Questões de Concurso Sobre funções morfossintáticas da palavra que em português

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Q3551400 Português
Débora Ferraz - Ogivas

Por Alexandre Kovacs

        A ambiguidade no título desta mais recente antologia de contos de Débora Ferraz desperta a curiosidade do leitor. Afinal, trata-se de referência às estruturas formadas por dois arcos que se cortam em ângulo, chamadas também de arcos ogivais, tão comuns na arquitetura gótica que revolucionou a história da arte ou trata-se de referência às temidas ogivas nucleares, presentes nos mísseis de longo alcance? Depois de ler as narrativas curtas e afiadas da autora, não me resta dúvida de que a intenção aqui é de que a arte, na forma leve de construção literária dos contos, possa ser também uma arma demolidora contra o preconceito e a violência cotidiana.

        E Débora Ferraz, que já foi vencedora dos Prêmios Sesc e São Paulo de Literatura, prepara as suas bombas como uma "exímia terrorista literária" na ótima definição do escritor Bruno Ribeiro na orelha do livro. No curto espaço de manobra dos contos, utilizando uma estrutura narrativa que tem muito de visual, Débora coloca o leitor no centro da ação desde o início, fazendo com que os detonadores sejam acionados quando menos se espera.

        Em "Você", uma estrutura narrativa em segunda pessoa trabalha de forma bem-humorada com os delírios de um ex-fumante que luta contra o vício (ler trecho abaixo), colocando em dúvida a própria condição mental do protagonista (você/eu). Por sinal, o humor está presente na maioria dos contos, com exceção de alguns como: "Pedra, papel e tesoura" que lida com a tragédia das balas perdidas que destroem futuros nas periferias dos grandes centros urbanos, "Dois perdidos em um dia branco", no qual um casal de amigos perdedores compartilha o alcoolismo e a falta de esperança na vida, assim como o sensível "Quatro de julho" que encerra o livro com o resumo de uma relação entre pai e filho por meio do futebol e das decisões de algumas copas do mundo disputadas pelo Brasil.

        "Foi desde a última quinta que o desejo de fumar veio com tudo. Bastou o avião pousar no aeroporto Santos Dumont e suas grandes habilidades começaram a pulular. Bastou caminhar pelo saguão com todas aquelas lojas oferecendo cigarros, descaradamente. Uma coisa que descobri faz pouco tempo é que todo fumante sempre sabe onde o cigarro está. É uma espécie de sexto sentido. Mas os fumantes em recuperação são ainda piores. Eles sabem até dos lugares em que podem consegui-los na unidade (ah, unidades são os queridinhos dos fumantes em recuperação otimistas). Um fumante em recuperação, tal como um agente secreto ou um paranóico, ele está o tempo inteiro, enquanto finge falar com você, enquanto anda pelo saguão, enquanto preenche o cadastro, ele está o tempo inteiro esquadrinhando sua área em busca do inimigo. Conhece todas as rotas que o levam ao cigarro. Você envelhece nesse tempo inteiro. E foi assim que ontem você saiu de bermuda até o bar da esquina. Estava fechado. Menos mal, você pensou. Você disse a si mesmo que não, que de jeito nenhum. Isso não teve a menor intenção de saber a que horas aquele bar fechava. Então voltou para casa, fez polichinelos, flexões, marinheiro, agachamentos... Hoje está praticamente aleijado de dor muscular. E ainda assim querendo um cigarro." (p. 114-5) - Trecho do conto “Você” 

        No assustador e real "Notas sobre a travessia", novamente uma opção da autora pela transição da narrativa em primeira para segunda pessoa, também não há espaço para o humor quando a protagonista declara na abertura: "Tem uma bomba-relógio presa em meu corpo" e apresenta em retrospecto os primeiros dias da pandemia em 2020, o medo de um vírus então muito pouco conhecido e que ela carregava em seu próprio organismo ao retornar para o Brasil: "Mas, neste momento, parada de pé no meio do aeroporto de Guarulhos, você é uma personagem. Você decide ali mesmo pela paranoia. No fundo, sentir medo sempre foi sua especialidade."

        E assim, com suas ogivas literárias, o livro de Débora Ferraz atinge o objetivo ao nos fazer refletir sobre as dificuldades de preservar o nosso resto de humanidade ainda possível em um mundo que mantém a sua rota de autodestruição ou, até mesmo, de enfrentar as nossas crises pessoais. Exemplo disso está em "O filhote do terremoto" (ler trecho abaixo), um conto que demonstra com muito lirismo a chegada da terceira idade, mesmo sendo uma condição ainda distante para a jovem autora, o texto é muito convincente. Uma obra recomendada e que se destaca na literatura contemporânea pela coragem na escolha dos temas.

        "Aí depois foi bem no cantinho do olho. Começou a tremer também. Sabe quando dizem que é vista cansada? É isso... é isso. Cansaço. Eu abstraía a sensação nos meus movimentos repetidos. Descascar cebola, me encolher nos dias, olhar o menino brincando, derramar chá. Então, já era o dedinho e o canto do olho. O terremoto que me abalava os dias. Parte de mim trabalhava, inconscientemente, apenas para observar que os outros, minguados e distantes, mal perceberam o fato de que meu olho começava a rachar. Dava pra ver, se olhasse de perto, os vincos formando. São sinais tão claros, meu Deus... Eu conseguia ouvir o barulho, até. Era dentro de mim. E só de sentir, sozinha, eu sabia que eu ainda ia rachar inteira. O terremoto desfazia minhas bases. Definitivo. Fadado. Dava uma agonia medonha. Mas deixa que passa. Essas coisas são assim mesmo, não são? Dá e passa." (p. 174) - Trecho do conto “O filhote de terremoto”

Disponível em https://www.mundodek.com/2022/04/debora-ferraz-ogivas.html. Adaptado. Acessado em 06.maio.2024.
*Sobre a autora: Débora Laís Ferraz dos Santos é uma escritora brasileira contemporânea. Nasceu no sertão de Pernambuco, mudou-se ainda em 2001 para João Pessoa, onde formou-se em Jornalismo pela Universidade Federal da Paraíba, em 2009. Escreveu seu primeiro livro, Os anjos, em 2003.

‘Pedra, papel e tesoura’ que lida com a tragédia das balas perdidas que destroem futuros nas periferias dos grandes centros urbanos...”. O pronome relativo faz a retomada de um substantivo anteriormente mencionado em uma frase. No trecho em destaque, extraído do Texto, a partícula “que” funciona morfologicamente como pronome relativo que está exercendo função sintática de
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Q3547103 Português
Estudo com esponjas de 300 anos mostra que a Terra ficou 1,5ºC mais quente


O Acordo de Paris, um dos principais tratados internacionais sobre a crise climática, tem como objetivo evitar que o aquecimento global ultrapasse 2ºC até 2100. A meta é que esse aumento não seja maior do que 1,5ºC. No entanto, em estudo publicado na revista Nature nesta segunda-feira (5), pesquisadores apontam que o planeta já atingiu esse valor.


