Questões de Concurso Sobre interpretação de textos em português

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Q3410592 Português
Entenda o que é mitomania, a compulsão pela mentira 


            Quem nunca mentiu que atire a primeira pedra. Em muitas ocasiões, a mentira é uma ferramenta para não magoar os outros ou não entrar em conflito. Segundo Leila Cury Tardivo, professora do IP/USP (Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo), a mentira tem graus e não apresenta, necessariamente, uma conotação grave. “Mas, quando a mentira consciente é compulsiva, se transforma em um falseamento da realidade e aí pode representar algo mais sério, caracterizando a mitomania”, explica a professora. Abaixo, Leila e Hélio Deliberador, professor de psicologia social da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), explicam o que é, quais os sintomas e como tratar a mitomania. 


                O que é mitomania?


             A mitomania é a compulsão pela mentira, contada de forma consciente, que tem por objetivo a autoproteção ou, muitas vezes, o falseamento da realidade, de maneira a fazê-la parecer melhor. “Trata-se de um processo de adoecimento psíquico, onde a pessoa que sofre vive alimentando mentiras. Mentiras que geralmente elevam a importância dela, as realizações e todo esse quadro de poder, vamos dizer assim, que ela cria em função de mentiras que não correspondem exatamente a sua realidade”, explica Hélio Deliberador, professor de psicologia social da PUC-SP.


                Qual a diferença entre a mentira comum e a mitomania?


             A mitomania é o exagero consciente da mentira. “É bastante diferente da mentira social, quando, por exemplo, uma pessoa corta o cabelo e eu não gostei. Eu não vou dizer que acho que a pessoa está feia porque não quero chateá-la. Mas, no caso do mitomaníaco, ele não consegue parar de mentir, e ele mente sobre sua realidade para fazê-la parecer melhor, aparentar mais do que tem ou encobrir algo”, conta Leila Cury Tardivo, professora da USP. Um dos exemplos brasileiros mais famosos de mitomaníaco é Marcelo Nascimento da Rocha, autor do livro “VIPs – Histórias Reais de um Mentiroso”, que se passou por filho do dono da companhia aérea GOL.


                A mitomania está relacionada a outros males?


            A mentira compulsiva está relacionada a outros quadros de doenças psiquiátricas e psicológicas, como transtornos de personalidade antissocial, que, segundo o professor Hélio, podem levar o mitomaníaco a um processo de isolamento para não ser descoberto. “A mitomania está relacionada, em geral, ao transtorno de personalidade antissocial, quando é aquela mentira que tem por finalidade a defesa ou uma ideia de falsear a realidade, porque a pessoa não suporta aquela em que vive e quer se colocar em outro ambiente”, afirma Leila.


              O mitomaníaco mente por má-fé?


            Segundo o professor Hélio, geralmente, o mitomaníaco não age de má-fé porque o comportamento é resultado de um sofrimento, que acaba por levá-lo a um processo de quase semiconsciência: “A pessoa vai se perdendo nisso”. Mas as intenções também dependem do transtorno de personalidade ao qual a mitomania pode estar relacionada, explica a professora Leila: “Se o mitomaníaco tiver um transtorno de personalidade antissocial mais grave, como um sociopata, aí ele pode fazer mal para os outros”.


                Como identificar um mitomaníaco?


         Quando as mentiras são muito discrepantes em relação à realidade, é mais fácil de identificar o comportamento compulsivo. Outro ponto suspeito é que o mitomaníaco pode tentar esconder a família, o emprego ou o lugar onde mora. “Algumas coisas se consegue identificar em mitomaníacos mesmo se você não faz parte do círculo íntimo dele, você vê que aquilo que ele está falando não bate”, diz a professora Leila. Contudo, é mesmo na convivência que se percebem as mentiras constantes e a falta de nexo delas com a realidade.


                O que fazer ao identificar um mitomaníaco?


             O ideal é nunca confrontar, mas acolher o mitomaníaco de forma compreensiva. Em alguns casos, quando ele admite que está mentindo, mas não consegue parar de mentir, fica mais fácil sugerir que procure ajuda. “Agora, se o mitomaníaco não admite que mente, uma das formas de tentar fazer com que ele procure um tratamento é conversar com a família dele para ver se os mais próximos conseguem convencê-lo a procurar ajuda”, diz a professora Leila.


                Como tratar a mitomania?


              Para os professores, a psicoterapia é um dos tratamentos mais indicados para a mitomania. “No processo terapêutico, o mitomaníaco entra em contato com o desejo que não corresponde à realidade dele. Então, devagar, ele vai tomando consciência desse processo e analisando a quais experiências a compulsão pela mentira está relacionada”, esclarece Hélio. 

Texto originalmente publicado no Portal BOL, Por Celina Cardoso. Disponível em https://www.ip.usp.br/site/noticia/entenda-o-que-e mitomania-a-compulsao-pela-mentira/)
De acordo com o texto, quais são os indícios que podem pressagiar a presença de mitomania em um indivíduo? 
Alternativas
Q3410591 Português
Entenda o que é mitomania, a compulsão pela mentira 


            Quem nunca mentiu que atire a primeira pedra. Em muitas ocasiões, a mentira é uma ferramenta para não magoar os outros ou não entrar em conflito. Segundo Leila Cury Tardivo, professora do IP/USP (Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo), a mentira tem graus e não apresenta, necessariamente, uma conotação grave. “Mas, quando a mentira consciente é compulsiva, se transforma em um falseamento da realidade e aí pode representar algo mais sério, caracterizando a mitomania”, explica a professora. Abaixo, Leila e Hélio Deliberador, professor de psicologia social da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), explicam o que é, quais os sintomas e como tratar a mitomania. 


                O que é mitomania?


             A mitomania é a compulsão pela mentira, contada de forma consciente, que tem por objetivo a autoproteção ou, muitas vezes, o falseamento da realidade, de maneira a fazê-la parecer melhor. “Trata-se de um processo de adoecimento psíquico, onde a pessoa que sofre vive alimentando mentiras. Mentiras que geralmente elevam a importância dela, as realizações e todo esse quadro de poder, vamos dizer assim, que ela cria em função de mentiras que não correspondem exatamente a sua realidade”, explica Hélio Deliberador, professor de psicologia social da PUC-SP.


                Qual a diferença entre a mentira comum e a mitomania?


             A mitomania é o exagero consciente da mentira. “É bastante diferente da mentira social, quando, por exemplo, uma pessoa corta o cabelo e eu não gostei. Eu não vou dizer que acho que a pessoa está feia porque não quero chateá-la. Mas, no caso do mitomaníaco, ele não consegue parar de mentir, e ele mente sobre sua realidade para fazê-la parecer melhor, aparentar mais do que tem ou encobrir algo”, conta Leila Cury Tardivo, professora da USP. Um dos exemplos brasileiros mais famosos de mitomaníaco é Marcelo Nascimento da Rocha, autor do livro “VIPs – Histórias Reais de um Mentiroso”, que se passou por filho do dono da companhia aérea GOL.


                A mitomania está relacionada a outros males?


            A mentira compulsiva está relacionada a outros quadros de doenças psiquiátricas e psicológicas, como transtornos de personalidade antissocial, que, segundo o professor Hélio, podem levar o mitomaníaco a um processo de isolamento para não ser descoberto. “A mitomania está relacionada, em geral, ao transtorno de personalidade antissocial, quando é aquela mentira que tem por finalidade a defesa ou uma ideia de falsear a realidade, porque a pessoa não suporta aquela em que vive e quer se colocar em outro ambiente”, afirma Leila.


              O mitomaníaco mente por má-fé?


