Questões de Concurso Comentadas sobre interpretação de textos em português

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Q3832201 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Os riscos de usar canetas emagrecedoras por conta própria só por estética


A advogada Gabriela, de quarenta anos, tentou dietas rigorosas e treinos intensos para perder o peso da pandemia, mas não teve sucesso. Apesar da boa forma, decidiu seguir amigas que usavam canetas emagrecedoras e, em fevereiro de 2024, comprou Ozempic sem receita, iniciando o uso sem supervisão. Os efeitos foram imediatos, com forte redução do apetite, e ela segue usando o medicamento de forma intermitente. Especialistas alertam para os riscos dessa automedicação.


A Anvisa exige receita para esses medicamentos, destinados a pessoas que realmente atendam às indicações médicas. Em 2025, a Polícia Federal investigou uma quadrilha que fabricava ilegalmente tirzepatida, envolvendo o médico Gabriel Almeida, que nega irregularidades e diz atuar apenas em debates técnicos.


Canetas como Ozempic, Wegovy e Mounjaro imitam hormônios ligados à saciedade e são indicadas para obesos ou pessoas com IMC entre vinte e sete e trinta com condições associadas. Apesar disso, vêm sendo usadas apenas por estética. Gabriela tinha IMC de 26,6 e nenhuma condição clínica. Em 2025, o Brasil ampliou critérios de prescrição, incluindo novas avaliações corporais. Especialistas reforçam que o foco desses medicamentos é tratar doenças, não desejos estéticos.


Caso semelhante é o de Andrew, britânico de quarenta e nove anos, com IMC de 26,9. Ele comprou as canetas online apenas com uma autoavaliação e, em 2024, perdeu peso rapidamente, relatando redução do impulso de comer. Ambos usam o medicamento por vaidade, não por indicação médica.


Apesar da eficácia, há riscos importantes. O uso sem necessidade clínica ainda gera incertezas, principalmente quando feito de forma intermitente. Efeitos colaterais incluem náusea, vômito, diarreia, constipação e, em casos raros, gastroparesia e problemas oculares. Uma mulher de trinta e um anos morreu na Paraíba após usar o medicamento sem supervisão, caso que reforçou os alertas do Cremesp.


Oacesso facilitado preocupa. No Reino Unido, farmácias online fazem verificações superficiais, permitindo uso inadequado, com mais de um milhão de pessoas utilizando o medicamento até agora. No Brasil, a Anvisa passou a exigir retenção de receita e proibiu a manipulação da semaglutida.


Há também o risco de perda de massa muscular, piora da composição corporal e efeito sanfona. O corpo reage à perda de peso elevando hormônios da fome e reduzindo o metabolismo, dificultando manter os resultados após interromper o uso. O tratamento contínuo só é indicado para quem realmente precisa.


Mesmo assim, Gabriela e Andrew não pretendem parar. Ela admite sentir-se dependente, e ele vê o medicamento como parte permanente de sua rotina estética.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/clyk6xz0rz0o.adaptado.

O texto-base apresenta situações em que expressões são utilizadas tanto em sentido literal quanto em construções que podem sugerir efeitos de sentido ampliados, dependendo do contexto e da carga semântica envolvida.
De acordo com o texto-base, analise as afirmações a seguir e assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q3832199 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Os riscos de usar canetas emagrecedoras por conta própria só por estética


A advogada Gabriela, de quarenta anos, tentou dietas rigorosas e treinos intensos para perder o peso da pandemia, mas não teve sucesso. Apesar da boa forma, decidiu seguir amigas que usavam canetas emagrecedoras e, em fevereiro de 2024, comprou Ozempic sem receita, iniciando o uso sem supervisão. Os efeitos foram imediatos, com forte redução do apetite, e ela segue usando o medicamento de forma intermitente. Especialistas alertam para os riscos dessa automedicação.


A Anvisa exige receita para esses medicamentos, destinados a pessoas que realmente atendam às indicações médicas. Em 2025, a Polícia Federal investigou uma quadrilha que fabricava ilegalmente tirzepatida, envolvendo o médico Gabriel Almeida, que nega irregularidades e diz atuar apenas em debates técnicos.


Canetas como Ozempic, Wegovy e Mounjaro imitam hormônios ligados à saciedade e são indicadas para obesos ou pessoas com IMC entre vinte e sete e trinta com condições associadas. Apesar disso, vêm sendo usadas apenas por estética. Gabriela tinha IMC de 26,6 e nenhuma condição clínica. Em 2025, o Brasil ampliou critérios de prescrição, incluindo novas avaliações corporais. Especialistas reforçam que o foco desses medicamentos é tratar doenças, não desejos estéticos.


Caso semelhante é o de Andrew, britânico de quarenta e nove anos, com IMC de 26,9. Ele comprou as canetas online apenas com uma autoavaliação e, em 2024, perdeu peso rapidamente, relatando redução do impulso de comer. Ambos usam o medicamento por vaidade, não por indicação médica.