Liderado por Malcolm McCulloch, da Universidade da Austrália Ocidental, o estudo utiliza um método alternativo para mensurar o aquecimento da Terra. A análise de esqueletos de esponjas sugere que o aquecimento da era industrial começou em meados dos anos 1860 – mais de 80 anos antes do que indicavam outros métodos.


O IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU), por exemplo, tem como referência o registro da temperatura da superfície do oceano, que começou a ser feito instrumentalmente entre 1850 e 1900. Esse é o período considerado pré-industrial. A partir dele, calcula-se quanto o planeta tem aquecido. No entanto, McCulloch aponta que, nesse mesmo período, as temperaturas globais já haviam subido 0,5ºC. “Nosso resultado é 0,5ºC mais elevado do que a estimativa do IPCC, com um aquecimento global de 2ºC projetado para o final dos anos 2020, quase duas décadas mais cedo do que se esperava”, diz a pesquisa. Segundo os pesquisadores, o planeta ultrapassou 1,5ºC de aquecimento entre 2010 e 2012.


Esponjas antigas


Para chegar a tais conclusões, os cientistas avaliaram a proporção de estrôncio e cálcio em esqueletos de esponjas de 300 anos da espécie Ceratoporella nicholsoni, cuja proporção muda somente com a temperatura da água, o que permite que seja empregada como uma espécie de termômetro. As esponjas são típicas da costa de Porto Rico e ficam em uma área protegida de grandes correntes marítimas e ciclos climáticos, na qual há menor variabilidade na temperatura da água. De acordo com a pesquisa, esponjas antigas podem fornecer evidências relativas a temperaturas até mesmo do século 18.


Os exemplares analisados foram coletados no Caribe a uma profundidade entre 33 e 91 metros, em uma região denominada camada de mistura oceânica. “A temperatura da superfície do mar pode ser altamente variável em cima”, reconhece McCulloch. “Mas essa camada de mistura representa o sistema inteiro dentro de algumas centenas de metros e está em equilíbrio com as temperaturas da atmosfera”, explica em nota. A equipe também observou que as temperaturas obtidas a partir da análise das esponjas são compatíveis aos registros de temperaturas médias de 1964 a 2012.


Não é a primeira vez que estudos sugerem que o planeta está aquecendo desde a década de 1860. Outras formas alternativas de mensurar as temperaturas globais (com núcleos de gelo e anéis de árvores, por exemplo) obtiveram resultados similares. No entanto, o assunto ainda é debatido na comunidade científica.


Sabe-se que a Terra está ficando cada vez mais quente devido à atividade humana, mas o aumento exato relativo aos níveis pré-industriais é alvo de discussões. Há cientistas que defendem que mais estudos precisam ser feitos, utilizando métodos e fontes variados. “Cada proxy de temperatura que encontrarmos terá problemas, ressalvas e limitações. Portanto, é uma questão de juntar o máximo de proxies possível”, afirma Hendry. “Quanto mais peças diferentes do quebra-cabeça pudermos juntar, melhor nós conseguiremos reconstruir essas diferenças de temperatura.”


Revista Galileu. Adaptado. Disponível em https://revistagalileu.globo.com/ciencia/meioambiente/noticia/2024/02/estudo-com-esponjasde-300-anos-mostra-que-a-terra-ficou-15ocmais-quente.ghtml
Considere o excerto a seguir para responder à questão:

Sabe-se que a Terra está ficando cada vez mais quente devido à atividade humana, mas o aumento exato relativo aos níveis pré-industriais é alvo de discussões. Há cientistas que defendem que mais estudos precisam ser feitos, utilizando métodos e fontes variados.

Os papéis gramaticais dos vocábulos “que”, em destaque no excerto apresentado, são, respectivamente, de:
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Q3545760 Português

LEIA ATENTAMENTE O TEXTO A SEGUIR E RESPONDA À QUESTÃO


PROPOSTAS EM LÍNGUA PORTUGUESA DA BNCC FOCAM NA GRAMÁTICA E NOS GÊNEROS DIGITAIS


Na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), o foco da disciplina é formar para os diversos usos da linguagem e para a participação na sociedade de forma crítica e criativa.

Boa notícia para os professores de Português do Fundamental 1 e 2: a BNCC mantém muitos dos princípios adotados nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs). Um deles é a centralidade do texto e dos gêneros textuais. Isso quer dizer que o ensino de português precisa continuar contextualizado, articulado ao uso social da língua. No entanto, entre as duas décadas que separam os dois documentos, os estudos de linguagens evoluíram bastante. Da mesma forma, a sociedade também passou por profundas alterações, sobretudo por conta da ampliação do uso da tecnologia. A BNCC reflete esse avanço, que se manifesta, principalmente, em dois aspectos: a presença de textos multimodais – popularizados pela democratização das tecnologias digitais – e as questões de multiculturalismo – uma demanda política da contemporaneidade. Confira a seguir as principais mudanças. 


As práticas de linguagem se mantêm, mas é inserida a semiótica

Nos PCNs, a disciplina se organizava em três grandes blocos de conteúdo: Língua Oral, Língua Escrita e Análise e Reflexão sobre a língua. A estrutura proposta pela BNCC se assemelha a essa organização. No novo documento, as habilidades estão agrupadas em quatro diferentes práticas de linguagem: Leitura, Produção de Textos, Oralidade e Análise Linguística/Semiótica. A diferença central refere-se à inserção da análise semiótica. Essa área se refere ao estudo de textos em múltiplas linguagens, incluindo as digitais: como os memes, os gifs, as produções de youtubers etc. Outra mudança é que, para cada um dos eixos, a BNCC propõe um quadro que explicita como se relacionam as práticas de uso e de reflexão. Ou seja: o documento avança na descrição de como podemos refletir sobre a língua, a fim de nos empoderarmos em seu próprio uso.


Os campos de atuação ganham destaque


Uma das maiores mudanças da BNCC para o componente, os Campos de Atuação têm, praticamente, a mesma importância dos eixos temáticos na organização dos objetivos e habilidades que devem ser desenvolvidos durante todo o Ensino Fundamental. De forma geral, sua principal contribuição ao documento é demandar protagonismo dos alunos, mesmo os de anos iniciais, deixando bem clara a necessidade de contextualizar as práticas de linguagem. Para isso, a base leva em conta os campos: 1) da vida cotidiana; 2) da vida pública; 3) das práticas de estudo e pesquisa e 4) artístico/literário.


