Questões de Concurso Sobre figuras de linguagem em português

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Q4318194 Português

Para responder à questão, leia o texto abaixo.



Chove. Que fiz eu da vida?
Fiz o que ela fez de mim...
De pensada, mal vivida...
Triste de quem é assim!

Numa angústia sem remédio
Tenho febre na alma, e, ao ser,
Tenho saudade, entre o tédio,
Só do que nunca quis ter...

Quem eu pudera ter sido,
Que é dele? Entre ódios pequenos
De mim, estou de mim partido.
Se ao menos chovesse menos!


Autor: Fernando Pessoa.

No verso De mim, estou de mim partido, o autor utiliza recursos estilísticos e sintáticos para expressar a crise existencial do sujeito poético. A respeito da construção desse verso e do seu efeito de sentido no texto, assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q4318136 Português
Loucura sem cura




(Disponível em: gauchazh.clicrbs.com.br/donna/colunistas/martha-medeiros/noticia/2026/08/loucura-semcura-cmt24vpro01rt015hk4nrhgbo.html – texto adaptado especialmente para esta prova). 
Em relação aos trechos abaixo retirados do texto, assinale a alternativa que NÃO apresenta linguagem figurada.
Alternativas
Q4318025 Português

Leia a seguir um trecho do prólogo do livro A literatura como remédio: os clássicos e a saúde da alma, para responder à questão


 Prólogo ao leitor extremamente ocupado


“Desocupado leitor…” É assim que Miguel de Cervantes iniciava o prólogo de uma das mais célebres obras literárias da história universal: O Engenhoso Fidalgo D. Quixote de la Mancha. Quatrocentos anos depois, neste mundo marcado pelo imediatismo e pelo produtivismo, fico pensando se ainda seria possível iniciar um livro fazendo um convite ao “desocupado leitor” de Cervantes… Pois, na verdade, hoje estamos todos tão extremamente ocupados… Extremamente ocupa dos e extremamente apressados.


Esta pressa e esta azáfama têm, mais que nos ocupa do, nos preocupado e, em última análise, nos desumanizado e nos adoecido. E como os que estão doentes precisam de remédio, passo, rapidamente — porque nos falta tempo — a falar sobre o porquê deste livro.


Este livro fala sobre um remédio; um tipo muito especial de remédio. O remédio é, como veremos, muito, muito antigo. Foi descoberto ou inventado ainda na aurora da humanidade e, ficando às vezes meio esquecido, precisa ser constante mente resgatado, para que essa mesma humanidade não adoeça mortalmente.


Quem nunca experimentou, algum dia, os seus efeitos benfazejos? Eu mesmo me lembro o quanto o desejava e esperava, ansiosamente, quando minha mãe, às vezes meu pai, ou mesmo meu avô, vinham administrá-lo à noite, antes de dormir…


Sim, não cabe mais fazer mistério: esse remédio são as histórias. As narrativas que, algumas vezes, brotam da imaginação fértil; outras, das coisas efetivamente ocorridas e reinventadas; e, na maioria, dos livros clássicos de contos infantis.


Chamo de remédio, porque, desde a mais tenra infância, essas histórias eram o que enchiam a alma, quebravam a rotina dos dias cinzentos, abriam as portas para outras dimensões e patamares da realidade. Divertiam, encantavam, ensinavam e, mesmo quando eram amargas e tristes (pois é próprio do remédio às vezes ser amargo), sempre faziam bem.


Com o passar do tempo, entretanto, e as demandas da vida — escola, trabalho etc. — vamos nos afastando deste maravilhoso remédio, fortificante da alma. No contexto do mundo moderno, aliás, passaram a acreditar que tal remédio é não só dispensável, mas até prejudicial, pois ficção, fantasia, sonho, nos distrai da “realidade”, determinada pelas coisas “reais”, sérias, produtivas. Mas então, quando começamos a sentir os sintomas de um tipo muito particular de adoecimento, nos damos conta da sua falta e nos lembramos dos seus efeitos.


(Dante Gallian. São Paulo: Martin Claret, 2019. Adaptado).

Foi empregado em sentido figurado o termo destacado em:
Alternativas
Q4317908 Português
Chorar e rir


    E enquanto uma chora, outra ri; é a lei do mundo; é a perfeição universal. Tudo chorando seria monótono, tudo rindo, cansativo; mas uma boa distribuição de lágrimas e polcas, soluços e sarabandas, acaba por trazer à alma do mundo a variedade necessária, e faz-se o equilíbrio da vida.


(Machado de Assis. Quincas Borba. Disponível em: <citador.pt/textos/chorar-e-rir-joaquim-maria-machado-de-assis - Acesso em: 10.7.2026.Adaptado)


Polca:  dança e gênero musical que chegou ao Brasil no século 19, influenciando ritmos como o choro e o maxixe.


