Questões de Concurso Sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português

Foram encontradas 54.846 questões

Q4152868 Português
Texto I


Um passo além

Formada em relações internacionais pela ESPM, a paulistana Luiza Laloni trabalhava em uma consultoria quando decidiu largar tudo para entender o que queria fazer de verdade. Já que ia começar um plano do zero aproveitou para realizar um sonho antigo: estudar música. Aos 25 anos, desembarcou em Madri. “Queria ampliar minha visão de mundo”, lembra.

Dois meses depois de chegar, saiu à noite com alguns amigos e acabou conhecendo Ramon Bernat, presidente da Specialisterne, iniciativa que contribui para a inserção de pessoas com autismo no mercado de trabalho. Aquele encontro seria o ponto-chave para seu tão sonhado processo de autoconhecimento. Luiza já não estava tão satisfeita com a música e, quando começou a ouvir Ramon falar, seus olhos brilharam.

O empresário abriu seu negócio por conta de seu filho autista e, com a Specialisterne, conheceu empresas que trabalham com a neurodiversidade – o conceito se refere a pessoas que possuem algum tipo de deficiência intelectual, como autismo, esquizofrenia, síndrome de Asperger e dislexia. Naquela noite, ele falou sobre uma agência de design de um amigo em Barcelona, La Casa de Carlota & Friends, que tinha funcionários com essas condições. Luiza foi se encantando por aquele universo. “Já no nosso primeiro papo, eu me desinteressei totalmente pela música. Queria aprender algo novo, como design, ainda mais em uma agência neurodiversa”, lembra-se.

Vendo o entusiasmo da jovem, Ramon a chamou para conhecer a empresa do colega. “Queria descobrir o quanto era verdadeiro aquele discurso, como era trabalhar com aquelas pessoas, que, até então, para mim, eram tão diferentes, e como isso iria impactar meu trabalho”, diz Luiza, hoje com 27 anos.

O termo “neurodiversidade” foi criado por Judy Singer, socióloga australiana que tem síndrome de Asperger. A pesquisadora defende que esses estados não são anormalidades, mas, sim, condições que devem ser consideradas. No entanto, por vivermos em uma sociedade neurotípica – em que o “normal” é quem não tem nenhuma limitação intelectual –, criamos padrões comportamentais que não deixam que esses indivíduos tenham oportunidades.

Aquele encontro entre Luiza e Ramon deu tão certo que ela foi contratada pela Casa de Carlota. Mudou de cidade e, no novo trabalho, conheceu o Barcelona Outsider Art Lab (Beau), projeto da agência que cataloga 1,5 mil obras de artes feitas pelos funcionários e as exibe ao público. O objetivo é mostrar o poder transformador da arte e da tecnologia como ferramentas para melhorar a vida dessas pessoas. “Achei incrível e comecei a pensar em trazer isso para o Brasil”, conta.

Foram seis meses para que Luiza conseguisse negociar esse sonho, realizado em agosto do ano passado, quando foi aberta a filial da agência em São Paulo – além de Brasil e Espanha, a agência está em outros dois países. Hoje, Luiza é diretora de operações da Casa de Carlota paulistana, que conta com oito funcionários – há seis designers e um artista plástico com condições como síndrome de Down e autismo, além de uma arquiteta. 

“Pensando que não temos nenhum funcionário negro, e eles são maioria no Brasil, o próximo passo é essa contratação”, diz ela. “Busco, claro, negros neurodiversos, mas a diversidade racial e de gênero é uma ponta para que as pessoas comecem a enxergar outros tipos de diversidade ainda pouco observadas por gestores no mundo todo.”

“Hoje, quando saio na rua, penso: ‘Por que não tem alguém com síndrome de Down trabalhando nessa função?’”


ABREU, Amanda. Revista da GOL. São Paulo: Trip propaganda e publicidade, n. 2016, 2020, p. 88-94. (adaptado)
A ampliação dos ideais de diversidade que sustentam as práticas de Luíza Laloni é pressuposta na seguinte frase: 
Alternativas
Q4152867 Português
Texto I


Um passo além

Formada em relações internacionais pela ESPM, a paulistana Luiza Laloni trabalhava em uma consultoria quando decidiu largar tudo para entender o que queria fazer de verdade. Já que ia começar um plano do zero aproveitou para realizar um sonho antigo: estudar música. Aos 25 anos, desembarcou em Madri. “Queria ampliar minha visão de mundo”, lembra.

Dois meses depois de chegar, saiu à noite com alguns amigos e acabou conhecendo Ramon Bernat, presidente da Specialisterne, iniciativa que contribui para a inserção de pessoas com autismo no mercado de trabalho. Aquele encontro seria o ponto-chave para seu tão sonhado processo de autoconhecimento. Luiza já não estava tão satisfeita com a música e, quando começou a ouvir Ramon falar, seus olhos brilharam.

O empresário abriu seu negócio por conta de seu filho autista e, com a Specialisterne, conheceu empresas que trabalham com a neurodiversidade – o conceito se refere a pessoas que possuem algum tipo de deficiência intelectual, como autismo, esquizofrenia, síndrome de Asperger e dislexia. Naquela noite, ele falou sobre uma agência de design de um amigo em Barcelona, La Casa de Carlota & Friends, que tinha funcionários com essas condições. Luiza foi se encantando por aquele universo. “Já no nosso primeiro papo, eu me desinteressei totalmente pela música. Queria aprender algo novo, como design, ainda mais em uma agência neurodiversa”, lembra-se.

Vendo o entusiasmo da jovem, Ramon a chamou para conhecer a empresa do colega. “Queria descobrir o quanto era verdadeiro aquele discurso, como era trabalhar com aquelas pessoas, que, até então, para mim, eram tão diferentes, e como isso iria impactar meu trabalho”, diz Luiza, hoje com 27 anos.

O termo “neurodiversidade” foi criado por Judy Singer, socióloga australiana que tem síndrome de Asperger. A pesquisadora defende que esses estados não são anormalidades, mas, sim, condições que devem ser consideradas. No entanto, por vivermos em uma sociedade neurotípica – em que o “normal” é quem não tem nenhuma limitação intelectual –, criamos padrões comportamentais que não deixam que esses indivíduos tenham oportunidades.

Aquele encontro entre Luiza e Ramon deu tão certo que ela foi contratada pela Casa de Carlota. Mudou de cidade e, no novo trabalho, conheceu o Barcelona Outsider Art Lab (Beau), projeto da agência que cataloga 1,5 mil obras de artes feitas pelos funcionários e as exibe ao público. O objetivo é mostrar o poder transformador da arte e da tecnologia como ferramentas para melhorar a vida dessas pessoas. “Achei incrível e comecei a pensar em trazer isso para o Brasil”, conta.

Foram seis meses para que Luiza conseguisse negociar esse sonho, realizado em agosto do ano passado, quando foi aberta a filial da agência em São Paulo – além de Brasil e Espanha, a agência está em outros dois países. Hoje, Luiza é diretora de operações da Casa de Carlota paulistana, que conta com oito funcionários – há seis designers e um artista plástico com condições como síndrome de Down e autismo, além de uma arquiteta. 

“Pensando que não temos nenhum funcionário negro, e eles são maioria no Brasil, o próximo passo é essa contratação”, diz ela. “Busco, claro, negros neurodiversos, mas a diversidade racial e de gênero é uma ponta para que as pessoas comecem a enxergar outros tipos de diversidade ainda pouco observadas por gestores no mundo todo.”

“Hoje, quando saio na rua, penso: ‘Por que não tem alguém com síndrome de Down trabalhando nessa função?’”


