Questões de Concurso
Sobre teoria literária em literatura
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No texto “Reflexões sobre o romance moderno”, Anatol Rosenfeld discute as modificações sofridas pelo romance no século XX:
"Nota-se no romance do nosso século uma modificação análoga à da pintura moderna, modificação que parece ser essencial à estrutura do modernismo. À eliminação do espaço, ou da ilusão do espaço, parece corresponder no romance a da sucessão temporal. A cronologia, a continuidade temporal foram abaladas, 'os relógios foram destruídos'. O romance moderno nasceu no momento em que Proust, Joyce, Gide, Faulkner começam a desfazer a ordem cronológica, fundindo passado, presente e futuro". Rosenfeld, 1996, p. 80.
A seguir, você acompanha os trechos referentes ao início da narrativa do romance Primeira manhã (1967), de Dalcídio Jurandir. O trecho que melhor se alinha à formulação de Rosenfeld posta em destaque pode ser visto em:
“All the world’s a stage
And all the men and women merely players
They have their exits and their entrances;”
Which figure of speech is employed in the quote from the Shakespeare play “As You Like it”?
I. Há, em comum, entre Inocência e Macabéa, o fato de ambas serem cobiçadas por vários homens: Inocência é desejada por Cirino, Manecão e Meyer; Macabéa é disputada por Olímpico, pelo narrador e por outros homens com quem ela trava contato no trabalho.
II. O espaço físico de Inocência é o sertão, mas o romance evidencia o trânsito de valores entre o ambiente urbano e o rural; A hora da estrela ressalta as experiências das protagonistas nos dois espaços – o nordestino e a cidade do Rio de Janeiro –, privilegiando as vitórias e as realizações neste lugar.
III. O narrador de Inocência está em terceira pessoa, sem desempenhar o papel de personagem do romance, embora se detenha, em algumas passagens, para emitir comentários; o narrador de A hora da estrela já se manifesta em primeira pessoa, comentando sobre o ato de narrar e sobre a protagonista.
IV. Mais de cem anos separam Inocência e A hora da estrela: o primeiro é associado ao romance sertanejo romântico, embora já contenha traços realistas, como a ausência de um herói típico do Romantismo; o segundo traz a subjetividade de Clarice Lispector pela figura do narrador, mas focaliza mais intensamente as questões sociais do que na trajetória anterior da autora.
Assinale a alternativa correta.
Esaú e Jacó
Bárbara entrou, enquanto o pai pegou da viola e passou ao patamar de pedra, à porta da esquerda. Era uma criaturinha leve e breve, saia bordada, chinelinha no pé. Não se lhe podia negar um corpo airoso. Os cabelos, apanhados no alto da cabeça por um pedaço de fita enxovalhada, faziam-lhe um solidéu natural, cuja borla era suprida por um raminho de arruda. Já vai nisto um pouco de sacerdotisa. O mistério estava nos olhos. Estes eram opacos, não sempre nem tanto que não fossem também lúcidos e agudos, e neste último estado eram igualmente compridos; tão compridos e tão agudos que entravam pela gente abaixo, revolviam o coração e tornavam cá fora, prontos para nova entrada e outro revolvimento. Não te minto dizendo que as duas sentiram tal ou qual fascinação. Bárbara interrogou-as; Natividade disse ao que vinha e entregou-lhe os retratos dos filhos e os cabelos cortados, por lhe haverem dito que bastava.
— Basta, confirmou Bárbara. Os meninos são seus filhos?
— São.
ASSIS, M. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994.
No relato da visita de duas mulheres ricas a uma vidente no Morro do Castelo, a ironia — um dos traços mais representativos da narrativa machadiana — consiste no
A escrava
— Admira-me —, disse uma senhora de sentimentos sinceramente abolicionistas —; faz-me até pasmar como se possa sentir, e expressar sentimentos escravocratas, no presente século, no século dezenove! A moral religiosa e a moral cívica aí se erguem, e falam bem alto esmagando a hidra que envenena a família no mais sagrado santuário seu, e desmoraliza, e avilta a nação inteira! Levantai os olhos ao Gólgota, ou percorrei-os em torno da sociedade, e dizei-me:
— Para que se deu em sacrifício o Homem Deus, que ali exalou seu derradeiro alento? Ah! Então não é verdade que seu sangue era o resgate do homem! É então uma mentira abominável ter esse sangue comprado a liberdade!? E depois, olhai a sociedade... Não vedes o abutre que a corrói constantemente!… Não sentis a desmoralização que a enerva, o cancro que a destrói?
