Questões de Concurso Sobre morfologia - verbos em português

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Q4091772 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.



Mundo preto e branco



    Era um mundo preto e branco. Todo o planeta consistia apenas em branco, preto, cinza e suas respectivas tonalidades.


    As pessoas caminhavam sob um céu cinza durante o dia e sob um manto carvão à noite. A humanidade consistia de 5 raças: branco, preto, cinza, granizo e chumbo.


    Mas, em uma estranha manhã, o céu amanheceu azul. As flores carvão tornaram-se vermelhas, amarelas, verdes cintilantes. Em todo o planeta, mares cinzas ganharam tonalidades de verde e azul. E as planícies desbotadas revelavam cores múltiplas.


    Naquele dia, as pessoas entraram em pânico. Anunciaram o fim do mundo. Gritaram, fizeram cortes em si mesmas, imploraram misericórdia.


    No entanto, sem qualquer explicação, o fenômeno durou apenas um dia. Na manhã seguinte, quando o céu voltou a ser cinza, as pessoas agradeceram por terem sobrevivido àquele dia de apocalipse.


MARTINZ, Juliano. Mundo preto e branco. Corrosiva. (Adaptado) Disponível .  <https://corrosiva.com.br/cronicas/mundo-preto-ebranco/>.

"Na manhã seguinte, quando o céu voltou a ser cinza, as pessoas agradeceram"



A forma verbal destacada no trecho acima indica:

Alternativas
Q4091737 Português
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CAZO. Novo filme. Disponível em <https://blogdoaftm.com.br/charge-novo-filme/>.

Na fala do personagem da charge acima, cada uma das formas verbais "derrote" е "aparecem", nessa ordem, indica:
Alternativas
Q4091671 Português
Considere o fragmento a seguir para as questões:


Ao pensarmos no Museu Padre José Gaertner como um lugar de memória e produção educacional, trabalhamos com os objetos através de problemáticas históricas. Nós, como museu, buscamos servir como um espaço de reflexão crítica, no qual a educação está envolvida em uma maior percepção e em um melhor entendimento do mundo em que vivemos.


Fonte: https://museu.mcr.pr.gov.br  
Assinale a alternativa que apresenta uma análise correta do tempo e modo verbal predominante no fragmento dado. 
Alternativas
Q4091451 Português
Assinale a alternativa em que há erro de concordância verbal. 
Alternativas
Q4091333 Português
Atenção: Considere o texto de Sérgio Rodrigues para responder à questão.


    Para a maioria dos brasileiros a pronúncia é "récorde", proparoxítona, e não, como recomendam dez entre dez sábios, "recórde", paroxítona. Estamos diante de um caso clássico de desobediência civil, em que a língua da vida real vai para um lado e a dos sábios, para o outro.

    Recorde, termo adaptado do inglês record, pode ser substantivo - significando a melhor marca esportiva, o desempenho a ser superado - ou adjetivo - com sentido equivalente: "tempo recorde", "velocidade recorde”. Quanto a isso, estamos todos de acordo. A divergência começa na hora de definir a prosódia da palavra. Em seu Dicionário de palavras & expressões estrangeiras, Luís Augusto Fischer observa com irreverência que há "duas pronúncias: a que os gramáticos preferem, 'recórde', ou a do resto da humanidade, 'récorde". É mais ou menos isso. Basta trocar, na frase de Fischer, "o resto da humanidade" por "a maioria dos brasileiros" que ela fica perfeita. Em Portugal, a inclinação por "recórde" parece inquestionável. Aqui, ocorre o inverso.

    Sempre pronunciei "récorde". Puxando pela memória, não consigo pensar em ninguém que não o faça. Se, como em tantos casos, nossos dicionários e gramáticas ainda se aferram de maneira um tanto acrítica à preferência lusitana, isso é um problema deles, que precisa ser - e certamente será - corrigido um dia. O Houaiss foi o primeiro a abrir a porta. Veja a tímida mas significativa nota que constava ao pé do verbete recorde na edição de 2001: “Pelo menos no Brasil, ocorre também como palavra proparoxítona: récorde." Mais tarde, o dicionário suprimiu a nota, mas passou a trazer o verbete récorde como variação de recorde.

    Uma explicação provável para o descompasso: os portugueses tendem a manter a pronúncia que record ganhou na França, de onde importaram o anglicismo por tabela, enquanto os falantes brasileiros estabeleceram ligação direta com o idioma de origem, no qual o acento (no caso em que record é substantivo, e não verbo) recai na primeira sílaba. No dia em que a língua brasileira dissolver mais este preconceito, é evidente que a grafia será forçada a seguir atrás: escreveremos récorde, com acento. E tudo ficará mais harmônico entre som e traço, como deve ser.


(Adaptado de: RODRIGUES, Sérgio. Viva a língua brasileira! São Paulo: Companhia das Letras, 2016, p. 73-75)
Sérgio Rodrigues manifesta-se explicitamente em seu texto, valendo-se para tanto de verbo na primeira pessoa do singular, em:
Alternativas
Q4091331 Português
Atenção: Considere o texto de Sérgio Rodrigues para responder à questão.


    Para a maioria dos brasileiros a pronúncia é "récorde", proparoxítona, e não, como recomendam dez entre dez sábios, "recórde", paroxítona. Estamos diante de um caso clássico de desobediência civil, em que a língua da vida real vai para um lado e a dos sábios, para o outro.

