Questões de Concurso Sobre literatura
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I. O Simbolismo é uma reação às correntes analíticas e a estilos literários objetivos que proliferaram na segunda metade do século XIX. O culto à natureza, bem como o uso de pseudônimos e termos latinos são marcas simbolistas.
II. Percebe-se na estética simbolista o culto à musicalidade do poema, em sintonia com a busca pela espiritualidade. Para os simbolistas, a poesia, experiência transcendente, é uma forma pela qual se alcança o sentido oculto das coisas e das vivências.
Marque a alternativa CORRETA:
Para responder à questão, considere o fragmento de texto abaixo.

(Disponível em: CAMARGO, Diones. A mulher arrastada. 1. ed. Rio de Janeiro: Cobogó, 2021. – texto adaptado especialmente para esta prova).
Soneto do Amor Total
Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade
Amo-te enfim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.
E de te amar assim muito e amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.
Vinícius de Moraes.
I- O poema Soneto do Amor Total está voltado para temática do amor romântico.
II- No poema, o eu-lírico promete uma entrega total e absoluta apesar de demonstrar estar ciente da finitude do sentimento.
III- Na primeira estrofe, há um afeto multifacetado, que enxerga o outro não só como fonte de deleite e prazer, mas também como um parceiro, um companheiro para todas as horas.
IV- Além da sensualidade, a amizade é um outro elemento presente no texto.
É verdade o que se afirma em:
Os Ombros Suportam o Mundo
Chega um tempo em que não se diz mais: meu
Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil. E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.
Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos
edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.
Analise as proposições abaixo como (V) verdadeiras ou (F) falsas.
(_) Segundo o poema, as "certezas" que cercam a pessoa, além de isolá-la, também servem como proteção contra o sofrimento. Apesar de a solidão não ter uma carga dramática, ela é obscura e deprimente.
(_) A terceira e última estrofe é também a mais longa. É nela que se encontra o verso que dá o nome ao poema e o tema central: a posição do ser neste mundo e neste tempo.
(_) A matéria do poeta é a realidade, o tempo presente e também a relação entre o "eu" e o mundo.
(_) Drummond compara as guerras às discussões em edifícios, como se ambos fossem igualmente "corriqueiros" e "banais" em um mundo cada vez mais desumano.
(_) A vida sem mistificação é uma retomada aos primeiros versos do poema.
A sequência correta de cima para baixo é:
Considere os excertos de poemas a seguir:
I. Ó carnes que eu amei sangrentamente,
ó volúpias letais e dolorosas,
essências de heliotropos e de rosas
de essência morna, tropical, dolente...
do So
carnes acerbas e maravilhosas,
tentadoras do sol intensamente... (Cruz e Souza)
Carnes, virgens e tépidas do Oriente do So
nho e das Estrelas fabulosas, carnes acerbas e maravilhosas, tentadoras do sol intensamente... (Cruz e Souza)
II. Amemos! Quero de amor
Viver no teu coração!
Sofrer e amar essa dor
Que desmaia de paixão!
Na tu'alma, em teus encantos
E na tua palidez
E nos teus ardentes prantos
Suspirar de languidez! (Álvares de Azevedo)
III. “Os teus olhos espalham luz divina,
A quem a luz do Sol em vão se atreve:
Papoula, ou rosa delicada, e fina,
Te cobre as faces, que são cor de neve.
Os teus cabelos são uns fios d’ouro;
Teu lindo corpo bálsamos vapora.
Ah! Não, não fez o Céu, gentil Pastora,
Para glória de Amor igual tesouro.
Graças, Marília bela,
Graças à minha Estrela!” (Tomás Antônio Gonzaga)
De acordo com as características expressas por cada autor, assinale a alternativa que indica o movimento literário ao qual se associam, respectivamente.
Leia com atenção o texto a seguir:
Primeiramente, há de ir ter às Sereias, que todos os homens
que se aproximam dali, com encantos prender tem por hábito.
Quem quer que, por ignorância, vá ter às Sereias, e o canto
delas ouvir, nunca mais a mulher nem os tenros filhinhos
hão de saudá-lo contentes, por não mais voltar para casa.
Enfeitiçado será pela voz das Sereias maviosas.
Elas se encontram num prado; ao redor se lhe veem muitos ossos
de corpos de homens desfeitos, nos quais se engrouvinha a epiderme.
