Questões de Concurso Sobre morfologia - pronomes em português

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Q3381047 Português
Na frase “O livro que estou lendo é interessante”, a que classe gramatical pertence a palavra "interessante"?
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Q3381043 Português
A quais classes de palavras pertencem os verbetes em destaque, respectivamente: “Esse negócio de que qualquer máquina só é tão inteligente quanto quem a usa não vale de nada.
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Q3381039 Português
Leia o texto abaixo e responda a questão
BILHETE
Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim,
tem de ser bem devagarinho, Amada,
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda...
(Mario Quintana)
O título do poema, conforme as classes gramaticais, pode ser classificado como:
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Q3381038 Português
Leia o texto abaixo e responda a questão
BILHETE
Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim,
tem de ser bem devagarinho, Amada,
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda...
(Mario Quintana)
Na linha 4, a palavra “mim” é:
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Q3380237 Português

Texto 3 


COMO DETERMINAR A IDADE DE UMA ÁRVORE

Você sabe como calcular a idade das árvores? Uma forma é usar a dendrocronologia, técnica baseada no estudo dos anéis de crescimento da árvore. 


Contando os anéis em um toco de árvore

    I) Examine os anéis de um toco exposto. Essa

    quantidade indica o número de anos que a árvore                                

    chegou a viver. Você verá anéis de cor mais clara e

5    mais escura — um ano de crescimento equivale a um

    anel claro mais um escuro. Como são mais fáceis de

    distinguir, conte os anéis escuros para estimar esse

    valor. 

      Os anéis também mostram muito sobre as condições

10  climáticas de um ano em particular. Anéis mais finos

      representam anos mais frios ou secos, enquanto os

      mais espessos se desenvolvem nas melhores

    condições. 


    II)  Lixe o toco para enxergar os anéis com maior

    clareza. Se estiver difícil visualizá-los, comece lixando

    o toco da árvore com uma lixa áspera, de grão 60. Finalize o serviço com uma lixa fina, de grão 400.

    Borrifar água levemente na superfície também facilita a visualização dos anéis.

    Você pode acabar descobrindo que alguns anéis estão muito próximos para serem visualizados com

    clareza. Se necessário, use uma lupa para enxergá-los melhor. 

20 II) Conte os anéis da medula à casca. Encontre a medula, o círculo central no meio dos anéis concêntricos, e comece a contagem a partir do primeiro anel escuro. Avance até ter chegado à casca. O último anel estará pressionado contra a superfície externa e será difícil de discernir, mas lembre-se de incluí-lo em sua contagem. Se você tiver dificuldade para avançar nesse processo, anote ou faça uma marca a cada 10 anéis com um lápis.



Disponível em: https://pt.wikihow.com/Determinar-a-Idade-de-uma-%C3%81rvore https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/81199075/metodo-para-calcular-a-idade-de-arvores-foi-tema-de-curso-na-embrapa-amapa https://www.iguiecologia.com/idade-das-arvores-e-possivel-saber/. Acesso em: 04 nov. 2023. Texto adaptado. 


“I) Examine os anéis de um toco exposto. Essa quantidade indica o número de anos que a árvore chegou a viver.” (Linhas 2-4)


A expressão sublinhada no enunciado acima – “Essa quantidade” – tem valor coesivo e retoma 

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Q3380231 Português

Texto 1 


Menino e madeira 


     


CARRASCOZA, João Anzanello. Menino e madeira. In: ______. Ilustr. Nelson Cruz. Uns e outros: histórias de duplas. Curitiba: Cia. Bras. de Educação e Sistemas de Ensino, 2021. p.15-16. Fragmento. 

Leia o enunciado seguinte para responder a questão:


“Lembro-me do patrão, e me vejo outra vez menino, aprendiz....” (Linha 12)


Em “me vejo”, o vocábulo sublinhado apresenta-se como:

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Q3380229 Português

Texto 1 


Menino e madeira 


     


CARRASCOZA, João Anzanello. Menino e madeira. In: ______. Ilustr. Nelson Cruz. Uns e outros: histórias de duplas. Curitiba: Cia. Bras. de Educação e Sistemas de Ensino, 2021. p.15-16. Fragmento. 

Releia o trecho a seguir para responder a questão:


“O patrão sabia que, uma hora, eu tocaria o negócio, eu seria o mestre em ação, eu daria forma aos seus projetos, eu talharia os móveis naquela marcenaria, enquanto a ele caberia o que antes cabia a mim...” (Linhas 6-7)


Os vocábulos sublinhados em “... eu seria o mestre em ação, eu daria forma aos seus projetos, eu talharia os móveis naquela marcenaria, enquanto a ele caberia o que antes cabia a mim...” são classificados, respectivamente, do ponto de vista morfológico como: 

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Q3379834 Português
Assinale a alternativa em que as palavras, respectivamente, preenchem de forma correta as lacunas das frases abaixo:
Para ___ passar no exame, tive de estudar muito. Será difícil, para ___, passar na prova.
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Q3379253 Português
Analise os casos de colocação pronominal a seguir e assinale a alternativa em que as condições da sentença apresentada permitem tanto a próclise quanto a ênclise do pronome oblíquo átono.
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Q3378842 Português
Considere a seguinte frase redigida por aluno do ensino médio em uma atividade escolar: “Peguei o documento e guardei ele no bolso”. Pode-se afirmar corretamente que: 
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Q3378758 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.

