Questões de Concurso Sobre funções morfossintáticas da palavra que em português

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Q3984426 Português

Leia:

Q10.png (358×100)


Na manchete da notícia, a palavra destacada é classificada corretamente como:

Alternativas
Q3984338 Português
A alternativa onde a palavra QUE é um pronome relativo desempenhando a função de SUJEITO é:
Alternativas
Q3983848 Português
A alternativa onde a palavra QUE é um pronome relativo desempenhando a função de SUJEITO é:
Alternativas
Q3967782 Português
Atenção: Leia o conto “A condição geral”, de Carlos Drummond de Andrade, para responder à questão.


   O barro entendia que estavam abusando de sua docilidade para fabricar cerâmicas vulgares. A água queixou-se de recolher todas as imundícies da Terra, ela que sempre foi sinônimo de limpeza. O boi nem precisou falar: era a imagem da revolta contra o sacrifício da espécie - de todas as espécies imoladas. “E a mim?”-gemeu a árvore -, “a mim, que desempenho função vital no sistema da Terra, tacam-me fogo ou retalham-me a serra e o machado”.

   Os quatro concordaram que não está direito. Reclamaram do homem, que lhes declarou que não podia fazer nada. Vive onerado de impostos, afligido de doenças, e mal tem tempo de se coçar. ‘‘Em vez de me coçar”, acrescentou, “assisto a seriados americanos de televisão, enquanto não se inventa outra coisa. E me entedio. Voltem para seus lugares e guardem o que lhes digo. Vocês pensam que ser homem é fácil?”


(Adaptado de: ANDRADE, Carlos Drummond de. Contos plausíveis. São Paulo: Companhia das Letras, 2012)
Retoma um termo mencionado anteriormente no texto a palavra sublinhada em:
Alternativas
Q3799321 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Países da União Europeia aprovam lei histórica para restauração de ecossistemas


Os países da União Europeia aprovaram nesta segunda-feira (17) uma política emblemática para restaurar ecossistemas, após meses de atraso.

A chamada lei de restauração da natureza está entre as maiores medidas ambientais da União Europeia. Ela exige, entre outros pontos, que os Estados-membros introduzam medidas de restauração de um quinto de suas terras e mares até 2030.

Os ministros do Meio Ambiente dos países do bloco apoiaram a política em uma reunião em Luxemburgo, o que significa que agora ela pode ser transformada em lei.

A votação foi realizada depois que a A ministra do Meio Ambiente da Áustria, Leonore Gewessler, dos Verdes, desafiou seus parceiros de coalizão conservadores, comprometendo-se a apoiar a política dando, assim, − apoio suficiente para a medida ser aprovada.

"Sei que enfrentarei oposição na Áustria em relação a isso, mas estou convencida de que este é o momento de adotar essa lei", disse Gewessler à imprensa.

A política tem como objetivo reverter o declínio dos habitats naturais da Europa e inclui metas específicas, por exemplo, para restaurar as terras de turfa para que possam absorver as emissões de CO2.

De acordo com a UE, 81% dos habitats da região são classificados como tendo saúde precária e até 70% dos solos se encontram em mau estado de conservação.

A iniciativa da ministra austríaca irritou o Partido Popular, conservador, do chanceler Karl Nehammer, que se opõe à lei. A ministra do partido para assuntos da UE, Karoline Edtstadler, afirmou que o voto favorável de Gewessler seria inconstitucional.

A Bélgica, que detém a presidência rotativa da União Europeia e preside as reuniões de ministros, disse que a disputa do governo austríaco não afetaria a legalidade do voto dos ministros do bloco.

Os países da UE e o Parlamento Europeu negociaram um acordo sobre a lei no ano passado, mas ela foi alvo de críticas de alguns governos nos últimos meses, em meio a protestos de agricultores contrários às regulamentações europeias.

Finlândia, Hungria, Itália, Holanda, Polônia e Suécia votaram contra a lei na segunda-feira. A Bélgica se absteve.

Os países da UE haviam planejado aprovar a política em março, mas cancelaram a votação depois que a Hungria inesperadamente retirou seu apoio, eliminando a pequena maioria a favor. 

Pelo texto, entre outros pontos, os países serão forçados a manter inalteradas as suas áreas de espaços verdes e arborizados nas cidades em 2030, em relação a como estavam em 2021. Há, contudo, algumas exceções, válidas para lugares em que os espaços verdes já constituem 45% dos ecossistemas urbanos.

A lei aprovada também prevê eliminar obstáculos (por exemplo, algumas pequenas barragens obsoletas) nos rios, para atingir pelo menos 25 mil km de hidrovias até 2030, para uma melhor "conectividade natural".

No mesmo período, os Estados deverão ter adotado medidas que permitam o desenvolvimento de vários indicadores florestais, com o objetivo de plantar pelo menos três bilhões de árvores até 2030.

As nações têm até 2050 para aplicarem medidas de restauração em todas as áreas exigidas na lei. O texto oferece, porém, uma flexibilidade para os países cuja maior parte de seu território é coberta por um único tipo de ecossistema, como os países escandinavos.

Nesses lugares, deverão ser tomadas medidas para alcançar "tendências crescentes", até o final de 2030, para dois dos três indicadores previstos na lei. Além disso, nesses casos, o texto define metas populacionais para aves.

