Questões de Concurso Sobre pontuação em português

Foram encontradas 14.710 questões

Q3911822 Português
Assinale a alternativa em que a pontuação está correta.
Alternativas
Q3911818 Português
Assinale a alternativa em que a pontuação está correta.
Alternativas
Q3911633 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.

Óculos escuros

    O azul é mais profundo, o verde é mais denso, o asfalto é mais escuro. Todas as cores se fortalecem, ganham relevo, se acentuam diante dos olhos, como se a vida fosse mais colorida e olhar em volta fosse uma brincadeira muito interessante, como quando a gente é criança e descobre todas as possibilidades de um carrinho.

    Não tem como dizer que não fica mais bonito. Fica. Fica e faz bem para a visão. O sol não bate tão forte, a luminosidade não dói, nem faz a gente quase fechar os olhos. Não, olhamos em volta como se fosse normal ser assim, como se os óculos escuros fossem algo naturalmente ligado à nossa cabeça, e não um artefato preso atrás das orelhas.


    Não faço a menor ideia de quem foi o inventor dos óculos escuros, mas foi um gênio. E ele não precisa ficar triste, se eu não sei o nome dele, também não sei o nome do inventor da roda ou de quem domesticou o fogo.

     Nem por isso a roda e o fogo não foram fundamentais para o progresso da humanidade. Sem eles onde será que estaríamos? E sem a lança, o arco e a flecha? Também não sei quem foram os inventores desses instrumentos essenciais para o ser humano se tornar o dono das savanas.

     Como dizia Raul Seixas, “quem não tem colírio usa óculos escuros”. É só mais uma utilidade para um instrumento de mil e uma utilidades. Serve para esconder olho roxo, para amenizar ressaca, para não deixar ver para quem estamos olhando, para ocultar a lágrima de um velório.

    Nos dias de sol, os óculos escuros ganham mais relevância. São bonitos, facilitam enfrentar a luminosidade, nos deixam mais simpáticos, mais inclusivos, mais na moda. É como se a vida girasse entre festa e poesia, e num mundo mais colorido, a luz tivesse um papel milagroso com que fizesse a paz algo possível no mundo real.

     Além disso, os óculos escuros protegem os olhos.

MENDONÇA, Antonio Penteado. Óculos escuros.
Crônicas da cidade. Disponível em
<https://cronicasdacidade.com.br/cronicas/2025/09/12/oc
ulos-escuros/>. 
“Não tem como dizer que não fica mais bonito. Fica. Fica e faz bem para a visão.”

Assinale a alternativa que apresenta uma forma reescrita do trecho acima com a pontuação totalmente correta, mantendo o seu mesmo sentido básico.
Alternativas
Q3911287 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Os animais que realizam trabalhos que nem humanos ou robôs conseguem


Em tarefas consideradas perigosas, delicadas ou complexas, alguns animais demonstram habilidades que superam tanto humanos quanto máquinas. Um exemplo expressivo são os ratos-gigantes-africanos, treinados pela ONG APOPO para detectar minas terrestres e outros explosivos remanescentes de guerras. Esses animais conseguem examinar, em cerca de vinte minutos, áreas que levariam dias para serem vistoriadas por equipes humanas com detectores de metal.

A atuação da APOPO envolve o treinamento desses ratos, de porte semelhante ao de um gato pequeno, conhecidos pelas grandes bolsas nas bochechas. Chamados de HeroRATs, eles já limparam aproximadamente cento e vinte milhões de metros quadrados de terrenos contaminados em países como Angola, Azerbaijão e Camboja, sem que a organização tenha perdido um único animal em campos minados. Sua eficiência se deve ao fato de ignorarem sucata metálica e reagirem apenas ao odor de explosivos, sinalizando o local para posterior remoção segura.

Inicialmente, houve desconfiança das comunidades locais quanto ao uso dos ratos, mas o sucesso contínuo do trabalho levou à aceitação e à devolução de áreas antes consideradas perigosas. Além da desminagem, esses animais também vêm sendo testados em operações de busca e resgate, mostrando que certas capacidades naturais permanecem insubstituíveis mesmo em um contexto de alta tecnologia.