Sarabanda:  antiga dança popular espanhola do século 17; grande agitação ou movimento incessante.
Assinale a alternativa que indica, na frase, ideia de oposição.
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Q4317904 Português

Rir e chorar


    Leila aprendeu a rir cedo, e todos na sua casa são assim. O humor os salvou. Riem uns dos outros, riem de si próprios, e, a cada vez que o sofrimento aperta, fazem uma espécie de mutirão para descobrir algo que os faça rir naquele momento. No cotidiano da família de Leila, a tragédia sempre foi prima--irmã do humor. E, pensando bem, a distância que separa os dois é milimétrica, às vezes quase imperceptível.


    Leila se lembra de uma tia-avó materna adorável que se chamava Florispina e tinha o apelido de Tia Pipina. Na reali dade, eram quatro irmãs: Cardolina, Florispina, Isoldina e a avó de Leila, chamada Luíza, uma ilha de normalidade em relação aos nomes extravagantes das irmãs.


    A Tia Pipina misturava riso e choro com uma desenvol tura espantosa. Chorar de rir é algo que se vê a toda hora – a pessoa vai das gargalhadas às lagrimas, mas não para de rir. Tia Pipina, não. Ela passava do riso ao choro convulsivo, choro sentido, de soluçar. E então as pessoas ficavam sem saber o que fazer. As gargalhadas de todos iam parando, desconcertadas, e todos começavam a consolar Tia Pipina sem saber exatamente por que ela chorava, já que, aparen temente, era um choro sem motivo.


    Da mesma forma, quando ela se sentia muito triste, começava a chorar silenciosamente, as lágrimas grossas escorrendo pelo rosto enrugado e contraído. As pessoas iam consolá-la, desta vez sabendo a razão do choro, mas não dava tempo. De repente, Tia Pipina desatava a rir, incontro lavelmente, e todos, mais uma vez sem saber o que fazer, acabavam rindo com ela, fazendo naufragar a tristeza. O cho ro abortado, provavelmente, era o mesmo que vinha depois, com os acessos de riso. Porque choro adiado, sabemos bem, não é choro acabado.


(Leila Ferreira; Cris Guerra. Que ninguém nos ouça. São Paulo: Planeta do Brasil, 2016. Adaptado)

Assinale a alternativa em que há palavra empregada com sentido figurado.
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Q4317325 Português

Insetos a favor da Lei: a entomologia forense como aliada da justiça na Amazônia


No Pará, peritos e pesquisadores utilizam moscas e outros insetos para estimar o tempo de morte, identificar circunstâncias de crimes e ampliar as possibilidades de investigação forense.


        Era mais um dia de plantão do perito criminal Augusto Andrade. Dessa vez, ele tinha sido chamado para coletar evidências em uma residência no município de São Domingos do Araguaia, região sudeste do estado do Pará. No local, o corpo de uma mulher tinha sido encontrado e a suspeita era de morte natural. Chegando lá, algo chamou a atenção do perito. “Havia muitas moscas. Mais do que deveriam”, disse. Para Augusto, que tem a experiência de anos recolhendo evidências em locais de crime no interior do estado, isso significava uma coisa: “Algum ferimento havia sido aberto ali”, disse ele.


As moscas eram os vestígios

        O laudo científico foi encaminhado para a Polícia Civil, que junto a outras evidências passou investigar o caso como homicídio. Essa não foi a primeira vez que esses insetos ajudaram Augusto em uma investigação. Em outras sete cenas de crime, as moscas foram fundamentais em determinar o chamado “Intervalo Post Mortem” (IPM) - uma estimativa sobre quanto tempo uma pessoa foi morta, dado essencial nas investigações criminais. Em um dos casos, o perito chegou a coletar ovos de moscas que estavam em um cadáver e os levou para a Polícia Científica de Marabá, onde analisou o tempo em que se desenvolviam. “As moscas têm um ciclo de vida de dias. Então dependendo do estágio em que a mosca está no corpo, se larvas ou os ovos, a gente pode dizer há quanto tempo um cadáver está ali”, diz.


        Augusto explica que esse tipo de dado torna o laudo mais técnico, auxiliando a Polícia Civil, caso eles já tenham um suspeito ou uma linha de investigação. “A Polícia Civil pode comparar com o que eles já apuraram. Por exemplo, se uma pessoa está mentindo ou não sobre determinada informação, ou se a evidência é convergente com aquela linha já adota da”, disse.


Entomologia Forense

        Contar com insetos como ‘microinvestigadores’ não é uma novidade nem na perícia e nem na ciência. A entomolo gia forense (entomo - inseto; logia - estudo) aplica o estudo dos insetos e outros artrópodes a procedimentos legais, auxili ando nas investigações criminais. O primeiro registro disto está em um manual de medicina chinês, datado do século XIII, que relata a investigação de um homicídio.


        “Um dia alguém observou uma pessoa assassinada e suspeitavam de um determinado aldeão. Foram lá na casa de le e acharam uma foice com sangue e vermes, indicando que aquela tinha sido a arma do crime. A partir disso começa-se o estudo da entomologia. Esses bichinhos aqui seriam, digamos assim, os nossos aliados para descobrir quem é o criminoso, as circunstâncias e o local do crime”, explica o professor Danilo Oliveira, entomologista e docente na Universidade do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa).


