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Q3993089 Português

        Os ensaios da primeira parte deste livro tentam analisar alguns casos do que chamei redução estrutural, isto é, o processo por cujo intermédio a realidade do mundo e do ser se torna, na narrativa ficcional, componente de uma estrutura literária, permitindo que seja estudada em si mesma, como algo autônomo. O meu propósito é fazer uma crítica integradora, capaz de mostrar (não apenas enunciar teoricamente, como é hábito) de que maneira a narrativa se constitui a partir de materiais não literários, manipulados a fim de se tornarem aspectos de uma organização estética regida pelas suas próprias leis, não as da natureza, da sociedade ou do ser. No entanto, natureza, sociedade e ser parecem presentes em cada página, tanto assim que o leitor tem a impressão de estar em contato com realidades vitais, de estar aprendendo, participando, aceitando ou negando, como se estivesse envolvido nos problemas que eles suscitam.


Antonio Candido. Prefácio. In: O discurso e a cidade.
 São Paulo, Rio de Janeiro: Duas Cidades, Ouro sobre Azul, 2004, p. 9. 

Julgue o item seguinte, acerca dos sentidos e estruturas linguísticas do texto de Antonio Candido.


O texto expõe um paradoxo: a produção literária deve ser autônoma, ou seja, deve distanciar-se da realidade, para que lhe seja possível alcançar a representação efetiva do mundo, da natureza, da sociedade e do ser, que só assim podem ser experimentados pelo leitor como "realidades vitais". 

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Comentários

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"... a narrativa se constitui a partir de materiais não literários, manipulados a fim de se tornarem aspectos de uma organização estética regida pelas suas próprias leis, não as da natureza... No entanto, natureza, sociedade e ser parecem presentes em cada página..."

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|-> eis o paradoxo: enquanto a produção literária tenta ser autônoma, manipula para criar as próprias "leis", a "realidade" (natureza, sociedade e ser) está atuante nela, também.

GABARITO: C

O texto apresenta justamente esse aparente paradoxo:

  • a literatura deve se tornar uma estrutura autônoma (“algo autônomo”);
  • para isso, ela se distancia da realidade direta;
  • porém, esse afastamento permite que a narrativa represente de forma mais profunda a natureza, a sociedade e o ser humano, fazendo o leitor sentir contato com “realidades vitais”.

O trecho que sustenta isso é:“a narrativa se constitui [...] manipulados a fim de se tornarem aspectos de uma organização estética regida pelas suas próprias leis”

e depois:“natureza, sociedade e ser parecem presentes em cada página”

Ou seja:

  • a obra literária ganha autonomia estética;
  • mas continua produzindo uma representação intensa da realidade.

A ideia do paradoxo é ao se distanciar da realidade, a literatura alcança a representação do mundo, da natureza, da sociedade e do ser. Ou seja, se distanciar da realidade para "representar a realidade"...

errei por achar que fosse referente ao parodoxo que exprime concessão discreta.

oxe, perai.

olhem a afimarção da questão : O texto expõe um paradoxo: a produção literária deve ser autônoma, ou seja, deve distanciar-se da realidade, para que lhe seja possível alcançar a representação efetiva do mundo, da natureza, da sociedade e do ser, que só assim podem ser experimentados pelo leitor como "realidades vitais".

olhem o que o texto diz: Os ensaios da primeira parte deste livro tentam analisar alguns casos do que chamei redução estrutural, isto é, o processo por cujo intermédio a realidade do mundo e do ser se torna, na narrativa ficcional, componente de uma estrutura literária, permitindo que seja estudada em si mesma, como algo autônomo.  

o texto não diz que a produção literária deve ser autônoma, diz que : a redução estrutural é o processo que possibilita a literatura ser ESTUDADA de forma autônoma. Ser produzida de forma autônoma e ser estudada de forma autônoma são duas coisas completamente distintas.

O texto fala sobre o método crítico dele. O que é "estudada em si mesma, como algo autônomo"? É a realidade do mundo e do ser depois que ela foi transformada em componente da estrutura literária.

Candido está dizendo que a literatura engole a realidade e a processa de tal forma (redução estrutural) que a crítica pode pegar aquela realidade que está dentro do livro e estudá-la de forma autônoma, sem precisar ficar recorrendo a manuais de sociologia ou história externa.

A banca pegou o adjetivo "autônomo", que o texto aplicou ao objeto de estudo da crítica, e jogou incorretamente para cima do sujeito "produção literária", como se fosse uma obrigação do escritor ("a produção literária deve ser autônoma").

 o texto diz que a organização estética é regida por leis próprias, mas isso é a consequência do processo estético, e não um imperativo cego de distanciamento, tanto que o autor fecha dizendo que a realidade continua ali, pulsando na cara do leitor ("presentes em cada página").

sinceramente não consigo compreender o porquê deram essa questão como "CERTO"

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