Questões de Concurso Sobre funções morfossintáticas da palavra que em português

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Q4291355 Português
Considere o período.

"Os gestores públicos, que participaram do programa de capacitação, apresentaram propostas inovadoras para aperfeiçoar os serviços prestados à população."

Com relação ao emprego da pontuação e ao efeito de sentido produzido pela oração destacada, assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q4289982 Português
“Conheci o namorado da minha filha, que sofreu um grave acidente.” O uso do relativo “que” causa um(a): 
Alternativas
Q4287529 Português
Além do tempo de tela: o que os mais jovens
têm feito no celular?



Qualidade da interação e dos conteúdos acessados
precisa estar no centro do debate sobre saúde mental
entre crianças e adolescentes


Por Luiz Zoldan*


       Reduzir a crise de saúde mental entre jovens ao “tempo de tela” é uma explicação confortável – e perigosamente insuficiente. O debate público precisa de um ajuste urgente: mais do que contar horas, é preciso entender a qualidade da interação desses adolescentes com os dispositivos digitais.

       Em consultórios, escolas e ambientes de trabalho, a constatação é recorrente: a forma como os jovens se relacionam consigo mesmos, com os outros e com o mundo mudou profundamente. E as telas ocupam um papel central nessa transformação.

    Vivemos em uma realidade na qual nunca estivemos tão conectados e, paradoxalmente, tão expostos a fatores que afetam a saúde mental, especialmente entre crianças e adolescentes.

      A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que mais de um em cada dez adolescentes já manifesta um uso problemático de redes sociais, com perda de controle e consequências negativas no dia a dia.

        Estudos consistentes associam o uso excessivo de telas à piora nos indicadores de saúde mental. Cerca de 25% dos adolescentes que passam mais de 4 horas diárias em frente a telas apresentam sintomas recentes de ansiedade ou depressão. Evidências longitudinais também confirmam que o aumento do tempo de exposição está ligado a um maior risco de sofrimento emocional a longo prazo.

      O Brasil figura entre os países com maior tempo de tela no mundo, ultrapassando 5 horas diárias apenas em smartphones. Entre os adolescentes brasileiros, os números são ainda mais alarmantes, chegando a quase 6 horas em dias de semana e ultrapassando 8 horas nos fins de semana.

      O cenário nacional é marcado por três desafios: o acesso a smartphones em idades cada vez mais precoces, a desigualdade no acesso à educação digital e a fragilidade na mediação por parte de famílias e escolas. Diante disso, cresce a percepção entre os próprios jovens de que algo não vai bem: quase metade deles já considera que as redes sociais impactam negativamente pessoas da sua idade.

      Ainda assim, é crucial qualificar a leitura desses dados. A própria ciência mostra que o impacto não é uniforme. O uso passivo, caracterizado pela rolagem infinita e pela comparação social, está mais associado ao malestar. Por outro lado, usos mais ativos e focados na conexão podem ter um efeito protetor. O problema central, portanto, não é apenas o tempo, mas o padrão de uso. Comportamentos compulsivos e de dependência estão mais ligados a desfechos negativos do que o número absoluto de horas.

     Nesse contexto, avanços como a atualização do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e a aplicação da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) ao ambiente digital são essenciais, pois reconhecem a vulnerabilidade de crianças e adolescentes nesse ecossistema. Essas iniciativas buscam responsabilizar as plataformas, proteger dados e reduzir a exposição a conteúdos nocivos. Contudo, a regulação, sozinha, não resolve. Ela cria um ambiente mais seguro, mas não substitui a educação, o vínculo afetivo e o desenvolvimento de repertório emocional.

     Durante anos, a principal recomendação foi limitar o tempo de tela. Embora essa abordagem continue relevante, especialmente para crianças mais novas, hoje sabemos que é insuficiente. O verdadeiro problema não é apenas o que acontece nas telas, mas o que deixa de acontecer fora delas: sono de qualidade, atividade física, convivência e a própria construção da identidade são processos insubstituíveis para o desenvolvimento psíquico.

      O uso excessivo de telas, por exemplo, está diretamente ligado a um sono mais curto e de pior qualidade – um dos principais gatilhos para o sofrimento mental. Idealmente, um uso de qualidade envolve interações sociais reais, consumo de conteúdos educativos ou criativos e intencionalidade, sem prejudicar o sono. Em contrapartida, a utilização de risco é aquela em que há comportamento compulsivo, comparação social constante, exposição a conteúdos negativos e a substituição de experiências presenciais por virtuais.

    Com base em evidências científicas e na prática clínica, algumas medidas são fundamentais. Para as famílias, é preciso estabelecer acordos claros, evitar o uso de aparelhos antes de dormir (especialmente porque um terço dos adolescentes os utiliza depois da meia-noite), acompanhar os conteúdos acessados e, acima de tudo, dar o exemplo. Isso implica reconhecer que muitos adultos também mantêm uma relação excessiva, distraída e pouco saudável com as telas, o que compromete o ensino da autorregulação.

    Nas escolas, o desafio vai além da simples restrição: passa pela promoção da alfabetização digital e midiática, pelo desenvolvimento de competências socioemocionais e pela criação de espaços de convivência offline que favoreçam o pertencimento, o diálogo e a construção da identidade. Isso inclui a promoção de conversas qualificadas sobre corpo, gênero, autoestima e relações sociais, temas profundamente atravessados pela lógica das redes.

    Para os profissionais de saúde, investigar o padrão de uso digital tornou-se parte indispensável da avaliação clínica, assim como sono, alimentação e atividade física. Ainda assim, o enfrentamento desse problema não é responsabilidade somente de indivíduos, famílias e consultórios. O desafio exige que empresas de tecnologia e políticas públicas atuem de forma mais firme na limitação de mecanismos de design viciantes e persuasivos e na implementação de estratégias integradas entre saúde, educação e regulação digital.

