Questões de Concurso Sobre antropologia
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A tarefa da antropologia do mundo moderno consiste em descrever da mesma maneira como se organizam todos os ramos de nosso governo, aí compreendidos aqueles da natureza e das ciências exatas, e também em explicar como e por que esses ramos se separam, assim como os múltiplos arranjos que os reúnem. O etnólogo de nosso mundo deve colocar-se no ponto comum onde se dividem os papéis, as ações, as competências que irão enfim permitir definir certa entidade como animal ou material, uma outra como sujeito de direito, outra como sendo dotada de consciência, ou maquinal, e outra ainda como inconsciente ou incapaz.
LATOUR, Bruno. Jamais fomos modernos: ensaio de antropologia simétrica. São Paulo: Editora 34, 2019.
O trecho acima apresenta uma característica fundamental de abordagem da antropologia simétrica.
Assinale a opção que indica corretamente esta característica.
[É] nosso modesto parecer que o futuro da noção-mestra da antropologia, a noção de relação, depende da atenção que a disciplina souber prestar aos conceitos de diferença e de multiplicidade, de devir e de síntese disjuntiva. Uma teoria pósestruturalista da relacionalidade, isto é, uma teoria que mantenha o compromisso “infundamental” do estruturalismo com uma ontologia relacional, não pode ignorar (...) as ideias de perspectiva, força, afeto, hábito, evento, processo, preensão, transversalidade, devir e diferença.
VIVEIROS DE CASTRO, E. Metafísicas canibais. São Paulo: Cosac Naify, 2015.
O pensamento pós-estruturalista busca um afastamento crítico de características fundamentais do modelo estruturalista.
Uma dessas características é
Os povos indígenas, tal como os ocidentais, têm uma história, que inclui guerras e migrações, trazendo consigo a redefinição das unidades socioculturais, algumas vezes com a fragmentação e outras com a fusão ou incorporação em unidades maiores. Uma vez que estão situados dentro da história, tais povos passam igualmente por enormes mudanças culturais, que decorrem seja da adaptação a um meio ambiente novo ou modificado (inclusive por suas próprias ações), seja da influência ou troca cultural realizada com povos vizinhos, ou ainda por um dinamismo interno àquelas culturas.
(João Pacheco de Oliveira. Muita terra para
pouco índio? Uma introdução (crítica) ao indigenismo
e à atualização do preconceito. Em: Aracy L. Silva
e Luís D.B. Grupioni, (org.). A temática indígena na escola:
novos subsídios para professores de 1o e 2o graus)
No excerto, o autor critica a ideia de que
GUSMÃO, N. M. M. Antropologia e Educação. v. 43. Campinas, SP: Autores Associados, 1997 (adaptado).
Considerando-se o exposto, é correto afirmar que a Antropologia e a Pedagogia estão relacionadas na medida em que
COHN, C. Antropologia da criança. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2005 (adaptado).
Conforme a concepção de infância apresentada no texto, a criança, como sujeito histórico,
Com esse depoimento, uma professora do primeiro segmento do Ensino Fundamental de uma escola pública do Rio de Janeiro descreveu de que maneira a temática indígena era abordada na escola onde trabalhava.
RUSSO, K.; PALADINO, M. A lei n. 11.645 e a visão dos professores do Rio de Janeiro sobre a temática indígena na escola. Rev. Bras. Educ. v. 21, n. 67, out.-dez. 2016 (adaptado).
Ao se comparar a prática descrita no depoimento com as disposições da Lei n. 11.645/2008, que tornou obrigatório o ensino de História e Cultura dos Povos Indígenas na Educação Básica, verifica-se que a caracterização dos povos originários feita pela professora se confronta com um fundamento teórico-metodológico que deve pautar o ensino da temática indígena.
