— Como é que você sabe?
— Eu sou você, se tivesse saído do gol. Não só peguei a bola como me mandei para o ataque com tanta perfeição que fizemos o gol da vitória. Fui considerado o herói do jogo. No jogo seguinte, hesitei entre me atirar nos pés de um atacante e não me atirar. Como era um herói, me atirei… Levei um chute na cabeça. Não pude ser mais nada. Se não tivesse ido nos pès do atacante…
— Ele chutaria para fora.
Quem falou foi o outro sósia nosso, que em seguida se apresentou.
— Eu sou você se não tivesse ido naquela bola. Não faria diferença. Minha carreira continuou. Fiquei cada vez mais famoso. Fui vendido para o futebol europeu, por uma fábula. Embarquei com festa no Rio…
— E o que aconteceu? — perguntamos os três em uníssono.
— Lembra aquele avião da Varig que caiu na chegada em Paris?
— Você…
— Morri com 28 anos. Bem que tínhamos notado sua palidez.
— Pensando bem, foi melhor não fazer aquele teste no Botafogo…
— E ter levado o chute na cabeça…
— Foi melhor — continuou — ter ido fazer o concurso para o serviço público naquele dia. Ah, se eu tivesse passado…
— Você deve estar brincando. — disse alguém sentado à minha esquerda. Tinha a minha cara, mas parecia mais velho e desanimado.
— Quem é você?
— Eu sou você, se tivesse entrado para o serviço público.
Olhei em volta. Eu lotava o bar. Todas as mesas estavam ocupadas por minhas alternativas e nenhuma parecia estar contente. Comentei com o barman que, no fim, quem estava com o melhor aspecto, ali, era eu mesmo. O barman fez que sim com a cabeça, tristemente. Só então notei que ele também tinha a minha cara, só com mais rugas.
— Quem é você? — perguntei.
— Eu sou você, se tivesse casado com a Doralice.
— E...? Ele não respondeu. Só fez um sinal com o dedão virado para baixo.


VERISSIMO, L. F. (Adaptado). Verissimo antológico — meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.
Agora mesmo neste bar imaginário em que estou bebendo para esquecer o que não fiz — aliás, o nome do bar é Imaginário —, sentou um cara do meu lado direito e se apresentou: — Eu sou você, se tivesse feito aquele teste no Botafogo.

As palavras em destaque no excerto apresentado são, respectivamente, pronomes dos tipos:
Alternativas
Q3381670 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


O zelador do labirinto

   Tem também a história do zelador do labirinto. Todos os dias ele saía de casa cedo, com sua marmita, e entrava no labirinto. Seu trabalho era percorrer todo o labirinto, inspecionando as paredes e o chão, vendo onde precisava um retoque, talvez uma mão de tinta etc.

    Era um homem metódico. Pela manhã, fazia a ronda do labirinto, anotando tudo que havia para ser consertado, depois saía do labirinto, almoçava, descansava um pouquinho, e entrava de novo no labirinto, agora com o material de que necessitaria para seu trabalho. Quando não havia nada para ser consertado, ele apenas varria todo o labirinto e, ao anoitecer, ia para casa.

   Um dia, enquanto fazia a sua ronda, o zelador encontrou um grupo de pessoas apavoradas. Queriam saber como sair dali. O zelador não entendeu bem.

   — Como sair?

   — A saída! Onde fica a saída?

   — É por ali — apontou o zelador, achando estranha a agitação do grupo.

   Mais tarde, no mesmo dia, enquanto varria um dos corredores, o zelador encontrou o mesmo grupo. Não tinham encontrado a saída. Estavam ainda mais apavorados. Alguns choravam. Alguém precisava lhes mostrar a saída!

   Com uma certa impaciência, o zelador começou a dar a direção. Era fácil.

   — Saiam por ali e virem à esquerda. Depois à direita, depois à esquerda, esquerda outra vez, direita, direita, esquerda...

   — Espere! — gritou alguém. — Ponha isso num papel.

  Sacudindo a cabeça com divertida resignação, o zelador pegou seu caderno de notas e o toco de lápis e começou a escrever. — Deixa ver. Esquerda, direita, esquerda, esquerda... Hesitou. — Não, direita. É isso. Direita, direita, esquerda... Ou direita outra vez?