        No Brasil, os primeiros registros de insetos auxiliando em investigações estão datados de 1908. Mesmo assim, es tudos na área ainda carecem de investimentos. Além de essenciais para os ecossistemas, o professor explica que alguns insetos também são capazes de fornecer dados que vão desde as circunstâncias do crime e o local em que o crime ocorreu, até a identificação do criminoso. “Essa observação torna possível responder algumas perguntas e ajuda a entender como foi a morte, qual que foi a causa, o local onde isso aconteceu. E aí a gente tem algumas espécies que nos ajudam muito assim, e que se destacam”, diz.


        Entre os principais insetos de importância forense estão as moscas, os besouros e até borboletas. Danilo explica que, quando há um corpo morto, os dípteros, ou seja, as moscas, são os primeiros a chegar.

        “As moscas depositam ovos no cadáver. Esses ovos eclodem em larvas. Essas larvas vão crescendo em etapas e es sas etapas têm duração específica. É nesse tempo de ‘crescimento’ que estão os dados da investigação”, explica o profes sor.


Por exemplo, se em um cadáver é coletada uma larva de uma espécie cujo ciclo de desenvolvimento demora 10 di as, e após a coleta a larva demora 5 dias para se desenvolver, isto significa que os outros 5 dias ocorreram antes do corpo ser encontrado. Com isso é possível saber a duração de cada etapa e calcular o intervalo pós-morte, ou seja, uma estimativa de quanto tempo aquela pessoa morreu. “Mas essa é uma estimativa que também depende das condições do ambiente, localização, clima”, diz.

[...]


(Vanessa Monteiro. Supervisão Ruanne Lima. Edição Carla Fischer. Fotos de Lucas dos Santos Alves. Publicado em 29/09/2025. Dispononível em: www.amazoniavox.com/reportagens/view/141/pt-br/insetos_a_favor_da_lei_a_entomologia_forense_como_aliada_da_justica_na_amazonia)

No trecho: “Contar com insetos como ‘microinvestigadores’ não é uma novidade nem na perícia e nem na ciência.” A expressão “microinvestigadores” constitui uma comparação porque 
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Q4317252 Português
O texto abaixo foi elaborado pela professora Márcia Rebêlo. Leia-o, atentamente, pois ele servirá de base para a questão.


A importância da preservação da água


    A água é um dos recursos naturais mais importantes para a vida no planeta. Utilizamos a água para beber, preparar alimentos, cuidar da higiene, produzir alimentos e realizar diversas atividades do dia a dia. Apesar de sua importância, mui tas pessoas ainda desperdiçam água e não percebem que esse recurso pode se tornar cada vez mais escasso em algumas regiões.


    Preservar a água é uma responsabilidade de todos. Atitudes simples, tais como, fechar a torneira enquanto esco vamos os dentes, consertar vazamentos e evitar banhos muito demorados, podem contribuir para diminuir o desperdício. A água é também um tesouro da natureza: se cuidarmos dela hoje, ajudaremos a garantir vida e qualidade de vida para as futuras gerações.


    Além do desperdício, a poluição dos rios, lagos e oceanos também representa uma grande ameaça à disponibilida de de água de qualidade. O descarte inadequado de lixo, produtos químicos e outros resíduos pode contaminar os ambien tes aquáticos e prejudicar pessoas, animais e plantas. Por isso, cuidar da água significa também preservar a natureza, des cartar o lixo corretamente e participar de ações que contribuam para a conservação do meio ambiente. Portanto, cuide sempre do meio ambiente e faça a sua parte.
No trecho seguinte: “A água é também um tesouro da natureza...” (2º parágrafo), a autora emprega uma figura de linguagem para destacar a importância desse recurso. Marque a assertiva que possui a adequada figura de linguagem usada no trecho em questão.
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Q4315972 Português
À mesa não se envelhece nem se enrijece


    Estou em uma mesa de oito lugares onde se apinham doze pessoas. Todos conversam sem prestar atenção no meu silêncio repentino, nos meus olhos que descem pela toalha manchada de vinho, pelos pratos de cores diferentes, cada um de um jogo que foi se quebrando, pela comida que ficou levemente sem gosto, pelos copos que tivemos que usar no lugar das taças que se quebraram na mudança.

    Os quadros ainda não foram pregados nas paredes da sala. Não possuo as flores frescas que as influenciadoras dizem ser fundamentais para deixar a casa bonita. Não fiz o pudim ensinado por milhares de tutoriais porque sujaria ainda mais louça – comeremos os quindins que comprei na padaria.

    Se fosse há cinco ou seis anos, eu não teria promovido esse almoço. Eu teria me fiado pela sociedade da performance, que exige que tudo, até um almoço entre amigos, seja um evento perfeito. Instagramável. E, portanto, com pouca chance de acontecer.

    Ainda sentada à mesa, lembro das minhas avós, das velhas matriarcas de outras famílias. Não marcavam nada. Aos domingos, abriam as portas para quem chegasse. Sobre a mesa coberta com uma toalha puidinha, a garrafa térmica e o bolo. Ou a macarronada que se repetia por anos, sem que ninguém se constrangesse em servir aquele eterno prato único. E tudo bem, porque o intuito dos encontros não era oferecer uma experiência gastronômica, mas promover uma comunhão que pairava acima do estômago.

