Questões de Concurso Sobre funções morfossintáticas da palavra que em português

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Q3299077 Português
Texto para a questão

    Cuidar da nossa saúde às vezes lembra aquela olhadela que damos na cabine do avião a caminho de nosso assento. Por todo lado só vemos coisas complicadas: telas, indicadores, alavancas, luzes piscantes, manivelas, interruptores, mais alavancas... botões do lado esquerdo, botões do lado direito, botões no teto (não, fala sério, Por que eles põem botões no teto?). Desviamos o olhar, agradecidos pelo fato de os pilotos saberem o que estão fazendo. Como passageiros tudo que nos importa é se o avião vai ficar no céu. Quando a questão é nosso corpo, somos nós os passageiros ignorantes. Porém - reviravolta na história -, os pilotos também somos nós. E quando não sabemos como nosso corpo funciona, é como se estivéssemos em voo cego. Nós sabemos como queremos nos sentir. Queremos acordar com um sorriso, animados e empolgados para o novo dia. Queremos ter uma alegria no andar, livres de qualquer dor. Queremos passar momentos agradáveis com nossa família, com uma sensação de gratidão positividade. Mas pode ser complicado descobrir como chegar lá. São tantos botões que nos sentimos esmagados. O que fazer? Por onde começar? Temos que começar pela glicose. Por quê? Porque ela é a alavanca da cabine com o maior custo-benefício. É a mais fácil de compreender (graças aos monitores contínuos de glicose), afeta instantaneamente nossas sensações (porque influencia nossa fome e nosso humor), e muita coisa passa a se encaixar a partir do momento em que conseguimos controlá-la.

Adaptado de Inchauspé, Jessie. A revolução da glicose: equilibre os níveis de açúcar no sangue e mude sua saúde e sua vida. Trad. André Fontenelle. Objetiva, 2022
No trecho “Como passageiros tudo que nos importa é se o avião vai ficar no céu”, a inclusão do termo “o” antes de “que” tem como efeito:
Alternativas
Q3295973 Português

Antes de responder à questão, leia o texto a seguir:



Nostalgia: nossas memórias se tornaram um produto?



Ana Luiza Pires

Lucas Mascarenhas de Miranda



      Você já se pegou pensando nos 'bons e velhos tempos'? Já assistiu a um desenho antigo ou ouviu uma música que marcou sua infância? Já visitou a casa de um ente querido que não via há anos ou encontrou fotos da sua infância e de lugares em que nunca mais esteve? Essas situações costumam nos provocar um sentimento muito diferente, chamado de nostalgia. E engana-se quem pensa que ele está ligado apenas a lembranças de momentos especiais que vivemos na nossa vida. A nostalgia pode nos conectar até a épocas que sequer vivemos e a experiências que nunca tivemos, mas que, de alguma forma, nos tocam profundamente. Mas de onde vem essa sensação? O que significa 'sentir nostalgia'?


    Em 1688, o médico suíço Johannes Hofer ( 1669-1752) identificou uma doença misteriosa que se apresentava como uma saudade patológica de casa e levava a diversos sintomas físicos e mentais. E foi da junção das palavras do grego antigo nóstos ('regresso ao lar') e álgos ('dor' ou 'sofrimento') que nasceu o tem10 'nostalgia'.


   Soldados que iam para guerras, jovens que deixavam seus lares para estudar fora, indivíduos escravizados que eram arrancados de suas terras, muitas foram as pessoas diagnosticadas e até vitimadas pela nostalgia.


    Com o tempo, o significado do termo foi se modificando até chegar a esse sentimento que conhecemos hoje, uma espécie de saudade de épocas passadas, de momentos vividos ou não, mas que nos parecem familiares e nos tocam. A forma como entendemos a nostalgia mudou tanto ao longo dos séculos que hoje muitos a enxergam como um sentimento potencialmente bom, que desencadeia emoções boas.


    E se a nostalgia é algo bom e nos afeta tanto, ela se toma um poderoso meio de acessar nossos sentimentos e influenciar nossas decisões.


     O uso de memórias afetivas em filmes e séries se tornou uma prática comum e, mais do que isso, uma poderosa estratégia para atrair público e aumentar vendas, ao explorar o vínculo emocional que as pessoas têm com o passado.


    Você já ouviu falar em remake, reboot ou revival? Eles nos ajudam a entender como algumas obras despertam tanto nosso interesse, especialmente quando envolvem nossas memórias ou reinterpretações de histórias que já conhecemos.


    Um remake é uma nova versão de uma obra já existente, mas com a mesma história. Os remakes podem trazer novas abordagens, novos elementos, mudanças de elenco, mas sem mudanças significativas no enredo. Já o reboot é uma obra que reinicia uma história, desconsiderando versões anteriores e trazendo mudanças expressivas, mas resgatando o universo e os personagens. Por fim, o revival acontece quando uma série ou franquia retorna com uma continuação direta, mesmo após ter sido considerada finalizada. 


     Essas três formas de adaptar histórias já contadas estão presentes em várias iniciativas, trazendo de volta grandes sucessos da TV e do cinema e até atores e atrizes que marcaram épocas e fizeram parte da vida de uma geração inteira.


    Um exemplo notável é a atriz Winona Ryder, que, após se destacar nas telas nos anos 1980 e 1990, voltou ao estrelato em 2016 com a série Stranger things, que revive a estética dos anos I980, conquistando tanto os fãs daquela época quanto uma nova geração de espectadores.


    Diversas outras séries originais também buscam resgatar memórias, apresentando histórias ambientadas em períodos passados e reavivando a estética, a narrativa e o contexto vivido naquele tempo. O apelo à nostalgia nas mídias é uma forma de garantia de retomo econômico que atravessa gerações, atraindo tanto quem viveu aquele período quanto novos públicos.


     Na TV aberta nacional, essa tendência se manifesta há anos em remakes de grandes novelas, mas podemos citar exemplos atuais como Pantanal e Renascer. Em 2025, a telenovela Êta mundo bom! (20162017) ganhará uma continuidade, algo incomum de se ver na televisão. Em 2024, vimos as continuações de dois grandes sucessos dos anos 2000: o filme O auto da compadecida 2 e a série Cidade de Deus: a luta não para.


    Na indústria norte-americana, também temos vários exemplos de adaptações de obras consagradas, como o recente lançamento do filme Wicked, que mostra a história não contada das bruxas do clássico O mágico de Oz, e o reboot da saga Harry Potter, previsto para ser lançado em 2026 e que contou com testes de mais de 32 mil crianças para compor o trio de ouro na nova versão da história.


      Embora reboots, remakes e revivals não sejam novidade, é notável que a indústria do entretenimento tem investido cada vez mais em adaptações de títulos já conhecidos. E um dos motivos, além do fato de ser uma ótima estratégia comercial, são as crescentes possibilidades que a tecnologia nos oferece de preservar a memória e acessar obras antigas.


