Questões de Concurso Comentadas sobre interpretação de textos em português

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Q3993514 Português
Para limpar móveis, comece tirando o pó com um pano seco ou espanador, depois use um pano úmido com ____________________ ou uma solução de água e vinagre para sujeiras gerais, sempre torcendo bem o pano para não encharcar a madeira e finalizando com um pano seco para lustrar; para manchas persistentes, uma pasta de bicarbonato de sódio e água pode ajudar, e evite produtos abrasivos, pois cada acabamento de móvel (verniz, cera, laqueado) requer cuidados específicos. Escolha a opção que preenche a lacuna: 
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Q3993513 Português
Associe a primeira com a segunda coluna:

1 - Limpeza Básica.
2 - Detalhes e Cantos.
3 - Limpeza de piso.
4 - Superfícies e Vidros.
5 - Limpeza Pesada/Específica.

( ) Detergente neutro, sabão em barra.
( ) Vassouras (cerdas macias ou duras), rodos, MOPs (esfregões) e baldes.
( ) Panos de microfibra, flanelas, esponjas multiuso, limpador de vidros e rodinhos.
( ) Escovas sanitárias, escovas de nylon, espanadores.
( ) Desengordurantes, removedores de manchas, limpa-vidros.

No preenchimento das lacunas, a ordem CORRETA de cima para baixo é:
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Q3993491 Português
Conheça o menor bairro de Curitiba, com 442 habitantes e raízes polonesas


    Você sabia que o menor bairro de Curitiba possui apenas 442 habitantes? Parte da Regional CIC, o bairro menos populoso da capital paranaense é o Riviera e, de acordo com o Censo do IBGE de 2022, boa parte dos moradores dali são descendentes de poloneses, que foram os primeiros moradores da região.

     O morador mais antigo é Vicente Ales, de 77 anos. A casa dele fica ‘escondida’ atrás de uma plantação de milharal, com acesso por uma estradinha de terra que exibe uma paisagem interiorana que resiste ao tempo e ao ritmo frenético de outros grandes bairros de Curitiba.

     A origem do bairro Riviera está ligada a Colônia Riviére fundada em 1876 e emancipada em 1878 às margens da antiga estrada do Mato Grosso. O nome da colônia veio de uma homenagem ao engenheiro Henrique Riviére por causa dos relevantes serviços prestados à colonização da Província.

     Como todas as demais comunidades polonesas do Paraná, a Colônia Riviera foi criada pelo imperador dom Pedro II. Em 1880, o imperador, acompanhado da família real em visita ao Paraná aproveitou para conferir como os polacos estavam estabelecidos.

    De acordo com relatos históricos da época, em Curitiba, a família real visitou as colônias do Santa Cândida e do Bairro Alto e não passou pela Riviera. Entretanto, toda a gente polonesa, inclusive da Colônia Riviera, foi a pé até a Praça 19 de dezembro para recepcionar o imperador.

     Um grupo de 21 moças vestidas de branco segurava cartazes e saudava o casal imperial. Estavam ali as jovens representantes das colônias Riviera, Tomás Coelho, Lamenha, Santo Inácio, Nova Tirol, Murici, Santa Cândida, Abranches, Orleans, Alfredo Chaves, Antônio Rebouças, Dom Augusto, Inspetor Carvalho, Venâncio, Zacarias, Argelina, Dom Pedro, Dantes, São João Batista, Dr. Araújo e Santa Felicidade.

    Como a maior parte dos moradores antigos, Vicente Ales nasceu e passou toda a vida no bairro. Ele ganhou o título de decano da região com a morte, há poucos meses, de Antônia Rompa Pepinsky, que alcançou 100 anos. “Eu devo muita oração para ela. A minha mãe contou que quando eu nasci, essa senhora foi a primeira que me pegou no colo. Era minha babá. A minha mãe sempre falava para respeitar essa gente. Então eu fiquei tão sentido com a perda porque ela tinha 100 anos e era lúcida, sabia de tudo, não era esquecida”, lamenta Vicente.

     Recordar os velhos tempos é um dos hábitos mais frequentes dele, principalmente da época que cultivava lavouras. Reclama que agora não consegue mais lidar com plantio. Quando mais jovem, a lida na terra era parte do cotidiano, plantava feijão, milho e batata. Apesar das excelentes colheitas, diz que o esforço pouco compensava, a remuneração era muito baixa.

     “Deu bem mesmo, colhemos muito, mas o que adiantou? O preço não ajudou. A terra é boa mas agora não planto mais, porque com 77 anos já não tenho mais força, sinto dor nas costas e muita canseira”, relata.


Fonte: https://www.tribunapr.com.br/noticias/curitiba-regiao/conheca-menor-bairro-curitiba-442- habitantes-raizes-polonesas/
Assinale a alternativa que apresente o termo retomado no texto pelo termo em destaque no período: Recordar os velhos tempos é um dos hábitos mais frequentes dele, principalmente da época que cultivava lavouras.
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Q3993490 Português
Conheça o menor bairro de Curitiba, com 442 habitantes e raízes polonesas


    Você sabia que o menor bairro de Curitiba possui apenas 442 habitantes? Parte da Regional CIC, o bairro menos populoso da capital paranaense é o Riviera e, de acordo com o Censo do IBGE de 2022, boa parte dos moradores dali são descendentes de poloneses, que foram os primeiros moradores da região.