    Recorde, termo adaptado do inglês record, pode ser substantivo - significando a melhor marca esportiva, o desempenho a ser superado - ou adjetivo - com sentido equivalente: "tempo recorde", "velocidade recorde”. Quanto a isso, estamos todos de acordo. A divergência começa na hora de definir a prosódia da palavra. Em seu Dicionário de palavras & expressões estrangeiras, Luís Augusto Fischer observa com irreverência que há "duas pronúncias: a que os gramáticos preferem, 'recórde', ou a do resto da humanidade, 'récorde". É mais ou menos isso. Basta trocar, na frase de Fischer, "o resto da humanidade" por "a maioria dos brasileiros" que ela fica perfeita. Em Portugal, a inclinação por "recórde" parece inquestionável. Aqui, ocorre o inverso.

    Sempre pronunciei "récorde". Puxando pela memória, não consigo pensar em ninguém que não o faça. Se, como em tantos casos, nossos dicionários e gramáticas ainda se aferram de maneira um tanto acrítica à preferência lusitana, isso é um problema deles, que precisa ser - e certamente será - corrigido um dia. O Houaiss foi o primeiro a abrir a porta. Veja a tímida mas significativa nota que constava ao pé do verbete recorde na edição de 2001: “Pelo menos no Brasil, ocorre também como palavra proparoxítona: récorde." Mais tarde, o dicionário suprimiu a nota, mas passou a trazer o verbete récorde como variação de recorde.

    Uma explicação provável para o descompasso: os portugueses tendem a manter a pronúncia que record ganhou na França, de onde importaram o anglicismo por tabela, enquanto os falantes brasileiros estabeleceram ligação direta com o idioma de origem, no qual o acento (no caso em que record é substantivo, e não verbo) recai na primeira sílaba. No dia em que a língua brasileira dissolver mais este preconceito, é evidente que a grafia será forçada a seguir atrás: escreveremos récorde, com acento. E tudo ficará mais harmônico entre som e traço, como deve ser.


(Adaptado de: RODRIGUES, Sérgio. Viva a língua brasileira! São Paulo: Companhia das Letras, 2016, p. 73-75)

o dicionário suprimiu a nota (3º parágrafo).


Ao se transpor a oração acima para a voz passiva, a forma verbal resultante será:

Alternativas
Q4091320 Português
Atenção: Considere o conto "A velha contrabandista", de Stanislaw Ponte Preta, para responder à questão.


    Diz que era uma velhinha que sabia andar de lambreta. Todo dia, imaginem, ela passava na fronteira montada na lambreta, com um bruto saco atrás da lambreta. O pessoal da alfândega - tudo malandro velho - começou a desconfiar da velhinha. Um dia, quando ela vinha na lambreta com o saco atrás, o fiscal da alfândega mandou ela parar. A velhinha parou e então o fiscal perguntou assim pra ela:

    - Escuta aqui, vovozinha, a senhora passa por aqui todo dia, com esse saco aí atrás. Que diabo a senhora leva nesse saco?

    A velhinha sorriu com os poucos dentes que lhe restavam e mais os outros, que ela adquirira no odontólogo, e respondeu:

     - É areia!

    Aí quem sorriu foi o fiscal. Achou que não era areia nenhuma e mandou a velhinha saltar da lambreta para examinar o saco. A velhinha saltou, o fiscal esvaziou o saco e dentro só tinha areia. Muito encabulado, ordenou à velhinha que fosse em frente. Ela montou na lambreta e foi embora, com o saco de areia atrás. Mas o fiscal ficou desconfiado ainda. Talvez a velhinha passasse um dia com areia e no outro com muamba, dentro daquele maldito saco. No dia seguinte, quando ela passou na lambreta com o saco atrás, o fiscal mandou parar outra vez. Perguntou o que é que ela levava no saco e ela respondeu que era areia, uai! O fiscal examinou e era mesmo. Durante um mês seguido o fiscal interceptou a velhinha e, todas as vezes, o que ela levava no saco era areia. 

    Diz que foi aí que o fiscal se chateou:

    - Olha, vovozinha, eu sou fiscal de alfândega com quarenta anos de serviço. Manjo essa coisa de contrabando pra burro. Ninguém me tira da cabeça que a senhora é contrabandista.

    - Mas no saco só tem areia! - insistiu a velhinha. E já ia tocar a lambreta, quando o fiscal propôs:

    - Eu prometo à senhora que deixo a senhora passar. Não dou parte, não apreendo, não conto nada a ninguém, mas a senhora vai me dizer: qual é o contrabando que a senhora está passando por aqui todos os dias?

    - O senhor promete que não “espaia"? - quis saber a velhinha.

    - Juro - respondeu o fiscal.

    - É lambreta.


(Adaptado de: RAMOS, Graciliano et al. Para gostar de ler: contos, v. 8. São Paulo: Ática, 1985, p. 17-18)
A velhinha sorriu com os poucos dentes que lhe restavam e mais os outros, que ela adquirira no odontólogo, e respondeu: - É areia!

Nesse trecho, o narrador relata alguns fatos ocorridos no passado. Um fato anterior a esse tempo passado está indicado pela seguinte forma verbal:
Alternativas
Q4091258 Português
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CAZO. Feriadão. Disponível em <https://blogdoaftm.com.br/charge-feriadao-2/>.

A expressão “tenho que", empregada na fala da charge acima, possui o sentido de: 
Alternativas
Q4091257 Português
Assinale a alternativa em que as palavras completam corretamente os espaços em branco a seguir, na mesma ordem, de acordo com a norma-padrão.

- A entrada dos apartamentos dos andares mais altos ________ na esquina da rua.
- Nem acredito que __________ os materiais de escola dos nossos filhos.
- Tenho certeza de que _________ caber todos os objetos pessoais na minha mochila.
Alternativas
Q4091256 Português
Assinale a alternativa em que a forma verbal destacada se encontra empregada corretamente. 
Alternativas
Q4091252 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.

A dúvida

    Enquanto o avião perdia altitude, o cenário era de pânico absoluto.