Outro exemplo são os furões, domesticados há mais de dois mil anos. Graças ao corpo alongado e à curiosidade natural, eles conseguem acessar túneis, canos e passagens estreitas, sendo utilizados atualmente para localizar bloqueios em sistemas de drenagem e auxiliar na instalação de cabos de fibra óptica. Essas habilidades já foram exploradas inclusive em projetos científicos, como a limpeza de tubos estreitos em laboratórios de física.

Os cães, por sua vez, destacam-se pelo olfato altamente desenvolvido, capaz de detectar doenças como câncer, epilepsia, malária, Parkinson e covid-19. Essa precisão resulta tanto da grande quantidade de receptores olfativos quanto da estrutura eficiente do nariz desses animais. Além disso, muitos atuam como cães de assistência médica, alertando seus tutores sobre emergências iminentes.

Mais do que eficiência técnica, esses animais estabelecem forte vínculo emocional com os humanos, oferecendo apoio físico e psicológico. Assim, apesar dos avanços da robótica e da automação, diversas tarefas continuam dependendo de capacidades biológicas únicas, confirmando que, em muitos casos, a solução mais eficaz vem da própria natureza.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cwy1zd8weg5o.adaptado.
Inicialmente, houve desconfiança das comunidades locais quanto ao uso dos ratos.

Assinale a alternativa CORRETA quanto à nova pontuação, sem alteração do sentido original da frase.
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Q3911256 Português

    “O entrevistador perguntou ao candidato:


    – Qual é a sua pretensão salarial a partir de hoje?”



Assinale a alternativa que apresenta uma forma reescrita correta correspondente ao trecho acima, incluindo a pontuação.

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Q3910524 Português
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto a seguir.


Amigo de verdade


    A madrugada ia alta na redação da revista quando o meu colega Jairo, sentado à minha frente, interrompeu a crítica de teatro de que estava se incumbindo, levantou os olhos e me propôs uma grave questão:

   - Sabe qual é o maior problema do artista brasileiro?

   Preparei-me para ouvir mais uma de suas sábias reflexões sobre as vicissitudes do gênero humano, mais uma de suas tiradas que costumava proferir a horas mortas, como súmulas conclusivas. Não me decepcionei:

   - É não ter um amigo que diga a ele: fulano, não faça isso...

  Todos os que estimam o valor inalienável da franqueza incondicional concordarão com ele. Mas, acrescento eu, que a recomendação não precisa se limitar ao caso do artista brasileiro.


(Adaptado de: WERNECK, Humberto. Esse inferno vai acabar. Porto Alegre: Arquipélago Editorial, 2011, p. 159)
A supressão da vírgula altera o sentido da frase: 
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Q3910132 Português
Nem tudo precisa ser apaixonante

Por Marco Matos


(Disponível em: gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/marco-matos/noticia/2026/01/nem-tudo-precisa-serapaixonante-cmkftuhhv01mt013o09hml4eo.html – texto adaptado especialmente para esta prova). 

 Considerando o uso correto dos sinais de pontuação, analise as assertivas a seguir:


I. Em “Mas a vida real… bem, a vida real não funciona assim”, as reticências são empregadas para indicar que o autor não sabe como continuar sua ideia.

II. Em “Como se todo dia fosse incrível, produtivo e especial”, a vírgula ocorre para separar termos coordenados.

III. No trecho “Mas a verdade é bem mais simples: a rotina existe”, os dois-pontos são empregados para introduzir uma expressão explicativa que se refere ao termo “verdade”.


Quais estão corretas? 

Alternativas
Q3909439 Português
Azeite e pimenta do reino ajudam o corpo a turbinar absorção dos nutrientes da comida

A pimenta-do-reino é valorizada há milênios por realçar o sabor dos alimentos. Cultivada há mais de três mil anos, hoje é usada cotidianamente, muitas vezes sem que se percebam seus efeitos além do paladar. No entanto, sua presença nas refeições aumenta a absorção de nutrientes pelo organismo.