            Segundo o professor Hélio, geralmente, o mitomaníaco não age de má-fé porque o comportamento é resultado de um sofrimento, que acaba por levá-lo a um processo de quase semiconsciência: “A pessoa vai se perdendo nisso”. Mas as intenções também dependem do transtorno de personalidade ao qual a mitomania pode estar relacionada, explica a professora Leila: “Se o mitomaníaco tiver um transtorno de personalidade antissocial mais grave, como um sociopata, aí ele pode fazer mal para os outros”.


                Como identificar um mitomaníaco?


         Quando as mentiras são muito discrepantes em relação à realidade, é mais fácil de identificar o comportamento compulsivo. Outro ponto suspeito é que o mitomaníaco pode tentar esconder a família, o emprego ou o lugar onde mora. “Algumas coisas se consegue identificar em mitomaníacos mesmo se você não faz parte do círculo íntimo dele, você vê que aquilo que ele está falando não bate”, diz a professora Leila. Contudo, é mesmo na convivência que se percebem as mentiras constantes e a falta de nexo delas com a realidade.


                O que fazer ao identificar um mitomaníaco?


             O ideal é nunca confrontar, mas acolher o mitomaníaco de forma compreensiva. Em alguns casos, quando ele admite que está mentindo, mas não consegue parar de mentir, fica mais fácil sugerir que procure ajuda. “Agora, se o mitomaníaco não admite que mente, uma das formas de tentar fazer com que ele procure um tratamento é conversar com a família dele para ver se os mais próximos conseguem convencê-lo a procurar ajuda”, diz a professora Leila.


                Como tratar a mitomania?


              Para os professores, a psicoterapia é um dos tratamentos mais indicados para a mitomania. “No processo terapêutico, o mitomaníaco entra em contato com o desejo que não corresponde à realidade dele. Então, devagar, ele vai tomando consciência desse processo e analisando a quais experiências a compulsão pela mentira está relacionada”, esclarece Hélio. 

Texto originalmente publicado no Portal BOL, Por Celina Cardoso. Disponível em https://www.ip.usp.br/site/noticia/entenda-o-que-e mitomania-a-compulsao-pela-mentira/)
Como se descreve o modo de agir do mitomaníaco em relação às suas falsidades? 
Alternativas
Q3410590 Português
Entenda o que é mitomania, a compulsão pela mentira 


            Quem nunca mentiu que atire a primeira pedra. Em muitas ocasiões, a mentira é uma ferramenta para não magoar os outros ou não entrar em conflito. Segundo Leila Cury Tardivo, professora do IP/USP (Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo), a mentira tem graus e não apresenta, necessariamente, uma conotação grave. “Mas, quando a mentira consciente é compulsiva, se transforma em um falseamento da realidade e aí pode representar algo mais sério, caracterizando a mitomania”, explica a professora. Abaixo, Leila e Hélio Deliberador, professor de psicologia social da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), explicam o que é, quais os sintomas e como tratar a mitomania. 


                O que é mitomania?


             A mitomania é a compulsão pela mentira, contada de forma consciente, que tem por objetivo a autoproteção ou, muitas vezes, o falseamento da realidade, de maneira a fazê-la parecer melhor. “Trata-se de um processo de adoecimento psíquico, onde a pessoa que sofre vive alimentando mentiras. Mentiras que geralmente elevam a importância dela, as realizações e todo esse quadro de poder, vamos dizer assim, que ela cria em função de mentiras que não correspondem exatamente a sua realidade”, explica Hélio Deliberador, professor de psicologia social da PUC-SP.


                Qual a diferença entre a mentira comum e a mitomania?


             A mitomania é o exagero consciente da mentira. “É bastante diferente da mentira social, quando, por exemplo, uma pessoa corta o cabelo e eu não gostei. Eu não vou dizer que acho que a pessoa está feia porque não quero chateá-la. Mas, no caso do mitomaníaco, ele não consegue parar de mentir, e ele mente sobre sua realidade para fazê-la parecer melhor, aparentar mais do que tem ou encobrir algo”, conta Leila Cury Tardivo, professora da USP. Um dos exemplos brasileiros mais famosos de mitomaníaco é Marcelo Nascimento da Rocha, autor do livro “VIPs – Histórias Reais de um Mentiroso”, que se passou por filho do dono da companhia aérea GOL.


                A mitomania está relacionada a outros males?


            A mentira compulsiva está relacionada a outros quadros de doenças psiquiátricas e psicológicas, como transtornos de personalidade antissocial, que, segundo o professor Hélio, podem levar o mitomaníaco a um processo de isolamento para não ser descoberto. “A mitomania está relacionada, em geral, ao transtorno de personalidade antissocial, quando é aquela mentira que tem por finalidade a defesa ou uma ideia de falsear a realidade, porque a pessoa não suporta aquela em que vive e quer se colocar em outro ambiente”, afirma Leila.


              O mitomaníaco mente por má-fé?


            Segundo o professor Hélio, geralmente, o mitomaníaco não age de má-fé porque o comportamento é resultado de um sofrimento, que acaba por levá-lo a um processo de quase semiconsciência: “A pessoa vai se perdendo nisso”. Mas as intenções também dependem do transtorno de personalidade ao qual a mitomania pode estar relacionada, explica a professora Leila: “Se o mitomaníaco tiver um transtorno de personalidade antissocial mais grave, como um sociopata, aí ele pode fazer mal para os outros”.


                Como identificar um mitomaníaco?


         Quando as mentiras são muito discrepantes em relação à realidade, é mais fácil de identificar o comportamento compulsivo. Outro ponto suspeito é que o mitomaníaco pode tentar esconder a família, o emprego ou o lugar onde mora. “Algumas coisas se consegue identificar em mitomaníacos mesmo se você não faz parte do círculo íntimo dele, você vê que aquilo que ele está falando não bate”, diz a professora Leila. Contudo, é mesmo na convivência que se percebem as mentiras constantes e a falta de nexo delas com a realidade.


                O que fazer ao identificar um mitomaníaco?


             O ideal é nunca confrontar, mas acolher o mitomaníaco de forma compreensiva. Em alguns casos, quando ele admite que está mentindo, mas não consegue parar de mentir, fica mais fácil sugerir que procure ajuda. “Agora, se o mitomaníaco não admite que mente, uma das formas de tentar fazer com que ele procure um tratamento é conversar com a família dele para ver se os mais próximos conseguem convencê-lo a procurar ajuda”, diz a professora Leila.


                Como tratar a mitomania?


              Para os professores, a psicoterapia é um dos tratamentos mais indicados para a mitomania. “No processo terapêutico, o mitomaníaco entra em contato com o desejo que não corresponde à realidade dele. Então, devagar, ele vai tomando consciência desse processo e analisando a quais experiências a compulsão pela mentira está relacionada”, esclarece Hélio. 

Texto originalmente publicado no Portal BOL, Por Celina Cardoso. Disponível em https://www.ip.usp.br/site/noticia/entenda-o-que-e mitomania-a-compulsao-pela-mentira/)
Segundo os peritos referidos, qual é a conexão entre mitomania e distúrbios de personalidade antissocial?
Alternativas
Q3410589 Português
Entenda o que é mitomania, a compulsão pela mentira 


            Quem nunca mentiu que atire a primeira pedra. Em muitas ocasiões, a mentira é uma ferramenta para não magoar os outros ou não entrar em conflito. Segundo Leila Cury Tardivo, professora do IP/USP (Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo), a mentira tem graus e não apresenta, necessariamente, uma conotação grave. “Mas, quando a mentira consciente é compulsiva, se transforma em um falseamento da realidade e aí pode representar algo mais sério, caracterizando a mitomania”, explica a professora. Abaixo, Leila e Hélio Deliberador, professor de psicologia social da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), explicam o que é, quais os sintomas e como tratar a mitomania. 


                O que é mitomania?


