Questões de Concurso Sobre interpretação de textos em português

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Q3795801 Português

Para responder à questão, leia o texto abaixo.  



O sagrado da mesa



    Quando sentamos para comer, existe algo de reverência nesse gesto. Aqui, em nossa região de colonização italiana, esse costume está enraizado no coração das pessoas. As famílias se juntam não só para saciar a fome, mas para partilhar o tempo, o riso, as preces, as histórias e o pão. A mesa torna-se um altar do cotidiano, onde se celebra a vida.



    Muitas vezes minha mãe dizia para nunca jogar comida fora, _____ o alimento é sagrado. Pela casa, repetia com voz mansa e presença firme: “Cuidado para não desperdiçar, ______ um dia pode faltar.” Eram pequenas lições temperadas com afeto e sabedoria que servia entre o fogão e a mesa, ensinando-nos a valorizar e a respeitar o que nos sustenta.



    Mas o que tem acontecido é que muitas famílias estão entregando esse momento ao automatismo. As conversas cederam às telas; o barulho dos talheres se mistura ao som da televisão, e o silêncio foi substituído pelas distrações. Cada um come apressado, sozinho, no seu canto. E assim, o alimento perde o sentido que tinha: o de reunir. Nesse mesmo descuido, revela-se outra contradição dolorosa: enquanto sobra comida em algumas mesas, falta em tantas outras. No Brasil, cerca de 30% de tudo o que se produz é jogado fora, o que representa mais de 46 milhões de toneladas de alimentos por ano. Um verdadeiro absurdo diante da fome e da desigualdade.



    Em 2022, o país voltou ao mapa da fome, com 33 milhões de pessoas em insegurança alimentar grave. Três anos depois, segundo a FAO (Food and Agriculture Organization), o Brasil deixou novamente esse mapa, mas a realidade permanece alarmante. O que os números revelam vai além das estatísticas: somos uma nação que, apesar de sua imensa capacidade de produção, ainda não consegue garantir alimento para todos. A fome não é um destino inevitável e, sim, o resultado das escolhas e prioridades que fazemos ao distribuir e consumir alimentos. Grande parte do desperdício nasce do cotidiano: nas feiras, nos restaurantes, nas casas, onde o olhar se acostumou a descartar o que ainda poderia ser aproveitado. E enquanto o lixo se enche de comida, o prato de muita gente segue vazio. A abundância não redime a fome se não houver partilha.



    Talvez o problema esteja justamente no que esquecemos de celebrar. A refeição deixou de ser encontro, deixou de ser consciência. Quando se perde o sentido do alimento, de onde vem, o que custou, quem plantou, perde-se também o vínculo com o outro. E esse vínculo que, se refeito, pode transformar de novo a mesa em espaço de cuidado. Porque o sagrado de comer juntos está menos no prato e mais na presença. E, no fim das contas, é dela que a humanidade ainda tem fome.



Autora: Helô Bacichette - GZH (adaptado). 

A construção discursiva do texto opera pela tensão entre o simbolismo da mesa e a materialidade da fome, recorrendo a contrastes que evidenciam paradoxos sociais. Assim, analise as assertivas a seguir acerca dos elementos centrais dessa articulação:

I. O texto sugere que a ruptura do ritual da refeição — substituído por distrações tecnológicas — enfraquece não apenas o convívio familiar, mas a própria consciência ética sobre o alimento e sua origem.

II. A referência aos percentuais de desperdício e aos milhões de toneladas de alimentos jogados fora cumpre função argumentativa de denunciar uma incoerência estrutural: a abundância coexistindo com a privação extrema. 

III. Ao afirmar que “a humanidade ainda tem fome de presença”, o texto encerra-se com uma personificação que desloca o foco da alimentação material para a carência relacional, sustentando a tese de que o ato de comer é, essencialmente, um fenômeno de pertencimento social.

Das assertivas, pode-se afirmar que:
 
Alternativas
Q3795800 Português

Para responder à questão, leia o texto abaixo.  



O sagrado da mesa



    Quando sentamos para comer, existe algo de reverência nesse gesto. Aqui, em nossa região de colonização italiana, esse costume está enraizado no coração das pessoas. As famílias se juntam não só para saciar a fome, mas para partilhar o tempo, o riso, as preces, as histórias e o pão. A mesa torna-se um altar do cotidiano, onde se celebra a vida.



    Muitas vezes minha mãe dizia para nunca jogar comida fora, _____ o alimento é sagrado. Pela casa, repetia com voz mansa e presença firme: “Cuidado para não desperdiçar, ______ um dia pode faltar.” Eram pequenas lições temperadas com afeto e sabedoria que servia entre o fogão e a mesa, ensinando-nos a valorizar e a respeitar o que nos sustenta.



