Questões de Concurso Sobre funções morfossintáticas da palavra que em português

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Q4369720 Português

Leia o texto a seguir.



Nova IA adapta correção de redação

às neurodivergências dos estudantes


Ferramenta identifica os erros mais comuns cometidos por quatro

condições específicas: transtorno do espectro autista, transtorno do

déficit de atenção com hiperatividade, dislexia e disgrafia



    Uma inteligência artificial (IA) educacional foi desenvolvida para corrigir redações de estudantes neurodivergentes adaptando suas dificuldades às notas. A ferramenta identifica os erros mais comuns cometidos por quatro condições específicas — transtorno do espectro autista (TEA), transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH), dislexia e disgrafia — e não os considera para a pontuação final dos alunos.


    A nova função foi implementada na Red1000, uma plataforma de correção de texto automática do grupo Cogna. Atualmente, há 2,3 mil estudantes com neurodivergências cadastrados. Isso corresponde a 5% do total de alunos que utilizam a plataforma.


        Em meia década, o número de diagnosticados com Transtorno do Espectro Autista (TEA) nas escolas quadruplicou, passando de 294.394, em 2021, para 1.298.637 no ano passado. Os dados do Censo Escolar 2025, promovido pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), indicam a primeira vez em que os matriculados com TEA superaram aqueles com deficiência intelectual, respondendo por mais da metade do total de alunos da chamada educação especial. Neste novo cenário, diferentes ferramentas educacionais têm sido criadas ou adaptadas para atender esses estudantes.


    Algumas escolas que utilizam a plataforma, segundo a Red1000, chegam a ter registrados com alguma neurodivergência mais de 20% dos estudantes. No Distrito Federal, um colégio privado que utiliza a ferramenta chegou a ter 26% dos alunos apenas com uma das quatro condições (TEA, TDAH, dislexia e disgrafia) que têm adaptações na IA de correção de redações.


    De acordo com Carolina Siequeroli, gerente sênior de produto e fundadora da Red1000, os alunos atípicos acabavam se desestimulando em usar a plataforma por conta das baixas notas geradas pela correção padronizada. Com a nova função, a IA identifica os tipos de problemas causados pela neurodivergência, mas não desconta a pontuação.


    — O aluno não utilizava a plataforma e deixava de treinar a redação. A ferramenta possibilitou que cada vez mais os alunos praticassem para fazer o Enem mais preparado — conta Siequeroli.


    De acordo com os desenvolvedores, as escolas precisam cadastrar os alunos apontando suas neurodivergências para ativar a correção adaptada. Para isso, ela não exige laudo ou qualquer tipo de comprovação.


    — Respeitamos a autonomia das instituições de ensino nesse processo: cabe à escola definir quando uma redação deve ser avaliada considerando necessidades educacionais específicas. Assim, mesmo que o estudante não tenha um diagnóstico formal, se a escola entender que esse tipo de avaliação é o mais adequado ao seu contexto pedagógico, ela pode solicitar essa configuração na plataforma, sem necessidade de apresentar um documento ou laudo — diz Siequeroli.


    Em alguns casos, ela pode até identificar padrões de escritas compatíveis com características frequentemente observadas em estudantes neurodivergentes. No entanto, isso não permite inferir qualquer diagnóstico — o que também não é a finalidade da tecnologia, de acordo com os idealizadores.


    Cada uma das quatro neurodivergências possuem adaptações específicas para os alunos na plataforma. Os que estão no transtorno do espectro autista, por exemplo, têm sinalizados no máximo 15 desvios de ortografia, gramática, sintaxe ou vocabulário. Caso passe disso, apenas os mais relevantes são apresentados.


    Para esse grupo, também há maior tolerância para organização textual não convencional, repetição de palavras, textos em blocos únicos, fuga ao tema ou tangenciamento.


    Já as adaptações para estudantes com TDAH procuram “reduzir o impacto de dificuldades relacionadas à atenção sustentada, revisão textual e organização da escrita, sem comprometer a avaliação do conteúdo desenvolvido”, segundo o documento Red1000 com as adaptações programadas.


    Na prática, isso significa que erros ortográficos possuem peso reduzido, pequenas distrações não geram penalizações desproporcionais e erros isolados recebem tratamento mais leve do que erros recorrentes. Além disso, transições abruptas; pequenas falhas de sequência lógica; e organização menos fluida, recebem penalizações leves quando o conteúdo principal está preservado.


    Já transtornos específicos de aprendizagem, como dislexia e disgrafia, possuem adaptações como menores punições gramaticais; marcações deixam de ser penalizadoras e passam a funcionar apenas como sinalização pedagógica; e erros repetitivos deixam de ser punidos diversas vezes. Em vez disso, quando um mesmo padrão ocorre repetidamente, ele é explicado apenas uma vez ao estudante.


    Outra adaptação aos alunos neurodivergentes é a forma como seus erros são explicados. Para eles, os comentários enfatizam mais estratégias de revisão, evolução da escrita e aspectos positivos do texto do que os erros. Os textos também passam a ter linguagem mais objetiva e orientações concretas.


    Na avaliação de Jucélia Linhares, coordenadora do Laboratório de Ensino e Pesquisa em Tecnologia Assistiva (Lepta) da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), a IA pode ser uma ferramenta efetiva de inclusão ao identificar padrões de escrita relacionados às neurodivergências e oferecer feedback imediato e personalizado, promovendo autonomia e reduzindo a exposição do aluno.


    — Mas, para que seja efetiva, é fundamental que seja usada como ferramenta de apoio ao professor, e não como substituta, com formação docente adequada para a interpretação dos relatórios — afirmou a especialista.


    De acordo com ela, a adaptação da correção, não punindo desvios da redação que são característicos das neurodivergências, permite uma avaliação mais justa. Segundo Linhares, a ferramenta não configura “facilitação”, mas sim uma adaptação razoável ao desconsiderar na correção aspectos que são manifestações diretas da neurodivergência.


    — Ela passa a medir o conhecimento e o potencial do aluno, e não o sintoma. Isso valoriza o aprendizado, aumenta a autoestima e a motivação do estudante, evitando a desmotivação causada por notas baixas recorrentes que não refletem sua capacidade intelectual. Mas também é essencial que a plataforma e a escola utilizem um “modo simulado Enem”, sem as compensações, para que o aluno treine e desenvolva estratégias de revisão e adaptação para a prova. O objetivo da IA deve ser ainda preparar o aluno para a realidade da avaliação externa.


Fonte: https://oglobo.globo.com/brasil/educacao/noticia/2026/08/03/nova-ia-adap-ta-correcao-de-redacao-as-neurodivergencias-dos-estudantes.ghtml. Acesso em 30/08/2026. Texto adaptado.