A norma prevê que 30% das zonas úmidas drenadas utilizadas na agricultura devem ser restauradas até 2030, para atingir 40% em 2040 e 50% em 2050, com o objetivo de reativar os sumidouros naturais de carbono.

Peça-chave do Acordo Verde Europeu, esta legislação passou por uma longa e complexa negociação no Parlamento.

Na avaliação inicial, os eurodeputados eliminaram um artigo relativo às terras agrícolas. Esse tópico, posteriormente, foi restabelecido, ainda que de forma simplificada.

A meta de expandir as zonas de "alta diversidade" para 10% das terras agrícolas do bloco foi rejeitada pela oposição dos eurodeputados de direita, que a viam como uma ameaça à segurança alimentar.

Também foi incluído um mecanismo para suspender a aplicação das disposições do texto em caso de circunstâncias "excepcionais", sobretudo em caso de "consequências graves sobre a disponibilidade de terras necessárias para garantir uma produção suficiente para  o consumo da UE".

Esse "freio emergencial" pode ser ativado pela Comissão Europeia o − braço executivo da EU por um período − máximo de um ano.


Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/. Acesso em: 17 jun. 2024. 
"A Bélgica, que detém a presidência rotativa da União Europeia e preside as reuniões de ministros, disse que a disputa do governo austríaco não afetaria a legalidade do voto dos ministros do bloco."

As duas ocorrências do "que" no período acima se classificam, respectivamente, como
Alternativas
Q3740175 Português
Dentre as alternativas a seguir, assinale aquela na qual o termo “que” desempenha função de conjunção.
Alternativas
Q3739380 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.



Novas regras dificultam imigração para o Reino Unido



A partir de março, entrarão em vigor novas regras de imigração no Reino Unido.


O governo britânico tem como meta reduzir a migração legal, após estatísticas oficiais terem mostrado que o saldo migratório — a diferença entre o número de imigrantes e emigrantes — atingiu 745.000 em 2022, um recorde. Ou seja, o país "ganhou" 745.000 estrangeiros no ano passado.


Isso acendeu o alerta vermelho no governo, que tem prometido, a cada eleição, reduzir a imigração — legal e irregular — para o país.


Em artigo ao tabloide inglês The Sun, o primeiro-ministro do Reino Unido, Rishi Sunak, escreveu "Se você não pode contribuir com o Reino Unido, você não virá para o Reino Unido".


O número de brasileiros que imigra legalmente para lá é baixo, em comparação a outras nacionalidades. Mas os brasileiros estão entre os afetados pelas novas regras.


De janeiro a setembro deste ano, segundo dados do Ministério do Interior britânico, quatro mil vistos foram concedidos a cidadãos brasileiros. Esse número inclui todo o tipo de visto, como o de trabalho, de estudante e de família.


Brasileiros não necessitam de visto em viagens de turismo ou negócios para o Reino Unido em estadias de até cento e oitenta dias.


As regras também impactam aqueles que já vivem legalmente no país e pretendem, por exemplo, trazer cônjuges ou parentes para morar com eles.


Segundo o Itamaraty, duzentos e vinte mil brasileiros vivem no Reino Unido.


A principal mudança é o aumento do salário mínimo exigido, tanto para conseguir um visto de trabalho quanto para trazer um dependente: 38.700 libras brutas por ano (ou cerca de R$ 240 mil, na cotação atual).


Esse patamar é "irreal" na opinião da advogada de imigração brasileira Vitoria Nabas, que assessora empresas de pequeno e médio porte no processo de tramitação de vistos de trabalho.


"Estou estarrecida com tudo e extremamente frustrada como advogada atuante nesta área há mais de vinte anos. Não há dúvida de que o governo tenta fechar as portas cada vez mais para a imigração", diz ela.


Muitos especialistas concordam com Nabas e criticaram o anúncio do governo. Eles demonstraram preocupação sobretudo com o impacto na economia do Reino Unido, que deve crescer apenas 0,4% neste ano.


Para se ter uma ideia, segundo o Escritório de  Estatísticas Nacionais (ONS, na sigla em inglês), o salário anual bruto médio para quem trabalha em tempo integral no Reino Unido era de 34.963 libras em abril deste ano.


No caso específico dos brasileiros, Nabas diz acreditar que os mais afetados serão aqueles que já vivem no Reino Unido e querem trazer cônjuges e outros membros da família para morar com eles.


"Imagine, por exemplo, um entregador de delivery que viva legalmente no Reino Unido e queira trazer a esposa e os filhos para viver com ele aqui. Ou o restante de sua família. A maioria deles não ganha um salário de 38,7 mil libras por ano", diz.


Nabas lembra, ainda, que muitos trabalhadores autônomos tampouco declaram o rendimento real ao fisco, o que é contra a lei, para evitar pagar mais imposto.


A especialista também destaca que, em sua visão, esse nível salarial é superior ao que a maioria das empresas a quem presta assessoria oferece.


Segundo ela, as ofertas de emprego que pagam salários na casa das quarenta mil libras por ano são raras, mesmo para trabalhadores qualificados.



https://www.bbc.com/portuguese/articles/cyj23y

4nr12o. Adaptado.

.

Isso acendeu o alerta vermelho no governo, 'que' tem prometido, a cada eleição, reduzir a imigração — legal e irregular — para o país.



O termo destacado na frase trata-se de:

Alternativas
Q3738049 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.



