Questões de Concurso
Sobre intertextualidade em português
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Leia a seguir um trecho do prólogo do livro A literatura como remédio: os clássicos e a saúde da alma, para responder à questão
Prólogo ao leitor extremamente ocupado
“Desocupado leitor…” É assim que Miguel de Cervantes iniciava o prólogo de uma das mais célebres obras literárias da história universal: O Engenhoso Fidalgo D. Quixote de la Mancha. Quatrocentos anos depois, neste mundo marcado pelo imediatismo e pelo produtivismo, fico pensando se ainda seria possível iniciar um livro fazendo um convite ao “desocupado leitor” de Cervantes… Pois, na verdade, hoje estamos todos tão extremamente ocupados… Extremamente ocupa dos e extremamente apressados.
Esta pressa e esta azáfama têm, mais que nos ocupa do, nos preocupado e, em última análise, nos desumanizado e nos adoecido. E como os que estão doentes precisam de remédio, passo, rapidamente — porque nos falta tempo — a falar sobre o porquê deste livro.
Este livro fala sobre um remédio; um tipo muito especial de remédio. O remédio é, como veremos, muito, muito antigo. Foi descoberto ou inventado ainda na aurora da humanidade e, ficando às vezes meio esquecido, precisa ser constante mente resgatado, para que essa mesma humanidade não adoeça mortalmente.
Quem nunca experimentou, algum dia, os seus efeitos benfazejos? Eu mesmo me lembro o quanto o desejava e esperava, ansiosamente, quando minha mãe, às vezes meu pai, ou mesmo meu avô, vinham administrá-lo à noite, antes de dormir…
Sim, não cabe mais fazer mistério: esse remédio são as histórias. As narrativas que, algumas vezes, brotam da imaginação fértil; outras, das coisas efetivamente ocorridas e reinventadas; e, na maioria, dos livros clássicos de contos infantis.
Chamo de remédio, porque, desde a mais tenra infância, essas histórias eram o que enchiam a alma, quebravam a rotina dos dias cinzentos, abriam as portas para outras dimensões e patamares da realidade. Divertiam, encantavam, ensinavam e, mesmo quando eram amargas e tristes (pois é próprio do remédio às vezes ser amargo), sempre faziam bem.
Com o passar do tempo, entretanto, e as demandas da vida — escola, trabalho etc. — vamos nos afastando deste maravilhoso remédio, fortificante da alma. No contexto do mundo moderno, aliás, passaram a acreditar que tal remédio é não só dispensável, mas até prejudicial, pois ficção, fantasia, sonho, nos distrai da “realidade”, determinada pelas coisas “reais”, sérias, produtivas. Mas então, quando começamos a sentir os sintomas de um tipo muito particular de adoecimento, nos damos conta da sua falta e nos lembramos dos seus efeitos.
(Dante Gallian. São Paulo: Martin Claret, 2019. Adaptado).
Leia o cartum.

Esse cartum dialoga com o texto “Prólogo ao leitor extremamente ocupado”, apontando que
Para a questão, analise a charge abaixo:
TEXTO II

(Fonte: NINIU. [Não existe racismo. Tanto que você está empregado, né segurança?]. Instagram: @chargesdoniniu. [S. l.], 13 ago. 2023. Disponível em: <https://www.instagram.com/chargesdoniniu/ >. Acesso em: 10 jul. 2026.)


I- É possível estabelecer relação dialógica entre os Textos II e III, considerando que cada texto possibilita a inferência da ingenuidade de um personagem que chega a uma conclusão equivocada.
II- Os Textos II e III apresentam diferentes temáticas, impossibilitando afirmar que há uma relação dialógica entre eles.
III- Os dois textos são tirinhas de humor que usam a ironia para fazer crítica social.
É CORRETO o que se afirma apenas em:
Leia o poema “O poeta”, de Mia Couto, para responder à questão:
O poeta não gosta de palavras:
escreve para se ver livre delas.
A palavra
torna o poeta
pequeno e sem invenção.
Quando,
sobre o abismo da morte,
o poeta escreve terra,
na palavra ele se apaga
e suja a página de areia.
Quando escreve sangue
o poeta sangra
e a única veia que lhe dói
é aquela que ele não sente.
Com raiva,
o poeta inicia a escrita
como um rio desflorando o chão.
Cada palavra é um vidro em que se corta.
O poeta não quer escrever.
Apenas ser escrito.
Escreve,
talvez, apenas enquanto dorme.
(Poemas escolhidos, 2016)
O que é a síndrome do coração partido e por que ela pode ser fatal
Por Drauzio Varella

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/drauzio-varella/noticia/2026/07/o-que-e-a- sindrome-do-coracao-partido-e-por-que-ela-pode-ser-fatal-cms4mqvmg00ha014pc6a2g4b0.html – texto
adaptado especialmente para esta prova).
Leia a charge e as asserções a seguir, e analise a relação proposta entre elas e o texto-base desta prova:

