Questões de Concurso
Sobre intertextualidade em português
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I- intertextualidade. II- subjetividade. III- conotatividade. IV- metalinguagem. V- denotatividade.
Estão CORRETOS os itens
Leia o texto e responda à questão.
Texto I
'Quer adressar?', me perguntou a moça
Dicas para acessar o português moderno e não dar a resposta errada a uma boa proposta
De início, não entendi o verbo cravado no coração da frase e, usando o envelhecer a meu favor, fingindo perda de audição pela idade avançada, pedi graciosamente, por favor, que a moça repetisse.
O cenário era a loja chique de um shopping no Leblon, onde eu negociava com ela, vendedora educadíssima, os últimos detalhes da compra de um produto volumoso que, sem carro, eu não podia levar naquele momento. Foram necessárias três repetições da frase até que - como se falava no tempo do orelhão, quando o português era ouvido por aqui - a ficha caiu:
“Eu posso adressar o produto amanhã cedo para a sua casa?”, era o que perguntava a moça, fazendo-se finalmente entender.
Os neologismos participam da língua, inputam em alguns casos a solução onde antes havia um gap de comunicação. “Adressar’, metabolizado do inglês to address, era endereçar a paciência para um lugar muito distante de qualquer necessidade, mas entendi o approach. A moça queria ostentar na fala o mesmo padrão internacional do shopping. Bastava me remeter (se quisesse falar um português bonito), me despachar (se gostasse de mostrar a chiadeira do sotaque carioca) ou simplesmente me entregar a compra - verbos que seriam imediatamente compreensíveis por qualquer idoso - amanhã cedo. Ri por dentro.
A pureza vernacular não linka com a minha prosa vadia de cronista. A ideia aqui é mexer com a língua, rogar na de Luís de Camões, na de Ana Martins Marques, e - como o tamanduá esticando a dele para pegar as formigas - tirar prazer disso. Para manter o emprego, equilibro num parágrafo as ordens do manual de redação - exibindo às vezes uma mesóclise de polainas - e já no parágrafo seguinte caio de boca - com o piercing no lábio inferior - no saboreio do último barbarismo ouvido na esquina. Nada a ver com os rigores de um professor de português. O target não é preparar o leitor para a nota mil do Enem, mas meter a língua onde não se foi chamado.
Ela adora uma novidade, mas não é boba. Já enfrentou o gerundismo, o “a nível de”, o prefeito que proibiu usar “sale” nas vitrines, o “atravessamento”, o ministro que traduzia para o tupi-guarani as expressões que chegavam ao gabinete em inglês. Na onda do mundo digital, é natural reciclar palavras que acessem, que resetem, que escaneiem ou zapeiem o novo cotidiano agora online. Algumas logo desaparecem debaixo da risada geral (estartar, por exemplo), outras seguirão, numa nice, para os jobs do dia a dia.
Eu printo, tu printas, quem nunca? Na semana passada, uma amiga me telefonou para contar a última do vocabulário em seu escritório. Na reunião da manhã, o diretor executivo exultava de felicidade, e fez um speech dizendo que “o resultado do benchmark draivou a melhoria do processo” - isso mesmo, no sentido de “to drive” do inglês, o benchmark guiou, dirigiu com sucesso os negócios do escritório. O resto foi o de sempre, e tome deadline, upscaling, asap, trade marketing e foco no cliente.
A propósito. Preciso dizer que quando eu, cliente, finalmente entendi o que a moça na loja do shopping queria dizer com a proposta de “adressar” a compra, eu aquiesci jovial - e me fiz up to date:
“Sim, por favor, adressa, sim”.
(SANTOS, Joaquim Ferreira dos. Disponível em: <https://oglobo.globo.com/cultura/joaquim-ferreira-dos-santos/coluna/2025/10/quer-adressar-me-perguntou-a-moca.ghtml>.
A pureza vernacular não linka com a minha prosa vadia de cronista. A ideia aqui é mexer com a língua, roçar na de Luís de Camões, na de Ana Martins Marques, e - como o tamanduá esticando a dele para pegar as formigas - tirar prazer disso.” (§5°).
Coloque F (falso) ou V (verdadeiro) nas afirmativas abaixo, em relação à análise textual. A seguir, assinale a opção correta.
