Questões de Concurso Sobre coesão e coerência em português

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Q3998271 Português
“Proponho que se veja a LT [Linguística Textual], mesmo que provisória e genericamente, como o estudo das operações linguísticas e cognitivas reguladoras e controladoras da produção, construção, funcionamento e recepção de textos escritos ou orais. Seu tema abrange a coesão superficial ao nível dos constituintes linguísticos, a coerência conceitual ao nível semântico e cognitivo e o sistema de pressuposições ao nível pragmático da produção de sentido no plano das ações e intenções”. (Fonte: MARCUSCHI, L. A. Linguística de texto: o que é e como se faz. São Paulo: Parábola Editorial, 2012, p. 33). 
Para Marcuschi (2012), os fatores de conexão conceitual-cognitiva dos textos podem ser de relações lógicas e de modelos cognitivos globais. Para o autor, as relações lógicas são construídas por meio de: 
Alternativas
Q3998270 Português
“Proponho que se veja a LT [Linguística Textual], mesmo que provisória e genericamente, como o estudo das operações linguísticas e cognitivas reguladoras e controladoras da produção, construção, funcionamento e recepção de textos escritos ou orais. Seu tema abrange a coesão superficial ao nível dos constituintes linguísticos, a coerência conceitual ao nível semântico e cognitivo e o sistema de pressuposições ao nível pragmático da produção de sentido no plano das ações e intenções”. (Fonte: MARCUSCHI, L. A. Linguística de texto: o que é e como se faz. São Paulo: Parábola Editorial, 2012, p. 33).
Assinale a alternativa que apresenta o estabelecimento da coesão textual por meio de próformas nominais: 
Alternativas
Ano: 2022 Banca: IF-SP Órgão: IF-SP Prova: IF-SP - 2022 - IF-SP - Assistente de Alunos |
Q3972340 Português
De acordo com Koch (2002), os mecanismos de coesão textual são responsáveis pela tessitura do texto, ou seja, por estabelecerem relações entre os elementos na superfície da redação, garantindo assim sua fluidez e progressão textual. Com base nisso, assinale a alternativa que apresenta um exemplo de coesão referencial estabelecida por meio de elipse: 
Alternativas
Q3678980 Português
Leia atentamente o texto a seguir para responder à questão.

Cometa cruzará céu da Terra após 50 mil anos

texto.jpg (324×807)

texto_2.jpg (290×82)
O cometa C/2022 E3 (ZTF) cruzará novamente o céu da Terra após 50 mil anos desde a última visita e poderá ser visto a olho nu no final deste mês. (L.1-3)
O pronome sublinhado no período acima desempenha, no texto, papel 
Alternativas
Q3381444 Português

Leia o fragmento seguinte para responder a questão.


“Esses dois componentes são modulados pelas culturas e pelas sociedades, mas não é sobre modulação cultural que irei discorrer: antes de mais nada, tentarei indicá-los.”(linhas 18-19)

Em “...antes de mais nada, tentarei indicá-los”, o vocábulo em destaque é uma forma pronominal coesiva
Alternativas
Q3267544 Português

Para responder a questão, considere os textos a seguir.


TEXTO 4



TEXTO 5


Para ler de maneira adequada os dois textos, o leitor precisa considerar
Alternativas
Q3267543 Português

Para responder a questão, considere os textos a seguir.


TEXTO 4



TEXTO 5


Para ler de maneira proficiente os dois textos, o leitor precisa acionar, prioritariamente, dois fatores de coerência:
Alternativas
Q3267540 Português

A questão refere-se aos textos a seguir.



TEXTO 1


Renovação da língua, neologismos e estrangeirismos


Companheira dos seus usuários, a língua participa dos acontecimentos e mudanças históricas por que eles passam, sucessos ou fracassos. A língua portuguesa, transplantada à América pelos nossos descobridores e colonizadores, chega ao Brasil no século XVI num momento auspicioso para a humanidade. A vontade e a força indomáveis de heroicos navegadores fazem singrar por mares até então desconhecidos caravelas pouco favorecidas pela ciência náutica da época, mas, impulsionadas por acalentados sonhos de poder e de ambição, revelam novas terras e aproximam povos de variadas línguas e culturas. Nessa empresa têm papel relevante os portugueses, que, na frase feliz de Alexandre Humboldt, duplicaram o mundo até então conhecido. A florescente terra brasileira, depois dos obstáculos a serem vencidos na árdua tarefa de descobrir e fixar-se na nova terra, alargando-lhe os limites e enraizando as bases da nova nação, chega ao século XVIII, independente, ávida por acertar os passos civilizatórios com as nações europeias de mais prestígio na época.


A nova atmosfera cultural impulsiona o falante da língua a criar vocábulos novos, conhecidos pelo nome de neologismos. Os neologismos podem começar por utilizar a prata da casa, alargando a família da palavra com a utilização de prefixos e sufixos: pátria, patriotismo, patriotada, etc. Outros neologismos vêm do contato com outras línguas, caso em que são chamados empréstimos. Uma concepção antiga de língua “pura” via com maus olhos esses empréstimos exóticos, oriundos de outras línguas, fazendo exceção àquele que viesse do latim e do grego. Ocorre que não há língua de cultivo puro, sem o auxílio do patrimônio de outras línguas, com as quais um idioma entra em contato. Os filólogos, gramáticos e escritores de boa formação não entram no rol desses puristas. Mais adiante vamos ver como José de Alencar põe nos devidos termos a boa orientação em face dos estrangeirismos, especialmente os francesismos ou galicismos, isto é, os que nos chegam da França.


Na feliz declaração do nosso historiador Capistrano de Abreu, José de Alencar foi quem melhor teve a intuição da vida colonial brasileira, e é esse romancista que, em 1872, na “Bênção paterna” aos sonhos douro, denuncia o anseio da sociedade dessa fase da vida brasileira:


Notam-se aí, através do gênio brasileiro, umas vezes embebendo-se dele, outras invadindo-o, traços de várias nacionalidades adventícias; é a inglesa, a italiana, a espanhola, a americana, porém especialmente a portuguesa e francesa, que todas flutuam, e a pouco e pouco vão diluindo-se para infundir-se n’alma da pátria adotiva, e forma a nova e grande nacionalidade brasileira.