    Mas o que tem acontecido é que muitas famílias estão entregando esse momento ao automatismo. As conversas cederam às telas; o barulho dos talheres se mistura ao som da televisão, e o silêncio foi substituído pelas distrações. Cada um come apressado, sozinho, no seu canto. E assim, o alimento perde o sentido que tinha: o de reunir. Nesse mesmo descuido, revela-se outra contradição dolorosa: enquanto sobra comida em algumas mesas, falta em tantas outras. No Brasil, cerca de 30% de tudo o que se produz é jogado fora, o que representa mais de 46 milhões de toneladas de alimentos por ano. Um verdadeiro absurdo diante da fome e da desigualdade.



    Em 2022, o país voltou ao mapa da fome, com 33 milhões de pessoas em insegurança alimentar grave. Três anos depois, segundo a FAO (Food and Agriculture Organization), o Brasil deixou novamente esse mapa, mas a realidade permanece alarmante. O que os números revelam vai além das estatísticas: somos uma nação que, apesar de sua imensa capacidade de produção, ainda não consegue garantir alimento para todos. A fome não é um destino inevitável e, sim, o resultado das escolhas e prioridades que fazemos ao distribuir e consumir alimentos. Grande parte do desperdício nasce do cotidiano: nas feiras, nos restaurantes, nas casas, onde o olhar se acostumou a descartar o que ainda poderia ser aproveitado. E enquanto o lixo se enche de comida, o prato de muita gente segue vazio. A abundância não redime a fome se não houver partilha.



    Talvez o problema esteja justamente no que esquecemos de celebrar. A refeição deixou de ser encontro, deixou de ser consciência. Quando se perde o sentido do alimento, de onde vem, o que custou, quem plantou, perde-se também o vínculo com o outro. E esse vínculo que, se refeito, pode transformar de novo a mesa em espaço de cuidado. Porque o sagrado de comer juntos está menos no prato e mais na presença. E, no fim das contas, é dela que a humanidade ainda tem fome.



Autora: Helô Bacichette - GZH (adaptado). 

O texto articula dimensão simbólica, crítica social e reflexão antropológica para evidenciar como a ruptura dos rituais alimentares esvazia vínculos humanos e agrava desigualdades estruturais. A interpretação exige atenção à sobreposição de níveis: o doméstico, o cultural e o socioeconômico. Nesse sentido, é INCORRETO afirmar que: 
Alternativas
Q3795799 Português

Para responder à questão, leia o texto abaixo.  



O sagrado da mesa



    Quando sentamos para comer, existe algo de reverência nesse gesto. Aqui, em nossa região de colonização italiana, esse costume está enraizado no coração das pessoas. As famílias se juntam não só para saciar a fome, mas para partilhar o tempo, o riso, as preces, as histórias e o pão. A mesa torna-se um altar do cotidiano, onde se celebra a vida.



    Muitas vezes minha mãe dizia para nunca jogar comida fora, _____ o alimento é sagrado. Pela casa, repetia com voz mansa e presença firme: “Cuidado para não desperdiçar, ______ um dia pode faltar.” Eram pequenas lições temperadas com afeto e sabedoria que servia entre o fogão e a mesa, ensinando-nos a valorizar e a respeitar o que nos sustenta.



    Mas o que tem acontecido é que muitas famílias estão entregando esse momento ao automatismo. As conversas cederam às telas; o barulho dos talheres se mistura ao som da televisão, e o silêncio foi substituído pelas distrações. Cada um come apressado, sozinho, no seu canto. E assim, o alimento perde o sentido que tinha: o de reunir. Nesse mesmo descuido, revela-se outra contradição dolorosa: enquanto sobra comida em algumas mesas, falta em tantas outras. No Brasil, cerca de 30% de tudo o que se produz é jogado fora, o que representa mais de 46 milhões de toneladas de alimentos por ano. Um verdadeiro absurdo diante da fome e da desigualdade.



    Em 2022, o país voltou ao mapa da fome, com 33 milhões de pessoas em insegurança alimentar grave. Três anos depois, segundo a FAO (Food and Agriculture Organization), o Brasil deixou novamente esse mapa, mas a realidade permanece alarmante. O que os números revelam vai além das estatísticas: somos uma nação que, apesar de sua imensa capacidade de produção, ainda não consegue garantir alimento para todos. A fome não é um destino inevitável e, sim, o resultado das escolhas e prioridades que fazemos ao distribuir e consumir alimentos. Grande parte do desperdício nasce do cotidiano: nas feiras, nos restaurantes, nas casas, onde o olhar se acostumou a descartar o que ainda poderia ser aproveitado. E enquanto o lixo se enche de comida, o prato de muita gente segue vazio. A abundância não redime a fome se não houver partilha.



    Talvez o problema esteja justamente no que esquecemos de celebrar. A refeição deixou de ser encontro, deixou de ser consciência. Quando se perde o sentido do alimento, de onde vem, o que custou, quem plantou, perde-se também o vínculo com o outro. E esse vínculo que, se refeito, pode transformar de novo a mesa em espaço de cuidado. Porque o sagrado de comer juntos está menos no prato e mais na presença. E, no fim das contas, é dela que a humanidade ainda tem fome.