    “A tavola non si invecchia” meu pai sempre dizia, ditado italiano que afirma que à mesa não se envelhece.

    Vou além: à mesa também não se enrijece, porque é no encontro que dessalgamos certezas excessivas.

     Comendo de meus pratos coloridos e lascados, há amigos de esquerda, meu primo de direita e meu novo vizinho, que ainda não conheço bem e de quem desconheço totalmente a orientação ideológica. Um é vegetariano, outro entusiasta da proteína animal. Um é ateu, outro acredita em tudo, e mais um pouco.

    Que discordem no que tiverem que discordar, penso, desde que não lancem garfos sobre a minha cabeça.

    Como avançar se não conversando?

    É no diálogo – e não na monotonia temática do algoritmo – que as trocas mais produtivas acontecem. Que as mudanças de voto acontecem. Que as pequenas revoluções acontecem (não à toa, regimes autoritários adoravam investir na distância e na desconfiança entre vizinhos). Que as fofocas acontecem. Que mesmo as separações acontecem – onde uma mulher irá contar que vem sendo agredida pelo marido, senão em um em encontro íntimo, cercada de gente de sua confiança?

    Enquanto sirvo os quindins, escuto os papos. Lembro que meus amigos conhecem meu primo aqui desta mesa. Que se tornaram parceiros de pedalada a partir de um almoço servido aqui nesta mesa. Quantas conexões eu deixaria de ter feito se ficasse esperando pela louça adequada? Quantos conselhos eu perderia se ficasse na dependência de uma sobremesa instagramável? Quantas gargalhadas deixaria de dar se ficasse esperando cozinhar como um chef?

    Saúde, sugiro, levantando meu copo bico de jaca. Os outros levantam os seus, e celebro intimamente esse território de oito lugares em que apertando cabem doze, quem sabe até quatorze e para onde sei que sempre podemos voltar.


(Por: Giovana Madalosso. À mesa não se envelhece nem se enrijece. Jornal Folha de S. Paulo, 2026. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas. Acesso em: julho de 2026.)
Considere a seguinte passagem do 6º§: “Vou além: à mesa também não se enrijece, porque é no encontro que dessalgamos certezas excessivas.”. No trecho, a autora emprega o verbo “dessalgamos” em sentido figurado. Esse recurso expressivo tem como principal efeito: 
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Q4312489 Português

Comunicação no trânsito é fundamental

Sou da comunicação. Amo rádio e tenho uma paixão por televisão. Também sou o "carpinteiro" que, por ter como únicas ferramentas o martelo e o serrote, pensa que todos os problemas são prego e madeira. Analogias à parte, vejo o mundo pela ótica da educação e da comunicação. Eis minhas ferramentas. Dedico-me integralmente aos assuntos que interligam valores, conhecimentos e comportamentos. Eis minha oficina cheia de pedaços de madeira pedindo aparos e pregos à espera de marteladas.

Neste cenário, saltam aos olhos os tropeços que todos vivenciamos nesta jornada de uma humanidade que ainda perde a saúde, a qualidade de vida e até encontra antecipadamente a morte por motivos toscos. De todas as barbaridades que ainda nos permitimos, como sociedade, penso que posso ajudar com algumas marteladas nas áreas de promoção à saúde, segurança no trabalho, meio ambiente e, claro, trânsito. O que eles têm em comum? Todos podem melhorar muito com a melhora da percepção de riscos e com educação. E tudo começa com uma melhora na comunicação.

Um dos maiores problemas que enfrentamos no trânsito é a intolerância, geralmente resultante de uma combinação do perfil de cada pessoa com o tanto que ela sabe, ou pensa que sabe. As pessoas, no geral, subestimam os perigos potenciais do trânsito. Não existe segurança absoluta quando o assunto é mobilidade, já que o trânsito é um imprevisível festival de diversidades. Perceber, reconhecer e respeitar isso é fundamental para a segurança. Ah, como faz falta a educação para o trânsito! 

Por fim, agradeço a todos, jornalistas ou não, que dividem comigo a tarefa de "serrar e pregar" mais comunicação e educação para o trânsito.

MARIANO, Celso. Comunicação no trânsito é fundamental - III. Portal do Trânsito, Curitiba, 28 jun. 2016. Fragmento adaptado. Disponível em: https://portaldotransito.com.br/opiniao/comunicacao-no-transito-e-funda mental-iii. Acesso em: 25 jul. 2026. 

Sobre o emprego dos sentidos denotativo (literal) e conotativo (figurado) no artigo, analise as assertivas a seguir:
I.Em "As pessoas, no geral, subestimam os perigos potenciais do trânsito", as palavras estão empregadas em sentido conotativo, pois a frase não descreve um comportamento real das pessoas. II.Em "posso ajudar com algumas marteladas nas áreas de promoção à saúde, segurança no trabalho, meio ambiente e, claro, trânsito", o termo "marteladas" está em sentido figurado, designando as ações do autor, e não golpes físicos de martelo. III.Em "a tarefa de 'serrar e pregar' mais comunicação e educação para o trânsito", os verbos "serrar" e "pregar" retomam, em sentido conotativo, a comparação do autor com o carpinteiro.
Com base na distinção entre denotação e conotação, está correto o que se afirma em:
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Q4312007 Português
Texto para o item.