Apesar da eficácia, há riscos importantes. O uso sem necessidade clínica ainda gera incertezas, principalmente quando feito de forma intermitente. Efeitos colaterais incluem náusea, vômito, diarreia, constipação e, em casos raros, gastroparesia e problemas oculares. Uma mulher de trinta e um anos morreu na Paraíba após usar o medicamento sem supervisão, caso que reforçou os alertas do Cremesp.


Oacesso facilitado preocupa. No Reino Unido, farmácias online fazem verificações superficiais, permitindo uso inadequado, com mais de um milhão de pessoas utilizando o medicamento até agora. No Brasil, a Anvisa passou a exigir retenção de receita e proibiu a manipulação da semaglutida.


Há também o risco de perda de massa muscular, piora da composição corporal e efeito sanfona. O corpo reage à perda de peso elevando hormônios da fome e reduzindo o metabolismo, dificultando manter os resultados após interromper o uso. O tratamento contínuo só é indicado para quem realmente precisa.


Mesmo assim, Gabriela e Andrew não pretendem parar. Ela admite sentir-se dependente, e ele vê o medicamento como parte permanente de sua rotina estética.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/clyk6xz0rz0o.adaptado.

Especialistas reforçam que o foco desses medicamentos é tratar doenças, não desejos estéticos.


Considerando a significação das palavras no enunciado acima, é correto afirmar que:

Alternativas
Q3832197 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Os riscos de usar canetas emagrecedoras por conta própria só por estética


A advogada Gabriela, de quarenta anos, tentou dietas rigorosas e treinos intensos para perder o peso da pandemia, mas não teve sucesso. Apesar da boa forma, decidiu seguir amigas que usavam canetas emagrecedoras e, em fevereiro de 2024, comprou Ozempic sem receita, iniciando o uso sem supervisão. Os efeitos foram imediatos, com forte redução do apetite, e ela segue usando o medicamento de forma intermitente. Especialistas alertam para os riscos dessa automedicação.


A Anvisa exige receita para esses medicamentos, destinados a pessoas que realmente atendam às indicações médicas. Em 2025, a Polícia Federal investigou uma quadrilha que fabricava ilegalmente tirzepatida, envolvendo o médico Gabriel Almeida, que nega irregularidades e diz atuar apenas em debates técnicos.


Canetas como Ozempic, Wegovy e Mounjaro imitam hormônios ligados à saciedade e são indicadas para obesos ou pessoas com IMC entre vinte e sete e trinta com condições associadas. Apesar disso, vêm sendo usadas apenas por estética. Gabriela tinha IMC de 26,6 e nenhuma condição clínica. Em 2025, o Brasil ampliou critérios de prescrição, incluindo novas avaliações corporais. Especialistas reforçam que o foco desses medicamentos é tratar doenças, não desejos estéticos.


Caso semelhante é o de Andrew, britânico de quarenta e nove anos, com IMC de 26,9. Ele comprou as canetas online apenas com uma autoavaliação e, em 2024, perdeu peso rapidamente, relatando redução do impulso de comer. Ambos usam o medicamento por vaidade, não por indicação médica.


Apesar da eficácia, há riscos importantes. O uso sem necessidade clínica ainda gera incertezas, principalmente quando feito de forma intermitente. Efeitos colaterais incluem náusea, vômito, diarreia, constipação e, em casos raros, gastroparesia e problemas oculares. Uma mulher de trinta e um anos morreu na Paraíba após usar o medicamento sem supervisão, caso que reforçou os alertas do Cremesp.


Oacesso facilitado preocupa. No Reino Unido, farmácias online fazem verificações superficiais, permitindo uso inadequado, com mais de um milhão de pessoas utilizando o medicamento até agora. No Brasil, a Anvisa passou a exigir retenção de receita e proibiu a manipulação da semaglutida.


Há também o risco de perda de massa muscular, piora da composição corporal e efeito sanfona. O corpo reage à perda de peso elevando hormônios da fome e reduzindo o metabolismo, dificultando manter os resultados após interromper o uso. O tratamento contínuo só é indicado para quem realmente precisa.


Mesmo assim, Gabriela e Andrew não pretendem parar. Ela admite sentir-se dependente, e ele vê o medicamento como parte permanente de sua rotina estética.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/clyk6xz0rz0o.adaptado.

Apesar da eficácia, há riscos importantes. O uso sem necessidade clínica ainda gera incertezas, principalmente quando feito de forma intermitente.


Considerando a coesão e a coerência no trecho acima, é correto afirmar que:

Alternativas
Q3832110 Português

Leia a tirinha a seguir, em que Mafalda conversa com a amiga Susanita, para responder a questão. 

(Quino, 22.10.2025. Disponível em: instagram.com/p/CgPBhe-u-DG/)

Considere os trechos extraídos, respectivamente, do 2º  e 3º quadrinhos: Bom, é preciso admitir que às vezes nos damos bem, e talvez por isso é que somos amigas. / Como podemos ser amigas se não nos aguentamos?
As palavras destacadas, na ordem em que se apresentam, estabelecem sentido de 
Alternativas
Q3832106 Português
Perdoe os amigos

        Não estrague a amizade porque o seu amigo anda chato. É uma fase. Pode ser falta de dinheiro, problemas familiares, um amor que não está dando certo. Cuidado para não tornar definitivo o que é provisório. Ele está chato, não é chato. Rememore o quanto vocês se conhecem, o quanto viveram de cumplicidade e segredos, o quanto superaram adversidades e desilusões.