Autora: Helô Bacichette - GZH (adaptado). 

No período “As famílias se juntam não só para saciar a fome, mas para partilhar o tempo”, a autora articula ideias por meio de conectores que ampliam ou contrastam informações, produzindo efeitos semânticos específicos. Nesse contexto, a conjunção “mas” estabelece uma circunstância de: 
Alternativas
Q3795640 Português
No cotidiano escolar, o trabalho com a diversidade textual (tipologias, gêneros e suportes) é fundamental para garantir o desenvolvimento da competência comunicativa dos estudantes. Considerando os pressupostos da Linguística Textual e das orientações dos documentos oficiais, marque a alternativa que apresenta a forma mais adequada de conduzir a prática pedagógica com a diversidade textual: 
Alternativas
Q3795616 Português
Em relação ao trabalho com oralidade, leitura, produção de texto e gramática na escola, analise as afirmações a seguir, marcando V para as verdadeiras e F para as falsas.
( ) A oralidade, no ensino de Língua Portuguesa, deve ser tratada apenas em situações de debate formal, já que práticas cotidianas de fala não exigem sistematização pedagógica.
( ) A avaliação em leitura deve ultrapassar a decodificação, considerando estratégias como antecipação, inferência, intertextualidade e análise crítica do texto.
( ) A produção de texto, no contexto escolar, deve ser concebida como processo, o que implica planejamento, escrita, revisão e reescrita, e não apenas como produto final.
( ) O ensino de gramática, sob uma perspectiva contemporânea, deve integrar-se às práticas de leitura e produção textual, favorecendo a reflexão sobre o funcionamento da língua em uso.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
Alternativas
Q3795615 Português
A construção da imagem do locutor e do interlocutor em um texto depende, entre outros fatores, das escolhas linguísticas realizadas, que podem evidenciar marcas dialetais, níveis de registro (formal, informal, técnico, literário etc.), jargões profissionais e gírias. Tais marcas contribuem para a representação de identidades, contextos sociais e relações de poder entre os participantes da interação.
Considerando essas informações, assinale a alternativa que está correta: 
Alternativas
Q3795612 Português
Considere os excertos a seguir.
I - "O sol queimava as pedras da estrada. João, cansado, sentou-se à beira do caminho e lembrou-se da infância, quando corria livre pelos campos."
II - "O presente manual tem por objetivo orientar o usuário quanto ao uso correto do equipamento, descrevendo passo a passo o procedimento de instalação."
III - "Manifestamos, por meio desta nota, nosso repúdio às declarações recentes, reafirmando nosso compromisso com a democracia e a justiça social."
A partir dos elementos característicos dos tipos e gêneros textuais, assinale a alternativa correta:
Alternativas
Q3795610 Português
Leia o texto abaixo. “A sala estava mergulhada em silêncio. Os alunos, atentos, aguardavam a explicação do professor. Alguns cochichavam discretamente, mas logo cessaram diante do olhar firme do mestre. O educador iniciou a exposição, retomando conceitos já discutidos e acrescentando exemplos novos para facilitar a compreensão da turma.”
Com base no texto e nos conhecimentos sobre coesão, coerência, sinonímia, antonímia e hiperonímia, analise as afirmações a seguir.
I - A palavra “educador” retoma, por coesão lexical, o termo “professor”, estabelecendo uma relação sinonímica.
II - A oposição entre “silêncio” e “cochichavam” constitui exemplo de antonímia contextual, reforçando a coerência da cena narrada.
III - O uso de expressões como “retomando conceitos” e “acrescentando exemplos” assegura a progressão textual, funcionando como elementos de coesão sequencial.
IV - O termo “alunos” é um hipônimo de “turma”, já que “turma” designa um conjunto mais abrangente do qual os alunos fazem parte.
V - O texto é incoerente porque apresenta informações contraditórias entre “silêncio” e “cochichavam discretamente”.
Assinale a alternativa correta:
Alternativas
Q3795608 Português
Leia com atenção o texto a seguir.
“O mito de Sísifo, condenado a empurrar eternamente uma pedra até o alto da montanha, apenas para vê-la rolar de volta, tem sido usado como metáfora da condição humana. Para Albert Camus, esse esforço inútil simboliza a busca incessante por sentido em um mundo indiferente. No entanto, a lição camusiana não está no fracasso da tarefa, mas na consciência da liberdade: é preciso imaginar Sísifo feliz. Assim, o gesto repetitivo deixa de ser punição e transforma-se em resistência.”
Com base no texto e nos conhecimentos acerca de paráfrase, de fidelidade aos segmentos de origem, de intertextualidade e de leitura de informações implícitas e explícitas, analise as afirmativas abaixo.
I - Uma paráfrase fiel do texto poderia ser: “O mito de Sísifo, reinterpretado por Camus, representa o esforço humano diante da ausência de sentido universal, mas também a possibilidade de liberdade e resistência na repetição.”
II - A frase “é preciso imaginar Sísifo feliz” constitui uma referência intertextual, já que retoma literalmente a reflexão final de Camus em sua obra “O mito de Sísifo”.
III - Está implícito no texto que a repetição, mesmo absurda, pode adquirir valor positivo se for ressignificada pelo sujeito.
IV - O texto afirma explicitamente que a punição de Sísifo é anulada pela decisão consciente de encarar a tarefa como liberdade.
V - A fidelidade a um segmento de origem permite ao leitor reescrever com outras palavras, desde que preserve o sentido essencial, sem reduções ou acréscimos que desvirtuem a mensagem.
Assinale a alternativa correta:
Alternativas
Q3795280 Português