  Ele ouvia gritos e preces ao seu redor. Alguns tentavam ligar o celular desesperadamente, provavelmente uma tentativa de enviar uma última mensagem para familiares e amigos. Eu te amo, adeus, eu não deveria ter dito aquilo. Todas aquelas frases que passam pela cabeça quando se sabe que serão as últimas.

    Da mesma forma, ele estava angustiado. A mesma angústia que o acompanhara desdeo momento em que pegara o metrô, 3 horas atrás, rumo ao aeroporto.

    Antes que o avião se partisse em milhares de pedaços, sua angústia se resumia em uma única e persistente pergunta:

    - Será que eu desliguei o ferro de passar?

MARTINZ, Juliano. A dúvida. Corrosiva. Disponível em <https://corrosiva.com.br/cronicas/a-duvida/>.
"Antes que o avião se partisse em milhares de pedaços"

A palavra destacada no trecho acima indica uma ação que:
Alternativas
Q4090544 Português
Com base na distinção entre morfema lexical e morfemas gramaticais, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4090542 Português

Texto 1


Quarto de Despejo: Diário de uma favelada


“20 DE JULHO

Deixei o leito as 4 horas para escrever. Abri a porta e contemplei o céu estrelado. Quando o astro-rei começou despontar eu fui buscar agua. Tive sorte! As mulheres não estavam na torneira. Enchi minha lata e zarpei. (...) Fui no Arnaldo buscar o leite e o pão. Quando retornava encontrei o senhor Ismael com uma faca de 30 centimetros mais ou menos. Disse-me que estava a espera do Binidito e do Miguel para matá-los, que eles lhe expancaram quando ele estava embriagado.


Lhe aconselhei a não brigar, que o crime não trás vantagens a ninguém, apenas deturpa a vida. Senti o cheiro de álcool, disisti. Sei que os ebrios não atende. O senhor Ismael quando não está alcoolizado demonstra sua sapiência. Já foi telegrafista. E do Circulo Exoterico. Tem conhecimentos biblicos, gosta de dar conselhos. Mas não tem valor. Deixou o álcool lhe dominar, embora seus conselho seja util para os que gostam de levar vida decente.


Preparei a refeição matinal. Cada filho prefere uma coisa. A Vera, mingau de farinha de trigo torrada. O João José, café puro. O José Carlos, leite branco. E eu, mingau de aveia. Já que não posso dar aos meus filhos uma casa decente para residir, procuro lhe dar uma refeição condigna.


Terminaram a refeição. Lavei os utensílios. Depois fui lavar roupas. Eu não tenho homem em casa. E só eu e meus filhos. Mas eu não pretendo relaxar. O meu sonho era andar bem limpinha, usar roupas de alto preço, residir numa casa confortável, mas não é possível. Eu não estou descontente com a profissão que exerço. Já habituei-me andar suja. Já faz oito anos que cato papel. O desgosto que tenho é residir em favela.


...Durante o dia, os jovens de 15 e 18 anos sentam na grama e falam de roubo. E já tentaram assaltar o emporio do senhor Raymundo Guello. E um ficou carimbado com uma bala. O assalto teve inicio as 4 horas. Quando o dia clareou as crianças catava dinheiro na rua e no capinzal. Teve criança que catou vinte cruzeiros em moeda. E sorria exibindo o dinheiro. Mas o juiz foi severo. Castigou impiedosamente.


Fui no rio lavar as roupas e encontrei D. Mariana. Uma mulher agradavel e decente. [...] Estendi as roupas rapidamente e fui catar papel. Que suplicio catar papel atualmente! Tenho que levar a minha filha Vera Eunice. Ela está com dois anos, e não gosta de ficar em casa. Eu ponho o saco na cabeça e levo-a nos braços. Suporto o peso do saco na cabeça e suporto o peso da Vera Eunice nos braços. Tem hora que revolto-me. Depois domino-me. Ela não tem culpa de estar no mundo”.

[...]


Adaptado de: JESUS, Carolina Maria de. Quarto de despejo: diário de uma favelada. São Paulo: Ática, 2020.

Considerando os valores aspectuais assumidos pelas formas verbais em trechos do Texto 1, assinale a alternativa INCORRETA. 
Alternativas
Q4089902 Português
Leia o texto para responder as questões.

Cesta básica fica mais cara em todas as capitais brasileiras em março

Manaus foi a capital que registrou maior índice, com 7,42%
Por Elaine Patricia Cruz


    No mês de março, a cesta básica ficou mais cara em todas as capitais brasileiras e também no Distrito Federal.

    Segundo a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, levantamento que é divulgado mensalmente pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) junto com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a principal elevação ocorreu em Manaus, onde o custo médio variou 7,42%, seguida por Salvador (7,15%), Recife (6,97%), Maceió (6,76%), Belo Horizonte (6,44%) e Aracaju (6,32%).

    No acumulado de 2026, todas as capitais registraram alta nos preços da cesta básica, com taxas que oscilaram entre 0,77%, em São Luís, e 10,93%, em Aracaju.

    Um dos principais responsáveis pelo aumento no custo da cesta no mês passado foi o feijão, que subiu em todas as cidades analisadas. O grão preto, por exemplo, subiu nas capitais do sul do país, além do Rio de Janeiro e Vitória, com percentuais que variaram entre 1,68% (Curitiba) e 7,17% (Florianópolis). Já o grão carioca, coletado nas demais capitais, variou entre 1,86% (Macapá) e 21,48% (Belém). Segundo a pesquisa, essa alta no feijão ocorreu por causa da restrição da oferta, já que houve dificuldades na colheita.

    Também houve aumentos nos preços do tomate, da carne bovina de primeira e do leite integral.