    Um marco importante para o audiovisual foi o surgimento das fitas de vídeo na década de 1950, o que mudou completamente a programação televisiva. Antes dessa inovação, todos os programas eram transmitidos ao vivo. Os artistas e a equipe técnica precisavam executar tudo em tempo real, o que significava que qualquer erro se tornava parte da transmissão. Além disso, os canais não tinham conteúdo suficiente para preencher todos os horários.


     Com as fitas, os programas passaram a ser gravados, editados e exibidos posteriormente, o que abriu novas possibilidades criativas. Essa mudança não só facilitou a exibição de reprises, mas também permitiu que novas gerações tivessem acesso a programas clássicos, resgatando conteúdos do passado.


     Hoje, com a digitalização de arquivos e a popularização das plataformas de streaming e das redes sociais, o passado está mais acessível do que nunca nas mídias digitais. Isso torna a nostalgia uma ferramenta poderosa não apenas por mexer com nossas emoções, mas também por atingir um número cada vez maior de pessoas.

     Nesse cenário, o serviço de streaming Netflix se destaca por ser pioneiro no formato e, principalmente, por explorar a nostalgia de forma estratégica, com um vasto catálogo de produções que usam a memória para criar conexões emocionais com o público. Mas, afinal, quais são essas estratégias?


     A Netflix nasceu em 1997 como um serviço de aluguel de filmes e revolucionou o mercado ao criar um modelo de assinatura mensal, sem multas por atraso. A plataforma foi a primeira a lançar o serviço de streaming e, não à toa, se tornou uma das mais populares do mundo, disponível em mais de 190 países.


   Por muito tempo, fomos limitados pelos horários da grade da TV para assistir aos nossos programas favoritos, sendo necessário esperar por um horário específico para ver aquele filme ou novela que tanto desejávamos. Mas o formato on demand (sob demanda) dos streamings nos deu o poder de assistir aos conteúdos a qualquer momento e em qualquer lugar.


    Em 2012, a Netflix começou a investir em produções originais e a experimentar novas estratégias para ampliar seu público. Nesses lançamentos, a nostalgia começou a se destacar como uma ferramenta poderosa, trazendo impactos positivos nos números e nas críticas.


   Usando a nostalgia como uma de suas principais estratégias mercadológicas, a plataforma produziu adaptações e continuações de séries clássicas, bem como obras originais ambientadas em épocas marcantes para diversas gerações. A série Gilmore girls, por exemplo, foi transmitida originalmente pelo canal The CW entre 2000 e 2007 e, em 2016, ganhou um reviva! pela Netflix, que retomou a história das personagens dez anos após os eventos da última temporada.


    No cenário brasileiro, a série De volta aos 15 apresenta um retrato fiel dos anos 2000 e suas peculiaridades. A produção resgata elementos que marcaram a vida de toda uma geração, como as roupas características da época, os hits musicais que estavam no topo das paradas e a popularização dos blogues.


    Um dos casos de maior sucesso recente da plataforma é a série Stranger things. Com sua ambientação nos anos 1980, repleta de referências culturais da época, desde cenários e figurinos até músicas e quadrinhos, a produção homenageia clássicos do cinema, jogos de RPG e outros elementos.


    E o efeito da nostalgia é tão poderoso que até jovens que não viveram os anos 1980 experimentam um sentimento nostálgico, uma espécie de saudade do que não viveram. O poder financeiro dessa ferramenta pode ser percebido pela quantidade de produtos licenciados que fazem referência ao universo da série, pelas lojas temáticas, pelos jogos, pelas exposições interativas ao redor do mundo e pelo sucesso repentino e estrondoso da música 'Running up that hill ', de Kate Bush. Após ser usada em uma das cenas mais memoráveis de um episódio da quarta temporada (2022), a canção voltou às paradas, impulsionando um renascimento da música dos anos 1980 e levando o álbum de Kate Bush a um novo sucesso, 37 anos após seu lançamento.


     Pode ser complexo tentar explicar, sob a ótica da psicologia, como a nostalgia é capaz de afetar nossos sentimentos e nos tornar mais suscetíveis ao consumo. Mas, quando olhamos apenas para os seus efeitos, fica evidente que esse poder existe e vem sendo muito utilizado. E não apenas a Netflix e os demais streamings se valem da nostalgia. Diversas produções, seja na TV, seja no cinema e em outras mídias, têm explorado essa ferramenta de forma magistral, utilizando remakes, reboots e revivals para conquistar tanto gerações mais velhas quanto o público jovem, que se vê imerso em narrativas e estéticas de tempos passados.


     Essa conexão entre o passado e o presente e essa transformação da memória em mercadoria mostram como as emoções humanas, especialmente a saudade e o apego, são constantemente manipuladas em um mercado cada vez mais orientado para a experiência.


    A nostalgia, mais do que um simples sentimento, tornou-se um dos pilares da cultura contemporânea, demonstrando que, de fato, o passado não apenas vive em nossa memória, mas também se reinventa a cada nova geração, se materializa em produtos e, acima de tudo, se vende.



Adaptado de: https://cienciahoje.org.br/a1tigo/nostalgia-nossas-memorias-se-tornaram-um-produto/




Considere as asserções a respeito da função desempenhada pela palavra "que" nas orações a seguir:

I. "Já visitou a casa de um ente querido que não via há anos[ ... ]?" -pronome relativo;
II. "O que significa 'sentir nostalgia'?" - conjunção subordinativa integrante;
III.  "A forma como entendemos a nostalgia mudou tanto ao longo dos séculos que hoje muitos a enxergam como um sentimento potencialmente bom[ ... ]" -conjunção subordinativa consecutiva;
lV.  "É notável que a indústria do entretenimento tem investido cada vez mais em adaptações de títulos já conhecidos." - conjunção subordinativa integrante.

Estão corretas:
Alternativas
Q3295697 Português
Trump faz ofensiva para redesenhar América Latina como 'quintal' dos EUA

Um país transformado em uma prisão para deportados dos EUA. Outro chantageado para romper compromissos com a China e um governo pressionado a fechar um pacto de defesa para assegurar a operação de uma petroleira americana. Isso sem contar com a decisão de rebatizar o Golfo do México, nome que designa uma região há mais de 300 anos. Em apenas dois meses no governo, Donald Trump lançou uma verdadeira ofensiva para redesenhar a América Latina como “quintal” dos EUA e frear a ofensiva da China na região.

Abandonado por diversas administrações americanas, o continente passou a ser um foco da expansão chinesa. Em dez anos, o presidente Xi Jinping fez dez viagens pela região e transformou grande parte do hemisfério Sul em um aliado comercial. Não por acaso, num gesto pouco comum na diplomacia americana, o secretário de Estado, Marco Rubio, fez duas viagens para a região latino-americana em apenas dois meses no cargo. Filho de cubanos exilados nos EUA, Rubio admitiu que nem sempre os americanos tiveram o que oferecer para a região. Mas prometeu que, desta vez, será diferente. 