ABREU, Amanda. Revista da GOL. São Paulo: Trip propaganda e publicidade, n. 2016, 2020, p. 88-94. (adaptado)
A “neurodiversidade” é definida no texto a partir da concepção de que a deficiência intelectual é 
Alternativas
Q4151706 Português
A multiprofissionalidade nas ações de saúde é uma modalidade de trabalho coletivo que
Alternativas
Q4151693 Português
Nomes brandos para o fim do mundo

   
    [...] As palavras não são rótulos postos sobre coisas que já existem, mas sim expressões da nossa forma de ver o mundo. Essa correlação ficou conhecida como hipótese de Sapir e Whorf. Ao estudarem as línguas indígenas da América do Norte, Edward Sapir (1884-1939) e Benjamin Lee Whorf (1897-1941) chegaram à conclusão de que a língua não é “um instrumento de comunicação”, [...] mas sim um fator decisivo na formação da visão do mundo.

A invenção da “mudança climática” e do “aquecimento global”

    Está em cartaz no Sesc Pompeia a exuberante exposição Amazônia. Com curadoria de Lélia Wanick Salgado, a exposição conta com fotos monumentais de Sebastião Salgado e com belos recursos audiovisuais. Entre eles, há vídeos com depoimentos de lideranças indígenas das regiões fotografadas, relatando dificuldades que lhes vêm sendo impostas pela ação dos não indígenas – inclusive na forma de políticas públicas.
    Em um desses depoimentos, Afukaká Kuikuro, cacique do povo kuikuro, denuncia como agressões do “homem branco” à natureza têm gerado prejuízos imensuráveis à sobrevivência na/da floresta. A certa altura, falando dos efeitos danosos da ação humana, ele pondera: “o homem branco chama isso de ‘mudança climática’”.
     É um rico exercício de alteridade tentarmos analisar essa expressão linguística sob a ótica indígena. O termo “mudança climática” chama atenção do cacique, ao que tudo indica, por soar conveniente, quase hipócrita. Sem fazer menção explícita ao ato de devastar e destruir o meio ambiente, adotamos regularmente um substantivo que expressa um processo, o que acaba por criar a impressão de que se trata de algo em curso natural, espontâneo.
   Mesmo o termo “aquecimento global” pode ser visto nesse viés. Ainda que “mudança” e “aquecimento” possam ser (e no caso são) processos induzidos, o responsável por essa indução desaparece em ambas as expressões. Nessa ótica, não deixa de parecer desfaçatez do nosso mundo dizer aos indígenas que está havendo uma “mudança climática” ou um “aquecimento global”, quando o que temos é a destruição do meio ambiente.

Pode chamar de “Antropoceno”

     O conhecimento científico de geólogos, arqueólogos, geoquímicos, oceanógrafos e paleontólogos já permite afirmar que entramos em uma nova era geológica, a qual vem sendo chamada de “Antropoceno”. O termo, ao incorporar o radical grego “antropo-” (“homem”), explicita os impactos da ação humana na crise climática atual, deixando claro o papel que temos – uns menos, outros bem mais – nesse atual estado de coisas. Segundo artigo de José Eustáquio Diniz Alves:
     “O Antropoceno representa um novo período da história do Planeta, em que o ser humano se tornou a força impulsionadora da degradação ambiental e o vetor de ações que são catalisadoras de uma provável catástrofe ecológica”.
    Com algum otimismo, porém, se o termo “Antropoceno”  aponta explicitamente a responsabilidade humana em uma “provável catástrofe ecológica”, ele também pode nos mostrar a possibilidade de intervirmos nesse rumo. Ou, recorrendo mais uma vez à sabedoria de povos originários, podemos investir em “ideias para adiar o fim do mundo” – título do brilhante ensaio de Ailton Krenak, liderança indígena que precisa ser cada vez mais ouvida.


BRAGA, Henrique; MÓDULO, Marcelo. Nomes brandos para o fim do mundo. Jornal da USP. 1° abr. 2022. Disponível em: . Acesso em: 5 abr. 2022. (Adaptado).
O “exercício de alteridade” ao qual o texto se refere diz respeito à
Alternativas
Q4151692 Português
Nomes brandos para o fim do mundo

   
    [...] As palavras não são rótulos postos sobre coisas que já existem, mas sim expressões da nossa forma de ver o mundo. Essa correlação ficou conhecida como hipótese de Sapir e Whorf. Ao estudarem as línguas indígenas da América do Norte, Edward Sapir (1884-1939) e Benjamin Lee Whorf (1897-1941) chegaram à conclusão de que a língua não é “um instrumento de comunicação”, [...] mas sim um fator decisivo na formação da visão do mundo.

A invenção da “mudança climática” e do “aquecimento global”

    Está em cartaz no Sesc Pompeia a exuberante exposição Amazônia. Com curadoria de Lélia Wanick Salgado, a exposição conta com fotos monumentais de Sebastião Salgado e com belos recursos audiovisuais. Entre eles, há vídeos com depoimentos de lideranças indígenas das regiões fotografadas, relatando dificuldades que lhes vêm sendo impostas pela ação dos não indígenas – inclusive na forma de políticas públicas.
    Em um desses depoimentos, Afukaká Kuikuro, cacique do povo kuikuro, denuncia como agressões do “homem branco” à natureza têm gerado prejuízos imensuráveis à sobrevivência na/da floresta. A certa altura, falando dos efeitos danosos da ação humana, ele pondera: “o homem branco chama isso de ‘mudança climática’”.
     É um rico exercício de alteridade tentarmos analisar essa expressão linguística sob a ótica indígena. O termo “mudança climática” chama atenção do cacique, ao que tudo indica, por soar conveniente, quase hipócrita. Sem fazer menção explícita ao ato de devastar e destruir o meio ambiente, adotamos regularmente um substantivo que expressa um processo, o que acaba por criar a impressão de que se trata de algo em curso natural, espontâneo.
   Mesmo o termo “aquecimento global” pode ser visto nesse viés. Ainda que “mudança” e “aquecimento” possam ser (e no caso são) processos induzidos, o responsável por essa indução desaparece em ambas as expressões. Nessa ótica, não deixa de parecer desfaçatez do nosso mundo dizer aos indígenas que está havendo uma “mudança climática” ou um “aquecimento global”, quando o que temos é a destruição do meio ambiente.

Pode chamar de “Antropoceno”

     O conhecimento científico de geólogos, arqueólogos, geoquímicos, oceanógrafos e paleontólogos já permite afirmar que entramos em uma nova era geológica, a qual vem sendo chamada de “Antropoceno”. O termo, ao incorporar o radical grego “antropo-” (“homem”), explicita os impactos da ação humana na crise climática atual, deixando claro o papel que temos – uns menos, outros bem mais – nesse atual estado de coisas. Segundo artigo de José Eustáquio Diniz Alves:
     “O Antropoceno representa um novo período da história do Planeta, em que o ser humano se tornou a força impulsionadora da degradação ambiental e o vetor de ações que são catalisadoras de uma provável catástrofe ecológica”.
    Com algum otimismo, porém, se o termo “Antropoceno”  aponta explicitamente a responsabilidade humana em uma “provável catástrofe ecológica”, ele também pode nos mostrar a possibilidade de intervirmos nesse rumo. Ou, recorrendo mais uma vez à sabedoria de povos originários, podemos investir em “ideias para adiar o fim do mundo” – título do brilhante ensaio de Ailton Krenak, liderança indígena que precisa ser cada vez mais ouvida.