             A mitomania é a compulsão pela mentira, contada de forma consciente, que tem por objetivo a autoproteção ou, muitas vezes, o falseamento da realidade, de maneira a fazê-la parecer melhor. “Trata-se de um processo de adoecimento psíquico, onde a pessoa que sofre vive alimentando mentiras. Mentiras que geralmente elevam a importância dela, as realizações e todo esse quadro de poder, vamos dizer assim, que ela cria em função de mentiras que não correspondem exatamente a sua realidade”, explica Hélio Deliberador, professor de psicologia social da PUC-SP.


                Qual a diferença entre a mentira comum e a mitomania?


             A mitomania é o exagero consciente da mentira. “É bastante diferente da mentira social, quando, por exemplo, uma pessoa corta o cabelo e eu não gostei. Eu não vou dizer que acho que a pessoa está feia porque não quero chateá-la. Mas, no caso do mitomaníaco, ele não consegue parar de mentir, e ele mente sobre sua realidade para fazê-la parecer melhor, aparentar mais do que tem ou encobrir algo”, conta Leila Cury Tardivo, professora da USP. Um dos exemplos brasileiros mais famosos de mitomaníaco é Marcelo Nascimento da Rocha, autor do livro “VIPs – Histórias Reais de um Mentiroso”, que se passou por filho do dono da companhia aérea GOL.


                A mitomania está relacionada a outros males?


            A mentira compulsiva está relacionada a outros quadros de doenças psiquiátricas e psicológicas, como transtornos de personalidade antissocial, que, segundo o professor Hélio, podem levar o mitomaníaco a um processo de isolamento para não ser descoberto. “A mitomania está relacionada, em geral, ao transtorno de personalidade antissocial, quando é aquela mentira que tem por finalidade a defesa ou uma ideia de falsear a realidade, porque a pessoa não suporta aquela em que vive e quer se colocar em outro ambiente”, afirma Leila.


              O mitomaníaco mente por má-fé?


            Segundo o professor Hélio, geralmente, o mitomaníaco não age de má-fé porque o comportamento é resultado de um sofrimento, que acaba por levá-lo a um processo de quase semiconsciência: “A pessoa vai se perdendo nisso”. Mas as intenções também dependem do transtorno de personalidade ao qual a mitomania pode estar relacionada, explica a professora Leila: “Se o mitomaníaco tiver um transtorno de personalidade antissocial mais grave, como um sociopata, aí ele pode fazer mal para os outros”.


                Como identificar um mitomaníaco?


         Quando as mentiras são muito discrepantes em relação à realidade, é mais fácil de identificar o comportamento compulsivo. Outro ponto suspeito é que o mitomaníaco pode tentar esconder a família, o emprego ou o lugar onde mora. “Algumas coisas se consegue identificar em mitomaníacos mesmo se você não faz parte do círculo íntimo dele, você vê que aquilo que ele está falando não bate”, diz a professora Leila. Contudo, é mesmo na convivência que se percebem as mentiras constantes e a falta de nexo delas com a realidade.


                O que fazer ao identificar um mitomaníaco?


             O ideal é nunca confrontar, mas acolher o mitomaníaco de forma compreensiva. Em alguns casos, quando ele admite que está mentindo, mas não consegue parar de mentir, fica mais fácil sugerir que procure ajuda. “Agora, se o mitomaníaco não admite que mente, uma das formas de tentar fazer com que ele procure um tratamento é conversar com a família dele para ver se os mais próximos conseguem convencê-lo a procurar ajuda”, diz a professora Leila.


                Como tratar a mitomania?


              Para os professores, a psicoterapia é um dos tratamentos mais indicados para a mitomania. “No processo terapêutico, o mitomaníaco entra em contato com o desejo que não corresponde à realidade dele. Então, devagar, ele vai tomando consciência desse processo e analisando a quais experiências a compulsão pela mentira está relacionada”, esclarece Hélio. 

Texto originalmente publicado no Portal BOL, Por Celina Cardoso. Disponível em https://www.ip.usp.br/site/noticia/entenda-o-que-e mitomania-a-compulsao-pela-mentira/)
De acordo com o texto, qual é o atributo preponderante que singulariza a mitomania frente à mera prática da mentira cotidiana? 
Alternativas
Q3410570 Português
A metamorfose

Luís Fernando Veríssimo

Uma barata acordou um dia e viu que tinha se transformado num ser humano. Começou a mexer suas patas e viu que só tinha quatro, que eram grandes e pesadas e de articulação difícil. Não tinha mais antenas. Quis emitir um som de surpresa e sem querer deu um grunhido. As outras baratas fugiram aterrorizadas para trás do móvel. Ela quis segui-las, mas não coube atrás do móvel. O seu segundo pensamento foi: “Que horror... Preciso acabar com essas baratas...”

Pensar, para a ex-barata, era uma novidade. Antigamente ela seguia seu instinto. Agora precisava raciocinar. Fez uma espécie de manto com a cortina da sala para cobrir sua nudez. Saiu pela casa e encontrou um armário num quarto, e nele, roupa de baixo e um vestido. Olhou-se no espelho e achou-se bonita. Para uma ex-barata. Maquiou-se. Todas as baratas são iguais, mas as mulheres precisam realçar sua personalidade. Adotou um nome: Vandirene. Mais tarde descobriu que só um nome não bastava. A que classe pertencia?... Tinha educação?.... Referências?... Conseguiu a muito custo um emprego como faxineira. Sua experiência de barata lhe dava acesso a sujeiras mal suspeitadas. Era uma boa faxineira.

Difícil era ser gente... Precisava comprar comida e o dinheiro não chegava. As baratas se acasalam num roçar de antenas, mas os seres humanos não. Conhecem-se, namoram, brigam, fazem as pazes, resolvem se casar, hesitam. Será que o dinheiro vai dar? Conseguir casa, móveis, eletrodomésticos, roupa de cama, mesa e banho. Vandirene casou-se, teve filhos. Lutou muito, coitada. Filas no Instituto Nacional de Previdência Social. Pouco leite. O marido desempregado... Finalmente acertou na loteria. Quase quatro milhões! Entre as baratas ter ou não ter quatro milhões não faz diferença. Mas Vandirene mudou. Empregou o dinheiro. Mudou de bairro. Comprou casa. Passou a vestir bem, a comer bem, a cuidar onde põe o pronome. Subiu de classe. Contratou babás e entrou na Pontifícia Universidade Católica.

Vandirene acordou um dia e viu que tinha se transformado em barata. Seu penúltimo pensamento humano foi: “Meu Deus!... A casa foi dedetizada há dois dias!...”. Seu último pensamento humano foi para seu dinheiro rendendo na financeira e que o safado do marido, seu herdeiro legal, o usaria. Depois desceu pelo pé da cama e correu para trás de um móvel. Não pensava mais em nada. Era puro instinto. Morreu cinco minutos depois, mas foram os cinco minutos mais felizes de sua vida.



Disponível em: https://www.culturagenial.com/cronicas-engracadas-de-luis-fernando-verissimo-comentadas/. Acesso em: 20 fev. 2024. Adaptado.
Em “Sua experiência de barata lhe dava acesso a sujeiras mal suspeitadas.”, a expressão “mal suspeitadas” assume, no contexto, valor semântico 
Alternativas
Q3410073 Português
Analisando o par de palavras "CONTENTE" e "TRISTE", é correto afirmar que:

I. São antônimos, pois expressam sentimentos opostos.
II. Podem ser usados como adjetivos para descrever o estado emocional de uma personagem em uma história.
III. "Contente" pode ser transformado em seu aumentativo "contentíssimo" para expressar um grau ainda maior de felicidade.

