Questões de Concurso
Sobre fundamentos da história : tempo, memória e cultura em história
Foram encontradas 1.451 questões
Marc Bloch, acerca do ofício do historiador, discute a noção de história como problema, além de defender a interdisciplinaridade. A partir das ideias desse autor, leia as afirmativas a seguir.
( ) O autor critica a história narrativa, de influência positivista, e defende o diálogo com outras áreas do conhecimento.
( ) Presente e passado relacionam-se na medida em que os temas do presente condicionam e delimitam o retorno possível ao passado.
( ) A História é uma ciência voltada para o passado, condicionada pela documentação escrita e oficial.
( ) O autor defende a hegemonia da história política, bem como a temporalidade de curta duração para o exercício da profissão.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA, considerando as afirmativas de cima para baixo.
Segundo Proença (1999), o ensino de História pode contribuir para o desenvolvimento pessoal e social do indivíduo, não apenas pelo conteúdo formativo do saber histórico, mas também pela metodologia adotada. Práticas educativas apoiadas em metodologias implicativas que apelem à participação ativa do aluno como sujeito que aprende, tais como o ensino pela descoberta a partir da análise e crítica de fontes, o trabalho de projeto centrado em problemas, o estudo independente e outras práticas autorreguladoras de aprendizagem contribuem para o desenvolvimento do raciocínio crítico e da autonomia pessoal do aluno, que são componentes essenciais da educação cívica.
Apud: José Clécio Silva de Souza, in https://educacaopublica.cecierj.edu.br/artigos/20/37/
Assinale a alternativa correta de acordo com o autor.
No final da década de 2010, novos estudos feitos a partir de DNA fóssil confirmaram uma hipótese a respeito da origem dos primeiros habitantes da América.
Assinale a alternativa que indica corretamente essa teoria.
Texto 01
A produção cultural é o grande legado da humanidade, desde os tempos mais remotos da Pré-História, quando se desenhava e pintava-se nas paredes das cavernas, ou mesmo quando se dançava em volta de uma árvore, ou quando usava-se a sombra, a partir do fogo, para dramatizar, por meio da mímese, ou ainda quando se descobria a produção sonora, para além da natureza, no atrito ou no sopro em ossos que sobrava dos animais, quando lhes serviam de alimento. A produção cultural é o diferencial entre o ser humano e todos os outros animais, pois os humanos, além de terem a capacidade cognitiva, articulam outras capacidades no processo de criação, como a capacidade de simbolizar.
Texto 01
A produção cultural é o grande legado da humanidade, desde os tempos mais remotos da Pré-História, quando se desenhava e pintava-se nas paredes das cavernas, ou mesmo quando se dançava em volta de uma árvore, ou quando usava-se a sombra, a partir do fogo, para dramatizar, por meio da mímese, ou ainda quando se descobria a produção sonora, para além da natureza, no atrito ou no sopro em ossos que sobrava dos animais, quando lhes serviam de alimento. A produção cultural é o diferencial entre o ser humano e todos os outros animais, pois os humanos, além de terem a capacidade cognitiva, articulam outras capacidades no processo de criação, como a capacidade de simbolizar.
Observe as duas imagens a seguir:

Fonte: Mercado de Escravos no Rio de Janeiro. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2023. Disponível em: http://enciclopedia.itaucultural.org.br/obra9872/mercado-de-escravos-no-rio-dejaneiro.

Fonte: https://www.gov.br/palmares/pt-br/assuntos/noticias/cais-do-valongoganha-titulo-de-patrimonio-mundial-da-unesco
A imagem I retrata o Mercado de escravos na cidade do Rio de Janeiro no século XIX. Na cena pintada por Augustus Earle em 1824, estão representados homens em vestimentas próprias das classes abastadas e homens afrodescendentes despidos ou semidespidos em condição de cativo sendo comercializados. A imagem II é uma fotografia atual da mesma região da imagem I, que é o Sitio Arqueológico do Cais do Valongo, onde contém vestígios materiais da presença de afrodescentes escravizados na cidade carioca.
A análise das duas imagens em perspectiva comparada foi proposta por um docente como atividade didática sobre a escravidão, tendo o uso histórico dos espaços urbanos como objeto de estudo.
A respeito dessa atividade, avalie se as afirmativas a seguir são verdadeiras (V) ou falsas (F).