Assinale a alternativa que apresenta um sinônimo correto, entre parênteses, para a palavra em destaque na frase.

Alternativas
Q3795273 Português

Leia a letra da música a seguir para responder à questão.



Velha Infância


Tribalistas



Você é assim

Um sonho pra mim

E quando eu não te vejo

Eu penso em você

Desde o amanhecer

Até quando eu me deito



Eu gosto de você

E gosto de ficar com você

Meu riso é tão feliz contigo

O meu melhor amigo é o meu amor



E a gente canta

E a gente dança

E a gente não se cansa

De ser criança

A gente brinca

Na nossa velha infância



Seus olhos, meu clarão

Me guiam dentro da escuridão

Seus pés me abrem o caminho

Eu sigo e nunca me sinto só



Você é assim

Um sonho pra mim

Quero te encher de beijos

Eu penso em você

Desde o amanhecer

Até quando eu me deito

(...)



Disponível em: <https://www.letras.mus.br/tribalistas/64148/>

Qual das alternativas a seguir apresenta uma interpretação correta da música “Velha Infância”? 
Alternativas
Q3795096 Português


(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/mario-corso/noticia/2025/11/recessao-derelacionamentos-cmhtir1vh008u013jx873msoe.html – texto adaptado especialmente para esta prova).



Considerando a frase a seguir, retirada do texto, assinale a alternativa que apresenta uma palavra que poderia substituir o vocábulo “idiossincrasias” sem causar alterações significativas no sentido do trecho em que ocorre.

“Para o sujeito contemporâneo, como tudo que lhe é próprio tem demasiado valor, suas idiossincrasias são seu ser”.
Alternativas
Q3795093 Português


(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/mario-corso/noticia/2025/11/recessao-derelacionamentos-cmhtir1vh008u013jx873msoe.html – texto adaptado especialmente para esta prova).



Considerando o exposto pelo texto, analise as assertivas a seguir:

I. Nos EUA, há mais solteiros, pessoas sem um relacionamento estável, há mais de uma década.
II. O autor concorda com os motivos apontados pela revista que ele cita como causas desse fenômeno, mas acentua uma delas, incluindo sua visão pessoal.
III. O fenômeno descrito pelo texto é da esfera social, portanto, suas consequências são restritas à decisão pessoal dos envolvidos.

66Quais estão corretas?
Alternativas
Q3795056 Português
Recessão de relacionamentos 
Por Mário Corso


(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/mario-corso/noticia/2025/11/recessao-de-
relacionamentos-cmhtir1vh008u013jx873msoe.html – texto adaptado especialmente para esta prova).
Considerando a frase a seguir, retirada do texto, assinale a alternativa que apresenta uma palavra que poderia substituir o vocábulo “idiossincrasias” sem causar alterações significativas no sentido do trecho em que ocorre.
“Para o sujeito contemporâneo, como tudo que lhe é próprio tem demasiado valor, suas idiossincrasias são seu ser”. 
Alternativas
Q3795053 Português
Recessão de relacionamentos 
Por Mário Corso


(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/mario-corso/noticia/2025/11/recessao-de-
relacionamentos-cmhtir1vh008u013jx873msoe.html – texto adaptado especialmente para esta prova).
Considerando o exposto pelo texto, analise as assertivas a seguir:
I. Nos EUA, há mais solteiros, pessoas sem um relacionamento estável, há mais de uma década.
II. O autor concorda com os motivos apontados pela revista que ele cita como causas desse fenômeno, mas acentua uma delas, incluindo sua visão pessoal.
III. O fenômeno descrito pelo texto é da esfera social, portanto, suas consequências são restritas à decisão pessoal dos envolvidos.
Quais estão corretas? 
Alternativas
Q3795021 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Como é fazer entrevista de emprego com uma inteligência artificial: tempo foi otimizado, mas desumaniza


O economista Everton Freire, de 33 anos, havia preenchido dezenas de formulários em busca de trabalho quando finalmente recebeu um e-mail positivo: fora selecionado para a segunda etapa de um processo seletivo em uma empresa de educação na área da saúde. Surpreendeu-se ao saber que seria entrevistado por uma inteligência artificial — experiência inédita entre as vagas às quais havia se candidatado.