Os campos de atuação são as áreas de uso da linguagem, na vida cotidiana. Por exemplo: no campo de atuação artístico-literário, temos o uso da língua voltado à produção e à leitura de contos, romances, peças de teatro, poemas. Nesse caso, trata-se de gêneros textuais e usos da linguagem com predominância da atuação artístico-literária. No campo de atuação jornalístico/midiático, encontramos os textos com outra tônica: a da transmissão de informações, da comunicação, da intenção de “vender” um produto/ideia etc.


As diferentes práticas aparecem mais conectadas

Outro avanço do novo documento é a articulação entre as práticas, a partir do entendimento de que a língua mobiliza os diferentes saberes. Assim, as habilidades de escrita constantemente aparecem integradas com práticas linguísticas como as de leitura e as de análise linguística/semiótica. Veja como exemplo a habilidade abaixo:

(EF01LP17) Planejar e produzir, em colaboração com os colegas e com a ajuda do professor, listas, agendas, calendários, avisos, convites, receitas, instruções de montagem e legendas para álbuns, fotos ou ilustrações (digitais ou impressos), dentre outros gêneros do campo da vida cotidiana, considerando a situação comunicativa e o tema/assunto/finalidade do texto.

A formulação se refere a duas atividades articuladas entre si: planejar e produzir a escrita. Os gêneros são indicados (listas, agendas, calendários etc.), assim como é explicitado o campo de atividade, a situação comunicativa, o tema e a finalidade da produção. Mas, para que o aluno desenvolva a habilidade proposta, o professor terá que planejar práticas de leitura/escrita e outras atividades didáticas em que esses fatores estejam envolvidos. E nas quais o aluno seja levado a reconhecê-los na leitura e a considerá-los na produção. Exemplo: que lista será produzida? Por que vamos produzi-la? Para que ela vai servir? Como ela pode facilitar nossa ação? Quem vai usá-la? Que linguagem devemos usar para que ela atinja seus objetivos? Vale destacar que, para esse trabalho, só o texto não basta, será preciso contextualizar o conhecimento escolar, a partir de situações sociais significativas para os estudantes.

(FONTE: PROPOSTAS EM LÍNGUA PORTUGUESA DA BNCC FOCAM NA GRAMÁTICA E NOS GÊNEROS DIGITAIS. [S. l.: s. n.], 2024. Disponível em: https://novaescola.org.br/bncc/conteudo/22/propostas-em-lingua-portuguesa-da-bncc-focam-na-gramatica-e-nos-generos-digitais. Acesso em: 1 jun. 2024.)

Considere o período composto abaixo e analise a construção dos sentidos. “A BNCC reflete esse avanço, que se manifesta, principalmente, em dois aspectos: a presença de textos multimodais e as questões de multiculturalismo.” Qual das alternativas apresenta corretamente a relação sintática entre as oraçõese a função do pronome relativo “que”?  
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Q3545729 Português

Por que e como utilizar narrativas indigenas na alfabetização?


Abordagem diversifica os tipos de textos trabalhados, permite resgatar as contribuições dos povos originários e amplia o repertório e a visão de mundo das crianças  


Qual língua se fala no Brasil? Se “português” é a única resposta que vem à sua mente é porque o processo de colonização e o decorrente apagamento histórico dos povos originários silenciaram, durante séculos, as centenas de línguas indígenas faladas no país. Elas são 274, segundo dados de 2010 do Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 


Foi somente com a Constituição Federal de 1988 que os povos indígenas tiveram assegurado o direito às suas línguas, inclusive no âmbito escolar. E esperariam ainda mais dez anos para, em 1998, o Ministério da Educação (MEC) aprovar o Referencial Curricular Nacional para as Escolas Indígenas (RCNEI). Esse documento estabeleceu as diretrizes para o ensino e a aprendizagem da Educação indigena de forma a preservar e valorizar sua diversidade cultural e linguística. 


O referencial assegurou a chamada alfabetização intercultural, isto é, o direito das pessoas indígenas de se alfabetizarem tanto em sua língua materna como em língua portuguesa em seu processo de escolarização. O objetivo é o de fortalecer as préticas socioculturais de cada comunidade, recuperar suas memorias histéricas e reafirmar suas identidades. 


“A lingua indígena escrita não deixa de ser fruto de um processo colonial porque a gente sabe que a transmissão de conhecimento dos povos indígenas sempre foi oral”, aponta Cristine Takud, da etnia Maxacali, professora da Aldeia Guarani Rio Silveira, em Boraceia (SP). “A escrita das línguas indígenas veio com a catequização, com os jesuitas e salesianos, que foram os primeiros a levar a escola para dentro das comunidades indígenas.”  


Panorama da alfabetização indígena 


Josélia Gomes Neves, uma das responsáveis pela criação do curso de Licenciatura em Educação Básica Intercultural da Universidade Federal de Rondônia (Unir), explica que, no estado, a maioria das comunidades faz uso das suas línguas maternas no convívio familiar e social e tem o primeiro contato com a língua portuguesa praticamente na escola. “Então, geralmente, no 1° ano, a maior parte das atividades acontece na língua materna e, a partir do 2° ano, entra o bilinguismo pedagógico”, diz ela, que também lidera o Grupo de Pesquisa em Educação na Amazônia (GPEA) da Unir.  


A professora detalha como acontece o processo de formação de professores na região onde atua, na Terra Indígena Rio Negro  Ocaia (RO). “O curso trabalha na perspectiva da pedagogia da alterndncia cultural. Os estudantes indígenas vão para a Unir e têm dois meses de aulas intensivas e, em outro período, é feito seu acompanhamento nas aldeias. Há uma aldeia polo que recebe esses alunos para estudos e desenvolvimento de atividades práticas.”


Desafios para preservar a língua materna 


Formado por esse curso, o professor Ihvkuhj Gavião, do povo Ikolen e residente do município de Ji-Paraná (RO), atua desde 2014 na alfabetização de crianças. Ele acredita que preservar a língua materna indígena está diretamente vinculado a preservar o universo cultural que ela nomeia. “Para manter nossa cultura, precisamos ensinar nossa língua a nossos alunos. E quando vamos ensiná-la, tentamos envolver a realidade deles, nossas tradições e costumes, dentro da concepção de Paulo Freire de ler o mundo que nos rodeia”, conta. 


Mas os desafios não são poucos, a começar pela própria escassez de profissionais. “Não há professores com a formação necessária em quantidade suficiente para atender as turmas dos Anos Finais do Ensino Fundamental, por exemplo. Então, nessa etapa, são basicamente professores não indígenas, falantes exclusivamente do português”, comenta Josélia.  