    Cesta mais cara do país

    Em março, a capital que apresentou a cesta básica mais cara do país foi São Paulo, com custo médio de R$ R$ 883,94, seguida por Rio de Janeiro (R$ 867,97), Cuiabá (R$ 838,40) e Florianópolis (R$ 824,35). No Norte e Nordeste do país, onde a composição da cesta é diferente, os menores valores médios foram registrados em Aracaju (R$ 598,45), Porto Velho (R$ 623,42), São Luís (R$ 634,26) e Rio Branco (R$ 641,15).

    Com base na cesta mais cara do país, que em março foi a de São Paulo, e levando em consideração a determinação constitucional que estabelece que o salário-mínimo deve ser suficiente para suprir as despesas com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, o Dieese estimou que o salário-mínimo em dezembro deveria ser de R$ 7.425,99 ou 4,58 vezes o mínimo atual, estabelecido em R$ 1.621,00.

Disponível em https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026- 04/cesta-basica-fica-mais-cara-em-todas-capitais-brasileiras-em-marco  
Considerando a norma culta e as regras de concordância verbal, assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas com os verbos indicados entre parênteses.
“Em março, ________ (haver) aumentos em todas as capitais e, caso não ________ (existir) novas dificuldades na colheita, os preços podem baixar”. 
Alternativas
Q4089691 Português
TEXTO



COMO O BRASIL CONSEGUE TRAZER FÓSSEIS NO EXTERIOR DE VOLTA

    A paleontóloga brasileira Taissa Rodrigues, professora na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), dedicava-se à sua principal pesquisa dos últimos 20 anos quando se deparou com anúncios suspeitos na internet. Especialista em pterossauros que viveram onde hoje é o Brasil, ela percebeu que os fósseis que estavam à venda em determinado site internacional de leilões muito provavelmente eram fruto de contrabando.

    Entre os exemplares, um réptil alado da espécie Anhanguera santanae, que viveu há cerca de 110 milhões de anos e estava com lance inicial de quase R$ 1 milhão. Rodrigues apresentou uma denúncia ao Ministério Público Federal (MPF).

     A questão se arrastou, entre investigações, perícias e tratativas entre autoridades. Em dezembro de 2023, nove anos depois da descoberta da professora, 998 fósseis brasileiros que estavam na França foram repatriados. Oriundas da bacia que corta a Chapada do Araripe, no Ceará, as peças foram incorporadas ao acervo do Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, da Universidade Regional do Cariri, na mesma região. São fósseis de pterossauros, peixes, plantas, insetos e outras espécies que viveram há mais de 90 milhões de anos.

    O Anhanguera e outros 45 fósseis, contudo, ainda não têm o veredito para retornarem ao Brasil. Em 2019, a Justiça francesa entendeu que cabe a repatriação. Contudo, a empresa que tentava comercializar esse conjunto de fósseis entrou com recurso e o caso ainda não foi concluído.

    “Muitos fósseis do Araripe estão em coleções particulares do mundo todo. Isso é um problema muito bem conhecido”, diz a cientista. O caso do Anhanguera não é isolado, mas não se sabe ao certo quantos fósseis foram retirados do país. Especialistas argumentam que isso é algo difícil de quantificar.

    Fósseis foram declarados patrimônio da União num decreto-lei de 1942. São, portanto, patrimônio público, do povo brasileiro e, por isso, segundo especialistas, não podem ser vendidos.

     “Assim, há mais de 80 anos, qualquer fóssil brasileiro só pode ser extraído, guardado, transportado e exportado com autorização expressa do governo federal”, esclarece o procurador da República Rafael Rayol, que atua desde 2009 no MPF pela repatriação de fósseis do Ceará e já conseguiu trazer de volta milhares deles, tanto da Europa quanto da América do Norte.

    Rayol diz que o caso dos 998 fósseis foi o mais emblemático no qual ele trabalhou. “Eles foram contrabandeados dentro de um carregamento de quartzo com destino à França e a carga, adquirida por uma empresa francesa especializada na comercialização de fósseis”, conta ele, lembrando que foram vários anos de discussão na Justiça francesa e reuniões com autoridades.

     Segundo a Agência Nacional de Mineração, autarquia federal que faz a gestão dos recursos minerais brasileiros, há 39 sítios paleontológicos no país. O levantamento é feito por uma comissão, fundamentado por artigos científicos elaborados por especialistas, e pode ser consultado.

    De acordo com Rodrigues, os fósseis do Ceará são os mais cobiçados no mercado internacional. “Existem muitas outras regiões no Brasil com fósseis. Essencialmente, o país quase todo é muito rico em fósseis. Mas existem alguns locais em que há uma convergência de fatores que contribuíram para a ilegalidade: abundância de fósseis, facilidade de coleta e transporte, e valor comercial nesse tráfico”, afirma. “Os do Araripe atingem preços maiores nesse mercado ilegal, porque são bem preservados. Alguns fósseis são de espécies mais raras... E eles são fáceis de transportar”, completa.

     Os cientistas argumentam que há várias razões para lutar pela repatriação dos fósseis brasileiros. Rodrigues atenta para o fato de que pesquisadores precisam ter acesso ao material para avançar nas pesquisas. “Se estão em coleções privadas, é praticamente impossível para qualquer cientista”, comenta. “Se estão em instituições estrangeiras, o acesso se torna muito caro para pesquisadores brasileiros.”

     Ghilardi ressalta que iniciativas assim estão dentro do que se chama de “decolonialismo científico” – ou seja, uma reparação histórica, sob o debate internacional acerca da manutenção, em coleções estrangeiras, de artefatos levados de outros países em circunstâncias morais ou eticamente questionáveis. Um marco dessa luta ocorreu no ano passado, quando um museu dinamarquês devolveu ao Brasil um manto tupinambá do século 17 que estava lá há 300 anos.