        Não vale a pena sacrificar uma história inteira feliz por um dia ruim. Uma indiscrição, uma grosseria e uma aspereza não significam que tudo foi em vão. Pondere, todo amigo tem o direito de errar, de incomodar e se desculpar. Não converta a falta de sintonia passageira em distanciamento permanente. Não devemos enxergar somente o período turbulento e desagradável e esquecermos de reconhecer o companheirismo anterior. Falta-nos paciência para encarar as lamúrias e contextualizar os ataques. Em vez de respirar um pouco e dar um desconto, tratamos de responder as agressões com violência.

        Dê um tempo para o amigo, afaste-se por uma semana, crie saudade de um mês, porém não destrua os laços em função de uma implicância. Às vezes ele não quer ser ajudado, às vezes não há como socorrer aflições, às vezes ele ofende jurando que vem sendo apenas sincero.

         Abra espaço para que ele reflita e se acalme. Entenda que as melhores companhias não são boas companhias o tempo inteiro. Amizade é também prever o momento de se retirar para voltar com mais força e amor redobrado.

(Fabrício Carpinejar. Amizade é também amor, 2017. Adaptado)
Assinale a alternativa que apresenta uma palavra ou expressão empregada com sentido figurado.
Alternativas
Q3832104 Português
Perdoe os amigos

        Não estrague a amizade porque o seu amigo anda chato. É uma fase. Pode ser falta de dinheiro, problemas familiares, um amor que não está dando certo. Cuidado para não tornar definitivo o que é provisório. Ele está chato, não é chato. Rememore o quanto vocês se conhecem, o quanto viveram de cumplicidade e segredos, o quanto superaram adversidades e desilusões.

        Não vale a pena sacrificar uma história inteira feliz por um dia ruim. Uma indiscrição, uma grosseria e uma aspereza não significam que tudo foi em vão. Pondere, todo amigo tem o direito de errar, de incomodar e se desculpar. Não converta a falta de sintonia passageira em distanciamento permanente. Não devemos enxergar somente o período turbulento e desagradável e esquecermos de reconhecer o companheirismo anterior. Falta-nos paciência para encarar as lamúrias e contextualizar os ataques. Em vez de respirar um pouco e dar um desconto, tratamos de responder as agressões com violência.

        Dê um tempo para o amigo, afaste-se por uma semana, crie saudade de um mês, porém não destrua os laços em função de uma implicância. Às vezes ele não quer ser ajudado, às vezes não há como socorrer aflições, às vezes ele ofende jurando que vem sendo apenas sincero.

         Abra espaço para que ele reflita e se acalme. Entenda que as melhores companhias não são boas companhias o tempo inteiro. Amizade é também prever o momento de se retirar para voltar com mais força e amor redobrado.

(Fabrício Carpinejar. Amizade é também amor, 2017. Adaptado)
Na frase contida no segundo parágrafo − Falta-nos paciência para encarar as lamúrias e contextualizar os ataques. −, as palavras destacadas podem ser substituídas, sem alteração de sentido e na ordem em que se apresentam, por
Alternativas
Q3832103 Português
Perdoe os amigos

        Não estrague a amizade porque o seu amigo anda chato. É uma fase. Pode ser falta de dinheiro, problemas familiares, um amor que não está dando certo. Cuidado para não tornar definitivo o que é provisório. Ele está chato, não é chato. Rememore o quanto vocês se conhecem, o quanto viveram de cumplicidade e segredos, o quanto superaram adversidades e desilusões.

        Não vale a pena sacrificar uma história inteira feliz por um dia ruim. Uma indiscrição, uma grosseria e uma aspereza não significam que tudo foi em vão. Pondere, todo amigo tem o direito de errar, de incomodar e se desculpar. Não converta a falta de sintonia passageira em distanciamento permanente. Não devemos enxergar somente o período turbulento e desagradável e esquecermos de reconhecer o companheirismo anterior. Falta-nos paciência para encarar as lamúrias e contextualizar os ataques. Em vez de respirar um pouco e dar um desconto, tratamos de responder as agressões com violência.

        Dê um tempo para o amigo, afaste-se por uma semana, crie saudade de um mês, porém não destrua os laços em função de uma implicância. Às vezes ele não quer ser ajudado, às vezes não há como socorrer aflições, às vezes ele ofende jurando que vem sendo apenas sincero.

         Abra espaço para que ele reflita e se acalme. Entenda que as melhores companhias não são boas companhias o tempo inteiro. Amizade é também prever o momento de se retirar para voltar com mais força e amor redobrado.