Vê-se por essa passagem que a língua de nacionalidade brasileira, consubstanciada nos dois séculos anteriores com o enriquecimento da contribuição das línguas indígenas e africanas, passou a receber também a contribuição de outras nações que vieram ajudar os brasileiros a construir a nova sociedade. A contribuição espraiava-se nos vários domínios culturais, desde os degraus da ciência até aquele do dia a dia do cidadão comum. Entre essas novidades ocupavam lugar preeminente os fatos da língua, conhecidos, como já vimos, pelo nome técnico empréstimos. Entre a variada gama das variantes linguísticas (as fonéticas, morfológicas, sintáticas e lexicais), as mais suscetíveis de novas aquisições são as lexicais, porque o vocabulário é a mais larga porta do idioma para contato com o mundo exterior, com os laços culturais com outras nações. José de Alencar está atento a esses contactos linguísticos, e sobre eles assim se expressa no mesmo texto já citado, reclamando dos seus críticos:


Tachar-se estes livros (Lucíola, Diva, A pata da gazela e Sonhos d’ouro) de confeição estrangeira, é, relevem os críticos, não conhecer a fisionomia da sociedade fluminense, que aí está a faceirar-se pelas salas e ruas com atavios parisienses, falando a algemia universal, que é a língua do progresso, jargão eriçado de termos franceses, ingleses, italianos e agora também alemães.


Os termos e locuções de fontes estrangeiras eram trazidos por pessoas que sabiam os idiomas, ou que tinham sobre eles alguma informação de pronúncia e grafia; por isso, se vestiam com as feições originárias. Admitidos na linguagem diária, muitos desses estrangeirismos mais usados podiam ser acomodados à pronúncia e grafia do português, que os recebia; aportuguesavam-se, apesar da crítica de juízes mais exigentes. Alencar, sempre sintonizado com o que ele chamou “língua do progresso”, perpetrou tais nacionalizações e assim se manifestou numa polêmica travada com Joaquim Nabuco, em 1875:


Notou ainda o crítico a palavra grog, de origem inglesa, por mau aportuguesamento em grogue. Podia notar outras como tílburi, piquenique, lanche; ou crochete e champanhe, do francês. Desde que termos estrangeiros são introduzidos em um país pela necessidade e tornam-se indispensáveis nas relações civis, a língua, que os recebe em seu vocabulário, reage, por uma lei natural sobre a composição etimológica, para imprimir-lhe o seu próprio caráter morfológico. A pronúncia e a ortografia alteram-se, em alguns casos profundamente; mas sempre conforme as leis fonéticas, estudadas por Jacob Grimm e seus continuadores. Em português nós já temos de outros tempos, redingote de redingoat; jaqueta de jacket inglês ou jaquette francês; pichelingue e escolteto do flamengo Flessing e schout, dessér, trumó, do francês dessert e trumeau e muitos outros. As línguas estrangeiras também por sua vez corrompem ou antes sujeitam ao seu molde os nossos vocabulários brasileiros. Assim os franceses mudaram goiaba em goiave, caju em acajou, mandioca em manioc; e o mesmo acontece com outros povos acerca de várias palavras americanas. A iniciativa dessa nacionalização filológica do vocábulo exótico há de partir de alguém, mas será o primeiro a dar-lhe o cunho brasileiro; e por que não pode ser este seu escritor?


Todo esse trecho de Alencar antecipa de quase 150 anos as questões de que hoje tratam linguistas, filólogos, gramáticos, escritores e jornalistas. As propostas do escritor cearense pouco diferem das apresentadas agora, embora tenha de haver bom senso no processo de nacionalização, porque muitos desses termos estrangeiros pertencem ao rol daqueles que Sérgio Correia da Costa chamava “palavras sem fronteiras”, que pertencem a terminologias técnicas e que na forma estrangeira correm mundo em todas ou quase todas as línguas; a nacionalização pode segregar o idioma em face do internacional generalizado.


Na história dos estrangeirismos merecem atenção especial as palavras de torna-viagem, isto é, aquelas que depois de passar por uma língua a outra, retornam à primeira sob roupagem exótica da 2ª; aconteceu isso com o português feitiço, que passou para o francês fétiche e depois foi tomado do francês para o português sob a forma fetiche, com o derivado fetichismo.


No tempo de Alencar, com vigência até nossos dias, os empréstimos do francês — os galicismos — eram repelidos com veemência por todos os puristas de plantão, portugueses e brasileiros, gramáticos e escritores. O nosso romancista encontrou a razão da rejeição, mostrando a sem-razão do procedimento, antecipando-se de anos à lição exarada pelos filólogos Adolf Noreen e Michel Bréal, segundo a qual esse repúdio continuava dissensões e desavenças políticas entre povos, com as quais, apesar de justas, os estudos linguísticos nada têm a ver. Assim os filólogos gregos proscreviam as palavras turcas, como os tchecos as alemães, os alemães as francesas e os portugueses as francesas, aqui para vingar a invasão de Portugal pelas tropas de Junot. Leia-se o comentário certeiro de Alencar em defesa dos galicismos que ele emprega em suas obras: “Mas a mania do classicismo, que outro nome não lhe cabe, repele a mínima afinidade entre duas línguas irmãs, saídas da mesma origem. Temos nós a culpa do ódio que semearam em Portugal os exércitos de Napoleão?”


(In: BECHARA, Evanildo. Análise e história da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2022. p. 245-247.)



TEXTO 2


Samba do approach


Venha provar meu brunch

Saiba que eu tenho approach

Na hora do lunch

Eu ando de ferryboat


Eu tenho savoir-faire

Meu temperamento é light

Minha casa é hi-tech

Toda hora rola um insight


Já fui fã do Jethro Tull

Hoje me amarro no Slash

Minha vida agora é cool

Meu passado é que foi trash


Fica ligado no link

Que eu vou confessar my love

Depois do décimo drink

Só um bom e velho engov


Eu tirei o meu green card

E fui pra Miami Beach

Posso não ser pop-star

Mas já sou um nouveau riche


Eu tenho sex-appeal

Saca só meu background

Veloz como Damon Hill

Tenaz como Fittipaldi


Não dispenso um happy end

Quero jogar no dream team

De dia, um macho man

E de noite, drag queen


Disponível em: <https://www.letras.mus.br/zeca-baleiro/43674/>. Acesso em: 22 set. 2022.