A questão da falta de uma estratégia americana para a América Latina foi alvo de uma conversa de enviados do Itamaraty aos EUA, antes mesmo da eleição de Donald Trump. Os diplomatas brasileiros ouviram da equipe do republicano que a meta era impedir a expansão chinesa na região. Mas tiveram de reconhecer que o avanço de Pequim ocorre, acima de tudo, por conta da ausência de uma agenda positiva por parte dos americanos. Trump, ao assumir, decidiu que era o momento justamente de adotar essa estratégia, ainda que com variações importantes. Quem estiver ao lado dos EUA terá algum benefício. Mas aqueles que optarem por não se alinhar, principalmente os países menores, sofrerão consequências. (Jamil Chade, com adaptações)
[Questão Inédita] Acerca dos elementos linguísticos e gramaticais do texto, é correto afirmar que:
Alternativas
Q3293447 Português

        Defendemos que a divulgação científica (DC) é produzida pela esfera da cultura científica em colaboração com outras esferas de atividades humanas. Assim, a DC é um produto gerado na interseção de esferas de criação ideológicas, cujas atividades disputam motivos, propósitos, regras, agentes, ferramentas culturais, entre tantos outros elementos.


        Em uma análise a partir da cultura científica, teremos a apropriação da comunicação, do jornalismo, da mídia e suas técnicas como ferramentas culturais para a produção da DC, enquanto o universo de referência, os princípios e os valores continuam sendo próprios da cultura científica. Por outro lado, se partirmos da esfera da mídia, teremos a apropriação de conhecimentos, fatos e histórias da ciência, enquanto as formas de produção do suporte são próprias da esfera midiática. Podemos estender esse exercício para todas as esferas que atuam na DC, como a educação, por exemplo, condição que reforça nossa compreensão de que a DC é produzida em meio à interseção da cultura científica com outras esferas de atuação humana.


        Embora existam coerções e interseções com outros campos, não há como deslocar princípios ontológicos da cultura científica que são inerentes aos conceitos, às metodologias e às práticas da ciência — fato que sustenta e fortalece a interpretação do divulgador como um representante da cultura científica. A DC, portanto, é produzida em meio a uma interseção de esferas de criação ideológica; a cultura científica, no entanto, exerce maior influência sobre o produto gerado. Tal concepção evidencia que a interseção na qual a DC é produzida não é composta por esferas equipolentes.


        Ainda que a cultura científica tenha maior influência na determinação dos produtos da DC, trata-se de produtos gerados em meio a disputas, cujos escopos variam de acordo com os suportes de DC e os meios de comunicação em que são veiculados. Não é preciso ser um especialista em DC para notar as diferenças entre veículos de DC que, por vezes, sustentam coerções da indústria cultural e, por isso, usufruem livremente do sensacionalismo e da fetichização do conhecimento científico, visando ao aumento das vendas, e veículos que claramente têm interesse em ensinar conceitos científicos que estão fortemente baseados em coerções provenientes da educação científica. 


Guilherme da Silva Lima e Marcelo Giordan.

Da reformulação discursiva a uma práxis da cultura científica: reflexões sobre a divulgação científica.

In: História, Ciências, Saúde, Manguinhos, Rio de Janeiro,

v. 28, n.º 2, abr.-jun./2021, p. 389 (com adaptações). 

Considerando os aspectos linguísticos do texto apresentado e as ideias nele veiculadas, julgue o próximo item. 


O vocábulo “que”, na oração “que estão fortemente baseados em coerções provenientes da educação científica” (final do último parágrafo), retoma o termo “veículos”. 

Alternativas
Q3290114 Português
Leia o Texto II e responda à questão.

Texto II

Teste genético ajuda a prevenir câncer de mama e de ovário

Detecção por amostra de sangue viabiliza intervenção antes de a doença surgir

    O teste genético para saber se uma pessoa tem chances de desenvolver câncer é feito a partir da coleta de uma simples amostra de sangue ou saliva e pode salvar mais de uma vida – a do paciente e a dos que compartilham com ele o mesmo histórico genético. O procedimento existe há cerca de uma década, mas, segundo especialistas, houve avanço expressivo no entendimento sobre os códigos revelados, permitindo resultados mais rápidos e tratamento preventivo mais preciso.
    “O que mudou foi a leitura dos genes, que se tornou mais completa. Lemos [agora] parte dos genes que antigamente não conseguíamos. Além disso, como mais pessoas estão fazendo o teste, conhecemos um maior número de mutações e podemos classificá-las melhor”, afirma a médica Bruna Zucchetti, oncologista especialista em câncer de mama do Hospital Nove de Julho.
    A profilaxia vai desde o uso de medicações para cada tipo de mutação encontrada até a indicação de cirurgia redutora de risco. No caso de mutações BRCA1 e BRCA2, o médico pode solicitar a remoção de ovários (ooforectomia), glândulas mamárias (adenomastectomia), tubas uterinas e útero (histerectomia) para evitar o desenvolvimento de um câncer agressivo.
    A mutação de BRCA 1 e 2 pode ser apresentada por homens e mulheres, sendo indicativa de risco genético para câncer de mama (masculino e feminino), ovários, pâncreas e próstata. “O teste genético não faz diagnóstico de câncer. Nas pacientes que já têm [a doença], é feito para orientar o seguimento e a necessidade de cirurgias profiláticas para reduzir o risco de novo câncer”, explica Zucchetti. O exame, portanto, ajuda a definir o melhor tratamento e orienta a testagem de outros membros da família.
    O DNA para pesquisa de mutação de BRCA1 e 2 é extraído das células de uma amostra de sangue, que pode ser coletada por qualquer pessoa e sem necessidade de nenhum preparo prévio. Arecomendação da Sociedade Americana de Oncologia é que todas as mulheres com menos de 65 anos que tenham diagnóstico de câncer de mama, independentemente do histórico familiar, façam o teste genético.
    “A cirurgia redutora de risco – ou profilática – reduz consideravelmente a chance de desenvolver um tumor de mama e ovário”, diz Zuchetti. A remoção das glândulas mamárias, nesses casos, é feita dos dois lados e antes dos 40 anos. Já os ovários têm recomendação de remoção também bilateral, mas após os 40 anos. “É indicado que todas as mulheres com diagnóstico de mutação de BRCA1 ou 2 realizem essas duas cirurgias profiláticas”, aponta a oncologista.
    Zuchetti diz que os exames genéticos têm ficado mais acessíveis, mas ainda encontram barreiras para serem realizados via rede pública e até por convênios, mas que a expectativa para o futuro é que mais pacientes tenham acesso e possam realizar o teste.