     O morador mais antigo é Vicente Ales, de 77 anos. A casa dele fica ‘escondida’ atrás de uma plantação de milharal, com acesso por uma estradinha de terra que exibe uma paisagem interiorana que resiste ao tempo e ao ritmo frenético de outros grandes bairros de Curitiba.

     A origem do bairro Riviera está ligada a Colônia Riviére fundada em 1876 e emancipada em 1878 às margens da antiga estrada do Mato Grosso. O nome da colônia veio de uma homenagem ao engenheiro Henrique Riviére por causa dos relevantes serviços prestados à colonização da Província.

     Como todas as demais comunidades polonesas do Paraná, a Colônia Riviera foi criada pelo imperador dom Pedro II. Em 1880, o imperador, acompanhado da família real em visita ao Paraná aproveitou para conferir como os polacos estavam estabelecidos.

    De acordo com relatos históricos da época, em Curitiba, a família real visitou as colônias do Santa Cândida e do Bairro Alto e não passou pela Riviera. Entretanto, toda a gente polonesa, inclusive da Colônia Riviera, foi a pé até a Praça 19 de dezembro para recepcionar o imperador.

     Um grupo de 21 moças vestidas de branco segurava cartazes e saudava o casal imperial. Estavam ali as jovens representantes das colônias Riviera, Tomás Coelho, Lamenha, Santo Inácio, Nova Tirol, Murici, Santa Cândida, Abranches, Orleans, Alfredo Chaves, Antônio Rebouças, Dom Augusto, Inspetor Carvalho, Venâncio, Zacarias, Argelina, Dom Pedro, Dantes, São João Batista, Dr. Araújo e Santa Felicidade.

    Como a maior parte dos moradores antigos, Vicente Ales nasceu e passou toda a vida no bairro. Ele ganhou o título de decano da região com a morte, há poucos meses, de Antônia Rompa Pepinsky, que alcançou 100 anos. “Eu devo muita oração para ela. A minha mãe contou que quando eu nasci, essa senhora foi a primeira que me pegou no colo. Era minha babá. A minha mãe sempre falava para respeitar essa gente. Então eu fiquei tão sentido com a perda porque ela tinha 100 anos e era lúcida, sabia de tudo, não era esquecida”, lamenta Vicente.

     Recordar os velhos tempos é um dos hábitos mais frequentes dele, principalmente da época que cultivava lavouras. Reclama que agora não consegue mais lidar com plantio. Quando mais jovem, a lida na terra era parte do cotidiano, plantava feijão, milho e batata. Apesar das excelentes colheitas, diz que o esforço pouco compensava, a remuneração era muito baixa.

     “Deu bem mesmo, colhemos muito, mas o que adiantou? O preço não ajudou. A terra é boa mas agora não planto mais, porque com 77 anos já não tenho mais força, sinto dor nas costas e muita canseira”, relata.


Fonte: https://www.tribunapr.com.br/noticias/curitiba-regiao/conheca-menor-bairro-curitiba-442- habitantes-raizes-polonesas/
Assinale a alternativa que apresente um sinônimo adequado para o termo em destaque no período: O nome da colônia veio de uma homenagem ao engenheiro Henrique Riviére por causa dos relevantes serviços prestados à colonização da Província. 
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Q3993489 Português
Conheça o menor bairro de Curitiba, com 442 habitantes e raízes polonesas


    Você sabia que o menor bairro de Curitiba possui apenas 442 habitantes? Parte da Regional CIC, o bairro menos populoso da capital paranaense é o Riviera e, de acordo com o Censo do IBGE de 2022, boa parte dos moradores dali são descendentes de poloneses, que foram os primeiros moradores da região.

     O morador mais antigo é Vicente Ales, de 77 anos. A casa dele fica ‘escondida’ atrás de uma plantação de milharal, com acesso por uma estradinha de terra que exibe uma paisagem interiorana que resiste ao tempo e ao ritmo frenético de outros grandes bairros de Curitiba.

     A origem do bairro Riviera está ligada a Colônia Riviére fundada em 1876 e emancipada em 1878 às margens da antiga estrada do Mato Grosso. O nome da colônia veio de uma homenagem ao engenheiro Henrique Riviére por causa dos relevantes serviços prestados à colonização da Província.

     Como todas as demais comunidades polonesas do Paraná, a Colônia Riviera foi criada pelo imperador dom Pedro II. Em 1880, o imperador, acompanhado da família real em visita ao Paraná aproveitou para conferir como os polacos estavam estabelecidos.

    De acordo com relatos históricos da época, em Curitiba, a família real visitou as colônias do Santa Cândida e do Bairro Alto e não passou pela Riviera. Entretanto, toda a gente polonesa, inclusive da Colônia Riviera, foi a pé até a Praça 19 de dezembro para recepcionar o imperador.

     Um grupo de 21 moças vestidas de branco segurava cartazes e saudava o casal imperial. Estavam ali as jovens representantes das colônias Riviera, Tomás Coelho, Lamenha, Santo Inácio, Nova Tirol, Murici, Santa Cândida, Abranches, Orleans, Alfredo Chaves, Antônio Rebouças, Dom Augusto, Inspetor Carvalho, Venâncio, Zacarias, Argelina, Dom Pedro, Dantes, São João Batista, Dr. Araújo e Santa Felicidade.