Os grãos de pimenta contêm substâncias que favorecem a passagem de vitaminas e outros compostos para a corrente sanguínea. De modo semelhante, as pequenas gotículas de gordura presentes em alimentos como leite e azeite de oliva ampliam a disponibilidade dos nutrientes. Por isso, mesmo alimentos ricos em vitaminas nem sempre são plenamente aproveitados quando consumidos sem gordura.

O milho doce ilustra esse problema: apesar de nutritivo, sua película externa é difícil de digerir, sobretudo quando não é bem mastigado, o que impede a liberação dos nutrientes. A digestão eficiente depende da quebra da matriz alimentar formada por proteínas, carboidratos e gorduras. Depois de liberadas, as vitaminas precisam dissolver-se no líquido gastrointestinal e alcançar o intestino delgado para serem absorvidas.

As vitaminas lipossolúveis não se dissolvem em água e dependem da presença de gordura na refeição. Quando isso ocorre, formam-se estruturas microscópicas que encapsulam essas vitaminas e facilitam seu transporte e absorção. Sem esse suporte, parte significativa é eliminada pelo organismo.

Em algumas condições de saúde, a absorção pode ser ainda mais comprometida, o que leva ao uso de suplementos. Mesmo assim, esses suplementos nem sempre são absorvidos com eficiência. Por isso, pesquisas buscam estratégias que imitam os mecanismos naturais do corpo, mostrando que pequenas quantidades de gordura aumentam significativamente a biodisponibilidade de nutrientes presentes em frutas e verduras.

Nesse contexto, a pimenta-do-reino exerce papel adicional ao impedir que parte dos nutrientes absorvidos seja devolvida ao trato digestivo, permitindo maior aproveitamento. Curiosamente, esse princípio já era aplicado em preparações tradicionais que combinam especiarias, gordura e compostos vegetais.

Por fim, embora vegetais possam conter substâncias que dificultam a absorção de certos minerais, uma dieta variada compensa esses efeitos. A escolha do óleo ou do molho também é decisiva: o azeite de oliva, por formar estruturas adequadas ao transporte de nutrientes, favorece a absorção de compostos benéficos, o que ajuda a explicar os efeitos positivos de dietas ricas em azeite, frutas e verduras.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/c78vy197dnwo.adaptado.
Sem esse suporte, parte significativa é eliminada pelo organismo.
Assinale a alternativa CORRETA quanto à nova pontuação, sem alteração do sentido original da frase:
Alternativas
Q3909356 Português
Colorindo Sentimentos

− Mamãe, qual cor você acha que tem o amor?

− Acho que vermelho, porque o coração e tudo ligado ao amor é vermelho.

− Durante a pandemia, eu escutava muito um álbum do Emicida. As músicas falavam sobre união, força e relações afetivas. Na música principal, ele diz que o amor é amarelo.

− Amarelo? Como assim?

− Ele fala de um amor mais amplo, ligado à empatia, às pessoas e à união. Um trecho famoso diz: "Tudo que nóis tem é nóis".

− E você, que cor acha que o amor tem?

− Antes eu achava que era só vermelho, como o amor romântico. Mas hoje vejo que também pode ser amarelo.

Quando penso nas pessoas importantes da minha vida, percebo que o amor não é uma única cor. O vermelho representa o amor entre um casal, mas o amarelo representa o carinho, a amizade e os laços que nos unem.

− Qual o nome da música?

− Principia. − E o álbum?

− Amarelo.

Texto Adaptado

LOPES, Damaris Caroline. Colorindo sentimentos. In: UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO. Portal de Livros Abertos da USP. São Paulo: USP, [s.d.]. Disponível em: https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/view/1 199/1094/4129 . Acesso em: 22 fev. 2026.
No período "Quando penso nas pessoas importantes da minha vida, percebo que o amor não é uma única cor", a vírgula exerce função sintática determinada pela organização do período composto. Considerando a norma culta e a estrutura das orações, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q3909153 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.