     A relação entre os jovens e a tecnologia não é um “problema” a ser eliminado, mas uma realidade a ser gerenciada com inteligência. É preciso superar a lógica simplista de “mais ou menos tempo de tela” e adotar uma abordagem mais sistêmica e que considere o contexto, o conteúdo e a intenção de cada interação. No fim das contas, o maior indicador de sucesso não é quantas horas um jovem passa conectado, mas sua capacidade de se desconectar com liberdade, propósito e, acima de tudo, saúde mental.


*Luiz Zoldan é psiquiatra e gerente médico do Espaço Einstein Bem-Estar e Saúde Mental


Fonte: https://veja.abril.com.br/coluna/letra-de-medico/alem-dotempo-de-tela-o-que-os-mais-jovens-tem-feito-no-celular/.

No trecho: "A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que mais de um em cada dez adolescentes já manifesta um uso problemático de redes sociais.", do ponto de vista da estrutura do período e da análise sintática, é corretor afirmar que:
Alternativas
Q4287522 Português
À instabilidade das coisas do mundo


Gregório de Matos


Nasce o Sol e não dura mais que um dia,
Depois da luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas a alegria.


Porém se acaba o sol, por que nascia?
Se é tão formosa a luz, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?


Mas no sol e na luz BBfalta a firmeza,
Na formosura não se dê constância,
E na alegria sinta-se tristeza.


Começa o mundo enfim pela ignorância,
E tem qualquer dos bens por natureza
A firmeza somente na inconstância.


Fonte: MATOS, Gregório. Gregório de Matos: poemas. 2. Ed. São
Paulo: Martin Claret, 2013.
Considerando o uso dos porquês nos versos: “Porém se acaba o sol, por que nascia?” e “Se é tão formosa a luz, por que não dura?”, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4286981 Português

Leia o texto a seguir e responda à questão


À instabilidade das coisas do mundo


Gregório de Matos


Nasce o Sol e não dura mais que um dia,

Depois da luz se segue a noite escura,

Em tristes sombras morre a formosura,

Em contínuas tristezas a alegria.


Porém se acaba o sol, por que nascia?

Se é tão formosa a luz, por que não dura?

Como a beleza assim se transfigura?

Como o gosto da pena assim se fia?


Mas no sol e na luz falta a firmeza,

Na formosura não se dê constância,

E na alegria sinta-se tristeza.


Começa o mundo enfim pela ignorância,

E tem qualquer dos bens por natureza

A firmeza somente na inconstância. 



Fonte: MATOS, Gregório. Gregório de Matos: poemas. 2. Ed. São Paulo: Martin Claret, 2013. 

Considerando o uso dos porquês nos versos: “Porém se acaba o sol, por que nascia?” e “Se é tão formosa a luz, por que não dura?”, assinale a alternativa correta. 
Alternativas
Q4285914 Português
Analise as sentenças a seguir quanto ao uso dos "porquês":

I.A neurociência tem nos mostrado algo fascinante e, ao mesmo tempo, assustador: o nosso cérebro é o grande maestro da orquestra familiar. Por quê?
II.O por quê está no fato de que, quando estamos em modo de estresse, com o sistema límbico (o centro das emoções) em alerta máximo, nosso córtex pré-frontal (o da razão e do planejamento) tira férias.
III.Entender por que essa tempestade interna, essa desregulação do nosso próprio sistema nervoso, alimenta o caos lá fora é essencial para administrar o ambiente familiar.

Está correto o que se apresenta em:
Alternativas
Q4285335 Português
Leia o texto a seguir e responda à questão.

À instabilidade das coisas do mundo

Gregório de Matos

Nasce o Sol e não dura mais que um dia,
Depois da luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas a alegria.

Porém se acaba o sol, por que nascia?
Se é tão formosa a luz, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?

Mas no sol e na luz BBfalta a firmeza,
Na formosura não se dê constância,
E na alegria sinta-se tristeza.

Começa o mundo enfim pela ignorância,
E tem qualquer dos bens por natureza
A firmeza somente na inconstância.

Fonte: MATOS, Gregório. Gregório de Matos: poemas. 2. Ed. São Paulo: Martin Claret, 2013.
Considerando o uso dos porquês nos versos: “Porém se acaba o sol, por que nascia?” e “Se é tão formosa a luz, por que não dura?”, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4282687 Português
Observe o trecho abaixo:

“Eles pedem que a Fifa adote proteções mais rigorosas...”. É correto afirmar que a palavra destacada é classificada como:
Alternativas
Q4282395 Português
Porém, senhor conde, o que fiz de mais importante para ressuscitar o meu porto não foi nenhuma reforma ou construção, mas inventar uns presentes e umas prendas para atiçar o apetite dos mercadores, porque se há um segredo no comércio é saber fazer com que o comprador pense que está tendo vantagens e recebendo mais do que aquilo pelo que pagou.
TORRERO, J. R. e PIMENTA, M. A. Terra Papagalli. Rio de Janeiro: Objetiva, 2011. p. 141.

As conjunções são importantes elementos de coesão textual. Considerando a função sintático-semântica dos conectivos destacados no excerto, assinale a opção correta.
Alternativas
Q4278993 Português
Por que o T. rex tinha braços ridiculamente pequenos


Um novo estudo trouxe esclarecimentos sobre o motivo pelo qual o Tyrannosaurus rex e outros dinossauros bípedes possuíam braços proporcionalmente reduzidos em relação ao corpo. Os terópodes formavam um grupo variado de dinossauros bípedes, em sua maioria carnívoros, que, embora gigantescos, apresentavam membros anteriores extremamente pequenos, conforme aponta o pesquisador Charlie Roger Scherer, doutorando no University College London. O T. rex, por exemplo, atingia entre doze e treze metros de comprimento, mas seus braços mediam apenas um metro, extensão que, contudo, era suficiente para auxiliar no acasalamento ou no levantamento do solo.