Fonte: Bandeira (2025).
I. A charge é uma representação teórica do que o Dr. Drauzio chama de “eixo cérebro-coração” na área médica.
PORQUE
II. O cérebro é o responsável por racionalizar nossos sentimentos, e o coração, por nos causar impactos emocionais.
A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.
Entre o estranho e o essencial: o que há em abraçar uma árvore?
Um gesto simples pode parecer estranho aos olhos de quem desaprendeu a sentir. Abraçar uma árvore pode ser
motivo de chacota para aqueles que se afastaram do sentir. Em meio à pressa das cidades, ao ritmo produtivo — que
(des)organiza nossas necessidades — e às regras silenciosas do comportamento social, parar diante de uma árvore,
encostar o corpo em seu tronco e permanecer ali por alguns instantes pode ser visto como algo excêntrico e digno de
rótulos preconceituosos. Mas o que exatamente está sendo julgado nesse gesto? Talvez não seja o ato em si, mas aquilo
que ele revela.
Vivemos um tempo marcado por um massivo afastamento da natureza. As paisagens naturais vêm sendo
substituídas por estruturas artificiais e, junto com essa transformação externa, a nossa capacidade de nos reconhecer
como parte dela também se deslocou. Fomos nos habituando a existir como se estivéssemos separados, como se
fôssemos apenas observadores do mundo, e não parte dele.
Nesse contexto, o gesto de abraçar uma árvore pode soar estranho porque rompe uma lógica dominante. Ele não
é produtivo, não é performático, não responde a uma finalidade valorizada pela lógica da massa tecnológica. É um gesto
que não “serve” para nada, além do descanso, do relaxamento e do deleite de não precisar cumprir nada para fora de si.
Por isso, é tão difícil de ser compreendido em um mundo onde o descanso é visto como perda de tempo.
O contato com a natureza tem sido amplamente estudado, e práticas como o shinrin-yoku, o chamado “banho de
floresta”, evidenciam efeitos importantes sobre o organismo físico e emocional. A simples presença em ambientes naturais,
especialmente quando mediada pelo toque, pode contribuir para a redução dos níveis de estresse, para a regulação do
sistema nervoso e para a promoção de estados de relaxamento e bem-estar.
No campo da ecopsicologia, essa relação é compreendida de forma ainda mais ampla. Não se trata apenas de
“estar na natureza”, mas de reconhecer que não há uma separação entre o humano e o ambiente. A sensação de calma
que emerge nesse contato não vem de fora, é um retorno a um estado de integração. Sob essas perspectivas, abraçar
uma árvore deixa de ser um gesto excêntrico e passa a ser compreendido como uma forma essencial de nutrição e
reconexão. Essa reconexão não acontece como uma ideia, mas sim com a experiência. [...]
Fonte: TORREZAN, Laura. Entre o estranho e o essencial: o que há em abraçar uma árvore? Disponível em: https://vidasimples.com. Acesso em: 20 jun. 2026. Adaptado.
Leia, com atenção, o texto 02:
Assinale a passagem do texto 1 que estabelece relação discursiva com o texto 02.
INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto 01 e, a seguir, responda à questão, que a ele se referem. Texto 01
Entre o estranho e o essencial: o que há em abraçar uma árvore?
Um gesto simples pode parecer estranho aos olhos de quem desaprendeu a sentir. Abraçar uma árvore pode ser motivo de chacota para aqueles que se afastaram do sentir. Em meio à pressa das cidades, ao ritmo produtivo — que (des)organiza nossas necessidades — e às regras silenciosas do comportamento social, parar diante de uma árvore, encostar o corpo em seu tronco e permanecer ali por alguns instantes pode ser visto como algo excêntrico e digno de rótulos preconceituosos. Mas o que exatamente está sendo julgado nesse gesto? Talvez não seja o ato em si, mas aquilo que ele revela.
Vivemos um tempo marcado por um massivo afastamento da natureza. As paisagens naturais vêm sendo substituídas por estruturas artificiais e, junto com essa transformação externa, a nossa capacidade de nos reconhecer como parte dela também se deslocou. Fomos nos habituando a existir como se estivéssemos separados, como se fôssemos apenas observadores do mundo, e não parte dele.
Nesse contexto, o gesto de abraçar uma árvore pode soar estranho porque rompe uma lógica dominante. Ele não é produtivo, não é performático, não responde a uma finalidade valorizada pela lógica da massa tecnológica. É um gesto que não “serve” para nada, além do descanso, do relaxamento e do deleite de não precisar cumprir nada para fora de si. Por isso, é tão difícil de ser compreendido em um mundo onde o descanso é visto como perda de tempo.
O contato com a natureza tem sido amplamente estudado, e práticas como o shinrin-yoku, o chamado “banho de floresta”, evidenciam efeitos importantes sobre o organismo físico e emocional. A simples presença em ambientes naturais, especialmente quando mediada pelo toque, pode contribuir para a redução dos níveis de estresse, para a regulação do sistema nervoso e para a promoção de estados de relaxamento e bem-estar.
No campo da ecopsicologia, essa relação é compreendida de forma ainda mais ampla. Não se trata apenas de “estar na natureza”, mas de reconhecer que não há uma separação entre o humano e o ambiente. A sensação de calma que emerge nesse contato não vem de fora, é um retorno a um estado de integração. Sob essas perspectivas, abraçar uma árvore deixa de ser um gesto excêntrico e passa a ser compreendido como uma forma essencial de nutrição e reconexão. Essa reconexão não acontece como uma ideia, mas sim com a experiência. [...]
Fonte: TORREZAN, Laura. Entre o estranho e o essencial: o que há em abraçar uma árvore? Disponível em: https://vidasimples.com. Acesso em: 20 jun. 2026. Adaptado.
INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto 02 e, a seguir, responda à questão, que a ele se refere.

