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Q3410592 Português
Entenda o que é mitomania, a compulsão pela mentira 


            Quem nunca mentiu que atire a primeira pedra. Em muitas ocasiões, a mentira é uma ferramenta para não magoar os outros ou não entrar em conflito. Segundo Leila Cury Tardivo, professora do IP/USP (Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo), a mentira tem graus e não apresenta, necessariamente, uma conotação grave. “Mas, quando a mentira consciente é compulsiva, se transforma em um falseamento da realidade e aí pode representar algo mais sério, caracterizando a mitomania”, explica a professora. Abaixo, Leila e Hélio Deliberador, professor de psicologia social da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), explicam o que é, quais os sintomas e como tratar a mitomania. 


                O que é mitomania?


             A mitomania é a compulsão pela mentira, contada de forma consciente, que tem por objetivo a autoproteção ou, muitas vezes, o falseamento da realidade, de maneira a fazê-la parecer melhor. “Trata-se de um processo de adoecimento psíquico, onde a pessoa que sofre vive alimentando mentiras. Mentiras que geralmente elevam a importância dela, as realizações e todo esse quadro de poder, vamos dizer assim, que ela cria em função de mentiras que não correspondem exatamente a sua realidade”, explica Hélio Deliberador, professor de psicologia social da PUC-SP.


                Qual a diferença entre a mentira comum e a mitomania?


             A mitomania é o exagero consciente da mentira. “É bastante diferente da mentira social, quando, por exemplo, uma pessoa corta o cabelo e eu não gostei. Eu não vou dizer que acho que a pessoa está feia porque não quero chateá-la. Mas, no caso do mitomaníaco, ele não consegue parar de mentir, e ele mente sobre sua realidade para fazê-la parecer melhor, aparentar mais do que tem ou encobrir algo”, conta Leila Cury Tardivo, professora da USP. Um dos exemplos brasileiros mais famosos de mitomaníaco é Marcelo Nascimento da Rocha, autor do livro “VIPs – Histórias Reais de um Mentiroso”, que se passou por filho do dono da companhia aérea GOL.


                A mitomania está relacionada a outros males?


            A mentira compulsiva está relacionada a outros quadros de doenças psiquiátricas e psicológicas, como transtornos de personalidade antissocial, que, segundo o professor Hélio, podem levar o mitomaníaco a um processo de isolamento para não ser descoberto. “A mitomania está relacionada, em geral, ao transtorno de personalidade antissocial, quando é aquela mentira que tem por finalidade a defesa ou uma ideia de falsear a realidade, porque a pessoa não suporta aquela em que vive e quer se colocar em outro ambiente”, afirma Leila.


              O mitomaníaco mente por má-fé?


            Segundo o professor Hélio, geralmente, o mitomaníaco não age de má-fé porque o comportamento é resultado de um sofrimento, que acaba por levá-lo a um processo de quase semiconsciência: “A pessoa vai se perdendo nisso”. Mas as intenções também dependem do transtorno de personalidade ao qual a mitomania pode estar relacionada, explica a professora Leila: “Se o mitomaníaco tiver um transtorno de personalidade antissocial mais grave, como um sociopata, aí ele pode fazer mal para os outros”.


                Como identificar um mitomaníaco?


         Quando as mentiras são muito discrepantes em relação à realidade, é mais fácil de identificar o comportamento compulsivo. Outro ponto suspeito é que o mitomaníaco pode tentar esconder a família, o emprego ou o lugar onde mora. “Algumas coisas se consegue identificar em mitomaníacos mesmo se você não faz parte do círculo íntimo dele, você vê que aquilo que ele está falando não bate”, diz a professora Leila. Contudo, é mesmo na convivência que se percebem as mentiras constantes e a falta de nexo delas com a realidade.


                O que fazer ao identificar um mitomaníaco?


             O ideal é nunca confrontar, mas acolher o mitomaníaco de forma compreensiva. Em alguns casos, quando ele admite que está mentindo, mas não consegue parar de mentir, fica mais fácil sugerir que procure ajuda. “Agora, se o mitomaníaco não admite que mente, uma das formas de tentar fazer com que ele procure um tratamento é conversar com a família dele para ver se os mais próximos conseguem convencê-lo a procurar ajuda”, diz a professora Leila.


                Como tratar a mitomania?


              Para os professores, a psicoterapia é um dos tratamentos mais indicados para a mitomania. “No processo terapêutico, o mitomaníaco entra em contato com o desejo que não corresponde à realidade dele. Então, devagar, ele vai tomando consciência desse processo e analisando a quais experiências a compulsão pela mentira está relacionada”, esclarece Hélio. 

Texto originalmente publicado no Portal BOL, Por Celina Cardoso. Disponível em https://www.ip.usp.br/site/noticia/entenda-o-que-e mitomania-a-compulsao-pela-mentira/)
De acordo com o texto, quais são os indícios que podem pressagiar a presença de mitomania em um indivíduo? 
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Tema central da questão: Interpretação de texto, com ênfase em coerência e coesão textual. O objetivo é analisar, a partir do texto, quais indícios podem revelar a mitomania em um indivíduo, utilizando evidências explícitas do texto e raciocínio lógico-interpretativo, conforme preconiza a norma-padrão da Língua Portuguesa.

Análise da alternativa correta (E):

A alternativa E (Somente as alternativas A e C) está correta. Veja o porquê:

A) Falácias prontamente reconhecidas como falsas. — O texto afirma que ao observar alguém mentindo com afirmações “que não batem”, ou seja, “prontamente reconhecidas como falsas”, suspeita-se de mitomania. Isso representa um indício claro citado no texto.

C) Discrepâncias entre o que é alegado e a realidade conhecida. — O texto é taxativo ao dizer: “Quando as mentiras são muito discrepantes em relação à realidade, é mais fácil de identificar o comportamento compulsivo”. Logo, alternativa plenamente respaldada pela própria redação do texto.

Estas duas alternativas estão fundamentadas na coerência textual: ao estabelecer ligação entre afirmação e realidade, o leitor identifica o descompasso (discrepância) típico da mitomania, conforme destacam Bechara e Cunha & Cintra em suas gramáticas.

Motivo pelo qual a alternativa B está errada:

B) Tentações de ocultar aspectos significativos de sua existência. — Embora o texto cite tentativas de esconder informações (“pode tentar esconder a família, o emprego ou o lugar onde mora”), não as apresenta como indícios principais de mitomania, e sim como sinais secundários, sem ênfase na existência de “tentações” para tal ação.

Análise das alternativas D e E:

D) Todas as anteriores. — Incorreta, pois inclui a alternativa B, que não corresponde exatamente ao foco textual.
E) Somente A e C.Correta, por englobar apenas os sinais explicitamente evidenciados no texto-base, respeitando a coerência exigida na interpretação.

Estratégias para próximas questões: Busque sempre no texto termos-chave, repare em expressões que conferem ênfase (“é mais fácil de identificar”, “constata-se...”), e questione se determinado traço está realmente explícito como indício ou apenas mencionado de forma indireta. Atenção ao campo semântico, aos pronomes referenciais e ao contexto imediato das frases!

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