“Algumas escolas que utilizam a plataforma, segundo a Red1000, chegam a ter registrados com alguma neurodivergência mais de 20% dos estudantes. No Distrito Federal, um colégio privado que utiliza a ferramenta chegou a ter 26% dos alunos apenas com uma das quatro condições [...]” (4º parágrafo). Nesse trecho, os dois elementos em destaque, responsáveis por introduzir orações subordinadas, são classificados, respectivamente, como:
Alternativas
Q4358136 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

Violência contra mulher resiste a avanços legislativos

Aos 20 anos, a Lei Maria da Penha se consolidou como uma das maiores conquistas no combate à violência contra a mulher no Brasil: de janeiro a junho, houve 596 mil novas ações baseadas nela, e a Justiça concedeu 337 mil medidas protetivas, ou duas por minuto, de acordo com levantamento do Conselho Nacional de Justiça revelado pelo GLOBO. O volume de processos instaurados no ano passado passou de 1 milhão, 74,4% acima de cinco anos atrás e número mais alto na série histórica. Mas infelizmente isso não tem bastado para debelar a chaga. Os 1.571 feminicídios cometidos em 2025 também representaram um recorde, e os estupros aumentaram 72% em dez anos — só no ano passado, houve um caso a cada seis minutos.

No campo legislativo e jurídico, o Brasil desenvolveu um arcabouço avançado na defesa da mulher. Em 2012, ao julgar duas ações, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que, nos casos de lesão corporal em violência doméstica, o Ministério Público pode processar o agressor mesmo sem representação da vítima. Impede-se, com isso, que ameaças ou reconciliação forçada paralisem os processos.

O assassinato de mulheres no contexto de violência doméstica ou familiar, tipificado como feminicídio, entrou no Código Penal em 2015. Desde o início foi considerado crime hediondo, sujeito a penas pesadas, agravadas em 2024 para entre 20 e 40 anos de reclusão. Também em 2015, o Superior Tribunal de Justiça começou a editar uma série de quatro súmulas, consolidada em 2017, eliminando possibilidades de abrandamento na aplicação da lei.

Entre 2019 e 2021, o Congresso alterou a legislação para permitir que o delegado ou o policial afastem o agressor da vítima mesmo sem decisão judicial. Também é desse período a conversão da perseguição (stalking) em crime. Em 2023, medidas protetivas passaram a ser concedidas com base em depoimento da mulher, sem necessidade de boletim de ocorrência, inquérito ou processo. Naquele ano, o STF estabeleceu que o juiz não pode, por iniciativa própria, marcar audiência para a mulher desistir do processo — apenas a vítima detém tal prerrogativa. No ano seguinte, estipulou que medida protetiva não tem prazo fixo e deve vigorar enquanto houver risco. O Congresso aprovou recentemente um reforço à Lei Maria da Penha, reconhecendo a violência contra terceiros — como filhos ou parentes — para atingir a mulher no rol dos crimes hediondos.

Apesar de todos esses avanços, a aplicação da lei apresenta desafios, como demonstra, entre tantos outros casos, o depoimento ao GLOBO da escritora Carla Lemos, criadora do blog Modices, sobre a grave agressão que sofreu numa roda de samba da Lapa, no Rio. De forma remota, a delegada de plantão disse não haver elementos suficientes que justificassem deter o agressor.

O balanço da Lei Maria da Penha no momento em que ela completa 20 anos mostra não haver omissão legal. A questão é mais complexa. Evidentemente, é preciso continuar a ajustar e ampliar o escudo jurídico de proteção às mulheres. Mas apenas isso tem sido incapaz de deter a escalada de crimes que derivam da cultura machista entranhada há séculos na população brasileira. Há um trabalho tão ou mais relevante a fazer no campo da educação, das práticas e hábitos sociais, muitas vezes tolerantes com comportamentos que deveriam ser inaceitáveis em qualquer sociedade civilizada.

Considerando o emprego do vocábulo “que” nos trechos retirados do texto, analise as assertivas a seguir.
I. Em “o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que, nos casos de lesão corporal em violência doméstica, o Ministério Público pode processar o agressor”, o termo destacado é uma conjunção integrante e introduz uma oração subordinada substantiva objetiva direta.
II. Em “Impede-se, com isso, que ameaças ou reconciliação forçada paralisem os processos”, o termo destacado é um pronome relativo e introduz uma oração subordinada adjetiva explicativa.
III. Em “[...] comportamentos que deveriam ser inaceitáveis em qualquer sociedade civilizada”, o termo destacado é um pronome relativo, retoma o substantivo “comportamentos”, exerce a função sintática de sujeito da oração que introduz e inicia uma oração subordinada adjetiva restritiva.
Está CORRETO o que se afirma em: 
Alternativas
Q4353965 Português
O desenvolvimento profissional na perspectiva da Didática Profissional


A formação inicial de professores é alvo de frequentes críticas, voltadas, sobretudo, à concepção de ensino veiculada, ao espaço dedicado às disciplinas pedagógicas e à articulação entre teoria e prática. Por isso, durante muito tempo, acreditou-se que esse período não fosse um ambiente favorável ao desenvolvimento profissional da docência, construto historicamente atrelado à formação continuada. Entretanto, esse conceito vem se configurando como um processo contínuo de transformação e construção do sujeito ao longo do tempo, possibilitando o estabelecimento de um continuum entre a etapa inicial e as formações posteriores.

Nas últimas décadas, a elaboração de quadros teóricos e dispositivos metodológicos centrados na observação, compreensão e análise do trabalho tem sido objeto de discussão em diversas áreas. Tais iniciativas buscam propor alternativas a modelos tradicionais que enxergam a competência como consequência natural do domínio de conhecimentos teóricos, transformando a própria prática em objeto de aprendizagem. A Didática Profissional insere-se nesse movimento.

Ainda pouco difundida no Brasil, essa abordagem surgiu na França, na década de 1990, com o objetivo de analisar o trabalho com vistas à formação de competências. Trata-se de uma perspectiva sobre as relações entre situações de trabalho e o desenvolvimento de habilidades profissionais advinda da convergência de um campo prático — a formação de adultos — e de três correntes teóricas: a psicologia do desenvolvimento, a ergonomia cognitiva e a didática. Os estudos nessa área desenvolveram-se em torno de três orientações principais: a análise das aprendizagens não pode estar separada da análise da atividade dos atores; para analisar a formação de competências, é preciso observá-las nos próprios locais de trabalho; e, para compreender como se articulam atividade e aprendizagem num contexto laboral, vale a pena mobilizar a teoria da conceitualização na ação, que permite compreender o desenvolvimento de uma inteligência da ação.