( ) Vários elementos de análise textual podem ser estudados a partir do fragmento, dentre eles a ambiguidade e o caráter plurissignificativo da linguagem.
( ) É nítida a preocupação do cronista com o prazer advindo da criação literária, construída a partir de inspirações que remetem ao aspecto diastrático da língua.
( ) Ao aludir à “prosa vadia”, o cronista faz referência à liberdade expressiva, aliada ao formalismo da linguagem.
( ) A citação de autores consagrados evidencia o caráter polifônico do texto, o qual desconstrói a ideia de língua como elemento de identidade cultural.
Leia o texto e responda à questão.
Texto I
'Quer adressar?', me perguntou a moça
Dicas para acessar o português moderno e não dar a resposta errada a uma boa proposta
De início, não entendi o verbo cravado no coração da frase e, usando o envelhecer a meu favor, fingindo perda de audição pela idade avançada, pedi graciosamente, por favor, que a moça repetisse.
O cenário era a loja chique de um shopping no Leblon, onde eu negociava com ela, vendedora educadíssima, os últimos detalhes da compra de um produto volumoso que, sem carro, eu não podia levar naquele momento. Foram necessárias três repetições da frase até que - como se falava no tempo do orelhão, quando o português era ouvido por aqui - a ficha caiu:
“Eu posso adressar o produto amanhã cedo para a sua casa?”, era o que perguntava a moça, fazendo-se finalmente entender.
Os neologismos participam da língua, inputam em alguns casos a solução onde antes havia um gap de comunicação. “Adressar’, metabolizado do inglês to address, era endereçar a paciência para um lugar muito distante de qualquer necessidade, mas entendi o approach. A moça queria ostentar na fala o mesmo padrão internacional do shopping. Bastava me remeter (se quisesse falar um português bonito), me despachar (se gostasse de mostrar a chiadeira do sotaque carioca) ou simplesmente me entregar a compra - verbos que seriam imediatamente compreensíveis por qualquer idoso - amanhã cedo. Ri por dentro.
A pureza vernacular não linka com a minha prosa vadia de cronista. A ideia aqui é mexer com a língua, rogar na de Luís de Camões, na de Ana Martins Marques, e - como o tamanduá esticando a dele para pegar as formigas - tirar prazer disso. Para manter o emprego, equilibro num parágrafo as ordens do manual de redação - exibindo às vezes uma mesóclise de polainas - e já no parágrafo seguinte caio de boca - com o piercing no lábio inferior - no saboreio do último barbarismo ouvido na esquina. Nada a ver com os rigores de um professor de português. O target não é preparar o leitor para a nota mil do Enem, mas meter a língua onde não se foi chamado.
Ela adora uma novidade, mas não é boba. Já enfrentou o gerundismo, o “a nível de”, o prefeito que proibiu usar “sale” nas vitrines, o “atravessamento”, o ministro que traduzia para o tupi-guarani as expressões que chegavam ao gabinete em inglês. Na onda do mundo digital, é natural reciclar palavras que acessem, que resetem, que escaneiem ou zapeiem o novo cotidiano agora online. Algumas logo desaparecem debaixo da risada geral (estartar, por exemplo), outras seguirão, numa nice, para os jobs do dia a dia.
Eu printo, tu printas, quem nunca? Na semana passada, uma amiga me telefonou para contar a última do vocabulário em seu escritório. Na reunião da manhã, o diretor executivo exultava de felicidade, e fez um speech dizendo que “o resultado do benchmark draivou a melhoria do processo” - isso mesmo, no sentido de “to drive” do inglês, o benchmark guiou, dirigiu com sucesso os negócios do escritório. O resto foi o de sempre, e tome deadline, upscaling, asap, trade marketing e foco no cliente.
A propósito. Preciso dizer que quando eu, cliente, finalmente entendi o que a moça na loja do shopping queria dizer com a proposta de “adressar” a compra, eu aquiesci jovial - e me fiz up to date:
“Sim, por favor, adressa, sim”.
(SANTOS, Joaquim Ferreira dos. Disponível em: <https://oglobo.globo.com/cultura/joaquim-ferreira-dos-santos/coluna/2025/10/quer-adressar-me-perguntou-a-moca.ghtml>.
Leia a charge a seguir e analise as asserções a respeito de sua relação com o texto-base da prova.