Auxiliar do pequeno arroz


Amo faxinar. Amo varrer. Amo passar aspirador de pó, carregando nos braços as curvas dos canos como uma jiboia de estimação.


Quando Beatriz decidiu comprar um robozinho aspirador, eu me considerei extinto, superado, posto de lado. Minha primeira reação resumiu-se a um dolorido sentimento de rejeição. Não poderia mais me vangloriar da limpeza, do piso lustrado, dos cantos asseados.


Era como o adeus a um reconhecimento familiar. A despedida de uma função na minha vida. De uma utilidade. De um significado doméstico. Das recompensas.


Atingiu em cheio a minha vaidade. Tentei dissuadir minha esposa, mas ela cedeu aos encantos da tecnologia. Disse que o aparelho iria facilitar nossa rotina. Seu discurso centrava-se no atenuante de que completaria meu trabalho, mantendo meu valor.


Recebemos um disco voador do chão, que jamais decolava, que falava inglês e ruminava a sujeira. O produto vinha da China. Seu nome — Xiaomi — corresponde a "pequeno arroz" (Xiao = pequeno, Mi = arroz).


Chegava para mexer com o feijão e o arroz dos meus préstimos.


 A princípio, prometia uma varredura sem igual. Prospectou o espaço do lar, incorporou a planta dos aposentos, esnobou vantagens em termos de profissionalismo e método. Ele me humilhou no brainstorm, no business plan, no dark horse, no deadline, no follow-up, no know-how, no target, no mindset — e pensar que eu me achava super organizado arredando os móveis. Era possível programá-lo remotamente via celular. Mandaria mensagens ao concluir o serviço. 


A teoria, entretanto, não acompanhou a prática.


Ele desapareceu no meio de suas operações. Ou enforcado nos fios da televisão, ou atolado no box do banheiro, ou prensado debaixo da cama, ou paralisado por algum chinelo, ou engasgado com um capacho.


Brincava perigosamente de esconde-esconde conosco. Empreendíamos diariamente uma expedição para localizar seu misterioso paradeiro. Adquirido para diminuir o estresse, só causava preocupação. Parecia um bebê engatinhando e botando na boca tudo o que encontrasse pelo caminho. Já temíamos por sua fragilidade.


Provocou um rebuliço na nossa logística. Porque, antes de colocá-lo em movimento, acabávamos obrigados a tirar qualquer obstáculo para sua passagem. Fazíamos uma vistoria do que ele seria capaz de engolir. Deu saudade da época muito mais simples em que levantávamos os pés para alguém limpar.


Foi assim que eu me tornei auxiliar do Xiaomi. Ele depende de mim para não morrer. Guardo a impressão de que perco mais tempo preparando o terreno para ele do que eu gastaria realmente arrumando a casa.


Mas ainda permaneço, de um jeito ou de outro, aos trancos e barrancos, insubstituível.



Fabrício Carpinejar


CARPINEJAR, Fabrício. Auxiliar do pequeno arroz. O Tempo, Belo Horizonte, 26 dez. 2025. Disponível em: https://www.otempo.com.br/opiniao/fabricio-carpinejar/2025/12/26/auxili ar-do-pequeno-arroz . Acesso em: 22 fev. 2026.

No período "Quando Beatriz decidiu comprar um robozinho aspirador, eu me considerei extinto, superado, posto de lado", o emprego das vírgulas cumpre funções sintáticas distintas. Considerando a organização do período composto e a estrutura do predicado, assinale a alternativa que descreve corretamente o uso da pontuação no trecho.
Alternativas
Q3907756 Português
Assinale a alternativa cujo enunciado se apresenta totalmente correto em relação à pontuação.
Alternativas
Q3907556 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Por uma comunicação mais acessível


A acessibilidade das pessoas com deficiência não se limita à adaptação de espaços físicos, sendo essencial garantir também uma comunicação acessível. A falta de informações adequadas coloca pessoas com deficiência, especialmente visual e auditiva, em situação de desvantagem social, afetando sua autonomia e participação plena na sociedade.

