Questões de Concurso Sobre pontuação em português

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Q3735936 Português
Naquele dia


    Naquele dia, a árvore dos Cubas brotou uma graciosa flor. Nasci; recebeu-me nos braços a Pascoela, insigne parteira minhota, que se gabava de ter aberto a porta do mundo a uma geração inteira de fidalgos. Não é impossível que meu pai lhe ouvisse tal declaração; creio, todavia, que o sentimento paterno é o que o induziu a gratificá-la com duas meias dobras. Lavado e enfaixado, fui desde logo o herói da nossa casa. Cada qual prognosticava a meu respeito o que mais lhe quadrava ao sabor. Meu tio João, o antigo oficial de infantaria, achava-me um certo olhar de Bonaparte, coisa que meu pai não pôde ouvir sem náuseas; meu tio Ildefonso, então simples padre, fareja-me cônego.

    – Cônego é o que ele há de ser, e não digo mais por não parecer orgulho; mas não me admiraria nada se Deus o destinasse a um bispado... É verdade, um bispado; não é coisa impossível. Que diz você, mano Bento?

    Meu pai respondia a todos que eu seria o que Deus quisesse; e alçava-me ao ar, como se intentasse mostrar-me à cidade e ao mundo; perguntava a todos se eu me parecia com ele, se era inteligente, bonito...

    Digo essas coisas por alto, segundo as ouvi narrar anos depois; ignoro a mor parte dos pormenores daquele famoso dia. Sei que a vizinhança veio ou mandou cumprimentar o recém-nascido, e que durante as primeiras semanas muitas foram as visitas em nossa casa. Não houve cadeirinha que não trabalhasse; aventou-se muita casaca e muito calção. Se não conto os mimos, os beijos, as admirações, as bênçãos, é porque, se os contasse, não acabaria mais o capítulo, e é preciso acabá-lo.

    Item, não posso dizer nada do meu batizado, porque nada me referiram a tal respeito, a não ser que foi uma das mais galhardas festas do ano seguinte, 1806; batizei-me na igreja de São Domingos, uma terça-feira de março, dia claro, luminoso e puro, sendo padrinhos o Coronel Rodrigues de Matos e sua senhora. Um e outro descendiam de velhas famílias do norte e honravam deveras o sangue que lhes corria nas veias, outrora derramado na guerra contra Holanda. Cuido que os nomes de ambos foram das primeiras coisas que aprendi; e certamente os dizia com muita graça, ou revelava algum talento precoce, porque não havia pessoa estranha diante de quem me não obrigassem a recitá-los.

    – Nhonhô, diga a estes senhores como é que se chama seu padrinho.

    – Meu padrinho? É o Excelentíssimo Senhor Coronel Paulo Vaz Lobo César de Andrade e Sousa Rodrigues de Matos; minha madrinha é a Excelentíssima Senhora Dona Maria Luísa de Macedo Resende e Sousa Rodrigues de Matos.

    – É muito esperto o seu menino, exclamavam os ouvintes.

    – Muito esperto, concordava meu pai; e os olhos babavam-se-lhe de orgulho, e ele espalmava a mão sobre a minha cabeça, fitava-me longo tempo, namorado, cheio de si.

    Item, comecei a andar, não sei bem quando, mas antes do tempo. Talvez por apressar a natureza, obrigavam-me cedo a agarrar às cadeiras, pegavam-me da fralda, davam-me carrinhos de pau.

    – Só, só, nhonhô, só, só, dizia-me a mucama. E eu, atraído pelo chocalho de lata, que minha mãe agitava diante de mim, lá ia para a frente, cai aqui, cai acolá; e andava, provavelmente mal, mas andava, e fiquei andando.


(MACHADO DE ASSIS, Joaquim Maria. Memórias Póstumas de Brás Cubas. 22. ed. São Paulo, Ática, 1997. p. 31-2.)
No fragmento “– Nhonhô, diga a estes senhores como é que se chama seu padrinho.” (6º§), a vírgula tem como propósito:
Alternativas
Q3699819 Português
Assinale a alternativa que apresenta corretamente a pontuação cuja definição é: "sinal de pontuação utilizado para indicar que uma ação ainda não acabou".
Alternativas
Q3696635 Português
Em relação ao uso da vírgula, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q3667259 Português
Educação antirracista: novos olhares à luz da Lei 10.639/2003

Para que a educação antirracista seja bem-sucedida, é preciso um diálogo intertemporal, envolvendo tanto as gerações mais antigas quanto as mais jovens. Isso também inclui discutir o papel do Estado como produtor de leis que organizam o mundo social

Geronilson da Silva Santos | Advogado, professor universitário, doutorando em direitos humanos e cidadania na Universidade de Brasília (UnB) | 19/10/2024

        A implementação de uma educação antirracista é uma questão fundamental, e a Lei 10.639/2003 é um marco importante nesse processo. A legislação alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) e tem como objetivo resgatar a contribuição do povo negro nas áreas sociais, econômicas e políticas relacionadas à história do Brasil. Ela estabelece que temas como a luta negra no Brasil, a história da África e dos africanos, a cultura negra brasileira e o papel da população negra na formação da sociedade nacional devem ser abordados obrigatoriamente em sala de aula. No entanto, esse não é um rol taxativo. Deve ser visto como uma base para explorar outras possibilidades, como a história da ciência a partir dos negros, a pedagogia negra e os ensinamentos do saber ANSESTRAL/ANCESTRAL.

        Esses conteúdos precisam ser integrados em todo o currículo escolar, especialmente nas áreas de educação artística, literatura e história brasileira. A LDB orienta para um ensino que considera o pluralismo de ideias e respeita a liberdade. Entretanto, recentemente, temos testemunhado ataques a obras literárias, como “O avesso da pele”, do escritor brasileiro Jeferson Tenório, ________ tentativas de censura têm raízes no racismo estrutural. Se não houver um processo crítico em resposta ao avanço de ideologias preconceituosas, aspectos da cultura podem ser restringidos dentro das escolas, tornando o ambiente educacional cada vez menos inclusivo.