    Repatriar fósseis exige uma articulação entre cientistas e autoridades. Mas, em tempos de redes sociais, um empurrãozinho da opinião pública também parece ajudar. Foi o que aconteceu com um fóssil que até ganhou apelido: Bira.

    Trata-se de um exemplar de Ubirajara jubatus, fóssil descoberto no Brasil e que foi levado, em condições desconhecidas, para a Alemanha no início dos anos 1990. Estava no Museu de História Natural de Karlsruhe. Em 2020, a paleontóloga Aline Ghilardi, professora na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), encabeçou uma campanha para trazê-lo de volta. “Além de professora e pesquisadora, eu trabalho há 15 anos com divulgação científica nas redes, por meio de um blog, um canal no YouTube, minhas redes pessoais, etc.”, conta ela.

    A mobilização transcendeu o meio acadêmico e acabou pressionando o Ministério da Ciência, Pesquisa e Artes do estado de Baden-Württemberg. Depois de uma longa queda de braço, em 2023, o fóssil retornou ao Brasil. Ghilardi explica que fósseis como esse são importantes porque, além de raro, é um holótipo — ou seja, o exemplar definido como o primeiro para a descrição de uma nova espécie.

     “Tenho me envolvido em ações para o levantamento de fósseis holótipos brasileiros que estão fora do Brasil e trabalhado para sua repatriação de diferentes maneiras”, conta Ghilardi. Ela integra um grupo, chamado de Observatório de Repatriações, que une pesquisadores de diversas instituições. “A repatriação do Ubirajara foi um marco importante sob diferentes pontos de vista. A campanha teve forte contribuição para o seu retorno, mas principalmente para a popularização do tema e sensibilização da população e de autoridades com poder para tomadas de decisão”, avalia a cientista. [...]


VEIGA, Edison. Como o Brasil está conseguindo trazer fósseis no exterior de volta. Artigo publicado na página da Deutsche Welle Brasil. Disponível em: <https://www.dw.com/ptbr/como-o-brasil-está-conseguindo-trazer-fósseis-no-exteriorde-volta/a-73540395. Acesso em: 18 de agosto de 2025. (Texto adaptado) 
Assinale a alternativa que destaca CORRETAMENTE um verbo impessoal.
Alternativas
Q4089534 Português
Considerando o trecho “A gente ama sim os restaurantes mais sofisticados”, reescreva a sentença utilizando a passiva analítica CORRETAMENTE, inserindo o agente da passiva.
Alternativas
Q4089531 Português
TEXTO



    Dizer geladeira, ladeira ou rapariga no Brasil tem um sentido diferente em Portugal. Para os lusitanos, esses termos equivalem a frigorífico, ficar de lado e moça. São apenas alguns dos muitos exemplos das diferenças entre o português falado nos dois países. Essas variações se aprofundaram ao longo de cinco séculos desde a colonização, e para alguns se aproximam de uma bifurcação.

     É o que defende o linguista português Fernando Venâncio. Ele prevê que no prazo de duas gerações o “brasileiro” será uma língua independente do português europeu. “Estamos a nos afastar de maneira irreversível, não é profecia nenhuma. A cada dia que passa, é a realidade da norma brasileira se afastar da europeia, isso é um fato”, disse durante evento de lançamento em 2024 do livro Assim nasce uma língua, editado pela Tinta da China.

     Para ele, o mito de uma lusofania, em que todos os povos usem o idioma da mesma forma, é irreal. “A realidade é de uma separação que está cada dia mais firme e cavada”. Venâncio reforça que as variações avançam e vão desde a pronúncia e a gramática até a construção das frases de forma diferente. Mas sua avaliação sobre uma futura separação não é unânime entre os especialistas.

   O português está presente em nove países que compõem a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (Angola, Brasil, Cabo Verde, GuinéBissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste), e também é um dos idiomas oficiais de Macau, uma região administrativa especial da China. O grupo soma 280 milhões de pessoas, que fazem da língua a quarta mais falada no mundo, segundo o Instituto Camões. O Brasil, com uma população de 212,6 milhões de pessoas, detém o maior número de falantes.

     A língua escrita é uma forma de uniformizar o uso do português nos vários lugares que o adotam como língua oficial. Gladis Massini, professora do departamento de linguística da Universidade Estadual Paulista (Unesp), diz que essa padronização é uma forma de higienização linguística, à qual a língua falada é menos suscetível. “A oralidade traz marcas dessas identidades geográficas, etárias, sociais e das nossas maneiras de se colocar no mundo. O fato de o português ser diferente nos lugares onde ele é falado é índice de vitalidade”, afirma.

    Por isso, o português brasileiro passou a acumular os chamados brasileirismos, termo usado para apontar qualquer peculiaridade do idioma usado no país em relação ao uso em Portugal. Os debates sobre o desmembramento do português europeu e brasileiro remontam à época da independência da colônia portuguesa. O linguista Ataliba de Castilho afirma que em 1822 ter um idioma próprio era considerado mais um passo para desvencilhar o novo país da antiga metrópole.

     A variação do português trazido ao Brasil no século 16 não seguia a norma culta do idioma falado na Europa. “Estava longe desse ideal, porque os primeiros falantes de português que foram transplantados para cá eram degredados, não tinham prestígio político nem social”, explica Gladis Massini. A Coroa portuguesa enviava às colônias os degredados, pessoas condenadas por diversos crimes.

     As diferenças se aprofundaram a partir do contato com as línguas indígenas. A estimativa é de que até a chegada dos portugueses havia cerca de mil línguas autóctones, faladas por uma população estimada entre dois e cinco milhões de pessoas. Hoje há 1,7 milhão de indígenas do país, de acordo com o IBGE, que falam mais de 160 línguas e dialetos originários.