Mineração afeta mais de um terço dos grandes símios da África

Os riscos da mineração para os grandes símios no continente africano têm sido subestimados. É o que sugere um estudo publicado no periódico Science Advances, que aponta que mais de um terço da população desses primatas (cerca de 180 mil gorilas, bonobos e chimpanzés) está sob ameaça devido a projetos para extrair minérios. Os pesquisadores, no entanto, ressaltam que o número de primatas em risco pode ser maior. “A falta de compartilhamento de dados pelos projetos de mineração dificulta nossa compreensão científica do verdadeiro impacto sobre os grandes primatas e seu habitat”, alerta Jessica Junker, da organização sem fins lucrativos de proteção à vida selvagem Re:wild, em comunicado.

Necessários para uma transição em larga escala para uma energia mais limpa, minerais como cobre, lítio, níquel e cobalto têm sido explorados na África e sua mineração tem provocado o desmatamento de florestas tropicais. Os pesquisadores analisaram quantos macacos poderiam ser negativamente impactados por essa atividade a partir de dados sobre a densidade populacional desses animais e do mapeamento de áreas de extração de minérios.

A equipe de pesquisadores usou dados sobre locais de mineração operacionais e préoperacionais em 17 nações africanas e definiu zonas de amortecimento de 10 km para contabilizar os impactos diretos, como destruição de habitat e poluição luminosa e sonora. Já os impactos indiretos ligados ao aumento da atividade humana perto de locais de mineração foram considerados em uma zona de amortecimento de 50 km e incluem ameaças aos animais como aumento da caça, perda de habitat e risco de transmissão de doenças.

Na Libéria, Serra Leoa, Mali e Guiné, os pesquisadores observaram uma maior sobreposição entre a quantidade de macacos e áreas de mineração. Nessa última nação, inclusive, mais de 23 mil chimpanzés (ou até 83% da população de macacos do país) estavam sob ameaça direta ou indireta devido à mineração.

Os especialistas também exploraram como as áreas de mineração se intersectam com o que é considerado “habitat crítico”, isto é, regiões cruciais para a biodiversidade, não necessariamente relacionadas aos símios. “As empresas que operam nessas áreas devem ter esquemas adequados de mitigação e compensação para minimizar seu impacto, o que parece improvável, uma vez que a maioria das empresas não possui dados robustos sobre a linha de base das espécies que são necessários para embasar essas ações”, afirma Tenekwetche Sop, gerente do banco de dados A.P.E.S., da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).

Atualmente, os impactos indiretos e de longo prazo são raramente considerados e mitigados pelas empresas mineradoras, segundo os pesquisadores. Os esquemas de compensação atuais são desenvolvidos para durar tanto quanto os projetos de extração de minérios estão ativos (geralmente cerca de 20 anos), mas a maioria dos efeitos da mineração sobre os grandes símios são permanentes.

Revista Superinteressante. Adaptado. Disponível em: https://revistagalileu.globo.com/um-soplaneta/noticia/2024/04/mineracao-afeta-maisde-um-terco-dos-grandes-simios-da-africa.ghtml
Considere as sentenças a seguir, que ocorrem no texto:
I. “É o que sugere um estudo publicado no periódico Science Advances”.
II. “Os pesquisadores, no entanto, ressaltam que o número de primatas em risco pode ser maior.”
III. “As empresas que operam nessas áreas devem ter esquemas adequados de mitigação”.
Nas sentenças dadas, verifica-se o emprego da palavra “que” como pronome relativo apenas em:
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Q3376877 Português
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A palavra “minhas” pertence ao grupo dos pronomes: 
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Q3376618 Português

Não aconselho envelhecer



    Aos moços dou um conselho: não fiquem velhos. Verdade que as opções são poucas – ou morrer, ou lutar contra a velhice. E morrer não seria opção, mas entrega; e a luta? Bem, a luta resulta sempre numa batalha perdida e inglória.


    Entre os processos cruéis da natureza, é a velhice o mais cruel. Implacável, insidiosa, ataca por todos os lados, abre a porta a todas as moléstias mortais. Pensando bem, é uma espécie de HIV a longo prazo. Te ataca o coração, o pulmão, todas as demais vísceras – a tripa, o fígado, o que nos abatedouros se chama o arrasto. E mais a fiação arterial e venosa, e a coluna! E não falei na atividade cerebral. E também esqueci os ossos, a infame osteoporose, que te rói os ossos pelo tutano, deixando-os como frágeis cascas de ovos. E então basta um pequeno escorregão na banheira para deixar um fêmur fraturado.


    Os moços compadecidos, os quarentões assustados e os próprios velhos, apelando para tudo, inventaram ultimamente essas bobagens de “terceira idade”, clubes e associações que trabalham contra o isolamento e as tristezas da velhice. Mas não se iluda, velho, meu amigo e colega. Ninguém está acreditando naquilo. Você já viu na TV um quadro de propaganda dessa falsa recuperação de terceira idade? Um velho e uma velha, vestidos à moda dos anos trinta, tentando dançar um tango argentino? É patético, embora a maioria dos moços apenas o considere docemente ridículo.


    Diz-se que já se consegue muito na luta contra a velhice. Ginástica, dieta, malhação, corrida etc. Cirurgia plástica. Ah, já pensaram no tormento de uma bela mulher, atriz, dama do soçaite, cortesã, que viva da e para a sua beleza, ao descobrir as primeiras rugas, a flacidez do mento, daquela sutil rede de outras pequenas rugas que rodeiam os lábios? O Dr. Pitanguy opera e os seus colegas de mérito variável também operam. Mas, por mais famosos, competentes e mágicos que sejam os cirurgiões plásticos, só fazem mágicas, não fazem milagres. Esticam a pele sobre os músculos flácidos, fazem um peeling, que é uma espécie de raladura na cútis, fica lindo a princípio, mas, como toda mágica, não dura muito. E aí têm que começar tudo outra vez, as cicatrizes já não se escondem tão bem atrás das orelhas ou no couro cabeludo que, aparado, vai encurtando, deixando as pacientes com testas enormes, quase uma calvície. E nem falei em calvície que, mercê de Deus, ataca mais os homens que as mulheres! 