Fonte: CASTRO, Danielle. Folha de S. Paulo, 08 abril 2024, B4, com adaptações.
Assinale a alternativa que indica a classificação do elemento “que” no excerto: “O DNA para pesquisa de mutação de BRCA 1 e 2 é extraído das células de uma amostra de sangue, que pode ser coletada por qualquer pessoa e sem necessidade de nenhum preparo prévio” (5º§).
Alternativas
Q3289907 Português

Leia o texto a seguir:


Rússia anuncia vacina contra o câncer, e prevê distribuição gratuita em 2025


Avanço tecnológico inclui mRNA e vírus oncolíticos desenvolvidos por centros de pesquisa russos


    A Rússia anunciou o desenvolvimento de uma vacina mRNA contra o câncer, que será disponibilizada gratuitamente aos pacientes no país. Segundo o diretor-geral do Centro Nacional de Pesquisa Radiológica do Ministério da Saúde da Rússia, Andrey Kaprin, o lançamento para uso geral está previsto para o início de 2025. A informação foi divulgada pela agência estatal TASS nesta semana.

    O desenvolvimento é resultado de esforços conjuntos entre centros de pesquisa, incluindo o Centro Nacional de Pesquisa em Epidemiologia e Microbiologia Gamaleya. De acordo com Alexander Gintsburg, diretor do Gamaleya, os testes pré-clínicos da vacina já demonstraram eficácia na supressão do desenvolvimento de tumores e no potencial controle de metástases.

    A abordagem mRNA utiliza a análise genética individual para criar vacinas personalizadas que programam o sistema imunológico a identificar e destruir células cancerígenas. Esse método analisa o perfil mutacional do tumor (neoantígenos) e projeta vacinas direcionadas, permitindo um combate específico a cada tipo de tumor.

    Além disso, o país estuda uma frente de vacinas oncolítica chamada de EnteroMix, desenvolvida em colaboração com o Instituto Engelhardt. Ela utiliza um conjunto de quatro vírus não patogênicos capazes de destruir células malignas e, ao mesmo tempo, ativar a imunidade antitumoral do paciente. De acordo com o Centro Nacional de Pesquisa Radiológica, os estudos pré-clínicos do EnteroMix já foram concluídos, confirmando sua segurança e eficácia.

    Os cientistas russos informam que os testes clínicos e o recrutamento de pacientes para as fases iniciais do EnteroMix começarão entre o final de 2024 e o início de 2025. Enquanto isso, a vacina mRNA avança para os testes finais de eficácia e deve ser liberada ao público em 2025.



Fonte: https://www.jb.com.br/mundo/2024/12/1053478-russia-anuncia-vacinacontra-o-cancer-e-preve-distribuicao-gratuita-em-2025.html. Acesso em 27/12/2024

Em “A Rússia anunciou o desenvolvimento de uma vacina mRNA contra o câncer, que será disponibilizada gratuitamente aos pacientes no país”, o pronome em destaque faz referência direta ao termo:
Alternativas
Q3288314 Português
Atenção: Para responder à questão, basele-se no texto abaixo.


Vale quanto pesa

    Numa era obcecada pela magreza e pelos objetos portáteis, a literatura popular anda na contramão. Basta observar as prateleiras das livrarias, para constatar que os best-sellers — aquelas obras que oferecem diversão em estado puro, sem pretensões intelectuais — andam cada vez mais grossos. Sejam eles romances água-com-açúear, de terror ou ficção cientifica, eles parecem feitos sob medida para entrar nos quadros de Fernando Batero. Tome-se como exemplo dois lançamentos recentes de autoras que fazem muito sucesso no Brasil O Regresso, de Rosamunde Pilcher, tem 1091 páginas e pesa 1,52 quilo. Os Favoritos de Fortuna, de Coleen MeCullough, é ainda maior: 1205 páginas e quase 2 quilos no ponteiro da balança. Não que medidas como essas sejam novidade no terreno das letras - o primeiro romance modemo, Dom Quixote, do espanhol Miguel de Cervantes, já era um calhamaço considerável. Mas os livros de ficção engordam atualmente por ordem expressa dos editores. Amparados em pesquisas de mercado, eles pedem aos autores histórias mais longas, que resultem em livros mais cheios. Querem pesos pesados — e isso não se refere ao recheio intelectual.

(Adaptado de GRAIEB, Carlos. Revista Veja. 1 de abril, 1998) 
No trecho eles pedem aos autores histórias mais longas, que resultem em livros mais cheios, o termo 'que' desempenha a função de: 
Alternativas
Q3288057 Português
Leia o Texto I para responder à questão.

Texto I

        O velho interrompeu subitamente a discussão e saiu sisudo, decepcionado antes com Emilie que com meus irmãos. Era inútil censurá-los ou repreendê-los. Emilie colocava-se sempre ao lado deles; eram pérolas que flutuavam entre o céu e a terra, sempre visíveis e reluzentes aos seus olhos, e ao alcance de suas mãos. Essa conivência de Emilie com os filhos me revoltava, e fazia com que às vezes me distanciasse dela, mesmo sabendo que eu também era idolatrado. Tornava-me um filho arredio, por não ser um estragaalbarda, por não ser vítima ou agressor, por rechaçar a estupidez, a brutalidade no trato com os outros. No meu íntimo, creio que deixei a família e a cidade também por não suportar a convivência estúpida com os serviçais. Lembro Dorner dizer que o privilégio aqui no norte não decorre apenas da posse de riquezas.

        — Aqui reina uma forma estranha de escravidão — opinava Dorner. — A humilhação e a ameaça são o açoite; a comida e a integração ilusória à família do senhor são as correntes e golilhas.

        Havia alguma verdade nesta sentença. Eu notava um esforço da parte de Emilie para manter acesa a chama de uma relação cordial com Anastácia Socorro. Às vezes bordavam e costuravam juntas, na sala; e ambas conversavam sobre um passado e lugar distantes, e essas conversas atraíam minha atenção. Permanecia horas ao lado das duas mulheres, magnetizado pelo desenho dourado gravado no corpo vítreo do narguilé, nas contas de cor carmesim que formavam volutas ou caracóis semi-imersos no líquido nacarado, e no bico de madeira que terminava num orifício delicado, como se fossem lábios preparados para um beijo. Mirando e admirando aquele objeto adormecido durante o dia, escutava as vozes, de variada entonação, a evocar temas tão distintos que as aproximavam. Anastácia impressionava-se com a parreira sobre o pátio pequeno, o telhado de folhas, suspenso, de onde brotavam cachos de uvas minúsculas, quase brancas e transparentes, e que nunca cresciam; ela fazia careta quando degustava as frutinhas azedas, sem entender a origem dos cachos enormes de graúdas moscatéis que entupiam a geladeira, o pomar das delícias, junto com as maçãs, peras e figos que meu pai trazia do sul, bem como as caixas de raha com amêndoas, os saquinhos de miski, as latas de tâmaras e de “tambac”, o tabaco persa para o narguilé. As frutas e guloseimas eram proibidas às empregadas, e, cada vez que na minha presença Emilie flagrava Anastácia engolindo às pressas uma tâmara com caroço, ou mastigando um bombom de goma, eu me interpunha entre ambas e mentia à minha mãe, dizendo-lhe: fui eu que lhe ofereci o que sobrou da caixa de tâmaras que comi; assim, evitava um escândalo, uma punição ou uma advertência, além de deixar Emilie reconfortada, radiante de alegria, pois para fazê-la feliz bastava que um filho devorasse quantidades imensas de alimentos, como se o conceito de felicidade estivesse muito próximo ao ato de mastigar e ingerir sem fim. A lavadeira me agradecia perfumando minhas roupas; depois de esfregá-las e enxaguá-las, ela salpicava seiva de alfazema nas camisas, lenços e meias, e, quando eu punha as mãos nos bolsos das calças, encontrava as ervas de cheiro: o benjoim e a canela.