A pesquisa desenvolvida pela Universidade de Cambridge e pelo University College London indica que esses animais podem ter perdido os braços longos por eles não serem mais úteis na captura de presas, favorecendo o desenvolvimento de cabeças e mandíbulas maiores e mais potentes. Ao analisar oitenta e duas espécies de terópodes, os cientistas constataram que a redução dos membros anteriores ocorreu em cinco grupos distintos, incluindo os tiranossaurídeos.

A equipe também desenvolveu um método para mensurar a potência do crânio a partir de suas dimensões e da fusão óssea. Conforme explicou a coautora Elizabeth Steell, de Cambridge, foram examinadas as proporções entre o crânio e o tamanho corporal, bem como o comprimento dos membros anteriores em comparação ao crânio e ao corpo, buscando-se padrões e tendências.

Os resultados demonstraram que o encurtamento dos braços estava mais associado ao surgimento de crânios volumosos e mandíbulas fortes do que ao aumento do tamanho corporal geral, o que indica que os membros menores não eram mero reflexo de corpos grandes. Prova disso é o Majungasaurus, grande predador de Madagascar que possuía braços reduzidos e cabeça poderosa, mesmo sem apresentar um porte físico tão avantajado. Scherer destacou que tais adaptações ocorreram com frequência em regiões com presas gigantes, o que sugere uma relação com as estratégias de caça.

Partes da alimentação desses terópodes consistiam em herbívoros gigantescos, como os saurópodes. Os pesquisadores suspeitam que o aumento do tamanho desses herbívoros tenha motivado o fortalecimento do crânio dos predadores, que precisaram substituir o uso das garras pelas mandíbulas na caça para triunfarem em uma corrida evolutiva. Scherer observou que segurar um saurópode de trinta metros com as garras não era viável, sendo mais eficaz atacar com as mandíbulas. Dessa forma, a cabeça assumiu o papel de principal meio de ataque, fazendo com que os braços, por desuso, perdessem utilidade e diminuíssem com o tempo.

Por outro lado, Steell ressaltou que alguns dinossauros ainda utilizavam os braços, mas estes apresentavam crânios diferenciados, mais alongados e delicados. Embora Scherer reconheça que o estudo demonstre uma correlação, e não uma prova definitiva de causalidade, ele considera provável que o fortalecimento craniano tenha antecedido o encurtamento dos braços, pois não faria sentido evolutivo abandonar um mecanismo de ataque sem uma alternativa prévia.

O estudo revelou ainda que a redução dos membros ocorreu de formas variadas entre os grupos de terópodes: enquanto alguns encurtaram especialmente as mãos e antebraços, outros reduziram o membro de maneira uniforme, sinalizando caminhos evolutivos paralelos para um mesmo resultado. Steell concluiu que a pesquisa confirma a suspeita de que crânios grandes reduziam a necessidade dos braços, e acrescentou que a metodologia aplicada pode ser útil para estudar a robustez craniana em outros animais, como as aves modernas, que também pertencem ao grupo dos terópodes.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/c77555n28vgo.adaptado.
 O T. rex, por exemplo, atingia entre doze e treze metros de comprimento, mas seus braços mediam apenas um metro, extensão "que", contudo, era suficiente para auxiliar no acasalamento ou no levantamento do solo.
O termo destacado classifica-se como pronome relativo porque __________.
Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas:
Alternativas
Q4276041 Português
Leia o texto e responda à questão.


A unanimidade possível


A reunião começou às nove em ponto, o que, na empresa Horizonte Integrado, significava nove e vinte. Na sala envidraçada, oito pessoas se acomodaram diante de uma tela que exibia o título “Novo Modelo de Colaboração”. Ninguém sabia exatamente o que seria decidido, mas todos concordavam que a decisão já estava atrasada.

Renato, diretor de Estratégia, abriu os trabalhos:

— Precisamos construir um consenso que respeite a diversidade de perspectivas.

A frase foi recebida com acenos graves. Elisa, gerente de Recursos Humanos, anotou “consenso” em seu caderno. Para ela, a palavra significava convencer os demais de que o trabalho presencial deveria aumentar. Otávio, responsável pela área financeira, entendeu o contrário: consenso seria reduzir o espaço físico e, com ele, as despesas. Lúcia, da comunicação, imaginou uma campanha interna com fotografias de pessoas sorrindo ao redor de uma mesa. Bruno, do setor jurídico, preferiu não imaginar nada antes de conhecer os riscos.

— O modelo atual precisa ser flexibilizado — continuou Renato.

— Concordo plenamente — disse Elisa.

Ela pensava em horários mais rígidos, desde que fossem chamados de “faixas de integração”.

— Concordo também — afirmou Otávio.

Ele pensava em eliminar estações de trabalho fixas.

— Faz todo sentido — acrescentou Lúcia.

Ela já escolhera o slogan: “Mais liberdade para estarmos juntos”.

Bruno ergueu a mão:

— Quando falamos em flexibilidade, estamos tratando de presença, jornada, local de trabalho ou metas?

Renato sorriu com a serenidade de quem considera a precisão um obstáculo operacional.

— Estamos tratando de uma visão mais ampla.

Bruno anotou que a visão era ampla o bastante para não caber numa definição.