        Além disso, a educação não deve ser meramente um preparatório para exames vestibulares, deve proporcionar uma base para novos escritores, cientistas e pensadores. A educação formal não deve ser homogênea e generalizante. Ela deve reconhecer e abordar as diferenças culturais e a diversidade de experiências dos alunos, especialmente daqueles que enfrentam obstáculos sociais e culturais — em sua grande maioria, negros e pobres. O modelo educacional deve promover o desenvolvimento do aluno não como um recurso para a economia capitalista, mas como ser humano integral de múltiplas necessidades e SINGULARIDADES/CINGULARIDADES.

        Para implementar uma educação antirracista eficaz, é preciso reconhecer a diversidade cultural e as necessidades sociais como parte do processo de ensino-aprendizagem. Isso requer diálogo constante com a sociedade, com educadores e com a comunidade escolar. Também é necessário fortalecer a liberdade de cátedra e oferecer uma formação adequada para os professores, com a criação de centros de desenvolvimento pedagógico para o ensino básico e superior. O recente debate no Conselho Nacional de Educação (CNE) sobre a limitação de até 50% do tempo a distância para cursos de formação de professores é um exemplo de como a qualidade do ensino e o acesso à educação superior devem ser equilibrados.

        Outro aspecto essencial é promover o desenvolvimento da autonomia do estudante para compreender o mundo de maneira mais adequada, formando alunos conscientes do papel social e das realidades desafiadoras da nossa sociedade. A abordagem educacional deve ser mais transdisciplinar e promover uma função crítica, como [nos] lembra Bell Hooks, que vê o ensino como uma fusão entre espiritualidade, corpo e mente.

ara que a educação antirracista seja BEMSUCEDIDA/BENSUCEDIDA, é preciso um diálogo intertemporal, envolvendo tanto as gerações mais antigas quanto as mais jovens. Isso também inclui discutir o papel do Estado como produtor de leis que organizam o mundo social. O direito afrodiaspórico deve ser apresentado como uma possibilidade de regulação que restabelece a relação entre necessidades sociais e a dinâmica do Estado. Por fim, a estrutura curricular deve ser orientada por valores que [se] opõem à cultura da competição e do litígio, típicos das sociedades capitalistas.

        É crucial lembrar que a responsabilidade por uma educação antirracista não recai apenas sobre os ombros dos professores, mas é um compromisso de toda a sociedade. O panorama desafiador da evasão escolar, do crescimento da violência nas escolas e da falta de interesse de alunos pobres pelo ensino universitário de qualidade só pode ser abordado por meio de um esforço coletivo que TRANSCEDA/TRANSCENDA as salas de aula. O ensino, para ser eficaz e transformador, deve ir além dos muros e "grades" da escola e envolver todos os setores da sociedade entre saberes que propiciem o desenvolvimento ético.

SANTOS, Geronilson da Silva. Educação antirracista: novos olhares à luz da Lei 10.639/2003. Correio Braziliense, 19 de outubro de 2024. Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao/2024/10/6968104-educacaoantirracista-novos-olhares-a-luz-da-lei-10-639-2003.html. Acesso em: 19 out. 2024. Adaptado.
Qual das alternativas a seguir apresenta a justificativa CORRETA para o uso da vírgula na frase introdutória do primeiro parágrafo do texto?
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Q3667099 Português
Sem professores não há desenvolvimento

É essencial que os docentes sejam merecedores de iniciativas de Estado que tornem a docência uma carreira atraente. Sem professores, o país entra em rota de involução
Correio Braziliense | 15/10/2024

A boa educação IMPUSSIONA o desenvolvimento econômico e social de um país se contar com profissionais competentes, reconhecidos e respeitados por todas as classes sociais e econômicas de uma sociedade. Cada categoria profissional tem uma participação na construção e no crescimento de uma nação. Os professores, em todos os níveis, são os responsáveis pelo repasse de informações e ensinamentos para o surgimento desses profissionais, lembrando que os atuais docentes passaram pelas mãos dos que os antecederam, propiciando-lhes meios de serem educadores e mestres sobre os mais diversos campos do saber e da ciência.

Hoje, 15 de outubro, é dia de parabenizar os 2,31 milhões de professores existentes no país. Boa parcela da categoria, porém, não vê muita razão para CEREBRAÇÕES. Há anos, os docentes pedem condições mais adequadas de trabalho, escolas com padrão de qualidade, com acesso aos avanços tecnológicos, salas confortáveis para os discentes. Reclamam também da própria falta de valorização da categoria pelos detentores de poderes.

Os professores são [indispensáveis], mas não bem remunerados, seja nas grandes cidades, seja nos municípios mais empobrecidos do país. Os pisos salariais justificam a evasão de docentes. Estão bem abaixo dos detentores dos poderes, que têm autonomia para fixar os próprios rendimentos, sem muita preocupação com o Orçamento da União ou com as políticas públicas indispensáveis ao bem-estar da sociedade.

As disparidades salariais bem explicam o esgotamento da esperança dos profissionais de ensino. Na última década encerrada em 2023, o número de professores concursados despencou na maioria das redes públicas de educação. Passou de 505 mil em 2013 — o correspondente a 68,4% do total de docentes nas redes estaduais — para 321 mil no ano passado (46,5%), segundo levantamento do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Boa parte das vagas deixadas pelos concursados foi preenchida por professores temporários, sem os mesmos direitos e benefícios dos efetivos. O que seria uma EXCEÇÃO tornou-se um padrão.

O Plano Nacional de Educação (PNE) estabeleceu metas para VALORIZAR os professores em todas as etapas do ensino, prevendo que 90% dos professores de escolas públicas sejam efetivos — uma orientação que deveria ser cumprida até 2017. Como boa proposta, não foi cumprida. Se, por um lado, os contratados temporários são alternativas para suprir a demanda por profissionais, por outro, a solução causa impactos negativos aos estudantes.