Tecnologia sem regulação, ética e privacidade pode expor usuários a riscos graves

     Discutir ética no desenvolvimento tecnológico é essencial para garantir que a inovação respeite direitos fundamentais, como privacidade, segurança e autonomia. O professor Luli Radfahrer destaca que, sem princípios éticos e regulação adequada, a tecnologia pode reforçar desigualdades, manipular comportamentos e expor usuários a riscos graves. “A gente precisa garantir que o desenvolvimento tecnológico respeite direitos básicos, como privacidade, segurança e autonomia dos usuários, porque, senão, vira uma lei da selva, em que quem tiver mais força bate mais e quem for menor simplesmente se cala, e não reclama. Então, a gente precisa ter uma abordagem que priorize a privacidade, pois começa por ela”.
    Para o docente, leis como a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) são fundamentais, mas precisam ser acompanhadas de educação digital para que as pessoas saibam se proteger e usar as ferramentas com consciência. As empresas devem assumir a responsabilidade pelos impactos de seus produtos e adotar a ética desde o início do desenvolvimento. “As pessoas estão usando um poder muito maior de acesso e de compartilhamento de informações. Portanto, é preciso saber proteger suas informações, reconhecer tentativas de golpe (principalmente de forma on‑line) e entender as configurações de privacidade”, salienta Radfahrer.
    A inteligência artificial (IA), assim como qualquer ferramenta, pode servir tanto para o bem quanto para o mal. Assim, cabe à sociedade orientar seu uso, cobrar transparência e colocar o ser humano no centro das decisões tecnológicas. Afinal, tecnologia sem ética não é avanço – é perigo.

Internet: <jornal.usp.br> (com adaptações).
Em relação ao texto e aos seus aspectos linguísticos, julgue o item a seguir.

Na oração “vira uma lei da selva”, o segmento é empregado em sentido conotativo, constituindo uma metáfora para figurar um cenário de desordem e prevalência do mais forte na ausência de regulamentação tecnológica.
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Q4307117 Português

Leia a charge a seguir.


Imagem associada para resolução da questão



A partir da leitura integrada dos elementos verbais e não-verbais da charge, infere-se que o autor

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Q4306834 Português
Texto 2


Futebol se joga no estádio?
Futebol se joga na praia,
futebol se joga na rua,
futebol se joga na alma.
A bola é a mesma: forma sacra
para craques e pernas de pau.
Mesma a volúpia de chutar
na delirante copa-mundo
ou no árido espaço do morro.
São voos de estátuas súbitas,
desenhos feéricos, bailados
de pés e troncos entrançados.
Instantes lúdicos: flutua
o jogador, gravado no ar
- afinal, o corpo triunfante
da triste lei da gravidade.


ANDRADE, Carlos Drummond de. Futebol. In: Quando é dia de futebol. São
Paulo: Companhia das Letras, 2014.
No fragmento a seguir, “A bola é a mesma: forma sacra para craques e pernas de pau”, a expressão destacada está sendo usada no sentido figurado e indica que há
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Q4306083 Português

Leia o fragmento a seguir.


Ao final do expediente, o prédio parecia enfim adormecer. As portas já não interrompiam o silêncio, os corredores haviam perdido a pressa e, sobre as mesas vazias, permaneciam documentos que aguardariam pacientemente a manhã seguinte. Lá fora, porém, a cidade continuava acesa, indiferente ao cansaço de quem acabara de deixá-la.


Considerando os recursos expressivos empregados no fragmento e os efeitos de sentido produzidos por eles, assinale a alternativa correta.

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Q4305547 Português

INSTRUÇÃO: A questão refere-se ao texto abaixo.



Qual é a origem da palavra “tarifa”?





(Disponível em: super.abril.com.br/historia/qual-e-a-origem-da-palavra-tarifa/ – texto adaptado especialmente para esta prova).

Considerando os trechos a seguir, retirados do texto, assinale a alternativa na qual se identifique o emprego de metáfora.
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Q4304191 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


Do primeiro celular ao smartphone


   Do primeiro celular a gente nunca se esquece: falo do tijolão preto quando chegou ao Brasil! Lembro como se fosse o primeiro dinossauro. Causou uma revolução em nossos costumes. Mas era apenas um telefone - falar e ouvir. E foi fantástico. Lembro a minha euforia. Quando me desfiz do primeiro, para tornar-me vítima do consumismo, fiquei com o coração apertado. Sou sentimental, tenho carinho pelos elos que vão ficando para trás. E o "pretinho básico" ficou esquecido. Foi um susto ao ver as pessoas falando nas calçadas. Gesticulavam igual a nossa Elis Regina ao cantar "Arrastão". Muito esquisito, eu parava na rua para olhar, e jurei não entrar naquela onda louca. Não adiantou.