Tecnologias como audiodescrição, legendas e intérprete de Libras são fundamentais em meios de comunicação, serviços públicos, hospitais e instituições privadas. A Lei Brasileira de Inclusão assegura o direito à informação acessível na saúde, na mídia e nos ambientes digitais, embora essas garantias legais ainda sejam pouco cumpridas na prática.

A ausência de acessibilidade comunicacional também se estende às universidades, que raramente oferecem materiais em formatos alternativos ao impresso. Diante de um país com milhões de pessoas com deficiência, assegurar comunicação acessível não é concessão, mas condição para a igualdade, o respeito aos direitos humanos e a inclusão efetiva de toda a população.



Texto Adaptado MOURA, Adailton. Por uma comunicação mais acessível. Observatório da Imprensa, [s.l.], [s.d.]. Disponível em:

https://www.observatoriodaimprensa.com.br/interesse-publico/por-umacomunicacao-mais-acessivel/ . Acesso em: 18 jan. 2026.
No trecho "A ausência de acessibilidade comunicacional também se estende às universidades, que raramente oferecem materiais em formatos alternativos ao impresso", a vírgula após "universidades" é usada para:
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Q3907438 Português
Assinale a alternativa em que a frase se encontra escrita totalmente correta, inclusive com a pontuação adequada.
Alternativas
Q3907130 Português

“Nas últimas décadas, ampliou-se o acesso à educação escolar no país, ofertou-se o ensino institucionalizado às diferentes camadas sociais, conquistou-se um espaço para o desenvolvimento do cidadão e a construção da cidadania. Busca-se agora, para garantir o direito à educação, a implementação de políticas públicas eficientes de atendimento à criança e ao adolescente...”.


Eliana Maria França Carneiro



Sobre o texto acima, é CORRETO afirmar que:

Alternativas
Q3906456 Português
        Suposta esta primeira verdade, certa e infalível; a segunda cousa que suponho com a mesma certeza é que a restituição do alheio sob pena da salvação não só obriga aos súditos e particulares, senão também aos cetros e às coroas. Cuidam, ou devem cuidar alguns príncipes que, assim como são superiores a todos, assim são senhores de tudo, e é engano. A lei da restituição é lei natural e lei divina. Enquanto lei natural, obriga aos reis, porque a natureza fez iguais a todos; e enquanto lei divina, também os obriga, porque Deus, que os fez maiores que os outros, é maior que eles. Esta verdade só tem contra si a prática e o uso. Mas por parte deste mesmo uso argumenta assim São Tomás, o qual é hoje o meu doutor, e nestas matérias o de maior autoridade: a rapina, ou roubo, é tomar o alheio violentamente contra vontade de seu dono: “os príncipes tomam muitas cousas a seus vassalos violentamente, e contra sua vontade; logo, parece que o roubo é lícito em alguns casos, porque se dissermos que os príncipes pecam nisto, todos eles, ou quase todos se condenariam”. Oh que terrível e temerosa consequência e quão digna de que a considerem profundamente os príncipes, e os que têm parte em suas resoluções e conselhos! Responde ao seu argumento o mesmo Doutor angélico (...). Respondo (diz S. Tomás) que, se os príncipes tiram dos súbditos o que segundo justiça lhes é devido para conservação do bem comum, ainda que o executem com violência, não é rapina ou roubo. Porém, se os príncipes tomarem por violência o que se lhes não deve, é rapina e latrocínio. Donde se segue que estão obrigados à restituição como os ladrões, e que pecam tanto mais gravemente que os mesmos ladrões, quanto mais perigoso e mais comum o dano com que ofendem a justiça pública, de que eles estão postos por defensores.

Padre António Vieira. Sermão do bom ladrão. Pregado na Igreja da Misericórdia de
Lisboa, no ano de 1655. Internet: <dominiopublico.com.br>  (com adaptações). 

Julgue o item a seguir, referente a ideias e aspectos gramaticais do texto precedente.


No sexto período do texto, o trecho introduzido pelo sinal de dois-pontos empregado após o vocábulo “autoridade” consiste na explicitação do termo que está elíptico em “o de maior autoridade”.