     Esse encontro resultou em diferentes formas de variação linguística ao longo do território brasileiro. “Hoje nós não podemos falar do português do Brasil como uma unidade única, porque há muita variação. Há marcas de, por exemplo, pensando, no ‘r’ caipira, específicas de cada região”, afirma Clara Pinto, professora da Universidade de Lisboa. A herança indígena ainda deixou marcas como nas palavras que se referem à fauna e flora e que não eram conhecidos pelos portugueses: mandioca, tietê e tatu.

     Outro grande contingente populacional que modificou o uso do português foi o contato com povos africanos escravizados. Ao longo de mais de 300 anos, estima-se que pelo menos quatro milhões de africanos foram traficados ao país. Esse contato com povos africanos, sobretudo os de origem banto, que abrange a atual Angola, alterou a forma do português falado no Brasil, que vão desde o vocabulário (cafuné, fofoca, banguela) à pronúncia.

    “Eles adquiriram o português em uma situação bastante desfavorável, de violência, imposição e subordinação”, frisou Gladis Massini. Com isso, o português só se tornou a língua majoritária e oficial no século 18. Até então, a chamada Língua Geral, de base Tupi e que incorporou influências do português, era a predominante. [...]

    Diante desse acúmulo de diferenças entre a variação europeia e a brasileira é que o linguista Fernando Venâncio antecipa uma possível separação entre os dois idiomas. Mas nem todos concordam. Gladis Massini reforça que “o que define o que é uma língua não passa só por inteligibilidade”. Ela diz que as diferenças de vocabulário entre as variações do idioma não são suficientes para uma separação, ainda que já existam diferenças gramaticais.

   “Não são tão distantes assim que causem um movimento cultural e político que justifique esse afastamento. Também se reivindica nas práticas escolares uma unidade em relação ao português padrão, que é muito europeu”, avalia. “O processo de mudança linguística é muito lento e gradual e sofre diversas influências. Se vamos ter um segundo idioma? Só daqui muitos séculos para saber.”

     Clara Pinto diz que “não existe um comitê formado por linguistas que avaliam quais os parâmetros para se considerar uma língua como independente. Aquilo que existe são os mecanismos políticos, geralmente são ajudados pela necessidade ou pelas questões econômicas, sociais, o que um determinado país pode se beneficiar em ter uma língua considerada independente”. [...]



MOURA, Jéssica; CANCILIERI, Maurício; MELO, Thiago. O “brasileiro” pode virar um idioma separado do português? Artigo publicado na página da Deutsche Welle Brasil. Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/o-brasileiro-podevirar-um-idioma-separado-do-português/a-72323042. Acesso em: 23 de abril de 2025. (Texto adaptado)
Assinale a alternativa que destaca no trecho um verbo impessoal.
Alternativas
Q4089529 Português
TEXTO

VITAIS PARA O ECOSSISTEMA, FUNGOS ESTÃO SOB AMEAÇA



    O reino Fungi – segundo maior reino de seres vivos, depois dos animais – está em um momento de destaque. Não porque sirva como espinha dorsal de ecossistemas saudáveis, mas porque está em risco. Pela primeira vez na história, mais de mil espécies de fungos foram adicionadas à Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), frequentemente chamada de “Barômetro da Vida”.

    Como muitos organismos, essas espécies de fungos – que representam apenas uma pequena fração daquelas que se acredita existirem – estão em risco devido a uma combinação de fatores, incluindo desmatamento, desenvolvimento urbano e toxinas. “Os fungos são especialmente vulneráveis à poluição, principalmente por fertilizantes e emissões de combustíveis fósseis”, disse Lynne Boddy, especialista em ecologia fúngica da Universidade de Cardiff, no Reino Unido.

     Ela afirma que protegê-los exige ações direcionadas, porque eles têm “necessidades específicas e devem ser considerados de acordo com suas próprias características nos esforços de conservação, e não apenas agrupados com outros organismos”. Mas nem sempre é fácil conscientizar as pessoas sobre os fungos – que muitas vezes são vistos como ingrediente de pizza, na forma de cogumelos, ou um complemento indesejado para uma parede úmida, em se tratando de mofo.

     “Muitos se importam com os animais, principalmente se forem organismos fofinhos e amigáveis com os quais as pessoas têm alguma afinidade, como os pandas”, disse Boddy, acrescentando que a maioria dos fungos não tem esse efeito emotivo. “Talvez os humanos não consigam se apegar a eles”, acrescenta.

    Os fungos podem não ganhar concursos de fofura, mas desempenham um papel importante na manutenção da coesão de toda a teia da vida. Dependendo do tipo, os fungos são encontrados em diversos ambientes: do solo e florestas a lagos de água doce, ecossistemas marinhos e até mesmo na pele humana.

     Os fungos micorrízicos sustentam ecossistemas florestais, ajudando as plantas a trocar nutrientes, água e até mesmo informações, formam relações simbióticas com as raízes da maioria da flora e são essenciais para o crescimento de até 90% das espécies de plantas.

      Em outras palavras: “A vida na Terra depende de fungos”, disse Gregory M. Mueller, cientista-chefe do Jardim Botânico de Chicago, nos EUA. Eles também são essenciais para a morte na Terra. Conhecidos como recicladores da natureza, eles desfazem madeira morta ou em decomposição, folhas e outras matérias vegetais. “Sem eles, estaríamos soterrados sob montes de lixo orgânico”, disse Mueller, que lidera os programas de fungos da IUCN e contribuiu para a recente Lista Vermelha.