    Como a maior parte dos moradores antigos, Vicente Ales nasceu e passou toda a vida no bairro. Ele ganhou o título de decano da região com a morte, há poucos meses, de Antônia Rompa Pepinsky, que alcançou 100 anos. “Eu devo muita oração para ela. A minha mãe contou que quando eu nasci, essa senhora foi a primeira que me pegou no colo. Era minha babá. A minha mãe sempre falava para respeitar essa gente. Então eu fiquei tão sentido com a perda porque ela tinha 100 anos e era lúcida, sabia de tudo, não era esquecida”, lamenta Vicente.

     Recordar os velhos tempos é um dos hábitos mais frequentes dele, principalmente da época que cultivava lavouras. Reclama que agora não consegue mais lidar com plantio. Quando mais jovem, a lida na terra era parte do cotidiano, plantava feijão, milho e batata. Apesar das excelentes colheitas, diz que o esforço pouco compensava, a remuneração era muito baixa.

     “Deu bem mesmo, colhemos muito, mas o que adiantou? O preço não ajudou. A terra é boa mas agora não planto mais, porque com 77 anos já não tenho mais força, sinto dor nas costas e muita canseira”, relata.


Fonte: https://www.tribunapr.com.br/noticias/curitiba-regiao/conheca-menor-bairro-curitiba-442- habitantes-raizes-polonesas/
Assinale a alternativa que apresente termo que possa substituir o termo em destaque no período, mantendo as mesmas relações de sentido no texto: Entretanto, toda a gente polonesa, inclusive da Colônia Riviera, foi a pé até a Praça 19 de dezembro para recepcionar o imperador.
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Q3993098 Português
        [Na Divina Comédia] chega-se a uma experiência imediata da vida, uma experiência que sobrepuja todas as outras, a uma concepção do ser humano que tanto se espraia multiplamente, quanto penetra profundamente até as raízes do sentimento, um esclarecimento das suas emoções e paixões, que leva, sem inibições, à cálida participação e até à admiração da sua multiplicidade e grandeza. E, dentro desta participação imediata e admirada do ser humano, a indestrutibilidade do ser humano total, histórico e individual, baseada na ordem divina, dirige-se contra a ordem divina; põe a mesma a seu serviço e a obscurece. A figura do ser humano coloca-se à frente da figura de Deus. A obra de Dante tornou realidade a essência cristã-figural do homem e a destruiu na mesma realização; a poderosa moldura rompeu-se pela supremacia dos quadros que envolvia.

Erich Auerbach. Mimesis. A representação da realidade na literatura ocidental.
 São Paulo: Perspectiva, 2004, p. 175

Julgue o item a seguir, relativo ao texto de Erich Auerbach sobre a Divina Comédia, obra do poeta italiano Dante Alighieri escrita no século XIV.


Nas duas últimas orações do texto, identifica-se uma metáfora que sintetiza todo o argumento de Auerbach sobre o caráter realista da Divina Comédia, de Dante: a matéria vital da obra ultrapassou os poderosos limites que a própria realidade histórica lhe impunha. 

Alternativas
Q3993097 Português
        [Na Divina Comédia] chega-se a uma experiência imediata da vida, uma experiência que sobrepuja todas as outras, a uma concepção do ser humano que tanto se espraia multiplamente, quanto penetra profundamente até as raízes do sentimento, um esclarecimento das suas emoções e paixões, que leva, sem inibições, à cálida participação e até à admiração da sua multiplicidade e grandeza. E, dentro desta participação imediata e admirada do ser humano, a indestrutibilidade do ser humano total, histórico e individual, baseada na ordem divina, dirige-se contra a ordem divina; põe a mesma a seu serviço e a obscurece. A figura do ser humano coloca-se à frente da figura de Deus. A obra de Dante tornou realidade a essência cristã-figural do homem e a destruiu na mesma realização; a poderosa moldura rompeu-se pela supremacia dos quadros que envolvia.

Erich Auerbach. Mimesis. A representação da realidade na literatura ocidental.
 São Paulo: Perspectiva, 2004, p. 175

Julgue o item a seguir, relativo ao texto de Erich Auerbach sobre a Divina Comédia, obra do poeta italiano Dante Alighieri escrita no século XIV.


No primeiro período, os vocábulos "imediata", "multiplamente", "esclarecimento", "sem inibições" e "multiplicidade" caracterizam-se como atributos da concepção de ser humano "baseada na ordem divina" (segundo período).

Alternativas
Q3993094 Português
        [Na Divina Comédia] chega-se a uma experiência imediata da vida, uma experiência que sobrepuja todas as outras, a uma concepção do ser humano que tanto se espraia multiplamente, quanto penetra profundamente até as raízes do sentimento, um esclarecimento das suas emoções e paixões, que leva, sem inibições, à cálida participação e até à admiração da sua multiplicidade e grandeza. E, dentro desta participação imediata e admirada do ser humano, a indestrutibilidade do ser humano total, histórico e individual, baseada na ordem divina, dirige-se contra a ordem divina; põe a mesma a seu serviço e a obscurece. A figura do ser humano coloca-se à frente da figura de Deus. A obra de Dante tornou realidade a essência cristã-figural do homem e a destruiu na mesma realização; a poderosa moldura rompeu-se pela supremacia dos quadros que envolvia.