Alternativas
Q3906450 Português
        Suposta esta primeira verdade, certa e infalível; a segunda cousa que suponho com a mesma certeza é que a restituição do alheio sob pena da salvação não só obriga aos súditos e particulares, senão também aos cetros e às coroas. Cuidam, ou devem cuidar alguns príncipes que, assim como são superiores a todos, assim são senhores de tudo, e é engano. A lei da restituição é lei natural e lei divina. Enquanto lei natural, obriga aos reis, porque a natureza fez iguais a todos; e enquanto lei divina, também os obriga, porque Deus, que os fez maiores que os outros, é maior que eles. Esta verdade só tem contra si a prática e o uso. Mas por parte deste mesmo uso argumenta assim São Tomás, o qual é hoje o meu doutor, e nestas matérias o de maior autoridade: a rapina, ou roubo, é tomar o alheio violentamente contra vontade de seu dono: “os príncipes tomam muitas cousas a seus vassalos violentamente, e contra sua vontade; logo, parece que o roubo é lícito em alguns casos, porque se dissermos que os príncipes pecam nisto, todos eles, ou quase todos se condenariam”. Oh que terrível e temerosa consequência e quão digna de que a considerem profundamente os príncipes, e os que têm parte em suas resoluções e conselhos! Responde ao seu argumento o mesmo Doutor angélico (...). Respondo (diz S. Tomás) que, se os príncipes tiram dos súbditos o que segundo justiça lhes é devido para conservação do bem comum, ainda que o executem com violência, não é rapina ou roubo. Porém, se os príncipes tomarem por violência o que se lhes não deve, é rapina e latrocínio. Donde se segue que estão obrigados à restituição como os ladrões, e que pecam tanto mais gravemente que os mesmos ladrões, quanto mais perigoso e mais comum o dano com que ofendem a justiça pública, de que eles estão postos por defensores.

Padre António Vieira. Sermão do bom ladrão. Pregado na Igreja da Misericórdia de
Lisboa, no ano de 1655. Internet: <dominiopublico.com.br>  (com adaptações). 

Julgue o item a seguir, referente a ideias e aspectos gramaticais do texto precedente.


No quarto período, a supressão das vírgulas que isolam a oração “que os fez maiores que os outros” prejudicaria a coerência das ideias que sustentam o texto, baseadas na fé católica. 

Alternativas
Q3905708 Português
     Algumas pessoas são naturalmente ruins em matemática?


       Um fazendeiro tem três tipos de animais em sua fazenda. Seus animais são todos ovelhas, exceto três. Todos cabras, exceto quatro. E todos cavalos, exceto cinco. Quantos animais de cada tipo o fazendeiro tem? Se esse enigma te deixou confuso, você não está sozinho. A resposta é um cavalo, duas cabras e três ovelhas. Mas por que a matemática parece vir com tanta facilidade para algumas pessoas, enquanto outras parecem ter dificuldade?

       Embora a genética possa desempenhar um papel, ela é apenas uma peça de um quebra-cabeça muito maior, que envolve uma combinação complexa de biologia, psicologia e ambiente.

        Estudos com irmãos gêmeos

      A professora Yulia Kovas, do Goldsmiths, uma Universidade de Londres, no Reino Unido, é geneticista e psicóloga e estuda porque as pessoas têm diferentes habilidades matemáticas. Ela trabalhou em um estudo de grande escala com gêmeos, acompanhando cerca de 10 mil pares de gêmeos idênticos e não idênticos desde o nascimento, para investigar como fatores genéticos e ambientais moldam as capacidades de aprendizagem. “Gêmeos idênticos são mais semelhantes do que gêmeos não idênticos em todas as características psicológicas que estudamos. Portanto, eles são mais parecidos em habilidade matemática, e isso sugere que os ambientes domésticos não explicam toda a variabilidade. Parece que os genes, sim, contribuem”, explica.

