“Não tem como dizer que não fica mais bonito. Fica. Fica e ...

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Q3911633 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.

Óculos escuros

    O azul é mais profundo, o verde é mais denso, o asfalto é mais escuro. Todas as cores se fortalecem, ganham relevo, se acentuam diante dos olhos, como se a vida fosse mais colorida e olhar em volta fosse uma brincadeira muito interessante, como quando a gente é criança e descobre todas as possibilidades de um carrinho.

    Não tem como dizer que não fica mais bonito. Fica. Fica e faz bem para a visão. O sol não bate tão forte, a luminosidade não dói, nem faz a gente quase fechar os olhos. Não, olhamos em volta como se fosse normal ser assim, como se os óculos escuros fossem algo naturalmente ligado à nossa cabeça, e não um artefato preso atrás das orelhas.


    Não faço a menor ideia de quem foi o inventor dos óculos escuros, mas foi um gênio. E ele não precisa ficar triste, se eu não sei o nome dele, também não sei o nome do inventor da roda ou de quem domesticou o fogo.

     Nem por isso a roda e o fogo não foram fundamentais para o progresso da humanidade. Sem eles onde será que estaríamos? E sem a lança, o arco e a flecha? Também não sei quem foram os inventores desses instrumentos essenciais para o ser humano se tornar o dono das savanas.

     Como dizia Raul Seixas, “quem não tem colírio usa óculos escuros”. É só mais uma utilidade para um instrumento de mil e uma utilidades. Serve para esconder olho roxo, para amenizar ressaca, para não deixar ver para quem estamos olhando, para ocultar a lágrima de um velório.

    Nos dias de sol, os óculos escuros ganham mais relevância. São bonitos, facilitam enfrentar a luminosidade, nos deixam mais simpáticos, mais inclusivos, mais na moda. É como se a vida girasse entre festa e poesia, e num mundo mais colorido, a luz tivesse um papel milagroso com que fizesse a paz algo possível no mundo real.

     Além disso, os óculos escuros protegem os olhos.

MENDONÇA, Antonio Penteado. Óculos escuros.
Crônicas da cidade. Disponível em
<https://cronicasdacidade.com.br/cronicas/2025/09/12/oc
ulos-escuros/>. 
“Não tem como dizer que não fica mais bonito. Fica. Fica e faz bem para a visão.”

Assinale a alternativa que apresenta uma forma reescrita do trecho acima com a pontuação totalmente correta, mantendo o seu mesmo sentido básico.
Alternativas

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: O trecho decisivo é "Não tem como dizer que não fica mais bonito. Fica. Fica e faz bem para a visão.". Nele, a oração "que não fica mais bonito" integra o verbo "dizer" sem vírgula interna, porque funciona como objeto direto. A alternativa D é a única que respeita essa estrutura e ainda resegmenta os enunciados enfáticos seguintes de modo compatível com a pontuação.

Tema central: Pontuação em reescrita
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque elimina a separação necessária entre os enunciados enfáticos e cria a sequência "fica fica" sem pontuação que delimite a repetição. A vírgula após "bonito" não resolve a fusão indevida entre as afirmações.
B
Errada
Está errada pelas vírgulas indevidas em "Não tem, como dizer" e "faz bem, para a visão", que separam elementos com ligação sintática direta. Mesmo mantendo pontos em outros trechos, a frase já se invalida por esses erros internos.
C
Errada
Está errada porque a vírgula em "que, não fica mais bonito" quebra indevidamente a estrutura da oração subordinada objetiva direta. O problema central está na separação incorreta após "que", não no uso do travessão ou do ponto e vírgula.
D
Certa
A alternativa D preserva a estrutura sintática de "dizer que não fica mais bonito", sem inserir vírgula indevida antes ou depois de "que". Também recompõe a segmentação enfática de "Fica. Fica e faz bem para a visão" por meio de travessão e ponto e vírgula, mantendo o sentido básico do trecho: afirmação categórica seguida do acréscimo de que isso faz bem para a visão.
E
Errada
Está errada porque a vírgula em "Não, tem como dizer" separa indevidamente o advérbio de negação do restante da oração, comprometendo a estrutura verbal e a pontuação normativa logo no início do período.
Pegadinha da questão
A banca explora duas confusões reais: aceitar vírgula apenas por pausa de leitura, especialmente junto de "que", e rejeitar uma resegmentação expressiva correta só porque ela não copia exatamente os pontos do original.
Dica para questões semelhantes
  • Verifique primeiro se houve vírgula separando verbo e oração introduzida por "que"; isso costuma eliminar alternativas rapidamente.
  • Em reescrita, não exija reprodução literal da pontuação original: o critério é manter a estrutura sintática e o sentido básico.
  • Quando houver repetição enfática de palavras ou orações curtas, confirme se a pontuação realmente delimita os blocos de sentido.
  • Não aceite vírgula apenas porque há pausa na leitura; a base decisiva é a ligação sintática entre os termos.

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