Erich Auerbach. Mimesis. A representação da realidade na literatura ocidental.
 São Paulo: Perspectiva, 2004, p. 175

Julgue o item a seguir, relativo ao texto de Erich Auerbach sobre a Divina Comédia, obra do poeta italiano Dante Alighieri escrita no século XIV.


Apesar de não se caracterizar como uma narrativa ficcional, o texto de Auerbach sobre a Divina Comédia evidencia alguns recursos da composição literária, entre os quais se destaca a antítese, que se apresenta como fio condutor da análise da obra de Dante.

Alternativas
Q3993093 Português

        Os ensaios da primeira parte deste livro tentam analisar alguns casos do que chamei redução estrutural, isto é, o processo por cujo intermédio a realidade do mundo e do ser se torna, na narrativa ficcional, componente de uma estrutura literária, permitindo que seja estudada em si mesma, como algo autônomo. O meu propósito é fazer uma crítica integradora, capaz de mostrar (não apenas enunciar teoricamente, como é hábito) de que maneira a narrativa se constitui a partir de materiais não literários, manipulados a fim de se tornarem aspectos de uma organização estética regida pelas suas próprias leis, não as da natureza, da sociedade ou do ser. No entanto, natureza, sociedade e ser parecem presentes em cada página, tanto assim que o leitor tem a impressão de estar em contato com realidades vitais, de estar aprendendo, participando, aceitando ou negando, como se estivesse envolvido nos problemas que eles suscitam.


Antonio Candido. Prefácio. In: O discurso e a cidade.
 São Paulo, Rio de Janeiro: Duas Cidades, Ouro sobre Azul, 2004, p. 9. 

Julgue o item seguinte, acerca dos sentidos e estruturas linguísticas do texto de Antonio Candido.


A expressão "redução estrutural" (primeiro período) refere-se à forma como a literatura promove o contato entre o leitor e a realidade a partir da reprodução exata, embora limitada, das leis vigentes no mundo e para o ser. 

Alternativas
Q3993092 Português

        Os ensaios da primeira parte deste livro tentam analisar alguns casos do que chamei redução estrutural, isto é, o processo por cujo intermédio a realidade do mundo e do ser se torna, na narrativa ficcional, componente de uma estrutura literária, permitindo que seja estudada em si mesma, como algo autônomo. O meu propósito é fazer uma crítica integradora, capaz de mostrar (não apenas enunciar teoricamente, como é hábito) de que maneira a narrativa se constitui a partir de materiais não literários, manipulados a fim de se tornarem aspectos de uma organização estética regida pelas suas próprias leis, não as da natureza, da sociedade ou do ser. No entanto, natureza, sociedade e ser parecem presentes em cada página, tanto assim que o leitor tem a impressão de estar em contato com realidades vitais, de estar aprendendo, participando, aceitando ou negando, como se estivesse envolvido nos problemas que eles suscitam.


Antonio Candido. Prefácio. In: O discurso e a cidade.
 São Paulo, Rio de Janeiro: Duas Cidades, Ouro sobre Azul, 2004, p. 9. 

Julgue o item seguinte, acerca dos sentidos e estruturas linguísticas do texto de Antonio Candido.


No segundo período, a condição atribuída à crítica integradora — "capaz de mostrar" — evidencia o estabelecimento de uma oposição entre teoria e prática, e aponta para a tentativa do crítico de revelar a dinâmica da transformação do não literário em literário que ocorre no processo da criação artística.

Alternativas
Q3993089 Português

        Os ensaios da primeira parte deste livro tentam analisar alguns casos do que chamei redução estrutural, isto é, o processo por cujo intermédio a realidade do mundo e do ser se torna, na narrativa ficcional, componente de uma estrutura literária, permitindo que seja estudada em si mesma, como algo autônomo. O meu propósito é fazer uma crítica integradora, capaz de mostrar (não apenas enunciar teoricamente, como é hábito) de que maneira a narrativa se constitui a partir de materiais não literários, manipulados a fim de se tornarem aspectos de uma organização estética regida pelas suas próprias leis, não as da natureza, da sociedade ou do ser. No entanto, natureza, sociedade e ser parecem presentes em cada página, tanto assim que o leitor tem a impressão de estar em contato com realidades vitais, de estar aprendendo, participando, aceitando ou negando, como se estivesse envolvido nos problemas que eles suscitam.


Antonio Candido. Prefácio. In: O discurso e a cidade.
 São Paulo, Rio de Janeiro: Duas Cidades, Ouro sobre Azul, 2004, p. 9. 

Julgue o item seguinte, acerca dos sentidos e estruturas linguísticas do texto de Antonio Candido.


O texto expõe um paradoxo: a produção literária deve ser autônoma, ou seja, deve distanciar-se da realidade, para que lhe seja possível alcançar a representação efetiva do mundo, da natureza, da sociedade e do ser, que só assim podem ser experimentados pelo leitor como "realidades vitais". 