BRAGA, Henrique; MÓDULO, Marcelo. Nomes brandos para o fim do mundo. Jornal da USP. 1° abr. 2022. Disponível em: . Acesso em: 5 abr. 2022. (Adaptado).
O trecho “Ainda que ‘mudança’ e ‘aquecimento’ possam ser (e no caso são) processos induzidos, o responsável por essa indução desaparece em ambas as expressões” mantém o seu valor argumentativo de oposição em: 
Alternativas
Q4151691 Português
Nomes brandos para o fim do mundo

   
    [...] As palavras não são rótulos postos sobre coisas que já existem, mas sim expressões da nossa forma de ver o mundo. Essa correlação ficou conhecida como hipótese de Sapir e Whorf. Ao estudarem as línguas indígenas da América do Norte, Edward Sapir (1884-1939) e Benjamin Lee Whorf (1897-1941) chegaram à conclusão de que a língua não é “um instrumento de comunicação”, [...] mas sim um fator decisivo na formação da visão do mundo.

A invenção da “mudança climática” e do “aquecimento global”

    Está em cartaz no Sesc Pompeia a exuberante exposição Amazônia. Com curadoria de Lélia Wanick Salgado, a exposição conta com fotos monumentais de Sebastião Salgado e com belos recursos audiovisuais. Entre eles, há vídeos com depoimentos de lideranças indígenas das regiões fotografadas, relatando dificuldades que lhes vêm sendo impostas pela ação dos não indígenas – inclusive na forma de políticas públicas.
    Em um desses depoimentos, Afukaká Kuikuro, cacique do povo kuikuro, denuncia como agressões do “homem branco” à natureza têm gerado prejuízos imensuráveis à sobrevivência na/da floresta. A certa altura, falando dos efeitos danosos da ação humana, ele pondera: “o homem branco chama isso de ‘mudança climática’”.
     É um rico exercício de alteridade tentarmos analisar essa expressão linguística sob a ótica indígena. O termo “mudança climática” chama atenção do cacique, ao que tudo indica, por soar conveniente, quase hipócrita. Sem fazer menção explícita ao ato de devastar e destruir o meio ambiente, adotamos regularmente um substantivo que expressa um processo, o que acaba por criar a impressão de que se trata de algo em curso natural, espontâneo.
   Mesmo o termo “aquecimento global” pode ser visto nesse viés. Ainda que “mudança” e “aquecimento” possam ser (e no caso são) processos induzidos, o responsável por essa indução desaparece em ambas as expressões. Nessa ótica, não deixa de parecer desfaçatez do nosso mundo dizer aos indígenas que está havendo uma “mudança climática” ou um “aquecimento global”, quando o que temos é a destruição do meio ambiente.

Pode chamar de “Antropoceno”

     O conhecimento científico de geólogos, arqueólogos, geoquímicos, oceanógrafos e paleontólogos já permite afirmar que entramos em uma nova era geológica, a qual vem sendo chamada de “Antropoceno”. O termo, ao incorporar o radical grego “antropo-” (“homem”), explicita os impactos da ação humana na crise climática atual, deixando claro o papel que temos – uns menos, outros bem mais – nesse atual estado de coisas. Segundo artigo de José Eustáquio Diniz Alves:
     “O Antropoceno representa um novo período da história do Planeta, em que o ser humano se tornou a força impulsionadora da degradação ambiental e o vetor de ações que são catalisadoras de uma provável catástrofe ecológica”.
    Com algum otimismo, porém, se o termo “Antropoceno”  aponta explicitamente a responsabilidade humana em uma “provável catástrofe ecológica”, ele também pode nos mostrar a possibilidade de intervirmos nesse rumo. Ou, recorrendo mais uma vez à sabedoria de povos originários, podemos investir em “ideias para adiar o fim do mundo” – título do brilhante ensaio de Ailton Krenak, liderança indígena que precisa ser cada vez mais ouvida.


BRAGA, Henrique; MÓDULO, Marcelo. Nomes brandos para o fim do mundo. Jornal da USP. 1° abr. 2022. Disponível em: . Acesso em: 5 abr. 2022. (Adaptado).
Conforme o texto, fazer uso da palavra antropoceno para designar a nova era geológica tem como consequência:
Alternativas
Q4151690 Português
Nomes brandos para o fim do mundo

   
    [...] As palavras não são rótulos postos sobre coisas que já existem, mas sim expressões da nossa forma de ver o mundo. Essa correlação ficou conhecida como hipótese de Sapir e Whorf. Ao estudarem as línguas indígenas da América do Norte, Edward Sapir (1884-1939) e Benjamin Lee Whorf (1897-1941) chegaram à conclusão de que a língua não é “um instrumento de comunicação”, [...] mas sim um fator decisivo na formação da visão do mundo.

A invenção da “mudança climática” e do “aquecimento global”

    Está em cartaz no Sesc Pompeia a exuberante exposição Amazônia. Com curadoria de Lélia Wanick Salgado, a exposição conta com fotos monumentais de Sebastião Salgado e com belos recursos audiovisuais. Entre eles, há vídeos com depoimentos de lideranças indígenas das regiões fotografadas, relatando dificuldades que lhes vêm sendo impostas pela ação dos não indígenas – inclusive na forma de políticas públicas.
    Em um desses depoimentos, Afukaká Kuikuro, cacique do povo kuikuro, denuncia como agressões do “homem branco” à natureza têm gerado prejuízos imensuráveis à sobrevivência na/da floresta. A certa altura, falando dos efeitos danosos da ação humana, ele pondera: “o homem branco chama isso de ‘mudança climática’”.
     É um rico exercício de alteridade tentarmos analisar essa expressão linguística sob a ótica indígena. O termo “mudança climática” chama atenção do cacique, ao que tudo indica, por soar conveniente, quase hipócrita. Sem fazer menção explícita ao ato de devastar e destruir o meio ambiente, adotamos regularmente um substantivo que expressa um processo, o que acaba por criar a impressão de que se trata de algo em curso natural, espontâneo.
   Mesmo o termo “aquecimento global” pode ser visto nesse viés. Ainda que “mudança” e “aquecimento” possam ser (e no caso são) processos induzidos, o responsável por essa indução desaparece em ambas as expressões. Nessa ótica, não deixa de parecer desfaçatez do nosso mundo dizer aos indígenas que está havendo uma “mudança climática” ou um “aquecimento global”, quando o que temos é a destruição do meio ambiente.

Pode chamar de “Antropoceno”

     O conhecimento científico de geólogos, arqueólogos, geoquímicos, oceanógrafos e paleontólogos já permite afirmar que entramos em uma nova era geológica, a qual vem sendo chamada de “Antropoceno”. O termo, ao incorporar o radical grego “antropo-” (“homem”), explicita os impactos da ação humana na crise climática atual, deixando claro o papel que temos – uns menos, outros bem mais – nesse atual estado de coisas. Segundo artigo de José Eustáquio Diniz Alves:
     “O Antropoceno representa um novo período da história do Planeta, em que o ser humano se tornou a força impulsionadora da degradação ambiental e o vetor de ações que são catalisadoras de uma provável catástrofe ecológica”.
    Com algum otimismo, porém, se o termo “Antropoceno”  aponta explicitamente a responsabilidade humana em uma “provável catástrofe ecológica”, ele também pode nos mostrar a possibilidade de intervirmos nesse rumo. Ou, recorrendo mais uma vez à sabedoria de povos originários, podemos investir em “ideias para adiar o fim do mundo” – título do brilhante ensaio de Ailton Krenak, liderança indígena que precisa ser cada vez mais ouvida.