Está correto o que se afirma em:
Alternativas
Q3410067 Português
Atenção: Leia atentamente o texto a seguir e responda a questão:


Malasarte cozinhando sem fogo

    Chegando, certa vez, Pedro Malasarte à cidade, logo se meteu em divertimentos e gastou todo o dinheiro. Mas antes que ficasse de todo limpo comprou uma panelinha de ferro qualquer, com três pés para apoiar sobre o fogo, uma matula e seguiu viagem.

    Já era por umas onze da manhã, quando avistou um rancho desocupado. Apertado de fome, resolveu descansar ali. Fez fogo, pôs a panela de três pés com a matula a aquecer.

    Mal acabara de aquecer a matula, vem chegando uns tropeiros. Pedro Malasarte mais que depressa pôs um monte de terra sobre o fogo, de modo que não ficou um graveto a vista, e ficou muito quieto diante da panelinha que fumegava.

    Os tropeiros vendo aquilo ficaram muito espantados e perguntaram:

    — Que moda é essa, caboclo, de cozinhar sem fogo?

    Pedro respondeu logo:

    — Isto não é para todos. Pois não vêem que minha panela é mágica?

    — Então, ela cozinha sem fogo?

    — É como estão vendo, e a qualquer hora. Mas como o médico me disse que estou por poucos dias e precisando de dinheiro para encomendar o corpo, posso negociá-la.

    Os tropeiros viram na panela um verdadeiro achado; provaram da comida e acharam tudo muito bom. Compraram a panela, pagando por ela o preço que Pedro Malasarte lhes pediu.

    Vinha caindo à noite, quando os tropeiros foram cozinhar sem fogo e deram com a trapaça de Malasarte, que já tinha sumido nesse mundo de Deus.

Fonte: https://www.recantodasletras.com.br/causos/1034502 (adaptado).
Qual palavra pode ser considerada um sinônimo de "espantados", no contexto de ocorrência no texto?
Alternativas
Q3410062 Português
Atenção: Leia atentamente o texto a seguir e responda a questão:


Malasarte cozinhando sem fogo

    Chegando, certa vez, Pedro Malasarte à cidade, logo se meteu em divertimentos e gastou todo o dinheiro. Mas antes que ficasse de todo limpo comprou uma panelinha de ferro qualquer, com três pés para apoiar sobre o fogo, uma matula e seguiu viagem.

    Já era por umas onze da manhã, quando avistou um rancho desocupado. Apertado de fome, resolveu descansar ali. Fez fogo, pôs a panela de três pés com a matula a aquecer.

    Mal acabara de aquecer a matula, vem chegando uns tropeiros. Pedro Malasarte mais que depressa pôs um monte de terra sobre o fogo, de modo que não ficou um graveto a vista, e ficou muito quieto diante da panelinha que fumegava.

    Os tropeiros vendo aquilo ficaram muito espantados e perguntaram:

    — Que moda é essa, caboclo, de cozinhar sem fogo?

    Pedro respondeu logo:

    — Isto não é para todos. Pois não vêem que minha panela é mágica?

    — Então, ela cozinha sem fogo?

    — É como estão vendo, e a qualquer hora. Mas como o médico me disse que estou por poucos dias e precisando de dinheiro para encomendar o corpo, posso negociá-la.

    Os tropeiros viram na panela um verdadeiro achado; provaram da comida e acharam tudo muito bom. Compraram a panela, pagando por ela o preço que Pedro Malasarte lhes pediu.

    Vinha caindo à noite, quando os tropeiros foram cozinhar sem fogo e deram com a trapaça de Malasarte, que já tinha sumido nesse mundo de Deus.

Fonte: https://www.recantodasletras.com.br/causos/1034502 (adaptado).
Qual era a perspectiva dos tropeiros sobre a panela de Malasarte antes de descobrirem a trapaça? 
Alternativas
Q3410061 Português
Atenção: Leia atentamente o texto a seguir e responda a questão:


Malasarte cozinhando sem fogo

    Chegando, certa vez, Pedro Malasarte à cidade, logo se meteu em divertimentos e gastou todo o dinheiro. Mas antes que ficasse de todo limpo comprou uma panelinha de ferro qualquer, com três pés para apoiar sobre o fogo, uma matula e seguiu viagem.

    Já era por umas onze da manhã, quando avistou um rancho desocupado. Apertado de fome, resolveu descansar ali. Fez fogo, pôs a panela de três pés com a matula a aquecer.

    Mal acabara de aquecer a matula, vem chegando uns tropeiros. Pedro Malasarte mais que depressa pôs um monte de terra sobre o fogo, de modo que não ficou um graveto a vista, e ficou muito quieto diante da panelinha que fumegava.

    Os tropeiros vendo aquilo ficaram muito espantados e perguntaram:

    — Que moda é essa, caboclo, de cozinhar sem fogo?

    Pedro respondeu logo:

    — Isto não é para todos. Pois não vêem que minha panela é mágica?

    — Então, ela cozinha sem fogo?

    — É como estão vendo, e a qualquer hora. Mas como o médico me disse que estou por poucos dias e precisando de dinheiro para encomendar o corpo, posso negociá-la.

    Os tropeiros viram na panela um verdadeiro achado; provaram da comida e acharam tudo muito bom. Compraram a panela, pagando por ela o preço que Pedro Malasarte lhes pediu.

    Vinha caindo à noite, quando os tropeiros foram cozinhar sem fogo e deram com a trapaça de Malasarte, que já tinha sumido nesse mundo de Deus.

Fonte: https://www.recantodasletras.com.br/causos/1034502 (adaptado).
Como Pedro Malasarte pode ser caracterizado com base em suas ações no texto?
Alternativas
Q3410060 Português
Atenção: Leia atentamente o texto a seguir e responda a questão:


Malasarte cozinhando sem fogo

    Chegando, certa vez, Pedro Malasarte à cidade, logo se meteu em divertimentos e gastou todo o dinheiro. Mas antes que ficasse de todo limpo comprou uma panelinha de ferro qualquer, com três pés para apoiar sobre o fogo, uma matula e seguiu viagem.

    Já era por umas onze da manhã, quando avistou um rancho desocupado. Apertado de fome, resolveu descansar ali. Fez fogo, pôs a panela de três pés com a matula a aquecer.

    Mal acabara de aquecer a matula, vem chegando uns tropeiros. Pedro Malasarte mais que depressa pôs um monte de terra sobre o fogo, de modo que não ficou um graveto a vista, e ficou muito quieto diante da panelinha que fumegava.

    Os tropeiros vendo aquilo ficaram muito espantados e perguntaram:

    — Que moda é essa, caboclo, de cozinhar sem fogo?

    Pedro respondeu logo:

    — Isto não é para todos. Pois não vêem que minha panela é mágica?

    — Então, ela cozinha sem fogo?

    — É como estão vendo, e a qualquer hora. Mas como o médico me disse que estou por poucos dias e precisando de dinheiro para encomendar o corpo, posso negociá-la.

    Os tropeiros viram na panela um verdadeiro achado; provaram da comida e acharam tudo muito bom. Compraram a panela, pagando por ela o preço que Pedro Malasarte lhes pediu.

    Vinha caindo à noite, quando os tropeiros foram cozinhar sem fogo e deram com a trapaça de Malasarte, que já tinha sumido nesse mundo de Deus.

Fonte: https://www.recantodasletras.com.br/causos/1034502 (adaptado).
Como os tropeiros reagiram inicialmente ao ver Pedro Malasarte cozinhando sem fogo? 
Alternativas
Q3410059 Português
Atenção: Leia atentamente o texto a seguir e responda a questão:


Malasarte cozinhando sem fogo

    Chegando, certa vez, Pedro Malasarte à cidade, logo se meteu em divertimentos e gastou todo o dinheiro. Mas antes que ficasse de todo limpo comprou uma panelinha de ferro qualquer, com três pés para apoiar sobre o fogo, uma matula e seguiu viagem.