Um professor utilizou Samba do Approach para organizar uma discussão sobre o uso de palavras estrangeiras na língua portuguesa. Nessa situação, para estar em sintonia com os recentes estudos linguísticos sobre textualidade, o professor deve considerar o texto como
Alternativas
Q3267532 Português
A questão refere-se ao texto a seguir.

TEXTO 1

Renovação da língua, neologismos e estrangeirismos

Companheira dos seus usuários, a língua participa dos acontecimentos e mudanças históricas por que eles passam, sucessos ou fracassos. A língua portuguesa, transplantada à América pelos nossos descobridores e colonizadores, chega ao Brasil no século XVI num momento auspicioso para a humanidade. A vontade e a força indomáveis de heroicos navegadores fazem singrar por mares até então desconhecidos caravelas pouco favorecidas pela ciência náutica da época, mas, impulsionadas por acalentados sonhos de poder e de ambição, revelam novas terras e aproximam povos de variadas línguas e culturas. Nessa empresa têm papel relevante os portugueses, que, na frase feliz de Alexandre Humboldt, duplicaram o mundo até então conhecido. A florescente terra brasileira, depois dos obstáculos a serem vencidos na árdua tarefa de descobrir e fixar-se na nova terra, alargando-lhe os limites e enraizando as bases da nova nação, chega ao século XVIII, independente, ávida por acertar os passos civilizatórios com as nações europeias de mais prestígio na época.

A nova atmosfera cultural impulsiona o falante da língua a criar vocábulos novos, conhecidos pelo nome de neologismos. Os neologismos podem começar por utilizar a prata da casa, alargando a família da palavra com a utilização de prefixos e sufixos: pátria, patriotismo, patriotada, etc. Outros neologismos vêm do contato com outras línguas, caso em que são chamados empréstimos. Uma concepção antiga de língua “pura” via com maus olhos esses empréstimos exóticos, oriundos de outras línguas, fazendo exceção àquele que viesse do latim e do grego. Ocorre que não há língua de cultivo puro, sem o auxílio do patrimônio de outras línguas, com as quais um idioma entra em contato. Os filólogos, gramáticos e escritores de boa formação não entram no rol desses puristas. Mais adiante vamos ver como José de Alencar põe nos devidos termos a boa orientação em face dos estrangeirismos, especialmente os francesismos ou galicismos, isto é, os que nos chegam da França.

Na feliz declaração do nosso historiador Capistrano de Abreu, José de Alencar foi quem melhor teve a intuição da vida colonial brasileira, e é esse romancista que, em 1872, na “Bênção paterna” aos sonhos douro, denuncia o anseio da sociedade dessa fase da vida brasileira:

Notam-se aí, através do gênio brasileiro, umas vezes embebendo-se dele, outras invadindo-o, traços de várias nacionalidades adventícias; é a inglesa, a italiana, a espanhola, a americana, porém especialmente a portuguesa e francesa, que todas flutuam, e a pouco e pouco vão diluindo-se para infundir-se n’alma da pátria adotiva, e forma a nova e grande nacionalidade brasileira.

Vê-se por essa passagem que a língua de nacionalidade brasileira, consubstanciada nos dois séculos anteriores com o enriquecimento da contribuição das línguas indígenas e africanas, passou a receber também a contribuição de outras nações que vieram ajudar os brasileiros a construir a nova sociedade. A contribuição espraiava-se nos vários domínios culturais, desde os degraus da ciência até aquele do dia a dia do cidadão comum. Entre essas novidades ocupavam lugar preeminente os fatos da língua, conhecidos, como já vimos, pelo nome técnico empréstimos. Entre a variada gama das variantes linguísticas (as fonéticas, morfológicas, sintáticas e lexicais), as mais suscetíveis de novas aquisições são as lexicais, porque o vocabulário é a mais larga porta do idioma para contato com o mundo exterior, com os laços culturais com outras nações. José de Alencar está atento a esses contactos linguísticos, e sobre eles assim se expressa no mesmo texto já citado, reclamando dos seus críticos:

Tachar-se estes livros (Lucíola, Diva, A pata da gazela e Sonhos d’ouro) de confeição estrangeira, é, relevem os críticos, não conhecer a fisionomia da sociedade fluminense, que aí está a faceirar-se pelas salas e ruas com atavios parisienses, falando a algemia universal, que é a língua do progresso, jargão eriçado de termos franceses, ingleses, italianos e agora também alemães.

Os termos e locuções de fontes estrangeiras eram trazidos por pessoas que sabiam os idiomas, ou que tinham sobre eles alguma informação de pronúncia e grafia; por isso, se vestiam com as feições originárias. Admitidos na linguagem diária, muitos desses estrangeirismos mais usados podiam ser acomodados à pronúncia e grafia do português, que os recebia; aportuguesavam-se, apesar da crítica de juízes mais exigentes. Alencar, sempre sintonizado com o que ele chamou “língua do progresso”, perpetrou tais nacionalizações e assim se manifestou numa polêmica travada com Joaquim Nabuco, em 1875:

Notou ainda o crítico a palavra grog, de origem inglesa, por mau aportuguesamento em grogue. Podia notar outras como tílburi, piquenique, lanche; ou crochete e champanhe, do francês. Desde que termos estrangeiros são introduzidos em um país pela necessidade e tornam-se indispensáveis nas relações civis, a língua, que os recebe em seu vocabulário, reage, por uma lei natural sobre a composição etimológica, para imprimir-lhe o seu próprio caráter morfológico. A pronúncia e a ortografia alteram-se, em alguns casos profundamente; mas sempre conforme as leis fonéticas, estudadas por Jacob Grimm e seus continuadores. Em português nós já temos de outros tempos, redingote de redingoat; jaqueta de jacket inglês ou jaquette francês; pichelingue e escolteto do flamengo Flessing e schout, dessér, trumó, do francês dessert e trumeau e muitos outros. As línguas estrangeiras também por sua vez corrompem ou antes sujeitam ao seu molde os nossos vocabulários brasileiros. Assim os franceses mudaram goiaba em goiave, caju em acajou, mandioca em manioc; e o mesmo acontece com outros povos acerca de várias palavras americanas. A iniciativa dessa nacionalização filológica do vocábulo exótico há de partir de alguém, mas será o primeiro a dar-lhe o cunho brasileiro; e por que não pode ser este seu escritor?