(Fabrício Carpinejar. Amizade é também amor, 2017. Adaptado)
O texto apresenta as relações de amizade de modo a 
Alternativas
Q3832102 Português
Perdoe os amigos

        Não estrague a amizade porque o seu amigo anda chato. É uma fase. Pode ser falta de dinheiro, problemas familiares, um amor que não está dando certo. Cuidado para não tornar definitivo o que é provisório. Ele está chato, não é chato. Rememore o quanto vocês se conhecem, o quanto viveram de cumplicidade e segredos, o quanto superaram adversidades e desilusões.

        Não vale a pena sacrificar uma história inteira feliz por um dia ruim. Uma indiscrição, uma grosseria e uma aspereza não significam que tudo foi em vão. Pondere, todo amigo tem o direito de errar, de incomodar e se desculpar. Não converta a falta de sintonia passageira em distanciamento permanente. Não devemos enxergar somente o período turbulento e desagradável e esquecermos de reconhecer o companheirismo anterior. Falta-nos paciência para encarar as lamúrias e contextualizar os ataques. Em vez de respirar um pouco e dar um desconto, tratamos de responder as agressões com violência.

        Dê um tempo para o amigo, afaste-se por uma semana, crie saudade de um mês, porém não destrua os laços em função de uma implicância. Às vezes ele não quer ser ajudado, às vezes não há como socorrer aflições, às vezes ele ofende jurando que vem sendo apenas sincero.

         Abra espaço para que ele reflita e se acalme. Entenda que as melhores companhias não são boas companhias o tempo inteiro. Amizade é também prever o momento de se retirar para voltar com mais força e amor redobrado.

(Fabrício Carpinejar. Amizade é também amor, 2017. Adaptado)
O texto contém conselhos, nos quais predomina a ideia de que
Alternativas
Q3831971 Português
Leia o trecho da crônica de Kalaf Epalanga para responder a questão.


Banho de caneca

        Não me canso, o angolano é o meu assunto favorito. Reparem bem, o lúcido afeto que lhe dedico é umbilical. E como o amor, ainda que cego, é exigente, não me furto a reconhecer que somos um povo subdesenvolvido com uma coragem arrebatadora, engenhoso no alto da sua miséria semi-institucionalizada, de sorriso aberto, mestre de esquemas e especialista na arte do banho de caneca. Desde muito cedo, desde o meu tempo da bola de gude e do bica bidon1 , que soube que o mundo cabe dentro de um alguidar com água, o mesmo no qual ainda hoje muitos chacoalham o seu amanhecer madrugador

        Ah, se essas bacias falassem! Realmente certas coisas são como andar de bicicleta, nunca se esquecem. Amanheci na minha Benguela2 materna e me bastou ver aquela bacia repousando ao lado da sua eterna companheira, a caneca, para que as memórias se tornassem palpáveis. Não há lar, seja ele um palácio ou um barraco de adobe3 e pau a pique, que não exiba esse indispensável utensílio. Tão democrático e unificador que até hoje me espanto porque é que ainda não foi consagrado a monumento, talvez monumento seja exagero, mas o alguidar e a caneca já mereciam um semba4 que lhes servisse de ode. Sim, porque não são só as classes menos favorecidas que se dedicam a esse ritual. Todo o lar, seja ele de um ministro, de uma zungueira5 e até, por ironia, de um funcionário das Águas de Angola, desde que tenham torneiras no silêncio, conhecem a arte do banho de caneca.

(Kalaf Epalanga, Minha pátria é a língua pretuguesa: crônicas, 2023)

1 Bidon: brincadeira angolana em que um jogador, o “segurança”, precisa defender uma garrafa ou “bidon” (bidão) no chão, enquanto os outros jogadores tentam chutá-la.

2Benguela: cidade angolana.

3Adobe: tijolo de argila.

4Semba: movimento de dança que consiste no embate, de frente, entre dois dançarinos; umbigada.

5Zungueira: vendedora ambulante.
Considere as seguintes passagens:
•  Reparem bem, o lúcido afeto que lhe dedico é umbilical. (1o parágrafo) •  Ah, se essas bacias falassem! (2o parágrafo) •  Sim, porque não são só as classes menos favorecidas que se dedicam a esse ritual. (2o parágrafo)

No contexto da crônica, as expressões destacadas têm como referências, correta e respectivamente:
Alternativas
Q3831968 Português
Leia o trecho da crônica de Kalaf Epalanga para responder a questão.