( ) Promove estudos e reflexões sobre a presença na atualidade de elementos materiais e mentais de outros tempos e incentivar reflexões sobre as relações entre presente e passado, entre espaços locais, regionais, nacionais e mundiais;
( ) Promove estudos e reflexões sobre a diversidade de modos de vida e de costumes que convivem na mesma localidade;
( ) Propõe estudos das relações e reflexões que destaquem diferenças, semelhanças, transformações, permanências, continuidades e descontinuidades históricas. Assinale a afirmativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo.
Assinale a afirmativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo.
Atenção: o texto a seguir refere-se à próxima questão.
Sem o querer explicitamente, as ciências sociais impõem-se umas às outras, cada uma tende a abranger completamente o social, em sua "totalidade"; cada uma penetra nas suas vizinhas, acreditando, permanecer em seu próprio campo.
Falarei, longamente, da história, do tempo da história. Menos para os leitores desta revista, especialistas em nossos estudos, do que para nossos vizinhos das ciências do homem: economistas, etnógrafos, etnólogos (ou antropólogos), sociólogos, psicólogos, linguistas, demógrafos, Geógrafos, até mesmo matemáticos sociais ou estatísticos, — todos os vizinhos que, há muitos anos, temos seguido em suas experiências e pesquisas, porque nos parecia (e nos parece ainda) que, colocada em sua dependência ou em seu contacto, a história adquire uma nova luz. Talvez, de nossa parte, tenhamos qualquer coisa a lhes dar. Das experiências e tentativas recentes da história, desprende-se uma noção cada vez mais precisa da multiplicidade do tempo e do valor excepcional do tempo longo. Esta última noção, mais do que a própria história — a história de múltiplas faces — deveria interessar às ciências sociais, nossas vizinhas.
Adaptado de: BRAUDEL, Fernand. História e Ciências Sociais. A longa duração, Annales, n.4, 1958. Tradução de Ana Maria de Almeida Camargo na Revista de História, n.62, 1965.
Atenção: o texto a seguir refere-se à próxima questão.
Sem o querer explicitamente, as ciências sociais impõem-se umas às outras, cada uma tende a abranger completamente o social, em sua "totalidade"; cada uma penetra nas suas vizinhas, acreditando, permanecer em seu próprio campo.
Falarei, longamente, da história, do tempo da história. Menos para os leitores desta revista, especialistas em nossos estudos, do que para nossos vizinhos das ciências do homem: economistas, etnógrafos, etnólogos (ou antropólogos), sociólogos, psicólogos, linguistas, demógrafos, Geógrafos, até mesmo matemáticos sociais ou estatísticos, — todos os vizinhos que, há muitos anos, temos seguido em suas experiências e pesquisas, porque nos parecia (e nos parece ainda) que, colocada em sua dependência ou em seu contacto, a história adquire uma nova luz. Talvez, de nossa parte, tenhamos qualquer coisa a lhes dar. Das experiências e tentativas recentes da história, desprende-se uma noção cada vez mais precisa da multiplicidade do tempo e do valor excepcional do tempo longo. Esta última noção, mais do que a própria história — a história de múltiplas faces — deveria interessar às ciências sociais, nossas vizinhas.
Adaptado de: BRAUDEL, Fernand. História e Ciências Sociais. A longa duração, Annales, n.4, 1958. Tradução de Ana Maria de Almeida Camargo na Revista de História, n.62, 1965.
(Disponível em: https://acervo.cead.ufv.br/conteudo/pdf/ Acesso em: julho de 2024.)
Devido às variações nos currículos escolares referentes ao conteúdo da história, no período da Primeira República, por exemplo:
I. Analisa as condições materiais de existência e de reprodução das sociedades, apresentando as contradições da realidade em relação à compreensão econômica das sociedades, ou seja, suas condições materiais.
II. Os socialistas acreditavam na importância da consciência de classe e suas contradições, para criar um posicionamento (patrícios e plebeus; servos e senhores; burgueses e operários) contra a exploração imposta pelos grupos dominantes.
III. O materialismo histórico não considera a exploração do trabalho e da mais-valia como elementos fundamentais para a compreensão das contradições sociais.
As manifestações culturais desempenham um papel fundamental na construção das identidades sociais e regionais. Considerando as dinâmicas de preservação, transformação e resistência cultural, analise as afirmações abaixo:
I. As manifestações culturais estão em constante processo de transformação, sendo influenciadas por elementos internos e externos, como a globalização, que promove uma fusão de tradições locais com práticas culturais globais.