        Segundo a professora Kovas, no Ensino Médio e na vida adulta, o componente genético da aprendizagem e da habilidade matemática parece ficar em torno de 50% a 60%. “Isso reforça a ideia de que genes e ambientes são ambos importantes”, afirma. O ambiente a que somos expostos também é um fator importante a ser considerado. E isso não se limita apenas à qualidade da escola ou à quantidade de ajuda que recebemos com a lição de casa. Pode ser algo “aleatório”, como algo ouvido no rádio que mudou o rumo dos nossos interesses, sugere a professora Kovas. Mas ela observa que predisposições genéticas podem levar uma pessoa a se expor mais a determinados estímulos.

       Embora nem todos se tornem matemáticos especialistas, a boa notícia é que todos podem melhorar sua capacidade, segundo a doutora Iro Xenidou-Dervou, que pesquisa cognição matemática na Universidade de Loughborough, no Reino Unido. Há evidências de que, para desenvolver nossa numeracia e nossas habilidades matemáticas, nossos pensamentos, crenças, atitudes e emoções desempenham um papel importante, explica ela. A doutora Xenidou-Dervou afirma que a “ansiedade em relação à matemática” pode influenciar o desempenho, e que é importante que as pessoas que querem melhorar acreditem que são capazes.

          'Ansiedade matemática'

        Experiências negativas, como ouvir que você é ruim em matemática ou tirar uma nota mais baixa em uma prova em comparação com os colegas, podem levar a um “ciclo vicioso” de pensamentos ansiosos, afirma ela. “A ansiedade em relação à matemática leva à evitação da matemática, o que por sua vez leva a um desempenho ruim, o que então aumenta ainda mais a ansiedade matemática.” E isso sobrecarrega a nossa memória de trabalho, onde o pensamento acontece. “O que ocorre com a ansiedade é que esses pensamentos negativos e ansiosos ocupam muito desse espaço precioso na nossa memória de trabalho, e sobra muito pouco para que você realmente use para resolver o problema em questão”, explica Xenidou-Dervou.

       Ela cita um estudo da Universidade de Loughborough com crianças de nove e dez anos que investigou a relação entre memória de trabalho e ansiedade em matemática. As crianças receberam uma tarefa de cálculo mental com números de dois dígitos, mas também passaram por uma condição em que ouviam palavras antes da tarefa, que precisavam reter e depois recordar verbalmente. O desempenho das crianças que apresentavam “alta ansiedade em matemática” foi particularmente afetado, observa ela.

[...]


Disponível em https://www.bbc.com/portuguese/articles/cly0p23d3yvo

No trecho “A professora Yulia Kovas, do Goldsmiths, uma Universidade de Londres, no Reino Unido, é geneticista...”, as vírgulas que isolam o trecho em destaque servem para
Alternativas
Q3905016 Português
Como nosso corpo sofre (e se adapta) em uma onda de calor
Giulia Granchi
Da BBC News Brasil em Londres


    O Brasil enfrenta uma nova onda de calor, com temperaturas cerca de 5ºC acima da média. O cenário fez com que o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitisse um alerta vermelho.

    O alerta vermelho, que é válido até a próxima segundafeira (29/12), é o maior grau entre os três avisos emitidos pelo instituto: amarelo, para perigo potencial; laranja, para perigo; e vermelho, para grande perigo. Os Estados do Rio de Janeiro e São Paulo estão totalmente incluídos no alerta vermelho, além da região norte do Paraná, compreendendo as áreas de Londrina e Curitiba; o sul de Minas Gerais, englobando Uberaba, Varginha e Juiz de Fora; o leste do Mato Grosso do Sul, incluindo Três Lagoas; e o sul do Espírito Santo, na área de Cachoeiro de Itapemirim.

    Pelo segundo dia seguido na sexta-feira (26/12), a cidade São Paulo registrou recorde de calor para o mês de dezembro ao atingir 36,2ºC. O Estado do Rio de Janeiro registrou, nos últimos dias, mais de 2 mil atendimentos de pessoas passando mal por conta do calor em postos de saúde. Somente na capital fluminense, foram mais de 1 mil atendimentos entre os dias 23, 24 e 25 de dezembro, segundo a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro.