O alerta de médicos após homem ter garganta perfurada ao tentar conter espirro



Uma equipe médica emitiu um alerta depois que um homem teve a garganta perfurada ao tentar conter um espirro.


O paciente, que tinha por volta de 30 anos, foi levado ao hospital na Inglaterra, com fortes dores após ter fechado o nariz e a boca para não espirrar.


Os exames revelaram que ele sofreu uma ruptura de dois milímetros na traqueia.


Médicos da Universidade de Dundee disseram que, se você fechar a boca e o nariz durante um espirro, a pressão nas vias aéreas superiores aumenta cerca de vinte vezes.


Isso causa lesões, como ruptura de tímpanos, aneurismas e até costelas quebradas.


O caso foi documentado na revista médica BMJ Case Reports.


Um rompimento repentino na garganta, conhecido clinicamente como "ruptura traqueal espontânea", é raro e pode ser potencialmente fatal.


Apenas alguns casos foram relatados, incluindo um em 2018, quando um homem também na Inglaterra teve uma lesão ao tentar conter um espirro.


No novo caso relatado, médicos examinaram o paciente e ouviram um estalo ao tocar seu pescoço.


O homem, que não foi identificado, dirigia no momento do espirro e tinha histórico de alergias e irritação na garganta.


O paciente não necessitou de tratamento cirúrgico e foi mantido em observação no hospital.


Teve alta e recebeu medicação analgésica e anti-histamínica. Os médicos também aconselharam evitar atividades físicas extenuantes por duas semanas.


Cinco semanas depois, um exame mostrou que a lesão havia cicatrizado.


Rasads Misirovs, principal autor do relato do caso, disse à BBC que se deve permitir que espirros escapem porque são o mecanismo de defesa natural do corpo para expelir substâncias irritantes das passagens nasais.


"Devemos cobrir suavemente o rosto com a mão ou com a parte interna do cotovelo para evitar que agentes como vírus, junto com saliva e muco, cheguem às pessoas ao redor."


Ele acrescentou que existem alguns métodos que as pessoas podem usar para reprimir espirros sem fechar o nariz e a boca.


 "Pessoalmente, utilizo outra técnica: pressiono o polegar no lábio superior, logo abaixo do nariz, sem bloquear fossas nasais por alguns segundos; isso funciona para mim", disse ele.


"Ao deixar as narinas abertas, o espirro escapa se a pressão dos lábios não funcionar."



https://www.bbc.com/portuguese/articles/c4ny5xqe

1e7o. Adaptado.

.        



Ele acrescentou 'que' existem alguns métodos 'que' as pessoas podem usar para reprimir espirros sem fechar o nariz e a boca.

Os vocábulos destacados são, respectivamente:
Alternativas
Q3737338 Português

Atenção: Leia o conto "A condição geral", de Carlos Drummond de Andrade, para responder à questão


    O barro entendia que estavam abusando de sua docilidade para fabricar cerâmicas vulgares. A água queixou-se de recolher todas as imundícies da Terra, ela que sempre foi sinônimo de limpeza. O boi nem precisou falar: era a imagem da revolta contra о sacrificio da espécie -de todas as espécies imoladas. "E a mim?" -gemeu a árvore-, "a mim, que desempenho função vital no sistema da Terra, tacam-me fogo ou retalham-me a serra e o machado".

    Os quatro concordaram que não está direito. Reclamaram do homem, que lhes declarou que não podia fazer nada. Vive onerado de impostos, afligido de doenças, e mal tem tempo de se coçar. "Em vez de me coçar", acrescentou, "assisto a seriados americanos de televisão, enquanto não se inventa outra coisa. E me entedio. Voltem para seus lugares e guardem o que lhes digo. Vocês pensam que ser homem é fácil?" 


(Adaptado de: ANDRADE, Carlos Drummond de. Contos plausíveis. São Paulo: Companhia das Letras, 2012)

Retoma um termo mencionado anteriormente no texto a palavra sublinhada em:
Alternativas
Q3736989 Português
A partícula "que" pode exercer diferentes funções gramaticais dentro das orações. No trecho "A pesquisadora destaca que¹ "são múltiplos os fatores que² ligam a renda com viver mais", ela aparece duas vezes, exercendo, respectivamente, a(s) função (ões) de
Alternativas
Q3736818 Português

A importância da leitura


(Disponível em: www.novaescola.org.br – texto adaptado especialmente para essa prova). 

 De acordo com Cegalla, “muitas conjunções não têm classificação única, devendo, portanto, ser classificadas de acordo com o sentido que apresentam no contexto”. Assim considerando, a conjunção “que” pode ser, entre outras possibilidades:


I. Aditiva, quando tiver valor de “e”, como em “limpar que limpa, mas a sujeira não sai”.

II. Integrante, conforme ocorre em “os meninos que brincam muito são felizes”.

III. Comparativa, quando tiver valor de “ainda que”, como em “alguns minutos que fossem, ainda seria muito tempo”.


Quais estão corretas?

Alternativas
Q3730395 Português

Leia:

Imagem associada para resolução da questão 


Na manchete da notícia, a palavra destacada é classificada corretamente como: 

Alternativas
Q3669741 Português
Para quê tanta saúde?