As recentes políticas de educação têm buscado elevar a qualidade do ensino, impedir que alunos abandonem as salas de aula por meio de diferentes estímulos. Nesse sentido, é ESSENCIAL que os docentes sejam merecedores de iniciativas de Estado que tornem a docência uma carreira atraente para os professores, para os estudantes e para o país e que traduza em qualidade de vida para todos os brasileiros. Sem professores, o país entra em rota de involução.

SEM professores não há desenvolvimento. Correio Braziliense, 15 de outubro de 2024.
Disponível em:
https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao/2024/10/6964785-sem-professoresnao-ha-desenvolvimento.html. Acesso em: 15 out. 2024. Adaptado.
A vírgula empregada na última frase do texto tem a função de
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Q3667048 Português
A um pum do "point of no return"

Por mais sofisticada que seja a tecnologia, ela não chega nem perto da experiência planetária de mais de 3,5 bilhões de anos das bactérias e fungos
Carlos Starling | 08/10/2024

        Nascemos estéreis. Virgens de qualquer bactéria no corpo. Ao passar pelo canal vaginal, entramos em contato com os primeiros micro-organismos que nos colonizam. O beijo e as lágrimas de felicidade da mãe e do pai nos fornecerão as bactérias mais carinhosas que jamais conheceremos. Aos poucos, elas vão se ajeitando em minúsculos espaços da pele, boca, intestinos e vias respiratórias.

        Em poucos dias, serão maioria nesse novo ser que acaba de nascer. Dois mundos em dimensões distintas, compartilhando o que chamamos de vida. Enganam-se os que acham que esses dois universos são pura harmonia. Pelo contrário. Precisamos de um exército de células de defesa, bem treinado e capacitado pela seleção natural para conter a fome desses minúsculos seres. Do primeiro ao último dia da nossa breve passagem por esse planeta, elas tentam alcançar espaços que não lhes pertencem. Cerca de 7 mil atentos leucócitos circulando por artérias e veias nos manterão vivos. Enquanto brincamos, crescemos, amamos, rimos e sofremos, eles trabalham para manter nossos planos e ilusões.

        “Viver é perigoso”, assim disse Riobaldo, personagem de Guimarães Rosa em Grande Sertão: Veredas. Micro-organismos alienígenas inevitavelmente nos encontrarão ao longo da vida. Nesse momento, contamos com uma tecnologia aliada, desenvolvida há menos de um século: os antibióticos. Além dos invasores, eles são “fogo amigo” contra nossa população microbiana, com a qual nascemos e estamos familiarizados. Os seres que ocuparão esse espaço vazio deixado em nossa pele e mucosas, geralmente, são resistentes a essas drogas fantásticas, que, juntamente com as vacinas e o saneamento básico, nos DERAM a longevidade que temos hoje.

        Quanto mais vulneráveis estivermos, mais necessitamos de antimicrobianos para nos mantermos vivos, e mais resistentes se tornarão as bactérias e fungos que nos habitam. Por mais sofisticada que seja a tecnologia, ela não chega nem perto da experiência planetária de mais de 3,5 bilhões de anos das bactérias e fungos.

        As bactérias multirresistentes (multi-R) desafiam praticamente todos os antimicrobianos que temos disponíveis em nosso arsenal terapêutico, nos deixando, como médicos, sem opção para tratar os pacientes, particularmente aqueles mais graves.

        A revista científica The Lancet publicou recentemente a estimativa de que, até 2050, 1,9 milhões de pessoas devem ser mortas todos os anos por infecções provocadas por bactérias multi-R, um aumento de 67% em relação à projeção de 2021. A OMS considera esta uma das 10 mais importantes ameaças de saúde pública global.

        No último 26 de setembro, a Assembleia Geral da ONU reiterou o documento de compromisso de combate à resistência microbiana de 2016, o qual foi assinado por 192 países, inclusive o Brasil. Assim como os compromissos de controle da emissão de gases de efeito estufa, esse documento poderá ir para a gaveta dos representantes da maioria dos países signatários. Mas pelo menos é o reconhecimento da importância do tema para a saúde global e de que investimentos pesados deverão ser feitos em pesquisas para reverter esse cenário sombrio para os próximos anos.    

        Porém, um fenômeno ainda mais preocupante e de consequências devastadoras vem acontecendo no mundo, e o Brasil não fica fora dessa: o crescimento do negacionismo. Ignorar o aumento da resistência microbiana, assim como a importância das vacinas, o aquecimento global e a urgência climática com consequências devastadoras é como não perceber o fogo no paiol.

        Eventos climáticos extremos de origem natural eliminaram milhares de espécies do planeta no passado, o que, de certa forma, nos favoreceu enquanto Homo sapiens. Entretanto, o que vivemos agora são alterações planetárias produzidas pelo próprio homem, com seu modelo de desenvolvimento predatório, extrativista, egoísta, imediatista e irresponsável.

GLOSSÁRIO:
- Point of no return: expressão inglesa que se traduz por “ponto de não retorno”. Tal expressão tem sido utilizada para alertar sobre a chegada de um momento em que não será mais possível voltar atrás nas ações que têm causado as mudanças climáticas e suas consequências.

STARLING, Carlos. A um pum do “point of no return”. Estado de Minas, 08 de outubro de 2024. Disponível em: https://www.em.com.br/colunistas/carlosstarling/2024/10/6959361-a-um-pum-do-point-of-no-return.html. Acesso em: 13 out. 2024. Adaptado.
No início do terceiro parágrafo do texto, foram utilizadas aspas na frase “Viver é perigoso.”. Qual é a função desse sinal de pontuação no trecho em questão?
Alternativas
Q3667045 Português
A um pum do "point of no return"

Por mais sofisticada que seja a tecnologia, ela não chega nem perto da experiência planetária de mais de 3,5 bilhões de anos das bactérias e fungos
Carlos Starling | 08/10/2024

        Nascemos estéreis. Virgens de qualquer bactéria no corpo. Ao passar pelo canal vaginal, entramos em contato com os primeiros micro-organismos que nos colonizam. O beijo e as lágrimas de felicidade da mãe e do pai nos fornecerão as bactérias mais carinhosas que jamais conheceremos. Aos poucos, elas vão se ajeitando em minúsculos espaços da pele, boca, intestinos e vias respiratórias.