II. A patrimonialização de práticas culturais, como festas populares e danças tradicionais, pode, paradoxalmente, contribuir tanto para a sua preservação quanto para sua descaracterização, ao transformá-las em produtos turísticos.
III. Movimentos de resistência cultural, como os que ocorrem entre povos indígenas e quilombolas, buscam manter práticas ancestrais intactas, sem nenhuma influência das sociedades dominantes.
IV. A cultura popular, ao contrário da cultura erudita, não sofre influências das mudanças econômicas e tecnológicas, uma vez que é enraizada nas tradições locais.
Sobre essas afirmações, é CORRETO afirmar que:
No estudo da história, diferentes escalas de tempo ajudam a compreender eventos e processos históricos de maneira mais aprofundada. Considere os seguintes exemplos:
I. A Revolução Francesa (1789-1799), que abrange uma série de eventos revolucionários intensos, conflitos e mudanças políticas.
II. O desenvolvimento do Feudalismo na Europa, desde a queda do Império Romano até o início da Era Moderna, refletindo transformações sociais, econômicas e políticas profundas.
III. A Crise de 1929 e seus desdobramentos, que influenciaram as políticas econômicas globais, levando a mudanças no capitalismo e na política social.
Com base nos exemplos acima, relacione cada um com o tipo de escala de tempo histórico que melhor os representa:
Julgue as sentenças abaixo como VERDADEIRAS ou FALSAS.
1.(__) As fontes primárias podem ser textuais, visuais, arqueológicas, materiais e orais, proporcionando múltiplas perspectivas de análise.
2.(__) As fontes secundárias fornecem uma interpretação informada e contextualizada o passado.
3.(__) A análise crítica de fontes primárias e secundárias é fundamental porque representam um relato cronológico de fatos para além de uma interpretação complexa dos eventos e experiências humanas.
A sequência CORRETA é:
Texto II
TÍTULO III Da Declaração de Direitos CAPÍTULO I DOS DIREITOS POLITICOS [...]
Paragrapho unico - Não se podem alistar eleitores:
a) os que não saibam ler e escrever;
[...]
c) os mendigos;
d) os que estiverem, temporaria ou definitivamente, privados dos direitos politicos.
Art. 109. O alistamento e o voto são obrigatorios para os homens, e para as mulheres, quando estas exerçam funcção publica remunerada, sob as sancções e salvas as excepções que a lei determinar.
Art. 110. Suspendem-se os direitos politicos:
[...]
b) pela condemnação criminal, emquanto durarem os seus effeitos.
BRASIL (1934). Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil. Rio de Janeiro, 1934. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao34.htm. Acesso em: 18 jul. 2024.
Ao utilizar o Texto II como uma fonte histórica e o planejamento apontado no Texto I como processo metodológico, a etapa de
Um mulato baiano, muito alto e mulato Filho de um italiano e de uma preta hauçá
Foi aprendendo a ler olhando mundo à volta E prestando atenção no que não estava à vista Assim nasce um comunista
Um mulato baiano que morreu em São Paulo Baleado por homens do poder militar Nas feições que ganhou em solo americano A dita guerra fria, Roma, França e Bahia
VELOSO, Caetano. Um comunista. Abraçaço. São Paulo: Universal Music, 2012. Disponível em: https://g.co/kgs/MVbap4s. Acesso em: 19 jul. 2024.
Texto II
(Carlos Marighella) Essa mensagem é para os operários de São Paulo, da Guanabara, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Sul, incluindo os trabalhadores do interior para criar o núcleo do exército de libertação
[...]
Mártir, o mito ou Maldito sonhador Bandido da minha cor Um novo Messias Se o povo domina ou não Se poucos sabiam ler E eu morrer em vão Leso e louco sem saber Coisas do Brasil, super-herói, mulato
[...]
Da Bahia de São Salvador Brasil Capoeira mata um mata mil, porque Me fez hábil como um cão
[...]
Confesso que queria Ver Davi matar Golias
[...]
Não se faz revolução sem um fura na mão Sem justiça não há paz, é escravidão Revolução no Brasil tem um nome
RACIONAIS MC's. Mil Faces de um Homem Leal (Marighella). São Paulo: Boogie Naipe, 2017. Disponível em: https://g.co/kgs/q8TVV81. Acesso em: 19 jul. 2024.
Incorporar músicas como recurso didático no ensino de História complementa o processo de ensino-aprendizagem. Nesse sentido, o uso das fontes apresentadas no Texto I e Texto II se fundamenta no princípio de que