Passa de largo, mas tapa os ouvidos de todos os sócios
com cera doce amolgada, porque nenhum deles o canto possa escutar.
Mas tu próprio, se ouvi-las quiseres, é força
que pés e mão no navio ligeiro te amarrem os sócios,
em torno ao mastro, de pé, com possantes calabres seguro,
para que possas as duas Sereias ouvir com deleite.
Se lhes pedires, porém, ou ordenares, que os cabos te soltem,
devem mais fortes amarras à volta do corpo apertar-te.
Odisseia / Homero ; tradução e prefácio Carlos Alberto Nunes. - [25. ed.] - Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2015
O trecho lido acima é um recorte do Canto XII da obra Odisseia escrita por Homero e traduzida por Carlos Alberto Nunes. Pode-se perceber que o texto é constituído por uma narrativa em versos dividida em diversos cantos. Qual o gênero literário possui estas características?
Valorização da objetividade e dos fatos. Impessoalidade, apagamento das ideias do autor. Descrições de tipos sociais, ou situações típicas. Fim das idealizações: retratos de adultério, miséria e fracasso social. Prevalência das formas do romance e do conto. Frequentes críticas às hipocrisias da moralidade da nova classe dominante, a burguesia. Aceitação da realidade tal como ela é. Esteticismo: linguagem culta e estilizada, escrita com proporção e elegância. Tentativa de explicar o real, recorrendo muitas vezes à Ciência, ou ao Determinismo. Abordagem psicológica das personagens como composição da realidade que veem. Retrato fidedigno da realidade. Cientificismo e Materialismo. Personagens comuns e não idealizados.
Inspiração Iluminista. Equilíbrio e busca da perfeição. Racionalismo, bucolismo e pastoralismo. Retomada dos valores clássicos. Idealização da mulher. Pureza e ingenuidade humana. Linguagem simples e objetiva. Figuras mitológicas. Temática cotidiana. Valores da natureza. Fugere Urbem: fugir do urbano; Locus Amoenus: lugar ameno, o gozo da natureza; Áurea Mediocritas: equilíbrio das riquezas; Inutilia Truncat: abdicar do superficial da vida e conviver com o essencial; Carpe Diem: aproveitar o dia, viver com alegria, curtir o simples como apreciar a natureza; O eu poético: exaltação da natureza e da mitologia; Crítico: absorveu a filosofia do Iluminismo, fazendo forte crítica à burguesia e ao estilo de vida dos burgueses; Pseudônimos pastoris: os poetas fingiam outra identidade, se autointitulado pastores e assinavam suas obras como tal. As obras eram marcadas ainda pela simulação de sentimentos inexistentes.
Em uma obra literária, refere-se a uma curta citação que introduz o que será lido em seguida. Quando presente, encontra-se na página ímpar posterior à página da dedicatória ou no início das seções ou capítulos da obra.
Versificação é o ponto inicial da produção poética, tratando-se, portanto, da arte de escrever versos.
(https://beduka.com/blog/materias/literatura/versificacao/)
Nesse contexto, marque a alternativa incorreta.
Leia o texto abaixo e, em seguida, responda à questão sobre ele.
O PRIMEIRO BEIJO
Clarice Lispector
Os dois mais murmuravam que conversavam: havia pouco iniciara-se o namoro e ambos andavam tontos, era o amor. Amor com o que vem junto: ciúme.
- Está bem, acredito que sou a sua primeira namorada, fico feliz com isso. Mas me diga a verdade, só a verdade: você nunca beijou uma mulher antes de me beijar? Ele foi simples:
- Sim, já beijei antes uma mulher.
- Quem era ela? perguntou com dor.
Ele tentou contar toscamente, não sabia como dizer.
O ônibus da excursão subia lentamente a serra. Ele, um dos garotos no meio da garotada em algazarra, deixava a brisa fresca bater-lhe no rosto e entrar-lhe pelos cabelos com dedos longos, finos e sem peso como os de uma mãe. Ficar às vezes quieto, sem quase pensar, e apenas sentir - era tão bom. A concentração no sentir era difícil no meio da balbúrdia dos companheiros.
E mesmo a sede começara: brincar com a turma, falar bem alto, mais alto que o barulho do motor, rir, gritar, pensar, sentir, puxa vida! Como deixava a garganta seca.