A discussão prosseguiu. Elisa defendeu “o fortalecimento dos vínculos”. Otávio apoiou, entendendo que vínculos fortalecidos diminuiriam pedidos de demissão. Lúcia apoiou também, imaginando vídeos de aniversários corporativos. Bruno perguntou se os vínculos incluíam obrigações adicionais. Renato respondeu que aquele era um tema para uma etapa posterior, o que, na empresa, designava o lugar onde as perguntas difíceis eram cuidadosamente guardadas.

Perto do meio-dia, surgiu a expressão “autonomia responsável”. Todos a receberam com entusiasmo.

Para Elisa, autonomia responsável significava liberdade para organizar o próprio trabalho, desde que o empregado estivesse disponível quando a liderança julgasse necessário. Para Otávio, significava entregar mais com menos recursos. Para Lúcia, era uma combinação perfeita de palavras positivas. Para Bruno, era uma fórmula que poderia significar qualquer coisa e, por isso mesmo, exigiria quinze páginas de regulamento.

— Então estamos alinhados — concluiu Renato.

Ninguém perguntou em relação a quê.

A ata registrou que o grupo aprovara, por unanimidade, um modelo híbrido, flexível, eficiente, humano e financeiramente sustentável. O documento não indicava quantos dias seriam presenciais, quem escolheria esses dias, como seriam avaliadas as metas nem o que aconteceria quando flexibilidade e controle apontassem para direções opostas.

Na manhã seguinte, cada setor comunicou a decisão à sua maneira.

Recursos Humanos anunciou três dias obrigatórios no escritório. O Financeiro informou que as mesas seriam compartilhadas e que parte do prédio seria devolvida. A Comunicação publicou: “Agora, cada pessoa poderá escolher onde produzir melhor”. O Jurídico enviou uma nota esclarecendo que nenhuma escolha estava autorizada até a publicação das regras.

Os funcionários, surpreendentemente, também concordaram. Alguns entenderam que poderiam trabalhar de casa. Outros concluíram que precisariam voltar ao escritório. Houve quem acreditasse que nada mudaria, hipótese que a experiência tornava bastante plausível.

Renato leu as mensagens e convocou nova reunião.

No convite, escreveu:

“Precisamos alinhar o entendimento sobre o alinhamento.”

Desta vez, todos compreenderam a urgência.

Cada um, naturalmente, compreendeu uma urgência diferente.


Fonte: Banca Elaboradora
Considere os períodos: “A ata registrou que o grupo aprovara, por unanimidade, um modelo híbrido” e “O documento não indicava quantos dias seriam presenciais, quem escolheria esses dias, como seriam avaliadas as metas nem o que aconteceria quando flexibilidade e controle apontassem para direções opostas”. Assinale a alternativa correta sobre a estrutura sintática.
Alternativas
Q4276039 Português
Leia o texto e responda à questão.


A unanimidade possível


A reunião começou às nove em ponto, o que, na empresa Horizonte Integrado, significava nove e vinte. Na sala envidraçada, oito pessoas se acomodaram diante de uma tela que exibia o título “Novo Modelo de Colaboração”. Ninguém sabia exatamente o que seria decidido, mas todos concordavam que a decisão já estava atrasada.

Renato, diretor de Estratégia, abriu os trabalhos:

— Precisamos construir um consenso que respeite a diversidade de perspectivas.

A frase foi recebida com acenos graves. Elisa, gerente de Recursos Humanos, anotou “consenso” em seu caderno. Para ela, a palavra significava convencer os demais de que o trabalho presencial deveria aumentar. Otávio, responsável pela área financeira, entendeu o contrário: consenso seria reduzir o espaço físico e, com ele, as despesas. Lúcia, da comunicação, imaginou uma campanha interna com fotografias de pessoas sorrindo ao redor de uma mesa. Bruno, do setor jurídico, preferiu não imaginar nada antes de conhecer os riscos.

— O modelo atual precisa ser flexibilizado — continuou Renato.

— Concordo plenamente — disse Elisa.

Ela pensava em horários mais rígidos, desde que fossem chamados de “faixas de integração”.

— Concordo também — afirmou Otávio.

Ele pensava em eliminar estações de trabalho fixas.

— Faz todo sentido — acrescentou Lúcia.

Ela já escolhera o slogan: “Mais liberdade para estarmos juntos”.

Bruno ergueu a mão:

— Quando falamos em flexibilidade, estamos tratando de presença, jornada, local de trabalho ou metas?

Renato sorriu com a serenidade de quem considera a precisão um obstáculo operacional.

— Estamos tratando de uma visão mais ampla.

Bruno anotou que a visão era ampla o bastante para não caber numa definição.

A discussão prosseguiu. Elisa defendeu “o fortalecimento dos vínculos”. Otávio apoiou, entendendo que vínculos fortalecidos diminuiriam pedidos de demissão. Lúcia apoiou também, imaginando vídeos de aniversários corporativos. Bruno perguntou se os vínculos incluíam obrigações adicionais. Renato respondeu que aquele era um tema para uma etapa posterior, o que, na empresa, designava o lugar onde as perguntas difíceis eram cuidadosamente guardadas.

Perto do meio-dia, surgiu a expressão “autonomia responsável”. Todos a receberam com entusiasmo.

Para Elisa, autonomia responsável significava liberdade para organizar o próprio trabalho, desde que o empregado estivesse disponível quando a liderança julgasse necessário. Para Otávio, significava entregar mais com menos recursos. Para Lúcia, era uma combinação perfeita de palavras positivas. Para Bruno, era uma fórmula que poderia significar qualquer coisa e, por isso mesmo, exigiria quinze páginas de regulamento.

— Então estamos alinhados — concluiu Renato.

