Questões de Concurso
Sobre figuras de linguagem em português
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Em relação às figuras de linguagem, assinale a alternativa que se aplica corretamente ao pensamento acima.
A expressão destacada no pensamento acima se apresenta em sentido:
BISPO: Quem é Severino do Aracaju?
SACRISTÃO: Um cangaceiro, um homem horrível.
SEVERINO: E deixe de me chamar de capitão, que eu não gosto.
BISPO: E como hei de chamá-lo então? SEVERINO: Severino, que é meu nome de batismo.
PADRE: É que nós não temos coragem de chamar uma pessoa tão importante de Severino.
Adaptado de SUASSUNA, Ariano. Auto da Compadecida. 39 ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2018, p. 102-104.
A fala do padre produz um efeito de ironia porque
Na deixa da virada do milênio, anuncia-se um revolucionário conceito de tecnologia de informação, chamado de Local de Informações Variadas, Reutilizáveis e Ordenadas - L.I.V.R.O.
L.I.V.R.O. representa um avanço fantástico na tecnologia. Não tem fios, circuitos elétricos, pilhas. Não necessita ser conectado a nada nem ligado. É tão fácil de usar que até uma criança pode operá-lo. Basta abri-lo!
Cada L.I.V.R.O. é formado por uma sequência de páginas numeradas, feitas de papel reciclável e capazes de conter milhares de informações. As páginas são unidas por um sistema chamado lombada, que as mantêm automaticamente em sua sequência correta.
Especialistas dividem-se quanto aos projetos de expansão da inserção de dados em cada unidade. É que, para se fazer L.I.V.R.O.s com mais informações, basta se usar mais páginas. Isso, porém, os torna mais grossos e mais difíceis de serem transportados, atraindo críticas dos adeptos da portabilidade do sistema.
Publicado pela primeira vez na Revista Veja, em 2006; acesso em: https://www.ime.usp.br
O efeito de humor presente no texto decorre, predominantemente, do fato de o autor
Famoso quem?

(Disponível em: gauchazh.clicrbs.com.br/donna/colunistas/martha-medeiros/noticia/2026/06/famoso-quemcmqb7uylf1dfl01l73peypqoy.html – texto adaptado especialmente para esta prova).
Coluna 1
1. Metáfora.
2. Hipérbole.
3. Metonímia.
Coluna 2
( ) “só lembro do Dourado porque me treinou em uma academia, há séculos”.
( ) “Você pode nunca ter ouvido falar em Mari Krüger, Marianna Armellini e Juvi Chagas, para citar alguns nomes que sigo nas redes”.
( ) “de alguém me apresentar para outra pessoa dizendo “você sabe quem é ela, não sabe?”, e a criatura, coitada, fica com cara de paisagem, claro”.
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
Com base nos diferentes empregos desse recurso, marque (V) para as afirmativas verdadeiras e (F) para as afirmativas falsas:
(__)Em 'Aquele aluno é feito um poço de sabedoria', emprega-se a metáfora, pois se associa o aluno a algo de sentido distinto do habitual, sem uso de conectivo comparativo explícito.
(__)Em 'A minha casa, vocês podem estudar lá', há emprego de anacoluto, caracterizado pela apresentação de um termo inicial destacado que fica sintaticamente isolado em relação à estrutura da oração seguinte.
(__)Em 'Chorei rios de lágrimas quando recebi a notícia da minha reprovação', emprega-se o eufemismo, pois há uma suavização da expressão para atenuar o impacto negativo da notícia recebida.
(__)Em 'Aluno deste colégio, já não o sou', ocorre pleonasmo estilístico, pois a repetição da ideia de pertencimento ao colégio é retomada de maneira expressiva pelo pronome, reforçando o termo anteriormente mencionado.
Assinale a sequência que preenche corretamente os itens acima, de cima para baixo.
Leia o trecho adaptado da Odisseia, de Homero, em que Ulisses, preso na caverna do ciclope Polifemo, procura escapar de uma situação desesperadora.