JUNIÃO. Charge sobre criatividade publicada originalmente no programa Escolas Transformadoras do instituto Alana (2020). Disponível em: //juniao.com.br/chargecartum/
I. Pode-se inferir que tanto o texto quanto a charge abordam a problemática envolvendo a redução do brincar em face do uso da internet.
PORQUE
II. A charge mostra alienígenas que consideram o brincar desconectado como sinal de evolução, e o
texto demonstra a opinião de especialistas sobre esse assunto.
A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.
PROCURADORA CITA PESSOA EM AÇÃO DE ICMS E BARROSO DIZ: "REVIROU NO TÚMULO"
Citação ocorreu durante julgamento no STF sobre possível caráter confiscatório de multa tributária.
Durante sessão plenária do STF nesta quinta-feira, 14, a procuradora-geral da Fazenda Nacional Luciana Miranda surpreendeu ao encerrar sustentação com verso do poema Tabacaria, de Fernando Pessoa.
A citação chamou atenção pelo contraste com o tema em julgamento, que analisa o possível caráter confiscatório da chamada "multa isolada", penalidade aplicada pelo descumprimento de obrigações acessórias em operações que não geram crédito tributário.
Antes de recitar o trecho, Luciana brincou: "Espero que o poeta me perdoe, porque ele evidentemente falava de pessoas, ele falava da natureza humana e eu trago para multas tributárias".
Na sequência, citou o verso "tomaram-me por quem não era e não desmenti e perdi-me", destacando a importância de que as infrações tributárias sejam corretamente qualificadas, "sob pena de perdermos a essência da sua reprovabilidade".
Ao final, ministro Luís Roberto Barroso reagiu: "Fernando Pessoa em multa tributária... revirou o homem no túmulo".
Disponível em: https://www.migalhas.com.br/quentes/436858/pessoa-e-citado-em-acao-de-icms-e-barroso reage--revirou-no-tumulo. Acesso em: 06 set. 2025.
I. O evangelista aproveita a polissemia dos termos ‘almāh (hebraico) e parthénos (grego).
II. O profeta Isaías já se referenciava, desde sua época, a Maria e a Jesus.
III. Por meio do termo Emanuel, o evangelista aproveita a teologia de Isaías sobre Deus junto a seu povo.
IV. O evangelista traz novo significado em seu contexto: Jesus é um presente de Deus à humanidade.
Estão corretas apenas as afirmativas
Analise a imagem a seguir.