  Na época, eu pensei que aquele estardalhaço nas ruas, com o aparelho no ouvido, seria coisa passageira, logo as pessoas entrariam no equilíbrio. Mas não; piorou. Sem cerimônia entramos na vida dos outros, nas conversas de família, nas doenças, nas brigas. E não se respeitam mais hospitais, clínicas, elevadores, lojas... O tranco é o mesmo. Um berreiro. E assim seguiremos, já acostumados a compartilhar toda a nossa vulnerabilidade em lugar público. Compartilhamos o que somos e o que gostaríamos de ser. Uma mistura surreal contemporânea, massificada. Um novo movimento. Não se sabe onde fica a linha divisória da razão. Existe o vício. Vi uma menina tuitando e rindo no cantinho de um velório. Senti vontade de lhe chamar a atenção (...).

    O mundo virtual está engolindo o mundo real nas lojas e bancos. Não gosto.

   Há uma ânsia em comunicar, alegrias e tristezas a compartilhar. Será que nossa cruz fica mais leve de carregar? Os filhos não querem saber de papo familiar, vão direto ao Facebook e lá tiram suas dúvidas com centenas de amigos.

    Só o futuro dirá algo sobre isso.


CARVALHO, Taís Luso de. Do primeiro celular ao
smartphone. Porto das crônicas. Disponível em
<https://taisluso.blogspot.com/2018/11/do-primeirocelular-ao-smartphone.html>.
Assinale a alternativa cuja palavra destacada se encontra em sentido figurado.
Alternativas
Q4303714 Português
Considere o fragmento a seguir para a questão.

    Já há algum tempo a ciência fala em “ambientes obesogênicos”. Embora o conceito na nutrição seja mais amplo, aqui o enfoque é no ambiente urbano. Não é que a cidade force você a comer, mas ela cria um cenário onde a escolha saudável é a mais difícil, cara e demorada. O estudo em tela, que revisou a literatura de 1990 a 2024, mostra que o urbanismo afeta nosso peso por três vias principais: atividade física, dieta e estilo de vida e saúde mental.
    É como se a cidade fosse um imenso tabuleiro de jogo onde as regras foram feitas para você perder. Se o uso do solo é ‘espalhado’(o famoso urban sprawl), você é obrigado a usar o carro para tudo. Se não há mix de funções (comércio e residência no mesmo lugar), a caminhada utilitária, aquela que você faz para ir à padaria, por exemplo, desaparece. E sem parques ou áreas verdes, o lazer ativo vira um luxo para poucos.
    O espaço urbano não é, portanto, uma mera paisagem passiva, mas um agente determinante da saúde pública, que molda comportamentos e, portanto, riscos à saúde coletiva.

Fonte: https://jornal.usp.br/articulistas/hamilton-roschel/a-cidade-que-nos-engorda-como-o-urbanismo-molda-nosso-estilo-devida/
Assinale a alternativa que apresenta uma análise correta do fragmento acima.
Alternativas
Q4303422 Português
Aludindo-se a figuras de linguagem, relacione a Coluna I com a Coluna II e marque a alternativa correta.

Coluna I.
A- Catacrese.
B- Metonímia.
C- Silepse.
D- Anáfora.
E- Antítese.

Coluna II.
1- Todos fomos à festa.
2- A juventude brasileira é a nossa esperança.
3- Tudo era dúvida, tudo incerteza, tudo indefinição.
4- Não há no mundo alegria sem sobressalto, riqueza sem miséria.
5- Enterrar uma agulha na pele.
Alternativas
Q4302568 Português
Texto: A FALTA DE ATENÇÃO E A MEMÓRIA