Essa vertente orienta-se pela ambição de proporcionar formações voltadas para e pela prática. Seus precursores sustentam que ela almeja ser uma didática em sentido pleno, dedicada ao estudo dos processos de transmissão e apropriação dos conhecimentos naquilo que têm de específico em relação aos conteúdos a serem aprendidos. Sendo assim, os trabalhos iniciais investiam na análise de situações de trabalho como meio de elaborar conteúdos de formação correspondentes à situação profissional de referência e construir dispositivos adequados a seus objetivos. Todavia, a constatação de que focar exclusivamente no formato de análise voltada à concepção de programas era pouco efetivo levou ao surgimento de um novo eixo de pesquisa e práticas, focado na análise do trabalho executado pelo próprio profissional em formação. Nesse novo cenário, examinar a atividade tornou-se um meio de aprendizagem, no qual os atores aprendem a partir da observação e da reflexão sobre a própria ação.

Assim, estudos baseados na formação pela análise do trabalho tornaram-se cada vez mais frequentes. A avaliação da prática passa a fazer parte integrante da formação, ocorrendo in situ e simultaneamente com os participantes, de modo a ajudar a analisar em tempo real a experiência vivida. São exemplos dessa nova perspectiva pesquisas em contexto de estágio nas quais os professores em formação têm suas aulas gravadas e examinadas a posteriori em conjunto com supervisores ou colegas, por meio de autoconfrontações simples ou cruzadas.

No cerne desse modelo está a distinção entre atividade produtiva e atividade construtiva. Em toda ação humana existem duas faces: a atividade produtiva, voltada à transformação do real, e a atividade construtiva, voltada à transformação de si graças à própria prática. Em situações de trabalho convencionais, a dimensão produtiva é o objetivo final, concluído quando a ação é executada.

Em contexto formativo, a atividade construtiva passa a ser o objetivo central, figurando a atividade produtiva como suporte para alcançá-la. Retomando a aplicação da sequência didática por um discente em estágio supervisionado, a execução das etapas — do planejamento à avaliação formativa — torna-se objeto de aprendizagem da formação. Nesse cenário, a atividade produtiva torna-se construtiva quando as ações implementadas pelo estagiário são retomadas na aula de estágio, por relato ou gravação, e convertem-se em objeto de análise, permitindo a objetivação dos procedimentos e estratégias utilizados e a apreciação de sua pertinência pedagógica. Desta maneira, apenas a realização da tarefa não é suficiente para que haja desenvolvimento profissional. É necessária uma tarefa produtiva como suporte para a aprendizagem construtiva. A primeira é avaliada pelo sucesso de sua execução, enquanto a atividade construtiva requer critérios epistêmicos, assegurando que a conceitualização foi realmente realizada. A aprendizagem funciona, portanto, de acordo com dois registros: o registro do sucesso na tarefa (pragmático) e o registro de compreensão e conceitualização (epistêmico).

Cabe ao formador levar os estudantes a transitarem do registro pragmático ao epistêmico. Nesse contexto, oferece-se um quadro teórico e prático para levar o professor em formação a explicitar sua experiência para, em seguida, analisá-la a posteriori. Essa análise da atividade compreende em sentido amplo tanto as experiências vividas durante os estágios — cujas observações e regências tornam-se objeto de reflexão em diálogo com supervisores ou com o grupo — quanto as experiências vividas em trabalhos práticos, como oficinas voltadas à elaboração e implementação de dispositivos didáticos.

O eixo norteador dessa abordagem vem do quadro teórico da conceitualização na ação, ou teoria dos campos conceituais, desenvolvida a partir de estudos sobre o conceito de esquema na psicologia genética. Essa teoria é fundamental por permitir a compreensão da atividade "de dentro", pela sua organização interna e execução cotidiana, oferecendo uma grade de leitura tanto para a atuação em situação de trabalho quanto para a aprendizagem em contexto de formação.



Revista Brasileira de Educação (RBE), v. 26, 2021. Artigo: Profissionalização do professor de língua portuguesa: o papel da Didática Profissional. Adaptado. 
A primeira é avaliada pelo sucesso de sua execução, enquanto a atividade construtiva requer critérios epistêmicos, assegurando que a conceitualização foi realmente realizada.

Considerando as relações de coordenação e subordinação estabelecidas no período, analise as afirmativas a seguir.

I.A oração introduzida por "enquanto" mantém relação de subordinação com a oração anterior e assume, no contexto, valor contrastivo ao estabelecer oposição entre os critérios atribuídos às duas atividades.
II.A oração introduzida pelo "que" subsequente a "assegurando" classifica-se como subordinada adjetiva restritiva, pois delimita o sentido do termo "critérios epistêmicos" presente na oração anterior.
III.A estrutura "assegurando que a conceitualização foi realizada" coordena-se à oração introduzida por "enquanto", uma vez que ambas apresentam autonomia sintática e se ligam sem relação de dependência.
IV.A forma nominal "assegurando" introduz uma oração reduzida de gerúndio vinculada ao conteúdo precedente, ao passo que o "que" subsequente atua como conjunção integrante de uma oração subordinada substantiva.
V.A oração introduzida pelo "que" subsequente a "assegurando" exerce função de objeto direto dessa forma verbal, estabelecendo relação de subordinação substantiva no interior da construção reduzida.

Assinale a alternativa correta.
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Q4352264 Português
Elisa

Eu amo os que me amam; e os que vigiam desde a manhã,
por me buscarem, achar-me-ão.
(Provérbios, VIII, 17.)