    Já era por umas onze da manhã, quando avistou um rancho desocupado. Apertado de fome, resolveu descansar ali. Fez fogo, pôs a panela de três pés com a matula a aquecer.

    Mal acabara de aquecer a matula, vem chegando uns tropeiros. Pedro Malasarte mais que depressa pôs um monte de terra sobre o fogo, de modo que não ficou um graveto a vista, e ficou muito quieto diante da panelinha que fumegava.

    Os tropeiros vendo aquilo ficaram muito espantados e perguntaram:

    — Que moda é essa, caboclo, de cozinhar sem fogo?

    Pedro respondeu logo:

    — Isto não é para todos. Pois não vêem que minha panela é mágica?

    — Então, ela cozinha sem fogo?

    — É como estão vendo, e a qualquer hora. Mas como o médico me disse que estou por poucos dias e precisando de dinheiro para encomendar o corpo, posso negociá-la.

    Os tropeiros viram na panela um verdadeiro achado; provaram da comida e acharam tudo muito bom. Compraram a panela, pagando por ela o preço que Pedro Malasarte lhes pediu.

    Vinha caindo à noite, quando os tropeiros foram cozinhar sem fogo e deram com a trapaça de Malasarte, que já tinha sumido nesse mundo de Deus.

Fonte: https://www.recantodasletras.com.br/causos/1034502 (adaptado).
Qual foi a primeira ação de Pedro Malasarte para enganar os tropeiros? 
Alternativas
Q3410009 Português
Atenção: Leia atentamente o texto a seguir e responda questão:

Baleia sim, mas eu prefiro gente

    Não sei se me comove (mas me inquieta) ver pessoas acorrendo, torcendo, chorando porque uma baleia está encalhada e ameaçada de morrer nas areias de qualquer lugar do mundo.
    
    Sinto pena pelo sofrimento do bicho, mas sempre imagino se fariam tanto alarido caso houvesse em seu lugar um ser humano.
    
    Lamento toda a ameaça a qualquer espécie em extinção, embora, olhando a história das espécies, me pareça natural que algumas desapareçam e outras surjam. Se cometo um pecado maior de ignorância, sou afinal apenas uma escritora.
    
    Sei que não vão me achar muito simpática, mas eu não sou sempre simpática. Aliás, se não gosto de grosseria nem de vulgaridade, também desconfio dos politicamente corretos. Todo fanatismo me assusta.
    
    Não posso ver bicho sofrendo: sempre curti animais, fui criada com eles. Na casa onde nasci e cresci, em certo momento, na minha remota infância, tive até uma coruja, chamada, sabe Deus por quê, Sebastião: quase branca, aquele olho revirando. Fugiu da enorme gaiola especialmente construída para ela quando apareceu por ali com uma asa quebrada. Assim que ficou curada e conseguiu uma frestinha, escapou. Por muitos dias eu a procurei no topo das árvores, doída de saudade.
    
    Na ilhota no mínimo lago no fundo do terreno, viveu a certa altura um casal de veadinhos, presente de um fazendeiro amigo de meu pai. (Os fanáticos vão considerar isso grande crueldade.) Um dos bichinhos também fugiu, o outro morreu pouco depois. Segundo o jardineiro, morreu de saudade do fujão: primeira visão infantil de um amor romeu-e-julieta.
    
    Tive uma gata chamada Adelaide, nome da sofredora personagem de uma novela de rádio que fazia suspirar minha avó, e que meu irmão pequeno matou (a gata), nunca entendi como: uma das primeiras tragédias de que tive conhecimento.
    
    De modo que animais fazem parte de minha história, com muitas aventuras, divertimento, e alguma emoção.
    
    Mas vamos às baleias e golfinhos encalhados: pessoas torcem as mãos, chegam máquinas variadas para içar os bichos, aplicam-se lençóis molhados, abrem-se manchetes em jornais, televisões comentam tudo em horário nobre. O público, presente ou em casa, acompanha como se fosse alguém da família, e quando o fim chega, é lamentado quase com pêsames e oração.
    
    Confesso que não consigo me comover da mesma forma: pouca sensibilidade? Não creiam, mesmo os que não me apreciam, não creiam nisso.
    
    Não é que eu ache que sofrimento de animal não valha a pena, a solidariedade, o dinheiro. Mas eu preferia que tudo isso fosse gasto com eles depois de não haver mais nenhuma criança sofrendo, abandonada ou explorada, enfiando a cara no vidro de meu carro para pedir dinheiro, nenhum adolescente morrendo drogado na calçada, uma família morando embaixo da ponte no inverno aqui do Sul.
        [...]

Autora: Lya Luft (adaptado).
Levando em consideração a leitura do texto, é possível inferir que, EXCETO: 
Alternativas
Q3409958 Português

Atenção: Leia atentamente o texto a seguir e responda a questão



O lápis mais rápido do Oeste



    Era uma vez um cartunista maluquinho: jornalista, escritor, contador de histórias. Natural de Caratinga (MG), mais velho de uma família com sete irmãos, despontou como um prodígio: aos seis anos, desenho de sua autoria aparecia no jornal A Folha de Minas, em 1939.


    O cartunista demonstrava um talento proporcional às suas sobrancelhas, que chegavam antes do seu próprio rosto. Não importando a cor da camisa ou da calça que usava, não dispensava um colete, para poder sacar imediatamente uma caneta ou um lápis do bolso. Ficou conhecido como o ilustrador mais rápido do Brasil. Desenhava enquanto conversava com várias pessoas ao mesmo tempo. Nada o distraía do universo interior.


    De um guardanapo, de uma toalha de papel de mesa, de uma folha de ofício, gerava seus personagens: A Turma do Pererê (espécie de Sítio do Pica-Pau Amarelo da Mata Atlântica), The Supermãe (Dona Clotildes, sempre a proteger Carlinhos, seu filho adulto em apuros), Flicts (representava a cor bege, que sofria por não se encaixar no arco-íris), além de Jeremias, o Bom, Mineirinho, o Comequieto, entre dezenas de protagonistas.


    O cartunista tinha o olho do coração maior do que a barriga, procurando incansavelmente uma maneira de combater a censura ou a subtração dos direitos humanos. Liderou o revolucionário O Pasquim nos anos 60, um dos principais veículos de contestação da ditadura militar no Brasil, e criou a revista Bundas nos anos 90, para parodiar o mundo das celebridades da revista Caras. 


    O cartunista tinha vento nos pés. Seus livros venderam mais de 10 milhões de exemplares. Nas Bienais e Feiras, suas filas de autógrafos contornavam quadras e jamais terminavam.


    O cartunista tinha fogo no rabo, foguete nas mãos. É autor do clássico O Menino Maluquinho, um Pequeno Príncipe dos trópicos, trazendo à tona um garoto virtuosamente problemático, deliciosamente rebelde e carismático, caracterizado por uma panela na cabeça. Desde seu lançamento, em 1980, já acumulou 129 edições, duas adaptações para o cinema, infinitas versões para o teatro, ópera e histórias em quadrinhos.


    O cartunista tinha umas pernas enormes, capazes de abraçar o mundo: ganhou o prestigiado prêmio de humor do 32º Salão Internacional de Caricaturas de Bruxelas, tornou-se o primeiro latinoamericano a ser convidado para fazer o cartaz de Natal da Unicef, viu sua obra ser traduzida para mais de dez idiomas.


    O cartunista tinha macaquinhos no sótão: mudou a cara da arte gráfica, combinando perfeitamente texto e imagem. Elaborou os cartazes dos mais emblemáticos filmes do Cinema Novo: Os fuzis e Os cafajestes (ambos de Ruy Guerra), O assalto ao trem pagador (Roberto Farias) e Todas as mulheres do mundo (Domingos de Oliveira).