    Você contempla no espelho, vê as rugas do seu rosto, do seu pescoço, como se olhasse uma máscara que se desfaz. Vê bem, sabe como está velho, embora não sinta que está velho. Sua alma, seus sentimentos, sua cabeça, nada disso confirma a palavra ou a imagem do espelho. Mas os outros só veem de você o que o espelho vê.


    E ao par disso as cãs, quer dizer, os cabelos brancos? Bem, os cabelos, pintam-se. Mas vocês já descobriram que, por mais excelentes sejam o cabeleireiro e as tinturas, o cabelo pintado fica sempre gritantemente diverso do natural? Pensei sobre isso e acabei descobrindo: o cabelo nosso, a natureza lhe dá cor de fio em fio, cada fio na sua tonalidade, uns mais claros, outros mais escuros: o conjunto toma esse colorido inimitável, que profissional nenhum pode obter, já que lhe é impossível tingir fio por fio. E, daí, essas senhoras de comas tão louras, tão ruivas, tão castanhas e negras, não iludirem nunca, darem mesmo a impressão de que usam perucas.


    E, no final de tudo, vem o envelhecimento da cabeça, da inteligência, das ideias, da alma – da chamada psiquê. O velho tenta se equiparar às audácias dos jovens, até mesmo excedê-las – mas a si próprio não se convence. Sabe que as suas ideias são as do seu tempo, fruto do que leu, viu e acumulou; e isso pode ser camuflado, mas não pode ser modificado. Dizem que as células cerebrais não se renovam, como as demais células do corpo – será verdade? Até mesmo as ideias dos gênios mortos envelhecem; e diante das ideias de um Nietzsche, de um Freud, tem que se dar o desconto do tempo e das mudanças. Contudo, o pior mesmo é quando você, com honesta sinceridade, lamenta diante de alguém os estragos que lhe traz a velhice, e isso alguém protesta com veemência: “Eu queria, quando chegar à sua idade, ter essa sua lucidez!”


    Lucidez? O que é que eu esperava? Que você já estivesse caduco?



(QUEIROZ, Raquel (1995) Não aconselho envelhecer. In Falso mar, falso mundo. São Paulo: Arx, 2002.)


De forma a reproduzir aspectos da linguagem coloquial, despreocupada quanto aos ditames da gramática tradicional, é comum que autores consagrados façam uso de coloquialidades consideradas como “desvios” da norma culta. Essas escolhas vocabulares suscitam debates quanto à legitimidade de seu uso na escrita contemporânea. No texto, por exemplo, Rachel de Queiroz se vale da disposição de um pronome pessoal oblíquo em próclise (isto é, sua colocação anterior ao verbo) em contexto no qual, conforme as normas gramaticais, a ênclise (isto é, a colocação pronominal posterior ao verbo) seria mais adequada. O pronome em questão se dá, sublinhado, no trecho:
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Q3376357 Português
Leia o texto e responda a questão.


Tamanho do agronegócio na economia brasileira ajuda a explicar desempenho do PIB
Por Jornal Nacional, 05/12/2023 21h15

Com a supersafra do começo de 2023, a agropecuária carregou um crescimento de 12,5% no primeiro trimestre. Nos três meses seguintes, ainda houve espaço para mais 0,5% de alta.
No interior do país, o produtor rural segue o tempo da terra, que só em setembro desperta para o plantio. E a plantação cresce sem saber que dá ritmo à atividade econômica. Na cidade grande, uma massa de trabalhadores diminuiu o passo. Negócios estacionaram e comerciantes empataram as contas no terceiro trimestre do ano.
Pode-se observar que com a supersafra do começo de 2023, a agropecuária carregou um crescimento de 12,5% no primeiro trimestre. Nos três meses seguintes, ainda houve espaço para mais 0,5% de alta. Com a entresafra, o setor tinha pouco a entregar: queda de 3,3% no terceiro trimestre.
Existe um grande mercado no Brasil - com representantes da indústria e dos serviços - que vive do dinamismo e dos frutos da agropecuária. É o chamado agronegócio, que passou de 18,6% a 24,3% do Produto Interno Bruto nos últimos dez anos. É por isso que quando é época de entressafra no campo, a economia também colhe pouco resultado. Ser forte na produção de alimentos é uma vantagem competitiva, mas não colocar todos os ovos na mesma cesta, seria ainda melhor na máxima dos economistas.
“É importante a gente pensar que essa vantagem competitiva foi construída ao longo do tempo com pesquisa agrícola, com todo setor de inovação ali de sementes, plantio, técnicas agronômicas. Então, muito mais uma história de sucesso, uma construção e fortalecimento de uma vantagem competitiva que os outros setores não conseguiram construir. Isso que reflete esse diferencial de competitividade”, afirma André Diz, pesquisador da FGV Agro.
Se a potência é o solo, a ameaça é a mudança climática. “Na Argentina, o efeito climático foi catastrófico esse ano e esse é um risco crescente para o Brasil. O Brasil precisa entrar, como está entrando, com força nessa discussão de mudança climática até por ameaça ao seu próprio negócio, porque as mudanças climáticas representam um risco considerável para o agronegócio brasileiro”, diz Paulo Gala, economista-chefe do Banco Master.
Um desafio desse tamanho, o produtor rural não vence sozinho. “A parte da gente, a gente tem que fazer o mais assertivo possível e bem feito. Só que o clima a gente não controla”, diz o produtor rural Sidney Flach.