Banho de caneca

        Não me canso, o angolano é o meu assunto favorito. Reparem bem, o lúcido afeto que lhe dedico é umbilical. E como o amor, ainda que cego, é exigente, não me furto a reconhecer que somos um povo subdesenvolvido com uma coragem arrebatadora, engenhoso no alto da sua miséria semi-institucionalizada, de sorriso aberto, mestre de esquemas e especialista na arte do banho de caneca. Desde muito cedo, desde o meu tempo da bola de gude e do bica bidon1 , que soube que o mundo cabe dentro de um alguidar com água, o mesmo no qual ainda hoje muitos chacoalham o seu amanhecer madrugador

        Ah, se essas bacias falassem! Realmente certas coisas são como andar de bicicleta, nunca se esquecem. Amanheci na minha Benguela2 materna e me bastou ver aquela bacia repousando ao lado da sua eterna companheira, a caneca, para que as memórias se tornassem palpáveis. Não há lar, seja ele um palácio ou um barraco de adobe3 e pau a pique, que não exiba esse indispensável utensílio. Tão democrático e unificador que até hoje me espanto porque é que ainda não foi consagrado a monumento, talvez monumento seja exagero, mas o alguidar e a caneca já mereciam um semba4 que lhes servisse de ode. Sim, porque não são só as classes menos favorecidas que se dedicam a esse ritual. Todo o lar, seja ele de um ministro, de uma zungueira5 e até, por ironia, de um funcionário das Águas de Angola, desde que tenham torneiras no silêncio, conhecem a arte do banho de caneca.

(Kalaf Epalanga, Minha pátria é a língua pretuguesa: crônicas, 2023)

1 Bidon: brincadeira angolana em que um jogador, o “segurança”, precisa defender uma garrafa ou “bidon” (bidão) no chão, enquanto os outros jogadores tentam chutá-la.

2Benguela: cidade angolana.

3Adobe: tijolo de argila.

4Semba: movimento de dança que consiste no embate, de frente, entre dois dançarinos; umbigada.

5Zungueira: vendedora ambulante.
Na passagem do 1º parágrafo “… não me furto a reconhecer que somos um povo subdesenvolvido com uma coragem arrebatadora, engenhoso no alto da sua miséria semi-institucionalizada, de sorriso aberto, mestre de esquemas e especialista na arte do banho de caneca.”, o narrador
Alternativas
Q3831967 Português
Leia o trecho da crônica de Kalaf Epalanga para responder a questão.


Banho de caneca

        Não me canso, o angolano é o meu assunto favorito. Reparem bem, o lúcido afeto que lhe dedico é umbilical. E como o amor, ainda que cego, é exigente, não me furto a reconhecer que somos um povo subdesenvolvido com uma coragem arrebatadora, engenhoso no alto da sua miséria semi-institucionalizada, de sorriso aberto, mestre de esquemas e especialista na arte do banho de caneca. Desde muito cedo, desde o meu tempo da bola de gude e do bica bidon1 , que soube que o mundo cabe dentro de um alguidar com água, o mesmo no qual ainda hoje muitos chacoalham o seu amanhecer madrugador

        Ah, se essas bacias falassem! Realmente certas coisas são como andar de bicicleta, nunca se esquecem. Amanheci na minha Benguela2 materna e me bastou ver aquela bacia repousando ao lado da sua eterna companheira, a caneca, para que as memórias se tornassem palpáveis. Não há lar, seja ele um palácio ou um barraco de adobe3 e pau a pique, que não exiba esse indispensável utensílio. Tão democrático e unificador que até hoje me espanto porque é que ainda não foi consagrado a monumento, talvez monumento seja exagero, mas o alguidar e a caneca já mereciam um semba4 que lhes servisse de ode. Sim, porque não são só as classes menos favorecidas que se dedicam a esse ritual. Todo o lar, seja ele de um ministro, de uma zungueira5 e até, por ironia, de um funcionário das Águas de Angola, desde que tenham torneiras no silêncio, conhecem a arte do banho de caneca.

(Kalaf Epalanga, Minha pátria é a língua pretuguesa: crônicas, 2023)

1 Bidon: brincadeira angolana em que um jogador, o “segurança”, precisa defender uma garrafa ou “bidon” (bidão) no chão, enquanto os outros jogadores tentam chutá-la.

2Benguela: cidade angolana.

3Adobe: tijolo de argila.

4Semba: movimento de dança que consiste no embate, de frente, entre dois dançarinos; umbigada.

5Zungueira: vendedora ambulante.
De acordo com o texto, o retorno do narrador à cidade materna foi marcado 
Alternativas
Q3831965 Português
Empenho contra a fome

        Dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, da Organização das Nações Unidas (ONU), o de número 2 visa acabar com a fome e a desnutrição até 2030, garantindo que as pessoas, especialmente crianças, tenham alimentos suficientes durante todo o ano. O Brasil é signatário dos ODS, assim como outros 192 países.

        A meta é ambiciosa – alguns diriam até utópica –, mas, aqui no Brasil, retomamos o caminho de combate à fome e estamos avançando contra esse flagelo. Em 2024, 2,2 milhões de lares saíram da insegurança alimentar, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), divulgada pelo IBGE na semana passada. Um recuo de 27,6% para 24,2% entre 2023 e 2024.

        Os dados do IBGE foram divulgados menos de três meses após a FAO/ONU anunciar que o Brasil saiu novamente do Mapa da Fome. O país já tinha deixado essa lista sombria em 2014, mas retornou em 2021.