Esse tipo de tecnologia vem sendo adotado por empresas brasileiras de vários portes. No caso de Freire, as instruções chegaram por WhatsApp, e suas respostas deveriam ser enviadas em áudio. O sistema reagia de forma imediata, adaptando as perguntas às respostas. Após poucas interações, a entrevista terminou com um retorno positivo: ele se encaixava no perfil da vaga. O processo, porém, não avançou.

Freire relata ter sentido curiosidade e estranhamento. Achou impessoal falar com uma máquina, especialmente em uma empresa da área da saúde. Depois reconheceu que o tempo fora otimizado e que, ao menos, obteve um retorno rápido. Hoje, já empregado, avalia que a tecnologia beneficia mais as empresas do que os candidatos: "é eficiente, mas desumaniza o processo".

O uso de IA em processos seletivos não é novo, mas se expandiu com a IA generativa, como o ChatGPT. Segundo a professora Humberta Silva, da Hochschule Bremen, o grande volume de candidaturas em plataformas como o LinkedIn levou empresas a recorrerem à automação. A pandemia acelerou esse movimento, com chatbots, entrevistas avaliadas por algoritmos e rankings automáticos.

Especialistas apontam vantagens como escalabilidade, padronização e redução de vieses. Edison Audi Kalaf, professor do Insper, afirma que o impacto da IA pode superar o da internet no início dos anos 2000, desde que usada de modo ético.

Startups brasileiras já oferecem esse tipo de serviço, defendendo ganhos de tempo e custo. Patrick Gouy, da Recrut.AI, ressalta que seria inviável analisar milhares de currículos sem apoio tecnológico. Christian Pedrosa, da DigAI, diz que o modelo reduz vieses, e Augusto Salomon, da Starmind, afirma que a IA tende a julgar menos que humanos. Para Pamela Borges, da Coploy, a tecnologia não substitui o recrutador, mas libera o profissional para tarefas mais estratégicas.

A tese de doutorado de Humberta Silva, na FEA-USP, conclui que as vantagens da IA ainda não superam os efeitos negativos, como a exigência de palavras-chave, o acesso desigual à internet e a falta de transparência sobre o uso da tecnologia. O desequilíbrio de poder entre empresas e candidatos também aumenta, pois as corporações dispõem de mais informações.

Em testes feitos pela BBC News Brasil, as entrevistas conduzidas por IA destacaram a valorização de termos técnicos e avaliações automáticas pouco contextualizadas. Em um caso, um candidato foi penalizado por não citar "SEO", exigência apenas opcional. Em outro, as respostas foram criticadas por motivos sem relação com a pergunta.

Em um experimento, jornalistas responderam a uma entrevista com textos criados pelo ChatGPT, adaptados para soar naturais. O desempenho foi bem avaliado, mas o sistema registrou suspeita de leitura das respostas.

O uso de IA em recrutamentos exige cautela jurídica. O advogado Rafael Bispo de Filippis, do escritório Mattos Filho, explica que, mesmo sem legislação específica, continuam válidas as regras contra discriminação. Se o algoritmo agir de forma enviesada, o candidato pode buscar indenização. O projeto de lei aprovado no Senado em 2024, ainda em análise na Câmara, prevê transparência, direito à informação e correção de vieses.

Filippis recomenda que empresas mantenham contratos claros com os fornecedores de IA e arquivem as entrevistas, garantindo meios de defesa em caso de litígio. Candidatos podem solicitar acesso a seus dados com base na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Ainda cercado de desafios éticos e humanos, o uso da inteligência artificial em entrevistas tende a se consolidar. Para as empresas, representa eficiência; para candidatos como Everton Freire, lembra que, mesmo com ganhos de tempo, nada substitui o olhar humano no processo de seleção.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cewyng440vro.adaptado. 
O texto discute o uso crescente da inteligência artificial em entrevistas de emprego, destacando tanto os ganhos de eficiência quanto as preocupações éticas e jurídicas que acompanham a automação de processos seletivos. Ao reunir relatos de candidatos, opiniões de especialistas e considerações legais, a narrativa propõe uma reflexão sobre os limites da tecnologia quando aplicada a contextos humanos e decisórios.

Com base nas ideias apresentadas, é CORRETO afirmar que o texto defende:
Alternativas
Q3795013 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Como é fazer entrevista de emprego com uma inteligência artificial: tempo foi otimizado, mas desumaniza


O economista Everton Freire, de 33 anos, havia preenchido dezenas de formulários em busca de trabalho quando finalmente recebeu um e-mail positivo: fora selecionado para a segunda etapa de um processo seletivo em uma empresa de educação na área da saúde. Surpreendeu-se ao saber que seria entrevistado por uma inteligência artificial — experiência inédita entre as vagas às quais havia se candidatado.