Todo esse trecho de Alencar antecipa de quase 150 anos as questões de que hoje tratam linguistas, filólogos, gramáticos, escritores e jornalistas. As propostas do escritor cearense pouco diferem das apresentadas agora, embora tenha de haver bom senso no processo de nacionalização, porque muitos desses termos estrangeiros pertencem ao rol daqueles que Sérgio Correia da Costa chamava “palavras sem fronteiras”, que pertencem a terminologias técnicas e que na forma estrangeira correm mundo em todas ou quase todas as línguas; a nacionalização pode segregar o idioma em face do internacional generalizado.

Na história dos estrangeirismos merecem atenção especial as palavras de torna-viagem, isto é, aquelas que depois de passar por uma língua a outra, retornam à primeira sob roupagem exótica da 2ª; aconteceu isso com o português feitiço, que passou para o francês fétiche e depois foi tomado do francês para o português sob a forma fetiche, com o derivado fetichismo.

No tempo de Alencar, com vigência até nossos dias, os empréstimos do francês — os galicismos — eram repelidos com veemência por todos os puristas de plantão, portugueses e brasileiros, gramáticos e escritores. O nosso romancista encontrou a razão da rejeição, mostrando a sem-razão do procedimento, antecipando-se de anos à lição exarada pelos filólogos Adolf Noreen e Michel Bréal, segundo a qual esse repúdio continuava dissensões e desavenças políticas entre povos, com as quais, apesar de justas, os estudos linguísticos nada têm a ver. Assim os filólogos gregos proscreviam as palavras turcas, como os tchecos as alemães, os alemães as francesas e os portugueses as francesas, aqui para vingar a invasão de Portugal pelas tropas de Junot. Leia-se o comentário certeiro de Alencar em defesa dos galicismos que ele emprega em suas obras: “Mas a mania do classicismo, que outro nome não lhe cabe, repele a mínima afinidade entre duas línguas irmãs, saídas da mesma origem. Temos nós a culpa do ódio que semearam em Portugal os exércitos de Napoleão?”

(In: BECHARA, Evanildo. Análise e história da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2022. p. 245-247.)
O trecho em destaque sinaliza informação pressuposta em:
Alternativas
Q3267531 Português
A questão refere-se ao texto a seguir.

TEXTO 1

Renovação da língua, neologismos e estrangeirismos

Companheira dos seus usuários, a língua participa dos acontecimentos e mudanças históricas por que eles passam, sucessos ou fracassos. A língua portuguesa, transplantada à América pelos nossos descobridores e colonizadores, chega ao Brasil no século XVI num momento auspicioso para a humanidade. A vontade e a força indomáveis de heroicos navegadores fazem singrar por mares até então desconhecidos caravelas pouco favorecidas pela ciência náutica da época, mas, impulsionadas por acalentados sonhos de poder e de ambição, revelam novas terras e aproximam povos de variadas línguas e culturas. Nessa empresa têm papel relevante os portugueses, que, na frase feliz de Alexandre Humboldt, duplicaram o mundo até então conhecido. A florescente terra brasileira, depois dos obstáculos a serem vencidos na árdua tarefa de descobrir e fixar-se na nova terra, alargando-lhe os limites e enraizando as bases da nova nação, chega ao século XVIII, independente, ávida por acertar os passos civilizatórios com as nações europeias de mais prestígio na época.

A nova atmosfera cultural impulsiona o falante da língua a criar vocábulos novos, conhecidos pelo nome de neologismos. Os neologismos podem começar por utilizar a prata da casa, alargando a família da palavra com a utilização de prefixos e sufixos: pátria, patriotismo, patriotada, etc. Outros neologismos vêm do contato com outras línguas, caso em que são chamados empréstimos. Uma concepção antiga de língua “pura” via com maus olhos esses empréstimos exóticos, oriundos de outras línguas, fazendo exceção àquele que viesse do latim e do grego. Ocorre que não há língua de cultivo puro, sem o auxílio do patrimônio de outras línguas, com as quais um idioma entra em contato. Os filólogos, gramáticos e escritores de boa formação não entram no rol desses puristas. Mais adiante vamos ver como José de Alencar põe nos devidos termos a boa orientação em face dos estrangeirismos, especialmente os francesismos ou galicismos, isto é, os que nos chegam da França.

Na feliz declaração do nosso historiador Capistrano de Abreu, José de Alencar foi quem melhor teve a intuição da vida colonial brasileira, e é esse romancista que, em 1872, na “Bênção paterna” aos sonhos douro, denuncia o anseio da sociedade dessa fase da vida brasileira:

Notam-se aí, através do gênio brasileiro, umas vezes embebendo-se dele, outras invadindo-o, traços de várias nacionalidades adventícias; é a inglesa, a italiana, a espanhola, a americana, porém especialmente a portuguesa e francesa, que todas flutuam, e a pouco e pouco vão diluindo-se para infundir-se n’alma da pátria adotiva, e forma a nova e grande nacionalidade brasileira.

Vê-se por essa passagem que a língua de nacionalidade brasileira, consubstanciada nos dois séculos anteriores com o enriquecimento da contribuição das línguas indígenas e africanas, passou a receber também a contribuição de outras nações que vieram ajudar os brasileiros a construir a nova sociedade. A contribuição espraiava-se nos vários domínios culturais, desde os degraus da ciência até aquele do dia a dia do cidadão comum. Entre essas novidades ocupavam lugar preeminente os fatos da língua, conhecidos, como já vimos, pelo nome técnico empréstimos. Entre a variada gama das variantes linguísticas (as fonéticas, morfológicas, sintáticas e lexicais), as mais suscetíveis de novas aquisições são as lexicais, porque o vocabulário é a mais larga porta do idioma para contato com o mundo exterior, com os laços culturais com outras nações. José de Alencar está atento a esses contactos linguísticos, e sobre eles assim se expressa no mesmo texto já citado, reclamando dos seus críticos:

Tachar-se estes livros (Lucíola, Diva, A pata da gazela e Sonhos d’ouro) de confeição estrangeira, é, relevem os críticos, não conhecer a fisionomia da sociedade fluminense, que aí está a faceirar-se pelas salas e ruas com atavios parisienses, falando a algemia universal, que é a língua do progresso, jargão eriçado de termos franceses, ingleses, italianos e agora também alemães.