    Uma tarde – estávamos nos primeiros dias de abril – ela chegou à nossa casa. Empurrou com naturalidade o portão que vedava o acesso ao pequeno jardim, como se obedecesse a hábito antigo. Do alpendre, onde me encontrava, escapou-me uma observação desnecessária:
    – E se tivéssemos um cachorro?
  – Não me atemorizam os cães – retrucou aborrecida.
     Com alguma dificuldade (devia ser pesada a mala que carregava), subiu a escada. Antes de entrar pela porta principal, voltou-se:
  – Nem os homens tampouco.
    Surpreso por vê-la adivinhar meu pensamento, apressei-me em desfazer a situação cada vez mais embaraçosa:
    – Hoje o tempo está ruim. Se continuar assim...
    Interrompi a série de bobagens que me ocorria e, encabulado, procurei evitar o seu olhar repreensivo.
  Sorriu levemente, enquanto eu, nervoso, torcia as mãos.
    Logo a desconhecida se adaptou aos nossos hábitos. Raramente saía e nunca aparecia à janela.
    Talvez não tivesse reparado no primeiro momento em sua beleza. Bela, mesmo no desencanto, no seu meio sorriso. Alta, a pele clara, de um branco pálido, quase transparente, e uma magreza que acusava profundo abatimento. Os olhos eram castanhos, mas não desejo falar deles. Jamais me abandonaram.
    Cedo começou a engordar, a ganhar cores e, no rosto, já estampava uma alegria tranquila.
    Não nos disse o nome, de onde viera e que acontecimentos lhe abalaram a vida. Respeitávamos, entretanto, o seu segredo. Para nós era ela, simplesmente ela. Alguém que necessitava de nossos cuidados, do nosso carinho.
    Aceitei os seus longos silêncios, as suas repentinas perguntas. Uma noite, sem que eu esperasse, interrogou-me:
    – Já amou alguma vez?
    Por ser negativa a resposta, deixou transparecer a decepção. Pouco depois, abandonava a sala, sem nada acrescentar ao que dissera. Na manhã seguinte, encontramos vazio o seu quarto.
    Todos os dias, mal começava a cair a tarde, eu ia para o alpendre, à espera de que ela surgisse a qualquer momento na esquina. Minha irmã Cordélia desaprovava-me:
    - É inútil, ela não voltará. Se você estivesse menos apaixonado, não teria tanta esperança.
    Um ano após a sua fuga – estávamos novamente em abril – a vi aparecer no portão. Trazia mais triste a fisionomia, maiores as olheiras. Dos meus olhos, que se puseram alegres ao vê-la, desprendeu-se uma lágrima, e disse, esforçando-me para lhe tornar cordial a recepção:
     – Cuidado, agora temos uma cadelinha.
    – Mas o dono dela ainda é manso, não? Ou se tornou feroz na minha ausência? Estendi-lhe as mãos, que ela segurou por algum tempo. E, sem conter a minha ansiedade, indaguei:
    – Por onde andou? O que fez esse tempo todo? – Andei por aí e nada fiz. Talvez amasse um pouco – concluiu, sacudindo a cabeça com tristeza.
    A sua vida entre nós retomou o ritmo da outra vez. Mas eu estava intranquilo. Cordélia olhava-me penalizada, insinuava que eu não deveria ocultar mais a minha paixão.
     Faltava-me, contudo, a coragem e adiava a minha primeira declaração de amor.
    Meses depois, Elisa – sim, ela nos disse o nome – partiu de novo.
   E como lhe ficasse sabendo o nome, sugeri à minha irmã que mudássemos de residência. Cordélia, apegada ao extremo à nossa casa, nada objetou. Limitou-se a perguntar:
    – E Elisa? Como poderá encontrar-nos ao regressar?
    Refreei a custo a angústia e repeti completamente idiotizado:     
    – Sim, como poderá?

(RUBIÃO, M. Obra completa. São Paulo: Companhia das Letras, 2010. p. 161-163.)
Assinale a alternativa que classifica a oração destacada corretamente.
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Q4351180 Português
Texto: AS PRIMEIRAS EVIDÊNCIAS DE LUDOPATIA NO BRASIL

Alexandre Agra Belmonte

Guilherme Guimarães Feliciano


    O cenário brasileiro contemporâneo é marcado pela onipresença das plataformas de apostas de quota fixa, as bets. Presentes no horário nobre da televisão, nos uniformes dos clubes de futebol e até na tela do celular de cada cidadão, essa expansão agressiva recai sobre uma estrutura social já fragilizada. O perfil majoritário dos apostadores é composto por indivíduos das classes C, D e E – cerca de 80% dos usuários –, na faixa dos 30 aos 49 anos, público-alvo de uma indústria que opera com margens elevadíssimas e estratégias de marketing de alta precisão.

    Nesse contexto, emerge o silêncio doloroso da ludopatia. Longe de ser mera “falha de caráter”, o vício em jogos é condição médica severa, catalogada pela OMS como transtorno do jogo (CID F63.0). A invisibilidade da doença é o que permite que ela se alastre sem contenção social e jurídica adequadas. O ludopata não é consumidor comum com autonomia de vontade; é paciente em estado de compulsão. Sua vulnerabilidade é explorada por sistemas tecnológicos desenhados para mantê-lo conectado o maior tempo possível.

    Diga-se, a propósito, que nem sempre o hábito de apostar com frequência é caracterizado como doença, que requer uma condição pessoal de descontrole. De outra parte, mesmo nos casos de doença é preciso avaliar a questão da quebra da confiança, quando o trabalhador aposta com dinheiro da empresa ou dos clientes dela.

    A operação das casas de apostas online repousa em infraestrutura que monitora cada clique e padrão de aposta em tempo real. Essa capacidade cria dever de cuidado proporcional ao controle exercido. Quando o algoritmo identifica sinais claros de ludopatia, a prática comum não é proteger o vulnerável, mas gamificar, enviando bônus agressivos e notificações persuasivas para retê-lo no sistema. Essa conduta configura omissão deliberada no dever de segurança, atraindo a responsabilidade civil objetiva prevista no art. 14 do CDC – pelo defeito do serviço, independentemente de culpa.

    A Lei 14.790/2023 inaugurou novo marco regulatório. Impõe às operadoras obrigações concretas: políticas de jogo responsável (art. 8º, III), sistemas de monitoramento de padrões de gastos e comportamento (art. 23, § 3º) e vedação à participação de diagnosticados com ludopatia (art. 26, VI). O descumprimento rompe a barreira da legalidade e atinge a dignidade do apostador.

     Para Foucault¹, o poder contemporâneo exerce-se por vigilância minuciosa que penetra na vida cotidiana. As plataformas operam como um panóptico digital: tudo registram, transformando o apostador em objeto de extração de valor. Essa vigilância, que deveria servir à saúde do corpo social, é frequentemente revertida para a captura do desejo vulnerável. Há que inverter o placar desse jogo.

Adaptado de: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/07/asprimeiras-evidencias-de-ludopatia-no-brasil.shtml 


Vocabulário:

Foucault¹: refere-se a Michel Foucault, filósofo francês. 
No último parágrafo, o trecho “que deveria servir à saúde do corpo social” apresenta, com o termo anterior, uma relação de:
Alternativas
Q4350513 Português
    Toda nação constrói para si alguns mitos básicos, que têm, em seu conjunto, a capacidade de produzir nos cidadãos o sentimento de pertencer a uma comunidade única, a qual permaneceria para sempre inalterada — “deitad[a] eternamente em berço esplêndido”, conforme verseja nosso Hino Nacional. Histórias de claro impacto e importância em seu contexto ganham outra dimensão quando escapam do momento que as viu nascer e passam a fazer parte da lógica do senso comum ou se transformam em retórica nacional.

