“Os grupos subalternizados não foram simples objetos da col...

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Q3771478 História
“Os grupos subalternizados não foram simples objetos da colonização, mas sujeitos históricos ativos, que reelaboraram práticas culturais, religiosas e políticas em contextos de dominação.” (DARCY RIBEIRO; SÉRGIO BUARQUE DE HOLANDA; ALENCASTRO).
Com base nas interpretações historiográficas clássicas (Francisco Adolfo de Varnhagen, Capistrano de Abreu, Gilberto Freyre, Caio Prado Júnior, Florestan Fernandes e Nelson Werneck Sodré) e nas perspectivas críticas contemporâneas (História Social, Cultural e estudos subalternos), analise as proposições:
I. A historiografia de Varnhagen, marcada pelo paradigma imperial e eurocêntrico do século XIX, concebeu indígenas e africanos como elementos secundários ou obstáculos ao “projeto civilizador” português, negando-lhes agência histórica.
II. Capistrano de Abreu avançou ao reconhecer a importância dos indígenas e africanos para a formação histórica brasileira, mas manteve um enfoque estrutural centrado na colonização portuguesa, sem incorporar plenamente as experiências subalternas como sujeitos históricos autônomos.
III. Gilberto Freyre destacou a centralidade das relações culturais entre portugueses, indígenas e africanos, valorizando a mestiçagem e os processos de adaptação mútua. Contudo, sua interpretação tende a suavizar as violências coloniais, privilegiando uma leitura harmonizadora das relações raciais.
IV. Caio Prado Júnior, Florestan Fernandes e Nelson Werneck Sodré romperam com as interpretações anteriores ao enfatizarem as estruturas econômicas, sociais e raciais da colonização, destacando a formação dependente e a permanência das hierarquias raciais como elementos estruturantes da sociedade brasileira.
V. As perspectivas contemporâneas da História Social e Cultural — influenciadas por E. P. Thompson, Roger Chartier e pelos estudos subalternos e pós-coloniais — radicalizaram a crítica ao centro colonial, evidenciando estratégias de resistência, agência política e reelaboração cultural de indígenas, africanos e seus descendentes, conectando passado colonial e racismo estrutural contemporâneo.
VI. A historiografia brasileira do século XX, de modo geral, ignorou a temática da resistência subalterna, tratando-a apenas como fenômeno folclórico, sem impacto na formação nacional.
Após análise das proposições, é correto o que se afirma em:
Alternativas

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: O critério decisivo era identificar a única proposição incompatível com a base historiográfica apresentada: a VI, por generalizar indevidamente a suposta ausência de resistência subalterna na historiografia do século XX. Com isso, mantêm-se as demais proposições e a alternativa correta é a D.

Tema central: Historiografia brasileira
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque inclui a VI, que é a proposição falsa, e exclui I, III e V, que são compatíveis com a base historiográfica indicada.
B
Errada
Está errada porque inclui a VI, cuja formulação é insustentável ao universalizar a ideia de que a historiografia do século XX ignorou a resistência subalterna.
C
Errada
Está errada porque inclui a VI e também omite III, IV e V, embora essas proposições sejam compatíveis com as interpretações apresentadas.
D
Certa
A alternativa D está correta porque reúne as proposições compatíveis em nível sintético. A I se sustenta pela caracterização de Varnhagen como autor de matriz imperial e eurocêntrica, com secundarização de indígenas e africanos. A II expressa o avanço parcial de Capistrano de Abreu, mas ainda sem a centralidade da agência subalterna. A III associa Freyre à valorização da mestiçagem e das trocas culturais, com a crítica de suavização das violências coloniais. A IV sintetiza uma convergência crítica entre Caio Prado Júnior, Florestan Fernandes e Nelson Werneck Sodré em torno das estruturas de dominação na formação brasileira. A V corresponde às abordagens contemporâneas da História Social, Cultural e dos estudos subalternos, com ênfase em agência, resistência e reelaboração cultural.
E
Errada
Está errada porque torna verdadeira a VI, que é a única proposição incompatível com a base da questão.
Pegadinha da questão
A armadilha estava na VI: expressões absolutas como "de modo geral", "ignorou" e "apenas" transformam uma formulação ampla em generalização falsa. Também havia risco de rejeitar a IV por sintetizar autores distintos, mas essa leitura é aceitável em chave de prova.
Dica para questões semelhantes
  • Em questões de historiografia, desconfie de universalizações como "de modo geral", "ignorou" e "apenas".
  • Quando a banca agrupa autores diferentes, verifique se a síntese é válida em chave ampla de prova.
  • Reconhecer a importância de grupos subalternizados não é o mesmo que tratá-los como sujeitos históricos autônomos.
  • Nas leituras contemporâneas, a marca decisiva costuma ser a ênfase em agência, resistência e reelaboração cultural.

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