[Adaptado]. Disponível em: <https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2023/12/05/tamanho-do-agronegocio-naeconomia-brasileira-ajuda-a-explicar-desempenho-do-pib.ghtml>.
Acesso em: 05 dez. 2023
Observa-se uma retomada pronominal na seguinte passagem do texto: "Um desafio desse tamanho, o produtor rural não vence sozinho.". Assinale a alternativa que melhor apresenta a função dessa retomada feita pelo autor. 
Alternativas
Q3376356 Português
Leia o texto e responda a questão.


Tamanho do agronegócio na economia brasileira ajuda a explicar desempenho do PIB
Por Jornal Nacional, 05/12/2023 21h15

Com a supersafra do começo de 2023, a agropecuária carregou um crescimento de 12,5% no primeiro trimestre. Nos três meses seguintes, ainda houve espaço para mais 0,5% de alta.
No interior do país, o produtor rural segue o tempo da terra, que só em setembro desperta para o plantio. E a plantação cresce sem saber que dá ritmo à atividade econômica. Na cidade grande, uma massa de trabalhadores diminuiu o passo. Negócios estacionaram e comerciantes empataram as contas no terceiro trimestre do ano.
Pode-se observar que com a supersafra do começo de 2023, a agropecuária carregou um crescimento de 12,5% no primeiro trimestre. Nos três meses seguintes, ainda houve espaço para mais 0,5% de alta. Com a entresafra, o setor tinha pouco a entregar: queda de 3,3% no terceiro trimestre.
Existe um grande mercado no Brasil - com representantes da indústria e dos serviços - que vive do dinamismo e dos frutos da agropecuária. É o chamado agronegócio, que passou de 18,6% a 24,3% do Produto Interno Bruto nos últimos dez anos. É por isso que quando é época de entressafra no campo, a economia também colhe pouco resultado. Ser forte na produção de alimentos é uma vantagem competitiva, mas não colocar todos os ovos na mesma cesta, seria ainda melhor na máxima dos economistas.
“É importante a gente pensar que essa vantagem competitiva foi construída ao longo do tempo com pesquisa agrícola, com todo setor de inovação ali de sementes, plantio, técnicas agronômicas. Então, muito mais uma história de sucesso, uma construção e fortalecimento de uma vantagem competitiva que os outros setores não conseguiram construir. Isso que reflete esse diferencial de competitividade”, afirma André Diz, pesquisador da FGV Agro.
Se a potência é o solo, a ameaça é a mudança climática. “Na Argentina, o efeito climático foi catastrófico esse ano e esse é um risco crescente para o Brasil. O Brasil precisa entrar, como está entrando, com força nessa discussão de mudança climática até por ameaça ao seu próprio negócio, porque as mudanças climáticas representam um risco considerável para o agronegócio brasileiro”, diz Paulo Gala, economista-chefe do Banco Master.
Um desafio desse tamanho, o produtor rural não vence sozinho. “A parte da gente, a gente tem que fazer o mais assertivo possível e bem feito. Só que o clima a gente não controla”, diz o produtor rural Sidney Flach.

[Adaptado]. Disponível em: <https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2023/12/05/tamanho-do-agronegocio-naeconomia-brasileira-ajuda-a-explicar-desempenho-do-pib.ghtml>.
Acesso em: 05 dez. 2023
Considerando o uso de pronomes para a progressão textual, na oração "É por isso que quando é época de entressafra no campo, a economia também colhe pouco resultado.", a que termo o pronome "isso" se refere?
Alternativas
Q3375449 Português
Leia o fragmento e assinale a alternativa que apresenta a classificação correta dos termos destacados. “Uma criança normalmente coloca o sol e a lua no mesmo patamar: um cuida do dia e a outra da noite. Ficamos mais velhos e aprendemos que os dois não têm nada a ver um com o outro.”
Alternativas
Q3374880 Português
INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir para responder à questão.

Captura_de tela 2025-05-28 093618.png (331×393)


Disponível em: https://www.aluplacas.com/product-page/proibidoa-entrada-de-animais-1. Acesso em: 20 nov. 2023.
Releia a frase a seguir.

“Proibido entrada com animais no interior deste estabelecimento”

O emprego do termo destacado na frase
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Q3374687 Português
Teimosia e volta por cima aprende-se com as embaúbas
(Lara Norberto Renzeti)

01     Na altura da minha varanda, no quarto andar do prédio, está o topo de uma embaúba. Nas raízes da árvore, emaranhadas entre a terra e as pedras, encontrase um pedaço azul de lona, lixo esquecido ali há alguns anos. Para além das embaúbas, que se ajeitam em grupo nos limites do terreno vizinho, há uma estrada de tijolos cinzas e vermelhos, que passa por entre as casas e vai até o portão. As casas estão ocas, inacabadas, mas não lhes falta vida, já que plantas se ancoram em seus muros e crescem sem pretensões decorativas no que poderiam ter sido tanto jardins quanto garagens. Atrás das ruínas, há restos de floresta.

02     Nem sempre foi assim. Quando vim morar neste prédio, em 2006, o terreno dos fundos era mato. Remanescente do sítio de alguma família dos primórdios de Jacarepaguá, um tímido pedacinho de Mata Atlântica preenchia quase todo o espaço, com exceção do antigo casarão em ruínas. Foi, na verdade, este o motivo pelo qual me mudei: meus pais queriam um apartamento mais tranquilo, de onde se pudesse ver um pouco de natureza. Onde hoje há uma embaúba, naquela época, havia uma árvore de folhas e frutos pequenos, que, de verão a verão, abrigava os mais diversos passarinhos.