        Em poucos dias, serão maioria nesse novo ser que acaba de nascer. Dois mundos em dimensões distintas, compartilhando o que chamamos de vida. Enganam-se os que acham que esses dois universos são pura harmonia. Pelo contrário. Precisamos de um exército de células de defesa, bem treinado e capacitado pela seleção natural para conter a fome desses minúsculos seres. Do primeiro ao último dia da nossa breve passagem por esse planeta, elas tentam alcançar espaços que não lhes pertencem. Cerca de 7 mil atentos leucócitos circulando por artérias e veias nos manterão vivos. Enquanto brincamos, crescemos, amamos, rimos e sofremos, eles trabalham para manter nossos planos e ilusões.

        “Viver é perigoso”, assim disse Riobaldo, personagem de Guimarães Rosa em Grande Sertão: Veredas. Micro-organismos alienígenas inevitavelmente nos encontrarão ao longo da vida. Nesse momento, contamos com uma tecnologia aliada, desenvolvida há menos de um século: os antibióticos. Além dos invasores, eles são “fogo amigo” contra nossa população microbiana, com a qual nascemos e estamos familiarizados. Os seres que ocuparão esse espaço vazio deixado em nossa pele e mucosas, geralmente, são resistentes a essas drogas fantásticas, que, juntamente com as vacinas e o saneamento básico, nos DERAM a longevidade que temos hoje.

        Quanto mais vulneráveis estivermos, mais necessitamos de antimicrobianos para nos mantermos vivos, e mais resistentes se tornarão as bactérias e fungos que nos habitam. Por mais sofisticada que seja a tecnologia, ela não chega nem perto da experiência planetária de mais de 3,5 bilhões de anos das bactérias e fungos.

        As bactérias multirresistentes (multi-R) desafiam praticamente todos os antimicrobianos que temos disponíveis em nosso arsenal terapêutico, nos deixando, como médicos, sem opção para tratar os pacientes, particularmente aqueles mais graves.

        A revista científica The Lancet publicou recentemente a estimativa de que, até 2050, 1,9 milhões de pessoas devem ser mortas todos os anos por infecções provocadas por bactérias multi-R, um aumento de 67% em relação à projeção de 2021. A OMS considera esta uma das 10 mais importantes ameaças de saúde pública global.

        No último 26 de setembro, a Assembleia Geral da ONU reiterou o documento de compromisso de combate à resistência microbiana de 2016, o qual foi assinado por 192 países, inclusive o Brasil. Assim como os compromissos de controle da emissão de gases de efeito estufa, esse documento poderá ir para a gaveta dos representantes da maioria dos países signatários. Mas pelo menos é o reconhecimento da importância do tema para a saúde global e de que investimentos pesados deverão ser feitos em pesquisas para reverter esse cenário sombrio para os próximos anos.    

        Porém, um fenômeno ainda mais preocupante e de consequências devastadoras vem acontecendo no mundo, e o Brasil não fica fora dessa: o crescimento do negacionismo. Ignorar o aumento da resistência microbiana, assim como a importância das vacinas, o aquecimento global e a urgência climática com consequências devastadoras é como não perceber o fogo no paiol.

        Eventos climáticos extremos de origem natural eliminaram milhares de espécies do planeta no passado, o que, de certa forma, nos favoreceu enquanto Homo sapiens. Entretanto, o que vivemos agora são alterações planetárias produzidas pelo próprio homem, com seu modelo de desenvolvimento predatório, extrativista, egoísta, imediatista e irresponsável.

GLOSSÁRIO:
- Point of no return: expressão inglesa que se traduz por “ponto de não retorno”. Tal expressão tem sido utilizada para alertar sobre a chegada de um momento em que não será mais possível voltar atrás nas ações que têm causado as mudanças climáticas e suas consequências.

STARLING, Carlos. A um pum do “point of no return”. Estado de Minas, 08 de outubro de 2024. Disponível em: https://www.em.com.br/colunistas/carlosstarling/2024/10/6959361-a-um-pum-do-point-of-no-return.html. Acesso em: 13 out. 2024. Adaptado.
Qual é a função das vírgulas utilizadas no trecho sublinhado no último parágrafo do artigo?
Alternativas
Q3666876 Português
Observe o excerto a seguir.

“Ao longo dos anos, pesquisadores que estudam elefantes notaram um fenômeno intrigante. Algumas vezes, quando um elefante vocaliza algo para um grupo de outros elefantes, todos respondem. Mas, às vezes, quando aquele mesmo elefante faz um chamado similar ao grupo, apenas um deles responde.”

ELEFANTES podem chamar uns aos outros por nomes, mostra estudo. Planeta, 10 de junho de 2024. Disponível em: https://revistaplaneta.com.br/elefantespodem-chamar-uns-aos-outros-por-nomes-mostra-estudo/. Acesso em: 13 jun. 2024.

Qual é a função das vírgulas empregadas junto das expressões sublinhadas no excerto?
Alternativas
Q3666870 Português
Leia o texto para responder à questão.


Os oceanos e as mudanças climáticas.


Para ter os mares como aliados, é necessário voltar a eles como fizeram nossos ancestrais. É preciso mantê-los com políticas de conservação marinha, investimento em pesquisa e monitoramento oceânico


Segen Estefen | 12/06/24


    Apesar de se chamar Terra, é de água que é coberta a maior parte do planeta — cerca de 71% de toda a superfície é oceano, 80% no Hemisfério Sul. A importância não é desproporcional ao tamanho dos mares ou de duas moléculas de hidrogênio para uma de oxigênio na vida. Antigos guardiões do clima terrestre, são os oceanos que TEM/TÊM regulado a temperatura do planeta, influenciado padrões atmosféricos e sustentado a biodiversidade marinha. Os oceanos absorvem 90% do excesso de todo o calor atmosférico gerado pelas emissões de dióxido de carbono (CO2). A água tem uma alta capacidade térmica, permitindo que se armazene grandes quantidades de calor. É exatamente o que os oceanos fazem com a Terra. Sem eles, a temperatura global seria insustentável. 