    O certo é que, quando viram mitologia, esses discursos perdem sua capacidade crítica para serem lidos apenas de uma maneira, a partir de um só pressuposto: aquele que exalta a criação de um passado glorioso e de uma história única, somente enaltecedora. Além da burla da mestiçagem racial, tal espécie de utopia de Estado costuma imaginar uma idílica sociedade patriarcal, com sua hierarquia tão enraizada quanto virtuosa. É uma forma de narrativa que não se baseia obrigatoriamente em fatos, uma vez que seleciona, em primeiro lugar, uma mensagem final e só depois arruma um bom argumento para justificá-la. 

Lilia Moritz Schwarcz. Sobre o autoritarismo brasileiro.
São Paulo: Companhia das Letras, 2019, p. 20 (com adaptações). 





A respeito das ideias e de aspectos linguísticos do texto precedente, julgue o item a seguir.
No trecho “quando escapam do momento que as viu nascer” (primeiro parágrafo), a oração introduzida pelo vocábulo “que” exerce a função sintática de complemento nominal de “momento”, pois completa seu sentido. 
Alternativas
Q4348579 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Cheiro de Amor (Maria Bethânia)


De repente fico rindo à toa, sem saber por que

E vem a vontade de sonhar de novo te encontrar

Foi tudo tão de repente

Eu não consigo esquecer

E confesso, tive medo

Quase disse: Não

-

Mas o seu jeito de me olhar

A fala mansa, meio rouca

Foi me deixando quase louca

Já não podia mais pensar

Eu me dei toda para você

-

De repente fico rindo à toa, sem saber por que

E vem a vontade de sonhar de novo te encontrar

Foi tudo tão de repente

Eu não consigo esquecer

E confesso, tive medo

Quase disse: Não

-

E meio louca de prazer

Lembro teu corpo no espelho

E vem o cheiro de amor

Eu te sinto tão presente

Volte logo, meu amor 
No trecho: "De repente fico rindo à toa, sem saber por que", a forma "por que", empregada separadamente e sem acento, está CORRETAMENTE utilizada pois:
Alternativas
Q4345442 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Líderes do setor dizem que IA significa menos horas de trabalho — mas seus funcionários afirmam trabalhar até noventa horas semanais

Há anos, executivos de empresas que investem centenas de bilhões de dólares no desenvolvimento de inteligência artificial insistem que a tecnologia reduzirá a carga horária dos trabalhadores. Há quatro anos, um diretor do Google afirmou que a IA possibilitaria a semana de quatro dias até 2025. No início deste ano, a OpenAI reforçou essa visão ao incentivar formalmente que organizações testem a jornada reduzida sem alteração salarial, argumentando que a automação acelera o trabalho a ponto de exigir essa adaptação.

Contudo, um ex-funcionário da OpenAI revelou que a empresa jamais testou a jornada reduzida internamente enquanto esteve lá. Ele relatou uma cultura exaustiva, marcada por reuniões de crise, expedientes nos fins de semana e avaliações rigorosas que resultavam em demissões repentinas. O profissional descreveu que frequentava o escritório aos sábados ou domingos apenas para colocar o trabalho em dia ou garantir que os sistemas não falhassem.

Outras companhias também defendem que a IA reduzirá o tempo dedicado ao trabalho. A Anthropic destaca que sua ferramenta Claude opera de forma autônoma por sete horas ininterruptas, o equivalente a uma jornada diária corporativa. Embora a Meta tenha reduzido dez por cento de seus quadros, o diretor executivo da Anthropic, Dario Amodei, alertou que o ganho progressivo de produtividade dos softwares pode acarretar cortes de vagas ainda maiores.

Apesar dessas declarações, os profissionais dessas corporações — responsáveis por desenvolver e utilizar os sistemas destinados a assumir parte das tarefas — afirmam atuar em jornadas muito superiores à semana típica de quarenta horas.

A atuação no setor nos Estados Unidos é bem remunerada e, embora segmentos como o mercado financeiro, a advocacia e a medicina exijam rotinas prolongadas, expedientes diários de quatorze horas não eram a regra na área. O ex-funcionário da OpenAI afirmou que trabalhava ao menos setenta horas semanais. Ele relatou que atualmente trabalha em uma startup de IA com maior equilíbrio pessoal ao cumprir menos horas fora dos períodos de sprints.

O termo sprint refere-se a etapas em que equipes dedicam longas jornadas às vésperas de lançamentos de produtos. Em empresas de IA, essas etapas assumem proporções severas, podendo estender-se por semanas e ultrapassar noventa horas semanais. Nem a OpenAI nem a Anthropic responderam aos pedidos de esclarecimento.

Na Meta, funcionários relataram remanejamentos abruptos este ano para projetos urgentes de IA. A dinâmica foi descrita como um recrutamento sem opção de recusa, restando apenas a alternativa da demissão. As jornadas nessas frentes costumam prolongar-se até altas horas da noite e pelos fins de semana, gerando a sensação de que permanecem de plantão mesmo nos períodos de descanso.

Entre os projetos correntes na Meta estão a criação de uma ferramenta direcionada à engenharia de software e a estruturação de modelos para medir a capacidade dos programas em replicar tarefas humanas. Ex-funcionários afirmam que a demanda nessas frentes parece interminável. A assessoria da Meta optou por não comentar.

Amin Shali, ex-engenheiro do Google, desligou-se da empresa em maio devido aos impactos da IA em sua rotina, incluindo a necessidade de trabalhar durante a madrugada por falhas em funções internas. Essa situação tornou-se recorrente à medida que recursos da infraestrutura foram redirecionados para projetos de IA. O Google não respondeu aos questionamentos. Shali relatou que, após a saída, apresentou melhorias na saúde e no sono, concluindo que a dependência de IA consolida uma cultura de pressão exacerbada sobre os engenheiros.

Pesquisas confirmam que o uso dessas ferramentas tem elevado o volume de trabalho. Um estudo da Universidade da Califórnia em Berkeley acompanhou centenas de funcionários durante oito meses de uso da tecnologia e constatou que os profissionais passaram a trabalhar em ritmo mais acelerado, assumindo mais atribuições e estendendo a jornada.

Neil Thompson, especialista do MIT, avalia que mesmo nas grandes empresas é improvável que a IA simplifique a rotina. Segundo ele, qualquer economia de tempo acaba absorvida pela adaptação às ferramentas, pela execução de novos fluxos e pela verificação constante dos sistemas, ponto também corroborado pelo estudo de Berkeley.