    Dotado de uma simplicidade complexa, o cartunista sentia saudade do futuro mais do que do passado, ainda que seu passado tenha sido gigantesco.


    Ziraldo Alves Pinto morreu dormindo neste sábado (6 de abril), em sua casa no Rio de Janeiro, aos 91 anos. Morreu sonhando. Morreu suavemente. Morreu assoviando. Morreu soltando pipas.


    De tudo o que pode ser dito a respeito de Ziraldo, dá para resumir que foi um menino impossível, mas muito feliz.


Autor: Fabrício Carpinejar – GZH (adaptado).

Quando o texto menciona que "O cartunista tinha vento nos pés", esta expressão é empregada no sentido:
Alternativas
Q3409956 Português

Atenção: Leia atentamente o texto a seguir e responda a questão



O lápis mais rápido do Oeste



    Era uma vez um cartunista maluquinho: jornalista, escritor, contador de histórias. Natural de Caratinga (MG), mais velho de uma família com sete irmãos, despontou como um prodígio: aos seis anos, desenho de sua autoria aparecia no jornal A Folha de Minas, em 1939.


    O cartunista demonstrava um talento proporcional às suas sobrancelhas, que chegavam antes do seu próprio rosto. Não importando a cor da camisa ou da calça que usava, não dispensava um colete, para poder sacar imediatamente uma caneta ou um lápis do bolso. Ficou conhecido como o ilustrador mais rápido do Brasil. Desenhava enquanto conversava com várias pessoas ao mesmo tempo. Nada o distraía do universo interior.


    De um guardanapo, de uma toalha de papel de mesa, de uma folha de ofício, gerava seus personagens: A Turma do Pererê (espécie de Sítio do Pica-Pau Amarelo da Mata Atlântica), The Supermãe (Dona Clotildes, sempre a proteger Carlinhos, seu filho adulto em apuros), Flicts (representava a cor bege, que sofria por não se encaixar no arco-íris), além de Jeremias, o Bom, Mineirinho, o Comequieto, entre dezenas de protagonistas.


    O cartunista tinha o olho do coração maior do que a barriga, procurando incansavelmente uma maneira de combater a censura ou a subtração dos direitos humanos. Liderou o revolucionário O Pasquim nos anos 60, um dos principais veículos de contestação da ditadura militar no Brasil, e criou a revista Bundas nos anos 90, para parodiar o mundo das celebridades da revista Caras. 


    O cartunista tinha vento nos pés. Seus livros venderam mais de 10 milhões de exemplares. Nas Bienais e Feiras, suas filas de autógrafos contornavam quadras e jamais terminavam.


    O cartunista tinha fogo no rabo, foguete nas mãos. É autor do clássico O Menino Maluquinho, um Pequeno Príncipe dos trópicos, trazendo à tona um garoto virtuosamente problemático, deliciosamente rebelde e carismático, caracterizado por uma panela na cabeça. Desde seu lançamento, em 1980, já acumulou 129 edições, duas adaptações para o cinema, infinitas versões para o teatro, ópera e histórias em quadrinhos.


    O cartunista tinha umas pernas enormes, capazes de abraçar o mundo: ganhou o prestigiado prêmio de humor do 32º Salão Internacional de Caricaturas de Bruxelas, tornou-se o primeiro latinoamericano a ser convidado para fazer o cartaz de Natal da Unicef, viu sua obra ser traduzida para mais de dez idiomas.


    O cartunista tinha macaquinhos no sótão: mudou a cara da arte gráfica, combinando perfeitamente texto e imagem. Elaborou os cartazes dos mais emblemáticos filmes do Cinema Novo: Os fuzis e Os cafajestes (ambos de Ruy Guerra), O assalto ao trem pagador (Roberto Farias) e Todas as mulheres do mundo (Domingos de Oliveira).


    Dotado de uma simplicidade complexa, o cartunista sentia saudade do futuro mais do que do passado, ainda que seu passado tenha sido gigantesco.


    Ziraldo Alves Pinto morreu dormindo neste sábado (6 de abril), em sua casa no Rio de Janeiro, aos 91 anos. Morreu sonhando. Morreu suavemente. Morreu assoviando. Morreu soltando pipas.


    De tudo o que pode ser dito a respeito de Ziraldo, dá para resumir que foi um menino impossível, mas muito feliz.


Autor: Fabrício Carpinejar – GZH (adaptado).

Analisando o legado deixado por Ziraldo, conforme descrito no texto, pode-se concluir que:



I. Ziraldo foi uma figura multifacetada que contribuiu significativamente para diferentes aspectos da cultura brasileira, desde a literatura infantil até a crítica política.


II. A habilidade de Ziraldo de se conectar com o público de todas as idades através de seus personagens e histórias é um testemunho de sua genialidade criativa.


III. Apesar de seu talento e contribuições, Ziraldo permaneceu uma figura controversa, principalmente devido a suas opiniões políticas.



Está correto o que se afirma em: 

Alternativas
Q3409949 Português

Atenção: Leia atentamente o texto a seguir e responda a questão



O lápis mais rápido do Oeste



    Era uma vez um cartunista maluquinho: jornalista, escritor, contador de histórias. Natural de Caratinga (MG), mais velho de uma família com sete irmãos, despontou como um prodígio: aos seis anos, desenho de sua autoria aparecia no jornal A Folha de Minas, em 1939.


    O cartunista demonstrava um talento proporcional às suas sobrancelhas, que chegavam antes do seu próprio rosto. Não importando a cor da camisa ou da calça que usava, não dispensava um colete, para poder sacar imediatamente uma caneta ou um lápis do bolso. Ficou conhecido como o ilustrador mais rápido do Brasil. Desenhava enquanto conversava com várias pessoas ao mesmo tempo. Nada o distraía do universo interior.


    De um guardanapo, de uma toalha de papel de mesa, de uma folha de ofício, gerava seus personagens: A Turma do Pererê (espécie de Sítio do Pica-Pau Amarelo da Mata Atlântica), The Supermãe (Dona Clotildes, sempre a proteger Carlinhos, seu filho adulto em apuros), Flicts (representava a cor bege, que sofria por não se encaixar no arco-íris), além de Jeremias, o Bom, Mineirinho, o Comequieto, entre dezenas de protagonistas.


    O cartunista tinha o olho do coração maior do que a barriga, procurando incansavelmente uma maneira de combater a censura ou a subtração dos direitos humanos. Liderou o revolucionário O Pasquim nos anos 60, um dos principais veículos de contestação da ditadura militar no Brasil, e criou a revista Bundas nos anos 90, para parodiar o mundo das celebridades da revista Caras. 


    O cartunista tinha vento nos pés. Seus livros venderam mais de 10 milhões de exemplares. Nas Bienais e Feiras, suas filas de autógrafos contornavam quadras e jamais terminavam.


    O cartunista tinha fogo no rabo, foguete nas mãos. É autor do clássico O Menino Maluquinho, um Pequeno Príncipe dos trópicos, trazendo à tona um garoto virtuosamente problemático, deliciosamente rebelde e carismático, caracterizado por uma panela na cabeça. Desde seu lançamento, em 1980, já acumulou 129 edições, duas adaptações para o cinema, infinitas versões para o teatro, ópera e histórias em quadrinhos.


    O cartunista tinha umas pernas enormes, capazes de abraçar o mundo: ganhou o prestigiado prêmio de humor do 32º Salão Internacional de Caricaturas de Bruxelas, tornou-se o primeiro latinoamericano a ser convidado para fazer o cartaz de Natal da Unicef, viu sua obra ser traduzida para mais de dez idiomas.