    Perguntei quantos achavam que a memória estava pior. Formada por cerca de 500 estudantes de medicina, mais da metade da plateia levantou a mão. Comentei que se tratava de uma epidemia de Alzheimer juvenil. Eles riram.
      Perda de memória talvez seja a queixa mais frequente nas consultas médicas de hoje. No passado, esse fenômeno ficava restrito aos poucos que insistiam em viver mais do que 70 ou 80 anos. Todos encaravam com naturalidade os avós que repetiam cinco vezes a mesma pergunta e passavam o dia à procura de objetos deixados sabe Deus onde. Consideravam esses esquecimentos “esclerose da idade”. Diziam: “Minha avó é capaz de esquecer do que foi servido no almoço, mas tem uma memória prodigiosa, lembra de fatos que ocorreram quando tinha sete anos de idade”.
     Em linhas gerais, existem dois grandes grupos de memórias: as de longa e as de curta duração, estas também chamadas de memória de trabalho. As primeiras persistem por décadas ou pelo resto da vida, especialmente quando são gravadas em momentos de forte emoção. Razão pela qual não esquecemos o lugar em que estávamos ao receber a notícia da morte de um ente querido ou da queda das Torres Gêmeas, em Nova York, ou da rua em que nos roubaram o celular. A memória de trabalho, ao contrário, é descartável, grava por pouco tempo os acontecimentos que nos ajudam a tocar a rotina diária. Por exemplo, lembro que deixei um copo de água na mesa ao lado ou que fiquei de telefonar para minha irmã ao meio-dia ou que preciso lavar a xícara do café que acabei de tomar. Depois de executadas essas tarefas, tais lembranças serão varridas do cérebro, de modo a deixar espaço livre para outras.
     No conto “Funes el memorioso”, publicado em 1942, Jorge Luis Borges narra a vida de Ireneo Funes, jovem uruguaio que depois de um acidente desenvolve a capacidade de memorizar nos mínimos detalhes tudo o que acontece ao seu redor: o rosto de uma pessoa que acabou de conhecer e que nunca mais verá, o formato das nuvens no céu dia após dia, a disposição das folhas das árvores, as ações mais insignificantes executadas em casa. Essas habilidades, no entanto, deixavam os circuitos neuronais de sua memória tão sobrecarregados que Funes se tornou incapaz de raciocínios elementares, de pensamentos abstratos, de fazer associação de fatos e generalizações. Seu cérebro passava os dias inundado de informações inúteis que o impediam de organizar as ideias para tomar decisões racionais.
    Dizer que somos o que está arquivado em nossa memória é parte da verdade; não podemos esquecer que também somos as memórias que nosso cérebro decidiu desprezar. Voltemos aos desmemoriados de hoje. No caso dos mais velhos, há várias causas: entre elas, o envelhecimento cerebral, o volume crescente de informações armazenadas no decorrer dos anos, a dificuldade de encontrar espaço livre no hardware para arquivá-las e o desgaste na produção de neurotransmissores essenciais. Esses fenômenos, no entanto, não explicam a epidemia de desmemoriados jovens. Como em pessoas de 20 ou 30 anos são muito raras as degenerações neurológicas, é bem provável que a causa do problema esteja ligada à falta de atenção. São tantos os estímulos simultâneos a que estão submetidas, que esse requisito fundamental para a consolidação de memórias se perde.
    Num trabalho conduzido anos atrás, pesquisadores submeteram jovens universitários a uma bateria de testes de atenção, em três situações distintas. Na primeira, eles deixavam o celular fora da sala em que os testes seriam aplicados; na segunda, entravam com o celular e os desligavam antes de começar a responder; na terceira, o celular permanecia ligado durante a realização dos testes. Os maiores índices de acertos ocorreram quando os celulares ficavam do lado de fora. Os piores, quando permaneciam ligados. Os testes aplicados quando os aparelhos estavam ao alcance das mãos, mas desligados, apresentaram resultados intermediários. Quer dizer, a simples presença do celular já é capaz de propiciar a desatenção.
    A seleção natural não moldou o cérebro humano para dar conta da infinidade de desafios cognitivos impostos pela vida on-line. Se lembrarmos que os mesmos fatores de risco estão por trás das crises de ansiedade e de depressão que afligem crianças e adultos de todas as idades, concluiremos que não está fácil preservar a sanidade mental no mundo de hoje.


DRAUZIO VARELLA Adaptado de folha.uol.com.br, 08/04/2026.
Dizer que somos o que está arquivado em nossa memória é parte da verdade; não podemos esquecer que também somos as memórias que nosso cérebro decidiu desprezar. (5º parágrafo) Na declaração acima, há uma organização de ideias que se aproxima da seguinte figura de linguagem:
Alternativas
Q4301947 Português
Texto: ESCOLA SEM CELULAR E O QUE MAIS?


    Guardadas as devidas proporções, a abolição do celular na escola lembra o fim do cigarro em ambientes fechados e a obrigatoriedade do uso do cinto de segurança nos carros. Ambas causaram estardalhaço, pareciam impossíveis de implementar. Hoje, não as aplicar é que soa absurdo.
    Como as pessoas fumavam dentro do claustrofóbico espaço de um avião, empesteando o ar no qual se fica confinado durante horas? E o fumante passivo que trabalha ou circula em bares e restaurantes? Ou, ainda, como alguém podia ser contra um acessório que salva a vida de milhões de pessoas em acidentes de carro todos os anos?
    Para os fumantes, no entanto, a ideia de ter seu prazer restringido foi brutal, e aí reside uma boa reflexão sobre a experiência de privar as crianças de seus celulares na escola. Também elas se encontram viciadas no produto com a maior capacidade de recompensa cerebral de que se tem notícia, comparável às drogas a que os pais tanto temem que seus filhos tenham acesso. A diferença é que são os próprios pais que fornecem o produto.
    Crises de abstinência que decorrem da retirada dos celulares estão registradas em vídeos – e são assustadoras e deprimentes. Ao contrário do tabaco, ao assumirmos a proibição, não estaremos apenas preservando a saúde física das crianças, mas também a própria formação de sua personalidade, o desenvolvimento de sua inteligência, a sociabilidade, a sexualidade, a autoimagem, a saúde mental e uma lista de capacidades psicossociais que pesquisadores provaram serem diretamente afetadas pelo uso do aparelho.
     A lei dá a chancela que faltava aos pais e aos educadores para bancarem coletivamente o que individualmente não conseguiam bancar. Em parte, porque impor limites tem se tornado cada vez mais desafiador, diante dos imperativos de performance e felicidade aos quais adultos têm se rendido e têm imposto às instituições de ensino.
     Pais passaram a acreditar que fazia parte de suas funções monitorar a vida dos filhos dentro e fora do espaço escolar. Professores tentando se adaptar às novas exigências e permanecer relevantes, diante da sedução desleal das redes, procuraram usar as mídias a seu favor, incluindo-as no dia a dia escolar. Afinal, trata-se de uma ferramenta espetacular que, se não fosse feita exclusivamente para venda de produtos, seria um recurso inestimável. Mas não há mais ingenuidade possível diante do aumento das depressões, automutilações, rebaixamento de QI, acesso irrestrito à pornografia e violência, distorção da autoimagem, evitação social e outras mazelas que já foram mapeadas pelos estudos.
     É de se esperar choro e ranger de dentes durante o processo de reversão de parte do estrago que foi impingido a essa geração nos últimos vinte anos. Nesse caso, não se trata só das crianças, mas também dos adultos responsáveis por elas, que sequer podem contar com uma lei de regulamentação de uso que os ajudaria a lidar com a cooptação nas redes. Teremos trabalho nesse começo, mas motivados pelo desejo de que a época na qual se podia entrar na escola com o celular seja reconhecida como absurda. Resta a esperança de que a experiência diária das crianças, menos oprimidas por esse vício, inspire adultos a se livrarem dele dentro de casa e nos espaços de interação social.