Ninguém perguntou em relação a quê.

A ata registrou que o grupo aprovara, por unanimidade, um modelo híbrido, flexível, eficiente, humano e financeiramente sustentável. O documento não indicava quantos dias seriam presenciais, quem escolheria esses dias, como seriam avaliadas as metas nem o que aconteceria quando flexibilidade e controle apontassem para direções opostas.

Na manhã seguinte, cada setor comunicou a decisão à sua maneira.

Recursos Humanos anunciou três dias obrigatórios no escritório. O Financeiro informou que as mesas seriam compartilhadas e que parte do prédio seria devolvida. A Comunicação publicou: “Agora, cada pessoa poderá escolher onde produzir melhor”. O Jurídico enviou uma nota esclarecendo que nenhuma escolha estava autorizada até a publicação das regras.

Os funcionários, surpreendentemente, também concordaram. Alguns entenderam que poderiam trabalhar de casa. Outros concluíram que precisariam voltar ao escritório. Houve quem acreditasse que nada mudaria, hipótese que a experiência tornava bastante plausível.

Renato leu as mensagens e convocou nova reunião.

No convite, escreveu:

“Precisamos alinhar o entendimento sobre o alinhamento.”

Desta vez, todos compreenderam a urgência.

Cada um, naturalmente, compreendeu uma urgência diferente.


Fonte: Banca Elaboradora
No período “Houve quem acreditasse que nada mudaria, hipótese que a experiência tornava bastante plausível”, considere o primeiro “que”, em “acreditasse que”, o segundo “que”, em “hipótese que”, e a palavra “bastante”.

Assinale a alternativa correta. 
Alternativas
Q4262319 Português
Leia o texto 1, que se aplica à questão.


A tecnologia não transforma o mundo sozinha. São as pessoas que, ao utilizá-la, recriam práticas sociais, alteram relações de poder e redefinem modos de viver. A ilusão de que a inovação técnica, por si só, resolveria os problemas da sociedade ignora que toda tecnologia é também produto de interesses humanos.
A conjunção “que” no trecho do texto 1 “São as pessoas que, ao utilizá-la…” exerce função de
Alternativas
Q4261176 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Família feliz


Família é feliz quando sua casa vive cheia. Isso não me sai da cabeça. Sei o valor da paz, de um final de semana de silêncio e preguiça, mas, talvez por efeitos da criação, costumo medir o contentamento pela bagunça.


A residência na infância se mantinha concorrida, a tal ponto que até as visitas abriam a porta para quem tocava a campainha. Não dávamos conta de cumprir as formalidades de anfitriões. Não havia certeza e garantia de quantos pratos seriam necessários. O feijão recebia sempre mais um copo d'água para não se morrer de fome. Pessoas chegavam e partiam sem avisar.


Família feliz terá um estoque de colchonetes. Como as camas pertencem aos seus donos, o negócio é tomar o chão. Lembro que, de férias no litoral, era difícil levantar e não pisar nos parentes que dormiam na sala. Você pulava obstáculos, minas humanas. Cada um se acomodava como podia para aproveitar o veraneio.


Família feliz terá um arsenal de cadeiras de praia. Aquelas dobráveis, amarelas, penduradas em ganchos na parede ou encostadas na área de serviço. Pois é má-educação permitir que alguém fique de pé. Parece que somos proprietários de bar. Trata-se de uma prevenção para nunca faltar assento. A decoração se perde em uma roda de chimarrão em torno da televisão. Qualquer ambiente fechado se eleva à condição de varanda improvisada.


Família feliz terá pilha de cervejas na geladeira. Ainda que seja abstêmia, não proíbe o prazer da saideira.


Família feliz terá a louça acumulada na pia no sábado e domingo. Não consegue parar para lavar. Usará sua última porcelana antes de pegar na esponja. Maníacos por limpeza enlouquecem.


A mesa jamais é desfeita. O almoço vira sobremesa, que vira café da tarde, que vira jantar, que vira sobremesa de novo. A toalha ganha nódoas de molho e contornos vermelhos dos cálices de vinho e das xícaras: um sudário da gula. Impossível se conservar imaculada. Lotará o varal na segunda-feira.


Família feliz terá manta no sofá. Desistiu de tentar salvá-lo das manchas, dos rasgões, da descostura, e cobriu seus ombros. É o móvel mais frequentado, sobretudo se existe como recliná-lo. Um pit stop para a digestão e para as sestas involuntárias.


Família feliz terá baralho de cartas, dominó ou varetas, todos gastos pelo uso. O entardecer combina com pife, e buraco, e brigas, e implicâncias entre quem joga sério e quem rouba. 


Família feliz terá uma caixinha de som. Começa com MPB dos velhos, os jovens assumem o controle pouco a pouco e a playlist desanda em funk e coreografias incompreensíveis.


Família feliz é a desordem doméstica e a busca desesperada por atender tanta gente de surpresa com ventiladores barulhentos e isopores.


Todos falam ao mesmo tempo e ninguém deixa de ser ouvido. Os apelidos sufocam os nomes próprios. Os objetos circulam anonimamente: um carregador de celular, um abajur, uma travessa. Aceitam-se as piadas e as lembranças remotas mais constrangedoras.


O lar oferece horas de saudável confusão, de vozerio, de brincadeiras. Apenas a faxina na manhã seguinte é terrivelmente solitária. 


Autor: Fabrício Carpinejar
No período "O almoço vira sobremesa, que vira café da tarde, que vira jantar, que vira sobremesa de novo", as ocorrências do vocábulo "que": 
Alternativas
Q4259984 Português

Assinale a alternativa cujos elementos preenchem corretamente as lacunas a seguir, na mesma ordem:



- Eis o funcionário ________ confio plenamente.