        Mesmo com o enfrentamento à fome como uma das prioridades do atual governo, ainda havia 6,48 milhões de pessoas, em 2024, atingidas por essa calamidade. O número – embora signifique o menor nível de brasileiros nessa situação desde 2004 – é absurdamente alto. E torna-se inaceitável em se tratando de um país que figura entre os principais produtores de alimentos do mundo.

        Mas estamos vendo progressos. Isso nos dá esperança de, enfim, alcançarmos a segurança alimentar no nosso país. Se não até 2030, ao menos o mais próximo possível disso.

(Cida Barbosa, 16.10.2025.
Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao. Adaptado)
Considere as seguintes passagens:
•  A meta é ambiciosa – alguns diriam até utópica… (2º parágrafo)
•  Mesmo com o enfrentamento à fome como uma das prioridades do atual governo… (4º parágrafo)
•  E torna-se inaceitável em se tratando de um país que figura entre os principais produtores de alimentos do mundo. (4º parágrafo)

Os termos destacados significam, correta e respectivamente:
Alternativas
Q3831964 Português
Empenho contra a fome

        Dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, da Organização das Nações Unidas (ONU), o de número 2 visa acabar com a fome e a desnutrição até 2030, garantindo que as pessoas, especialmente crianças, tenham alimentos suficientes durante todo o ano. O Brasil é signatário dos ODS, assim como outros 192 países.

        A meta é ambiciosa – alguns diriam até utópica –, mas, aqui no Brasil, retomamos o caminho de combate à fome e estamos avançando contra esse flagelo. Em 2024, 2,2 milhões de lares saíram da insegurança alimentar, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), divulgada pelo IBGE na semana passada. Um recuo de 27,6% para 24,2% entre 2023 e 2024.

        Os dados do IBGE foram divulgados menos de três meses após a FAO/ONU anunciar que o Brasil saiu novamente do Mapa da Fome. O país já tinha deixado essa lista sombria em 2014, mas retornou em 2021.

        Mesmo com o enfrentamento à fome como uma das prioridades do atual governo, ainda havia 6,48 milhões de pessoas, em 2024, atingidas por essa calamidade. O número – embora signifique o menor nível de brasileiros nessa situação desde 2004 – é absurdamente alto. E torna-se inaceitável em se tratando de um país que figura entre os principais produtores de alimentos do mundo.

        Mas estamos vendo progressos. Isso nos dá esperança de, enfim, alcançarmos a segurança alimentar no nosso país. Se não até 2030, ao menos o mais próximo possível disso.

(Cida Barbosa, 16.10.2025.
Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao. Adaptado)
O termo destacado está empregado em sentido figurado em:
Alternativas
Q3831963 Português
Empenho contra a fome

        Dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, da Organização das Nações Unidas (ONU), o de número 2 visa acabar com a fome e a desnutrição até 2030, garantindo que as pessoas, especialmente crianças, tenham alimentos suficientes durante todo o ano. O Brasil é signatário dos ODS, assim como outros 192 países.

        A meta é ambiciosa – alguns diriam até utópica –, mas, aqui no Brasil, retomamos o caminho de combate à fome e estamos avançando contra esse flagelo. Em 2024, 2,2 milhões de lares saíram da insegurança alimentar, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), divulgada pelo IBGE na semana passada. Um recuo de 27,6% para 24,2% entre 2023 e 2024.

        Os dados do IBGE foram divulgados menos de três meses após a FAO/ONU anunciar que o Brasil saiu novamente do Mapa da Fome. O país já tinha deixado essa lista sombria em 2014, mas retornou em 2021.

        Mesmo com o enfrentamento à fome como uma das prioridades do atual governo, ainda havia 6,48 milhões de pessoas, em 2024, atingidas por essa calamidade. O número – embora signifique o menor nível de brasileiros nessa situação desde 2004 – é absurdamente alto. E torna-se inaceitável em se tratando de um país que figura entre os principais produtores de alimentos do mundo.

        Mas estamos vendo progressos. Isso nos dá esperança de, enfim, alcançarmos a segurança alimentar no nosso país. Se não até 2030, ao menos o mais próximo possível disso.

(Cida Barbosa, 16.10.2025.
Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao. Adaptado)
Na frase do 1º parágrafo “O Brasil é signatário dos ODS, assim como outros 192 países.”, o termo destacado indica que o Brasil
Alternativas
Q3831962 Português
Empenho contra a fome

        Dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, da Organização das Nações Unidas (ONU), o de número 2 visa acabar com a fome e a desnutrição até 2030, garantindo que as pessoas, especialmente crianças, tenham alimentos suficientes durante todo o ano. O Brasil é signatário dos ODS, assim como outros 192 países.

        A meta é ambiciosa – alguns diriam até utópica –, mas, aqui no Brasil, retomamos o caminho de combate à fome e estamos avançando contra esse flagelo. Em 2024, 2,2 milhões de lares saíram da insegurança alimentar, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), divulgada pelo IBGE na semana passada. Um recuo de 27,6% para 24,2% entre 2023 e 2024.

        Os dados do IBGE foram divulgados menos de três meses após a FAO/ONU anunciar que o Brasil saiu novamente do Mapa da Fome. O país já tinha deixado essa lista sombria em 2014, mas retornou em 2021.