    O cartunista tinha macaquinhos no sótão: mudou a cara da arte gráfica, combinando perfeitamente texto e imagem. Elaborou os cartazes dos mais emblemáticos filmes do Cinema Novo: Os fuzis e Os cafajestes (ambos de Ruy Guerra), O assalto ao trem pagador (Roberto Farias) e Todas as mulheres do mundo (Domingos de Oliveira).


    Dotado de uma simplicidade complexa, o cartunista sentia saudade do futuro mais do que do passado, ainda que seu passado tenha sido gigantesco.


    Ziraldo Alves Pinto morreu dormindo neste sábado (6 de abril), em sua casa no Rio de Janeiro, aos 91 anos. Morreu sonhando. Morreu suavemente. Morreu assoviando. Morreu soltando pipas.


    De tudo o que pode ser dito a respeito de Ziraldo, dá para resumir que foi um menino impossível, mas muito feliz.


Autor: Fabrício Carpinejar – GZH (adaptado).

Com base nas ideias do texto, analise as assertivas:



I. Ziraldo foi uma figura central no combate à ditadura militar brasileira através de seu trabalho jornalístico e literário.


II. A habilidade de Ziraldo em desenhar rapidamente não teve impacto significativo em sua fama e reconhecimento.


III. O envolvimento de Ziraldo com projetos internacionais e prêmios evidencia sua influência além das fronteiras brasileiras.



Está correto o que se afirma em:

Alternativas
Q3409833 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.



As Viagens de Marco Polo: a verdadeira história do livro do século XIV



É possível confiar em um homem que afirma ter visto um unicórnio na ilha de Sumatra, na Indonésia?


Esta e outras questões igualmente válidas lançam dúvidas sobre a confiabilidade dos relatos de Marco Polo (1254-1324), desde que o livro As Viagens de Marco Polo se tornou um best-seller, no século XIV.


A obra foi traduzida para dezenas de idiomas, copiada à mão em incontáveis manuscritos e era disponível em qualquer local sofisticado da Europa.


O livro de Marco Polo é o primeiro relato europeu sobre a Rota da Seda. Suas histórias são repletas de maravilhas, especiarias, ouro e pedras preciosas.


Elas também descrevem hábitos extravagantes e fascinantes estratégias de guerra. Tudo isso faz com que a leitura do relato de viagem seja um verdadeiro prazer — mas também, em parte, algo "difícil de acreditar", como observou um copista particularmente escrupuloso ao lado da sua cópia.


Mas não é preciso ser tão cético. Atualmente, setecentos anos após a morte de Marco Polo, no dia 8 de janeiro de 1324, podemos dizer com bastante certeza de que o famoso comerciante, explorador, escritor e antropólogo autodidata veneziano, de fato, viu um unicórnio — ou, pelo menos, não teria mentido a respeito.


"Veneza era a Nova York do mundo da época", segundo o historiador italiano Pieralvise Zorzi. Sua família tem raízes que remontam aos tempos de Marco Polo e mais além.


A cidade era uma metrópole multicultural e receptiva — um centro comercial vibrante que conectava o Ocidente ao Oriente e onde a única religião verdadeira era o comércio. E a família Polo se destacou nesta atividade.


O pai de Marco Polo, Niccolò, e seu tio, Matteo, tinham um palácio muito próximo onde hoje fica o apartamento de Zorzi no Grande Canal de Veneza.


Eles também mantinham escritórios em Istambul, na Turquia, mas sua perspicácia os levou a fechá-los pouco antes que os gregos tomassem a cidade e expulsassem os venezianos.


Niccolò e Matteo Polo venderam tudo na hora certa e saíram para o Oriente, em busca de novos mercados. Eles comercializaram seda, especiarias, pedras preciosas e a cobiçada glândula de um pequeno animal, o veado-almiscareiro, usada no preparo de perfumes.


Eles voltaram a Veneza depois de alguns anos e, na sua segunda viagem à China, em 1271, levaram Marco Polo, então com dezessete anos de idade.


Segundo o relato de Marco Polo, eles viajaram por três anos ao longo da Rota da Seda, a partir de Israel. Eles cruzaram o Oriente Médio e boa parte da Ásia Central, até a corte do imperador mongol Kublai Khan, neto de Gengis Khan, em Pequim, na China.


Os viajantes passaram cerca de vinte anos na China, negociando e trabalhando como uma espécie de embaixadores do governo local.


A família Polo voltou à Europa via Sumatra e ilhas Andaman, no Oceano Índico. Eles contornaram a Índia pelo mar até chegar ao Iêmen, Istambul e, finalmente, Veneza.


Quando os três comerciantes chegaram, Marco Polo estava na casa dos quarenta anos. A lenda conta que, quando eles bateram à porta do seu palácio, o servo perguntou quem era e eles responderam: os donos.


Mas, um ano depois, Marco Polo foi preso. Ele foi capturado pelos genoveses em uma das batalhas entre as cidades marítimas rivais de Veneza e Gênova.


Na prisão, ele teve a sorte de conhecer o escritor e editor Rustichello de Pisa, que percebeu o potencial literário do relato de Marco Polo sobre um mundo que, na época, era bastante desconhecido dos europeus. Eles, então, escreveram a história.


O livro foi um sucesso. O texto era tão envolvente que foi copiado inúmeras vezes e traduzido para diversos idiomas.


E quanto ao unicórnio?


Marco Polo explicou que seu chifre é grosso e preto. Sua cabeça parece a de um javali selvagem, ele está sempre olhando para baixo e adora a lama.


"Ele é muito feio e não se parece em nada com o que imaginamos, nem com uma criatura que pudesse ser embalada por uma mulher virgem, pelo contrário", escreveu ele.


Marco Polo realmente viu esse animal. Era o que hoje chamamos de rinoceronte.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/c8v2zrnqpe4o. Adaptado.

'Sua cabeça parece a de um javali selvagem', ele está sempre olhando para baixo e adora a lama.
Na frase destacada encontra-se uma figura de linguagem denominada:
Alternativas
Q3409713 Português
A figura de linguagem denominada hipérbole está presente em qual das frases abaixo? 
Alternativas
Q3409705 Português
Atenção: Leia atentamente o texto a seguir e responda questão:

Baleia sim, mas eu prefiro gente

    Não sei se me comove (mas me inquieta) ver pessoas acorrendo, torcendo, chorando porque uma baleia está encalhada e ameaçada de morrer nas areias de qualquer lugar do mundo.
    Sinto pena pelo sofrimento do bicho, mas sempre imagino se fariam tanto alarido caso houvesse em seu lugar um ser humano.
    Lamento toda a ameaça a qualquer espécie em extinção, embora, olhando a história das espécies, me pareça natural que algumas desapareçam e outras surjam. Se cometo um pecado maior de ignorância, sou afinal apenas uma escritora.
    Sei que não vão me achar muito simpática, mas eu não sou sempre simpática. Aliás, se não gosto de grosseria nem de vulgaridade, também desconfio dos politicamente corretos. Todo fanatismo me assusta.
    Não posso ver bicho sofrendo: sempre curti animais, fui criada com eles. Na casa onde nasci e cresci, em certo momento, na minha remota infância, tive até uma coruja, chamada, sabe Deus por quê, Sebastião: quase branca, aquele olho revirando. Fugiu da enorme gaiola especialmente construída para ela quando apareceu por ali com uma asa quebrada. Assim que ficou curada e conseguiu uma frestinha, escapou. Por muitos dias eu a procurei no topo das árvores, doída de saudade.
    Na ilhota no mínimo lago no fundo do terreno, viveu a certa altura um casal de veadinhos, presente de um fazendeiro amigo de meu pai. (Os fanáticos vão considerar isso grande crueldade.) Um dos bichinhos também fugiu, o outro morreu pouco depois. Segundo o jardineiro, morreu de saudade do fujão: primeira visão infantil de um amor romeu-e-julieta.
    Tive uma gata chamada Adelaide, nome da sofredora personagem de uma novela de rádio que fazia suspirar minha avó, e que meu irmão pequeno matou (a gata), nunca entendi como: uma das primeiras tragédias de que tive conhecimento.
    De modo que animais fazem parte de minha história, com muitas aventuras, divertimento, e alguma emoção.
    Mas vamos às baleias e golfinhos encalhados: pessoas torcem as mãos, chegam máquinas variadas para içar os bichos, aplicam-se lençóis molhados, abrem-se manchetes em jornais, televisões comentam tudo em horário nobre. O público, presente ou em casa, acompanha como se fosse alguém da família, e quando o fim chega, é lamentado quase com pêsames e oração.
    Confesso que não consigo me comover da mesma forma: pouca sensibilidade? Não creiam, mesmo os que não me apreciam, não creiam nisso.
    Não é que eu ache que sofrimento de animal não valha a pena, a solidariedade, o dinheiro. Mas eu preferia que tudo isso fosse gasto com eles depois de não haver mais nenhuma criança sofrendo, abandonada ou explorada, enfiando a cara no vidro de meu carro para pedir dinheiro, nenhum adolescente morrendo drogado na calçada, uma família morando embaixo da ponte no inverno aqui do Sul.
        [...]