- Aquele é o meu vizinho, ________ desconfio o tempo todo.


- Esta é a mercadoria ________ me referi no documento que entreguei ontem à Diretoria.

Alternativas
Q4258731 Português
Leia o texto para responder à questão.

IA é usada por técnicos, equipe médica e gestores de times de futebol

        As decisões estratégicas dentro das quatro linhas do campo de futebol sempre foram baseadas em observação direta, experiência acumulada e intuição do treinador. O avanço da ciência da computação nos últimos anos vem alterando esse quadro. Novas pesquisas na área da inteligência artificial (IA) têm disponibilizado ferramentas que podem ampliar o repertório dos técnicos, munindo esses profissionais com sistemas capazes de analisar milhares de dados por partida, identificar padrões coletivos de jogo e apoiar decisões técnicas e gerenciais.
    
        A análise dos dados de jogadores nos jogos – movimentação, capacidade de explosão, roubos de bola e outras características importantes – é uma das grandes vantagens da integração da IA no futebol, segundo um artigo de revisão elaborado por um grupo de pesquisadores do Brasil, de Portugal e do Reino Unido, que analisou 32 estudos feitos na área.
  
        “A revisão mostra que os modelos de inteligência artificial conseguem transformar dados complexos das partidas em informação útil para os treinadores. Tudo de maneira muito rápida”, contou à Pesquisa FAPESP o cientista do esporte Luís Branquinho, do Instituto Politécnico de Portalegre, em Portugal, um dos autores do estudo. As informações fornecidas pelos modelos de IA, ele explica, indicam a posição dos jogadores e da bola em cada milissegundo da partida, indo muito além do que o auxiliar técnico pode perceber, anotar e analisar depois, mesmo com o apoio de outros membros da comissão técnica.
    
        A IA também pode beneficiar os departamentos médicos dos times de futebol – e, em última instância, o setor financeiro do clube – com a prevenção de lesões nos jogadores. “As novas técnicas não impedem uma lesão súbita, mas permitem acompanhar a evolução de possíveis danos no corpo do atleta”, conta Branquinho.

(Enrico Di Gregorio. https://revistapesquisa.fapesp.br/, maio de 2026. Adaptado)
Pesquisadores do Brasil, de Portugal e do Reino Unido dedicaram-se _________ análise de 32 estudos feitos na área da IA no futebol e concluíram ___________ os modelos de inteligência artificial conseguem transformar dados complexos das partidas em informação útil para os treinadores.

Em conformidade com a norma-padrão, as lacunas devem ser preenchidas, respectivamente, com:
Alternativas
Q4258670 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Quatro pesquisas científicas que pareciam absurdas, mas tiveram resultados brilhantes


Há 25 anos, no 11 de setembro de 2001, um grupo extremista transformou aviões comerciais em armas contra alvos nos Estados Unidos. Atônito, o mundo buscou informações na internet, que na época ainda não suportava um volume tão grande de acessos e praticamente parou.

Sunil Nakrani, engenheiro elétrico e doutorando em Oxford, tentou compreender o colapso. Cada site ficava hospedado em um servidor com capacidade limitada.

Quando milhares de pessoas acessavam o mesmo conteúdo ao mesmo tempo, o servidor não conseguia atender a todos, mesmo que outros servidores estivessem ociosos. A questão era como alocar servidores de maneira eficiente para acompanhar um tráfego em constante mudança.

Como viajava com frequência a Atlanta, onde a mulher trabalhava, Nakrani procurou especialistas do Instituto de Tecnologia da Geórgia, onde conheceu Craig Tovey, especialista em engenharia industrial. Depois de ouvir Nakrani, Tovey percebeu que a resposta estaria nas abelhas.

Para a colmeia, é essencial armazenar mel suficiente para o inverno. As abelhas precisam coletar néctar de milhões de flores que prosperam em épocas e horários diferentes, disputando recursos com outras espécies. Mesmo sem uma líder, agem com eficiência graças à sabedoria da colmeia, explica Tom Seeley, biólogo da Universidade de Cornell.

Anos antes, Tovey uniu-se a Seeley e a outros dois engenheiros para entender como as abelhas resolvem esse problema. A pesquisa envolveu transportar milhares de abelhas identificadas até fontes artificiais de néctar para observar seu comportamento. O segredo para marcá-las era imobilizá-las, reduzindo a temperatura corporal.

O estudo ajudou a compreender o comportamento das abelhas, mas até Nakrani encontrar Tovey era o tipo de pesquisa que críticos consideram inútil. Da parceria surgiu o algoritmo das abelhas aplicado a servidores, que lida com picos de acesso e evita o frustrante ícone de carregamento.

Em 2016, o estudo recebeu o Prêmio Ganso de Ouro, criado para destacar pesquisas aparentemente obscuras que resultaram em grande impacto social. A premiação foi idealizada pelo congressista Jim Cooper para contrapor o Prêmio Velocino de Ouro, que ridicularizava gastos públicos com ciência.

Segundo Joanne Padrón Carney, da Associação Americana para o Avanço da Ciência, o prêmio mostra que descobertas científicas levam tempo e que pesquisas consideradas tolas podem ter impacto duradouro. A curiosidade, disse ela, é parte da natureza humana. Quando os recursos são escassos, prioriza-se a pesquisa orientada por missão, mas é preciso equilibrá-la com a pesquisa básica, pois não se sabe de onde virão os próximos avanços. Esse investimento vem diminuindo em vários países.