BRAGA, Henrique; MÓDULO, Marcelo. Nomes brandos para o fim do mundo. Jornal da USP. 1° abr. 2022. Disponível em: . Acesso em: 5 abr. 2022. (Adaptado).
Em um dos subtítulos presentes no texto, os autores chamam mudança climática e aquecimento global de “invenção”. O uso da palavra “invenção”, nesse contexto, reporta
Alternativas
Q4151689 Português
Nomes brandos para o fim do mundo

   
    [...] As palavras não são rótulos postos sobre coisas que já existem, mas sim expressões da nossa forma de ver o mundo. Essa correlação ficou conhecida como hipótese de Sapir e Whorf. Ao estudarem as línguas indígenas da América do Norte, Edward Sapir (1884-1939) e Benjamin Lee Whorf (1897-1941) chegaram à conclusão de que a língua não é “um instrumento de comunicação”, [...] mas sim um fator decisivo na formação da visão do mundo.

A invenção da “mudança climática” e do “aquecimento global”

    Está em cartaz no Sesc Pompeia a exuberante exposição Amazônia. Com curadoria de Lélia Wanick Salgado, a exposição conta com fotos monumentais de Sebastião Salgado e com belos recursos audiovisuais. Entre eles, há vídeos com depoimentos de lideranças indígenas das regiões fotografadas, relatando dificuldades que lhes vêm sendo impostas pela ação dos não indígenas – inclusive na forma de políticas públicas.
    Em um desses depoimentos, Afukaká Kuikuro, cacique do povo kuikuro, denuncia como agressões do “homem branco” à natureza têm gerado prejuízos imensuráveis à sobrevivência na/da floresta. A certa altura, falando dos efeitos danosos da ação humana, ele pondera: “o homem branco chama isso de ‘mudança climática’”.
     É um rico exercício de alteridade tentarmos analisar essa expressão linguística sob a ótica indígena. O termo “mudança climática” chama atenção do cacique, ao que tudo indica, por soar conveniente, quase hipócrita. Sem fazer menção explícita ao ato de devastar e destruir o meio ambiente, adotamos regularmente um substantivo que expressa um processo, o que acaba por criar a impressão de que se trata de algo em curso natural, espontâneo.
   Mesmo o termo “aquecimento global” pode ser visto nesse viés. Ainda que “mudança” e “aquecimento” possam ser (e no caso são) processos induzidos, o responsável por essa indução desaparece em ambas as expressões. Nessa ótica, não deixa de parecer desfaçatez do nosso mundo dizer aos indígenas que está havendo uma “mudança climática” ou um “aquecimento global”, quando o que temos é a destruição do meio ambiente.

Pode chamar de “Antropoceno”

     O conhecimento científico de geólogos, arqueólogos, geoquímicos, oceanógrafos e paleontólogos já permite afirmar que entramos em uma nova era geológica, a qual vem sendo chamada de “Antropoceno”. O termo, ao incorporar o radical grego “antropo-” (“homem”), explicita os impactos da ação humana na crise climática atual, deixando claro o papel que temos – uns menos, outros bem mais – nesse atual estado de coisas. Segundo artigo de José Eustáquio Diniz Alves:
     “O Antropoceno representa um novo período da história do Planeta, em que o ser humano se tornou a força impulsionadora da degradação ambiental e o vetor de ações que são catalisadoras de uma provável catástrofe ecológica”.
    Com algum otimismo, porém, se o termo “Antropoceno”  aponta explicitamente a responsabilidade humana em uma “provável catástrofe ecológica”, ele também pode nos mostrar a possibilidade de intervirmos nesse rumo. Ou, recorrendo mais uma vez à sabedoria de povos originários, podemos investir em “ideias para adiar o fim do mundo” – título do brilhante ensaio de Ailton Krenak, liderança indígena que precisa ser cada vez mais ouvida.


BRAGA, Henrique; MÓDULO, Marcelo. Nomes brandos para o fim do mundo. Jornal da USP. 1° abr. 2022. Disponível em: . Acesso em: 5 abr. 2022. (Adaptado).
O núcleo temático que permeia todo o texto gira em torno da consideração de que
Alternativas
Q4151163 Português
Zeca Ligiéro é um pesquisador de estudos da performance afro ameríndias que busca compreender a diversidade das origens do teatro como manifestação artística de um povo e/ou grupo social. Em Teatro das origens, Zeca Ligiéro afirma:

Estarei falando e propondo o estudo de uma variedade de origens que poderia, cada uma delas, caber dentro dessa pequena fragata de plástico ou vidro. Não pretendo enaltecer esta ou aquela origem, mas perceber a precariedade de mundo, em que sempre as origens de uns parecem ser suficientes para massacrar as origens de outros e a própria palavra ‘origem’ é deslocada para outros contextos a fim de atender propósitos de confinamentos e afirmação de uma verdade exclusiva para comprovar a superioridade de uma sobre as demais.

Diante do exposto, o autor
Alternativas
Q4151149 Português
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é a referência nacional para a formulação dos currículos dos sistemas e das redes escolares dos estados, do Distrito Federal e dos municípios e das propostas pedagógicas das instituições escolares. Na BNCC, o Ensino Fundamental, nos anos iniciais e anos finais, está organizado em cinco áreas do conhecimento, a saber: as linguagens, a matemática, as ciências da natureza, as ciências humanas e
Alternativas
Q4151127 Português

Leia o Texto II a seguir para responder à questão.


Texto II


Q8_10.png (349×345)


Disponível em:< http://dragoesdegaragem.com/cientirinhas/cientirinhas-50/>.

Acesso em: 20 abr. 2020.



A constituição geral do humor no Texto II é estabelecida a partir da contraposição entre
Alternativas
Q4151126 Português
Leia o Texto I a seguir para responder à questão.


Texto I


Notícias falsas: os “novos vetores”


A proliferação de notícias falsas (“fake news”) está contribuindo tanto quanto os insetos para o retrocesso no combate a velhas e novas epidemias. Segundo uma pesquisa realizada este ano pelo Ibope, sob encomenda da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), em parceria com a rede de mobilização social Avaaz, dois terços dos brasileiros acreditam em ao menos uma afirmação imprecisa sobre vacinação. 

Intitulado “As Fake News estão nos deixando doentes?”, o estudo teve como objetivo investigar a associação entre a desinformação e a queda nas coberturas vacinais verificadas nos últimos anos. O Ibope entrevistou cerca de duas mil pessoas acima de 16 anos, em todos os estados e no Distrito Federal e revelou o peso da ignorância e de informações falsas para o avanço de novas e antigas epidemias.

“Esse é de fato um fenômeno novo com o qual temos que aprender a lidar”, constata a professora Celina Turchi. Apesar disso, a pesquisadora da Fiocruz-PE acredita na efetividade da divulgação constante de informações sobre as formas de prevenção e controle das doenças infecciosas transmitidas por vetores, como parte das estratégias de controle de criadouros de mosquitos.

“Creio que a população, em geral, compreende mensagens como a importância da manutenção de vasos sem água, tampar vasilhames, colocar garrafas e pneus em posição que não possibilite o acúmulo de água, e tenta manter esse tipo de proteção, particularmente durante as epidemias”. 