03     O que mais chamava a minha atenção eram os saís-azuis. Eles sempre apareciam na árvore, para fazer um banquete de frutinhos. O macho era azul e preto, e a fêmea era verde. Aquelas cores vivas me fascinavam, e eu, com oito anos de idade, ficava feliz por saber que seres tão belos moravam perto por causa da árvore. Ela crescia e frutificava, e eu contava com ela para me mostrar os pássaros. 

04     A vista da varanda era o maior orgulho de nosso apartamento. Por anos, todos os convidados que visitaram minha casa atravessaram meu quarto para conhecer o terreno dos fundos, olhar suas cores, escutar seus sons. Mas, quando menos esperávamos, ouvimos vozes humanas vindas de lá. Vários homens conversavam, apontavam para as coisas e iam adentrando o pequeno fragmento de floresta. Eles continuaram por alguns dias conversando e apontando para as coisas, até que penduraram uma placa com logomarca de imobiliária no portão. A floresta ia virar condomínio.

05     Na época, não entendia bem como as coisas funcionavam, mas me lembro dos meus pais e dos vizinhos de prédio comentando que a obra era irregular. Que a empresa dava golpes nos compradores. Que não podiam cortar árvores. Que íamos embargar a obra. Mas já havia marcações em vermelho em algumas árvores. O que era aquilo? Sentença de morte? Todo dia, eu procurava aquela tinta, vermelha como sangue, no tronco da minha estimada árvore especial, que resistia como se não fosse vista, no cantinho do terreno. Em pouco tempo, o som de motosserra se misturou com o canto das cigarras. De vez em quando, eu sentia a falta de alguma coisa na paisagem: a pequena floresta ia ficando cada vez mais esburacada.

06     Tudo isso foi muito aos poucos. Não percebi quando começaram a construir. Sei que aterraram a antiga piscina, foram derrubando árvore atrás de árvore, até que surgiu espaço suficiente para mais de dez casas, e eu parei de olhar. Parei de ir à minha própria varanda porque tudo que eu via era aridez e destruição. Eu tinha medo de um dia encontrar a minha árvore cortada, caída no chão, morta. Ela resistiu bravamente. Foi a última. Nunca foi diretamente assassinada, mas se cansou e foi morrendo aos poucos, lentamente, consumida por um solo capinado e sem vida. Nunca descobri seu nome. Nunca mais vi saí-azul.

07     Ao longo do tempo, a obra foi embargada e retomada. Pelo visto, os avisos dos meus vizinhos eram bem fundamentados: a imobiliária nunca entregou as casas prontas. A floresta foi destruída em vão.

08     Imóveis inacabados podem ter três principais destinos. O primeiro deles é o esquecimento, quando, ao longo do tempo e da desvalorização econômica, a natureza toma conta, transformando-os em substrato e abrigo de seres não-humanos. O segundo é o descobrimento, caracterizado pelo abandono inicial e posteriores ocupações, resultantes de uma sociedade que não garante abrigo a todos os humanos. O terceiro é o acabamento, que precisa que as obras continuem.

09     Os compradores das casas, que sofreram o golpe da imobiliária, provavelmente sabiam dessas possibilidades. Pensando em manter um pouco do que se tornou deles por contrato, não abandonaram o terreno por completo e resolveram, por conta própria, tocar a obra. De vez em quando, aparecem trabalhadores: pintam uma parede, instalam luz elétrica, terminam um telhado. Por vezes, os próprios donos aparecem para cortar a grama. Isso acontece há uns dez anos, e as casas continuam inacabadas. No fundo, queria que essa obra nunca terminasse, presenciar o esquecimento, porque sei que a natureza nunca esquece. Num olhar de relance, o muro das casas estava coberto de plantas trepadeiras.

10     Arrisquei voltar à varanda. Agora que a minha árvore já estava morta mesmo, já não tinha muito a perder, certo? Errado. Como se cortinas se abrissem para o segundo ato do terreno, percebi que havia muito mais nele do que aquela única árvore que por tanto tempo amei. Mais uma vez, surgiu vida que era possível ser avistada da varanda e da janela. Ainda há ao fundo árvores grandes, que estavam lá desde o começo. Outras mais jovens vi crescer, como um coqueiro que se posiciona estrategicamente na “garagem” de uma das casas de cimento. Resistem insetos, lagartos, aves e, certamente, uma variedade de animais bem escondidos. Das manhãs e tardes de admiração e das noites de atenção ao não-silêncio, aprendi os nomes de alguns desses vizinhos.

11     Todos os dias, em especial no fim da tarde, as andorinhas se exibem a voar em círculos. Assisto às suas coreografias como se fosse um filme que passa na janela do meu quarto. Algumas vezes, na calmaria aparente da noite, sem luzes, ouço bacuraus e corujas. Vejo sanhaços, bem-te-vis, sabiás, tucanos, papagaios, urubus, gaviões, gralhas-do-campo e uma porção de aves cujo nome ainda não sei. Aliás, em certa ocasião, um bem-te-vi expulsou uma gralha. Ele voou para cima dela e bicou suas penas até que ela fosse para bem longe de uma árvore. Acabei rindo da falta de sorte da gralha, que é bem maior do que o bem-te-vi, mas perdeu. Já vi três bem-te-vis fazendo o mesmo com um tucano de bico amarelo, que também é muito maior do que eles. E assisto tudo da minha janela.