Hoje, o mundo está voltado para a inteligência artificial, cujas bases vieram da neurociência, não da computação. Na década de 1970, cientistas modelaram redes neurais para compreender a cognição humana. Esse trabalho serviu de base para o aprendizado de máquina. Geoffrey Hinton, homenageado com o Ganso de Ouro, ganhou o Nobel em 2024. Ele e seus colegas James McClelland e David Rumelhart começaram movidos pela simples curiosidade de entender os processos cognitivos do cérebro.

Carney citou outro caso: uma indústria de biotecnologia surgiu porque dois cientistas queriam entender por que certas bactérias sobrevivem em fontes termais. Na década de 1960, Thomas Brock e Hudson Freeze foram a Yellowstone estudar a lama esverdeada das águas quentes. Descobriram a Thermus aquaticus, que se desenvolvia em temperaturas extremas. Brock agia por pura curiosidade.

Décadas depois, Kary Mullis percebeu que uma enzima dessa bactéria, a Taq polimerase, resistia ao calor exigido pela técnica PCR, que permite multiplicar fragmentos de DNA. A técnica viabilizou os testes de covid-19 em escala mundial e, antes da pandemia, já era essencial na medicina, na genética e na ciência forense. O estudo em Yellowstone, financiado com 80 mil dólares, gerou retorno incalculável. Mullis recebeu o Nobel; Brock e Freeze, o Ganso de Ouro.

O exemplo seguinte é ainda mais improvável. Na década de 1960, o biofísico Barnett Rosenberg e sua equipe estudavam como campos elétricos afetavam bactérias quando algo inesperado aconteceu: as bactérias pararam de se dividir. A equipe atribuiu o efeito ao campo elétrico, mas estava errada. Os eletrodos de platina liberavam compostos que impediam a multiplicação celular. Essa observação, quase descartada, levou à cisplatina, um dos quimioterápicos mais importantes, aprovado em 1978. Antes dela, a sobrevivência ao câncer de testículo era de cerca de 10%; com a cisplatina, passou de 90%. Em 2025, os três pesquisadores receberam o Prêmio Ganso de Ouro. Não buscavam a cura do câncer. Queriam apenas compreender a natureza. Muitas vezes, isso basta.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/c07rk5lrl38o.adaptado.
Carney citou outro caso: uma indústria de biotecnologia surgiu porque dois cientistas queriam entender "por que" certas bactérias sobrevivem em fontes termais.
Analise as asserções a seguir e a relação proposta entre elas.

I.O emprego da expressão destacada está correto no trecho.

PORQUE

II.Nesse contexto, "por qual motivo" pode substituir a referida expressão, justificando sua grafia em duas palavras.

Assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4251473 Português

Texto para o item.

Quando a clareza se torna lei: a linguagem simples como porta de entrada do cidadão

A Lei nº 15.263/2025 institui a Política Nacional de Linguagem Simples em toda a Administração Pública. É importante destacar que se trata de uma mudança estrutural, pois, a partir de agora, o Estado brasileiro tem o dever jurídico de falar com as pessoas de forma objetiva, direta e compreensível.

A lei parte de uma constatação óbvia, mas historicamente ignorada: se o cidadão não entende o que o Estado diz, o direito existe somente no papel. A Política Nacional de Linguagem Simples tem, dentre outros, os objetivos de permitir que qualquer pessoa consiga encontrar, entender e usar as informações públicas; reduzir a dependência de intermediários para interpretar textos oficiais; e facilitar a participação social e o controle das políticas públicas. Logo, a linguagem simples proporciona redução de burocracia, ruídos na comunicação e retrabalho.

A linguagem simples não significa a “infantilização” do discurso público. É, ao contrário, o reconhecimento de que a maturidade democrática exige que o Estado fale a mesma língua dos cidadãos.

A lei define linguagem simples como um conjunto de técnicas que envolve frases em ordem direta; períodos curtos; uma ideia por parágrafo; uso de palavras comuns; explicação de termos técnicos; necessidade de evitar estrangeirismos desnecessários; organização da informação mais importante logo no início do texto; e uso de listas, tabelas e recursos gráficos. Também exige testar a compreensão do público‑alvo e prevê cuidados específicos para a acessibilidade e para a comunicação com povos indígenas em suas línguas, sempre que for possível.

Quando o governo passa a se comunicar na “mesma língua” dos cidadãos, as regras passam a ser mais bem entendidas como parte de um contrato social ao qual nos submetemos. Por esse motivo, a linguagem simples se materializa como um recurso eficiente, pois aproxima a sociedade do governo que a representa e se torna um poderoso instrumento de cidadania.

Internet: <jornal.usp.br> (com adaptações).

Em relação ao texto e aos seus aspectos linguísticos, julgue os itens a seguir.

Na construção “A lei define linguagem simples como um conjunto de técnicas que envolve frases em ordem direta”, o vocábulo “que” atua como um pronome relativo, exercendo papel coesivo anafórico ao retomar o substantivo “conjunto”
Alternativas
Q4251466 Português

Texto para o item. 

Uso de inteligência artificial na Administração Pública já traz benefícios 

Uma entre dez prefeituras brasileiras usa inteligência artificial, e também um entre quatro órgãos públicos federais. A informação foi passada durante audiência pública da Comissão de Ciência, Tecnologia e Inovação da Câmara, que tratou dos desafios e das oportunidades do uso da inteligência artificial (IA) na Administração Pública.

O presidente do Instituto Illuminante de Inovação Tecnológica e Impacto Social, Gilberto Lima Júnior, acha que o uso ainda é pequeno, mas já trouxe benefícios. Ele citou o exemplo do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), que acelerou o trâmite de marcas e patentes por meio de uma ferramenta de IA: a Fel INPI.