“É um fato complicado, talvez estejamos chegando próximos ao Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley”, comentou a professora Selma Jeronimo sobre as notícias falsas que têm levado pessoas a desacreditarem a ciência e medidas como a vacinação. No entanto, ela que é também presidente da Sociedade Brasileira de Bioquímica (SBBq) se diz otimista e pontua que as pessoas que não acreditam na ciência, na verdade, são minoria. “A ciência está para ficar, nunca tivemos tanta sobrevida para cânceres como hoje”. Jeronimo disse que tem esperança porque há hoje, no mundo, inteligência suficiente para identificar os problemas. “A gente só escuta quem grita. Essa onda de ‘fake news’ é porque uma minoria está gritando mais”. 

“As fake news confundem a sociedade, prejudicando a tomada de decisão no nível individual e mesmo no coletivo”, diz o professor Wilson Savino. Para combater as notícias falsas, afirma o pesquisador da Fiocruz, é preciso “um ministério de ciência e tecnologia forte, com recursos muito mais importantes que os atuais, que permitam avanços importantes, de base científica e tecnológica, que serão entregues à sociedade, visando à melhoria de vida das pessoas”. 

Além disso, a longo prazo, políticas de ciência e tecnologia precisam estar associadas a uma educação forte nos seus diversos níveis, com a formação de pensamento crítico, tão importante no desenvolvimento de qualquer sociedade. “Os custos gerados por tais políticas são mínimos comparados aos benefícios para a sociedade”, conclui Savino.


Disponível em: <http://jcnoticias.jornaldaciencia.org.br/wpcontent/uploads/2019/12/JC_787.pdf>. Acesso em: 23 mar. 2020. (Adaptado).

Na progressão temática do texto, qual trecho apresenta um processo de referenciação catafórica a partir do qual se acrescenta um atributo a um referente humano?
Alternativas
Q4151124 Português
Leia o Texto I a seguir para responder à questão.


Texto I


Notícias falsas: os “novos vetores”


A proliferação de notícias falsas (“fake news”) está contribuindo tanto quanto os insetos para o retrocesso no combate a velhas e novas epidemias. Segundo uma pesquisa realizada este ano pelo Ibope, sob encomenda da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), em parceria com a rede de mobilização social Avaaz, dois terços dos brasileiros acreditam em ao menos uma afirmação imprecisa sobre vacinação. 

Intitulado “As Fake News estão nos deixando doentes?”, o estudo teve como objetivo investigar a associação entre a desinformação e a queda nas coberturas vacinais verificadas nos últimos anos. O Ibope entrevistou cerca de duas mil pessoas acima de 16 anos, em todos os estados e no Distrito Federal e revelou o peso da ignorância e de informações falsas para o avanço de novas e antigas epidemias.

“Esse é de fato um fenômeno novo com o qual temos que aprender a lidar”, constata a professora Celina Turchi. Apesar disso, a pesquisadora da Fiocruz-PE acredita na efetividade da divulgação constante de informações sobre as formas de prevenção e controle das doenças infecciosas transmitidas por vetores, como parte das estratégias de controle de criadouros de mosquitos.

“Creio que a população, em geral, compreende mensagens como a importância da manutenção de vasos sem água, tampar vasilhames, colocar garrafas e pneus em posição que não possibilite o acúmulo de água, e tenta manter esse tipo de proteção, particularmente durante as epidemias”. 

“É um fato complicado, talvez estejamos chegando próximos ao Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley”, comentou a professora Selma Jeronimo sobre as notícias falsas que têm levado pessoas a desacreditarem a ciência e medidas como a vacinação. No entanto, ela que é também presidente da Sociedade Brasileira de Bioquímica (SBBq) se diz otimista e pontua que as pessoas que não acreditam na ciência, na verdade, são minoria. “A ciência está para ficar, nunca tivemos tanta sobrevida para cânceres como hoje”. Jeronimo disse que tem esperança porque há hoje, no mundo, inteligência suficiente para identificar os problemas. “A gente só escuta quem grita. Essa onda de ‘fake news’ é porque uma minoria está gritando mais”. 

“As fake news confundem a sociedade, prejudicando a tomada de decisão no nível individual e mesmo no coletivo”, diz o professor Wilson Savino. Para combater as notícias falsas, afirma o pesquisador da Fiocruz, é preciso “um ministério de ciência e tecnologia forte, com recursos muito mais importantes que os atuais, que permitam avanços importantes, de base científica e tecnológica, que serão entregues à sociedade, visando à melhoria de vida das pessoas”. 

Além disso, a longo prazo, políticas de ciência e tecnologia precisam estar associadas a uma educação forte nos seus diversos níveis, com a formação de pensamento crítico, tão importante no desenvolvimento de qualquer sociedade. “Os custos gerados por tais políticas são mínimos comparados aos benefícios para a sociedade”, conclui Savino.


Disponível em: <http://jcnoticias.jornaldaciencia.org.br/wpcontent/uploads/2019/12/JC_787.pdf>. Acesso em: 23 mar. 2020. (Adaptado).

Segundo o texto, de maneira mais imediata, o combate às “fake news” na área da ciência passa
Alternativas
Q4151122 Português
Leia o Texto I a seguir para responder à questão.


Texto I


Notícias falsas: os “novos vetores”


A proliferação de notícias falsas (“fake news”) está contribuindo tanto quanto os insetos para o retrocesso no combate a velhas e novas epidemias. Segundo uma pesquisa realizada este ano pelo Ibope, sob encomenda da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), em parceria com a rede de mobilização social Avaaz, dois terços dos brasileiros acreditam em ao menos uma afirmação imprecisa sobre vacinação. 

Intitulado “As Fake News estão nos deixando doentes?”, o estudo teve como objetivo investigar a associação entre a desinformação e a queda nas coberturas vacinais verificadas nos últimos anos. O Ibope entrevistou cerca de duas mil pessoas acima de 16 anos, em todos os estados e no Distrito Federal e revelou o peso da ignorância e de informações falsas para o avanço de novas e antigas epidemias.

“Esse é de fato um fenômeno novo com o qual temos que aprender a lidar”, constata a professora Celina Turchi. Apesar disso, a pesquisadora da Fiocruz-PE acredita na efetividade da divulgação constante de informações sobre as formas de prevenção e controle das doenças infecciosas transmitidas por vetores, como parte das estratégias de controle de criadouros de mosquitos.

“Creio que a população, em geral, compreende mensagens como a importância da manutenção de vasos sem água, tampar vasilhames, colocar garrafas e pneus em posição que não possibilite o acúmulo de água, e tenta manter esse tipo de proteção, particularmente durante as epidemias”. 

“É um fato complicado, talvez estejamos chegando próximos ao Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley”, comentou a professora Selma Jeronimo sobre as notícias falsas que têm levado pessoas a desacreditarem a ciência e medidas como a vacinação. No entanto, ela que é também presidente da Sociedade Brasileira de Bioquímica (SBBq) se diz otimista e pontua que as pessoas que não acreditam na ciência, na verdade, são minoria. “A ciência está para ficar, nunca tivemos tanta sobrevida para cânceres como hoje”. Jeronimo disse que tem esperança porque há hoje, no mundo, inteligência suficiente para identificar os problemas. “A gente só escuta quem grita. Essa onda de ‘fake news’ é porque uma minoria está gritando mais”. 

“As fake news confundem a sociedade, prejudicando a tomada de decisão no nível individual e mesmo no coletivo”, diz o professor Wilson Savino. Para combater as notícias falsas, afirma o pesquisador da Fiocruz, é preciso “um ministério de ciência e tecnologia forte, com recursos muito mais importantes que os atuais, que permitam avanços importantes, de base científica e tecnológica, que serão entregues à sociedade, visando à melhoria de vida das pessoas”. 