    Embora algumas regiões do Brasil frequentemente experimentem altas temperaturas e os brasileiros estejam geralmente mais adaptados ao calor em comparação com populações de países europeus, a situação é particularmente perigosa devido à sua extrema intensidade. Estar exposto — especialmente nos horários de pico do calor, entre 12h e 16h — pode causar alterações no organismo que oferecem risco à saúde, principalmente para grupos com saúde mais frágil, incluindo idosos, pessoas com comorbidades, e crianças pequenas.

    O que acontece quando o corpo é exposto a temperaturas extremas

    Quando o corpo está em estresse térmico, ou seja, é exposto a temperaturas extremas, ele passa por uma série de adaptações fisiológicas para regular a temperatura interna. No caso da exposição ao calor, primeira reação do organismo é dissipar calor através do suor e da dilatação dos vasos sanguíneos periféricos para liberar calor para o ambiente. No entanto, em temperaturas muito altas, especialmente quando também está úmido, o mecanismo de resfriamento do suor pode se tornar ineficaz, levando ao superaquecimento corporal, insolação e possíveis danos aos órgãos.

    “Quando estamos expostos a temperaturas mais elevadas, ocorrem adaptações no nosso corpo. A frequência cardíaca aumenta como um mecanismo compensatório, assim como a pressão arterial”, explica Lucas Albanaz, clínico geral, coordenador da clínica médica do Hospital Santa Lúcia, de Brasília, e mestre em ciências médicas. Outro risco, alerta o médico, é a desidratação devido ao aumento da sudorese.

    A depender da temperatura, complementa o médico Alexander Daudt, os sinais vão de câimbra (por falta de eletrólitos, eliminados no suor), a sede intensa e fadiga. “Outros sintomas mais graves, como tontura, náuseas ou vômitos também podem aparecer. Se a pessoa não conseguir aliviar esse calor, o quadro pode evoluir para choque térmico, com confusão mental, convulsões, e seguindo para a falência de múltiplos órgãos e óbito”, explica ele, que é coordenador do Núcleo de Medicina de Estilo de Vida do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre.

    De acordo com um relatório publicado na revista científica The Lancet, nos últimos 20 anos o aumento da mortalidade relacionado com o calor excessivo em pessoas com mais de 65 anos aumentou em 53,7%. Apenas na Europa, em 2022, ocorreram 61.672 mortes atribuíveis ao calor entre 30 de maio e 4 de setembro de 2022, segundo uma análise recente publicada na Nature Medicine.

    Os riscos são maiores para pessoas com comorbidades, pessoas idosas, especialmente aquelas com saúde fragilizada, crianças (por ainda estarem com o organismo em formação), trabalhadores que precisam se expor ao sol (como vendedores ambulantes), e aqueles que fazem uso de medicações que por algum motivo os tornem mais vulneráveis ao calor. “É o caso de pacientes que tomam remédios diuréticos, por exemplo. Eles naturalmente já perdem mais água, e precisam de cuidado extra com hidratação”, aponta Daudt.

    [...]

Disponível em https://www.bbc.com/portuguese/articles/cwyvrmn343mo
Considere o seguinte trecho: “Os riscos são maiores para pessoas com comorbidades, pessoas idosas, especialmente aquelas com saúde fragilizada, crianças...”. As vírgulas que isolam a expressão “especialmente aquelas com saúde fragilizada” foram empregadas para  
Alternativas
Q3904328 Português
Leia o período:
"Quando se reduz a complexidade dos problemas educacionais a meros números, corre-se o risco de tomar decisões apressadas, e essas decisões, se não forem revisadas, podem agravar justamente os problemas que se pretendia combater."
Assinale a alternativa correta:
Alternativas
Q3903823 Português

No trecho:

“Como fazer feliz meu filho? Não há receitas para tal.”


A pontuação utilizada pelo autor tem a função de:

Alternativas
Respostas
961: D
962: C
963: D
964: B
965: B
966: C
967: E
968: B
969: A
970: B
971: B
972: C
973: D
974: B
975: E
976: C
977: B
978: D
979: B
980: A