Julgue o item que se segue, em relação ao texto precedente. ...
Ainda antes do dia de São José, o prefeito inaugurou a escola, que teve a construção — com telhas de cerâmica que nenhuma casa de trabalhador poderia ter — concluída no verão. O prédio recebeu o nome de Antônio Peixoto, pai dos Peixoto. Homem que, diziam, foi proprietário da fazenda, mas nunca havia posto os pés ali. Todos os moradores estiveram presentes à inauguração: as mulheres de lenço na cabeça; os homens de chapéu e enxada na mão; as crianças rindo da novidade, um pequeno prédio de três salas, e sem o tal banheiro que ninguém tinha mesmo. Da família Peixoto se fez presente também a irmã mais velha, que nunca havia visto por ali. (...) Quando retiraram o papel que cobria a placa com o nome de seu pai falecido, ela quase caiu, num choro convulsivo que fez com que seus irmãos a amparassem para que não desabasse de vez no chão. Nenhuma palavra de agradecimento a meu pai, que, na noite em que celebrava o jerê de santa Bárbara, havia pedido, quase ordenado, o cumprimento da promessa de construção da escola feita à santa no passado. Mas ele estava lá, em pé, um dos primeiros da audiência, segurando a mão de Domingas, e ao lado de minha mãe, com o rosto satisfeito. Pouco importava, poderia ver em seu semblante a luta que havia travado com as forças da encantada santa Bárbara para que tivéssemos um destino diferente do seu, para que não fôssemos analfabetos. Meu pai não sabia nem mesmo assinar o nome, e fez o que estava ao seu alcance para trazer uma escola para a fazenda, para que aprendêssemos letra e matemática.
Itamar Vieira Júnior. Torto arado. São Paulo: Todavia, 2018, p. 95-96.
Julgue o item que se segue, em relação ao texto precedente.
A referência, no primeiro período do texto, ao uso de telhas de cerâmica na construção da escola evidencia a valorização, por parte dos proprietários da terra, da instituição educacional como meio de superação do analfabetismo no meio rural.
Comentários
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“O prédio recebeu o nome de Antônio Peixoto, pai dos Peixoto. Homem que, diziam, foi proprietário da fazenda, mas nunca havia posto os pés ali.” GAB ERRADO
O item afirma que o uso das telhas de cerâmica evidencia a valorização por parte dos proprietários da terra. O texto mostra o exato oposto por meio de duas evidências claras:
- A contradição social: O trecho "com telhas de cerâmica que nenhuma casa de trabalhador poderia ter" funciona como uma ironia e uma denúncia da desigualdade. A escola ganha um teto luxuoso para os padrões locais, enquanto os trabalhadores vivem na precariedade.
- Quem realmente lutou pela escola: O texto deixa explícito que quem se moveu, lutou espiritualmente e exigiu a escola foi o pai da narradora (um trabalhador analfabeto, que "fez o que estava ao seu alcance" cobrando uma promessa feita a Santa Bárbara). Os proprietários (a família Peixoto) nem sabiam o que acontecia ali: o homenageado, Antônio Peixoto, "nunca havia posto os pés ali", e a irmã mais velha "nunca havia visto por ali".
A escola receber o nome do antigo proprietário e ter telhas caras não é sinal de "valorização da educação pelos donos da terra", mas sim de apropriação política e simbólica (por parte do prefeito e dos latifundiários) do esforço real dos trabalhadores da fazenda.
Gabarito Oficial: Errado
GEMINI
Errado - traz alusão à nobreza da escola comparado as casas humildes da zona rural
NA VERDADE OS DONOS DA TERRA NÃO ESTAVAM NEM AÍ PARA A CONSTRUÇÃO DA ESCOLA.TODAVIA,O PAI DA NARRADORA SIM
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