Publicado em 11/09/2023
Paulo Pestana
Crônica

Foram meses de negociação, mas o amigo cedeu: aceitou ir à nutróloga. É preciso dizer que ele se esqueceu de ler _____ letras miúdas do acordo com a esposa, porque nem sabia que existia essa profissão. Se soubesse que nutrólogos são médicos que avaliam o comportamento alimentar do cristão, provavelmente a negociação teria sido mais dura.

Esse amigo é adepto radical da culinária do excesso. Sarapatel de entrada, um caldinho de mocotó para esquentar o que a cerveja esfria, e um prato principal que, se não for sexta-feira, dia de feijoada, pode ser um cozido nordestino, uma buchada ou qualquer dessas ignorâncias, dieta que explica a protuberância do abdômen.

Outro erro: foi acompanhado da mulher, que queria ouvir tudo o que a moça – sim, era uma nutróloga – teria a dizer sobre o seu pedaço (era assim que eles se tratavam; pê para cá, pê para lá, um diminutivo mais comportado para uma gíria que já era ultrapassada quando se conheceram). Os amigos do bar dizem que, hoje, ele está mais para caco, mas ele acha que é inveja.

A doutora fez uma lista de exames que ele teria que cumprir nos próximos dias, já adiantando que o diagnóstico não seria bom. No meio do caminho, houve a fatídica pergunta: “O senhor bebe?”. Óbvio que ele respondeu que bebia apenas socialmente, mas _____ presença da mulher prejudicou a indignação que ele tentou imprimir, porque ela não foi sutil.

“Mentira”. A mulher da gente tem essa mania de ser direta; não consegue entender que a vida pede uns desvios, umas respostas menos incisivas – pelo menos quando nós, homens, estamos em apuros. E aquela era uma situação de sufoco. “Doutora, ele vai ao bar todo dia, tenho aqui no celular as contas que ele paga”, completou.

Outras desculpas saíram num turbilhão da boca do amigo, mas não adiantou muito; estava desmoralizado. Até que surgiu um pirilampo naquele breu, quando ____ médica disse que não ia pedir para ele parar de beber – uma vitória! As caraminholas cessaram; era a única coisa que o preocupava.

Foi uma vitória de Pirro, o rei do Epiro, que venceu os romanos, mas perdeu todo o seu exército. As derrotas vieram em sequência: “O senhor tem que perder peso. E rápido”, disse ela. Nada de doces – “sem problemas”, pensou – e, mais difícil, alimentos gordurosos; e… (não deve ter havido ____ pausa dramática que ele fez quando nos contou o drama, mas em respeito _____ fonte, estão aí _____ reticências) …diminuir o álcool.

Na mesma hora, ele pensou num amigo de mesa que continua frequentando o bar, mas bebe apenas água. Conversa, brinca, aposta, faz tudo sem álcool. Não sei se é feliz, mas finge bem, está firme. A nutróloga falou em diminuir, não em parar. E concluiu: “O senhor pode tomar umas duas doses por semana”.

O amigo fez cara de pôquer. Eram duas contra um e ele se sentiu pressionado. Ficou calado, fez os exames e toma os remédios, tudo certinho. E trocou o uísque por vodka, que não deixa bafo.

(Fonte: https://blogs.correiobraziliense.com.br/paulopestana/para-que-tanta-saude/. Adaptado.)
Leia as sentenças abaixo e, em seguida, avalie as proposições a respeito delas.

A. “Se soubesse que nutrólogos são médicos que avaliam o comportamento alimentar do cristão, provavelmente a negociação teria sido mais dura.” (1º parágrafo)
B. “As caraminholas cessaram; era a única coisa que o preocupava.” (6º parágrafo)
C. “Conversa, brinca, aposta, faz tudo sem álcool.” (8º parágrafo)

I. Na sentença C, existem quatro orações coordenadas assindéticas.
II. Na sentença A, os dois “que” empregados funcionam como pronomes relativos.
III. Tanto na sentença A quanto na B, existem orações subordinadas adjetivas restritivas.

Estão corretas:
Alternativas
Q3666664 Português
Leia o excerto a seguir.

   “Muitas vezes, o período menstrual chega acompanhado por alguns incômodos comuns, como a cólica e a mudança de humor. Mas, para algumas mulheres, ele é sinônimo de fortes dores de cabeça, que caracterizam a enxaqueca menstrual.
   A ginecologista Maria Carolina Dalboni explica a CAPRICHO que esse tipo de enxaqueca acontece, normalmente, de 2 a 3 dias antes do ciclo menstrual e pode perdurar até a descida mesmo da menstruação. Isso se dá, principalmente, em razão da queda do hormônio chamado estrogênio. [...]”

MORALES, Juliana. O que é enxaqueca menstrual? Conheça os sintomas e tratamentos. Capricho, 08 de junho de 2024. Disponível em: https://capricho.abril.com.br/comportamento/o-que-e-enxaquecamenstrual-conheca-os-sintomas-e-tratamentos/. Acesso em: 13 jun. 2024.

Analise as proposições construídas acerca da configuração sintática desse trecho.

I. O vocábulo “como”, empregado no primeiro período do trecho, introduz uma sequência de exemplos.
II. O conectivo “Mas”, que abre o segundo período do excerto, pode ser substituído por “Contudo” sem que se altere o sentido básico do enunciado.
III. As duas ocorrências da palavra “que” no excerto funcionam como pronomes relativos, o primeiro como introdutor de uma oração adjetiva explicativa, e o segundo, como introdutor de uma oração adjetiva restritiva.
IV. O conectivo “em razão de”, que ocorre no último período do excerto, introduz uma expressão indicativa de consequência.