12     Apesar da admiração por seres carismáticos e voadores, o que mais me fascina nesse espetáculo vivo são as embaúbas. Essas árvores de troncos finos e folhas largas e que quase não são raras. Ao contrário, árvores do gênero Cecropia, que engloba todas as embaúbas, estão entre as mais abundantes espécies das florestas dos neotrópicos. Podem ser encontradas nas encostas da Grajaú-Jacarepaguá, no meio da Floresta da Tijuca ou do Parque Estadual da Pedra Branca. Se você estiver em um avião, sobrevoando algum fragmento de Mata Atlântica, vai vê-las facilmente lá do alto, porque elas são os pequenos pontos prateados que se destacam dos tons de verde da floresta.

13     Embaúbas não são muito exigentes. Quando há um distúrbio na floresta, quando o vento ou as pessoas derrubam árvores, formando clareiras, as sementes de Cecropia, que estavam no solo em dormência, germinam com a luz do sol. Nesses ambientes abertos, degradados, inóspitos, as embaúbas se instalam e crescem avidamente. Até parece que têm pressa. Logo ficam altas, suas folhas se desenvolvem, mas duram pouco e morrem rápido, caindo enrugadas e marrons no chão, decompondo-se e devolvendo nutrientes para a terra. Despertadas pelos vazios de vida na paisagem, embaúbas são espécies pioneiras que, aos poucos, alteram seus arredores e facilitam que novas espécies vegetais prosperem em seu entorno.

14     Não satisfeitas, elas ainda são atraentes para animais. Suas flores, apesar de polinizadas pelo vento, também podem ser polinizadas por insetos como besouros. Suas infrutescências alongadas servem como fonte de alimento para uma diversidade de frugívoros, como aves, gambás, macacos e até peixes, que se alimentam dos frutos que caem em rios. Depois que comem os frutos e se deslocam para longe, esses animais dispersam as sementes de embaúba. E assim elas chegam a quase todos os lugares. Preguiças e bugios também são grandes apreciadores de suas folhas, passam horas abraçados a seus galhos, comendo e descansando, enquanto tomam sol. Claro, também há desvantagens em ser o grande restaurante florestal. Embaúbas sofrem com o consumo de suas folhas, mas subornam com alimento e proteção formigas do gênero Azteca para torná-las suas fiéis escudeiras. Essas formigas agressivas vivem em colônias dentro do tronco oco da embaúba. Para defender sua casa, atacam os herbívoros que vêm para comer as folhas.

15     Embaúbas são acervos de interações e símbolos de resistência da natureza. É por isso que elas tomaram o terreno vizinho. Elas estão lá contando uma história. Mais do que a história de um terreno específico e especial para poucas pessoas atentas, essa é a história de muitos dos remanescentes florestais em centros urbanos. Em uma cidade como o Rio de Janeiro, onde novos prédios sobem às custas da retirada das árvores, há um valor inestimável nos seres que insistem em existir. A persistência desses pontos verdes no meio da selva de concreto é um grito de guerra. É a memória do que se perdeu e a esperança de que nem tudo está perdido. Ainda há vida para preservar e proteger, para ver renascer dos escombros.

16     Hoje, existem ações de reflorestamento acontecendo em áreas urbanas, como o projeto Revive Jacarepaguá, na minha vizinhança, cujo objetivo é repovoar as margens do rio Anil com espécies vegetais nativas da Mata Atlântica. Iniciativas como essa podem estar em seus primórdios, mas são um exemplo de que é possível escrever uma história melhor para a natureza em escala local. Humanos têm a capacidade de entender o que significam os retalhos de verde no cotidiano urbano. Apesar do nosso potencial arrebatador de destruição, também somos a voz da nossa própria consciência e podemos frear os nossos erros. Tudo começa quando prestamos atenção na vida que ainda se exibe aos nossos olhos, quando queremos ser as embaúbas na frente da minha varanda, teimosas, que insistem em fincar raízes e crescer na terra marcada por uma história de devastação.

Adaptado de <https://oeco.org.br/analises/teimosia-evolta-por-cima-aprende-se-com-as-embaubas/>. Publicado em 18 de outubro de 2019. Acessado em 22/09/2024.
Analise as afirmações a seguir sobre o emprego dos pronomes em destaque e depois assinale a alternativa INCORRETA. 
Alternativas
Q3374684 Português
Teimosia e volta por cima aprende-se com as embaúbas
(Lara Norberto Renzeti)

01     Na altura da minha varanda, no quarto andar do prédio, está o topo de uma embaúba. Nas raízes da árvore, emaranhadas entre a terra e as pedras, encontrase um pedaço azul de lona, lixo esquecido ali há alguns anos. Para além das embaúbas, que se ajeitam em grupo nos limites do terreno vizinho, há uma estrada de tijolos cinzas e vermelhos, que passa por entre as casas e vai até o portão. As casas estão ocas, inacabadas, mas não lhes falta vida, já que plantas se ancoram em seus muros e crescem sem pretensões decorativas no que poderiam ter sido tanto jardins quanto garagens. Atrás das ruínas, há restos de floresta.

02     Nem sempre foi assim. Quando vim morar neste prédio, em 2006, o terreno dos fundos era mato. Remanescente do sítio de alguma família dos primórdios de Jacarepaguá, um tímido pedacinho de Mata Atlântica preenchia quase todo o espaço, com exceção do antigo casarão em ruínas. Foi, na verdade, este o motivo pelo qual me mudei: meus pais queriam um apartamento mais tranquilo, de onde se pudesse ver um pouco de natureza. Onde hoje há uma embaúba, naquela época, havia uma árvore de folhas e frutos pequenos, que, de verão a verão, abrigava os mais diversos passarinhos.