Quando Polifemo perguntou-lhe seu nome, Ulisses respondeu:
— Meu nome é Ninguém.
Mais tarde, depois de ser cegado por Ulisses e seus companheiros, Polifemo gritou por socorro. Os outros ciclopes aproximaram-se da caverna e perguntaram:
— Quem está lhe fazendo mal?
Polifemo respondeu:
— Ninguém está me matando por astúcia!
Ouvindo isso, os ciclopes concluíram que Polifemo não estava sendo atacado por pessoa alguma, atribuindo a sua queixa a algum castigo dos deuses, e foram embora, deixando-o sozinho.
A eficácia do estratagema de Ulisses decorre, sobretudo,
"O escritor pra criança é um plantador de esperança." (Pedro Bandeira)
No pensamento acima, tanto a concepção desenvolvida sobre o escritor quanto o uso de "esperança" remetem à seguinte figura de linguagem:
As lições do quase
Por Helô Bacichette

(Disponível em: gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/helo-bacichette/noticia/2026/07/as-licoes-do-
quase-cmrz4vd8v01sj014c4d62vmy5.html – texto adaptado especialmente para esta prova).
INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto 01 e, a seguir, responda à questão abaixo, que a ele se referem.
Texto 01
Os sonhos que pegamos emprestados
E se a vida que você está tentando construir nem for a vida que você realmente deseja?
A pergunta pode soar desconfortável, mas talvez nunca tenha sido tão necessária. Vivemos em uma época de muita influência e informação, em que somos expostos, diariamente, a milhares de referências sobre como viver, o que conquistar, o que comprar, para onde viajar, como trabalhar, amar, criar os filhos e até descansar. Nunca tivemos tanta liberdade de escolha. E, paradoxalmente, nunca foi tão fácil perder de vista aquilo que realmente queremos.
Em meio a tanto ruído, uma pergunta simples pode se tornar revolucionária: os sonhos que você sonha são realmente seus?
A todo momento somos atravessados por notícias, opiniões, tendências, expectativas e desejos que chegam de todos os lados. As redes sociais nos mostram vidas aparentemente perfeitas. O mercado nos apresenta novas necessidades. A sociedade define o que significa sucesso. E, sem perceber, vamos preenchendo nossa lista de prioridades com vontades que talvez não tenham nascido de dentro de nós.
Estamos tão acostumados a seguir roteiros prontos que muitas vezes confundimos admiração com desejo, influência com autoridade e aprovação com felicidade. Passamos a perseguir metas que parecem importantes porque são valorizadas por todos ao nosso redor, sem nos perguntar se elas também fazem sentido para nós.
Em um mundo que nunca esteve tão conectado, talvez estejamos cada vez mais distantes de nós mesmos. A velocidade dos dias dificulta a escuta interior. Pulamos de tarefa em tarefa, de tela em tela, de estímulo em estímulo. Fazemos escolhas quase automáticas, sem perceber que cada decisão está desenhando a realidade que habitamos.
Por isso, talvez uma das tarefas mais importantes da vida seja desenvolver a coragem de investigar os próprios desejos. Não o que sua família espera. Não o que sua profissão exige. Não o que parece certo aos olhos dos outros. Mas aquilo que continua fazendo sentido quando todas as vozes externas se calam.
O que faz seu coração vibrar? O que desperta sua curiosidade? Quais momentos fazem você perder a noção do tempo? Com quem você gosta de estar? E, tão importante quanto isso: o que você não quer para a sua vida?
Quando alguém reconhece seus desejos, valores e prioridades, algo muda. As decisões passam a fazer mais sentido. A agenda se organiza de outra forma. Os relacionamentos ganham novos contornos. O trabalho encontra significado. A vida deixa de ser apenas uma sequência de obrigações e começa a refletir quem se é de verdade. Porque existe uma força silenciosa na autenticidade.