Esse tipo de tecnologia vem sendo adotado por empresas brasileiras de vários portes. No caso de Freire, as instruções chegaram por WhatsApp, e suas respostas deveriam ser enviadas em áudio. O sistema reagia de forma imediata, adaptando as perguntas às respostas. Após poucas interações, a entrevista terminou com um retorno positivo: ele se encaixava no perfil da vaga. O processo, porém, não avançou.

Freire relata ter sentido curiosidade e estranhamento. Achou impessoal falar com uma máquina, especialmente em uma empresa da área da saúde. Depois reconheceu que o tempo fora otimizado e que, ao menos, obteve um retorno rápido. Hoje, já empregado, avalia que a tecnologia beneficia mais as empresas do que os candidatos: "é eficiente, mas desumaniza o processo".

O uso de IA em processos seletivos não é novo, mas se expandiu com a IA generativa, como o ChatGPT. Segundo a professora Humberta Silva, da Hochschule Bremen, o grande volume de candidaturas em plataformas como o LinkedIn levou empresas a recorrerem à automação. A pandemia acelerou esse movimento, com chatbots, entrevistas avaliadas por algoritmos e rankings automáticos.

Especialistas apontam vantagens como escalabilidade, padronização e redução de vieses. Edison Audi Kalaf, professor do Insper, afirma que o impacto da IA pode superar o da internet no início dos anos 2000, desde que usada de modo ético.

Startups brasileiras já oferecem esse tipo de serviço, defendendo ganhos de tempo e custo. Patrick Gouy, da Recrut.AI, ressalta que seria inviável analisar milhares de currículos sem apoio tecnológico. Christian Pedrosa, da DigAI, diz que o modelo reduz vieses, e Augusto Salomon, da Starmind, afirma que a IA tende a julgar menos que humanos. Para Pamela Borges, da Coploy, a tecnologia não substitui o recrutador, mas libera o profissional para tarefas mais estratégicas.

A tese de doutorado de Humberta Silva, na FEA-USP, conclui que as vantagens da IA ainda não superam os efeitos negativos, como a exigência de palavras-chave, o acesso desigual à internet e a falta de transparência sobre o uso da tecnologia. O desequilíbrio de poder entre empresas e candidatos também aumenta, pois as corporações dispõem de mais informações.

Em testes feitos pela BBC News Brasil, as entrevistas conduzidas por IA destacaram a valorização de termos técnicos e avaliações automáticas pouco contextualizadas. Em um caso, um candidato foi penalizado por não citar "SEO", exigência apenas opcional. Em outro, as respostas foram criticadas por motivos sem relação com a pergunta.

Em um experimento, jornalistas responderam a uma entrevista com textos criados pelo ChatGPT, adaptados para soar naturais. O desempenho foi bem avaliado, mas o sistema registrou suspeita de leitura das respostas.

O uso de IA em recrutamentos exige cautela jurídica. O advogado Rafael Bispo de Filippis, do escritório Mattos Filho, explica que, mesmo sem legislação específica, continuam válidas as regras contra discriminação. Se o algoritmo agir de forma enviesada, o candidato pode buscar indenização. O projeto de lei aprovado no Senado em 2024, ainda em análise na Câmara, prevê transparência, direito à informação e correção de vieses.

Filippis recomenda que empresas mantenham contratos claros com os fornecedores de IA e arquivem as entrevistas, garantindo meios de defesa em caso de litígio. Candidatos podem solicitar acesso a seus dados com base na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Ainda cercado de desafios éticos e humanos, o uso da inteligência artificial em entrevistas tende a se consolidar. Para as empresas, representa eficiência; para candidatos como Everton Freire, lembra que, mesmo com ganhos de tempo, nada substitui o olhar humano no processo de seleção.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cewyng440vro.adaptado. 
O texto apresenta a experiência de Everton Freire em uma entrevista de emprego conduzida por inteligência artificial, revelando percepções pessoais, implicações sociais e questões éticas sobre a presença crescente das máquinas em processos seletivos. O relato individual, somado às análises de especialistas, permite compreender as ambiguidades e os desafios dessa inovação no contexto profissional contemporâneo.

Com base na leitura do texto, é CORRETO afirmar que ele evidencia:
Alternativas
Q3794987 Português

Para responder à questão, leia o texto abaixo.  



O sagrado da mesa



    Quando sentamos para comer, existe algo de reverência nesse gesto. Aqui, em nossa região de colonização italiana, esse costume está enraizado no coração das pessoas. As famílias se juntam não só para saciar a fome, mas para partilhar o tempo, o riso, as preces, as histórias e o pão. A mesa torna-se um altar do cotidiano, onde se celebra a vida.



    Muitas vezes minha mãe dizia para nunca jogar comida fora, _____ o alimento é sagrado. Pela casa, repetia com voz mansa e presença firme: “Cuidado para não desperdiçar, ______ um dia pode faltar.” Eram pequenas lições temperadas com afeto e sabedoria que servia entre o fogão e a mesa, ensinando-nos a valorizar e a respeitar o que nos sustenta.