Autora: Lya Luft (adaptado).
Acerca do significado de vocábulos presentes no texto, analise as assertivas:
I. “pêsames” é sinônimo de “condolências”.
II. “Infantil” poderia ser substituído por “pueril”, sem alteração de sentido.
III. “enorme” é antônimo de “colossal”.
Está(ão) CORRETAS: 
Alternativas
Q3409371 Português

INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto 01 e, a seguir, responda às questões que a ele se referem. 

Texto 01


A metamorfose

Luís Fernando Veríssimo


Uma barata acordou um dia e viu que tinha se transformado num ser humano. Começou a mexer suas patas e viu que só tinha quatro, que eram grandes e pesadas e de articulação difícil. Não tinha mais antenas. Quis emitir um som de surpresa e sem querer deu um grunhido. As outras baratas fugiram aterrorizadas para trás do móvel. Ela quis seguilas, mas não coube atrás do móvel. O seu segundo pensamento foi: “Que horror Preciso acabar com essas baratas...”


Pensar, para a ex-barata, era uma novidade. Antigamente ela seguia seu instinto. Agora precisava raciocinar. Fez uma espécie de manto com a cortina da sala para cobrir sua nudez. Saiu pela casa e encontrou um armário num quarto, e nele, roupa de baixo e um vestido. Olhou-se no espelho e achou-se bonita. Para uma ex-barata. Maquiou-se. Todas as baratas são iguais, mas as mulheres precisam realçar sua personalidade. Adotou um nome: Vandirene. Mais tarde descobriu que só um nome não bastava. A que classe pertencia?...Tinha educação?... Referências?... Conseguiu a muito custo um emprego como faxineira. Sua experiência de barata lhe dava acesso a sujeiras mal suspeitadas. Era uma boa faxineira.


Difícil era ser gente Precisava comprar comida e o dinheiro não chegava. As baratas se acasalam num roçar de antenas, mas os seres humanos não. Conhecem-se, namoram, brigam, fazem as pazes, resolvem se casar, hesitam. Será que o dinheiro vai dar? Conseguir casa, móveis, eletrodomésticos, roupa de cama, mesa e banho. Vandirene casou-se, teve filhos. Lutou muito, coitada. Filas no Instituto Nacional de Previdência Social. Pouco leite. O marido desempregado Finalmente acertou na loteria. Quase quatro milhões! Entre as baratas ter ou não ter quatro milhões não faz diferença. Mas Vandirene mudou. Empregou o dinheiro. Mudou de bairro. Comprou casa. Passou a vestir bem, a comer bem, a cuidar onde põe o pronome. Subiu de classe. Contratou babás e entrou na Pontifícia Universidade Católica.


Vandirene acordou um dia e viu que tinha se transformado em barata. Seu penúltimo pensamento humano foi: “Meu Deus! A casa foi dedetizada há dois dias! ”. Seu último pensamento humano foi para seu dinheiro rendendo na financeira e que o safado do marido, seu herdeiro legal, o usaria. Depois desceu pelo pé da cama e correu para trás de um móvel. Não pensava mais em nada. Era puro instinto. Morreu cinco minutos depois, mas foram os cinco minutos mais felizes de sua vida.


Disponível em: https://www.culturagenial.com/cronicas-engracadas-de-luis-fernando-verissimo-comentadas/. Acesso em: 20 fev. 2024. Adaptado. 

A passagem do texto que se relaciona diretamente ao significado da palavra “metamorfose”, a qual se apresenta como título do texto, é
Alternativas
Q3408990 Português
A Missão

O rio Lombe brilhava na vegetação densa. Vinte vezes o tinham atravessado. Teoria, o professor, tinha escorregado numa pedra e esfolara profundamente o joelho. O Comandante dissera a Teoria para voltar à Base, acompanhado de um guerrilheiro. O professor, fazendo uma careta, respondera: — Somos dezesseis. Ficaremos catorze. Matemática simples que resolvera a questão: era difícil conseguir-se um efetivo suficiente. De mau grado, o Comandante deu ordem de avançar. Vinha por vezes juntar-se a Teoria, que caminhava em penúltima posição, para saber como se sentia. O professor escondia o sofrimento. E sorria sem ânimo. À hora de acampar, alguns combatentes foram procurar lenha seca, enquanto o Comando se reunia. Pangu-Akitina, o enfermeiro, aplicou um penso no ferimento do professor. O joelho estava muito inchado e só com grande esforço ele podia avançar. Aos grupos de quatro, prepararam o jantar: arroz com corned-beef. Terminaram a refeição às seis da tarde, quando já o sol desaparecera e a noite cobrira o Mayombe. As árvores enormes, das quais pendiam cipós grossos como cabos, dançavam em sombras com os movimentos das chamas. Só o fumo podia libertar-se do Mayombe e subir, por entre as folhas e as lianas, dispersando-se rapidamente no alto, como água precipitada por cascata estreita que se espalha num lago. Eu, o Narrador, sou Teoria. Nasci na Gabela, na terra do café. Da terra recebi a cor escura de café, vinda da mãe, misturada ao branco defunto do meu pai, comerciante português. Trago em mim o inconciliável e é este o meu motor. Num Universo de sim ou não, branco ou negro, eu represento o talvez. Talvez é não, para quem quer ouvir sim e significa sim para quem espera ouvir não. A culpa será minha se os homens exigem a pureza e recusam as combinações? Sou eu que devo tornar-me em sim ou em não? Ou são os homens que devem aceitar o talvez? Face a este problema capital, as pessoas dividem-se aos meus olhos em dois grupos: os maniqueístas e os outros. É bom esclarecer que raros são os outros, o Mundo é geralmente maniqueísta.

(Fonte: Pepetela — Adaptado.)
Pepetela é um dos principais autores da literatura angolana contemporânea. Ele foi membro de um dos grupos de intelectuais que se engajaram na luta armada em Angola, o MPLA. Tomando como referência o romance Mayombe, publicado em 1980, que narra o processo revolucionário angolano para tornar o país independente de Portugal (1961-1974), é CORRETO afirmar que: 
Alternativas
Respostas
21541: E
21542: A
21543: D
21544: C
21545: D
21546: D
21547: D
21548: B
21549: A
21550: C
21551: B
21552: C
21553: B
21554: A
21555: B
21556: E
21557: A
21558: B
21559: A
21560: C