HATOUM, Milton. Relatos de um certo Oriente. São Paulo: Companhia das Letras, 2008, p.46-47.
A respeito do trecho “Anastácia impressionava-se com a parreira sobre o pátio pequeno, o telhado de folhas, suspenso, de onde brotavam cachos de uvas minúsculas, quase brancas e transparentes, e que nunca cresciam; ela fazia careta quando degustava as frutinhas azedas, sem entender a origem dos cachos enormes de graúdas moscatéis que entupiam a geladeira, o pomar das delícias, junto com as maçãs, peras e figos que meu pai trazia do sul, bem como as caixas de raha com amêndoas, os saquinhos de miski, as latas de tâmaras e de ‘tambac’, o tabaco persa para o narguilé”, avalie as afirmações abaixo.
I- No trecho, o primeiro verbo funciona como verbo transitivo indireto.
II- As três ocorrências destacadas no texto do “que” possuem a mesma função no trecho em análise, funcionando em todos como conjunção integrante e introduzindo o mesmo tipo de oração.
III- O termo “bem como” poderia ser substituído por “assim como”, sem que haja prejuízo do sentido.
IV- O sintagma nominal ela é um exemplo de catáfora.
V- O referente do sintagma nominal ela é recuperado pragmaticamente, no contexto: “Anastácia impressionava-se com a parreira sobre o pátio pequeno, o telhado de folhas, suspenso, de onde brotavam cachos de uvas minúsculas, quase brancas e transparentes, e que nunca cresciam”.
VI- Em “impressionava-se”, o termo em destaque é uma partícula apassivadora.

É CORRETO o que se afirma apenas em:
Alternativas
Q3285946 Português
A Mulher do Vizinho

Sérgio abriu a porta e era a mulher do vizinho. A fantástica mulher do vizinho. A fantástica mulher do vizinho dizendo “Oi”. A fantástica mulher do vizinho perguntando, depois do “Oi”, se podia pegar uma toalha que tinha voado da sacada deles — “Sabe, o vento” — para a sacada dele.

— Entre, entre, disse o Sérgio, checando, rapidamente, com a mão, se sua braguilha não estava aberta. Morava sozinho, às vezes se descuidava dessas coisas.

Ela começou a entrar, mas parou. Ficou como que paralisada, só os olhos se mexendo. Os grandes olhos verdes e arregalados indo de um lado para o outro.

– Ih – disse a mulher do vizinho. – Surtei.
– Que foi? – perguntou Sérgio, já pensando em como socorrê-la (“Vamos ter de desamarrar esse bustiê”), já pensando em ambulância, hospital, confusão, mal-entendido com o vizinho…

Mas ela explicou:

– O seu apartamento é exatamente o oposto do nosso. Preciso me acostumar…

Ela entrou devagarinho. Como se, além de ser o avesso do seu, o apartamento do Sérgio pudesse conter outras surpresas. O chão podia estar no teto e o teto no chão.

– Que coisa! – disse a mulher do vizinho, passando por Sérgio e parando no meio da sala.

Exatamente o que Sérgio tinha pensado ao ver que sobrava um pouco de nádega onde acabava o shortinho da mulher do vizinho. No caso, que coisas!

– Você quer sentar?
– Como?
– Até se orientar…

Ela sentou-se, ainda maravilhada.

– Nossa televisão também fica ali, só que ao contrário! Ele tentou acalmá-la.
– Você quer um copo d’água?
– Você é solteiro?
– Sou.
– Meu marido é casado. Aliás, comigo. Viu só?
– O quê?
– É tudo ao contrário!
– É. Eu…
– Palmeiras ou Corinthians?
– Corinthians.
– Ele é Palmeiras!
– Puxa.
– Destro ou canhoto?
– Destro.
– Meu marido é canhoto!
– E você?
– Eu o quê?
– Palmeiras ou Corinthians? Destra ou canhota?

Ela tinha se levantado e estava andando pela sala. Cuidadosamente, até se acostumar com tudo ao contrário. Disse:

– Não dou muita importância para essas coisas.

Foi nesse momento que Sérgio se apaixonou pela mulher do vizinho. Os grandes olhos verdes tinham ajudado, claro. Os nacos de nádega sobrando do shortinho também. As coxas longas, sem dúvida. O “erre” meio carregado (ela dissera “Palmeirrras” e Corrinthians”, em alemão) contribuíra. Mas Sérgio se apaixonou pela mulher do vizinho quando ela declarou que não dava muita importância para essas coisas, times de futebol, ser destro ou canhoto…

Ficou esperando que ela dissesse “Isso é coisa de homem” para se atirar aos seus pés e beijá-los, mas ela não disse. Ela conseguiu chegar até a sacada, apesar de desorientada, e apanhar a toalha. Mas quando se virou para reentrar na sala, ficou paralisada outra vez. Ficou em pânico.

– Ai meu Deus!
– O que foi?
– A porta da rua. Onde fica a porta da rua?
– É aquela ali.
– Ai meu Deus! Eu não consigo me orientar.
– Pense no meu apartamento como o seu apartamento visto no espelho. A esquerda fica na direita e a direita…
– Por favor: esquerda e direita não, senão complica ainda mais!

Ele foi buscá-la. Ele foi salvá-la da sua confusão. Ele enlaçou sua cintura com um abraço, segurou a sua mão e começou a acompanhá-la até a porta, como se dançassem um minueto. Pensou em dizer que também estava desorientado (o amor, o amor) e levá-la para o seu quarto, para a sua cama. Imaginou-se tendo dificuldade para desamarrar o bustiê, os dois chegando à conclusão que no apartamento dele o bustiê deveria ser desamarrado ao contrário, depois desistindo de desamarrar o bustiê e se amando. O bustiê arrancado. O shortinho arrancado. E a mulher do vizinho, como se não bastassem o “erre” um pouco carregado e tudo mais, revelando que não usava calcinha. E dizendo que ele era tudo que o vizinho não era. Que ele era o oposto do vizinho em tudo. Em tudo!