    Os oceanos também desempenham um papel significativo no que se refere à absorção dos gases do efeito estufa que causam o aquecimento da Terra. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, os oceanos captaram cerca de um terço de todo o CO2 emitido pela humanidade desde a Revolução Industrial. No entanto, essa absorção tem um custo, especialmente em um planeta que aumentou em cerca de 1,4°C a sua temperatura em um período de 40 anos.

    As mudanças climáticas e os oceanos estão intrinsecamente conectados, em uma via de mão dupla. Enquanto os oceanos naturalmente mitigam boa parte dos efeitos do aquecimento do planeta, as mudanças climáticas também impactam os oceanos pelo degelo nos polos e aumento da absorção de CO2, o que resulta em uma série de problemas, como o aumento do nível do mar, da temperatura e da acidificação. O aquecimento dos oceanos Pacífico e Atlântico TEM/TÊM contribuído para eventos climáticos extremos, devido à potencialização de fenômenos naturais como ciclones e furacões. A elevação da temperatura das águas dos oceanos TEM/TÊM efeito deletério nos corais e na biodiversidade marinha.

    Recentemente, a BBC publicou uma análise baseada em dados do Serviço Climático Copernicus, da União Europeia, mostrando que os oceanos bateram recordes de temperatura todos os dias por 12 meses. O dado é o prenúncio da condição crítica das mudanças climáticas. Segundo o Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas, o IPCC, se o planeta aquecer 1,5°C, cerca de 70% dos corais, que suportam um quarto da vida marinha, desaparecerão.

    Para além dos mares, esse cenário nos afeta também, pois os oceanos funcionam como um grande reservatório de carbono, armazenando-o em taxas muito superiores às florestas tropicais terrestres. Além de reconhecer a importância dos oceanos para a vida e combater a crise climática, é preciso entender o papel crucial que esse aliado muitas vezes desconhecido, TEM/TÊM. Não dá para enfrentar esse desafio do século 21 sem considerá-lo.

    O caminho para isso é conhecido. Inclui a redução das emissões de gases de efeito estufa, o que passa invariavelmente, por transicionar as matrizes energéticas do fóssil para o renovável. O surpreendente é que os oceanos também podem dar uma alternativa para isso. O potencial energético dos mares é vasto. As energias oceânicas — ainda muito pouco exploradas — TEM/TÊM um potencial de produzir dezenas de vezes mais energia do que o mundo será capaz de consumir em 2040. Os oceanos podem ser não apenas um regulador climático, mas também uma das fontes de energia renovável que vai viabilizar o futuro do clima na Terra.

    No entanto, para ter os mares como aliados, é necessário voltar a eles como fizeram nossos ancestrais. É preciso mantê-los com políticas de conservação marinha, investimento em pesquisa e monitoramento oceânico. Somente com dados constantes, a ciência conseguirá abastecer aqueles que TEM/TÊM o poder de tomar as decisões, da política à economia. Isso pode gerar iniciativas, como a criação de áreas marinhas protegidas e o desenvolvimento de tecnologias de baixo carbono a partir do mar. Sem essa integração e se deixarmos tudo como está, corremos o risco de perder a nossa primeira e última barreira contra a crise climática.


Segen Estefen: Diretor-geral do Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (Inpo) e professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) ESTEFEN, Segen. Os oceanos e as mudanças climáticas. Correio Braziliense, 12 de junho de 2024. Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao/ 2024/06/6875725-artigo-os-oceanos-e-as-mudancas-climaticas.html. Acesso em: 13 jun. 2024.
Qual é a justificativa para a utilização dos travessões no penúltimo parágrafo do texto?
Alternativas
Q3666673 Português
Texto para a questão.

Eles passarão, eu passarinho...

Quando se vê, o tempo passou, aquele amigo adoeceu e não tem mais condições de receber visitas e o prato delicioso não pode ser saboreado. Que qualidade de vida é essa?

Renata Giraldi | 11/06/24


   A correria do dia a dia tira o nosso sono, obriga que as refeições sejam feitas sempre de maneira açodada, que as conversas com os amigos e pessoas queridas fiquem para depois e que os planos simplesmente não ocorram. Que qualidade de vida é essa? Quando se vê, o tempo passou, aquele amigo adoeceu e não tem mais condições de receber visitas e o prato delicioso não pode ser saboreado porque o restaurante fechou...

   Ah, o tempo. Numa viagem ao Marrocos, eu, como sempre apressada, estava exausta com a longa história interminável e sem fim do guia local, pedi que fosse direto ao ponto. Eis que ele me deu uma das respostas mais inteligentes que já ouvi. "A senhora sabe a diferença entre nós, do Oriente Médio, e vocês"? Acenei negativamente. Veio a resposta: "Vocês têm pressa. Nós? Temos tempo."

   Desde então, parei para pensar na beleza e no prazer das coisas mais simples e cotidianas. Adoro andar devagar pelas ruas de Brasília, olhando as flores e plantas. Escolho a minha favorita e até batizo. Também sou capaz de estacionar o carro em local que nunca passei porque gostei da proposta do lugar: um pastel, um doce e, depois, trato de cuidar do peso na consciência.

   Sim, peso na consciência porque saí da dieta e posso engordar, porque gastei mais tempo no caminho do que deveria e acabei me enrolando para o compromisso seguinte. Mas como diria o marroquino: "Temos tempo". É preciso parar para ter tempo e se dar tempo porque, do contrário, a vida te trava e mostra que ela que manda em você, e não o contrário.