Alternativas
Q3993088 Português

        "Ó Pangloss!", exclamou Cândido, "não tinhas adivinhado esta abominação; acabou-se, será preciso que afinal eu renuncie ao teu otimismo." "O que é otimismo?", dizia Cacambo. "Lamentável!", disse Cândido, "é a fúria de sustentar que tudo está bem quando se está mal." (...) [O filósofo] Pangloss dizia às vezes a Cândido: "Todos os acontecimentos estão encadeados no melhor dos mundos possíveis; pois, afinal, se não tivésseis sido expulso de um lindo castelo a grandes pontapés no traseiro pelo amor da senhorita Cunegunda, se não tivésseis sido submetido à Inquisição, se não tivésseis percorrido a América a pé, se não tivésseis dado um bom golpe de espada no barão, se não tivésseis perdido todos os vossos carneiros do bom país de Eldorado, não comeríeis aqui cidras recheadas de pistaches".


François Marie Voltaire. Cândido, ou o otimismo.
Tradução de Mário Laranjeira.São Paulo:
Penguin Classics Companhia da Letras, 2012, pp. 83 e 128. 

        Eva escutava impassível [a serpente]; Adão chegou, ouviu-os e confirmou a resposta de Eva; nada valia a perda do paraíso, nem a ciência, nem o poder, nenhuma outra ilusão da terra. Dizendo isto, deram as mãos um ao outro, e deixaram a serpente, que saiu pressurosa para dar conta ao Tinhoso... (...) E foi assim que Adão e Eva entraram no céu, ao som de todas as cítaras, que uniam as suas notas em um hino aos dois egressos da criação... Tendo acabado de falar, o juiz de fora estendeu o prato a D. Leonor para que lhe desse mais doce, enquanto os outros convivas olhavam uns para os outros, embasbacados; em vez de explicação, ouviam uma narração enigmática, ou, pelo menos, sem sentido aparente. Dona Leonor foi a primeira que falou:
        — Bem dizia eu que o Sr. Veloso estava logrando a gente. Não foi isso que lhe pedimos, nem nada disso aconteceu, não é, frei Bento?
        — Lá o saberá o Sr. Juiz – respondeu o carmelita sorrindo.
        E o juiz de fora, levando à boca uma colher de doce:
         — Pensando bem, creio que nada disso aconteceu; mas também, D. Leonor, se tivesse acontecido, não estaríamos aqui saboreando este doce, que está, na verdade, uma cousa primorosa.

Machado de Assis. Adão e Eva. In: 50 contos de Machado de Assis.
São Paulo: Companhia das Letras, 2007, pp. 363-364. 

A partir da leitura comparativa entre o texto de Voltaire e o de Machado de Assis, julgue o item a seguir, relativo a aspectos linguísticos e literários dos fragmentos.


Uma das semelhanças entre os personagens Pangloss, de Voltaire, e o juiz Sr. Veloso, de Machado de Assis, é o fato de que ambos justificam a ocorrência de acontecimentos graves ou sublimes em favor de causas leves e banais: 'cidras recheadas de pistaches' (último período do texto de Voltaire) e "este doce, que está, na verdade, uma cousa primorosa" (último período do texto de Machado de Assis). 

Alternativas
Q3993082 Português

        "Ó Pangloss!", exclamou Cândido, "não tinhas adivinhado esta abominação; acabou-se, será preciso que afinal eu renuncie ao teu otimismo." "O que é otimismo?", dizia Cacambo. "Lamentável!", disse Cândido, "é a fúria de sustentar que tudo está bem quando se está mal." (...) [O filósofo] Pangloss dizia às vezes a Cândido: "Todos os acontecimentos estão encadeados no melhor dos mundos possíveis; pois, afinal, se não tivésseis sido expulso de um lindo castelo a grandes pontapés no traseiro pelo amor da senhorita Cunegunda, se não tivésseis sido submetido à Inquisição, se não tivésseis percorrido a América a pé, se não tivésseis dado um bom golpe de espada no barão, se não tivésseis perdido todos os vossos carneiros do bom país de Eldorado, não comeríeis aqui cidras recheadas de pistaches".


François Marie Voltaire. Cândido, ou o otimismo.
Tradução de Mário Laranjeira.São Paulo:
Penguin Classics Companhia da Letras, 2012, pp. 83 e 128. 

        Eva escutava impassível [a serpente]; Adão chegou, ouviu-os e confirmou a resposta de Eva; nada valia a perda do paraíso, nem a ciência, nem o poder, nenhuma outra ilusão da terra. Dizendo isto, deram as mãos um ao outro, e deixaram a serpente, que saiu pressurosa para dar conta ao Tinhoso... (...) E foi assim que Adão e Eva entraram no céu, ao som de todas as cítaras, que uniam as suas notas em um hino aos dois egressos da criação... Tendo acabado de falar, o juiz de fora estendeu o prato a D. Leonor para que lhe desse mais doce, enquanto os outros convivas olhavam uns para os outros, embasbacados; em vez de explicação, ouviam uma narração enigmática, ou, pelo menos, sem sentido aparente. Dona Leonor foi a primeira que falou:
        — Bem dizia eu que o Sr. Veloso estava logrando a gente. Não foi isso que lhe pedimos, nem nada disso aconteceu, não é, frei Bento?
        — Lá o saberá o Sr. Juiz – respondeu o carmelita sorrindo.
        E o juiz de fora, levando à boca uma colher de doce:
         — Pensando bem, creio que nada disso aconteceu; mas também, D. Leonor, se tivesse acontecido, não estaríamos aqui saboreando este doce, que está, na verdade, uma cousa primorosa.