Outra questão são os livros didáticos escritos sob a lógica do modelo eurocéntrico. Apesar da Lei nº 11.645 de 2008, que tornou obrigatório o estudo da histéria e cultura indígena e afro-brasileira nas escolas do país, os conteúdos ainda trazem estereótipos de uma concepção única do que é ser indígena ou adaptações incoerentes. “Um dos materiais que os professores recebem do MEC é uma coleção que foi pensada para a Educação no campo. Ela é totalmente em língua portuguesa e, embora tenha alguma preocupação com o campo, não é na perspectiva da floresta ou dos indígenas”, relata Josélia. 


© Adaptado. Thais Paiva, Revista Nova Escola, 29/04/2024. ihttps://novaescola.org.br/conteudo/21860/narrativas-povosindigenas-alfabetizacaog, 

No periodo a palavra “A escrita das línguas indígenas veio com a catequização, com os jesuitas e salesianos, que foram os primeiros a levar a escola para dentro das comunidades indígenas.”, é correto afirmar sobre a palavra “que”:  
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Q3545524 Português
As cidades que nos abrigam

Historicamente, se registra que a humanidade preferiu construir cidades litorâneas, do que resulta inúmeros centros urbanos próximo aos oceanos, mares e em estuários de rios importantes, muitos com portos movimentados, importantes. Por vezes, as cidades eram fortificadas para conter possíveis ataques por mar. Isso não evitou grandes batalhas entre povos inimigos, e o vencedor poderia se dar ao desfrute de paz durante anos. Mas como os romanos criaram o mote, "si vis pacem para bellum", ou "se quer a paz, prepara-te para a guerra", com isso, a humanidade viveu tranquilamente por anos e séculos.

Atualmente, há conflitos locais e uma preocupação enorme de que essas contendas possam se ampliar regionalmente, ou pior, que sejam usadas armas nucleares, conforme noticia a mídia televisada e escrita. O risco de guerra deixa de ser local ou regional e passa a ser mundial pela amplitude dos danos que poderiam ocasionar. Há temor quanto a essa possibilidade, o que restringe os donos dos botões vermelhos para conter essa insânia desumana incomparável de uso de armamento nuclear.

Afastado o perigo de hecatombe — que pouco tem a ver com o meio urbano, objeto deste escrito, e, sim, com políticas nacionais ou continentais —, as cidades em geral estão em seu cotidiano com seus habitantes e o meio urbano sentindo-se à vontade em suas atividades diárias. Com isso, entende-se que se alargam os territórios das cidades ou adensam seu espaço urbanizado, sobretudo nas áreas centrais. No caso de Brasília, alguns argumentam que o Plano Piloto não pode ficar "engessado". Traduzindo, o mercado imobiliário deseja construir empregando outra tipologia de edifícios, mais altos. O que não se entende é ter edifícios fora do padrão vigente no Plano Piloto.

Todavia, há em Brasília favelas, como Pôr do Sol e Sol Nascente, em que não há infraestrutura, são carentes de atenção por parte dos governadores do DF e de Goiás. As favelas deveriam receber mais atenção das autoridades porque sua população está submetida à falta de infraestruturas básicas, não contam com água tratada e o esgoto está a céu aberto. Por isso, o favelamento deve acabar ou receber água tratada e esgotamento sanitário, com o que se findarão as epidemias em que as vítimas são crianças e idosos. Sem favelas, haveria cidades em que a população está se ocupando em seus afazeres, sobretudo se tiver onde trabalhar e linhas de ônibus para os deslocamentos para o trabalho ou buscar serviços em outros pontos da cidade.

No DF, é desejável que os agentes imobiliários procurem outros espaços para construir, que não destruam o que foi imaginado para o Plano Piloto e para o DF desde os primórdios. Uma cidade deve ser mostrada como um espaço em que não haja edificações fora dos padrões urbanísticos, como Águas Claras. Essa região administrativa (RA) serve de exemplo de espaço repleto de edificações com muitos andares e onde o setor imobiliário esteve intensamente presente. Águas Claras é o núcleo urbano que difere das demais RAs. Nestas, há restrições para edificações elevadas.

Nos anos de 1960, outros países se interessaram no que foi feito na capital federal, sobretudo no que diz respeito à urbanização. Alguns preciosistas podem levantar a preocupação de que, em seus 5.800 quilômetros quadrados, o DF se consolidou com uma espacialização alargada e pouco recomendável. Todavia, com o passar dos anos verificou-se que cada núcleo urbano (RA) se organizou internamente de forma a evitar que seus respectivos habitantes tivessem que percorrer grandes distâncias para obter bens e serviços. Todos esses núcleos organizaram-se de modo a contar com os necessários equipamentos e instituições para servir seus habitantes.

Os serviços do alto poder Judiciário, do Executivo e do Legislativo federais são encontrados apenas no Plano Piloto, e isso não haverá de se modificar porque foi assim que o núcleo histórico se estruturou e consolidou, devendo permanecer assim por décadas à frente. Nada impede, todavia, que os demais núcleos urbanos desenvolvam atividades e organizem serviços voltados para as pessoas próximas em termos de comércio e pequenas indústrias, não poluentes ambientais.

Outros argumentarão que o território como está organizado exige deslocamentos diários dos trabalhadores que exercem atividades em outras localidades e dos que buscam serviços fora de seu local de moradia. Isso se acomodará, pois os ajustamentos urbanos realizados no DF nessas seis décadas podem se assemelhar aos de outras cidades brasileiras. Nelas, há intensos deslocamentos dos trabalhadores da periferia para o centro nas primeiras horas da manhã e, em sentido contrário, ao fim do dia. Essa mobilidade ininterrupta é uma das características das grandes cidades que nos acolhem. 

(Fonte: PAVIANI, Aldo. As cidades que nos abrigam. In: PAVIANI, Aldo. As cidades que nos abrigam. [S. l.], 11 abr. 2024. Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao/2024/04/6835502-artigo-as-cidades-que-nos-abrigam.html).
Assinale a alternativa em que a palavra destacada é mero conectivo, ou seja, não possui função sintática, nem apresenta valor semântico.
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Q3544953 Português
A opção na qual o “que” desempenha a função de conjunção integrante está corretamente marcada na opção:
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Q3544593 Português
Texto para responder à questão.


Muito calor


    Ontem, com aquele calor todo, apareceu um homem disposto a discutir comigo. Eu discuto muito mal, principalmente no verão. O homem defendia os agiotas. Isto é, não defendia. O que ele dizia era que, afinal de contas, os agiotas não sei o que têm, porque é preciso não esquecer que, de um certo ponto de vista, é preciso encarar a questão, aliás, não sei o quê... Era mais ou menos isso o que o homem dizia. Ele citou vários exemplos e de vez em quando me perguntava:

    — Você não acha que eu tenho razão?

    Eu não achava nem deixava de achar, de maneira que não dizia nada. Aí o homem insistia:

    — Vamos, diga, isso é ou não é um fato?