      Embora florestas e pastagens sejam geralmente consideradas reservas de carbono, são os fungos que ajudam a capturar o carbono no solo. Mueller afirmou que os fungos são “essenciais para o sequestro de carbono a longo prazo”, o processo de retenção de carbono para que não contribua para o aquecimento global. “Sem eles, a mudança climática seria muito pior”, afirmou o especialista.

      Os fungos micorrízicos são responsáveis por armazenar até um terço das emissões globais anuais de combustíveis fósseis no solo. O que os torna a “instalação” de armazenamento de carbono mais eficiente do mundo.

      Ao mesmo tempo, os fungos são afetados pelas mudanças climáticas, em grande parte por meio de alterações nos níveis de hidratação. Mueller cita o exemplo do Brasil, onde as florestas nubladas em montanhas dependem de certos níveis de umidade, que vêm diminuindo paralelamente às mudanças nos padrões de precipitação.

    Ele afirma que isso não apenas altera o habitat, mas “afeta as plantas das quais os fungos dependem; elas secam e impedem que os fungos completem seu ciclo de vida”. Um mundo sem fungos não só se tornaria menos propício à vida humana devido ao aumento das temperaturas globais e aos eventos climáticos extremos relacionados, como também as árvores e as plantações cresceriam mais fracas, mais lentamente e se tornariam mais vulneráveis a doenças e à seca.

    E isso impactaria a disponibilidade de alimentos e medicamentos. Cerca de 40% dos medicamentos modernos no mundo ocidental são derivados de plantas. Entre eles, por exemplo, a galantamina, derivada de Galanthus nivalis para tratar a doença de Alzheimer, ou a apomorfina, um composto semissintético extraído da morfina, Papaver somniferum, usada para tratar a doença de Parkinson.

    Os fungos são uma parte tão integral da teia da vida que, se desaparecessem, a maioria das formas de vida, incluindo os humanos, não sobreviveria. [...]


CHAIKA, Anna. Vitais para o ecossistema, fungos estão sob ameaça. Artigo publicado na página da Deutsche Welle Brasil. Adaptado. Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/vitais-para-o-ecossistemafungos-estão-sob-ameaça-72277284. Acesso em: 18 de abril de 2025.
Analise o trecho: “Eles também são essenciais para a morte na Terra. Conhecidos como recicladores da natureza, eles desfazem madeira morta ou em decomposição, folhas e outras matérias vegetais”. Assinale a alternativa que classifica CORRETAMENTE o uso da forma verbal em destaque no trecho apresentado.
Alternativas
Q4089457 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão


Como chatbot de IA descobriu condição rara de mulher após anos de diagnósticos errados


Um chatbot de inteligência artificial auxiliou uma jovem do País de Gales a identificar uma condição rara de saúde, após anos de diagnósticos equivocados. Aos vinte e três anos, residente na capital galesa, ela relata ter recebido diagnósticos de ansiedade, depressão e epilepsia, além de ter sido advertida de que poderia ser tratada como paciente psiquiátrica caso continuasse a procurar atendimento emergencial.


Após sofrer uma convulsão e permanecer em coma por três dias, ao receber alta hospitalar, decidiu inserir seus sintomas em um sistema de inteligência artificial. A ferramenta apresentou uma lista de possíveis condições, entre elas a paraplegia espástica hereditária. Ao levar essa hipótese ao clínico geral, exames genéticos confirmaram o diagnóstico.


A instituição de saúde responsável declarou lamentar a experiência da paciente. Profissionais da área médica orientam que informações obtidas por meio de ferramentas digitais devem sempre ser discutidas com especialistas, uma vez que estudos indicam que esses sistemas podem fornecer respostas tanto precisas quanto imprecisas, dificultando a avaliação de sua confiabilidade.


A jovem reconhece as dificuldades enfrentadas pelos profissionais no processo diagnóstico, mas afirma que recorreu à tecnologia por se sentir isolada ao longo da experiência. Desde a infância, apresentava dificuldades motoras, tendo nascido com uma alteração no quadril que exigiu cirurgias ainda bebê. Na fase escolar, também apresentava problemas de equilíbrio, sendo investigada para distúrbios de coordenação, hipótese posteriormente descartada.


Aos dezenove anos, sofreu um desmaio seguido de convulsão no ambiente de trabalho, sendo diagnosticada com ansiedade, apesar de não possuir histórico compatível. Anos depois, recebeu diagnóstico de epilepsia e iniciou tratamento medicamentoso. Contudo, em 2024, voltou a apresentar agravamento dos sintomas, com novas convulsões e dificuldade para manter o uso da medicação.


Posteriormente, passou a ter dificuldades para caminhar e recebeu diagnóstico equivocado de uma condição neurológica associada a crises epilépticas, caracterizada por paralisia temporária. Em janeiro de 2025, sofreu uma queda de escada, o que resultou em internação hospitalar por três meses, sem conclusão diagnóstica.


Em julho do mesmo ano, uma nova convulsão grave a deixou em coma por três dias. Após a recuperação, foi informada por um médico de que não apresentava epilepsia, mas sim ansiedade. Diante dessa situação, decidiu recorrer novamente ao chatbot, que sugeriu hipótese correta.


Após refletir sobre a possibilidade, buscou avaliação médica, e o clínico considerou a hipótese plausível. Os exames confirmaram o diagnóstico, trazendo finalmente uma explicação para os sintomas.


Não há dados precisos sobre a incidência dessa condição, em parte devido à dificuldade de diagnóstico. Seus sintomas podem ser manejados com fisioterapia. Atualmente, a jovem utiliza cadeira de rodas e não pode mais exercer sua profissão anterior, voltada ao ensino de alunos com necessidades especiais.