Os termos e locuções de fontes estrangeiras eram trazidos por pessoas que sabiam os idiomas, ou que tinham sobre eles alguma informação de pronúncia e grafia; por isso, se vestiam com as feições originárias. Admitidos na linguagem diária, muitos desses estrangeirismos mais usados podiam ser acomodados à pronúncia e grafia do português, que os recebia; aportuguesavam-se, apesar da crítica de juízes mais exigentes. Alencar, sempre sintonizado com o que ele chamou “língua do progresso”, perpetrou tais nacionalizações e assim se manifestou numa polêmica travada com Joaquim Nabuco, em 1875:

Notou ainda o crítico a palavra grog, de origem inglesa, por mau aportuguesamento em grogue. Podia notar outras como tílburi, piquenique, lanche; ou crochete e champanhe, do francês. Desde que termos estrangeiros são introduzidos em um país pela necessidade e tornam-se indispensáveis nas relações civis, a língua, que os recebe em seu vocabulário, reage, por uma lei natural sobre a composição etimológica, para imprimir-lhe o seu próprio caráter morfológico. A pronúncia e a ortografia alteram-se, em alguns casos profundamente; mas sempre conforme as leis fonéticas, estudadas por Jacob Grimm e seus continuadores. Em português nós já temos de outros tempos, redingote de redingoat; jaqueta de jacket inglês ou jaquette francês; pichelingue e escolteto do flamengo Flessing e schout, dessér, trumó, do francês dessert e trumeau e muitos outros. As línguas estrangeiras também por sua vez corrompem ou antes sujeitam ao seu molde os nossos vocabulários brasileiros. Assim os franceses mudaram goiaba em goiave, caju em acajou, mandioca em manioc; e o mesmo acontece com outros povos acerca de várias palavras americanas. A iniciativa dessa nacionalização filológica do vocábulo exótico há de partir de alguém, mas será o primeiro a dar-lhe o cunho brasileiro; e por que não pode ser este seu escritor?

Todo esse trecho de Alencar antecipa de quase 150 anos as questões de que hoje tratam linguistas, filólogos, gramáticos, escritores e jornalistas. As propostas do escritor cearense pouco diferem das apresentadas agora, embora tenha de haver bom senso no processo de nacionalização, porque muitos desses termos estrangeiros pertencem ao rol daqueles que Sérgio Correia da Costa chamava “palavras sem fronteiras”, que pertencem a terminologias técnicas e que na forma estrangeira correm mundo em todas ou quase todas as línguas; a nacionalização pode segregar o idioma em face do internacional generalizado.

Na história dos estrangeirismos merecem atenção especial as palavras de torna-viagem, isto é, aquelas que depois de passar por uma língua a outra, retornam à primeira sob roupagem exótica da 2ª; aconteceu isso com o português feitiço, que passou para o francês fétiche e depois foi tomado do francês para o português sob a forma fetiche, com o derivado fetichismo.

No tempo de Alencar, com vigência até nossos dias, os empréstimos do francês — os galicismos — eram repelidos com veemência por todos os puristas de plantão, portugueses e brasileiros, gramáticos e escritores. O nosso romancista encontrou a razão da rejeição, mostrando a sem-razão do procedimento, antecipando-se de anos à lição exarada pelos filólogos Adolf Noreen e Michel Bréal, segundo a qual esse repúdio continuava dissensões e desavenças políticas entre povos, com as quais, apesar de justas, os estudos linguísticos nada têm a ver. Assim os filólogos gregos proscreviam as palavras turcas, como os tchecos as alemães, os alemães as francesas e os portugueses as francesas, aqui para vingar a invasão de Portugal pelas tropas de Junot. Leia-se o comentário certeiro de Alencar em defesa dos galicismos que ele emprega em suas obras: “Mas a mania do classicismo, que outro nome não lhe cabe, repele a mínima afinidade entre duas línguas irmãs, saídas da mesma origem. Temos nós a culpa do ódio que semearam em Portugal os exércitos de Napoleão?”

(In: BECHARA, Evanildo. Análise e história da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2022. p. 245-247.)
A coesão por elipse é recurso dominante em: 
Alternativas
Q3106700 Português
    Aspas têm sido úteis no decorrer da minha vida e, imagino, na de inúmeras pessoas também. Na escola, ao usá-las pela primeira vez numa redação, provoquei até emoção na professora. Ganhei elogios. Coisa de que nunca se esquece.

    Utilizar aspas em uma palavra ou expressão não significa perdão ou redenção. É falso, também, dizer que amenizam o próprio conteúdo ou o impacto dessas expressões. Ao contrário, todo pensamento escrito, sinalizado ou falado “entre aspas” vale mais ainda, e por duas razões.

   Primeiro: usar aspas é uma escolha consciente. Não decidimos abrir aspas pela ameaça de um revólver na cabeça, por chantagem emocional ou financeira. Palavras e expressões entre aspas são selecionadas com autonomia e independência e, assim, refletem e registram opiniões e intenções.

   Segundo, ao usar aspas, a pessoa faz uma denúncia de si mesma. Algo do inconsciente humano vive precisamente entre o abre aspas e o fecha aspas. Ao utilizá-las, revelamos um pouquinho do que habitualmente escondemos ou contamos só pela metade, devagarinho, de modo a ir calibrando a reação da sociedade, de quem amamos, de qualquer pessoa ou grupo que nos afete.

    Apenas nos últimos dias ecoou dentro de mim um alerta sobre o uso das aspas, pois me dei conta de que esse sinal gráfico em forma de pequenas alças – como as aspas são descritas nos dicionários – é de uso arriscado, enganoso e potencialmente danoso. Seu uso, hoje deduzo, não é tão inofensivo.


(Cláudia Werneck. Aspas nunca mais. www1.folha.uol.com.br, 08.09.2021. Adaptado)
Leia o fragmento:

“Apenas nos últimos dias ecoou dentro de mim um alerta sobre o uso das aspas, pois me dei conta de que esse sinal gráfico em forma de pequenas alças – como as aspas são descritas nos dicionários – é de uso arriscado, enganoso e potencialmente danoso.”

A partir da análise do elemento de coesão em destaque, pode-se dizer que outra conjunção que substituiria correta e semanticamente a que se encontra em destaque é:
Alternativas
Q3106699 Português
    Aspas têm sido úteis no decorrer da minha vida e, imagino, na de inúmeras pessoas também. Na escola, ao usá-las pela primeira vez numa redação, provoquei até emoção na professora. Ganhei elogios. Coisa de que nunca se esquece.