Além disso, quando um processo é otimizado, a tendência é que o trabalhador ocupe a sobra de tempo com novas demandas, seja por iniciativa própria ou para demonstrar valor perante a liderança. Shali concluiu que, embora a tecnologia devesse proporcionar mais saúde e sono, o efeito prático observado é o oposto.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cy5dz17vzpro. Adaptado.
Há anos, executivos de empresas que investem centenas de bilhões de dólares no desenvolvimento de inteligência artificial insistem que a tecnologia reduzirá a carga horária dos trabalhadores.

Considerando os termos essenciais das orações presentes no período, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4344846 Português

A questão refere-se ao texto abaixo. 



PRINCÍPIO DA IMPARCIALIDADE




Adaptado de: PAULA, E. L. N. de. Reforma Administrativa:

novos princípios da Administração Pública. Revista do TCU,

n. 146, 2020, p. 38-40. Disponível em: <https://revista.tcu.gov.br/ojs/index.php/RTCU/issue/view/91>.

Acesso em: 07 jul. 2026. 

Assinale a alternativa que preenche adequadamente as lacunas das linhas 01, 05, 12 e 47, nesta ordem. 
Alternativas
Q4343589 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão


Proibir redes sociais para jovens não será solução mágica', diz psicóloga canadense


"É muito fácil vender histórias assustadoras para os pais. Nós somos um grupo ansioso", diz a psicóloga canadense Candice Odgers em um TED Talk que já teve mais de 260 mil visualizações desde que foi lançado, em junho.


Odgers se refere à ideia que ganhou força nos últimos anos de que smartphones e redes sociais estão por trás de um aumento nas taxas de ansiedade, depressão e outros problemas de saúde mental entre crianças e adolescentes.


Os possíveis efeitos nocivos dessas tecnologias são fonte de preocupação não apenas para pais e mães, mas também para governos ao redor do mundo, muitos dos quais vêm adotando restrições ao uso desses serviços pelos mais jovens.


No Brasil, o Discord suspendeu a funcionalidade de transmissões ao vivo (lives) na plataforma recentemente, cumprindo uma determinação da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD).


A decisão ocorreu após uma adolescente de 13 anos ter sido induzida à automutilação e ao suicídio durante transmissões em grupos na plataforma.


Em entrevista concedida antes da decisão da ANPD, Odgers, professora da Universidade da Califórnia em Irvine (UCI), nos EUA, especialista em psicologia do desenvolvimento e há 25 anos estuda a saúde mental de crianças e adolescentes, argumenta que proibições com a justificativa de proteger a saúde mental não são baseadas em evidências científicas.


"Estudo a saúde mental de adolescentes há muito tempo, e o que realmente me surpreende nesse debate é a distância enorme que existe entre a narrativa dominante quando se fala sobre os efeitos das redes sociais e o que a grande maioria dos estudos encontrou até hoje", diz Odgers à BBC News Brasil.


Odgers enfatiza que as empresas de tecnologia devem ser responsabilizadas por garantir a segurança das plataformas e que é preciso mais regulamentação.


No entanto, ela afirma que, quando estudos mostram uma associação entre redes sociais e a saúde mental dos jovens, esta é muito pequena e tende a desaparecer após levados em conta outros possíveis fatores. Além disso, mesmo quando indicam correlações, não fica clara a direção da relação.


Segundo ela, proibir smartphones e redes sociais não vai resolver o problema e pode até ter o efeito contrário, ao ignorar causas mais complexas, impedir que se pense em outras soluções e empurrar os jovens para espaços menos regulados.


Odgers não é a única a questionar o foco nas redes. Um comitê da Academia Nacional de Ciências dos EUA estudou o tema por um ano e concluiu que pesquisas sobre a relação entre redes sociais e saúde mental mostram "efeitos pequenos" e "associações fracas", que podem ser "influenciados por uma combinação de experiências boas e ruins".


"Ao contrário da narrativa cultural predominante de que as redes sociais são universalmente prejudiciais aos adolescentes, a realidade é mais complexa", disseram os autores.


Mas propostas para restringir o acesso de jovens às redes continuam ganhando apoio, diante de temores sobre os possíveis impactos de um ambiente online onde muitas vezes há risco de bullying, assédio e abuso sexual, conteúdos de teor extremo e outras ameaças.


Segundo o Pew Research Center, 56% dos adultos nos Estados Unidos são a favor de proibir o uso de redes sociais por menores de 16 anos, e 77% apoiam a proibição de celulares em sala de aula.


No ano passado, a Austrália se tornou o primeiro país do mundo a proibir menores de 16 anos de usar plataformas como Facebook, Instagram, Snapchat, X, TikTok, YouTube e outras.


Desde então, diversos países, entre eles França, Reino Unido e Canadá, adotaram ou passaram a estudar algum tipo de restrição.


No Brasil, entrou em vigor em março o ECA Digital (Estatuto Digital da Criança e do Adolescente), que não impede o uso das redes por menores, mas estabelece uma série de restrições de conteúdo e controles.


Depois de anos estudando o dia a dia dos adolescentes em seus smartphones, ela ressalta que eles são resilientes e destaca os avanços nos últimos 20 anos, como queda nas taxas de violência, consumo de álcool e gravidez na adolescência.


"Os adolescentes de hoje são incríveis", diz Odgers no TED Talk, intitulado What we're getting wrong about kids and tech ("O que estamos entendendo errado sobre as crianças e a tecnologia", em tradução livre).


Para a psicóloga, que é mãe de dois adolescentes, a maneira de ajudar os jovens é estabelecer expectativas altas e apoiá-los para que consigam alcançá-las.


PROIBIR redes sociais para jovens não será solução mágica', diz psicóloga canadense [adaptado]. BBC News Brasil, [S. l.], ago. 2026. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/cn0nkrdgnx2o. Acesso em: 26 ago. 2026.

"Odgers se refere à ideia que ganhou força nos últimos anos de que smartphones e redes sociais estão por trás de um aumento nas taxas de ansiedade, depressão e outros problemas de saúde mental entre crianças e adolescentes."


No trecho, a oração 'de que smartphones e redes sociais ...' classifica-se como:

Alternativas
Q4342474 Português

Considere o texto a seguir:


Imagem associada para resolução da questão


Disponível em: https://tiroletas.wordpress.com/. Acesso em: 15 jul. 2026.



Assinale a alternativa correta em relação ao texto. 

