Questões de Concurso
Comentadas sobre período colonial: produção de riqueza e escravismo em história
Foram encontradas 1.185 questões
Qual alternativa preenche, CORRETAMENTE, a lacuna?
I. Rebeliões escravas e indígenas no período colonial e movimentos sociais no Império (como a Sabinada e a Balaiada) já evidenciavam formas de resistência coletiva anteriores ao século XX, desmentindo a visão evolucionista de movimentos sociais “modernos”.
II. O Movimento Operário (fins do XIX e início do XX), Negro (1930–1970), Feminista (1910–1980), Indígena e Ambientalista (1970) e MST (1984) expressam agendas distintas, mas articuladas por demandas por cidadania, redistribuição e reconhecimento.
III. Esses movimentos contribuíram para a Constituição de 1988, para políticas públicas de saúde, educação e igualdade racial, e para a ampliação da esfera pública democrática.
IV. Os movimentos sociais foram incapazes de formar alianças amplas e produzir efeitos duradouros, mantendo-se restritos a reivindicações setoriais e episódicas.
V. A redemocratização dos anos 1980 consolidou um campo de ação coletiva no qual movimentos se articularam em frentes amplas, como na campanha Diretas Já.
Após análise das afirmativas, é correto o que se afirma em:
Com base nas interpretações historiográficas clássicas (Francisco Adolfo de Varnhagen, Capistrano de Abreu, Gilberto Freyre, Caio Prado Júnior, Florestan Fernandes e Nelson Werneck Sodré) e nas perspectivas críticas contemporâneas (História Social, Cultural e estudos subalternos), analise as proposições:
I. A historiografia de Varnhagen, marcada pelo paradigma imperial e eurocêntrico do século XIX, concebeu indígenas e africanos como elementos secundários ou obstáculos ao “projeto civilizador” português, negando-lhes agência histórica.
II. Capistrano de Abreu avançou ao reconhecer a importância dos indígenas e africanos para a formação histórica brasileira, mas manteve um enfoque estrutural centrado na colonização portuguesa, sem incorporar plenamente as experiências subalternas como sujeitos históricos autônomos.
III. Gilberto Freyre destacou a centralidade das relações culturais entre portugueses, indígenas e africanos, valorizando a mestiçagem e os processos de adaptação mútua. Contudo, sua interpretação tende a suavizar as violências coloniais, privilegiando uma leitura harmonizadora das relações raciais.
IV. Caio Prado Júnior, Florestan Fernandes e Nelson Werneck Sodré romperam com as interpretações anteriores ao enfatizarem as estruturas econômicas, sociais e raciais da colonização, destacando a formação dependente e a permanência das hierarquias raciais como elementos estruturantes da sociedade brasileira.
V. As perspectivas contemporâneas da História Social e Cultural — influenciadas por E. P. Thompson, Roger Chartier e pelos estudos subalternos e pós-coloniais — radicalizaram a crítica ao centro colonial, evidenciando estratégias de resistência, agência política e reelaboração cultural de indígenas, africanos e seus descendentes, conectando passado colonial e racismo estrutural contemporâneo.
VI. A historiografia brasileira do século XX, de modo geral, ignorou a temática da resistência subalterna, tratando-a apenas como fenômeno folclórico, sem impacto na formação nacional.
Após análise das proposições, é correto o que se afirma em:
A religiosidade africana e indígena, no contexto colonial brasileiro, manteve práticas sincréticas e festividades, promovendo coesão comunitária e resistência cultural frente à dominação portuguesa. Analise as assertivas abaixo e classifique cada uma como verdadeira (V) ou falsa (F).
(__)A religiosidade afro-indígena preservou práticas e sincretismos que garantiram identidade cultural.
(__)O sincretismo religioso foi inexistente, e as populações indígenas e africanas abandonaram suas tradições.
(__)As manifestações culturais foram reprimidas, mas mantiveram forte presença social.
(__)Não houve resistência cultural, pois todas as práticas foram suprimidas pelo colonialismo.