    Utilizar aspas em uma palavra ou expressão não significa perdão ou redenção. É falso, também, dizer que amenizam o próprio conteúdo ou o impacto dessas expressões. Ao contrário, todo pensamento escrito, sinalizado ou falado “entre aspas” vale mais ainda, e por duas razões.

   Primeiro: usar aspas é uma escolha consciente. Não decidimos abrir aspas pela ameaça de um revólver na cabeça, por chantagem emocional ou financeira. Palavras e expressões entre aspas são selecionadas com autonomia e independência e, assim, refletem e registram opiniões e intenções.

   Segundo, ao usar aspas, a pessoa faz uma denúncia de si mesma. Algo do inconsciente humano vive precisamente entre o abre aspas e o fecha aspas. Ao utilizá-las, revelamos um pouquinho do que habitualmente escondemos ou contamos só pela metade, devagarinho, de modo a ir calibrando a reação da sociedade, de quem amamos, de qualquer pessoa ou grupo que nos afete.

    Apenas nos últimos dias ecoou dentro de mim um alerta sobre o uso das aspas, pois me dei conta de que esse sinal gráfico em forma de pequenas alças – como as aspas são descritas nos dicionários – é de uso arriscado, enganoso e potencialmente danoso. Seu uso, hoje deduzo, não é tão inofensivo.


(Cláudia Werneck. Aspas nunca mais. www1.folha.uol.com.br, 08.09.2021. Adaptado)
Avaliando-se o trecho: “Coisa de que nunca se esquece.” (1º parágrafo), pode-se dizer que outra forma de reescrita que respeite a norma culta e o valor semântico se faz presente em:
Alternativas
Q3058144 Português
Texto para o item.


Thays Prado. Biomimética: a indústria sustentável imita a natureza. In: Revista Superinteressante. Internet: <super.abril.com.br> (com adaptações).

Acerca dos aspectos gramaticais e dos sentidos do texto apresentado, julgue o item.


O vocábulo “há”, em “há bastante tempo” (linha 6), poderia ser substituído por faz, sem prejuízo para a coerência do texto. 

Alternativas
Q3058134 Português
Texto para o item.


Thays Prado. Biomimética: a indústria sustentável imita a natureza. In: Revista Superinteressante. Internet: <super.abril.com.br> (com adaptações).

Acerca dos aspectos gramaticais e dos sentidos do texto apresentado, julgue o item.


Na linha 3, a forma pronominal “ela” retoma o vocábulo “instituição”. 

Alternativas
Q3009316 Português
Leia o título e o subtítulo de uma reportagem apresentados a seguir.

Novo Ensino Médio: veja como está a implementação em todas as redes estaduais do país

Ainda que alguns currículos não estejam homologados, as secretarias preveem que parte das mudanças serão executadas em 2022.

(SALAS, Paula. Novo Ensino Médio: veja como está a implementação em todas as redes estaduais do país. Nova Escola, 15 de dezembro de 2021. Disponível em: https://novaescola.org.br/conteudo/20825/novo-ensinomedio-veja-como-esta-a-implementacao-em-todas-as-redes-estaduaisdo-pais. Acesso em: 18 dez. 2021) 

Para que se mantenha o sentido básico desse enunciado, o conectivo “Ainda que” NÃO pode ser substituído por:


Alternativas
Q2678346 Português

O texto a seguir é referência para as questões 01 a 10.

-

Guerra diminuiu apetite por risco de investidores de startup

-

Emanuel Pessoa

-

1 -------Desde a crise financeira de 2008, os países desenvolvidos, principalmente os Estados Unidos, injetam grandes volumes de

2 dinheiro na economia. Isso aumentou fortemente a quantidade de capital disponível nos mercados, com mais dinheiro em circulação

3 nos últimos 14 anos.

4 -------Um dos efeitos colaterais foi o inchaço do valor de mercado das empresas de tecnologia e o aumento descomunal no número

5 de startups investidas. Com dinheiro ______ preço extremamente baixo se comparado ao período pré-2008, os investidores tinham

6 dinheiro em excesso e aportaram em empresas de mérito duvidoso. Só no Brasil, as startups receberam US$ 9,4 bilhões em 2021,

7 segundo levantamento da plataforma Distrito.

8 _________, essa tendência apresenta desgaste. O ponto de inflexão pode ser a guerra da Ucrânia. Nos últimos meses,

9 muitos investidores já demonstraram a necessidade de verem resultados concretos de suas investidas. No entanto, a maior parte

10 deles ainda os ignorava diante de um discurso megalomaníaco por parte dos fundadores do próximo Uber disso ou do novo

11 Facebook daquilo.

12 -------O conflito provocou um aumento fortíssimo no preço das commodities, já que as sanções contra a Rússia e o receio de uma

13 escalada na disputa armada levaram os investidores ______ anteciparem uma subida futura de preços, comprarem mais para

14 estocar e aportarem capital em várias delas (sendo o ouro um exemplo) para proteger seu dinheiro.

15 -------Assim, o apetite por risco diminuiu de modo que as startups agora precisam comprovar uma relação de probabilidade entre

16 risco e retorno, muito superior ao período precedente ______ guerra, para receberem os mesmos investimentos.

17 -------Embora o capital barato tenha incentivado o crescimento de startups, esse tipo de montante também mascarava ineficiências

18 que levaram ______ destruição imensa de valor, como aconteceu no caso do WeWork.

19 -------Por mais que seja desejável a realização de investimentos em empresas de inovação, ela deve se guiar por regras que

20 prestigiem startups que fazem seu dever de casa, cortando ineficiências e crescendo de forma escalável, sob pena de que o capital

21 abundante oferecido pelo mundo seja desperdiçado em investimentos indevidos.

(Jornal O Estado de S. Paulo, ano 143, n. 47033, p. B2, 26 jul. 2022. Adaptado.)

A expressão “essa tendência” (linha 8) faz referência a:

Alternativas
Q2678342 Português

O texto a seguir é referência para as questões 01 a 10.

-

Guerra diminuiu apetite por risco de investidores de startup

-

Emanuel Pessoa

-

1 -------Desde a crise financeira de 2008, os países desenvolvidos, principalmente os Estados Unidos, injetam grandes volumes de

2 dinheiro na economia. Isso aumentou fortemente a quantidade de capital disponível nos mercados, com mais dinheiro em circulação

3 nos últimos 14 anos.