    — É...

    — Pois bem. Agora você precisa ver outra coisa. Aqui no Rio de Janeiro há não sei quantas casas de penhor. Muito bem. Pois então vamos fazer um cálculo...

    Aí o homem fazia um cálculo. Depois perguntava se eu não concordava com o cálculo, se não achava justo, se achava exagerado — aí teve uma hora que não sei o que foi que eu disse que o homem gritou:

    — Mas então é você que defende os usurários! Esse argumento seu...

    E ele me provou por a mais b que o meu argumento era uma grande arma na mão dos usurários. Aliás, reparando bem, uma arma de dois gumes. Eu, a bem dizer, não me lembrava mais qual era o meu argumento, nem mesmo sabia que tinha dado um argumento. O homem falou sobre taxas de juros, avaliação, leilão e monte de socorro, fiscalização, prazo e outras coisas desse gênero. Confesso que fiquei um pouco desorientado. O homem então se exaltou não sei por que e perguntou se eu queria que os usurários me emprestassem dinheiro a um por cento ao mês.

    — É isso que você quer, não é?

    — Eu, não…

    — Então o que é que você quer?

    Respondi que eu não queria nada. Ele disse que "não quero nada" era um modo de dizer. E perguntou outra vez, ameaçador:

    — Mas então o que é que você acha? Eu não compreendo você! Ora você diz uma coisa, ora outra. Vamos, me explique, o que é que você acha?

    Respondi com a máxima sinceridade:

    — Eu acho que está fazendo muito calor.

    O homem ficou um pouco zangado e disse que comigo não se podia discutir. Não valia a pena discutir. Para que ele não ficasse mais zangado, concordei:

    — Pois é isso o que eu sempre digo.

    O leitor me desculpe, mas não sei o que falamos mais nessa palestra tão interessante e instrutiva. O que sei é que estava fazendo muito calor, e que no momento em que escrevo continua fazendo muito calor.


BRAGA, R. O Conde e o passarinho e Morro do Isolamento. 5ª Ed. Rio de Janeiro: Record, 1982.
Analise os excertos a seguir e assinale a alternativa em que a palavra ‘que’ ocorre de forma expletiva.
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Q3543363 Português
Os nem-nem

        Sem estudo, sem trabalho. Nesse limbo ocioso encontram-se 19,8% dos brasileiros entre 15 e 29 anos, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad) Educação de 2023.

        O poder público deve implementar políticas para lidar com o fenômeno, que impacta não apenas a renda de 9,6 milhões de pessoas como produz efeitos no longo prazo – quando se considera o envelhecimento da população brasileira e, consequentemente, o processo de perda do bônus demográfico.

        A principal causa do abandono escolar é a busca por emprego. O problema é que, com formação precária, os jovens enfrentam dificuldades para conseguir contratação. Assim, é necessário buscar meios de manter os alunos na rede de ensino e acelerar a transição entre estudo e trabalho.

        A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) preconiza o chamado VET (vocational education and training): programas de orientação vocacional aliados a parcerias entre escolas, empresas e indústria para treinamento e contratação de aprendizes. É fundamental, portanto, a integração do ensino técnico ao regular, e o Brasil peca nesse quesito.

        Em tramitação no Congresso, a nova versão da reforma do novo ensino médio incentiva a educação profissional. Não é panaceia, mas um passo necessário para mitigar o atraso do país nessa seara.

(Editorial. Folha de S.Paulo, 29.03.2024. Adaptado)
Assinale a alternativa em que o termo destacado é uma conjunção integrante.
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Q3542474 Português
CONVIVÊNCIA QUE APRISIONA: A JORNADA PARA ENFRENTAR BULLYING NAS ESCOLAS



        Pelos corredores e salas de aula, o bullying ainda aprisiona tensões, dúvidas, sofrimentos, traumas e uma infinidade de desafios nas escolas país afora. A cada dez diretores, praticamente quatro relatam casos de bullying em suas instituições de ensino, segundo revela o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2023. As localidades com mais registros são Santa Catarina, Distrito Federal e São Paulo.

         O Anuário ainda destaca o risco que o bullying representa para a segurança pública como um todo. “Esse é um problema que agrava os riscos de ataques violentos às escolas e que não está exatamente correlacionado à incidência de outras violências nos territórios do entorno das instituições escolares”, destaca a publicação.

         A princípio, o tom pode soar alarmista, especialmente em um ano como 2023, que registrou sete massacres em escolas, mas o fato é que algumas linhas de pesquisa acadêmica apontam o bullying como um dos motivadores para que os autores desses ataques retornem às suas escolas de origem. “A maior parte volta em busca de reparação da honra”, comenta Catarina Gonçalves, professora do Centro de educação da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco) e pesquisadora do grupo de Estudos e Pesquisas em Formação Humana, Representações e Identidades.


(TEXTO DE LARA SILBIGER – EXTRAÍDO DA REVISTA EDUCATRIX)
Na frase: “O Anuário ainda destaca o risco que o bullying representa para a segurança pública como um todo.” a palavra em destaque exerce a função morfológica de:
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Q3511633 Português

Instrução: Leia o texto e responda à questão.


Duplamente pobres são as mulheres que padecem situações de exclusão, maus-tratos e violência, porque frequentemente têm menores possibilidades de defender os seus direitos. Todavia, também entre elas, encontramos continuamente os mais admiráveis gestos de heroísmo na defesa e no cuidado da fragilidade das suas famílias.


(FRANCISCO. Evangelii Gaudium. São Paulo: Paulus Ed., 2013.)

Sobre elementos coesivos, responsáveis pelas ligações entre partes do texto, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.
( ) A palavra que, por ser conjunção, estabelece coesão sequencial à oração anterior.
( ) O pronome elas estabelece coesão anafórica, retomando o sentido da palavra mulheres.
( ) Coesivamente, os pronomes possessivos seus e suas relacionam o sentido de direitos e famílias, respectivamente, com mulheres.
( ) No trecho porque frequentemente têm menores possibilidades, a coesão se dá por reiteração.
Assinale a sequência correta.
Alternativas
Q3510958 Português

O texto a seguir é referência para a questão.


Destruição criativa 2.0


Hélio Schwartsman


    Não compro muito a ideia de que a inteligência artificial (IA) vai destruir o mundo. Digo-o não porque tenha conhecimento privilegiado do porvir – em tese, é perfeitamente possível que as IAs sejam nossa ruína –, mas porque sei que, diante do novo, nossa tendência é sempre a de exagerar os perigos. Quem quiser uma confirmação empírica disso pode pegar nas coleções de jornais os artigos catastrofistas dos anos 1970 e 1980 que comentavam o advento dos bebês de proveta, que hoje não despertam mais polêmica.

