Avaliando-se o trecho: “Coisa de que nunca se esquece.” (1º...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q3106699 Português
    Aspas têm sido úteis no decorrer da minha vida e, imagino, na de inúmeras pessoas também. Na escola, ao usá-las pela primeira vez numa redação, provoquei até emoção na professora. Ganhei elogios. Coisa de que nunca se esquece.

    Utilizar aspas em uma palavra ou expressão não significa perdão ou redenção. É falso, também, dizer que amenizam o próprio conteúdo ou o impacto dessas expressões. Ao contrário, todo pensamento escrito, sinalizado ou falado “entre aspas” vale mais ainda, e por duas razões.

   Primeiro: usar aspas é uma escolha consciente. Não decidimos abrir aspas pela ameaça de um revólver na cabeça, por chantagem emocional ou financeira. Palavras e expressões entre aspas são selecionadas com autonomia e independência e, assim, refletem e registram opiniões e intenções.

   Segundo, ao usar aspas, a pessoa faz uma denúncia de si mesma. Algo do inconsciente humano vive precisamente entre o abre aspas e o fecha aspas. Ao utilizá-las, revelamos um pouquinho do que habitualmente escondemos ou contamos só pela metade, devagarinho, de modo a ir calibrando a reação da sociedade, de quem amamos, de qualquer pessoa ou grupo que nos afete.

    Apenas nos últimos dias ecoou dentro de mim um alerta sobre o uso das aspas, pois me dei conta de que esse sinal gráfico em forma de pequenas alças – como as aspas são descritas nos dicionários – é de uso arriscado, enganoso e potencialmente danoso. Seu uso, hoje deduzo, não é tão inofensivo.


(Cláudia Werneck. Aspas nunca mais. www1.folha.uol.com.br, 08.09.2021. Adaptado)
Avaliando-se o trecho: “Coisa de que nunca se esquece.” (1º parágrafo), pode-se dizer que outra forma de reescrita que respeite a norma culta e o valor semântico se faz presente em:
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Tema central da questão: Regência verbal do verbo “esquecer” aliado ao uso correto do pronome relativo na norma-padrão.

No português culto, “esquecer” pode ser:
- Verbo transitivo direto (sem pronome): “Esqueci o material.”
- Verbo pronominal (esquecer-se): exige preposição “de”: “Esqueci-me do compromisso.”

No trecho analisado (“Coisa de que nunca se esquece”), utiliza-se a forma pronominal, cuja regência exige a preposição “de”. A questão avalia seu domínio sobre pronomes relativos com preposição.

Análise da alternativa correta:
Alternativa B) “Coisa da qual jamais se esquece.”
A estrutura “da qual” combina a preposição “de” + relativo “a qual” (concordando com “coisa”, feminino, singular). Segundo as gramáticas de Cunha & Cintra e Bechara, o emprego é formal, claro e coeso: “A tarefa da qual me orgulho.”

Por que as demais alternativas estão erradas?
A) “Coisa que nem sempre se esquece.”
Falta a preposição “de”, descumprindo a regência do verbo pronominal.

C) “Coisa de que nunca esquece.”
Embora use corretamente a preposição, a omissão do pronome reflexivo “se” enfraquece a clareza exigida pela norma. O padrão é: “…de que nunca se esquece.”

D) “Coisa que jamais se esquece.”
De novo, falta a preposição “de”, o que viola a regência.

E) “Coisa que nunca esquece-se.”
Erro de colocação pronominal: não se separa o verbo do pronome assim; o correto é “se esquece”.

Dica importante: Sempre que houver verbo pronominal seguido de pronome relativo (como "coisa que" ou "coisa da qual"), use a preposição exigida pela regência antes do pronome relativo: “da qual”, “de que”.

Resumo para provas de concurso: Cuidado com a regência pedida pelo verbo e a concordância do pronome relativo! Pegadinhas frequentes envolvem trocas ou omissões dessas preposições.

Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo

Comentários

Veja os comentários dos nossos alunos

Quem lembra, lembra ALGO

Quem SE lembra, se lembra DE ALGO

Clique para visualizar este comentário

Visualize os comentários desta questão clicando no botão abaixo