    Mas o que tem acontecido é que muitas famílias estão entregando esse momento ao automatismo. As conversas cederam às telas; o barulho dos talheres se mistura ao som da televisão, e o silêncio foi substituído pelas distrações. Cada um come apressado, sozinho, no seu canto. E assim, o alimento perde o sentido que tinha: o de reunir. Nesse mesmo descuido, revela-se outra contradição dolorosa: enquanto sobra comida em algumas mesas, falta em tantas outras. No Brasil, cerca de 30% de tudo o que se produz é jogado fora, o que representa mais de 46 milhões de toneladas de alimentos por ano. Um verdadeiro absurdo diante da fome e da desigualdade.



    Em 2022, o país voltou ao mapa da fome, com 33 milhões de pessoas em insegurança alimentar grave. Três anos depois, segundo a FAO (Food and Agriculture Organization), o Brasil deixou novamente esse mapa, mas a realidade permanece alarmante. O que os números revelam vai além das estatísticas: somos uma nação que, apesar de sua imensa capacidade de produção, ainda não consegue garantir alimento para todos. A fome não é um destino inevitável e, sim, o resultado das escolhas e prioridades que fazemos ao distribuir e consumir alimentos. Grande parte do desperdício nasce do cotidiano: nas feiras, nos restaurantes, nas casas, onde o olhar se acostumou a descartar o que ainda poderia ser aproveitado. E enquanto o lixo se enche de comida, o prato de muita gente segue vazio. A abundância não redime a fome se não houver partilha.



    Talvez o problema esteja justamente no que esquecemos de celebrar. A refeição deixou de ser encontro, deixou de ser consciência. Quando se perde o sentido do alimento, de onde vem, o que custou, quem plantou, perde-se também o vínculo com o outro. E esse vínculo que, se refeito, pode transformar de novo a mesa em espaço de cuidado. Porque o sagrado de comer juntos está menos no prato e mais na presença. E, no fim das contas, é dela que a humanidade ainda tem fome.



Autora: Helô Bacichette - GZH (adaptado). 

A progressão argumentativa do texto revela que o desperdício alimentar não é apenas um problema quantitativo, mas um sintoma da perda de sentido cultural e humano do alimento. Essa leitura exige compreender a crítica ampliada que a autora dirige ao comportamento social contemporâneo. Nessa direção, o trecho “A abundância não redime a fome se não houver partilha” sintetiza a ideia de que o excesso material, sem consciência coletiva, converte-se em forma de __________, perpetuando a desigualdade mesmo em contextos de ampla produção de alimentos. 

Qual alternativa preenche, CORRETA e respectivamente, as lacunas?

Alternativas
Q3794986 Português

Para responder à questão, leia o texto abaixo.  



O sagrado da mesa



    Quando sentamos para comer, existe algo de reverência nesse gesto. Aqui, em nossa região de colonização italiana, esse costume está enraizado no coração das pessoas. As famílias se juntam não só para saciar a fome, mas para partilhar o tempo, o riso, as preces, as histórias e o pão. A mesa torna-se um altar do cotidiano, onde se celebra a vida.



    Muitas vezes minha mãe dizia para nunca jogar comida fora, _____ o alimento é sagrado. Pela casa, repetia com voz mansa e presença firme: “Cuidado para não desperdiçar, ______ um dia pode faltar.” Eram pequenas lições temperadas com afeto e sabedoria que servia entre o fogão e a mesa, ensinando-nos a valorizar e a respeitar o que nos sustenta.



    Mas o que tem acontecido é que muitas famílias estão entregando esse momento ao automatismo. As conversas cederam às telas; o barulho dos talheres se mistura ao som da televisão, e o silêncio foi substituído pelas distrações. Cada um come apressado, sozinho, no seu canto. E assim, o alimento perde o sentido que tinha: o de reunir. Nesse mesmo descuido, revela-se outra contradição dolorosa: enquanto sobra comida em algumas mesas, falta em tantas outras. No Brasil, cerca de 30% de tudo o que se produz é jogado fora, o que representa mais de 46 milhões de toneladas de alimentos por ano. Um verdadeiro absurdo diante da fome e da desigualdade.



    Em 2022, o país voltou ao mapa da fome, com 33 milhões de pessoas em insegurança alimentar grave. Três anos depois, segundo a FAO (Food and Agriculture Organization), o Brasil deixou novamente esse mapa, mas a realidade permanece alarmante. O que os números revelam vai além das estatísticas: somos uma nação que, apesar de sua imensa capacidade de produção, ainda não consegue garantir alimento para todos. A fome não é um destino inevitável e, sim, o resultado das escolhas e prioridades que fazemos ao distribuir e consumir alimentos. Grande parte do desperdício nasce do cotidiano: nas feiras, nos restaurantes, nas casas, onde o olhar se acostumou a descartar o que ainda poderia ser aproveitado. E enquanto o lixo se enche de comida, o prato de muita gente segue vazio. A abundância não redime a fome se não houver partilha.