Diante desse novo cenário, decidiu redirecionar sua trajetória profissional, iniciando estudos em psicologia, com o objetivo de continuar contribuindo para o cuidado com outras pessoas.


Especialistas destacam que a prática médica enfrenta o desafio de lidar com amplo volume de conhecimento, especialmente em sistemas de saúde sobrecarregados. Nesse contexto, a participação ativa dos pacientes, trazendo informações e questionamentos, contribui para diagnósticos mais precisos, desde que haja abertura para o diálogo por parte dos profissionais.


Ferramentas de inteligência artificial vêm sendo incorporadas ao cotidiano, inclusive na área da saúde, embora seu uso ainda gere debates. Estudos indicam que esses sistemas podem oferecer orientações inconsistentes, o que representa risco quando utilizados de forma isolada.


Recentemente, foi lançada uma funcionalidade voltada à análise de registros médicos e oferta de respostas mais refinadas, embora não destinada a diagnóstico ou tratamento. Ainda assim, milhões de pessoas utilizam semanalmente esses recursos para obter informações sobre saúde e bem-estar.


Há preocupações quanto ao uso de dados sensíveis, embora as empresas responsáveis afirmem que essas ferramentas foram desenvolvidas para auxiliar, e não substituir, o atendimento médico. Não há previsão clara sobre a expansão desses recursos para outros países.


Enquanto o debate permanece em curso, cresce o número de pessoas que recorrem à inteligência artificial para diversas finalidades, incluindo a busca por orientação em questões de saúde, como ocorreu no caso dessa jovem, cuja experiência evidencia tanto o potencial quanto os limites dessas tecnologias.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/c5yvjyzpznko.adaptado.

Não há dados precisos sobre a incidência dessa condição, em parte devido à dificuldade de diagnóstico.


Assinale a alternativa CORRETA quanto à sintaxe da oração apresentada.

Alternativas
Q4089240 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Como uma nova onda de imunoterapia está eliminando cânceres


Uma paciente de setenta e um anos, residente em Nova York, foi tratada em 2008 por câncer de cólon, com necessidade de cirurgia e recuperação prolongada. Anos depois, ao ser diagnosticada com câncer no esôfago, passou por um tratamento inovador em teste clínico, baseado em infusões periódicas de um medicamento. Após quatro meses, o tumor desapareceu, sem necessidade de cirurgia, quimioterapia ou radioterapia, restando como efeito colateral principal a fadiga associada à insuficiência adrenal. O resultado, surpreendente, ilustra o avanço recente da imunoterapia.

Esse método, desenvolvido ao longo de mais de um século, começa a consolidar resultados consistentes, com a promessa de tratamentos personalizados, maior duração da remissão e menos efeitos adversos que as terapias convencionais. O princípio da imunoterapia baseia-se na capacidade natural do organismo de identificar e eliminar células anormais. No entanto, células cancerosas podem escapar desse controle, disfarçando-se entre as células saudáveis.

A imunoterapia atua ao expor essas células ao sistema imunológico, fortalecendo sua capacidade de reconhecê-las e destruí-las. Entre as principais estratégias, estão as terapias com células imunológicas modificadas e os inibidores de pontos de controle. No primeiro caso, células de defesa são retiradas do paciente, modificadas em laboratório e reinseridas para atacar o câncer. No segundo, medicamentos bloqueiam mecanismos que impedem o sistema imunológico de reagir, permitindo que ele identifique o tumor.

Apesar dos avanços, há limitações. Essas terapias ainda enfrentam dificuldades para atuar em tumores sólidos, além de apresentarem custos elevados e possíveis efeitos colaterais, como inflamações e fadiga.

Pesquisas recentes buscam ampliar a eficácia da imunoterapia. Estudos indicam que fatores como alimentação rica em fibras, uso de medicamentos comuns e até o horário de aplicação influenciam os resultados. A combinação com outras técnicas, como radiação ou ultrassom, torna o tumor mais visível ao sistema imunológico, aumentando a chance de resposta.

A personalização do tratamento surge como uma estratégia central, já que o câncer engloba diversas doenças com características distintas. Estudos demonstram que tumores com perfis genéticos específicos respondem melhor a determinados medicamentos, possibilitando a eliminação completa em muitos casos, com menor necessidade de intervenções invasivas. Contudo, apenas uma pequena parcela dos tumores apresenta essas condições.

Outra frente promissora é o desenvolvimento de vacinas terapêuticas, que treinam o sistema imunológico para reconhecer proteínas específicas das células tumorais. Pesquisas iniciais mostram resultados positivos, com pacientes permanecendo livres da doença por anos após o tratamento, reforçando o potencial da medicina de precisão.

Apesar do entusiasmo, ainda há desafios importantes. Muitos tratamentos permanecem em fase inicial, e nem todos os pacientes respondem à imunoterapia, devido às diferentes características dos tumores. Ainda assim, para aqueles que se beneficiam, os resultados são expressivos, indicando uma mudança significativa no tratamento do câncer.

A imunoterapia, portanto, representa um avanço relevante na oncologia, apontando para um futuro em que terapias mais eficazes e menos invasivas possam substituir gradualmente os métodos tradicionais, oferecendo melhores perspectivas de cura e qualidade de vida.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cqxldv2e44do.adaptado.
Apesar dos avanços, há limitações. Essas terapias ainda enfrentam dificuldades para atuar em tumores sólidos, além de apresentarem custos elevados e possíveis efeitos colaterais, como inflamações e fadiga.

Assinale a alternativa correta quanto à concordância verbal no trecho apresentado.
Alternativas
Respostas
841: E
842: C
843: D
844: A
845: E
846: D
847: E
848: E
849: C
850: B
851: E
852: B
853: D
854: A
855: D
856: A
857: D
858: A
859: C
860: D