Marque a opção que apresenta as proposições CORRETAS.
Alternativas
Q3655512 Português
É nessas regiões que a redução de temperatura durante a estação pode ser mais acentuada. (L11-12) No período acima, o QUE classifica-se como
Alternativas
Q3598228 Português
As abelhas dançam para se comunicar. Mas precisam de aulas de dança

Você não nasceu sambando – e nem as abelhas. No caso delas, a dança é vital para a comunicação e um passo em falso pode prejudicar uma colega

Por Leo Caparroz
13 mar 2023


      A dança das abelhas é um tipo singular de comunicação. Elas usam seu gingado para avisar as companheiras de colmeia sobre a localização das melhores flores, com mais néctar. Através dos seus passinhos, as colegas sabem a distância, direção e qualidade do alimento que a mensageira encontrou. Porém, assim como nós precisamos treinar nosso molejo, as abelhas não nascem pés de valsa. Cientistas descobriram que, durante a juventude, elas aprimoram esses movimentos ao tocar suas antenas nos corpos das dançarinas mais experientes – se não o fizerem, suas danças terão mais erros e suas direções não serão tão precisas.

     Essa dança comunicativa é difícil de executar, e um passo errado pode mandar uma abelha para um lugar diferente do desejado. Quando as operárias mais velhas retornam à colmeia e executam a dança, as novatas observam com atenção e, com isso, aprendem a dançar de um jeito que gere melhores mapas. Esse período de aprendizado, quando a jovem operária tem cerca de 8 dias de idade, é crucial para que ela aperfeiçoe sua técnica.

     Os pesquisadores também descobriram que, quando as operárias novatas perdiam as aulas de dança, suas direções eram mais descuidadas e com mais incoerências. Alguns aspectos melhoraram com a prática, mas outros foram internalizados incorretamente e mantidos assim. No estudo, eles criaram cinco colônias onde todas as abelhas tinham a mesma idade. Sem nenhuma anciã para guiá-las, elas tiveram que descobrir os segredos da dança por conta própria; ao contrário de outras cinco colônias de controle, feitas de forma mais natural. Quando os insetos alcançaram idade suficiente para sair e procurar flores, os autores registraram e compararam as danças dos dois grupos.

    Em suas primeiras tentativas, as abelhas destreinadas tinham danças que erravam mais em comunicar ângulos de direção e distância. À medida que ganhavam mais experiência, elas ficavam melhores – com 20 dias de idade, já amadurecidas e experientes, elas se movimentaram tão bem quanto dançarinas criadas em uma colmeia normal. Contudo, elas ainda falhavam em comunicar a distância corretamente. Os pesquisadores montaram as colmeias para que ambos os grupos tivessem que percorrer as mesmas distâncias até o alimento, mas as abelhas destreinadas dançavam como se fosse mais longe do que o normal.

      A pesquisa serve para demonstrar que a dança das abelhas não é completamente inata, mas que tem influência de seu meio, sendo parcialmente moldada pelo aprendizado social e compartilhamento de técnicas. No fim das contas, todas elas eram capazes de dançar; porém, as que tiveram “professores” mais experientes dançavam muito melhor.


Adaptado de: https://super.abril.com.br/ciencia/as-abelhas-dancampara-se-comunicar-mas-precisam-de-aulas-de-danca/ Acesso em: 27 mar. 2024.



Assinale a alternativa em que o termo em destaque “que” exerce a mesma função que o destacado em: “[...] as abelhas destreinadas tinham danças que erravam mais em comunicar ângulos de direção e distância.”. 
Alternativas
Q3590213 Português

Leia o texto a seguir:


Estudo encontra agrotóxicos em biscoito maisena, macarrão

instantâneo, empanado e hambúrguer à base de plantas


Estudo 'Tem Veneno Nesse Pacote' analisou 24

ultraprocessados e identificou resíduos de agrotóxicos em

metade das amostras



    De 24 alimentos ultraprocessados produzidos no Brasil, com destaque para aqueles com apelo ao público infantil, foram encontrados resíduos de agrotóxicos em metade das amostras.

    O número alarmante está no terceiro volume da pesquisa "Tem Veneno Nesse Pacote", realizada pelo Instituto de Defesa de Consumidores (Idec) e que identifica a presença de resíduos de agrotóxicos em produtos alimentícios ultraprocessados comuns na rotina dos brasileiros.

    O estudo está disponível gratuitamente na página idec.org. br/veneno-no-pacote, juntamente com os dois primeiros volumes, lançados em 2021 e 2022.

    Na terceira edição, foram analisados 24 ultraprocessados de oito categorias: macarrão instantâneo, biscoito maisena, presunto cozido, bolo pronto sabor chocolate, sobremesa petit suisse sabor morango, bebida láctea sabor chocolate, hambúrguer à base de plantas e empanado à base de plantas com sabor de frango.

    Em cada categoria, foram selecionados os três produtos mais vendidos do mercado. Os testes foram realizados por um laboratório certificado pela Coordenação Geral de Acreditação (CGCRE) do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), credenciado junto ao Ministério da Pecuária e Abastecimento (MAPA) e utilizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em testes de resíduos de agrotóxicos.