Alternativas
Q4342194 Português

Considere o período:


"Mesmo diante das dificuldades, os servidores continuaram empenhados em cumprir as tarefas que lhes foram atribuídas."


A respeito dos termos destacados, assinale a afirmativa CORRETA.

Alternativas
Q4342189 Português

Leia o período:


"Quando os resultados finalmente foram divulgados, os pesquisadores analisaram cuidadosamente aqueles que apresentavam diferenças significativas em relação aos dados inicialmente previstos."


Considerando a função desempenhada pelos termos destacados no contexto, assinale a alternativa CORRETA.

Alternativas
Q4341840 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Bom dia, solidão

-

Que eu sou fã da Tamara Klink não é nenhuma novidade. Como não ser? Corajosa, inteligente, determinada — mas um modelo a não ser seguido: essa coisa de passar oito meses sozinha em um barco, com temperaturas abaixo de zero, isolada no fim do mundo, não é para o nosso bico. Melhor continuar sonhando em ser um BBB, porque Tamara é de outra natureza.

Acabei de ler Bom dia, inverno, o diário de bordo da expedição de Tamara pelo Ártico, durante o período mais hostil da região. Já havia lido Nós, também de sua autoria, e mais uma vez fiquei encantada e apavorada: como é que os pais dela não prendem essa garota ao pé da cama? Tamara é uma profissional da navegação, se prepara obstinadamente e tem a aventura no DNA, mas são muitos os inimigos: as nevascas, as tempestades, os icebergs, os animais selvagens, os enguiços mecânicos, sem falar no próprio corpo, que pode dar defeito de uma hora para outra. Ela ainda não fez 30 anos e enfrenta tudo isso com um prazer desavergonhado e um autocontrole de Buda. Alguém aí deve estar pensando: faltou falar na solidão, pior inimigo de todos.

Essa é a parte em que Tamara brilha ainda mais. A despeito de toda a palpitação que seus relatos provocam, vê-la falar sobre solidão nos acalma. Ela desestigmatiza esse estado que é natural e intrínseco a todos. Sempre defendi a importância de ter amigos íntimos e amores que façam bem à saúde, mas a relação que precisa, mesmo, dar certo, a gente sabe qual é. Se não tolerarmos nossa própria companhia, se não formos capazes de nos entretermos a sós por longos períodos, o resto desanda.

A necessidade de estar com os outros a qualquer custo, para fugir de si, é uma síndrome ainda pouco debatida e que se alimenta da desonestidade social. Casados gastam mais que solteiros, e ter filhos duplica a conta. Apoiados pela religião, nações enchem os cofres tentando nos convencer de que viver sozinho é triste e perigoso. Ora, perigoso é conviver com pessoas falsas, perigoso é se deixar guiar por convenções que nos desviam de nós mesmos. "Estar sozinha diminui as dificuldades, não aumenta". Não sou eu, é a moça do barco que diz, aquela que passava semanas sem ouvir a própria voz, mas que não parava de conversar com seus pensamentos. Em tempos de conexão frenética com desconhecidos pelas redes sociais, em que todos têm um pitaco para dar e uma verdade para vender, você confia que seus pensamentos têm sido, de fato, seus?

Adoro namorar, ser mãe, ser filha e fazer parte de turmas reais (em vez de grupos de WhatsApp), mas eu sei, ninguém me contou: a solidão escolhida é a conexão mais profunda e fértil que se pode ter na vida. Não impede outras, mas as outras serão simulacros se ela não vier primeiro.
No trecho "perigoso é se deixar guiar por convenções que nos desviam de nós mesmos", o vocábulo "que" exerce papel relevante na articulação sintática do período. Considerando sua classificação e função, analise as assertivas.

I. O vocábulo "que" classifica-se como pronome relativo, pois retoma o termo antecedente convenções.
II. A oração "que nos desviam de nós mesmos" funciona como subordinada adjetiva restritiva, delimitando o tipo de convenções a que a autora se refere.
III. O vocábulo "que" exerce função de conjunção integrante, pois introduz uma oração subordinada substantiva ligada ao nome convenções.

Está CORRETO o que se afirma em:
Alternativas
Q4341502 Português

Considere o período:



"Os profissionais que chegaram mais cedo organizaram cuidadosamente os documentos recebidos ontem."



A respeito dos termos destacados, assinale a afirmativa CORRETA.

Alternativas
Q4338594 Português
        Toda a história das redes técnicas é a história de inovações que, umas após as outras, surgiram em resposta a uma demanda social antes localizada que uniformemente distribuída. Com a ferrovia, a rodovia, a telegrafia, a telefonia e finalmente a teleinformática, a redução do lapso de tempo permitiu instalar uma ponte entre lugares distantes: doravante eles serão virtualmente aproximados.

Leila Cristina dias. Redes: emergência e organização. In: Iná Castro, Paulo César Gomes e Roberto Lobato Corrêa (org.). Geografia: conceitos e temas. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1995, p.141. 

A respeito das ideias e de aspectos linguísticos do fragmento de texto apresentado, julgue o item a seguir. 


No primeiro período, o termo "que", em sua primeira ocorrência, retoma "inovações".

Alternativas
Q4338418 Português
 Texto para a questão.


O PAPEL DAS GUARDAS MUNICIPAIS


    A Guarda Municipal ocupa, hoje, posição central no debate sobre a segurança pública brasileira. Por muito tempo, prevaleceu no imaginário popular a ideia de que essas corporações se limitariam à chamada vigilância patrimonial, isto é, ao zelo pelos bens e instalações do município. Essa narrativa, contudo, vem sendo superada à medida que as guardas assumem, de fato, o papel de segurança pública primária nas cidades.

     A Constituição Federal, em seu art. 144, § 8º, já previa que os Municípios poderão constituir guardas municipais destinadas à proteção de seus bens, serviços e instalações, conforme dispuser a lei. Foi, todavia, com a edição da Lei nº 13.022/2014 – o Estatuto Geral das Guardas Municipais – que as competências dessas instituições ganharam contornos mais precisos. Entre os princípios mínimos de atuação, o estatuto destaca a proteção dos direitos humanos fundamentais, a preservação da vida e o patrulhamento preventivo.

    Estabelece-se, assim, uma analogia esclarecedora: tal como ao município cabe oferecer a saúde básica e a educação básica, previstas, respectivamente, nos artigos 196 e 205 da Carta Magna, também lhe compete a segurança pública básica. O caráter preventivo, e não meramente repressivo, é o que distingue a guarda das demais forças e, gradativamente, legitima sua atuação perante a população.