    Daí não decorre que devamos tratar as IAs com ligeireza. É uma mudança tecnológica de enorme potencial e que terá impactos, em especial sobre o emprego. Já vimos antes a chamada destruição criadora em ação. Mas, ao que tudo indica, desta vez, a aniquilação de postos de trabalho se dará em escala maior e atingirá também funções criativas ocupadas pelas elites intelectuais, que foram poupadas em viragens tecnológicas anteriores.

    O “big picture”, porém, talvez não seja dos piores. Tanto Marx como Keynes anteviram um mundo em que as mudanças tecnológicas avançariam tanto que resolveriam o problema econômico da humanidade, isto é, as máquinas produziriam sozinhas e de graça tudo o que necessitamos, de comida a bens industrializados, passando por vários tipos de serviço. A dificuldade é que, como isso não vai acontecer da noite para o dia, devemos esperar uma transição complicada. E complicada não apenas em termos econômicos e sociais mas também psicológicos.

    Quando conhecemos uma pessoa, uma das primeiras perguntas que lhe dirigimos é “o que você faz?”. Vivemos em sociedades em que os indivíduos se definem em larga medida por sua profissão. Tirar isso deles pode provocar um vazio existencial. É até possível que, com o problema econômico resolvido, passemos a extrair transcendência de outras atividades. Imagine um mundo de artistas. Mas isso vai exigir uma revolução anímica.



Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/helioschwartsman/2023/09/destruicao-criativa-20.shtml.


anímica: que é próprio da alma

Releia a seguinte sentença:



Quem quiser uma confirmação empírica disso pode pegar nas coleções de jornais os artigos catastrofistas dos anos 1970 e 1980 que comentavam o advento dos bebês de proveta, que hoje não despertam mais polêmica.



O termo “que”, destacado, é relativo a:

Alternativas
Q3509362 Português
O texto a seguir é referência para a questão.

    Me lembro com clareza de todas as minhas professoras, mas me lembro de uma em particular. Ela se chamava Dona Ilka. Curioso: por que escrevi “Dona Ilka” e não Ilka? Talvez por medo de que ela se materializasse aqui ao meu lado e exigisse o “Dona”, _______ se viu tratar professora pelo primeiro nome, menino? No meu tempo ainda não se usava o “tia”. Elas podiam ser boas e até maternais, _______ decididamente não eram nossas tias. A Dona Ilka não era maternal. Era uma mulher pequena com um perfil de passarinho. Um pequeno passarinho loiro. E uma fera.
    Eu era aluno “bem-comportado”. Era um vagabundo, não aprendia nada, vivia distraído. Mas comportamento, 10. Por isto até hoje faço verdadeiras faxinas na memória, procurando embaixo de tudo e em todos os nichos a razão de ter sido, um dia, castigado pela Dona Ilka. Alguma eu devo ter feito, mas não consigo lembrar _______. O fato é que fui posto de castigo. Que consistia em ficar de pé num canto da sala de aula, com a cara virada para a parede. (Isto tudo, já dá pra ver, foi mais ou menos lá pela Idade Média.) Mas o que eu nunca esqueci foi a Dona Ilka ter me chamado de “santinho do pau oco”.
    Ser bem-comportado em aula não era uma decisão minha nem era nada de que me orgulhasse. Era só o meu temperamento. Mas a frase terrível da Dona Ilka sugeria que a minha boa conduta era uma simulação. Eu era um falso. Um santo falsificado! Depois disso, pelo resto da vida, não foram poucas as vezes ______ um passarinho imaginário com perfil de professora pousou no meu ombro e me chamou de fingido. Os santinhos do pau oco passam a vida se questionando.


Luis Fernando Verissimo. O nariz e outra crônicas. São Paulo: Ática, 1995. Adaptado. 
O termo “Que”, destacado no segundo parágrafo, é relativo a: 
Alternativas
Q3502315 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


Dinheiro na mão é vendaval
Notas e moedas sumiram de nossas vidas - e ninguém percebeu.


Walcyr Carrasco


    Outro dia eu resolvi ir a um restaurante no Rio de Janeiro, localizado em um bairro da Zona Sul, tradicional e elegante. Vesti uma roupa especial para a ocasião, passei um bom perfume, peguei a carteira com meus cartões, apesar de usar mais os virtuais hoje em dia. Empoderado e bem acompanhado, entrei no local, certo de que faria uma deliciosa refeição. Pedi uma mesa para dois. Quando sentamos, o garçom nos trouxe o menu. E perguntou: "Já conhecem o restaurante?". Respondi: "Não, mas já há algum tempo queria conhecer". Ele disse: "Só quero adiantar que não trabalhamos com cartões." Sorri e disse: "Tudo bem, eu faço um Pix." Aí ele frisou: "Só aceitamos pagamento em cash." Meu mundo desmoronou. Ele nos acompanhou até a saída. Logo ao lado havia outro restaurante. Entramos. A mesma cena se repetiu. Surpreso, soube que os dois eram do mesmo dono. Questionei como isso era possível nos dias atuais. Há muito tempo não passava por uma situação assim. O segundo garçom explicou que os dois restaurantes eram frequentados por clientes antigos e fiéis, que já conheciam as normas e sempre estavam preparados. Realmente, observei e o restaurante estava longe de parecer vazio. Corremos para um food truck, e nos resolvemos.

    Refleti que de fato eu utilizo cada vez menos dinheiro em papel ou moeda, assim como todos os meus amigos e conhecidos. Antes eu sempre tinha um trocado. Separava o dinheiro do restaurante, do táxi, da gorjeta. Sempre tinha uma bolsinha para as moedas. Hoje, basicamente, eu preciso do meu celular. Carro é por aplicativo, reservas on-line, restaurantes pagos por aproximação do celular. E a gorjeta? O exército de profissionais que dependia de gorjetas dançou, porque ninguém mais anda com dinheiro vivo. A não ser que se dê a gorjeta também no cartão. Mas o mundo avançou tanto na seara digital que, há pouco tempo, na entrada do Aeroporto Santos Dumont, um senhor me estendeu a mão pedindo uma ajuda. Respondi que não tinha dinheiro em mãos. "Aceito Pix", ele respondeu. Para um amigo que queria um queijo coalho na Praia de Ipanema e estava desprevenido, a vendedora propôs, mostrando um cartão: "Aponta seu celular pra esse QR code que o pagamento vai cair direto na minha conta." Minha reflexologista anda com uma maquininha de cobrança no próprio celular. Mas dinheiro virou algo simbólico. Obsoleto. Mesmo os grandes bancos se resolvem com cifras digitais. Imagine se todos os correntistas de qualquer banco exigirem, no mesmo dia, retirar tudo em dinheiro. O banco entra em colapso.