A sequência CORRETA, de cima para baixo, é:
I – A Monarquia aboliu a escravidão em 1888. Mas a medida atendeu antes a uma necessidade política de preservar a ordem pública ameaçada pela fuga em massa dos escravos.
II – Houve preocupação econômica para atrair mão de obra livre às regiões cafeeiras.
III – No curto período entre a Abolição e a República, o governo imperial implementou políticas efetivas de inclusão e reparação aos ex-escravizados.
Está CORRETO o que se afirma em:
ANTONIL, André João. Cultura e Opulência do Brasil por suas drogas e minas. Belo Horizonte: Itatiaia, 1982, p.85.
Com base no excerto e nos estudos historiográficos sobre a sociedade colonial, é correto afirmar que a estratificação social no Brasil do período se estruturava:
Considerando esse legado e suas permanências históricas, qual alternativa expressa de forma mais adequada a contribuição das culturas africanas para a construção da identidade brasileira?
(1) Revolta dos Beckman
(2) Guerra dos Emboabas
(3) Guerra dos Mascates
(4) Revolta de Vila Rica
( ) Disputa entre paulistas e forasteiros pelo ouro.
( ) Monopólio comercial e restrição à escravidão indígena.
( ) Conflito entre comerciantes de Recife e senhores de engenho de Olinda.
( ) Oposição às Casas de Fundição.
O texto da reportagem a seguir é base para a questão.
Autobiografia de africano escravizado no Brasil é traduzida
Quatro milhões de africanos foram escravizados no Brasil. Apenas Mahommah Baquaqua, porém, registrou, em inglês, sua vida como escravo no país.
POR TORY, 19.11.2015
Mahommah Gardo Baquaqua nasceu em Dijogou, atual região norte do país africano Benim. Muçulmano, era filho de um importante comerciante local, aprendeu a ler e a escrever em uma escola islâmica e atuava em rotas comerciais em seu país de origem. Sua vida, porém, acabou atravessada pelo tráfico e exploração do trabalho escravo, ainda vigente no século XIX.
Escravizado, Baquaqua foi enviado ilegalmente para o Brasil em um navio negreiro, quando o tráfico de pessoas já era proibido em terras tupiniquins. Desembarcou no litoral de Pernambuco em 1845 e passou pelo Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul antes de chegar a Nova York e conseguir a liberdade.
Lá, escreveu, em inglês, a autobiografia que é o único registro conhecido sobre a escravidão no Brasil do ponto de vista de um escravo. Os relatos impressionam. “Fomos arremessados, nus, porão adentro, os homens apinhados de um lado e as mulheres de outro. O porão era tão baixo que não podíamos ficar de pé, éramos obrigados a nos agachar ou sentar no chão. Dia e noite eram iguais para nós, o sono sendo negado devido ao confinamento de nossos corpos”.
Disponível em: https://www.cartacapital.com.br/educacao/unica-autobiografia-de-ex-escravo-no-brasil-etraduzida/?utm_source=chatgpt.com Acesso em 18 de agosto de 2025.
Considere as afirmativas sobre Minas Gerais no período colonial apresentadas a seguir. Registre V, para verdadeiras, e F, para falsas:
(__)Os habitantes de Minas Gerais investiram grande parte de suas economias em engenhos e se dedicaram com exclusividade à produção de açúcar e aguardente durante o século XVIII.
(__)O principal objetivo da Inconfidência Mineira era libertar o Brasil da administração portuguesa, tornando o país uma república liderada pelos grandes comerciantes a partir da cidade do Rio de Janeiro.
(__)A instalação de ordens religiosas regulares na capitania de Minas Gerais durante o período colonial foi proibida no intuito de minimizar o contrabando de metais preciosos.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
I. Os contratos de dízimos eram arrematados em leilão público nas principais vilas, sendo que os arrematantes (contratadores) antecipavam à Coroa o valor estimado da arrecadação anual e depois cobravam diretamente dos produtores rurais.