Além disso, a longo prazo, políticas de ciência e tecnologia precisam estar associadas a uma educação forte nos seus diversos níveis, com a formação de pensamento crítico, tão importante no desenvolvimento de qualquer sociedade. “Os custos gerados por tais políticas são mínimos comparados aos benefícios para a sociedade”, conclui Savino.


Disponível em: <http://jcnoticias.jornaldaciencia.org.br/wpcontent/uploads/2019/12/JC_787.pdf>. Acesso em: 23 mar. 2020. (Adaptado).

A obra “Admirável Mundo Novo” apresenta um mundo onde o controle social não dá espaços ao acaso. Por isso, ao dizer que talvez estejamos próximos desse mundo, a professora Selma Jeronimo constrói o pressuposto de que
Alternativas
Q4151120 Português
Leia o Texto I a seguir para responder à questão.


Texto I


Notícias falsas: os “novos vetores”


A proliferação de notícias falsas (“fake news”) está contribuindo tanto quanto os insetos para o retrocesso no combate a velhas e novas epidemias. Segundo uma pesquisa realizada este ano pelo Ibope, sob encomenda da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), em parceria com a rede de mobilização social Avaaz, dois terços dos brasileiros acreditam em ao menos uma afirmação imprecisa sobre vacinação. 

Intitulado “As Fake News estão nos deixando doentes?”, o estudo teve como objetivo investigar a associação entre a desinformação e a queda nas coberturas vacinais verificadas nos últimos anos. O Ibope entrevistou cerca de duas mil pessoas acima de 16 anos, em todos os estados e no Distrito Federal e revelou o peso da ignorância e de informações falsas para o avanço de novas e antigas epidemias.

“Esse é de fato um fenômeno novo com o qual temos que aprender a lidar”, constata a professora Celina Turchi. Apesar disso, a pesquisadora da Fiocruz-PE acredita na efetividade da divulgação constante de informações sobre as formas de prevenção e controle das doenças infecciosas transmitidas por vetores, como parte das estratégias de controle de criadouros de mosquitos.

“Creio que a população, em geral, compreende mensagens como a importância da manutenção de vasos sem água, tampar vasilhames, colocar garrafas e pneus em posição que não possibilite o acúmulo de água, e tenta manter esse tipo de proteção, particularmente durante as epidemias”. 

“É um fato complicado, talvez estejamos chegando próximos ao Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley”, comentou a professora Selma Jeronimo sobre as notícias falsas que têm levado pessoas a desacreditarem a ciência e medidas como a vacinação. No entanto, ela que é também presidente da Sociedade Brasileira de Bioquímica (SBBq) se diz otimista e pontua que as pessoas que não acreditam na ciência, na verdade, são minoria. “A ciência está para ficar, nunca tivemos tanta sobrevida para cânceres como hoje”. Jeronimo disse que tem esperança porque há hoje, no mundo, inteligência suficiente para identificar os problemas. “A gente só escuta quem grita. Essa onda de ‘fake news’ é porque uma minoria está gritando mais”. 

“As fake news confundem a sociedade, prejudicando a tomada de decisão no nível individual e mesmo no coletivo”, diz o professor Wilson Savino. Para combater as notícias falsas, afirma o pesquisador da Fiocruz, é preciso “um ministério de ciência e tecnologia forte, com recursos muito mais importantes que os atuais, que permitam avanços importantes, de base científica e tecnológica, que serão entregues à sociedade, visando à melhoria de vida das pessoas”. 

Além disso, a longo prazo, políticas de ciência e tecnologia precisam estar associadas a uma educação forte nos seus diversos níveis, com a formação de pensamento crítico, tão importante no desenvolvimento de qualquer sociedade. “Os custos gerados por tais políticas são mínimos comparados aos benefícios para a sociedade”, conclui Savino.


Disponível em: <http://jcnoticias.jornaldaciencia.org.br/wpcontent/uploads/2019/12/JC_787.pdf>. Acesso em: 23 mar. 2020. (Adaptado).

O caráter inusitado da tese defendida no texto está no fato de que
Alternativas
Ano: 2022 Banca: IV - UFG Órgão: Prefeitura de Goiânia - GO Provas: IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico Auditor | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Cardiologista | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Cirurgião Geral | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Cirurgião Vascular | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Clínico Geral/Generalista | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Coloproctologista | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Dermatologista | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Neurologista | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Endocrinologista | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Gastroenterologista | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Oftalmologista | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Geriatra | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Ginecologista/Obstetra | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Hematologista | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Infectologista | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Mastologista | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Médico do Trabalho | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Nefrologista | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Oncologista | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Ortopedista/Traumatologista | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Especialista em Saúde - Cirurgião Dentista - Bucomaxilo | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Patologista | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Especialista em Saúde - Cirurgião Dentista - Clínico Geral | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Pediatra | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Perito | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Pneumologista | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Psiquiatra | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Otorrinolaringologista | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Radiologista | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Especialista em Saúde - Cirurgião Dentista - Endodontista | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Especialista em Saúde - Cirurgião Dentista - Periodontista | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Especialista em Saúde - Cirurgião Dentista - Prótese Dentária | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Especialista em Saúde - Cirurgião Dentista - Odontólogo para Pacientes com Necessidades Especiais | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Especialista em Saúde - Cirurgião Dentista - Odontopediatra | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Especialista em Saúde - Enfermeiro do Trabalho | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Especialista em Saúde - Enfermeiro Geral | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Especialista em Saúde - Enfermeiro Intensivista em Neonatologia e/ou Pediatria | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Regulador | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Sanitarista | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Ultrassonografista | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Urologista | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Especialista em Saúde - Enfermeiro Intervencionista | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Especialista em Saúde - Enfermeiro Neonatologista | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Especialista em Saúde - Enfermeiro Obstetra | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Especialista em Saúde - Enfermeiro Psiquiatra |
Q4150739 Português
Leia o texto a seguir para responder à questao.


Nomes brandos para o fim do mundo


     [...] As palavras não são rótulos postos sobre coisas que já existem, mas sim expressões da nossa forma de ver o mundo. Essa correlação ficou conhecida como hipótese de Sapir e Whorf. Ao estudarem as línguas indígenas da América do Norte, Edward Sapir (1884-1939) e Benjamin Lee Whorf (1897-1941) chegaram à conclusão de que a língua não é “um instrumento de comunicação”, [...] mas sim um fator decisivo na formação da visão do mundo.

A invenção da “mudança climática” e do “aquecimento global”

     Está em cartaz no Sesc Pompeia a exuberante exposição Amazônia. Com curadoria de Lélia Wanick Salgado, a exposição conta com fotos monumentais de Sebastião Salgado e com belos recursos audiovisuais. Entre eles, há vídeos com depoimentos de lideranças indígenas das regiões fotografadas, relatando dificuldades que lhes vêm sendo impostas pela ação dos não indígenas – inclusive na forma de políticas públicas.

     Em um desses depoimentos, Afukaká Kuikuro, cacique do povo kuikuro, denuncia como agressões do “homem branco” à natureza têm gerado prejuízos imensuráveis à sobrevivência na/da floresta. A certa altura, falando dos efeitos danosos da ação humana, ele pondera: “o homem branco chama isso de ‘mudança climática’”.

     É um rico exercício de alteridade tentarmos analisar essa expressão linguística sob a ótica indígena. O termo “mudança climática” chama atenção do cacique, ao que tudo indica, por soar conveniente, quase hipócrita. Sem fazer menção explícita ao ato de devastar e destruir o meio ambiente, adotamos regularmente um substantivo que expressa um processo, o que acaba por criar a impressão de que se trata de algo em curso natural, espontâneo.