VERA IACONELLI Adaptado de folha.uol.com.br, 18/11/2024.
No 3º parágrafo, a descrição da relação de pais com seus filhos, diante de questões de educação contemporâneas, pode ser associada à seguinte figura de linguagem: 
Alternativas
Q4301945 Português
Texto: ESCOLA SEM CELULAR E O QUE MAIS?


    Guardadas as devidas proporções, a abolição do celular na escola lembra o fim do cigarro em ambientes fechados e a obrigatoriedade do uso do cinto de segurança nos carros. Ambas causaram estardalhaço, pareciam impossíveis de implementar. Hoje, não as aplicar é que soa absurdo.
    Como as pessoas fumavam dentro do claustrofóbico espaço de um avião, empesteando o ar no qual se fica confinado durante horas? E o fumante passivo que trabalha ou circula em bares e restaurantes? Ou, ainda, como alguém podia ser contra um acessório que salva a vida de milhões de pessoas em acidentes de carro todos os anos?
    Para os fumantes, no entanto, a ideia de ter seu prazer restringido foi brutal, e aí reside uma boa reflexão sobre a experiência de privar as crianças de seus celulares na escola. Também elas se encontram viciadas no produto com a maior capacidade de recompensa cerebral de que se tem notícia, comparável às drogas a que os pais tanto temem que seus filhos tenham acesso. A diferença é que são os próprios pais que fornecem o produto.
    Crises de abstinência que decorrem da retirada dos celulares estão registradas em vídeos – e são assustadoras e deprimentes. Ao contrário do tabaco, ao assumirmos a proibição, não estaremos apenas preservando a saúde física das crianças, mas também a própria formação de sua personalidade, o desenvolvimento de sua inteligência, a sociabilidade, a sexualidade, a autoimagem, a saúde mental e uma lista de capacidades psicossociais que pesquisadores provaram serem diretamente afetadas pelo uso do aparelho.
     A lei dá a chancela que faltava aos pais e aos educadores para bancarem coletivamente o que individualmente não conseguiam bancar. Em parte, porque impor limites tem se tornado cada vez mais desafiador, diante dos imperativos de performance e felicidade aos quais adultos têm se rendido e têm imposto às instituições de ensino.
     Pais passaram a acreditar que fazia parte de suas funções monitorar a vida dos filhos dentro e fora do espaço escolar. Professores tentando se adaptar às novas exigências e permanecer relevantes, diante da sedução desleal das redes, procuraram usar as mídias a seu favor, incluindo-as no dia a dia escolar. Afinal, trata-se de uma ferramenta espetacular que, se não fosse feita exclusivamente para venda de produtos, seria um recurso inestimável. Mas não há mais ingenuidade possível diante do aumento das depressões, automutilações, rebaixamento de QI, acesso irrestrito à pornografia e violência, distorção da autoimagem, evitação social e outras mazelas que já foram mapeadas pelos estudos.
     É de se esperar choro e ranger de dentes durante o processo de reversão de parte do estrago que foi impingido a essa geração nos últimos vinte anos. Nesse caso, não se trata só das crianças, mas também dos adultos responsáveis por elas, que sequer podem contar com uma lei de regulamentação de uso que os ajudaria a lidar com a cooptação nas redes. Teremos trabalho nesse começo, mas motivados pelo desejo de que a época na qual se podia entrar na escola com o celular seja reconhecida como absurda. Resta a esperança de que a experiência diária das crianças, menos oprimidas por esse vício, inspire adultos a se livrarem dele dentro de casa e nos espaços de interação social.


VERA IACONELLI Adaptado de folha.uol.com.br, 18/11/2024.
O recurso principal utilizado pela autora para organizar o conjunto de sua argumentação é: 
Alternativas
Respostas
61: E
62: A
63: C
64: A
65: E
66: D
67: E
68: D
69: B
70: C
71: A
72: A
73: B
74: E
75: C
76: D
77: D
78: A
79: B
80: A