Por qualquer modo que encaremos a escravidão, ela é, e será sempre um grande mal. Dela a decadência do comércio; porque o comércio e a lavoura caminham de mãos dadas, e o escravo não pode fazer florescer a lavoura; porque o seu trabalho é forçado.
REIS, M. F. Úrsula e outras obras. Brasília: Câmara dos Deputados, 2018.
Inscrito na estética romântica da literatura brasileira, o conto descortina aspectos da realidade nacional no século XIX ao
PALAVRA – As gramáticas classificam as palavras em substantivo, adjetivo, verbo, advérbio, conjunção, pronome, numeral, artigo e preposição. Os poetas classificam as palavras pela alma porque gostam de brincar com elas, e para brincar com elas é preciso ter intimidade primeiro. É a alma da palavra que define, explica, ofende ou elogia, se coloca entre o significante e o significado para dizer o que quer, dar sentimento às coisas, fazer sentido. A palavra nuvem chove. A palavra triste chora. A palavra sono dorme. A palavra tempo passa. A palavra fogo queima. A palavra faca corta. A palavra carro corre. A palavra “palavra” diz. O que quer. E nunca desdiz depois. As palavras têm corpo e alma, mas são diferentes das pessoas em vários pontos. As palavras dizem o que querem, está dito, e pronto.
FALCÃO, A. Pequeno dicionário de palavras ao vento. São Paulo: Salamandra, 2013 (adaptado).
Esse texto, que simula um verbete para a palavra “palavra’’, constitui-se como um poema porque
Leia o poema de Raimundo Correia e responda a alternativa correta:
MAL SECRETO
Se a cólera que espuma, a dor que mora
N'alma, e destrói cada ilusão que nasce,
Tudo o que punge, tudo o que devora
O coração, no rosto se estampasse;
Se se pudesse, o espírito que chora,
Ver através da máscara da face,
Quanta gente, talvez, que inveja agora
Nos causa, então piedade nos causasse!
Quanta gente que ri, talvez, consigo
Guarda um atroz, recôndito inimigo,
Como invisível chaga cancerosa!
Quanta gente que ri, talvez existe,
Cuja ventura única consiste
Em parecer aos outros venturosa!
CORREIA, Raimundo. Poesia Completa e Prosa. Rio de Janeiro: Editora José Aguilar, 1961, p.135-136.
INSTRUÇÃO: Leia o poema a seguir para responder às questões de 1 a 3.
Maldição
Olavo Bilac
Se por vinte anos, nesta furna escura,
Deixei dormir a minha maldição,
– Hoje, velha e cansada da amargura,
Minh’alma se abrirá como um vulcão.
E, em torrentes de cólera e loucura,
Sobre a tua cabeça ferverão
Vinte anos de silêncio e de tortura,
Vinte anos de agonia e solidão…
Maldita sejas pelo Ideal perdido!
Pelo mal que fizeste sem querer!
Pelo amor que morreu sem ter nascido!
Pelas horas vividas sem prazer!
Pela tristeza do que eu tenho sido!
Pelo esplendor do que eu deixei de ser!…
Disponível em: www.tudoepoema.com.br/olavo-bilac-maldicao/.
Acesso em: 4 fev. 2022.
O eu lírico, a voz que se manifesta em primeira pessoa no poema, faz uma queixa atribuída a um indivíduo
(Antonio Candido, 2000. Adaptado)
O autor e a obra a que Cândido se refere são, correta e respectivamente:
I – Os primeiros livros para crianças foram produzidos ao final do século XVII e durante o século XVIII. II – Antes da constituição do modelo familiar burguês, não havia uma consideração especial para com a infância. III – A nova valorização da infância gerou maior união familiar.