    Mesmo o termo “aquecimento global” pode ser visto nesse viés. Ainda que “mudança” e “aquecimento” possam ser (e no caso são) processos induzidos, o responsável por essa indução desaparece em ambas as expressões. Nessa ótica, não deixa de parecer desfaçatez do nosso mundo dizer aos indígenas que está havendo uma “mudança climática” ou um “aquecimento global”, quando o que temos é a destruição do meio ambiente.

Pode chamar de “Antropoceno”

     O conhecimento científico de geólogos, arqueólogos, geoquímicos, oceanógrafos e paleontólogos já permite afirmar que entramos em uma nova era geológica, a qual vem sendo chamada de “Antropoceno”. O termo, ao incorporar o radical grego “antropo-” (“homem”), explicita os impactos da ação humana na crise climática atual, deixando claro o papel que temos – uns menos, outros bem mais – nesse atual estado de coisas. Segundo artigo de José Eustáquio Diniz Alves:

    “O Antropoceno representa um novo período da história do Planeta, em que o ser humano se tornou a força impulsionadora da degradação ambiental e o vetor de ações que são catalisadoras de uma provável catástrofe ecológica”.

Com algum otimismo, porém, se o termo “Antropoceno” aponta explicitamente a responsabilidade humana em uma “provável catástrofe ecológica”, ele também pode nos mostrar a possibilidade de intervirmos nesse rumo. Ou, recorrendo mais uma vez à sabedoria de povos originários, podemos investir em “ideias para adiar o fim do mundo” – título do brilhante ensaio de Ailton Krenak, liderança indígena que precisa ser cada vez mais ouvida.


BRAGA, Henrique; MÓDULO, Marcelo. Nomes brandos para o fim do mundo.
Jornal da USP. 1° abr. 2022. Disponível em: <https://jornal.usp.br/artigos/nomes-brandos-para-o-fim-do-mundo/>. Acesso em: 5 abr. 2022. (Adaptado).
O “exercício de alteridade” ao qual o texto se refere diz respeito à
Alternativas
Ano: 2022 Banca: IV - UFG Órgão: Prefeitura de Goiânia - GO Provas: IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico Auditor | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Cardiologista | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Cirurgião Geral | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Cirurgião Vascular | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Clínico Geral/Generalista | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Coloproctologista | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Dermatologista | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Neurologista | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Endocrinologista | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Gastroenterologista | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Oftalmologista | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Geriatra | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Ginecologista/Obstetra | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Hematologista | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Infectologista | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Mastologista | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Médico do Trabalho | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Nefrologista | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Oncologista | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Ortopedista/Traumatologista | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Especialista em Saúde - Cirurgião Dentista - Bucomaxilo | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Patologista | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Especialista em Saúde - Cirurgião Dentista - Clínico Geral | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Pediatra | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Perito | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Pneumologista | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Psiquiatra | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Otorrinolaringologista | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Radiologista | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Especialista em Saúde - Cirurgião Dentista - Endodontista | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Especialista em Saúde - Cirurgião Dentista - Periodontista | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Especialista em Saúde - Cirurgião Dentista - Prótese Dentária | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Especialista em Saúde - Cirurgião Dentista - Odontólogo para Pacientes com Necessidades Especiais | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Especialista em Saúde - Cirurgião Dentista - Odontopediatra | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Especialista em Saúde - Enfermeiro do Trabalho | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Especialista em Saúde - Enfermeiro Geral | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Especialista em Saúde - Enfermeiro Intensivista em Neonatologia e/ou Pediatria | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Regulador | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Sanitarista | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Ultrassonografista | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Urologista | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Especialista em Saúde - Enfermeiro Intervencionista | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Especialista em Saúde - Enfermeiro Neonatologista | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Especialista em Saúde - Enfermeiro Obstetra | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Especialista em Saúde - Enfermeiro Psiquiatra |
Q4150737 Português
Leia o texto a seguir para responder à questao.


Nomes brandos para o fim do mundo


     [...] As palavras não são rótulos postos sobre coisas que já existem, mas sim expressões da nossa forma de ver o mundo. Essa correlação ficou conhecida como hipótese de Sapir e Whorf. Ao estudarem as línguas indígenas da América do Norte, Edward Sapir (1884-1939) e Benjamin Lee Whorf (1897-1941) chegaram à conclusão de que a língua não é “um instrumento de comunicação”, [...] mas sim um fator decisivo na formação da visão do mundo.

A invenção da “mudança climática” e do “aquecimento global”

     Está em cartaz no Sesc Pompeia a exuberante exposição Amazônia. Com curadoria de Lélia Wanick Salgado, a exposição conta com fotos monumentais de Sebastião Salgado e com belos recursos audiovisuais. Entre eles, há vídeos com depoimentos de lideranças indígenas das regiões fotografadas, relatando dificuldades que lhes vêm sendo impostas pela ação dos não indígenas – inclusive na forma de políticas públicas.

     Em um desses depoimentos, Afukaká Kuikuro, cacique do povo kuikuro, denuncia como agressões do “homem branco” à natureza têm gerado prejuízos imensuráveis à sobrevivência na/da floresta. A certa altura, falando dos efeitos danosos da ação humana, ele pondera: “o homem branco chama isso de ‘mudança climática’”.

     É um rico exercício de alteridade tentarmos analisar essa expressão linguística sob a ótica indígena. O termo “mudança climática” chama atenção do cacique, ao que tudo indica, por soar conveniente, quase hipócrita. Sem fazer menção explícita ao ato de devastar e destruir o meio ambiente, adotamos regularmente um substantivo que expressa um processo, o que acaba por criar a impressão de que se trata de algo em curso natural, espontâneo.

    Mesmo o termo “aquecimento global” pode ser visto nesse viés. Ainda que “mudança” e “aquecimento” possam ser (e no caso são) processos induzidos, o responsável por essa indução desaparece em ambas as expressões. Nessa ótica, não deixa de parecer desfaçatez do nosso mundo dizer aos indígenas que está havendo uma “mudança climática” ou um “aquecimento global”, quando o que temos é a destruição do meio ambiente.

Pode chamar de “Antropoceno”

     O conhecimento científico de geólogos, arqueólogos, geoquímicos, oceanógrafos e paleontólogos já permite afirmar que entramos em uma nova era geológica, a qual vem sendo chamada de “Antropoceno”. O termo, ao incorporar o radical grego “antropo-” (“homem”), explicita os impactos da ação humana na crise climática atual, deixando claro o papel que temos – uns menos, outros bem mais – nesse atual estado de coisas. Segundo artigo de José Eustáquio Diniz Alves:

    “O Antropoceno representa um novo período da história do Planeta, em que o ser humano se tornou a força impulsionadora da degradação ambiental e o vetor de ações que são catalisadoras de uma provável catástrofe ecológica”.

Com algum otimismo, porém, se o termo “Antropoceno” aponta explicitamente a responsabilidade humana em uma “provável catástrofe ecológica”, ele também pode nos mostrar a possibilidade de intervirmos nesse rumo. Ou, recorrendo mais uma vez à sabedoria de povos originários, podemos investir em “ideias para adiar o fim do mundo” – título do brilhante ensaio de Ailton Krenak, liderança indígena que precisa ser cada vez mais ouvida.