  O zelador atirou o papel e o lápis no chão como se estivessem pegando fogo. Saiu correndo, com todo o grupo atrás. Também estava apavorado. Aquilo era terrível. Ele nunca tinha se dado conta de como aquilo era terrível. Corredores davam para corredores que davam para corredores que davam numa parede. Era preciso voltar pelos mesmos corredores, mas como saber se eram os mesmos corredores? A saída! Onde ficava a saída?

   A administração do labirinto teve que procurar um novo zelador, depois que o desaparecimento do outro completou um mês. Podiam adivinhar o que tinha acontecido. O novo zelador não devia ter muita imaginação. Era preferível que nem soubesse ler e escrever. E em hipótese alguma devia falar com estranhos.


VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.
A palavra “aquilo”, que ocorre em Aquilo era terrível.”, classifica-se gramaticalmente como:
Alternativas
Q3381038 Português
Leia o texto abaixo e responda a questão
BILHETE
Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim,
tem de ser bem devagarinho, Amada,
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda...
(Mario Quintana)
Na linha 4, a palavra “mim” é:
Alternativas
Ano: 2024 Banca: IDCAP Órgão: UEFS Prova: IDCAP - 2024 - UEFS - Técnico em Enfermagem |
Q3349434 Português
As revelações de nova pesquisa sobre condições do planeta Urano

Até pouco tempo atrás, os cientistas acreditavam que o planeta Urano e suas cinco maiores luas eram mundos completamente estéreis, sem possibilidade de vida.

Agora, eles descobriram que as luas do gigante gelado podem ter oceanos e até ser capazes de sustentar vida, dizem os cientistas.

Muito do que sabemos sobre elas foi coletado pela nave espacial Voyager 2 da Nasa, que visitou o planeta há muitos anos.

Uma nova análise dos mesmos dados mostra que a visita da Voyager coincidiu com uma poderosa tempestade solar, o que levou a uma ideia enganosa de como o sistema uraniano realmente é.

Urano é um planeta nos confins do sistema solar composto por um núcleo rochoso cercado por gelo.

É um dos planetas mais frios, e inclinado para o lado em comparação com outros planetas — o que também o torna um dos planetas mais estranhos.

Cientistas tiveram a chance de analisar Urano com mais detalhes pela primeira vez em 1986, quando a Voyager 2 passou por ele e tirou fotos sensacionais do planeta e de cinco das suas maiores luas.

Mas o que impressionou os cientistas é que as informações coletadas pela Voyager 2 e enviadas para a Terra mostram que o sistema planetário de Urano, o planeta e suas luas, é ainda mais estranho do que se pensava. 

Os dados coletados pelos instrumentos da nave indicavam que eles eram inativos, diferentemente de outros sistemas planetários. Eles também mostravam que o campo magnético de Urano era estranhamente distorcido — era meio esmagado e empurrado para longe do Sol.

O campo magnético segura quaisquer gases e outros materiais que saiam do planeta e suas luas.

A Voyager 2 não encontrou esses materiais, o que era um indício de que o planeta e suas luas eram inativos e estéreis.

Isso foi uma surpresa, porque nenhum dos outros planetas do sistema solar é assim.

Mas uma nova pesquisa resolveu este mistério de longa data. Ela mostrou que a Voyager 2 passou pelo planeta em um dia ruim.

O estudo mostra que, quando a Voyager passava por Urano, o Sol desencadeava uma tempestade solar que criou um poderoso vento que soprou o material dos planetas para fora do campo magnético.

 "Então, por quarenta anos, tivemos uma visão incorreta de Urano e de suas cinco maiores luas", explica o pesquisador William Dunn, da University College London.

"Esses resultados demonstram que o sistema uraniano é mais emocionante do que se pensava anteriormente", diz Dunn.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cwy4nd3ewljo.adaptado.
É um dos planetas mais frios, e inclinado para o lado em comparação com outros planetas — o que também "o torna" um dos planetas mais estranhos.
Na expressão destacada, tem-se:
Alternativas
Respostas
121: A
122: A
123: A
124: B
125: B
126: C
127: E
128: A
129: D
130: A
131: E
132: C
133: D
134: B
135: C
136: A
137: E
138: E
139: C
140: A