Machado de Assis. Adão e Eva. In: 50 contos de Machado de Assis.
São Paulo: Companhia das Letras, 2007, pp. 363-364. 

A partir da leitura comparativa entre o texto de Voltaire e o de Machado de Assis, julgue o item a seguir, relativo a aspectos linguísticos e literários dos fragmentos.


Os dois textos alcançam um efeito crítico realista semelhante: o questionamento da realidade deformada pela lógica das classes letradas, seja a do filósofo Pangloss em sua 'fúria de sustentar que tudo está bem quando se está mal', no texto de Voltaire, seja a do juiz Veloso, para quem a perda do paraíso vale o sabor de um doce, no texto de Machado de Assis.

Alternativas
Q3993075 Português

        Ainda antes do dia de São José, o prefeito inaugurou a escola, que teve a construção — com telhas de cerâmica que nenhuma casa de trabalhador poderia ter — concluída no verão. O prédio recebeu o nome de Antônio Peixoto, pai dos Peixoto. Homem que, diziam, foi proprietário da fazenda, mas nunca havia posto os pés ali. Todos os moradores estiveram presentes à inauguração: as mulheres de lenço na cabeça; os homens de chapéu e enxada na mão; as crianças rindo da novidade, um pequeno prédio de três salas, e sem o tal banheiro que ninguém tinha mesmo. Da família Peixoto se fez presente também a irmã mais velha, que nunca havia visto por ali. (...) Quando retiraram o papel que cobria a placa com o nome de seu pai falecido, ela quase caiu, num choro convulsivo que fez com que seus irmãos a amparassem para que não desabasse de vez no chão. Nenhuma palavra de agradecimento a meu pai, que, na noite em que celebrava o jerê de santa Bárbara, havia pedido, quase ordenado, o cumprimento da promessa de construção da escola feita à santa no passado. Mas ele estava lá, em pé, um dos primeiros da audiência, segurando a mão de Domingas, e ao lado de minha mãe, com o rosto satisfeito. Pouco importava, poderia ver em seu semblante a luta que havia travado com as forças da encantada santa Bárbara para que tivéssemos um destino diferente do seu, para que não fôssemos analfabetos. Meu pai não sabia nem mesmo assinar o nome, e fez o que estava ao seu alcance para trazer uma escola para a fazenda, para que aprendêssemos letra e matemática.


Itamar Vieira Júnior. Torto arado. São Paulo: Todavia, 2018, p. 95-96. 

Julgue o item que se segue, em relação ao texto precedente. 


No texto, o foco narrativo na primeira pessoa, identificado tanto na flexão verbal quanto no sistema pronominal, evidencia a ênfase na função emotiva da linguagem, sendo o ponto de vista de um personagem interno à narrativa recurso argumentativo que confere veracidade aos acontecimentos narrados. 

Alternativas
Q3993074 Português

        Ainda antes do dia de São José, o prefeito inaugurou a escola, que teve a construção — com telhas de cerâmica que nenhuma casa de trabalhador poderia ter — concluída no verão. O prédio recebeu o nome de Antônio Peixoto, pai dos Peixoto. Homem que, diziam, foi proprietário da fazenda, mas nunca havia posto os pés ali. Todos os moradores estiveram presentes à inauguração: as mulheres de lenço na cabeça; os homens de chapéu e enxada na mão; as crianças rindo da novidade, um pequeno prédio de três salas, e sem o tal banheiro que ninguém tinha mesmo. Da família Peixoto se fez presente também a irmã mais velha, que nunca havia visto por ali. (...) Quando retiraram o papel que cobria a placa com o nome de seu pai falecido, ela quase caiu, num choro convulsivo que fez com que seus irmãos a amparassem para que não desabasse de vez no chão. Nenhuma palavra de agradecimento a meu pai, que, na noite em que celebrava o jerê de santa Bárbara, havia pedido, quase ordenado, o cumprimento da promessa de construção da escola feita à santa no passado. Mas ele estava lá, em pé, um dos primeiros da audiência, segurando a mão de Domingas, e ao lado de minha mãe, com o rosto satisfeito. Pouco importava, poderia ver em seu semblante a luta que havia travado com as forças da encantada santa Bárbara para que tivéssemos um destino diferente do seu, para que não fôssemos analfabetos. Meu pai não sabia nem mesmo assinar o nome, e fez o que estava ao seu alcance para trazer uma escola para a fazenda, para que aprendêssemos letra e matemática.


Itamar Vieira Júnior. Torto arado. São Paulo: Todavia, 2018, p. 95-96. 

Julgue o item que se segue, em relação ao texto precedente. 


A referência, no primeiro período do texto, ao uso de telhas de cerâmica na construção da escola evidencia a valorização, por parte dos proprietários da terra, da instituição educacional como meio de superação do analfabetismo no meio rural.