BRAGA, Henrique; MÓDULO, Marcelo. Nomes brandos para o fim do mundo.
Jornal da USP. 1° abr. 2022. Disponível em: <https://jornal.usp.br/artigos/nomes-brandos-para-o-fim-do-mundo/>. Acesso em: 5 abr. 2022. (Adaptado).
Conforme o texto, fazer uso da palavra antropoceno para designar a nova era geológica tem como consequência:
Alternativas
Ano: 2022 Banca: IV - UFG Órgão: Prefeitura de Goiânia - GO Provas: IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico Auditor | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Cardiologista | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Cirurgião Geral | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Cirurgião Vascular | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Clínico Geral/Generalista | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Coloproctologista | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Dermatologista | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Neurologista | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Endocrinologista | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Gastroenterologista | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Oftalmologista | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Geriatra | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Ginecologista/Obstetra | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Hematologista | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Infectologista | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Mastologista | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Médico do Trabalho | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Nefrologista | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Oncologista | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Ortopedista/Traumatologista | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Especialista em Saúde - Cirurgião Dentista - Bucomaxilo | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Patologista | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Especialista em Saúde - Cirurgião Dentista - Clínico Geral | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Pediatra | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Perito | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Pneumologista | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Psiquiatra | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Otorrinolaringologista | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Radiologista | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Especialista em Saúde - Cirurgião Dentista - Endodontista | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Especialista em Saúde - Cirurgião Dentista - Periodontista | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Especialista em Saúde - Cirurgião Dentista - Prótese Dentária | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Especialista em Saúde - Cirurgião Dentista - Odontólogo para Pacientes com Necessidades Especiais | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Especialista em Saúde - Cirurgião Dentista - Odontopediatra | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Especialista em Saúde - Enfermeiro do Trabalho | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Especialista em Saúde - Enfermeiro Geral | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Especialista em Saúde - Enfermeiro Intensivista em Neonatologia e/ou Pediatria | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Regulador | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Sanitarista | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Ultrassonografista | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Médico - Urologista | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Especialista em Saúde - Enfermeiro Intervencionista | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Especialista em Saúde - Enfermeiro Neonatologista | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Especialista em Saúde - Enfermeiro Obstetra | IV - UFG - 2022 - Prefeitura de Goiânia - GO - Especialista em Saúde - Enfermeiro Psiquiatra |
Q4150735 Português
Leia o texto a seguir para responder à questao.


Nomes brandos para o fim do mundo


     [...] As palavras não são rótulos postos sobre coisas que já existem, mas sim expressões da nossa forma de ver o mundo. Essa correlação ficou conhecida como hipótese de Sapir e Whorf. Ao estudarem as línguas indígenas da América do Norte, Edward Sapir (1884-1939) e Benjamin Lee Whorf (1897-1941) chegaram à conclusão de que a língua não é “um instrumento de comunicação”, [...] mas sim um fator decisivo na formação da visão do mundo.

A invenção da “mudança climática” e do “aquecimento global”

     Está em cartaz no Sesc Pompeia a exuberante exposição Amazônia. Com curadoria de Lélia Wanick Salgado, a exposição conta com fotos monumentais de Sebastião Salgado e com belos recursos audiovisuais. Entre eles, há vídeos com depoimentos de lideranças indígenas das regiões fotografadas, relatando dificuldades que lhes vêm sendo impostas pela ação dos não indígenas – inclusive na forma de políticas públicas.

     Em um desses depoimentos, Afukaká Kuikuro, cacique do povo kuikuro, denuncia como agressões do “homem branco” à natureza têm gerado prejuízos imensuráveis à sobrevivência na/da floresta. A certa altura, falando dos efeitos danosos da ação humana, ele pondera: “o homem branco chama isso de ‘mudança climática’”.

     É um rico exercício de alteridade tentarmos analisar essa expressão linguística sob a ótica indígena. O termo “mudança climática” chama atenção do cacique, ao que tudo indica, por soar conveniente, quase hipócrita. Sem fazer menção explícita ao ato de devastar e destruir o meio ambiente, adotamos regularmente um substantivo que expressa um processo, o que acaba por criar a impressão de que se trata de algo em curso natural, espontâneo.

    Mesmo o termo “aquecimento global” pode ser visto nesse viés. Ainda que “mudança” e “aquecimento” possam ser (e no caso são) processos induzidos, o responsável por essa indução desaparece em ambas as expressões. Nessa ótica, não deixa de parecer desfaçatez do nosso mundo dizer aos indígenas que está havendo uma “mudança climática” ou um “aquecimento global”, quando o que temos é a destruição do meio ambiente.

Pode chamar de “Antropoceno”

     O conhecimento científico de geólogos, arqueólogos, geoquímicos, oceanógrafos e paleontólogos já permite afirmar que entramos em uma nova era geológica, a qual vem sendo chamada de “Antropoceno”. O termo, ao incorporar o radical grego “antropo-” (“homem”), explicita os impactos da ação humana na crise climática atual, deixando claro o papel que temos – uns menos, outros bem mais – nesse atual estado de coisas. Segundo artigo de José Eustáquio Diniz Alves:

    “O Antropoceno representa um novo período da história do Planeta, em que o ser humano se tornou a força impulsionadora da degradação ambiental e o vetor de ações que são catalisadoras de uma provável catástrofe ecológica”.

Com algum otimismo, porém, se o termo “Antropoceno” aponta explicitamente a responsabilidade humana em uma “provável catástrofe ecológica”, ele também pode nos mostrar a possibilidade de intervirmos nesse rumo. Ou, recorrendo mais uma vez à sabedoria de povos originários, podemos investir em “ideias para adiar o fim do mundo” – título do brilhante ensaio de Ailton Krenak, liderança indígena que precisa ser cada vez mais ouvida.


BRAGA, Henrique; MÓDULO, Marcelo. Nomes brandos para o fim do mundo.
Jornal da USP. 1° abr. 2022. Disponível em: <https://jornal.usp.br/artigos/nomes-brandos-para-o-fim-do-mundo/>. Acesso em: 5 abr. 2022. (Adaptado).
O núcleo temático que permeia todo o texto gira em torno da consideração de que
Alternativas
Q4142490 Português
O ensino coletivo de música tem sido cada vez mais aceito por professores e instituições de ensino no Brasil (MONTANDON, 2004), tendo um papel que vai além do ensino musical, sendo também um papel social. Desse modo, “o educador musical deve assumir um posicionamento crítico e reflexivo no sentido de intervenção social” (CRUVINEL, 2004), com consciência do seu papel na sociedade e na formação de cidadãos. Portanto, compreendendo “o contexto social, econômico, político e cultural em que está inserido, para que sua atuação seja crítica e eficaz na transformação social” (CRUVINEL, 2003). Com base nessas ideias acerca da educação musical, qual das alternativas abaixo NÃO está de acordo com o diálogo sobre o ensino musical na atualidade? 
Alternativas
Ano: 2022 Banca: UFCA Órgão: UFCA Prova: UFCA - 2022 - UFCA - Produtor Cultural |
Q4142357 Português
40.png (473×258) Créditos: blogdotroll.com.br (reirado do síio eletrônico: www.todamateria.com.br)

A participação em um edital público demanda que o proponente saiba gerir uma série de exigências como, por exemplo, adequação de uma ideia ao formato de um projeto cultural, planejamento das atividades, previsão de gastos, controle de recursos e prestação de contas.

Relacionando a igura com o enunciado da questão, podemos chegar à seguinte conclusão:
Alternativas
Respostas
19201: D
19202: D
19203: A
19204: C
19205: D
19206: A
19207: B
19208: D
19209: A
19210: B
19211: B
19212: A
19213: A
19214: D
19215: C
19216: C
19217: A
19218: D
19219: C
19220: D