    As cédulas coloridas, as moedas desenhadas, o cheirinho da grana, tudo isso tornou-se raro. Uma mala cheia de dinheiro vivo hoje em dia é suspeita. No mínimo, vão achar que é propina de político. Ou algum pagamento questionável, que alguém recebe e não declara. Outro dia vi a clássica imagem de Tio Patinhas nadando em dinheiro. Hoje em dia seria impossível. O próprio Tio Patinhas teria seus apps. A canção de Paulinho da Viola intitulada Pecado Capital diz que dinheiro na mão é vendaval na vida de um sonhador. Foi premonitória. O vendaval já passou. Dinheiro na mão? Ninguém tem mais.


Publicado em VEJA de 1º de março de 2024, edição n° 2882.

"[..] porque ninguém mais anda com dinheiro vivo. "2°§


A alteração correta da frase acima é: 

Alternativas
Q3492829 Português
Analise as sentenças a seguir e assinale a alternativa em que o vocábulo “que” ocorre como conjunção causal. 
Alternativas
Q3490993 Português
O que é o efeito Dunning-Kruger?


GALVÃO, Júlia. O que é o efeito Dunning-Kruger? Disponível em https://jornal.usp.br/radio-usp/o-que-e-o-efeito-dunning kruger/. Acesso em 5 de maio de 2024 [com supressões].

Levando-se em conta o trecho “O psicanalista comenta, ainda, que os indivíduos que subestimam os seus conhecimentos podem estar ligados a um complexo de inferioridade que impossibilita, em muitos casos, o avanço de seu aprendizado.” (linhas 28 a 30), julgue os itens abaixo:


I. O pronome „seu‟ refere-se ao vocábulo „psicanalista‟;

II. O vocábulo „a‟, no trecho “[...] ligados a um complexo [...]”, deve ser acentuado com acento grave;

III. A permuta de „que‟ por „os quais‟ no trecho “[...] os indivíduos que [...]” não traz mudança no sentido, ainda que seja anteposta uma vírgula à forma „os quais‟. 


Marque a opção CORRETA: 

Alternativas
Q3487316 Português

Leia o texto para responder à questão.


Histórias de verão: O quinto túnel


Três homens num compartimento de um trem que atravessa uma região montanhosa. Eles não se conhecem. Estão em silêncio desde que o trem saiu da estação. Um lê um jornal, outro olha pela janela, e outro parece dormir. Quando o trem entra num túnel e tudo fica escuro, ouve-se uma voz que diz:


— Estou aqui para matá-lo.


O trem sai do túnel. Os três continuam como antes. Um olhando pela janela, o outro lendo um jornal, o terceiro de olho fechado. O trem entra em outro túnel. Ouve-se outra voz.


— Por quê?


Silêncio. Depois:


— Você sabe.


O trem sai do túnel. Os três não se mexeram. O trem entra em outro túnel.


— Quando?


— No quinto túnel.


— Este túnel qual é, o terceiro?


— Você devia ter contado.


O trem sai do túnel. Os três homens na mesma posição. O homem que lê o jornal vira uma página. O trem entra em outro túnel. Ouvese um estampido.


Quando o trem sai, o homem que olhava pela janela está com uma pistola fumegante na mão, o jornal está com um buraco no meio e o homem que lia o jornal está morto. E o homem que dormia está de olhos arregalados.


— O que foi isso?


— Ele ia me matar. Eu o matei primeiro.


— Como você sabia que ele ia matá-lo?


— Ele disse, você não ouviu?


— Eu estava dormindo. Não ouvi nada. Acordei com o tiro.


— Ele ia me matar no próximo túnel, mas eu agi antes. Foi legítima defesa. Ele disse que ia me matar.


— Só se fosse com este charuto — diz o homem que dormia, depois de examinar os bolsos do morto. — É a única coisa remotamente letal que ele carregava.


— Ele podia me estrangular, sei lá. Mas eu o enganei e atirei um túnel antes. A vítima enganou o assassino.


— Ou pode ter sido o contrário. O assassino enganou a vítima?


— Como?


— Você disse que ia matá-lo no quinto túnel, mas matou no quarto, antes que ele tivesse tempo de reagir ou fugir.


O trem entra no quinto túnel e tudo fica escuro. Ouve-se uma voz.


— Como você sabia que o túnel anterior era o quarto e este é o quinto, se estava dormindo?


Silêncio. Depois ouve-se um estampido.


VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.

Considere o seguinte excerto: “E o homem que dormia está de olhos arregalados.” Neste contexto, a palavra “que”, em destaque, atua gramaticalmente como: 
Alternativas
Q3486686 Português
Leia o texto para responder à questão.

Tardígrados brilham no escuro para sobreviver à radiação

Espécie recém-descoberta do animal, considerado o mais resistente do mundo, possui um “escudo” fluorescente capaz de proteger contra raios UV.

Ostardígrados – ou ursos d’água, para os íntimos – são provavelmente os organismos mais resistentes da Terra. Parentes dos artrópodes, esses seres microscópicos conseguem sobreviver a secas prolongadas, temperaturas congelantes ou muito quentes, falta de oxigênio, pressões altíssimas e outras condições extremas. Como se não bastasse tudo isso, cientistas descobriram uma nova espécie de tardígrado com um mecanismo de defesa inusitado: um escudo contra radiação ultravioleta que brilha no escuro.

A descoberta foi feita por acaso. Pesquisadores do Instituto Indiano de Ciência, em Bangalore, coletaram diversos tardígrados em musgos e ambientes aquáticos pelo campus, a fim de estudá-los. Uma das placas contendo as amostras foi deixada embaixo de uma lâmpada de ultravioleta usada para esterilização de materiais. Uma espécie de nematelminto chamada Caenorhabditis elegans, que estava na amostra, morreu em 15 minutos de exposição à radiação. Os tardígrados da espécie Hypsibius exemplaris também pereceram em até 24 horas. Mas, para a surpresa dos pesquisadores, alguns tardígrados com coloração avermelhada sobreviveram vários dias expostos aos raios mortais de ultravioleta. Mesmo quando a equipe aumentou a dose de radiação em quatro vezes, 60% desses tardígrados continuaram vivendo por até 30 dias.

Estudando mais de perto esses exemplares, os pesquisadores constataram que provavelmente se trata de uma espécie ainda não identificada do gênero Paramacrobiotus. O que mais chamou atenção na descoberta foi o fato de que, sob luz ultravioleta, os tardígrados até então avermelhados brilhavam em um forte tom de azul escuro. Segundo a pesquisa publicada na revista Biology Letters, trata-se de um curioso mecanismo de defesa dessa espécie: em seu corpo há pigmentos especiais capazes de transformar a radiação ultravioleta nociva em uma luz azulada que não causa danos, funcionando como um tipo de escudo antirradiação.