03     O que mais chamava a minha atenção eram os saís-azuis. Eles sempre apareciam na árvore, para fazer um banquete de frutinhos. O macho era azul e preto, e a fêmea era verde. Aquelas cores vivas me fascinavam, e eu, com oito anos de idade, ficava feliz por saber que seres tão belos moravam perto por causa da árvore. Ela crescia e frutificava, e eu contava com ela para me mostrar os pássaros. 

04     A vista da varanda era o maior orgulho de nosso apartamento. Por anos, todos os convidados que visitaram minha casa atravessaram meu quarto para conhecer o terreno dos fundos, olhar suas cores, escutar seus sons. Mas, quando menos esperávamos, ouvimos vozes humanas vindas de lá. Vários homens conversavam, apontavam para as coisas e iam adentrando o pequeno fragmento de floresta. Eles continuaram por alguns dias conversando e apontando para as coisas, até que penduraram uma placa com logomarca de imobiliária no portão. A floresta ia virar condomínio.

05     Na época, não entendia bem como as coisas funcionavam, mas me lembro dos meus pais e dos vizinhos de prédio comentando que a obra era irregular. Que a empresa dava golpes nos compradores. Que não podiam cortar árvores. Que íamos embargar a obra. Mas já havia marcações em vermelho em algumas árvores. O que era aquilo? Sentença de morte? Todo dia, eu procurava aquela tinta, vermelha como sangue, no tronco da minha estimada árvore especial, que resistia como se não fosse vista, no cantinho do terreno. Em pouco tempo, o som de motosserra se misturou com o canto das cigarras. De vez em quando, eu sentia a falta de alguma coisa na paisagem: a pequena floresta ia ficando cada vez mais esburacada.

06     Tudo isso foi muito aos poucos. Não percebi quando começaram a construir. Sei que aterraram a antiga piscina, foram derrubando árvore atrás de árvore, até que surgiu espaço suficiente para mais de dez casas, e eu parei de olhar. Parei de ir à minha própria varanda porque tudo que eu via era aridez e destruição. Eu tinha medo de um dia encontrar a minha árvore cortada, caída no chão, morta. Ela resistiu bravamente. Foi a última. Nunca foi diretamente assassinada, mas se cansou e foi morrendo aos poucos, lentamente, consumida por um solo capinado e sem vida. Nunca descobri seu nome. Nunca mais vi saí-azul.

07     Ao longo do tempo, a obra foi embargada e retomada. Pelo visto, os avisos dos meus vizinhos eram bem fundamentados: a imobiliária nunca entregou as casas prontas. A floresta foi destruída em vão.

08     Imóveis inacabados podem ter três principais destinos. O primeiro deles é o esquecimento, quando, ao longo do tempo e da desvalorização econômica, a natureza toma conta, transformando-os em substrato e abrigo de seres não-humanos. O segundo é o descobrimento, caracterizado pelo abandono inicial e posteriores ocupações, resultantes de uma sociedade que não garante abrigo a todos os humanos. O terceiro é o acabamento, que precisa que as obras continuem.

09     Os compradores das casas, que sofreram o golpe da imobiliária, provavelmente sabiam dessas possibilidades. Pensando em manter um pouco do que se tornou deles por contrato, não abandonaram o terreno por completo e resolveram, por conta própria, tocar a obra. De vez em quando, aparecem trabalhadores: pintam uma parede, instalam luz elétrica, terminam um telhado. Por vezes, os próprios donos aparecem para cortar a grama. Isso acontece há uns dez anos, e as casas continuam inacabadas. No fundo, queria que essa obra nunca terminasse, presenciar o esquecimento, porque sei que a natureza nunca esquece. Num olhar de relance, o muro das casas estava coberto de plantas trepadeiras.

10     Arrisquei voltar à varanda. Agora que a minha árvore já estava morta mesmo, já não tinha muito a perder, certo? Errado. Como se cortinas se abrissem para o segundo ato do terreno, percebi que havia muito mais nele do que aquela única árvore que por tanto tempo amei. Mais uma vez, surgiu vida que era possível ser avistada da varanda e da janela. Ainda há ao fundo árvores grandes, que estavam lá desde o começo. Outras mais jovens vi crescer, como um coqueiro que se posiciona estrategicamente na “garagem” de uma das casas de cimento. Resistem insetos, lagartos, aves e, certamente, uma variedade de animais bem escondidos. Das manhãs e tardes de admiração e das noites de atenção ao não-silêncio, aprendi os nomes de alguns desses vizinhos.

11     Todos os dias, em especial no fim da tarde, as andorinhas se exibem a voar em círculos. Assisto às suas coreografias como se fosse um filme que passa na janela do meu quarto. Algumas vezes, na calmaria aparente da noite, sem luzes, ouço bacuraus e corujas. Vejo sanhaços, bem-te-vis, sabiás, tucanos, papagaios, urubus, gaviões, gralhas-do-campo e uma porção de aves cujo nome ainda não sei. Aliás, em certa ocasião, um bem-te-vi expulsou uma gralha. Ele voou para cima dela e bicou suas penas até que ela fosse para bem longe de uma árvore. Acabei rindo da falta de sorte da gralha, que é bem maior do que o bem-te-vi, mas perdeu. Já vi três bem-te-vis fazendo o mesmo com um tucano de bico amarelo, que também é muito maior do que eles. E assisto tudo da minha janela.