    Talvez o problema esteja justamente no que esquecemos de celebrar. A refeição deixou de ser encontro, deixou de ser consciência. Quando se perde o sentido do alimento, de onde vem, o que custou, quem plantou, perde-se também o vínculo com o outro. E esse vínculo que, se refeito, pode transformar de novo a mesa em espaço de cuidado. Porque o sagrado de comer juntos está menos no prato e mais na presença. E, no fim das contas, é dela que a humanidade ainda tem fome.



Autora: Helô Bacichette - GZH (adaptado). 

A construção discursiva do texto opera pela tensão entre o simbolismo da mesa e a materialidade da fome, recorrendo a contrastes que evidenciam paradoxos sociais. Assim, analise as assertivas a seguir acerca dos elementos centrais dessa articulação: 

I. O texto sugere que a ruptura do ritual da refeição — substituído por distrações tecnológicas — enfraquece não apenas o convívio familiar, mas a própria consciência ética sobre o alimento e sua origem.

II. A referência aos percentuais de desperdício e aos milhões de toneladas de alimentos jogados fora cumpre função argumentativa de denunciar uma incoerência estrutural: a abundância coexistindo com a privação extrema.

III. Ao afirmar que “a humanidade ainda tem fome de presença”, o texto encerra-se com uma personificação que desloca o foco da alimentação material para a carência relacional, sustentando a tese de que o ato de comer é, essencialmente, um fenômeno de pertencimento social.

Das assertivas, pode-se afirmar que:
Alternativas
Q3794985 Português

Para responder à questão, leia o texto abaixo.  



O sagrado da mesa



    Quando sentamos para comer, existe algo de reverência nesse gesto. Aqui, em nossa região de colonização italiana, esse costume está enraizado no coração das pessoas. As famílias se juntam não só para saciar a fome, mas para partilhar o tempo, o riso, as preces, as histórias e o pão. A mesa torna-se um altar do cotidiano, onde se celebra a vida.



    Muitas vezes minha mãe dizia para nunca jogar comida fora, _____ o alimento é sagrado. Pela casa, repetia com voz mansa e presença firme: “Cuidado para não desperdiçar, ______ um dia pode faltar.” Eram pequenas lições temperadas com afeto e sabedoria que servia entre o fogão e a mesa, ensinando-nos a valorizar e a respeitar o que nos sustenta.



    Mas o que tem acontecido é que muitas famílias estão entregando esse momento ao automatismo. As conversas cederam às telas; o barulho dos talheres se mistura ao som da televisão, e o silêncio foi substituído pelas distrações. Cada um come apressado, sozinho, no seu canto. E assim, o alimento perde o sentido que tinha: o de reunir. Nesse mesmo descuido, revela-se outra contradição dolorosa: enquanto sobra comida em algumas mesas, falta em tantas outras. No Brasil, cerca de 30% de tudo o que se produz é jogado fora, o que representa mais de 46 milhões de toneladas de alimentos por ano. Um verdadeiro absurdo diante da fome e da desigualdade.



    Em 2022, o país voltou ao mapa da fome, com 33 milhões de pessoas em insegurança alimentar grave. Três anos depois, segundo a FAO (Food and Agriculture Organization), o Brasil deixou novamente esse mapa, mas a realidade permanece alarmante. O que os números revelam vai além das estatísticas: somos uma nação que, apesar de sua imensa capacidade de produção, ainda não consegue garantir alimento para todos. A fome não é um destino inevitável e, sim, o resultado das escolhas e prioridades que fazemos ao distribuir e consumir alimentos. Grande parte do desperdício nasce do cotidiano: nas feiras, nos restaurantes, nas casas, onde o olhar se acostumou a descartar o que ainda poderia ser aproveitado. E enquanto o lixo se enche de comida, o prato de muita gente segue vazio. A abundância não redime a fome se não houver partilha.



    Talvez o problema esteja justamente no que esquecemos de celebrar. A refeição deixou de ser encontro, deixou de ser consciência. Quando se perde o sentido do alimento, de onde vem, o que custou, quem plantou, perde-se também o vínculo com o outro. E esse vínculo que, se refeito, pode transformar de novo a mesa em espaço de cuidado. Porque o sagrado de comer juntos está menos no prato e mais na presença. E, no fim das contas, é dela que a humanidade ainda tem fome.



Autora: Helô Bacichette - GZH (adaptado). 

O texto articula dimensão simbólica, crítica social e reflexão antropológica para evidenciar como a ruptura dos rituais alimentares esvazia vínculos humanos e agrava desigualdades estruturais. A interpretação exige atenção à sobreposição de níveis: o doméstico, o cultural e o socioeconômico. Nesse sentido, é INCORRETO afirmar que: 
Alternativas
Respostas
13501: A
13502: C
13503: D
13504: B
13505: B
13506: A
13507: A
13508: C
13509: C
13510: C
13511: D
13512: C
13513: B
13514: C
13515: B
13516: A
13517: D
13518: C
13519: A
13520: C