   De uns anos para cá, resolvi seguir a máxima de uma grande amiga que sobreviveu a três cânceres - mama, útero e cérebro. Segundo ela, depois desse desafio, ela passou a dar valor ao que realmente tem valor. Antes, eu era a brigona. Não deixava passar nada, um desaforo era rebatido, uma palavra mal colocada, devolvida. Agora?

   Bem, agora, não vou dizer que faço a digestão com tranquilidade. Não, não faço. Mas olho bem para a pessoa, avalio até que ponto ela é importante na minha vida, se responder vai me trazer algum benefício. Em geral, o silêncio é a melhor resposta. As pessoas não estão acostumadas ao silêncio, pois a agressividade anda tão em alta que quando são virulentas, já se preparam para retaliação.

   Lembro-me sempre do meu querido Mario Quintana, quando a repórter perguntou para ele, como reagia, pois, pela terceira vez, teve o nome rejeitado pela Academia Brasileira de Letras (ABL), um sonho cultivado pela mãe do poetinha que imaginava o filho de fardão. Risonho, olhos baixos e uma carinha de quem enxerga ao longe, Quintana respondeu com a icônica frase: "Eles passarão, eu passarinho".


GIRALDI, Renata. Eles passarão, eu passarinho.... Correio Braziliense, 11 de junho de 2024. Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao/2024/06/6874830-artigo-elespassarao-eu-passarinho.html. Acesso em: 13 jun. 2024.
No trecho “Não deixava passar nada, um desaforo era rebatido, uma palavra mal colocada[,] devolvida.” (5º parágrafo), a vírgula entre colchetes foi empregada para
Alternativas
Q3666455 Português
Para quê tanta saúde?

Publicado em 11/09/2023
Paulo Pestana
Crônica

    Foram meses de negociação, mas o amigo cedeu: aceitou ir à nutróloga. É preciso dizer que ele se esqueceu de ler _____ letras miúdas do acordo com a esposa, porque nem sabia que existia essa profissão. Se soubesse que nutrólogos são médicos que avaliam o comportamento alimentar do cristão, provavelmente a negociação teria sido mais dura.
   
    Esse amigo é adepto radical da culinária do excesso. Sarapatel de entrada, um caldinho de mocotó para esquentar o que a cerveja esfria, e um prato principal que, se não for sexta-feira, dia de feijoada, pode ser um cozido nordestino, uma buchada ou qualquer dessas ignorâncias, dieta que explica a protuberância do abdômen.
   
    Outro erro: foi acompanhado da mulher, que queria ouvir tudo o que a moça – sim, era uma nutróloga – teria a dizer sobre o seu pedaço (era assim que eles se tratavam; pê para cá, pê para lá, um diminutivo mais comportado para uma gíria que já era ultrapassada quando se conheceram). Os amigos do bar dizem que, hoje, ele está mais para caco, mas ele acha que é inveja.

    A doutora fez uma lista de exames que ele teria que cumprir nos próximos dias, já adiantando que o diagnóstico não seria bom. No meio do caminho, houve a fatídica pergunta: “O senhor bebe?”. Óbvio que ele respondeu que bebia apenas socialmente, mas _____ presença da mulher prejudicou a indignação que ele tentou imprimir, porque ela não foi sutil.

    “Mentira”. A mulher da gente tem essa mania de ser direta; não consegue entender que a vida pede uns desvios, umas respostas menos incisivas – pelo menos quando nós, homens, estamos em apuros. E aquela era uma situação de sufoco. “Doutora, ele vai ao bar todo dia, tenho aqui no celular as contas que ele paga”, completou.

    Outras desculpas saíram num turbilhão da boca do amigo, mas não adiantou muito; estava desmoralizado. Até que surgiu um pirilampo naquele breu, quando ____ médica disse que não ia pedir para ele parar de beber – uma vitória! As caraminholas cessaram; era a única coisa que o preocupava.

    Foi uma vitória de Pirro, o rei do Epiro, que venceu os romanos, mas perdeu todo o seu exército. As derrotas vieram em sequência: “O senhor tem que perder peso. E rápido”, disse ela. Nada de doces – “sem problemas”, pensou – e, mais difícil, alimentos gordurosos; e… (não deve ter havido ____ pausa dramática que ele fez quando nos contou o drama, mas em respeito _____ fonte, estão aí _____ reticências) …diminuir o álcool.

    Na mesma hora, ele pensou num amigo de mesa que continua frequentando o bar, mas bebe apenas água. Conversa, brinca, aposta, faz tudo sem álcool. Não sei se é feliz, mas finge bem, está firme. A nutróloga falou em diminuir, não em parar. E concluiu: “O senhor pode tomar umas duas doses por semana”.

    O amigo fez cara de pôquer. Eram duas contra um e ele se sentiu pressionado. Ficou calado, fez os exames e toma os remédios, tudo certinho. E trocou o uísque por vodka, que não deixa bafo.
Em qual dos parágrafos abaixo veem-se as aspas duplas empregadas para sinalizar um discurso direto do amigo que se consultou com a nutróloga? 
Alternativas
Q3665768 Português
Atenção! Leia atentamente o texto abaixo e responda à questão

A Raposa e o Corvo

    Um Corvo roubou um queijo e com ele fugiu para o alto de uma árvore. Uma Raposa, ao vê-lo, desejou tomar posse do queijo para comer. Colocou-se ao pé da árvore e começou a louvar a beleza e a graça do Corvo, dizendo:
    – Com certeza és formoso, gentil e nenhum pássaro poderá ser comparado a ti desde que tu cantes.
    O Corvo, querendo mostrar-se, abriu o bico para tentar cantar, fazendo o queijo cair. A Raposa abocanhou o petisco e saiu correndo, ficando o Corvo, além de faminto, ciente de sua ignorância.