Quando você sabe quem é e o que deseja, sua energia deixa de ser consumida com o que não conecta com o seu coração. Ela passa a ser direcionada para construir uma vida coerente com aquilo que importa. Talvez seja por isso que pessoas autênticas exerçam tanto magnetismo. Não porque sejam perfeitas ou tenham todas as respostas, mas porque existe algo profundamente inspirador em quem tem a coragem de honrar a própria verdade.
Isso não significa ignorar responsabilidades nem viver de forma egoísta. Significa reconhecer que uma vida plena não pode ser construída apenas a partir das demandas externas. Ela precisa reservar espaço para aquilo que nutre a alma, desperta entusiasmo e produz uma sensação genuína de pertencimento.
No fim das contas, a pergunta “o que você quer da vida de verdade?” não busca uma resposta definitiva. Ela é um convite permanente. Um convite para questionar padrões. Para diferenciar o que é sonho seu e o que é sonho que você pegou emprestado. Para olhar para dentro com mais honestidade e atenção. Porque, quando encontramos coragem para escutar o que realmente importa, nossas escolhas passam a refletir quem somos de verdade.
Fonte: SESSO, Giuliana. Os sonhos que pegamos emprestados. Disponível em: https://vidasimples.com. Acesso em: 20 jun. 2026. Adaptado.
INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto 01 e, a seguir, responda à questão abaixo, a que a ele se refere.
Texto 01
Proseando
Eu ia indo, guiando meu carro, de Pocinhos do Rio Verde para Caldas, lá em Minas, quando vi, ao longe, na estrada, um bando de crianças que caminhava pelo acostamento. Chegando mais perto, pelo jeito delas, concluí que eram escolares. Sorriam, naquela manhã de sábado, como se estivessem indo para um piquenique. Crianças felizes. Eram pássaros livres. Chegando ainda mais perto tive uma explosão de alegria. Comecei a rir. Acenei para elas. Elas acenaram para mim. Percebi o que estavam fazendo: traziam sacos nas mãos e estavam catando o lixo acumulado à beira da estrada. Isso de catar lixo nas manhãs de sábado não está nos programas. E também não cai nas provas. Mas elas estavam fazendo aquilo que, talvez, elas já soubessem: que é preciso cuidar do mundo em que vivemos. Talvez soubessem, mas as inúmeras obrigações curriculares não lhes deixavam tempo livre para fazer o essencial. Tanto assim que aquilo que estavam fazendo era num sábado... Isso é sinal de esperança. Acho bom!
ALVES, Rubem. Proseando. Disponível em: https://www.opergaminho.com.br/proseando. Acesso em: 20 jun. 2026.
Leia o poema de Hilda Hilst:
Que este amor não me cegue nem me siga.
E de mim mesma nunca se aperceba.
Que me exclua do estar sendo perseguida
E do tormento
De só por ele me saber estar sendo.
Que o olhar não se perca nas tulipas
Pois formas tão perfeitas de beleza
Vêm do fulgor das trevas.
E o meu Senhor habita o rutilante escuro
De um suposto de heras em alto muro.
Que este amor só me faça descontente
E farta de fadigas. E de fragilidades tantas
Eu me faça pequena. E diminuta e tenra
Como só soem ser aranhas e formigas.
Que este amor só me veja de partida.
"A toalha ganha nódoas de molho e contornos vermelhos dos cálices de vinho e das xícaras: um sudário da gula."
A respeito da expressão "um sudário da gula", analise as assertivas a seguir.
I. A toalha é figurativamente apresentada como um tecido que conserva as marcas deixadas pelas refeições.
II. A expressão estabelece uma reprovação moral direta aos hábitos alimentares dos integrantes da família.
III. A imagem atribui densidade poética a vestígios domésticos que materializam a experiência da convivência.
Está CORRETO o que se afirma em:
“De repente do riso fez-se o pranto Silencioso e branco como a bruma”.
Marque a alternativa que analisa corretamente o sentido próprio e/ou figurado empregado no verso.