Disponível em: https://bichinhosdejardim.com/. Acesso em: 20 jun. 2026.
Assinale a passagem do texto 1 que estabelece relação discursiva com o texto 02.
INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto 02 e, a seguir, responda à questão, que a ele se refere.
Texto 02

Disponível em: https://bichinhosdejardim.com/. Acesso em: 20 jun. 2026.
I- “Passamos a perseguir metas que parecem importantes porque são valorizadas por todos ao nosso redor, sem nos perguntar se elas também fazem sentido para nós.”
II- “Quando você sabe quem é e o que deseja, sua energia deixa de ser consumida com o que não conecta com o seu coração.”
III- “Em um mundo que nunca esteve tão conectado, talvez estejamos cada vez mais distantes de nós mesmos. A velocidade dos dias dificulta a escuta interior.”
IV- “Estamos tão acostumados a seguir roteiros prontos que muitas vezes confundimos admiração com desejo, influência com autoridade e aprovação com felicidade.”
V- “A todo momento somos atravessados por notícias, opiniões, tendências, expectativas e desejos que chegam de todos os lados. As redes sociais nos mostram vidas aparentemente perfeitas.”
Estão relacionadas discursivamente ao texto 02 apenas as passagens
INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto 02 e, a seguir, responda à questão, que a ele se refere.

Disponível em: https://bichinhosdejardim.com/. Acesso em: 20 jun. 2026.
Leia o texto a seguir.

Nesse texto, a intertextualidade com o conto de fadas e com o ditado popular contribui para a construção do humor ao
1. Canção do Exílio (Gonçalves Dias)
Minha terra tem palmeiras, Onde canta o sabiá; As aves que aqui gorjeiam, Não gorjeiam como lá.
2. Canto de regresso à Pátria (Oswald de Andrade)
Minha terra tem palmares Onde gorjeia o mar Os passarinhos daqui Não cantam como os de lá.
Ao planejar uma atividade de leitura comparada desses textos para uma turma do Ensino Médio, um professor de Língua Portuguesa pretende desenvolver a compreensão das relações intertextuais estabelecidas entre diferentes produções literárias. Considerando esse objetivo de aprendizagem, analise as afirmativas a seguir.
I. Solicitar aos estudantes que identifiquem os elementos retomados por Oswald de Andrade e discutam as transformações realizadas em relação ao poema de Gonçalves Dias constitui uma estratégia adequada, pois favorece a compreensão dos efeitos de sentido produzidos pela intertextualidade.
II. Propor que os estudantes localizem informações explícitas sobre a representação da paisagem brasileira nos dois poemas é uma estratégia suficiente para desenvolver a compreensão da relação intertextual entre os textos, pois a identificação do tema nacional permite reconhecer as influências entre as obras.
III. Orientar os estudantes a listar as características do Romantismo e do Modernismo, para depois identificá-las nos poemas, é uma estratégia adequada para que compreendam como um texto pode dialogar com outro.
Está correto o que se afirma em
Leia:

Na tirinha, a articulação entre linguagem verbal e não verbal produz um efeito de atualização do conto “Chapeuzinho Vermelho”, o qual se concretiza porque o autor
Um pé de cedro
Por Adriana Antunes

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/adriana-antunes/noticia/2026/06/um-pede-cedro-cmqznhwxg00c2015tlwtwlvqp.html – texto adaptado especialmente para esta prova).
Um pé de cedro
Por Adriana Antunes

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/adriana-antunes/noticia/2026/06/um-pede-cedro-cmqznhwxg00c2015tlwtwlvqp.html – texto adaptado especialmente para esta prova).
Fonte: Arionauro Cartuns (2018)
I. Pode-se afirmar que a charge e o texto abordam o mesmo tema.
INCLUSIVE
II. A charge representa fielmente, através de linguagem não verbal, uma cena descrita no texto anterior.
A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.
A partir da leitura da charge e do seu repertório cultural acumulado ao longo da sua formação, assinale a alternativa que esteja fazendo uma análise correta sobre a estratégia de produção adotada para transmitir uma mensagem de importância social.