Mas chegaram, não ao orgasmo simultâneo (“Com ele isto nunca aconteceu, com ele é o contrário!”), mas à porta. Ela agradeceu, se despediu e já ia saindo, levando a sua toalha, e todas as esperanças do Sérgio, quando se virou, deu outra passada de grandes olhos verdes pelo apartamento, e disse:

– Preciso voltar aqui.
– Para se acostumar – disse Sérgio.
– É – disse ela. E sorriu.

Ainda por cima, ela sorria!


Luís Fernando Veríssimo
A partícula “que” é um grande coringa da gramática da língua portuguesa, exercendo inúmeras funções morfossintáticas. Em qual das alternativas que está a classificação CORRETA da ocorrência destacada na frase abaixo?
Ficou esperando que ela dissesse “Isso é coisa de homem” para se atirar aos seus pés e beijá-los, mas ela não disse.

Alternativas: 
Alternativas
Q3285754 Português

Texto para à questão.



                                      Marcia Tiburi. O aprendizado da angústia.

   Internet: <https://revistacult.uol.com.br/home/>(com adaptações).

Acerca do trecho “É a angústia, portanto, que me devolve a mim mesma” (linhas 65-66), assinale a alternativa correta. 
Alternativas
Q3284936 Português
O Brasil virou um país de influenciadores


    Tenho vivido entre duas cidades. Quando cheguei à segunda, precisei pegar todos aqueles contatos que tornam a vida de um ser humano possível. Eu já me sentia em casa, mas minha pele não, tomada por uma alergia incômoda.

    Entrei no grupo de WhatsApp dos meus amigos locais e pedi indicação de dermatologista. Me surpreendi ao receber, no lugar de um contato com número de telefone, um link para o Instagram. Cliquei. Quase saí, achando ter caído na página errada. Nas fotos, uma mulher sorria no sofá com as pernas cruzadas. Segurava o maxilar insinuando os lábios carnudos. Olhava melancólica por uma janela. Logo entendi que mirava aquelas persianas para mostrar sua papada atlética e ofertar botox. Da mesma forma que as outras fotos vendiam outros tratamentos.

    Primeiro toquei a minha papada: será que aquilo era uma indireta? Sentindo que minha pele ainda segue aderida ao meu gogó, concluí que não, meu amigo tinha apenas passado a indicação de uma dermatologista com um leque vasto de serviços, que ela explicava em dezenas de vídeos e lives com convidados, em ritmo de talk show.

    Por um segundo, me encantei com a sua desenvoltura, mas então me ocorreu: com essa rotina de show woman, será que consegue frequentar congressos? Fazer especializações? Tratar com cuidado uma insignificante alergia? Minha pele não queria a Marília Gabriela nem a Oprah Winfrey.

    Quando pedi aos meus amigos indicação de arquiteta, o alívio: não me mandaram perfil de redes sociais, apenas nome e telefone. Convidei-a para visitar o meu apartamento, era naquela sala que ela precisaria dar um tapa. A arquiteta entrou e já começou a fazer diversas fotos e vídeos. Tá registrando pra usar no projeto?, perguntei. Pra isso e pra fazer um Antes & Depois, que postaremos quando a reforma estiver pronta, disse. E isso antes de ser contratada. Ou melhor, dispensada.

    O problema é essa demanda repentina e opressora para todo profissional ser produtor de conteúdo, angariar milhares de seguidores, conquistar uma média de sei lá quantos views. De onde sai o tempo extra para fazer isso? Uns vão sacrificar as horas que dedicariam ao ofício. Outros vão pagar alguém para produzir o conteúdo. Outros, provavelmente a maioria, vão encarar uma jornada dupla.

    Será que o esforço vale a pena? Será que esse tempo sempre se reverte em clientes, pacientes, leitores? Ou o maior interessado nessa exposição ainda é o ego? Cada caso é um caso não existe uma resposta absoluta. Só sei que: 1. O capitalismo é mesmo um bicho danado, sempre aparecendo com um jeito novo de tirar o nosso sangue sem a gente perceber. 2. Minha pele não virou stories e passa bem.


Por Giovana Madaloso. Texto coletado de https://www1.folha.uol.com.br/colunas/giovanamaladosso/2024/09/o-brasil-virou-um-pais-deinfluenciadores.shtml, acesso em 15 de setembro de 2024.
Todos os termos destacados abaixo apresentam função coesiva anafórica e uma função sintática ao mesmo tempo, EXCETO:
Alternativas
Q3281054 Português
Leia o texto abaixo para responder à próxima questão:


Cuia


    Lindaura, a recepcionista do analista de Bagé ― segundo ele, “mais prestimosa que mãe de noiva” ―, tem sempre uma chaleira com água quente pronta para o mate. O analista gosta de oferecer chimarrão a seus pacientes e, como ele diz, “charlar passando a cuia, que loucura não tem micróbio”. Um dia entrou um paciente novo no consultório.

    ― Buenas, tchê ― saudou o analista. ― Se abanque no más.

    O moço deitou no divã coberto com um pelego e o analista foi logo lhe alcançando a cuia com erva nova. O moço observou:

    ― Cuia mais linda.

    ― Cosa mui especial. Me deu meu primeiro paciente. O coronel Macedônio, lá pras banda de Lavras.

    ― A troco de quê? ― quis saber o moço, chupando a bomba.

    ― Pues tava variando, pensando que era metade homem e metade cavalo. Curei o animal.

    ― Oigalê.

    ― Ele até que não se importava, pues poupava montaria. A família é que encrencou com a bosta dentro de casa.

    ― A la putcha.

    O moço deu outra chupada, depois examinou a cuia com mais cuidado.

     ― Curtida barbaridade. ― Também. Mais usada que pronome oblíquo em conversa de professor.

    ― Oigatê.

    E a todas estas o moço não devolvia a cuia. O analista perguntou:

    ― Mas o que é que lhe traz aqui, índio velho?

    ― É esta mania que eu tenho, doutor.

    ― Pos desembuche.

    ― Gosto de roubar as coisas.

    ― Sim.

    Era cleptomania. O paciente continuou a falar, mas o analista não ouvia mais.

    Estava de olho na sua cuia.

    ― Passa ― disse o analista.

    ― Não passa, doutor. Tenho esta mania desde piá.

    ― Passa a cuia.

    ― O senhor pode me curar, doutor?

    ― Primeiro devolve a cuia.

    O moço devolveu. Daí para diante, só o analista tomou chimarrão. E cada vez que o paciente estendia o braço para receber a cuia de volta, ganhava um tapa na mão.


Luis Fernando Veríssimo
A partícula “que” apresenta diversas classificações morfológicas, sendo um coringa na língua portuguesa. Assinale a alternativa que classifique de forma CORRETA o uso específico da partícula “que”, tendo como referência o contexto do trecho abaixo:

O analista gosta de oferecer chimarrão a seus pacientes e, como ele diz, “charlar passando a cuia, que loucura não tem micróbio”.