Nesse caso, a caracterização dos povos originários e o fundamento teórico-metodológico mencionados acima, quando confrontados, expressam, respectivamente,
Omama deu-nos a vida muito antes de criar os brancos, e era também ele que, antes deles, possuía o metal. As primeiras peças de ferro utilizadas por nossos ancestrais foram as que Omama deixou para trás na floresta, quando fugiu para longe. Eles não tinham machados e facões de verdade, como hoje. Amarravam pedaços de ferro usados num cabo para fazer machadinhas. Essas ferramentas eram muito poucas nas casas dos antigos. Só alguns homens mais velhos as possuíam e as deixavam bem guardadas. Trabalhavam com esses pedaços de ferro que chamavam de ferramentas de Omama, porque eram muito resistentes. Naquele tempo era assim. Os objetos dos brancos ainda não estavam por toda parte como agora! Por isso penso hoje na dificuldade do trabalho de nossos maiores e isso me leva a não querer ter muitas mercadorias.
KOPENAWA, D.; ALBERT, B. A queda do céu: a palavra de um xamã Yanomami. São Paulo: Companhia das Letras, 2015. p. 222 (adaptado).
TEXTO 2
Como justificar que somos uma humanidade se mais de 70% estão alienados do mínimo exercício de ser? A modernização jogou essa gente do campo e da floresta para viver em favelas e em periferias, para virar mão de obra em centros urbanos. Essas pessoas foram arrancadas de seus coletivos, de seus lugares de origem, e jogadas nesse liquidificador chamado humanidade. Se as pessoas não tiverem vínculos profundos com sua memória ancestral, com as referências que dão sustentação a uma identidade, vão ficar loucos neste mundo maluco que compartilhamos.
KRENAK, A. Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.
Nesse contexto, para levar os estudantes a refletir sobre as produções e confrontações de saberes em diferentes sociedades, a partir da discussão dos Textos 1 e 2 em sala de aula, um professor do Ensino Médio pode destacar que
BANIWA, G. Educação e povos indígenas no limiar do século XXI: debates e práticas interculturais. Antropologia & Sociedade: Revista do Laboratório de Antropologia, Arqueologia e Bem Viver da UFPE, v. 1, n. 1, 2023 (adaptado).
Nesse sentido, ao elaborar um plano de aula sobre a temática indígena a partir do texto de Gersem Baniwa, apresentado acima, o professor deverá considerar que
um mapa, um receituário, um código, através do qual as pessoas de um dado grupo pensam, classificam, estudam e modificam o mundo e a si mesmas.
(DaMATTA, R. Você tem Cultura? In: DaMATTA, R. Explorações: ensaios de sociologia interpretativa. Rio de Janeiro: Rocco, 1986. p.123.)
Essa definição sublinha a ideia de que a cultura funciona como uma espécie de guia que orienta os comportamentos e as percepções dos indivíduos em uma determinada sociedade. Através desse “mapa”, os membros de uma comunidade são capazes de interpretar a realidade ao seu redor, estabelecer categorias de entendimento e promover mudanças, tanto no ambiente externo quanto em suas próprias identidades. Assim, a cultura não é estática, mas um processo dinâmico de construção e reconstrução contínuas, refletindo a complexidade e a diversidade das experiências humanas. Sobre o conceito de cultura, atribua V (verdadeiro) ou F (falso) às afirmativas a seguir.
( ) A diversidade cultural refere-se à variedade de culturas existentes no mundo, resultante de diferentes formas de vida, crenças, valores e práticas sociais.
( ) A herança cultural de um povo é determinada por fatores biológicos, permanecendo suas experiências sociais ou históricas inalteradas.
( ) O etnocentrismo é a crença de que a cultura de um grupo é superior às outras, o que pode levar à discriminação e ao preconceito contra grupos considerados diferentes.
( ) O relativismo cultural é a ideia de que todas as culturas são igualmente válidas e que os valores e práticas devem ser entendidos em seu próprio contexto.
( ) Uma das principais característica da cultura de uma sociedade é ser imutável, mantendo-se inalterada diante das mudanças sociais, econômicas e políticas.
Assinale a alternativa que contém, de cima para baixo, a sequência correta.
Em relação aos afazeres da Etnoastronomia, assinale a alternativa que apresente um elemento incorreto.