(Fonte: https://www.pensador.com/fabulas_mais_conhecidas_de_esopo_com_moral/. Acesso em 03/01/2024. Com adaptações)
No trecho “Colocou-se ao pé da árvore e começou a louvar a beleza e a graça do Corvo, dizendo:” (primeiro parágrafo), o sinal de dois pontos após o verbo “dizendo” é utilizado para:
Alternativas
Q3665315 Português
Qual dos elementos abaixo se configura como uma característica exclusiva da modalidade escrita da língua portuguesa?
Alternativas
Q3659917 Português
Marque a alternativa que cita e exemplifica, de forma correta, o uso da vírgula nos períodos compostos.
Alternativas
Q3625088 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão

Especialistas falam sobre acesso e aprendizagem no ensino fundamental

15º Encontro do Ciclo de Webinários Conae 2024, primeiro realizado pelo MEC neste ano, faz parte da série de debates preparatórios para a Conferência Nacional, que ocorrerá no fim do mês

Publicado em 09/01/2024 17h27


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O Ministério da Educação (MEC), por meio da Secretaria de Articulação Intersetorial e com os Sistemas de Ensino (Sase), realizou, na última segunda-feira, 8 de janeiro, o 15º Encontro do Ciclo de Webinários da Conferência Nacional de Educação (Conae) 2024, com o tema “Acesso e aprendizagem no ensino fundamental”. O evento foi transmitido ao vivo pelo canal do MEC no YouTube. O debate contou com a participação de Clarissa Guimarães, coordenadora de Estudos Educacionais e pesquisadora em Avaliação Educacional no Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep); Flávia Viana Basso, mestre em Administração Pública pela Universidade de Brasília (UnB) e pesquisadora tecnologista em Informações e Avaliações Educacionais do Inep; e Aricélia Ribeiro, doutora em Educação, assessora técnica em Educação no MEC e consultora da Rede Sesi de Educação Nacional — Serviço Social da Indústria. Elas discutiram a seguinte questão básica: “Entre problemas infraestruturais, discriminações não reconhecidas, condições de trabalho e sistemáticas questões curriculares, urge que o tema dê o salto e abandone males educacionais seculares”. Além disso, as participantes responderam às questões trazidas pelo público, que pôde interagir on-line durante a transmissão do webinário. Na abertura, a moderadora Geovana Lunardi, vice-presidente da World Education Research Association (Wera) e professora titular da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), afirmou que o tema é muito importante e que o acesso e a aprendizagem no ensino fundamental é um problema histórico no Brasil. “Esse é um problema que tem diferentes camadas, questões de infraestrutura, de carreira, de desigualdades, de preconceitos e questões curriculares”, falou. Na sequência, Clarissa Guimarães, coordenadora de Estudos Educacionais e pesquisadora em Avaliação Educacional no Inep, apresentou dados sobre o acesso ao ensino fundamental e falou sobre a sua regulamentação. “Ele é definido pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação [LDB] como segunda etapa da educação básica, que também é formada por outras duas etapas, que são a educação infantil e o ensino médio”, informou. Segundo ela, o objetivo principal do ensino fundamental, de acordo com a LDB, é promover a formação integral do estudante e contribuir para o seu desenvolvimento pessoal e intelectual. “É preparar esse estudante para enfrentar os desafios futuros e participar ativamente da sociedade, preparar o estudante para o exercício da cidadania e para a continuidade dos seus estudos também”, observou. Em seguida, Flávia Basso, que é pesquisadora tecnologista em Informações e Avaliações Educacionais do Inep, afirmou que a qualidade no ensino fundamental ainda não é uma realidade, apesar de estar estabelecida no Plano Nacional de Educação (PNE). “No PNE vigente, uma das diretrizes é a melhoria da qualidade da educação, um desafio histórico na educação brasileira. As Metas 5 e 7 vão falar sobre essa questão da aprendizagem e da qualidade da educação básica em todas as etapas e modalidades, como melhoria do fluxo escolar e da aprendizagem, de modo a atingir as seguintes médias nacionais para o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica”, disse. Por fim, Aricélia Ribeiro, assessora técnica em Educação no MEC, que atuou por 22 anos como professora no ensino fundamental, analisou os dados apresentados pelas pesquisadoras do Inep e afirmou que esse é um momento histórico na construção do novo PNE. “Começar o ano letivo de 2024 com esse encontro, esse webinário, é fundamental, principalmente porque estaremos, daqui a pouco, chegando às escolas para as nossas jornadas pedagógicas”, comentou.

Assessoria de Comunicação Social do MEC, com informações da Sase
Observe o emprego dos dois pontos e das aspas no trecho retirado do texto:

Elas discutiram a seguinte questão básica: “Entre problemas infraestruturais, discriminações não reconhecidas, condições de trabalho e sistemáticas questões curriculares, urge que o tema dê o salto e abandone males educacionais seculares”.

De acordo com a norma padrão, pode-se afirmar que nesse caso:
Alternativas
Q3603649 Português
Quer caminhar mais? 5 ideias para criar uma rotina de caminhada, segundo os especialistas

    Quando se trata de maneiras simples de cuidar da saúde do corpo e da mente de forma acessível, a caminhada é uma atividade imbatível. Isso porque os benefícios de caminhar são enormes e todas as pessoas podem usufruir dos resultados positivos ao incluir a caminhada em seu dia a dia. Você não precisa se matricular em uma academia ou ter um treinador a sua disposição. Não é necessário nem um local específico para praticar essa atividade física.

    O necessário, segundo especialistas médicos, é organização e disciplina para andar com periodicidade e, assim, criar uma rotina de caminhada. Desta forma será possível usufruir de benefícios que vão desde prevenir doenças cardíacas e diabetes até pressão alta e, ainda, evitar câncer, melhorar a imunidade e muito mais.

    Caminhar cerca de 30 minutos diariamente já pode trazer todos os tipos de benefícios à saúde, como informa a instituição Arthritis Foundation norte-americana e também um artigo publicado no site da Universidade de Harvard.