Alternativas:
Alternativas
Q3280188 Português

Leia o texto abaixo para responder à próxima questão:


À Beira-Mar


     Por que será que tem gente que vive se metendo com o que os outros estão fazendo? Pode haver coisa mais ingênua do que um menininho brincando com areia, na beira da praia? Não pode, né? Pois estávamos nós deitados a doirar a pele para endoidar mulher, sob o sol de Copacabana, em decúbito ventral (não o sol, mas nós) a ler “Maravilhas da Biologia”, do coleguinha cientista Benedict Knox Ston, quando um camarada se meteu com uma criança, que brincava com a areia.


    Interrompemos a leitura para ouvir a conversa. O menininho já estava com um balde desses de matéria plástica cheio de areia, quando o sujeito intrometido chegou e perguntou o que é que o menininho ia fazer com aquela areia. O menininho fungou, o que é muito natural, pois todo menininho que vai na praia funga, e explicou pro cara que ia jogar a areia num casal que estava numa barraca lá adiante. E apontou para a barraca.


    Nós olhamos, assim como olhou o cara que perguntava ao menininho. Lá, na barraca distante, a gente só conseguia ver dois pares de pernas ao sol. O resto estava escondido pela sombra, por trás da barraca. Eram dois pares, dizíamos, um de pernas femininas, o que se notava pela graça da linha, e outro masculino, o que se notava pela abundante vegetação capilar, se nos permitem o termo.


   — Eu vou jogar a areia naquele casal por causa de que eles estão se abraçando e se beijando muito — explicou o menininho, dando outra fungada.


    O intrometido sorriu complacente e veio com lição de moral. 


    — Não faça isso, meu filho — disse ele (e depois viemos a saber que o menino era seu vizinho de apartamento). Passou a mão pela cabeça do garotinho e prosseguiu: — deixe o casal em paz. Você ainda é pequeno e não entende dessas coisas, mas é muito feio ir jogar areia em cima dos outros. 


   O menininho olhou pro cara muito espantado e ainda insistiu:


   — Deixa eu jogar neles.


   O camarada fez menção de lhe tirar o balde da mão e foi mais incisivo:


    — Não senhor. Deixe o casal namorar em paz. Não vai jogar areia não.


   O menininho então deixou que ele esvaziasse o balde e disse: — Tá certo. Eu só ia jogar areia neles por causa do senhor.


     — Por minha causa? — estranhou o chato. — Mas que casal é aquele?


     — O homem eu não sei — respondeu o menininho. — Mas a mulher é a sua.


Texto extraído do livro “O melhor do Stanislaw”

Sérgio Porto (Stanislaw Ponte Preta) 

O gênero crônica, em virtude de seu estilo de escrita aproximar-se da linguagem do cotidiano, tem a liberdade de usar de termo mais coloquiais e que muitas vezes fogem das regras da gramática da língua portuguesa. Observe o trecho abaixo retirado do texto de Stanislaw Ponte Preta e assinale a alternativa que justifique de forma equivocada os desvios cometidos pelo autor:

[...] quando o sujeito intrometido chegou e perguntou o que é que o menininho ia fazer com aquela areia. O menininho fungou, o que é muito natural, pois todo menininho que vai na praia funga, e explicou pro cara que ia jogar a areia num casal que estava numa barraca lá adiante.

Alternativas:
Alternativas
Q3276909 Português
Leia o texto 4 a seguir para responder a questão.

Texto 4


De quem são os meninos de rua? 

      Eu, na rua, com pressa, e o menino segurou no meu braço, falou qualquer coisa que não entendi. Fui logo dizendo que não tinha, certa de que ele estava pedindo dinheiro. Não estava. Queria saber a hora.

      Talvez não fosse um Menino De Família, mas também não era um Menino De Rua. É assim que a gente divide. Menino De Família é aquele bem-vestido com tênis da moda e camiseta de marca, que usa relógio e a mãe dá outro se o dele for roubado por um Menino De Rua. Menino De Rua é aquele que quando a gente passa perto segura a bolsa com força porque pensa que ele é pivete, trombadinha, ladrão.

      Ouvindo essas expressões tem-se a impressão de que as coisas se passam muito naturalmente, uns nascendo De Família, outros nascendo De Rua. Como se a rua, e não uma família, não um pai e uma mãe, ou mesmo apenas uma mãe os tivesse gerado, sendo eles filhos diretos dos paralelepípedos e das calçadas, diferentes, portanto, das outras crianças, e excluídos das preocupações que temos com elas. É por isso, talvez, que, se vemos uma criança bem-vestida chorando sozinha num shopping center ou num supermercado, logo nos acercamos protetores, perguntando se está perdida, ou precisando de alguma coisa. Mas se vemos uma criança maltrapilha chorando num sinal com uma caixa de chicletes na mão, engrenamos a primeira no carro e nos afastamos pensando vagamente no seu abandono.

      Na verdade, não existem meninos De Rua. Existem meninos NA rua. E toda vez que um menino está NA rua é porque alguém o botou lá. Os meninos não vão sozinhos aos lugares. Assim como são postos no mundo, durante muitos anos também são postos onde quer que estejam. Resta ver quem os põe na rua. E por quê.

      No Brasil temos 36 milhões de crianças carentes. Na China existem 35 milhões de crianças superprotegidas. São filhos únicos resultantes da campanha Cada Casal um Filho, criada pelo governo em 1979 para evitar o crescimento populacional. O filho único, por receber afeto “em demasia”, torna-se egoísta, preguiçoso, dependente, e seu rendimento é inferior ao de uma criança com irmãos. Para contornar o problema, já existem na China 30 mil escolas especiais. Mas os educadores admitem que “ainda não foram desenvolvidos métodos eficazes para eliminar as deficiências dos filhos únicos”.
      O Brasil está mais adiantado. Nossos educadores sabem perfeitamente o que seria necessário para eliminar as deficiências das crianças carentes. Mas aqui também os “métodos ainda não foram desenvolvidos”.

      Quando eu era criança, ouvi contar muitas vezes a história de João e Maria, dois irmãos filhos de pobres lenhadores, em cuja casa a fome chegou a um ponto em que, não havendo mais comida nenhuma, foram levados pelo pai ao bosque, e ali abandonados. Não creio que os 7 milhões de crianças brasileiras abandonadas conheçam a história de João e Maria. Se conhecessem talvez nem vissem a semelhança. Pois João e Maria tinham uma casa de verdade, um casal de pais, roupas e sapatos. João e Maria tinham começado a vida como Meninos De Família, e pelas mãos do pai foram levados ao abandono.

      Quem leva nossas crianças ao abandono? Quando dizemos “crianças abandonadas” subentendemos que foram abandonadas pela família, pelos pais. E, embora penalizados, circunscrevemos o problema ao âmbito familiar, de uma família gigantesca e generalizada, à qual não pertencemos e com a qual não queremos nos meter. Apaziguamos assim nossa consciência, enquanto tratamos, isso sim, de cuidar amorosamente de nossos próprios filhos, aqueles que “nos pertencem”.