    O teste escolhido é um dos mais abrangentes, com capacidade de detectar resíduos de até 563 agrotóxicos diferentes.

    A coordenadora do Programa de Alimentação Saudável e Sustentável do Idec, Laís Amaral, explica que as categorias com produtos à base de plantas foram incluídas no estudo mais recente em razão do avanço da indústria, que se apropria de uma fatia do mercado considerada "novidade", apresentada como alternativa ao consumo de carne, enquanto vende uma variação dos mesmos ultraprocessados de sempre, e ainda utilizando matérias-primas produzidas com o uso de agrotóxicos.

    "Precisamos alertar para o perigo duplo do consumo de ultraprocessados. Eles são produtos com excesso de nutrientes críticos, relacionados ao desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes, doenças do coração e hipertensão, além da presença de aditivos alimentares. E também temos consistentemente encontrado traços de contaminação com agrotóxicos nesses produtos, ou seja, são venenos tão potentes que continuam ali mesmo depois dos processos de produção nas indústrias", explica Amaral.



Fonte: https://www.jb.com.br/economia/2024/05/1050118-estudo-encontraagrotoxicos-em-biscoito-maisena-macarrao-instantaneo-empanado-ehamburguer-a-base-de-plantas.html. Acesso em: 01 jun. 2024.

Em “A coordenadora do Programa de Alimentação Saudável e Sustentável do Idec, Laís Amaral, explica que as categorias com produtos à base de plantas foram incluídas no estudo mais recente em razão do avanço da indústria, que se apropria de uma fatia do mercado [...]” (7º parágrafo)
Alternativas
Q3551791 Português
A palavra “que”, no excerto “E o que nós somos?”, é classificada gramaticalmente como:
Alternativas
Q3551443 Português
Filme A Baleia (2022, Darren Aronofsky)

        Inicio este meu texto sobre o filme “A Baleia” (The Whale, 2022) direcionando as luzes das ribaltas diretamente para o diretor Darren Aronofsky e sua coragem em dirigir mais um drama da sua filmografia peculiar, muitas vezes capaz de nos fazer pensar por dias sobre, quase sempre boquiaberto ao final da história e com uma lição de vida, neste drama uma doença crônica tão presente na vida humana do século XXI: a obesidade mórbida.
    
        Charlie é o protagonista de “A Baleia”, personagem interpretado de maneira descomunal, visceral pelo até então ausente ator, Brendan Fraser. Este ressurge ao cinema de forma triunfal e irreconhecível, outro profissional que merece quase que todo o mérito pelo sucesso desta perene obra da sétima arte, e porque não um soco no estômago para conscientizar dramaticamente o mundo sobre a obesidade.

        Utilizando-me da figura de linguagem metafórica, Moby Dick sobrevive encalhado; à sua volta espalha-se uma abundante opção de alimentos calóricos, cercando-o à distância de um braço. O corpulento se move raramente, quando o faz – no caso de necessidade – é via movimentos parcos, sofríveis, devido à incapacidade de força física para sustentar a adiposidade crescente; tudo isso sob o teto de seu habitat escuro, limitado a quatro paredes.

        A figura de linguagem utilizada no parágrafo acima deste, nada mais é do que uma alegoria do decadente cenário em que se passa o filme e do moribundo personagem que se encontra afundado em seu sofá, vezes comendo, outras ministrando aulas de inglês à distância, comunicada aos seus alunos via áudio com a ausência proposital da câmera do notebook.

        O filme já nos dá as boas-vindas com o impacto lastimável de Charlie se masturbando ao assistir a uma cena de pornô gay, interrompida por um gemido confuso de prazer misturado a dor, mas que pela mão ao peito a última opção seja a mais provável. Na continuação da cena anterior, rapidamente Charlie retira um texto de uma pasta e começa a lê-lo, logo o segundo personagem bate à porta e entra em cena, trata-se do jovem missionário Thomas (Ty Simpkins), este é encarregado a dar continuidade à leitura do texto capaz de acalmar o angustiante coração do protagonista.

        Uma vez ou outra Charlie recebe a visita de sua única amiga – e enfermeira -, Liz (Hong Chau). As visitas de Liz resultam quase sempre no monitoramento da pressão de Charlie, mas apesar de todo o cuidado dedicado ao recluso amigo, há um paradoxo quanto a isso, pois ela abre mão de dar a ele alimentos nada saudáveis como um pote imenso de frango frito, cena esta que ao ver causa um certo desespero, um passo largo rumo ao precipício.

        A fotografia escura de Matthew Libatique ajuda a captar com potência a atmosfera enfadonha do ambiente em que a história é narrada. É triste de ver a rotina sofrível do protagonista. A lente do diretor Darren Aronofsky capta com perfeição ângulos impactantes da obesidade mórbida do protagonista, neste ponto vale parabenizar também o trabalho da equipe de maquiagem.

        É angustiante ver os passos de Charlie sustentado em seu andador, situações simples de mobilidade tornam-se complexas para ele, o esforço no breve movimento de agachar para pegar uma chave que caiu no chão torna-se impossível, dói de ver. As adaptações instaladas sobre a cama para ajudá-lo a se deitar antecipa em nós o sofrimento dele, uma luta diária.

        Brendan Fraser deixa transbordar em seus olhos a dor existente na alma do personagem. De dor o ator entende, ele passou anos mergulhado em diversos problemas pessoais como cirurgias, divórcio, exploração midiática, morte familiar traumática e uma depressão que o fez se afastar por anos da indústria cinematográfica.