4 -------Um dos efeitos colaterais foi o inchaço do valor de mercado das empresas de tecnologia e o aumento descomunal no número

5 de startups investidas. Com dinheiro ______ preço extremamente baixo se comparado ao período pré-2008, os investidores tinham

6 dinheiro em excesso e aportaram em empresas de mérito duvidoso. Só no Brasil, as startups receberam US$ 9,4 bilhões em 2021,

7 segundo levantamento da plataforma Distrito.

8 _________, essa tendência apresenta desgaste. O ponto de inflexão pode ser a guerra da Ucrânia. Nos últimos meses,

9 muitos investidores já demonstraram a necessidade de verem resultados concretos de suas investidas. No entanto, a maior parte

10 deles ainda os ignorava diante de um discurso megalomaníaco por parte dos fundadores do próximo Uber disso ou do novo

11 Facebook daquilo.

12 -------O conflito provocou um aumento fortíssimo no preço das commodities, já que as sanções contra a Rússia e o receio de uma

13 escalada na disputa armada levaram os investidores ______ anteciparem uma subida futura de preços, comprarem mais para

14 estocar e aportarem capital em várias delas (sendo o ouro um exemplo) para proteger seu dinheiro.

15 -------Assim, o apetite por risco diminuiu de modo que as startups agora precisam comprovar uma relação de probabilidade entre

16 risco e retorno, muito superior ao período precedente ______ guerra, para receberem os mesmos investimentos.

17 -------Embora o capital barato tenha incentivado o crescimento de startups, esse tipo de montante também mascarava ineficiências

18 que levaram ______ destruição imensa de valor, como aconteceu no caso do WeWork.

19 -------Por mais que seja desejável a realização de investimentos em empresas de inovação, ela deve se guiar por regras que

20 prestigiem startups que fazem seu dever de casa, cortando ineficiências e crescendo de forma escalável, sob pena de que o capital

21 abundante oferecido pelo mundo seja desperdiçado em investimentos indevidos.

(Jornal O Estado de S. Paulo, ano 143, n. 47033, p. B2, 26 jul. 2022. Adaptado.)

O termo “deles” (linha 10) faz referência a:

Alternativas
Ano: 2022 Banca: UFMA Órgão: UFMA Prova: UFMA - 2022 - UFMA - Físico |
Q2677956 Português

As questões 1, 2, 3 e 4 têm como base o texto a seguir.


Entrevistador – Então, para estimular o gosto pela leitura nos filhos, tanto faz impor a leitura quanto apenas deixar o livro por perto?


Tony Bellotto – Além de ter livros por perto, é preciso conduzir os jovens a lerem algo que lhes interesse e seja divertido para eles. Sou a favor de novas formas de criar leitores, como usar histórias em quadrinhos. Às vezes, impor cedo demais, à criança por exemplo, a leitura dos livros de Machado de Assis, que é muito prazerosa, pode provocar um efeito inverso, que é o cara ficar com bode da literatura em geral. Depois que o leitor está criado, é mais fácil apresentar coisas mais sofisticadas.


(Trecho da entrevista de Tony Bellotto publicada na Revista Língua Portuguesa, nº 78, abr. 2012, p.14)

Os pronomes lhes e eles referem-se, no texto a:

Alternativas
Q2675322 Português

Instrução: As questões de números 01 a 15 referem-se ao texto abaixo.


Como é o desenvolvimento da autonomia e da criatividade no colégio?


  1. O desenvolvimento da autonomia e da criatividade da criança é um dos principais
  2. objetivos de uma instituição de ensino. Fazer com que haja um protagonismo no aluno em sala
  3. de aula é essencial no processo de aprendizagem. Com isso, torna-se fundamental desenvolver
  4. práticas de ensino com Metodologias Ativas. Tais metodologias atuam diretamente no
  5. desenvolvimento da autonomia e da criatividade na infância, o que, por sua vez, permite a
  6. construção de uma personalidade mais saudável, além de competências e habilidades
  7. essenciais para a criança.
  8. Afastando-se de uma metodologia de ensino ultrapassada, as instituições de ensino
  9. devem adotar uma aprendizagem que busque não apenas alfabetizar a criança como também
  10. colaborar para o seu desenvolvimento. E isso envolve um estímulo ___ construção da
  11. autonomia e da criatividade no colégio. Essa Educação Criativa envolve uma metodologia de
  12. ensino-aprendizagem que possibilita ___ instituições de ensino uma aproximação com o mundo
  13. real. Isto é, fora da escola, especialmente no mercado de trabalho, diversas habilidades e
  14. capacidades são valorizadas. E duas delas são justamente a autonomia e a criatividade.
  15. Existe a necessidade de se trazer ao ambiente escolar uma abordagem diferente,
  16. especialmente com o protagonismo do aluno, e uma dessas abordagens diz respeito às
  17. Metodologias Ativas. Mas o que são as Metodologias Ativas? Em resumo, o modelo busca trazer
  18. para o aluno um papel de protagonismo no seu próprio aprendizado. Isto é, por meio dele, é o
  19. estudante o maior responsável pelo seu desenvolvimento em sala de aula. Nesse sentido, o
  20. objetivo é incentivar que a absor...ão do conteúdo em sala se dê com mais autonomia e
  21. participação.
  22. Com a autonomia do aluno em seu próprio aprendizado, há também um maior estímulo
  23. ao seu desenvolvimento. Como destacamos acima, a construção da autonomia e da criatividade
  24. infantil permite a construção de uma personalidade mais saudável. Essa prática garante um
  25. maior desenvolvimento de habilidades socioemocionais, fundamentais para o aprendizado
  26. infantil. A conquista da autonomia como protagonismo do aluno no processo de aprendizado
  27. traz um estímulo para uma convivência saudável. Isto é, por meio do ensino-aprendizagem da
  28. autonomia, a criança pode entender melhor seu papel como parte de um todo que é a
  29. sociedade.
  30. Mas como a autonomia e a criatividade podem ser aplicadas em sala de aula? O que
  31. a proposta pedagógica pode trazer para fazer com que o aluno seja protagonista do seu
  32. aprendizado? É preciso entender que cada estudante tem seu tempo e ritmo de aprendizado.
  33. O ideal é fazer com que a metodologia de ensino estimule o seu desenvolvimento com base
  34. nesse ritmo, pre...ando por uma autonomia maior. Para potencializar esse modelo de ensino,
  35. é essencial a adoção de algumas práticas. Uma dessas práticas é a criação de um ambiente
  36. favorável para um aprendizado com base na autonomia e na criatividade do aluno. Com um
  37. espaço adequado, é possível criar um ambiente em que a exploração e a construção do
  38. conhecimento aconteçam de forma mais fácil.
  39. Especialmente na fase da Educação Infantil, o aprendizado acontece com uma interação
  40. do aluno com o ambiente, e valorizar esse ambiente é uma das melhores formas de aplicar as
  41. Metodologias Ativas, proporcionando liberdade para a autonomia das crianças. Outra forma de
  42. auxílio no desenvolvimento do estudante com autonomia e criatividade é oferecer uma maior
  43. liberdade de aprendizado. A escola, como um todo, é um espaço de aprendizagem constante,
  44. mas para que isso se concreti...e, esse espaço deve criar um clima de incentivo para a busca
  45. pelo conhecimento. A segurança oferecida para que o aluno tenha liberdade de aprender é uma
  46. das melhores formas de estimular a sua autonomia. O ambiente escolar tem a capacidade de
  47. ser um espaço que traz ___ tona impulsos como a curiosidade, a criatividade e a vontade de
  48. aprender.