        Mesmo com o enfrentamento à fome como uma das prioridades do atual governo, ainda havia 6,48 milhões de pessoas, em 2024, atingidas por essa calamidade. O número – embora signifique o menor nível de brasileiros nessa situação desde 2004 – é absurdamente alto. E torna-se inaceitável em se tratando de um país que figura entre os principais produtores de alimentos do mundo.

        Mas estamos vendo progressos. Isso nos dá esperança de, enfim, alcançarmos a segurança alimentar no nosso país. Se não até 2030, ao menos o mais próximo possível disso.

(Cida Barbosa, 16.10.2025.
Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao. Adaptado)
Tendo como referência os dados apresentados no texto, pode-se afirmar sobre o enfrentamento da fome no Brasil que
Alternativas
Q3831751 Português
A fluência leitora envolve a articulação entre precisão, ritmo e expressividade na leitura em voz alta, articulada à compreensão do texto. Pesquisas recentes indicam que leitores fluentes não apenas reconhecem palavras com automatismo, mas conseguem integrar essa habilidade ao processamento de sentidos, ajustando a leitura às características do texto e aos objetivos comunicativos, em um processo que relaciona desempenho oral e construção de significado (RASINSKI, 2017).

De acordo com o texto-base, analise as afirmações a seguir e assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q3831749 Português
A linguagem oral compreende práticas discursivas ancoradas na interação social, enquanto a oralidade envolve usos situados da fala em diferentes contextos culturais, e a oralização refere-se à realização vocal de textos escritos, sem que isso implique, necessariamente, características da fala espontânea. Estudos recentes destacam que a distinção entre esses conceitos é fundamental para o ensino da língua, pois permite compreender a diversidade dos usos da modalidade oral e evitar a redução da fala a mera transposição do escrito (ANTUNES, 2020).

De acordo com o TEXTO-BASE, analise as afirmações a seguir e assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q3831748 Português
A escrita não se reduz ao domínio técnico da língua, mas envolve escolhas conscientes, planejamento, revisão e adequação às condições de produção do texto. Para autores que investigam os processos de escrita, o escritor competente mobiliza estratégias cognitivas e discursivas, ajusta sua linguagem ao interlocutor e ao objetivo comunicativo e revê constantemente o próprio texto, compreendendo a escrita como prática social situada e dinâmica (BAZERMAN, 2015).

O ato de escrever envolve decisões que ultrapassam a correção gramatical, relacionando-se às intenções do autor, às condições de circulação do texto e à interação com o leitor.
Alternativas
Q3831746 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Os preocupantes efeitos de longo prazo da pandemia que agora estão sendo observados nas crianças


A professora de pré-escola Rebekah Underwood percebe diferenças claras na turma de 2025 em comparação às crianças que ensinava antes da pandemia de covid-19. Alunos de cinco e seis anos demonstram maior cautela física, com dificuldades para pular, dar cambalhotas ou escalar. Esse comportamento chama a atenção por contrastar com gerações anteriores e levanta a hipótese de que a restrição à exploração ao ar livre, vivida quando eram bebês, tenha influenciado seu desenvolvimento motor e a confiança corporal.

Em março de 2020, o fechamento das escolas em todo o mundo alterou profundamente a rotina de mais de dois bilhões de crianças e jovens. O confinamento prolongado, o ensino remoto e a substituição da convivência presencial por interações mediadas por telas romperam o ritmo cotidiano da infância. Experiências importantes — esportes, brincadeiras coletivas e eventos escolares — foram interrompidas, e muitos alunos passaram meses ou até mais de um ano sem contato presencial com colegas.

Pesquisadores observam que essas interrupções deixaram marcas no comportamento, na saúde mental, nas habilidades sociais e na aprendizagem. Crianças pequenas passaram a apresentar maior sensibilidade a estímulos sonoros e visuais, além de dificuldades em ambientes barulhentos e caóticos. Em algumas escolas, atividades práticas, como aulas de música, precisaram ser suspensas e depois reintroduzidas gradualmente, devido à sobrecarga sensorial vivida pelos alunos.

Estudos recentes indicam que bebês que passaram os primeiros meses de vida durante os confinamentos apresentam vocabulário mais restrito e dificuldades em habilidades cognitivas mais complexas. A redução das interações sociais e da diversidade de estímulos em espaços públicos é apontada como fator relevante, já que os primeiros anos são decisivos para o desenvolvimento da comunicação e das funções executivas.

Na área educacional, estima-se que cerca de quase dois bilhões de estudantes tenham sido prejudicados. Relatórios internacionais apontam perdas expressivas de aprendizagem, sobretudo em matemática, mais intensas entre alunos de famílias de baixa renda e grupos marginalizados. Essas defasagens mostraram-se persistentes mesmo após a reabertura das escolas e se recuperam de forma desigual, ampliando disparidades educacionais e gerando impactos econômicos de longo prazo.