        De volta ao drama do filme, o passado de Fraser é confrontado nas visitas de sua filha, a jovem rebelde Ellie (Sadie Sink), esta possui um certo desprezo pelas atitudes passadas do pai, a relação dos dois não é nada amistosa, isso do lado da garota; ela o maltrata e o humilha, é a maneira que ela encontra para descontar tudo o que ele fez a ela e à mãe, abandono e traição são tatuagens marcadas para sempre na vida de Ellie.

        A forma ríspida da menina sobra até para o garoto Thomas, este chega à casa para tentar levar a palavra do Senhor Jesus Cristo e acaba que ninguém está interessado em ouvir o que ele tem a trazer de luz espiritual àquela casa tão escura e de ínfima luz. A pouca fé de todos se dilui por situações do passado, como é o caso da enfermeira Liz, o trauma dela é quanto à imposição dos pais adotivos para que ela frequentasse a igreja Nova Vida, por coincidência a mesma do missionário, e que também traumatizou a vida de Charlie.

        Assim que entra em cena a reserva em dinheiro (herança) de Charlie e a sua ex-esposa, Mary (Samantha Morton), as verdades são reveladas e os diálogos entre os personagens se tornam calorosos e cheios de ressentimentos, a intensidade das discussões se dá entre todos, aqui é possível perceber que quando o dinheiro aparece, os interessados se transformam, neste momento quem mais sofre é Charlie e, inevitavelmente, nos juntamos ao sofrimento dele nos momentos finais do filme.

        A cena de compulsão alimentar de Charlie é aterrorizante, um prelúdio para o que virá, junto ao momento em que ele decide liberar a câmera e revelar a sua imagem aos alunos. Antes desta cena, o estopim para a atitude de revelar a sua identidade foi aceso na última tentativa de Thomas em ajudá-lo, quando ele mostra uma passagem bíblica. Adiante, as dores no peito se intensificam e o último encontro entre pai e filha revela o significado da redação sobre Moby Dick escrita por ela, na oitava série. Você vai no mínimo marejar os olhos quando ver o último esforço do gigante Charlie.

        O filme “A Baleia” (The Whale) insere na trama uma doença crônica que afeta milhões de crianças, jovens e adultos pelo mundo; existem pessoas sendo irresponsáveis ao romantizar a obesidade, há até influenciadora digital que o faça. O estímulo não deve ser à autoaceitação, mas sim à mudança de vida, construir um hábito saudável através de uma alimentação balanceada, da prática de exercícios físicos e, se possível, até na busca por ajuda psicológica.

        Darren Aronofsky não titubeia ao retratar a obesidade sem fantasias, não pensa em agradar a hipocrisia do politicamente correto. Por aí é possível ver pessoas escrevendo e falando que “A Baleia” é um filme gordofóbico, preconceituoso, devido ao seu título e como são mostrados os perigos mortais que a obesidade pode trazer à vida. Chego a ser redundante quanto às precauções. Este longa-metragem é um alerta audiovisual para que as pessoas cuidem da saúde.

        Um assunto tão sério deve sim ser demonstrado para chocar, para fazer as pessoas tirarem a bunda do sofá e a cara da tela do smartphone e se exercitar. A Baleia é até um eufemismo diante dos malefícios que a obesidade mórbida traz à saúde. Repito aqui, a qualidade do filme é avassaladora, ainda mais com a irretocável atuação do renascido ator Brendan Fraser caracterizado sob a impactante maquiagem.

Disponível em https://www.leiaeassista.com.br/resenha-do-filme-a-baleia-2022/. Adaptado. Acessado em 06.maio.2024. 
Em “...este chega à casa para tentar levar a palavra do Senhor Jesus Cristo e acaba que ninguém está interessado em ouvir o que ele tem a trazer de luz espiritual...”, extraído do Texto, a partícula “que” exerce função de conjunção integrante. Assinale a alternativa correta em que a partícula “que” também exerce a função de conjunção integrante.
Alternativas
Q3551401 Português
Débora Ferraz - Ogivas

Por Alexandre Kovacs

        A ambiguidade no título desta mais recente antologia de contos de Débora Ferraz desperta a curiosidade do leitor. Afinal, trata-se de referência às estruturas formadas por dois arcos que se cortam em ângulo, chamadas também de arcos ogivais, tão comuns na arquitetura gótica que revolucionou a história da arte ou trata-se de referência às temidas ogivas nucleares, presentes nos mísseis de longo alcance? Depois de ler as narrativas curtas e afiadas da autora, não me resta dúvida de que a intenção aqui é de que a arte, na forma leve de construção literária dos contos, possa ser também uma arma demolidora contra o preconceito e a violência cotidiana.

        E Débora Ferraz, que já foi vencedora dos Prêmios Sesc e São Paulo de Literatura, prepara as suas bombas como uma "exímia terrorista literária" na ótima definição do escritor Bruno Ribeiro na orelha do livro. No curto espaço de manobra dos contos, utilizando uma estrutura narrativa que tem muito de visual, Débora coloca o leitor no centro da ação desde o início, fazendo com que os detonadores sejam acionados quando menos se espera.