(Disponível em: https://sigmadf.com.br/como-e-o-desenvolvimento-da-autonomia-e-da-criatividade-nocolegio – texto adaptado especialmente para esta prova).

Considerando o emprego dos pronomes demonstrativos como recurso coesivo, analise as assertivas a seguir:


I. Na linha 27, a expressão “Isto é” emprega um pronome catafórico cujo referente ainda será expresso.

II. Na linha 34, em “nesse ritmo”, há o emprego de um pronome catafórico cujo referente está expresso posteriormente.


Assinale a alternativa correta a respeito das assertivas anteriores.

Alternativas
Q2674860 Português

Polarização política é obstáculo para cobertura ambiental no jornalismo


  1. Uma pesquisa recente do instituto Pew Research Center mostrou que a vasta maioria dos americanos apoia novas
  2. medidas de combate ao aquecimento do planeta.
  3. Mais de dois terços são a favor de incentivos para o uso de veículos elétricos ou híbridos e da criação de impostos para
  4. corporações com base em suas emissões de carbono. Nova regulação obrigando o aumento do uso de energia de recursos
  5. renováveis teria o apoio de 72%, e 79% favorecem incentivos fiscais do governo para ajudar empresas em projetos de captura e
  6. armazenamento de carbono.
  7. A preocupação com o ambiente vem crescendo na última década e, em junho, uma pesquisa da empresa
  8. YouGovAmerica revelou que hoje 56% da população se identifica como "ambientalista". Então, por que só 30% dos americanos
  9. se dizem interessados em acompanhar notícias sobre o meio ambiente?
  10. A polarização política nos EUA — e também a corrupção de políticos comprados por interesses especiais — ajuda a
  11. explicar como o país está rachado ao meio no apoio à encolhida agenda ambiental de Joe Biden, que sofre assaltos não só de
  12. ultraconservadores na Suprema Corte como do próprio partido. O senador Joe Manchin, da Virgínia Ocidental, vendido ao lobby
  13. do carvão, quase matou um pacote legislativo ambiental ligado ao plano BBB (Build Back Better) antes de voltar atrás nesta
  14. quarta (27).
  15. É difícil manter a atenção do público já assediado por más notícias sobre economia e saúde com previsões apocalípticas.
  16. Mas os desinformados, consumindo uma dieta negacionista como a servida nos EUA pela Fox News, não são os maiores
  17. responsáveis pela falta de apoio ao combate ao aquecimento global; são os narradores da mídia que tratam a ciência como
  18. ideologia.
  19. A agência federal de ambiente dos EUA foi criada por Richard Nixon, um conservador cristão. O correspondente do setor
  20. da rede CNN comparou recentemente os âncoras da rede de Rupert Murdoch a sabotadores que bloqueiam a saída de um teatro
  21. pegando fogo.
  22. Se o jornalismo quer ser tratado como serviço público, cabe ao jornalismo contribuir melhor para desembaralhar a falácia
  23. de que a ciência ambiental é "de esquerda". Se no primeiro semestre de 2020 a catástrofe da pandemia jogou repórteres de todos
  24. os setores na cobertura de um vírus, chegou a hora de parar de setorizar a reportagem de ambiente.
  25. Toda a cobertura tem um aspecto ambiental num mundo em que eventos relacionados ao clima já matam 5 milhões por
  26. ano e devastam economias de qualquer porte.
  27. Um obstáculo evidente é que a reportagem cientifica requer um grau maior de especialização. Outro é articular melhor
  28. o relato de fatos no contexto da destruição ambiental. O comentarista financeiro que descreve só as cifras quando o governo
  29. precisa intervir no mercado de seguros da Luisiana porque as tempestades e os furacões tornaram 600 mil residências
  30. inafiançáveis não deve omitir como a ciência explica a debacle econômica.
  31. A narrativa ambiental nunca teve à disposição tantas notícias promissoras com o progresso científico na proteção
  32. ambiental. Equilibrar o noticiário entre os sacrifícios e as recompensas é um poder que o jornalismo tem de resgatar a ciência
  33. refém dos autocratas populistas.


(Lúcia Guimarães. https:/www1.folha.uol.com.br/colunas/lucia-guimaraes/2022/07/polarizacao-política-e-obstaculo-para-cobertura-ambiental-no-jomalismo.shtml Folha de S.Paulo, 27 jul.2022)

O senador Joe Manchin, da Virgínia Ocidental, vendido ao lobby do carvão, quase matou um pacote legislativo ambiental ligado ao plano BBB (Build Back Better) antes de voltar atrás nesta quarta (27). (linhas 12 a 14)


O demonstrativo sublinhado no período acima exerce papel

Alternativas
Respostas
3001: E
3002: D
3003: D
3004: C
3005: D
3006: C
3007: A
3008: C
3009: C
3010: D
3011: C
3012: B
3013: C
3014: E
3015: A
3016: E
3017: A
3018: E
3019: C
3020: D