E nem sombra de água. O jeito era juntar saliva, e foi o que fez. Depois de reunida na boca ardente engolia-a lentamente, outra vez e mais outra. Era morna, porém, a saliva, e não tirava a sede. Uma sede enorme maior do que ele próprio, que lhe tomava agora o corpo todo.
A brisa fina, antes tão boa, agora ao sol do meio-dia tornara-se quente e árida e ao penetrar pelo nariz secava ainda mais a pouca saliva que pacientemente juntava.
E se fechasse as narinas e respirasse um pouco menos daquele vento de deserto? Tentou por instantes, mas logo sufocava. O jeito era mesmo esperar, esperar. Talvez minutos apenas, talvez horas, enquanto sua sede era de anos.
Não sabia como e por que, mas agora se sentia mais perto da água, pressentia-a mais próxima, e seus olhos saltavam para fora da janela procurando a estrada, penetrando entre os arbustos, espreitando, farejando.
O instinto animal dentro dele não errara: na curva inesperada da estrada, entre arbustos estava... o chafariz de onde brotava num filete a água sonhada. O ônibus parou, todos estavam com sede, mas ele conseguiu ser o primeiro a chegar ao chafariz de pedra, antes de todos.
De olhos fechados entreabriu os lábios e colou-os ferozmente ao orifício de onde jorrava a água. O primeiro gole fresco desceu, escorrendo pelo peito até a barriga. Era a vida voltando, e com esta encharcou todo o seu interior arenoso até se saciar. Agora podia abrir os olhos.
Abriu-os e viu bem junto de sua cara dois olhos de estátua fitando-o e viu que era a estátua de uma mulher e que era da boca da mulher que saía a água. Lembrou-se de que realmente ao primeiro gole sentira nos lábios um contato gélido, mais frio do que a água.
E soube então que havia colado sua boca na boca da estátua da mulher de pedra. A vida havia jorrado dessa boca, de uma boca para outra.
Intuitivamente, confuso na sua inocência, sentia-se intrigado: mas não é de uma mulher que sai o líquido vivificador, o líquido germinador da vida... Olhou a estátua nua.
Ele a havia beijado.
Sofreu um tremor que não se via por fora e que se iniciou bem dentro dele e tomou-lhe o corpo todo estourando pelo rosto em brasa viva. Deu um passo para trás ou para frente, nem sabia mais o que fazia. Perturbado, atônito, percebeu que uma parte de seu corpo, sempre antes relaxada, estava agora com uma tensão agressiva, e isso nunca lhe tinha acontecido.
Estava de pé, docemente agressivo, sozinho no meio dos outros, de coração batendo fundo, espaçado, sentindo o mundo se transformar. A vida era inteiramente nova, era outra, descoberta com sobressalto. Perplexo, num equilíbrio frágil.
Até que, vinda da profundeza de seu ser, jorrou de uma fonte oculta nele a verdade. Que logo o encheu de susto e logo também de um orgulho antes jamais sentido: ele... Ele se tornara homem.
(In "Felicidade Clandestina" - Ed. Rocco - Rio de Janeiro, 1998 Disponível em: https://midiasstoragesec.blob.core.windows.net/001/2017/02/o_primeiro_beij o_clarice_lispector_2.pdf /Acesso em 18.09.2023)
Um dos escritores mais importantes da literatura brasileira, __________________ foi uma figura central no movimento literário conhecido como Realismo. Nascido no Rio de Janeiro, o escritor teve uma vida marcada por desafios e superações. Ele enfrentou dificuldades financeiras e problemas de saúde desde cedo, tornando-se praticamente autodidata. A prosa foi onde ele se destacou. Seu estilo literário evoluiu ao longo dos anos, passando por fases românticas até alcançar o auge no Realismo. Ele foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, ocupando a posição de seu primeiro presidente. Era conhecido por sua habilidade em explorar a complexidade da psicologia humana, com seus personagens muitas vezes refletindo dilemas morais e existenciais. Além disso, ele utilizou técnicas inovadoras, como a quebra da quarta parede e a ironia, elementos que desenvolveram para a singularidade de sua escrita. Entre suas obras de destaque, está "Dom Casmurro" (1899), que é famosa por sua narrativa subjetiva e ambígua. A obra gira em torno de Bento Santiago, também conhecido como Dom Casmurro, que narra a história de sua vida, incluindo suas suspeitas sobre a infidelidade de sua esposa, Capitu.