Alternativas
Q3993071 Português

        Carta LXV
        Ao padre provincial do Brasil 1654  

        Com esta frota partimos pelo rio Tocantins, aproveitando-nos da enchente da maré, que só até aqui nos acompanhou, prometendo-nos muita felicidade na jornada. (...) À meia noite fizemos pabóca, que é a frase com que cá se chama o partir, corrompendo a palavra da terra, e nos dias seguintes passamos às praias da viração. Parecerá que se chamam assim por correr nelas vento fresco; mas a razão por que os portugueses lhe deram este nome é a que direi a V. Rev.ma. Nos meses de outubro e novembro, saem do mar e do rio do Pará grande quantidade de tartarugas, que vêm criar nos areais de algumas ilhas que pelo meio deste Tocantins estão lançadas. (...) A estas mesmas praias vem, no seu tempo, quase todo o Pará a fazer a pesca das tartarugas. (...) A carne é como a de carneiro, e se fazem dela os mesmos guisados, que mais parecem de carne que de pescado. Os ovos são como os de galinha na cor, e quase no sabor, a casca, mais branca, e de figura diferente, porque são redondos (...); e o modo como se faz esta pesca requer mais notícia que indústria, pela muita cautela e pouca resistência das tartarugas. Quando vêm a desembarcar nestas praias, trazem diante duas, como sentinelas, que vêm a espiar com muita pausa; logo depois destas, com bom espaço vêm oito ou dez, como descobridores do campo, e depois delas, em maior distância, vem todo o exército das tartarugas, que consta de muito milhares. Se as primeiras e as segundas sentem algum rumor, voltam para trás, e todas se somem num momento: por isso os que vêm à pesca se escondem todos atrás dos matos e esperam de emboscada com grande quietação e silêncio. Saem, pois, as duas primeiras espias, passeiam de alto a baixo toda a praia, e como estas acham o campo livre, saem também as da vanguarda, e fazem muito devagar a mesma vigia e, como dão a campanha por segura, entram à água e voltam, e depois dela sai toda a multidão do exército com os escudos às costas, e começam a cobrir as praias e correr em grande tropel para o mais alto delas. Aplica-se cada uma a fazer sua cova, e, quando já não saem mais e estão entretidas umas no trabalho, outras já na dor daquela ocupação, rebentam então os pescadores da emboscada, tomam a parte da praia e, remetendo as tartarugas, não fazem mais que ir virando e deixando, porque em estando viradas de costas não se podem mais bulir, e por isso estas praias e estas tartarugas se chamam de viração (...).

Antônio Vieira. Cartas. V. 1, São Paulo: Globo, p. 277-279. 

A respeito do texto precedente e de seus aspectos linguísticos e literários, julgue o item a seguir.


O texto pertence ao gênero epistolar, em que se sobressai a função conativa da linguagem, evidenciada pela interpelação do interlocutor por meio de expressão honorífica, bem como pelo uso de referenciação locativa orientada deiticamente pela relação com o interlocutor. 

Alternativas
Q3993070 Português

        Carta LXV
        Ao padre provincial do Brasil 1654  

        Com esta frota partimos pelo rio Tocantins, aproveitando-nos da enchente da maré, que só até aqui nos acompanhou, prometendo-nos muita felicidade na jornada. (...) À meia noite fizemos pabóca, que é a frase com que cá se chama o partir, corrompendo a palavra da terra, e nos dias seguintes passamos às praias da viração. Parecerá que se chamam assim por correr nelas vento fresco; mas a razão por que os portugueses lhe deram este nome é a que direi a V. Rev.ma. Nos meses de outubro e novembro, saem do mar e do rio do Pará grande quantidade de tartarugas, que vêm criar nos areais de algumas ilhas que pelo meio deste Tocantins estão lançadas. (...) A estas mesmas praias vem, no seu tempo, quase todo o Pará a fazer a pesca das tartarugas. (...) A carne é como a de carneiro, e se fazem dela os mesmos guisados, que mais parecem de carne que de pescado. Os ovos são como os de galinha na cor, e quase no sabor, a casca, mais branca, e de figura diferente, porque são redondos (...); e o modo como se faz esta pesca requer mais notícia que indústria, pela muita cautela e pouca resistência das tartarugas. Quando vêm a desembarcar nestas praias, trazem diante duas, como sentinelas, que vêm a espiar com muita pausa; logo depois destas, com bom espaço vêm oito ou dez, como descobridores do campo, e depois delas, em maior distância, vem todo o exército das tartarugas, que consta de muito milhares. Se as primeiras e as segundas sentem algum rumor, voltam para trás, e todas se somem num momento: por isso os que vêm à pesca se escondem todos atrás dos matos e esperam de emboscada com grande quietação e silêncio. Saem, pois, as duas primeiras espias, passeiam de alto a baixo toda a praia, e como estas acham o campo livre, saem também as da vanguarda, e fazem muito devagar a mesma vigia e, como dão a campanha por segura, entram à água e voltam, e depois dela sai toda a multidão do exército com os escudos às costas, e começam a cobrir as praias e correr em grande tropel para o mais alto delas. Aplica-se cada uma a fazer sua cova, e, quando já não saem mais e estão entretidas umas no trabalho, outras já na dor daquela ocupação, rebentam então os pescadores da emboscada, tomam a parte da praia e, remetendo as tartarugas, não fazem mais que ir virando e deixando, porque em estando viradas de costas não se podem mais bulir, e por isso estas praias e estas tartarugas se chamam de viração (...).

Antônio Vieira. Cartas. V. 1, São Paulo: Globo, p. 277-279. 

A respeito do texto precedente e de seus aspectos linguísticos e literários, julgue o item a seguir.


Ao descrever a captura de tartarugas para consumo alimentar, na região do Pará, o autor recorre à linguagem metafórica pelo uso da expressão "toda a multidão do exército com os escudos às costas", para se referir aos artefatos usados pelos pescadores na emboscada.