    Jovem, adulto, idoso… Sempre é tempo de levantar da cadeira, colocar um tênis e sair andando por aí. Mas há cuidados e uma certa organização que vale a pena estar atento. Confira, a seguir, cinco ideias para te ajudar a criar uma rotina de caminhada e deixar o sedentarismo de lado de forma simples. Sua saúde vai te agradecer!

1. Escolha o tênis ideal para sua caminhada;

2. Organize um plano para caminhar pouco a pouco;

3. Use roupas confortáveis para caminhar;

4. Escolha bem o local onde caminhar;

5. Foco e postura ao caminhar.

Fonte:https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2024/01/quer-caminhar-mais-5-ideias-para-criar-uma-rotina-de-caminhadasegundo-os-especialistas (adaptado). 
Na frase "Jovem, adulto, idoso… Sempre é tempo de levantar da cadeira", a presença de reticências indica:
Alternativas
Q3601525 Português

Leia o texto para responder a esta questão.



Faculdade nega emissão de diploma de técnica que assinou laudos de órgãos com HIV



Laboratório afirma que ela entregou diploma de biomedicina, mas a funcionária nega e diz ter sido usada como "laranja"



Redação Terra

15 out 2024- 12h40

(atualizado às 13h33)



A Universidade Pitágoras Unopar Anhanguera afirmou, nesta terça-feira, 15, que não emitiu o certificado de biomedicina de Jacqueline Iris Bacellar de Assis, auxiliar administrativa que trabalhava no PCS Lab Saleme. De acordo com a Folha de S. Paulo, a assinatura da funcionária aparece em um dos laudos que atestam falso negativo para HIV dos órgãos de doadores que provocaram a infecção de 6 pacientes no Rio de Janeiro. (...)



De acordo com a Folha de S. Paulo, a defesa da funcionária disse que ela "jamais trabalhou como biomédica", que "não tem capacidade técnica e nunca teve interesse na função". A mulher, conforme seu advogado, também alegou que não reconhece o diploma citado pelo laboratório, pois "jamais cursou ou tem a faculdade de biomedicina".



REDAÇÃO TERRA. Faculdade nega emissão de diploma de técnica que assinou laudos de órgãos com HIV, 15 de outubro de 2024. Adaptado de: <https://www.terra.com.br/noticias/brasil/cidades/faculdade-nega-emissao-dediploma-de-tecnica-que-assinou-laudos-de-orgaos-com-hiv,ce03b741b807f668cd7e0e9a09b7dbf62p3j4lie.html> Acesso em: 17 out. 2024. 



Da análise do texto, é adequado afirmar que o uso das aspas no fragmento destacado consiste em:

Alternativas
Q3600750 Português

Leia o texto para responder a esta questão.



Enfermeiros pedem jornada de 30 horas e recebem apoio na Câmara



Debatedores criticam decisão do STF de vincular piso salarial à jornada de 44 horas semanais



Enfermeiros e parlamentares defenderam, na Câmara dos Deputados, a jornada de 30 horas semanais para a categoria e a implantação do piso salarial nacional de R$ 4.750, definido pela Lei 13.434/22.



Os participantes de audiência na Comissão de Administração e Serviço Público, nesta terça-feira (21), criticaram decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de que o piso se refere a uma jornada de trabalho de 8 horas diárias ou 44 horas semanais. Também pediram a aprovação de uma proposta de emenda à Constituição (PEC 19/24) do Senado que estabelece jornada de 30 horas para enfermeiros. (...)



Apesar de entender que o Supremo “está querendo legislar onde não pode”, o deputado Mauro Benevides Filho (PDT-CE), autor da PEC que deu origem à Emenda Constitucional 127, ressaltou a importância de, em uma nova proposta, se prever origem de recursos para pagar os enfermeiros.



“Qual é o valor do superávit? É R$ 1 bilhão, R$ 900 milhões? Isso pra carga horária de quanto? Podemos brigar por uma carga de 30 e encontrar outro volume de recursos? Tem que ver quanto significa isso baixando de 44 horas para 30”, ponderou Benevides. (...)



AGÊNCIA CÂMARA DE NOTÍCIAS. Enfermeiros pedem jornada de 30 horas e recebem apoio na Câmara, 21 de maio de 2024. Adaptado de: <https://www.camara.leg.br/noticias/1064816-enfermeiros-pedem-jornada-de-30-horase-recebem-apoio-na-camara> Acesso em: 01 out. 2024. 



Da análise do texto, é adequado afirmar que o uso das aspas, no fragmento destacado, consiste em:

Alternativas
Q3600748 Português

Leia atentamente o fragmento seguinte:



Nossa voz é formada nas pregas vocais, que vibram com a passagem do ar vindo dos pulmões. O som formado ali nas pregas, entretanto, é baixo. Ele ganha volume conforme ricocheteia pelas paredes da cavidade oral: garganta, faringe, boca e cavidades nasais.



Adaptado de: <https://www.uol.com.br/tilt/noticias/redacao/2024/09/29/por-que-o-gas-helio-deixa-a-voz-fina-qual-gasdeixaria-grave.htm?cmpid>. Acesso em: 30 set. 2024. 



Em relação ao uso de pontuação no texto, é adequado afirmar que:

Alternativas
Q3600744 Português

Atente-se ao fragmento a seguir:



Quanto à proteína, que está em alta, tenha uma atenção redobrada. Nem todos os produtos “ricos em proteína” são saudáveis, como alertei nesta edição da cerveja “proteica”.



Adaptado de: <https://www.uol.com.br/vivabem/colunas/guia-do-supermercado/2024/09/30/como-identificarpropagandas-enganosas-nos-rotulos-de-alimentos.htm>. Acesso em: 30 set. 2024. 



Quanto ao uso de vírgulas, é adequado afirmar que:

Alternativas
Respostas
2581: A
2582: C
2583: B
2584: C
2585: C
2586: D
2587: B
2588: C
2589: A
2590: E
2591: C
2592: D
2593: C
2594: D
2595: D
2596: A
2597: D
2598: D
2599: B
2600: A