      Mas, embora uma criança possa ser abandonada pelos pais, ou duas ou dez crianças possam ser abandonadas pela família, 7 milhões de crianças só podem ser abandonadas pela coletividade. Até recentemente, tínhamos o direito de atribuir esse abandono ao governo, e responsabilizá-Io. Mas, em tempos de Nova República*, quando queremos que os cidadãos sejam o governo, já não podemos apenas passar adiante a responsabilidade. A hora chegou, portanto, de irmos ao bosque, buscar as crianças brasileiras que ali foram deixadas.

(COLASANTI, Marina. A casa das palavras. São Paulo: Ática, 2002.) 
No trecho “Eu, na rua, com pressa, e o menino segurou no meu braço, falou qualquer coisa que não entendi”, a palavra “que” exerce a função de: 
Alternativas
Q3275902 Português

Leia o texto 3 a seguir para responder a questão.


Texto 3


Da calma e do silêncio


Da calma e do silêncio

Quando eu morder

a palavra,

por favor,

não me apressem,

quero mascar,

rasgar entre os dentes,

a pele, os ossos, o tutano do verbo,

para assim versejar

o âmago das coisas.

Quando meu olhar

se perder no nada,

por favor,

não me despertem,

quero reter,

no adentro da íris,

a menor sombra,

do ínfimo movimento.

Quando meus pés

abrandarem na marcha,

por favor,

não me forcem.

Caminhar para quê?

Deixem-me quedar,

deixem-me quieta,

na aparente inércia.

Nem todo viandante

anda estradas,

há mundos submersos,

que só o silêncio

da poesia penetra.


Fonte: EVARISTO, Conceição. Poemas da recordação e outros movimentos. Disponível em: https://www.culturagenial.com/poemas-de-conceicao-evaristo/ Acesso em 09 de fev. 2025)

No verso “Caminhar para quê?”, a palavra quê está acentuada, pois: 
Alternativas
Q3275112 Português

Estudo revela que mais de 50% dos casos de demência na América Latina são evitáveis


Por Redação do Jornal da USP







(Disponível em: https://jornal.usp.br/ciencias/estudo-revela-que-mais-de-50-dos-casos-de-demencia-naamerica-latina-sao-evitaveis/– texto adaptado especialmente para esta prova).

Em qual das linhas indicadas abaixo o “que” NÃO é pronome relativo?
Alternativas
Q3274585 Português

Internet:<nationalgeographicbrasil.com>  (com adaptações).

Em relação a aspectos gramaticais do texto, julgue o item seguinte.


No segmento “que dão aos vírus oportunidade de se deslocarem entre espécies” (linha 16), o vocábulo “que” estabelece coesão com o termo “interações” (linha 15), o que se confirma pelos sentidos do referido segmento. 

Alternativas
Q3274584 Português

Internet:<nationalgeographicbrasil.com>  (com adaptações).

Em relação a aspectos gramaticais do texto, julgue o item seguinte.


Nas orações “que infectam” (linha 9) e “que nos cercam” (linha 10), ambas adjetivas restritivas, o vocábulo “que” funciona como sujeito.

Alternativas
Q3274414 Português

Internet:<terrasindigenas.org.br>  (com adaptações).

No que se refere a aspectos linguísticos do texto, julgue o item seguinte.


A substituição do vocábulo “que” (linha 16) por as quais estaria de acordo com as regras gramaticais de coesão textual, dada a função sintática que o referido termo exerce no período.

Alternativas
Q3267356 Português
Autoridades do governo Trump defendem uso de lei de guerra para deportar imigrantes


Lei foi defendida mesmo após juiz ter bloqueado a medida e de a Venezuela ter negado que os deportados eram membros de gangue

Valerie Volcovici e Nathan Layne


    Autoridades do governo Trump defenderam no domingo o uso de poderes extraordinários de guerra para deportar dezenas de imigrantes venezuelanos, apesar de um juiz ter bloqueado a medida e de a Venezuela ter negado afirmações das autoridades norte-americanas de que os deportados eram membros de gangue.

   "Trata-se de uma guerra moderna, e continuaremos a combatê-la e a proteger os cidadãos americanos a cada passo do caminho", disse a secretária de Justiça Pam Bondi à apresentadora da Fox News Maria Bartiromo, no programa Sunday Morning Futures.

   Bondi afirmou que a decisão do governo Trump de deportar 137 imigrantes venezuelanos no último fim de semana para El Salvador foi justificada porque eles eram membros da temida gangue Tren de Aragua da Venezuela e representavam um risco à segurança.

  O ministro do Interior da Venezuela, Diosdado Cabello, disse na sexta-feira, no entanto, que nenhum dos venezuelanos deportados pelos EUA para El Salvador era membro da gangue, a qual Washington declarou ser um grupo terrorista.

   O governo usou a Alien Enemies Act de 1798, uma lei de tempo de guerra, para deportar os imigrantes, alegando que eles estavam cometendo crimes violentos e enviando dinheiro para a Venezuela.

   O assessor de segurança nacional da Casa Branca, Mike Waltz, disse no programa "Face the Nation" da CBS, sem citar evidências, que o Tren de Aragua era um representante do governo do presidente venezuelano Nicolás Maduro.

   "A lei de sedição se aplica plenamente porque também determinamos que esse grupo está agindo como representante do regime de Maduro", declarou Waltz. "Maduro está deliberadamente esvaziando suas prisões de forma indireta para influenciar um ataque aos Estados Unidos."

   O juiz distrital James Boasberg disse na sexta-feira que continuaria a investigar se o governo Trump violou sua ordem de bloquear temporariamente o uso da lei para deportações, depois de não ter conseguido desviar dois voos que transportavam os venezuelanos.

    O governo Trump enfrenta o prazo de 25 de março para responder à solicitação dele de mais detalhes sobre as deportações.

   Alguns juristas veem a situação como uma escalada no confronto do presidente Donald Trump com o judiciário e dizem que isso levanta preocupações de uma crise constitucional iminente.

   O czar da fronteira de Trump, Tom Homan, disse ao programa "This Week" da ABC News que não desafiaria a ordem de Boasberg, mas reiterou que o governo Trump continuaria a prender os imigrantes que considerasse perigosos.

    "Vamos continuar a prender ameaças à segurança pública e à segurança nacional", afirmou Homan. "Continuaremos a visar os piores dos piores."



https://www.terra.com.br/noticias/mundo/autoridades-do-governo-trump-defendem-uso-de-le i-de-guerra-para-deportar-imigrantes,97a5b71447658692ab095a856ac748f2sik3qb7m.html? utm_source=clipboard
[Questão Inédita] A palavra "que" apresenta valor diferente das demais ocorrências em:
Alternativas
Respostas
741: A
742: D
743: A
744: E
745: E
746: C
747: B
748: D
749: A
750: D
751: B
752: A
753: A
754: E
755: C
756: C
757: C
758: E
759: E
760: E