Alternativas
Q3993064 Português

        Ao reconhecer aos povos indígenas o direito às terras que habitam, a Constituição Federal de 1988 favoreceu processos de demarcação de territórios, que continuam a ser feitos até hoje. Em todas as regiões do Brasil, as reivindicações geraram uma profusão de relatórios, laudos e pareceres, produzidos por grupos técnicos, que realizam os estudos etno-históricos, antropológicos, ambientais e cartográficos exigidos pela legislação. Em cada uma dessas iniciativas, consta um elemento em comum: os mapas. Há representações oficiais, feitas no período colonial, no Império e na República. Há desenhos feitos à mão pelos moradores ou produzidos com a ajuda de sistemas de navegação por satélite, como o GPS, e aplicativos. Por conseguinte, a cartografia vem ganhando importância na área da antropologia, em contextos como a formação de professores indígenas, a demarcação e a gestão ambiental de suas terras, a produção de laudos para a regularização fundiária.

        Nas demarcações, tem sido fundamental a cartografia histórica, sobretudo para a análise de mapas produzidos na segunda metade do século XVIII, após a assinatura do Tratado de Madrid, que delimitou os territórios pertencentes a Portugal e Espanha na América do Sul, em 1750, afirma a historiadora Íris Kantor. "Nesse período, os mapas foram confeccionados por expedições militares e científicas que visavam urbanizar os indígenas, além de terem facilitado a construção de fortalezas, a instalação de registros fiscais e o reconhecimento das vias de comunicação terrestres e fluviais. Hoje, a disponibilização da cartografia digital em alta resolução e a catalogação dos espécimes cartográficos permitem fazer um uso 'contracolonial' desses suportes de informação geográfica bidimensionais", afirma. Além disso, o uso dos mapas históricos exige conhecimentos variados. Eles são classificados segundo critérios como o suporte material, a linguagem gráfica e o público destinatário. Na elaboração dos laudos técnicos, a presença ou ausência de topônimos nos mapas possibilita a reconstituição das sucessivas formas de ocupação de uma área geográfica, considerando-se ainda as famílias de mapas da região. Esse método requer o conhecimento da história das línguas indígenas e suas interações com as línguas dos colonizadores.


Diego Viana. Quando o mapa é o território.

In: Pesquisa FAPESP, maio 2023, ano 24, n. 327, p. 74-79 (com adaptações). 

Em relação às ideias e a aspectos linguísticos e textuais do texto precedente, julgue o item seguinte.


Mantêm-se a correção gramatical e a coerência das ideias do texto caso o comentário da historiadora no segundo período do segundo parágrafo seja assim reestruturado: A confecção dos mapas foi realizada nesse período, por expedições militares e científicas constituídas afim de urbanizar os indígenas, além de que auxiliaram na construção de fortalezas, na instalação de registros fiscais e no reconhecimento das vias de comunicação terrestres e fluviais.

Alternativas
Q3992971 Português
Qual das alternativas a seguir apresenta uma opinião? 
Alternativas
Q3992970 Português
     A região de Foz do Iguaçu foi descoberta em 1542, através da expedição colonizadora de Alvarez Nuñez Cabeza de Vaca, capitão espanhol, que juntamente com toda a sua expedição foi guiado por índios guaranis. A expedição partiu do litoral de Santa Catarina em direção a Assunção, atravessando todo o Estado do Paraná no sentido leste-oeste até as encostas do rio Paraná, tendo então se deparado com as Cataratas do Iguaçu, na oportunidade batizadas como Cachoeira de Santa Maria.

      Assim, o que se deduz é que a colonização da região deu-se em duas etapas distintas. A primeira delas teve início em 1888 e foi marcada pela instalação da Colônia Militar do Iguaçu, o primeiro e mais representativo ato que caracterizou a presença do mundo civilizado. Além de marcar o território que era acirradamente disputado por portugueses e espanhóis, a missão da colônia, fundada então pelos espanhóis, era tomar posse da região e conter o avanço dos portugueses. 

       A segunda etapa da colonização começou somente em 14 de março de 1914, quando foi criado o município do Iguassu, instalado em 10 de junho daquele mesmo ano. A partir daí começaram a chegar os colonizadores, principalmente imigrantes europeus, na sua maioria alemães e italianos, que asseguravam sua fonte de renda através da produção de erva-mate e do corte de madeira, as duas principais atividades econômicas da época. Ao sair de suas regiões em busca de uma vida melhor para si e seus filhos, o caminho percorrido por esses pioneiros chegava sempre em Foz do Iguaçu. 


Fonte: https://saomiguel.pr.gov.br/o-municipio/historia/

Assinale a alternativa cuja reescrita está estruturalmente adequada e mantém o sentido geral deste período:

Além de marcar o território que era acirradamente disputado por portugueses e espanhóis, a missão da colônia, fundada então pelos espanhóis, era tomar posse da região e conter o avanço dos portugueses (2º §). 
Alternativas
Respostas
2881: E
2882: D
2883: C
2884: D
2885: B
2886: C
2887: E
2888: C
2889: E
2890: C
2891: C
2892: C
2893: C
2894: E
2895: E
2896: C
2897: E
2898: E
2899: D
2900: A