A equipe observou que os tardígrados que apresentavam menor quantidade desse pigmento morriam mais rapidamente do que os que brilhavam mais. Ao mesmo tempo, quando os cientistas extraíam a substância desses seres e cobriam outras espécies de tardígrados que não possuem o escudo, como a Hypsibius exemplaris, esses também aguentavam mais tempo sob os raios ultravioletas.

Os pesquisadores esperam entender melhor a nova espécie em pesquisas posteriores. É possível, especulam os cientistas, que aquela espécie desenvolveu o mecanismo em um processo de adaptação aos verões quentes e secos da Índia.

Revista Superinteressante. (Adaptado). Disponível em: https://super.abril.com.br/ciencia/tardigradosbrilham-no-escuro-para-sobreviver-a-radiacao/

Considere o excerto: “A equipe observou que os tardígrados que apresentavam menor quantidade desse pigmento morriam mais rapidamente do que os que brilhavam mais.” Em relação às categorias gramaticais, as palavras em destaque no excerto apresentado são classificadas, respectivamente, em: 
Alternativas
Q3486682 Português

Considere o excerto a seguir para responder à questão:


Uma espécie de nematelminto chamada Caenorhabditis elegans, que estava na amostra, morreu em 15 minutos de exposição à radiação. Os tardígrados da espécie Hypsibius exemplaris também pereceram em até 24 horas. Mas, para a surpresa dos pesquisadores, alguns tardígrados com coloração avermelhada sobreviveram vários dias expostos aos raios mortais de ultravioleta.

O vocábulo “que”, que ocorre no excerto apresentado, classifica-se gramaticalmente como:
Alternativas
Q3486459 Português
O texto seguinte servirá de base para responder às questão.


Vacinas inversas: esperança contra doenças autoimunes


Muitas vacinas simulam uma infecção natural e estimulam o sistema imunitário a gerar as respostas necessárias para evitar a infecção por agentes patogênicos de tipo selvagem e, possivelmente, a ocorrência de doenças. Nesse processo, alguns componentes do patógeno invasor são reconhecidos como estranhos e marcados para eliminação e/ou processamento por mecanismos específicos, que permitem o desenvolvimento de uma resposta imune de memória de longa duração e eficaz, que protegerá contra novas infecções no futuro.

No entanto, surpreendentemente, o sistema imunitário também pode atacar células, tecidos e órgãos saudáveis do próprio hospedeiro, processo este conhecido como autoimunidade, que resulta em uma variedade de patogenias. Estima-se que 7% da população mundial viva com algum tipo de autoimunidade. Mas como fazer para frear esse ataque do sistema imunitário ao próprio organismo em indivíduos com doenças autoimunes em curso? Existem mecanismos comuns relacionados à geração de respostas autoimunes dirigidas a diferentes órgãos, tecidos e células?

A resposta para essas perguntas pode estar em uma nova estratégia de desenvolvimento de vacinas, concebida por Andrew Tremain e colaboradores e publicada em setembro de 2023 na Nature Biomedical Engineering . Trata-se de uma vacina inversa. Ou seja, em vez de gerar uma memória de longo prazo que vai estimular uma resposta imunitária robusta a partir do reconhecimento de componentes de um patógeno invasor − como acontece com as vacinas tradicionais −, ela remove a memória do sistema imunitário em relação a uma molécula de proteína do próprio corpo que é incorretamente reconhecida como estranha por células de defesa (linfócitos T).

Para criar a vacina, a equipe acoplou a molécula N-acetilgalactosamina (pGal) a proteínas (chamadas de antígenos) responsáveis por provocar a reação do sistema imunitário contra determinados órgãos, tecidos ou células do próprio corpo. A molécula pGal marca essas proteínas e sinaliza que elas não devem ser identificadas como estranhas ao organismo, gerando tolerância imunológica específica.

Existem diferentes antígenos associados às doenças autoimunes. Por exemplo, na esclerose múltipla − doença autoimune que afeta o sistema nervoso −, os linfócitos T reagem à mielina, que forma a camada proteica protetora que fica ao redor dos nervos. Já no caso da doença de Crohn, as células T têm como alvo a parte inferior do intestino delgado. A ideia é que a molécula pGal possa ser ligada a qualquer proteína antigênica do corpo para direcionar o sistema imunológico a tolerá-la, atenuando ou eliminando a resposta imune contra essa proteína.

Em estudos com modelos experimentais (ratos e macacos), os pesquisadores demonstraram que as vacinas inversas poderiam efetivamente interromper a reação autoimune associada a uma doença semelhante à esclerose múltipla, atestando que doenças autoimunes em curso poderiam ser reduzidas e/ou curadas após imunização com vacina inversa.

É importante destacar que um ensaio inicial de fase I, para avaliar a segurança da abordagem da vacina inversa, já foi realizado em pessoas com doença celíaca, e outros ensaios de segurança em humanos com esclerose múltipla estão em andamento, todos com o apoio da empresa farmacêutica Anokion S/A.

Espera-se que a vacina inversa seja mais eficaz no tratamento das doenças autoimunes do que os métodos usados hoje em dia, que são principalmente direcionados para enfraquecer o sistema imunitário e restringir a resposta imunológica, deixando os pacientes suscetíveis a infecções e efeitos colaterais.


Retirado e adaptado de: GALLER, Ricardo. Vacinas inversas: esperança contra doenças autoimunes. Ciência hoje.

Disponível em: https://cienciahoje.org.br/artigo/vacinas-inversas-esperanca-contra-doe ncas-autoimunes/ Acesso em: 12 mar., 2024.

Analise os seguintes trechos, retirados do texto:



Trecho I: Nesse processo, alguns componentes do patógeno invasor são reconhecidos como estranhos e marcados para eliminação e/ou processamento por mecanismos específicos, que permitem o desenvolvimento de uma resposta imune de memória de longa duração e eficaz, que protegerá contra novas infecções no futuro.


Trecho II: Estima-se que 7% da população mundial viva com algum tipo de autoimunidade.



Agora, analise as afirmações a seguir:



A primeira palavra em destaque exerce a função sintática de pronome relativo.


II. A segunda palavra em destaque exerce a função sintática de conjunção coordenativa explicativa.


III. A terceira palavra em destaque exerce a função sintática de conjunção subordinativa.



É correto

Alternativas
Q3483734 Português

Sabendo-se que o pronome relativo assume duplo papel no período em que se encontra, representando um termo antecedente e desempenhando alguma função sintática na oração por ele introduzida, leia os trechos a seguir e indique aquele em que a forma sublinhada é um pronome relativo. 

Alternativas
Respostas
821: A
822: C
823: B
824: C
825: D
826: A
827: D
828: C
829: D
830: B
831: C
832: B
833: A
834: E
835: E
836: B
837: D
838: B
839: B
840: E