Além da educação, pesquisas identificaram aumento da obesidade infantil e maior incidência de ansiedade, depressão e problemas comportamentais. Por outro lado, alguns estudos registram melhora na maturidade emocional, possivelmente relacionada à exposição precoce a adversidades e a temas complexos durante a pandemia, o que pode ter acelerado certos aspectos do amadurecimento psicológico.

Especialistas alertam que, sem ações coordenadas entre políticas públicas, famílias e escolas, as consequências negativas se prolongarão ao longo dos anos. Ainda assim, Underwood observa sinais de avanço em sua turma mais recente: as crianças demonstram maior disposição para atividades físicas, retomam brincadeiras com mais confiança e participam melhor das aulas de música, embora o desenvolvimento socioemocional continue a exigir acompanhamento atento.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/c8e4xxd02xlo.adaptado.
O texto aborda um tema contemporâneo de interesse social, tratando de efeitos prolongados da pandemia a partir de observações, dados de pesquisas e análises explicativas, com linguagem objetiva e informativa.

De acordo com o texto-base, analise as afirmações a seguir e assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q3831744 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Os preocupantes efeitos de longo prazo da pandemia que agora estão sendo observados nas crianças


A professora de pré-escola Rebekah Underwood percebe diferenças claras na turma de 2025 em comparação às crianças que ensinava antes da pandemia de covid-19. Alunos de cinco e seis anos demonstram maior cautela física, com dificuldades para pular, dar cambalhotas ou escalar. Esse comportamento chama a atenção por contrastar com gerações anteriores e levanta a hipótese de que a restrição à exploração ao ar livre, vivida quando eram bebês, tenha influenciado seu desenvolvimento motor e a confiança corporal.

Em março de 2020, o fechamento das escolas em todo o mundo alterou profundamente a rotina de mais de dois bilhões de crianças e jovens. O confinamento prolongado, o ensino remoto e a substituição da convivência presencial por interações mediadas por telas romperam o ritmo cotidiano da infância. Experiências importantes — esportes, brincadeiras coletivas e eventos escolares — foram interrompidas, e muitos alunos passaram meses ou até mais de um ano sem contato presencial com colegas.

Pesquisadores observam que essas interrupções deixaram marcas no comportamento, na saúde mental, nas habilidades sociais e na aprendizagem. Crianças pequenas passaram a apresentar maior sensibilidade a estímulos sonoros e visuais, além de dificuldades em ambientes barulhentos e caóticos. Em algumas escolas, atividades práticas, como aulas de música, precisaram ser suspensas e depois reintroduzidas gradualmente, devido à sobrecarga sensorial vivida pelos alunos.

Estudos recentes indicam que bebês que passaram os primeiros meses de vida durante os confinamentos apresentam vocabulário mais restrito e dificuldades em habilidades cognitivas mais complexas. A redução das interações sociais e da diversidade de estímulos em espaços públicos é apontada como fator relevante, já que os primeiros anos são decisivos para o desenvolvimento da comunicação e das funções executivas.

Na área educacional, estima-se que cerca de quase dois bilhões de estudantes tenham sido prejudicados. Relatórios internacionais apontam perdas expressivas de aprendizagem, sobretudo em matemática, mais intensas entre alunos de famílias de baixa renda e grupos marginalizados. Essas defasagens mostraram-se persistentes mesmo após a reabertura das escolas e se recuperam de forma desigual, ampliando disparidades educacionais e gerando impactos econômicos de longo prazo.

Além da educação, pesquisas identificaram aumento da obesidade infantil e maior incidência de ansiedade, depressão e problemas comportamentais. Por outro lado, alguns estudos registram melhora na maturidade emocional, possivelmente relacionada à exposição precoce a adversidades e a temas complexos durante a pandemia, o que pode ter acelerado certos aspectos do amadurecimento psicológico.

Especialistas alertam que, sem ações coordenadas entre políticas públicas, famílias e escolas, as consequências negativas se prolongarão ao longo dos anos. Ainda assim, Underwood observa sinais de avanço em sua turma mais recente: as crianças demonstram maior disposição para atividades físicas, retomam brincadeiras com mais confiança e participam melhor das aulas de música, embora o desenvolvimento socioemocional continue a exigir acompanhamento atento.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/c8e4xxd02xlo.adaptado.
O ensino da leitura envolve estratégias didáticas que ultrapassam a simples decodificação, articulando mediação docente, diversidade de gêneros textuais e definição de objetivos de leitura. Estudos recentes apontam que práticas sistemáticas de leitura favorecem a construção de sentidos, o desenvolvimento da criticidade e a participação ativa do leitor no processo de compreensão, entendendo a leitura como prática social e cognitiva integrada ao contexto escolar (COSCARELLI, 2021)

De acordo com o texto-base, analise as afirmações a seguir e assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Respostas
5441: C
5442: D
5443: D
5444: D
5445: C
5446: D
5447: A
5448: C
5449: E
5450: A
5451: B
5452: C
5453: B
5454: D
5455: E
5456: C
5457: A
5458: B
5459: C
5460: C