I – Há uma condição prévia para a manifestação da linguagem; é preciso haver um grupo humano, no qual o sujeito se confronte com o conjunto e se perceba como indivíduo. II – O grupo social é um todo homogêneo. III – A linguagem verbal não é a mais utilizada pelo ser humano.
https://www.culturagenial.com/livro-dom-casmurro-de-machado-de-assis/
Considerando a análise da obra “Dom Casmurro”, o excerto deve ter sua lacuna completada com:
Texto para o item.
Guardou a mão no bolso pra ainda ocupar menos lugar; encontrou um pedaço de giz; apertou ele com força e o giz se partiu em dois. Com um barulhinho gostoso mesmo. Barulhinho de escola. Vera lembrou da professora quebrando um pedaço de giz e escrevendo no quadro-negro. Pensou: quadro-negro é escuro assim. Quem sabe o giz também riscava a escuridão?
Tirou a mão do bolso devagarinho. Tomou coragem e experimentou desenhar na frente dela a roda de um sol. E não é que saiu? Vera ficou tão feliz que berrou:
— O escuro é que nem quadro-negro, Alexandre! Alexandre foi pra junto dela; pegou o outro pedaço de giz, e foi desenhando também. Uma casa. Uma árvore. Uma onda no mar. Quanto mais os dois desenhavam, menos iam se importando com o escuro. Fizeram uma flor nascendo, um rio correndo, dois besouros se encontrando; fizeram cada desenho lindo. E quanto menos se importavam com o escuro, mais gostoso iam desenhando. De repente, Alexandre teve uma ideia gozada:
— Vou desenhar a cara do medo.
Vera se assustou de novo:
— Psiu! fala baixo.
— Por quê?
— Ele pode não gostar da ideia.
— Mas ele ainda anda por aí?
— Acho que sim.
Alexandre achou melhor não dizer mais nada, mas começou a desenhar uma cara esquisita, toda inchada de um lado:
— O medo tá com dor de dente. — E riu baixinho.
O Pavão gostou tanto de ouvir Alexandre rindo, que riu também.
Vera entrou na brincadeira: desenhou no medo uma orelha inchada e disse que ele estava com dor de ouvido também (…). E não se importaram mais se o medo ia ouvir ou não: desabaram numa gargalhada.
Lygia Bojunga. A casa da madrinha. Casa Lygia Bojunga:
Rio de Janeiro, 2015 (com adaptações).
A reescrita de mitos clássicos presente na obra de Monteiro Lobato influencia a narrativa de Lygia Bojunga, como no modo lúdico a partir do qual o fragmento aborda o medo.
O negrismo pode ser encontrado em obras como Poemas negros, de Jorge de Lima, em que a subjetividade negra é representada pelo discurso do branco, em procedimento equiparável ao indianismo dos românticos, quando o nativo surgia reduzido a objeto da fantasia do colonizador.
Leia o trecho do romance Bom-Crioulo, de Adolfo Caminha, a seguir, e responda à questão.
Agora compreendia nitidamente que só no homem, no próprio homem, ele podia encontrar aquilo que debalde procurara nas mulheres.
Nunca se apercebera de semelhante anomalia, nunca em sua vida tivera a lembrança de perscrutar suas tendências em matéria de sexualidade. As mulheres o desarmavam para os combates do amor, é certo, mas também não concebia, por forma alguma, esse comércio grosseiro entre indivíduos do mesmo sexo; entretanto, quem diria!, o fato passava-se agora consigo próprio, sem premeditação, inesperadamente. E o mais interessante é que “aquilo” ameaçava ir longe, para mal de seus pecados... Não havia jeito, senão ter paciência, uma vez que a “natureza” impunha-lhe esse castigo...
(CAMINHA, Adolfo. Bom-Crioulo. Rio de Janeiro: Ediouro, s.d. p. 32-33.)
I. O romance confirma traços naturalistas ao explorar as influências do meio– a convivência no navio entre homens– como relevantes para a constituição do protagonista.
II. O romance apega-se aos procedimentos naturalistas ao enfatizar como personagens são suscetíveis a instintos sexuais, sem refreá-los.
III. O romance afasta-se dos padrões naturalistas ao apresentar um narrador pouco objetivo e afeito à exposição do sentimentalismo de personagens.
IV. O romance evidencia práticas naturalistas, ao focalizar a temática homossexual sem abordá-la como um desejo que encontra resistência na sociedade.
Assinale a alternativa correta.