        Em "Você", uma estrutura narrativa em segunda pessoa trabalha de forma bem-humorada com os delírios de um ex-fumante que luta contra o vício (ler trecho abaixo), colocando em dúvida a própria condição mental do protagonista (você/eu). Por sinal, o humor está presente na maioria dos contos, com exceção de alguns como: "Pedra, papel e tesoura" que lida com a tragédia das balas perdidas que destroem futuros nas periferias dos grandes centros urbanos, "Dois perdidos em um dia branco", no qual um casal de amigos perdedores compartilha o alcoolismo e a falta de esperança na vida, assim como o sensível "Quatro de julho" que encerra o livro com o resumo de uma relação entre pai e filho por meio do futebol e das decisões de algumas copas do mundo disputadas pelo Brasil.

        "Foi desde a última quinta que o desejo de fumar veio com tudo. Bastou o avião pousar no aeroporto Santos Dumont e suas grandes habilidades começaram a pulular. Bastou caminhar pelo saguão com todas aquelas lojas oferecendo cigarros, descaradamente. Uma coisa que descobri faz pouco tempo é que todo fumante sempre sabe onde o cigarro está. É uma espécie de sexto sentido. Mas os fumantes em recuperação são ainda piores. Eles sabem até dos lugares em que podem consegui-los na unidade (ah, unidades são os queridinhos dos fumantes em recuperação otimistas). Um fumante em recuperação, tal como um agente secreto ou um paranóico, ele está o tempo inteiro, enquanto finge falar com você, enquanto anda pelo saguão, enquanto preenche o cadastro, ele está o tempo inteiro esquadrinhando sua área em busca do inimigo. Conhece todas as rotas que o levam ao cigarro. Você envelhece nesse tempo inteiro. E foi assim que ontem você saiu de bermuda até o bar da esquina. Estava fechado. Menos mal, você pensou. Você disse a si mesmo que não, que de jeito nenhum. Isso não teve a menor intenção de saber a que horas aquele bar fechava. Então voltou para casa, fez polichinelos, flexões, marinheiro, agachamentos... Hoje está praticamente aleijado de dor muscular. E ainda assim querendo um cigarro." (p. 114-5) - Trecho do conto “Você” 

        No assustador e real "Notas sobre a travessia", novamente uma opção da autora pela transição da narrativa em primeira para segunda pessoa, também não há espaço para o humor quando a protagonista declara na abertura: "Tem uma bomba-relógio presa em meu corpo" e apresenta em retrospecto os primeiros dias da pandemia em 2020, o medo de um vírus então muito pouco conhecido e que ela carregava em seu próprio organismo ao retornar para o Brasil: "Mas, neste momento, parada de pé no meio do aeroporto de Guarulhos, você é uma personagem. Você decide ali mesmo pela paranoia. No fundo, sentir medo sempre foi sua especialidade."

        E assim, com suas ogivas literárias, o livro de Débora Ferraz atinge o objetivo ao nos fazer refletir sobre as dificuldades de preservar o nosso resto de humanidade ainda possível em um mundo que mantém a sua rota de autodestruição ou, até mesmo, de enfrentar as nossas crises pessoais. Exemplo disso está em "O filhote do terremoto" (ler trecho abaixo), um conto que demonstra com muito lirismo a chegada da terceira idade, mesmo sendo uma condição ainda distante para a jovem autora, o texto é muito convincente. Uma obra recomendada e que se destaca na literatura contemporânea pela coragem na escolha dos temas.

        "Aí depois foi bem no cantinho do olho. Começou a tremer também. Sabe quando dizem que é vista cansada? É isso... é isso. Cansaço. Eu abstraía a sensação nos meus movimentos repetidos. Descascar cebola, me encolher nos dias, olhar o menino brincando, derramar chá. Então, já era o dedinho e o canto do olho. O terremoto que me abalava os dias. Parte de mim trabalhava, inconscientemente, apenas para observar que os outros, minguados e distantes, mal perceberam o fato de que meu olho começava a rachar. Dava pra ver, se olhasse de perto, os vincos formando. São sinais tão claros, meu Deus... Eu conseguia ouvir o barulho, até. Era dentro de mim. E só de sentir, sozinha, eu sabia que eu ainda ia rachar inteira. O terremoto desfazia minhas bases. Definitivo. Fadado. Dava uma agonia medonha. Mas deixa que passa. Essas coisas são assim mesmo, não são? Dá e passa." (p. 174) - Trecho do conto “O filhote de terremoto”

Disponível em https://www.mundodek.com/2022/04/debora-ferraz-ogivas.html. Adaptado. Acessado em 06.maio.2024.
*Sobre a autora: Débora Laís Ferraz dos Santos é uma escritora brasileira contemporânea. Nasceu no sertão de Pernambuco, mudou-se ainda em 2001 para João Pessoa, onde formou-se em Jornalismo pela Universidade Federal da Paraíba, em 2009. Escreveu seu primeiro livro, Os anjos, em 2003.

Em “Era dentro de mim. E só de sentir, sozinha, eu sabia que eu ainda ia rachar inteira.”, a partícula “que” em destaque exerce função de conjunção integrante. Assinale a alternativa correta em que a partícula “que” também exerce a função de conjunção integrante.
Alternativas
Respostas
801: C
802: B
803: B
804: B
805: A
806: D
807: A
808: C
809: C
810: A
811: A
812: C
813: A
814: A
815: C
816: A
817: C
818: E
819: D
820: D