    Presentes em mais de 1.400 cidades brasileiras, as guardas municipais consolidaram-se como serviço indispensável, sobretudo às comunidades mais carentes. Trata-se, em síntese, de instituição fundamental para a manutenção da ordem e da segurança, reconhecida como base do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP).


Texto adaptado.
SOARES, Ramon. O papel das Guardas Municipais. Fonte Segura, São Paulo, ed. 254, 6 nov. 2024. Disponível em: https://fontesegura.forumseguranca.org. br/o-papel-das-guardas-municipais/. Acesso em: 7 jun. 2026.
No período “O caráter preventivo, e não meramente repressivo, é o que distingue a guarda das demais forças e, gradativamente, legitima sua atuação perante a população”, assinale a alternativa que analisa corretamente as relações sintáticas estabelecidas.
Alternativas
Q4336427 Português

Em Filosofia da Crise, Mário Ferreira dos Santos assim diz:


É a desesperança que cava abismos. E o homem desesperado, quando não mais espera o que esperava, precisa encontrar o que não tem. E o desespero, que está virtualizado no crente fiel, atualiza-se no homem que duvida. Cavam abismos os que duvidam.


Marque a única afirmação correta sobre o texto

Alternativas
Q4336424 Português

Leia o conhecido trecho de Ricardo Reis (heterônimo do poeta Fernando Pessoa) e aponte a única análise incorreta.


Para ser grande, sê inteiro: nada

Teu exagera ou exclui.

Sê todo em cada coisa. Põe quanto és

No mínimo que fazes. 

Alternativas
Q4334823 Português

Leia o texto a seguir e responda à questão.



Texto II



Como escrita à mão beneficia o cérebro e ganha nova chance em escolas



    A partir de 2024, crianças do primeiro ao sexto ano de escolas públicas da Califórnia (EUA) estão novamente tendo de aprender a escrever em letra cursiva.

    Essa escrita à mão havia saído do currículo californiano em 2010, mas agora está de volta — movimento semelhante ao que ocorre em mais de 20 Estados americanos, em diferentes graus.

    A escrita cursiva — em que se escreve em uma letra parecida à itálica, sem necessariamente tirar o lápis do caderno — chegou a ser vista como uma técnica moribunda nos EUA.

    Agora, a decisão na Califórnia reacende debates educacionais e científicos a respeito do valor da escrita à mão, bem como dos benefícios ao cérebro e das implicações globais se essa técnica acabar caindo no esquecimento.

    A neurocientista Claudia Aguirre, que mora na Califórnia, diz que "mais e mais pesquisas sustentam a ideia de que escrever letras em cursivo, especialmente em comparação com digitar, ativa caminhos neurais específicos que facilitam e otimizam o aprendizado e o desenvolvimento da linguagem".

    Karin James, professora de Ciências Cerebrais e Psicológicas na Universidade de Indiana (EUA), aplica suas pesquisas em crianças de 4 a 6 anos.

    Ela identificou que aprender as letras por meio da escrita à mão ativa redes do cérebro que não são ativadas pela digitação num teclado. Isso inclui áreas cerebrais que têm papel crucial no desenvolvimento da leitura.

    Outra pesquisa, de autoria de Virginia Berninger (Universidade de Washington), também mostrou que a escrita cursiva, os materiais impressos e a digitação usam funções cerebrais relacionadas, porém diferentes.

    Além disso, no caso da digitação em teclado, os movimentos do dedo são os mesmos para qualquer tecla de letra. Como consequência, se apenas aprenderem a digitar, as crianças perderão a chance de desenvolver habilidades obtidas ao compreenderem e dominarem a capacidade de escrever.

    Um pequeno estudo italiano aponta que o ensino da cursiva a alunos de primeiro ano pode melhorar as habilidades de leitura.

    A despeito disso, o ensino da letra cursiva para crianças pequenas vinha se tornando mais raro. Em vários países, essa técnica não é mais obrigatória.

    Nos EUA, embora o ensino da cursiva esteja voltando à luz, ele não é padronizado — o que traz desafios aos professores.

    "Mais de 20 Estados acrescentaram a suas diretrizes educacionais a exigência da escrita cursiva entre o 3° e o 5° anos", explica Kathleen S. Wright, fundadora e diretora-executiva do Colaborativo de Escrita à Mão, organização que ensina boas práticas nessa área. "Mas essa exigência não é imposta nem recebe financiamento, então o ensino da escrita à mão não é endereçado de forma consistente."

    Dessa forma, professores californianos terão agora de descobrir como integrar a cursiva a suas aulas.

    Mesmo assim, a iniciativa do Estado é vista como benéfica, num momento pós-pandemia em que se buscam formas de ensinar habilidades que reduzam a dependência das telas entre crianças.

    "Temos visto cada vez mais pais reclamando que seus filhos estão tendo dificuldades na escola, que não foram ensinados a escrever porque usam principalmente computadores e outros aparelhos", diz Kelsey Voltz-Poremba, professora-assistente de terapia ocupacional da Universidade de Pittsburgh (EUA).

    A escrita cursiva ainda é amplamente ensinada na Europa Ocidental, em particular em países como Reino Unido, Espanha, Itália, Portugal e França. [...]

    O Canadá tentou descartar a escrita cursiva, mas voltou a ensiná-la em 2023. O Ministério de Educação da província de Ontário restabeleceu a exigência da escrita cursiva e agora está virando uma espécie de laboratório para outras regiões que tentam entender quais as melhores práticas para esse ensino, quanto tempo devem durar as aulas e com qual frequência essa técnica deve ser ensinada.

    Em meio a tantas diferenças globais, as pesquisas ressaltam que não há lado negativo em aprender letra cursiva. E embora a ligação entre escrever à mão e melhorar a leitura não sejam necessariamente causais, alguns educadores temem que o abandono da letra cursiva pode piorar o desempenho de alunos em sua capacidade de ler textos.

    Além disso, o mero ato de escrever ajuda a memória e o aprendizado de palavras.

    "É importante achar um equilíbrio para garantir que os alunos tenham habilidades que sejam obtidas sem o uso da tecnologia", opina a especialista Voltz-Poremba.



Fonte: https://www.bbc.com/portuguese/articles/c88n5klj0peo. Texto adaptado. Excerto. Acesso em 03/06/2026

Na expressão “a neurocientista Claudia Aguirre, que mora na Califórnia” (5º parágrafo), o elemento em destaque introduz uma oração adjetiva. Logo, trata-se de:
Alternativas
Respostas
1: A
2: A
3: D
4: C
5: B
6: E
7: E
8: A
9: C
10: D
11: A
12: D
13: D
14: A
15: C
16: C
17: D
18: A
19: D
20: A