A foto de Andrew McCarthy, intitulada “A queda de Ícaro”, que faz referência ao mito grego em que Ícaro cai ao voar muito próximo ao Sol, foi considerada uma das fotos mais significativas do ano de 2025. A qualidade do texto imagético é expressa pela

I. A coerência textual organiza-se por meio de uma progressão semântica que culmina na ruptura da expectativa construída nos quadrinhos anteriores.
II. A coesão textual estabelece-se predominantemente por mecanismos referenciais e pela articulação dialógica entre as falas das personagens.
III. A situacionalidade depende do reconhecimento, pelo leitor, da referência cultural ao reality show “Big Brother”, elemento que contribui para a interpretação do efeito humorístico.
IV. A intencionalidade do texto ultrapassa a função lúdica, produzindo também uma crítica implícita às relações de convivência social.
V. A informatividade é baixa, pois o texto apresenta repetição temática sem ampliação significativa de sentidos ao longo da sequência discursiva.
Após análise, conclui-se que a sequência correta é:


Leia o Texto 1 para responder à questão.
Texto 1
Receita
ingredientes
2 conflitos de gerações
4 esperanças perdidas
3 litros de sangue fervido
5 sonhos eróticos
2 canções dos beatles
modo de preparar
dissolva os sonhos eróticos nos dois litros de sangue fervido e deixe gelar seu coração.
leve a mistura ao fogo, adicionando dois conflitos de gerações às esperanças perdidas.
corte tudo em pedacinhos e repita com as canções dos beatles o mesmo processo usado com os sonhos eróticos, mas desta vez deixe ferver um pouco mais e mexa até dissolver.
parte do sangue pode ser substituído por suco de groselha, mas os resultados não serão os mesmos. sirva o poema simples ou com ilusões.
BEHR, Nicolas. Receita. In: 50 POEMAS de revolta. São Paulo: Companhia das Letras, 2017. p. 73-74.
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Queda de uma das maiores árvores do Brasil mobiliza moradores de SC
A queda de uma das maiores árvores do Brasil, no município de Caçador, em Santa Catarina, mobilizou uma equipe da Embrapa Florestas para coleta de material genético (DNA) e tentativa de clonagem da árvore, na última quinta-feira (7).
Apelidada carinhosamente de "Pinheirão", a árvore era a quarta maior araucária — Araucaria angustifolia — do país, com 44 metros de altura e 2,45 metros de diâmetro à altura do peito (DAP).
Segundo levantamentos realizados pelo professor Marcelo Scipioni, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), não há informações precisas sobre a idade da árvore, nem confirmação sobre quando ocorreu a queda, mas a estimativa é de que tenha acontecido nas últimas semanas.
A árvore estava na Estação Experimental da Embrapa em Caçador, e, em campo, a equipe avaliou a existência de brotações viáveis para o processo de resgate do material genético. "O ideal é que a coleta deste tipo de material seja feita de cinco a dez dias após a queda.
No entanto, a equipe observou brotações ainda viáveis", explicou Ivar Wendling, pesquisador da Embrapa Florestas.
O material seguiu, então, para enxertia em laboratório e deve levar cerca de cem dias para confirmação do sucesso do procedimento. A iniciativa busca preservar e estudar características genéticas raras da espécie, como sua altura e longevidade.
Embora não seja possível estimar a idade da árvore, seu porte monumental a transformou em um ponto de interesse dentro da estação experimental. Mesmo em uma área de acesso restrito, era comum que pesquisadores e funcionários buscassem o local para acompanhar seu desenvolvimento.
De acordo com a Embrapa Florestas, uma situação semelhante já foi enfrentada anteriormente. Em Cruz Machado, no Paraná, uma araucária de grande porte também foi clonada após queda, em trabalho conduzido pela empresa.
https://www.cnnbrasil.com.br/ciencia/queda-de-uma-das-maiores-arvores-do-brasil-mobiliza-moradores-de-sc/
A menção ao caso ocorrido em Cruz Machado, no Paraná, tem como função principal:

Texto II

Fonte: GONSALES, Fernando. Níquel Náusea. Disponível em: https://www.instagram.com/p/DUVTO2VDh9f/?img_index=4. Acesso em: 5 mar. 2026.
I- Apresentar aos alunos a história enriqueceria o conhecimento enciclopédico dos alunos, pois Aladim e a lâmpada maravilhosa evidenciaria a intertextualidade entre a história e a tira.
II- Mostrar que a quebra de expectativa em torno de como se espera que o gênio da lâmpada se comporte é fundamental para a compreensão do texto e para a construção do humor da tira.
III- Desconhecer a história de Aladim é irrelevante para o aprofundamento da compreensão da tira.
É CORRETO o que se afirma em:
Texto II

Fonte: GONSALES, Fernando. Níquel Náusea. Disponível em: https://www.instagram.com/p/DUVTO2VDh9f/?img_index=4. Acesso em: 5 mar. 2026.