12     Apesar da admiração por seres carismáticos e voadores, o que mais me fascina nesse espetáculo vivo são as embaúbas. Essas árvores de troncos finos e folhas largas e que quase não são raras. Ao contrário, árvores do gênero Cecropia, que engloba todas as embaúbas, estão entre as mais abundantes espécies das florestas dos neotrópicos. Podem ser encontradas nas encostas da Grajaú-Jacarepaguá, no meio da Floresta da Tijuca ou do Parque Estadual da Pedra Branca. Se você estiver em um avião, sobrevoando algum fragmento de Mata Atlântica, vai vê-las facilmente lá do alto, porque elas são os pequenos pontos prateados que se destacam dos tons de verde da floresta.

13     Embaúbas não são muito exigentes. Quando há um distúrbio na floresta, quando o vento ou as pessoas derrubam árvores, formando clareiras, as sementes de Cecropia, que estavam no solo em dormência, germinam com a luz do sol. Nesses ambientes abertos, degradados, inóspitos, as embaúbas se instalam e crescem avidamente. Até parece que têm pressa. Logo ficam altas, suas folhas se desenvolvem, mas duram pouco e morrem rápido, caindo enrugadas e marrons no chão, decompondo-se e devolvendo nutrientes para a terra. Despertadas pelos vazios de vida na paisagem, embaúbas são espécies pioneiras que, aos poucos, alteram seus arredores e facilitam que novas espécies vegetais prosperem em seu entorno.

14     Não satisfeitas, elas ainda são atraentes para animais. Suas flores, apesar de polinizadas pelo vento, também podem ser polinizadas por insetos como besouros. Suas infrutescências alongadas servem como fonte de alimento para uma diversidade de frugívoros, como aves, gambás, macacos e até peixes, que se alimentam dos frutos que caem em rios. Depois que comem os frutos e se deslocam para longe, esses animais dispersam as sementes de embaúba. E assim elas chegam a quase todos os lugares. Preguiças e bugios também são grandes apreciadores de suas folhas, passam horas abraçados a seus galhos, comendo e descansando, enquanto tomam sol. Claro, também há desvantagens em ser o grande restaurante florestal. Embaúbas sofrem com o consumo de suas folhas, mas subornam com alimento e proteção formigas do gênero Azteca para torná-las suas fiéis escudeiras. Essas formigas agressivas vivem em colônias dentro do tronco oco da embaúba. Para defender sua casa, atacam os herbívoros que vêm para comer as folhas.

15     Embaúbas são acervos de interações e símbolos de resistência da natureza. É por isso que elas tomaram o terreno vizinho. Elas estão lá contando uma história. Mais do que a história de um terreno específico e especial para poucas pessoas atentas, essa é a história de muitos dos remanescentes florestais em centros urbanos. Em uma cidade como o Rio de Janeiro, onde novos prédios sobem às custas da retirada das árvores, há um valor inestimável nos seres que insistem em existir. A persistência desses pontos verdes no meio da selva de concreto é um grito de guerra. É a memória do que se perdeu e a esperança de que nem tudo está perdido. Ainda há vida para preservar e proteger, para ver renascer dos escombros.

16     Hoje, existem ações de reflorestamento acontecendo em áreas urbanas, como o projeto Revive Jacarepaguá, na minha vizinhança, cujo objetivo é repovoar as margens do rio Anil com espécies vegetais nativas da Mata Atlântica. Iniciativas como essa podem estar em seus primórdios, mas são um exemplo de que é possível escrever uma história melhor para a natureza em escala local. Humanos têm a capacidade de entender o que significam os retalhos de verde no cotidiano urbano. Apesar do nosso potencial arrebatador de destruição, também somos a voz da nossa própria consciência e podemos frear os nossos erros. Tudo começa quando prestamos atenção na vida que ainda se exibe aos nossos olhos, quando queremos ser as embaúbas na frente da minha varanda, teimosas, que insistem em fincar raízes e crescer na terra marcada por uma história de devastação.

Adaptado de <https://oeco.org.br/analises/teimosia-evolta-por-cima-aprende-se-com-as-embaubas/>. Publicado em 18 de outubro de 2019. Acessado em 22/09/2024.
Considere as afirmações sobre o excerto seguinte, marque V, para verdadeiro, ou F, para falso, e depois assinale a alternativa CORRETA.
"Nesses ambientes abertos, degradados, inóspitos, as embaúbas se instalam e crescem avidamente. Até parece que têm pressa. Logo ficam altas, suas folhas se desenvolvem, mas duram pouco e morrem rápido, caindo enrugadas e marrons no chão, decompondo-se e devolvendo nutrientes para a terra." (parágrafo 13)
( ) A palavra "avidamente" modifica o sentido do verbo "crescer".
( ) A palavra "pressa" complementa o sentido do verbo "parecer".
( ) Em "decompondo-se", a ênclise se justifica porque o verbo "decompor" está no gerúndio.
( ) A palavra "nutrientes" é complemento objeto direto do verbo "devolver".
( ) A palavra "terra" é complemento objeto indireto do verbo "devolver". 
Alternativas
Q3372949 Português
Das formas pronominais enclíticas retiradas do texto, assinale a alternativa que apresenta correta e respectivamente um caso em que há mais de uma possibilidade de colocação pronominal e um caso em que a ênclise não deveria ter ocorrido.
Alternativas
Respostas
2601: E
2602: C
2603: B
2604: C
2605: D
2606: B
2607: D
2608: A
2609: D
2610: A
2611: E
2612: D
2613: B
2614: B
2615: C
2616: B
2617: C
2618: C
2619: A
2620: C