Já o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) usa a IA para detectar fraudes no programa Bolsa Família. Uma inovação mais perceptível é o chatbot, programa de computador que simula conversas para facilitar o acesso a serviços essenciais, além de auxiliar internamente, como ocorre no Ministério da Gestão.

A IA promove redução de 30% nos custos de operação e aumento de 40% na produtividade, segundo a coordenadora‑geral do Laboratório de Inovação em Inteligência Artificial da Escola Nacional de Administração Pública (Enap), Patrícia Baldez. Ela comentou também o caso de Pernambuco, que trabalha em regime no click, em que o estado entra em contato com o cidadão quando sabe que há a necessidade.

A respeito disso, Baldez citou um exemplo: quando uma criança faz aniversário, a mãe recebe uma mensagem pela internet caso a idade coincida com o calendário de vacinação. O aviso já informa o posto de saúde mais próximo.

“Até 2030, 80% dos empregos vão ser impactados por inteligência artificial. Até 2044, 50% dos empregos serão substituídos por inteligência artificial e, principalmente, os empregos que demandam mais intelecto. A questão braçal (mecânica) ainda vai demorar um pouco mais a chegar”, disse Baldez.

Internet: <www.camara.leg.br> (com adaptações).


Em relação ao texto e aos seus aspectos linguísticos, julgue os itens a seguir.

Na construção “A informação foi passada durante audiência pública da Comissão de Ciência, Tecnologia e Inovação da Câmara, que tratou dos desafios e das oportunidades do uso da inteligência artificial (IA) na Administração Pública.”, caso o pronome “que” fosse substituído pela estrutura em que, a forma verbal “tratou” deveria ser, obrigatoriamente, alterada para tratou‑se.
Alternativas
Q4251199 Português

Milhões ainda vivem sem água tratada no Brasil,

apesar da abundância hídrica


No Dia Mundial da Água, Funasa apresenta soluções

em escala e mais de R$ 4 bilhões em ações para

enfrentar desigualdade no acesso


    Apesar de o Brasil concentrar uma das maiores reservas de água doce do mundo, o acesso à água tratada ainda é desigual e afeta milhões de brasileiros. Dados mais recentes do IBGE mostram que, em 2024, apenas 86,3% dos domicílios tinham acesso à rede geral de abastecimento de água, enquanto cerca de 3 em cada 10 lares ainda não estavam conectados à rede de esgoto. Em áreas rurais, o cenário é ainda mais crítico: apenas cerca de um terço das residências conta com abastecimento por rede geral.  


    No Dia Mundial da Água, celebrado em 22 de março, a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) chama atenção para esse desafio estrutural e destaca soluções já em andamento que vêm ampliando o acesso à água segura e reduzindo desigualdades no país, principalmente nas Regiões Norte e Nordeste, que concentram os piores índices.


Soluções práticas


   Com foco em municípios de pequeno porte, áreas rurais e populações vulneráveis, a Fundação aposta em tecnologias de baixo custo e alta replicabilidade. Uma das principais iniciativas é o Salta-Z – sistema simplificado de tratamento de água desenvolvido por técnicos da Superintendência da Funasa do Pará –, que vem sendo expandido em todo o país, com previsão de cerca de 2,6 mil novas unidades para a região Amazônica apenas este ano, levando água potável a comunidades isoladas.  


   No semiárido, a estratégia passa pelo fortalecimento do programa de cisternas, com cerca de 21 mil unidades em implantação em oito estados neste ano, ampliando a segurança hídrica e reduzindo a dependência de fontes precárias. A tecnologia tem impacto direto na vida das famílias, especialmente de mulheres, que historicamente assumem a responsabilidade pelo acesso à água. 


   Outro eixo de atuação são as Melhorias Sanitárias Domiciliares (MSD), com editais lançados em 2025 para ampliar intervenções em residências, incluindo banheiros, soluções de esgotamento sanitário e acesso à água tratada – medidas essenciais para prevenir doenças e promover ambientes mais saudáveis. 


    A Funasa também vem avançando na reativação de laboratórios de análise da qualidade da água, fortalecendo a capacidade de monitoramento da potabilidade e a vigilância em saúde ambiental em articulação com o Sistema Único de Saúde (SUS). 


R$ 4 bilhões em saneamento


    No total, a Fundação mantém atualmente mais de R$ 4 bilhões em instrumentos vigentes, voltados a obras, tecnologias e ações estruturantes de saneamento e saúde ambiental em todo o país.


    Para o presidente da Funasa, o enfrentamento da desigualdade no acesso à água exige soluções adaptadas à realidade brasileira. “Saneamento é direito, não privilégio. Levar água segura às populações mais vulneráveis é uma das formas mais eficazes de prevenir doenças, reduzir desigualdades e promover dignidade”, afirma. 


    Segundo ele, essas iniciativas concretas reforçam que o avanço do saneamento no Brasil passa não apenas por grandes obras, mas também por soluções simples, eficazes e escaláveis – capazes de transformar, de forma imediata, a vida de milhões de brasileiros. 


Disponível em: https://www.gov.br/funasa/pt-

br/assuntos/noticias/2026/marco/milhoes-ainda-vivem-sem-agua-

tratada-no-brasil-apesar-da-abundancia-hidrica. Acesso em: 01 jun.

2026. 

Assinale a alternativa na qual a palavra “que” tem função diferente da desempenhada no seguinte trecho: “A tecnologia tem impacto direto na vida das famílias, especialmente de mulheres, que historicamente assumem a responsabilidade pelo acesso à água.”.  
Alternativas
Respostas
1: C
2: D
3: A
4: E
5: E
6: B
7: E
8: D
9: E
10: C
11: D
12: A
13: B
14: D
15: E
16: E
17: C
18: C
19: E
20: A