II. O dízimo incidia sobre a produção agrícola e pecuária na base de 10%, mas na prática, os contratadores frequentemente cobravam taxas superiores, gerando conflitos constantes com senhores de engenho e fazendeiros.
III. Os jesuítas eram isentos do pagamento de dízimos sobre suas propriedades produtivas, privilégio que se tornou uma das principais fontes de tensão entre a Companhia de Jesus e os contratadores leigos.
IV. Durante o período pombalino, a Coroa tentou estatizar parcialmente o sistema, criando as "Juntas da Real Fazenda" que assumiram alguns contratos anteriormente administrados por particulares.
V. Os contratos de dízimos financiavam apenas a administração colonial e manutenção de tropas, representando cerca de 10% da receita colonial.
Estão corretas, apenas:
A chegada dos europeus ao Brasil promoveu também o encontro com os indígenas Tupiniquins, pertencentes à Grande família Tupinambá (tronco Tupi-Guarani) que transmitiram todo o aprendizado sobre si mesmos e sobre os seus inimigos, chamados de tapuias (escravos). Essas impressões sustentaram a distinção entre os grupos indígenas brasileiros entre amigos e hostis, ou entre indígenas do litoral e do sertão. As necessidades econômicas acabaram por promover perseguição e expulsão, assim como o aldeamento e a catequese, sob controle dos jesuítas, para controle da terra e do seu povo originário. Durante o Brasil colonial, Tomé de Souza, padres jesuítas e depois o Marquês de Pombal criaram diretrizes para solucionar a questão indígena e dar segurança à colonização e ao interesse da busca por riquezas no território. Particularmente, as orientações pombalinas expulsaram os jesuítas, criando o Diretório dos índios, regulamentando as funções dos administradores, mantendo a determinação da catequese, e, depois, as Cartas Régias, de 1808, decretaram a “guerra justa” contra os Botocudos de Minas Gerais, autorizaram o cativeiro por 15 anos, a partir do batismo, e concederam terras para os nobres da corte, expulsando ainda mais os indígenas para o interior.
Sobre os indígenas no Brasil colonial, é CORRETO afirmar:
I. As expedições marítimas e comerciais portuguesas realizadas no continente americano viabilizaram a implantação da empresa açucareira no Nordeste, iniciando a colonização do Brasil; as expedições exploratórias e econômicas, chamadas de Entradas e Bandeiras, também levaram à descoberta das riquezas minerais e naturais e à ocupação do interior da colônia.
II. No Piauí, as expedições exploratórias e econômicas levaram à instalação dos engenhos de açúcar, empreendimentos que viabilizaram a formação da sociedade colonial local.
III. As fazendas de gado instaladas no Piauí resultaram de incursões realizadas por criadores de gado e preadores que penetraram pelo interior do Nordeste com a expansão e a conquista de terras empreendidas pela Casa da Torre e pelas expedições de preação.
IV. O processo de colonização do Brasil foi viabilizado por expedições econômicas e de exploração que identificaram as potencialidades naturais do seu território, nas riquezas minerais abundantes no Nordeste e no Centro-Sul da Colônia.
É correto APENAS o que se afirma em:
Fonte: DEL PRIORE, Mary. Deus ou o diabo nas terras do açúcar: o senhor de engenho na América Portuguesa. In. DEL PRIORE, Mary. Revisão do Paraíso: os brasileiros e o Estado em 500 anos de História. Rio de Janeiro: Campus, 2000, p.17
A dinâmica da economia açucareira, no Brasil colonial, caracterizava-se:
Os portugueses chegaram ao Arquipélago de Cabo Verde, em 1492, para lá levaram, então seus compatriotas e escravos africanos."
(MATTOS, Regiane Augusto de. História e cultura afro-brasileira. 2ª edição. São Paulo: Editora contexto, 2012. p.69).
Sobre a escravização dos africanos pelos portugueses é incorreto afirmar: