Questões Militares
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TEXTO I
O TEMPO
Rubem Alves
Há duas formas de marcar o tempo. Uma delas foi inventada por homens que amam a precisão dos números, matemáticos, astrônomos, cientistas, técnicos. Para marcar o tempo de forma precisa, eles fabricaram ampulhetas, relógios, cronômetros, calendários. Nesses artefatos técnicos, todos os pedaços do tempo - segundos, minutos, dias, anos - são feitos de uma mesma substância: números, entidades matemáticas. Não há inícios nem fins, apenas a indiferente sucessão de momentos, que nada dizem sobre alegrias e sofrimentos. Apenas um bolso vazio. Nele, a alma não encontra morada.
Nas Olimpíadas, a performance dos corredores e nadadores é medida até os centésimos. Fico a me perguntar: "Como é que conseguem? Que diferença faz?".
A outra foi inventada por homens que sabem que a vida não pode ser medida com calendários e relógios. A vida só pode ser marcada com a vida. Os amantes do Cântico dos Cânticos marcavam o tempo do amor pelos frutos maduros que pendiam das árvores. Quando as folhas dos plátanos ficam amarelas sabemos que o outono chegou. Os ipês-rosas e amarelos anunciam o inverno.
Qual a magia que informa os ipês, todos eles, em lugares muito diferentes, que é hora de perder as folhas e florescer? E sem misturar as cores. Primeiro os rosas, depois os amarelos e, finalmente, os brancos.
Sugeri que algum compositor compusesse uma sinfonia ou uma brincadeira musical em três movimentos. Primeiro movimento, "Ipê-rosa", andante tranquilo, em que os violoncelos cantam a paz e a segurança. Segundo movimento, "Ipê-amarelo", rondo vivace, em que os metais, cores parecidas com a dos ipês, fazem soar a exuberância da vida. Terceiro movimento, "Ipê-branco", moderato, em que o veludo dos oboés cantam a mansidão. Seria bom se nós, como os ipês, nos abrissemos para o amor no inverno.
A precisão dos números marca o tempo das máquinas e do dinheiro. O tempo do amor se marca com o corpo.
Um calendário é coisa precisa: anos, meses, dias, horas, que são marcados com números. Esses números medem o tempo. Mas os pedaços de tempo são bolsos vazios: nada há dentro deles. O bolso vazio do tempo se torna parte do nosso corpo quando o enchemos com vida. Aí o tempo não mais pode ser representado por números. O tempo aparece como um fruto que vai sendo comido: é belo, é colorido, é perfumado. E, à medida que vai sendo comido, vai acabando. Vem a tristeza. O tempo da vida se marca por alegrias e tristezas. Há inícios e há fins.
Tempus fugit, o tempo foge. Portanto, carpe diem: colha o dia como um fruto que amanhä estará podre.
Viver ao ritmo de alegrias e tristezas é ser sábio. "Sapio", no latim, quer dizer, "eu saboreio". O sábio é um degustador da vida. A vida não é para ser medida. Ela é para ser saboreada.
Um texto bíblico diz: "Ensina-nos a contar os nossos dias de tal maneira que alcancemos um coração sábio". Acho que Jesus sorriria se eu acrescentasse ao "Pai-Nosso" outra súplica: "A fruta nossa de cada dia dános hoje...". Caqui, pitanga, morango à beira do abismo, melancia...
Heráclito foi um filósofo grego fascinado pelo tempo. Contemplava o rio e via que tudo é rio. Percebeu que não é possível entrar duas vezes no mesmo rio; na segunda vez, as águas serão outras, o primeiro rio já não existirá. Tudo é água que flui: as montanhas, as casas, as pedras, as árvores, os animais, os filhos, o corpo... Assim é tudo, assim é a vida: tempo que flui sem parar. Daquilo que ele supostamente escreveu, restam apenas fragmentos enigmáticos. Dentre eles, um me encanta: "Tempo é criança brincando, jogando; da criança o reinado".
Para nós, o tempo é um velho, cada vez mais velho, sobre quem se acumulam os anos que passam e de quem a vida foge.
Heráclito, ao contrário, diz que o tempo é criança, início permanente, movimento circular, o fim que volta sempre ao início, fonte de juventude eterna, possibilidade de novo começos.
Tempo é criança? O que o filósofo queria dizer exatamente eu não sei. Mas sei que as crianças odeiam Chronos, o deus dos cronômetros, dos segundos, dos centésimos de segundos. O relógio é o tempo do dever: corpo engaiolado.
ALVES, Rubem. O tempo. In: ALVES, Rubem. Viva a Jabuticaba! Campinas: Papirus, 2012. (Adaptado).
TEXTO I
O TEMPO
Rubem Alves
Há duas formas de marcar o tempo. Uma delas foi inventada por homens que amam a precisão dos números, matemáticos, astrônomos, cientistas, técnicos. Para marcar o tempo de forma precisa, eles fabricaram ampulhetas, relógios, cronômetros, calendários. Nesses artefatos técnicos, todos os pedaços do tempo - segundos, minutos, dias, anos - são feitos de uma mesma substância: números, entidades matemáticas. Não há inícios nem fins, apenas a indiferente sucessão de momentos, que nada dizem sobre alegrias e sofrimentos. Apenas um bolso vazio. Nele, a alma não encontra morada.
Nas Olimpíadas, a performance dos corredores e nadadores é medida até os centésimos. Fico a me perguntar: "Como é que conseguem? Que diferença faz?".
A outra foi inventada por homens que sabem que a vida não pode ser medida com calendários e relógios. A vida só pode ser marcada com a vida. Os amantes do Cântico dos Cânticos marcavam o tempo do amor pelos frutos maduros que pendiam das árvores. Quando as folhas dos plátanos ficam amarelas sabemos que o outono chegou. Os ipês-rosas e amarelos anunciam o inverno.
Qual a magia que informa os ipês, todos eles, em lugares muito diferentes, que é hora de perder as folhas e florescer? E sem misturar as cores. Primeiro os rosas, depois os amarelos e, finalmente, os brancos.
Sugeri que algum compositor compusesse uma sinfonia ou uma brincadeira musical em três movimentos. Primeiro movimento, "Ipê-rosa", andante tranquilo, em que os violoncelos cantam a paz e a segurança. Segundo movimento, "Ipê-amarelo", rondo vivace, em que os metais, cores parecidas com a dos ipês, fazem soar a exuberância da vida. Terceiro movimento, "Ipê-branco", moderato, em que o veludo dos oboés cantam a mansidão. Seria bom se nós, como os ipês, nos abrissemos para o amor no inverno.
A precisão dos números marca o tempo das máquinas e do dinheiro. O tempo do amor se marca com o corpo.
Um calendário é coisa precisa: anos, meses, dias, horas, que são marcados com números. Esses números medem o tempo. Mas os pedaços de tempo são bolsos vazios: nada há dentro deles. O bolso vazio do tempo se torna parte do nosso corpo quando o enchemos com vida. Aí o tempo não mais pode ser representado por números. O tempo aparece como um fruto que vai sendo comido: é belo, é colorido, é perfumado. E, à medida que vai sendo comido, vai acabando. Vem a tristeza. O tempo da vida se marca por alegrias e tristezas. Há inícios e há fins.
Tempus fugit, o tempo foge. Portanto, carpe diem: colha o dia como um fruto que amanhä estará podre.
Viver ao ritmo de alegrias e tristezas é ser sábio. "Sapio", no latim, quer dizer, "eu saboreio". O sábio é um degustador da vida. A vida não é para ser medida. Ela é para ser saboreada.
Um texto bíblico diz: "Ensina-nos a contar os nossos dias de tal maneira que alcancemos um coração sábio". Acho que Jesus sorriria se eu acrescentasse ao "Pai-Nosso" outra súplica: "A fruta nossa de cada dia dános hoje...". Caqui, pitanga, morango à beira do abismo, melancia...
Heráclito foi um filósofo grego fascinado pelo tempo. Contemplava o rio e via que tudo é rio. Percebeu que não é possível entrar duas vezes no mesmo rio; na segunda vez, as águas serão outras, o primeiro rio já não existirá. Tudo é água que flui: as montanhas, as casas, as pedras, as árvores, os animais, os filhos, o corpo... Assim é tudo, assim é a vida: tempo que flui sem parar. Daquilo que ele supostamente escreveu, restam apenas fragmentos enigmáticos. Dentre eles, um me encanta: "Tempo é criança brincando, jogando; da criança o reinado".
Para nós, o tempo é um velho, cada vez mais velho, sobre quem se acumulam os anos que passam e de quem a vida foge.
Heráclito, ao contrário, diz que o tempo é criança, início permanente, movimento circular, o fim que volta sempre ao início, fonte de juventude eterna, possibilidade de novo começos.
Tempo é criança? O que o filósofo queria dizer exatamente eu não sei. Mas sei que as crianças odeiam Chronos, o deus dos cronômetros, dos segundos, dos centésimos de segundos. O relógio é o tempo do dever: corpo engaiolado.
ALVES, Rubem. O tempo. In: ALVES, Rubem. Viva a Jabuticaba! Campinas: Papirus, 2012. (Adaptado).
TEXTO I
O TEMPO
Rubem Alves
Há duas formas de marcar o tempo. Uma delas foi inventada por homens que amam a precisão dos números, matemáticos, astrônomos, cientistas, técnicos. Para marcar o tempo de forma precisa, eles fabricaram ampulhetas, relógios, cronômetros, calendários. Nesses artefatos técnicos, todos os pedaços do tempo - segundos, minutos, dias, anos - são feitos de uma mesma substância: números, entidades matemáticas. Não há inícios nem fins, apenas a indiferente sucessão de momentos, que nada dizem sobre alegrias e sofrimentos. Apenas um bolso vazio. Nele, a alma não encontra morada.
Nas Olimpíadas, a performance dos corredores e nadadores é medida até os centésimos. Fico a me perguntar: "Como é que conseguem? Que diferença faz?".
A outra foi inventada por homens que sabem que a vida não pode ser medida com calendários e relógios. A vida só pode ser marcada com a vida. Os amantes do Cântico dos Cânticos marcavam o tempo do amor pelos frutos maduros que pendiam das árvores. Quando as folhas dos plátanos ficam amarelas sabemos que o outono chegou. Os ipês-rosas e amarelos anunciam o inverno.
Qual a magia que informa os ipês, todos eles, em lugares muito diferentes, que é hora de perder as folhas e florescer? E sem misturar as cores. Primeiro os rosas, depois os amarelos e, finalmente, os brancos.
Sugeri que algum compositor compusesse uma sinfonia ou uma brincadeira musical em três movimentos. Primeiro movimento, "Ipê-rosa", andante tranquilo, em que os violoncelos cantam a paz e a segurança. Segundo movimento, "Ipê-amarelo", rondo vivace, em que os metais, cores parecidas com a dos ipês, fazem soar a exuberância da vida. Terceiro movimento, "Ipê-branco", moderato, em que o veludo dos oboés cantam a mansidão. Seria bom se nós, como os ipês, nos abrissemos para o amor no inverno.
A precisão dos números marca o tempo das máquinas e do dinheiro. O tempo do amor se marca com o corpo.
Um calendário é coisa precisa: anos, meses, dias, horas, que são marcados com números. Esses números medem o tempo. Mas os pedaços de tempo são bolsos vazios: nada há dentro deles. O bolso vazio do tempo se torna parte do nosso corpo quando o enchemos com vida. Aí o tempo não mais pode ser representado por números. O tempo aparece como um fruto que vai sendo comido: é belo, é colorido, é perfumado. E, à medida que vai sendo comido, vai acabando. Vem a tristeza. O tempo da vida se marca por alegrias e tristezas. Há inícios e há fins.
Tempus fugit, o tempo foge. Portanto, carpe diem: colha o dia como um fruto que amanhä estará podre.
Viver ao ritmo de alegrias e tristezas é ser sábio. "Sapio", no latim, quer dizer, "eu saboreio". O sábio é um degustador da vida. A vida não é para ser medida. Ela é para ser saboreada.
Um texto bíblico diz: "Ensina-nos a contar os nossos dias de tal maneira que alcancemos um coração sábio". Acho que Jesus sorriria se eu acrescentasse ao "Pai-Nosso" outra súplica: "A fruta nossa de cada dia dános hoje...". Caqui, pitanga, morango à beira do abismo, melancia...
Heráclito foi um filósofo grego fascinado pelo tempo. Contemplava o rio e via que tudo é rio. Percebeu que não é possível entrar duas vezes no mesmo rio; na segunda vez, as águas serão outras, o primeiro rio já não existirá. Tudo é água que flui: as montanhas, as casas, as pedras, as árvores, os animais, os filhos, o corpo... Assim é tudo, assim é a vida: tempo que flui sem parar. Daquilo que ele supostamente escreveu, restam apenas fragmentos enigmáticos. Dentre eles, um me encanta: "Tempo é criança brincando, jogando; da criança o reinado".
Para nós, o tempo é um velho, cada vez mais velho, sobre quem se acumulam os anos que passam e de quem a vida foge.
Heráclito, ao contrário, diz que o tempo é criança, início permanente, movimento circular, o fim que volta sempre ao início, fonte de juventude eterna, possibilidade de novo começos.
Tempo é criança? O que o filósofo queria dizer exatamente eu não sei. Mas sei que as crianças odeiam Chronos, o deus dos cronômetros, dos segundos, dos centésimos de segundos. O relógio é o tempo do dever: corpo engaiolado.
ALVES, Rubem. O tempo. In: ALVES, Rubem. Viva a Jabuticaba! Campinas: Papirus, 2012. (Adaptado).
"O bolso vazio do tempo se torna parte do nosso corpo quando o enchemos com vida. Aí o tempo não mais pode ser representado por números." (§7)
TEXTO I
O TEMPO
Rubem Alves
Há duas formas de marcar o tempo. Uma delas foi inventada por homens que amam a precisão dos números, matemáticos, astrônomos, cientistas, técnicos. Para marcar o tempo de forma precisa, eles fabricaram ampulhetas, relógios, cronômetros, calendários. Nesses artefatos técnicos, todos os pedaços do tempo - segundos, minutos, dias, anos - são feitos de uma mesma substância: números, entidades matemáticas. Não há inícios nem fins, apenas a indiferente sucessão de momentos, que nada dizem sobre alegrias e sofrimentos. Apenas um bolso vazio. Nele, a alma não encontra morada.
Nas Olimpíadas, a performance dos corredores e nadadores é medida até os centésimos. Fico a me perguntar: "Como é que conseguem? Que diferença faz?".
A outra foi inventada por homens que sabem que a vida não pode ser medida com calendários e relógios. A vida só pode ser marcada com a vida. Os amantes do Cântico dos Cânticos marcavam o tempo do amor pelos frutos maduros que pendiam das árvores. Quando as folhas dos plátanos ficam amarelas sabemos que o outono chegou. Os ipês-rosas e amarelos anunciam o inverno.
Qual a magia que informa os ipês, todos eles, em lugares muito diferentes, que é hora de perder as folhas e florescer? E sem misturar as cores. Primeiro os rosas, depois os amarelos e, finalmente, os brancos.
Sugeri que algum compositor compusesse uma sinfonia ou uma brincadeira musical em três movimentos. Primeiro movimento, "Ipê-rosa", andante tranquilo, em que os violoncelos cantam a paz e a segurança. Segundo movimento, "Ipê-amarelo", rondo vivace, em que os metais, cores parecidas com a dos ipês, fazem soar a exuberância da vida. Terceiro movimento, "Ipê-branco", moderato, em que o veludo dos oboés cantam a mansidão. Seria bom se nós, como os ipês, nos abrissemos para o amor no inverno.
A precisão dos números marca o tempo das máquinas e do dinheiro. O tempo do amor se marca com o corpo.
Um calendário é coisa precisa: anos, meses, dias, horas, que são marcados com números. Esses números medem o tempo. Mas os pedaços de tempo são bolsos vazios: nada há dentro deles. O bolso vazio do tempo se torna parte do nosso corpo quando o enchemos com vida. Aí o tempo não mais pode ser representado por números. O tempo aparece como um fruto que vai sendo comido: é belo, é colorido, é perfumado. E, à medida que vai sendo comido, vai acabando. Vem a tristeza. O tempo da vida se marca por alegrias e tristezas. Há inícios e há fins.
Tempus fugit, o tempo foge. Portanto, carpe diem: colha o dia como um fruto que amanhä estará podre.
Viver ao ritmo de alegrias e tristezas é ser sábio. "Sapio", no latim, quer dizer, "eu saboreio". O sábio é um degustador da vida. A vida não é para ser medida. Ela é para ser saboreada.
Um texto bíblico diz: "Ensina-nos a contar os nossos dias de tal maneira que alcancemos um coração sábio". Acho que Jesus sorriria se eu acrescentasse ao "Pai-Nosso" outra súplica: "A fruta nossa de cada dia dános hoje...". Caqui, pitanga, morango à beira do abismo, melancia...
Heráclito foi um filósofo grego fascinado pelo tempo. Contemplava o rio e via que tudo é rio. Percebeu que não é possível entrar duas vezes no mesmo rio; na segunda vez, as águas serão outras, o primeiro rio já não existirá. Tudo é água que flui: as montanhas, as casas, as pedras, as árvores, os animais, os filhos, o corpo... Assim é tudo, assim é a vida: tempo que flui sem parar. Daquilo que ele supostamente escreveu, restam apenas fragmentos enigmáticos. Dentre eles, um me encanta: "Tempo é criança brincando, jogando; da criança o reinado".
Para nós, o tempo é um velho, cada vez mais velho, sobre quem se acumulam os anos que passam e de quem a vida foge.
Heráclito, ao contrário, diz que o tempo é criança, início permanente, movimento circular, o fim que volta sempre ao início, fonte de juventude eterna, possibilidade de novo começos.
Tempo é criança? O que o filósofo queria dizer exatamente eu não sei. Mas sei que as crianças odeiam Chronos, o deus dos cronômetros, dos segundos, dos centésimos de segundos. O relógio é o tempo do dever: corpo engaiolado.
ALVES, Rubem. O tempo. In: ALVES, Rubem. Viva a Jabuticaba! Campinas: Papirus, 2012. (Adaptado).
TEXTO I
O TEMPO
Rubem Alves
Há duas formas de marcar o tempo. Uma delas foi inventada por homens que amam a precisão dos números, matemáticos, astrônomos, cientistas, técnicos. Para marcar o tempo de forma precisa, eles fabricaram ampulhetas, relógios, cronômetros, calendários. Nesses artefatos técnicos, todos os pedaços do tempo - segundos, minutos, dias, anos - são feitos de uma mesma substância: números, entidades matemáticas. Não há inícios nem fins, apenas a indiferente sucessão de momentos, que nada dizem sobre alegrias e sofrimentos. Apenas um bolso vazio. Nele, a alma não encontra morada.
Nas Olimpíadas, a performance dos corredores e nadadores é medida até os centésimos. Fico a me perguntar: "Como é que conseguem? Que diferença faz?".
A outra foi inventada por homens que sabem que a vida não pode ser medida com calendários e relógios. A vida só pode ser marcada com a vida. Os amantes do Cântico dos Cânticos marcavam o tempo do amor pelos frutos maduros que pendiam das árvores. Quando as folhas dos plátanos ficam amarelas sabemos que o outono chegou. Os ipês-rosas e amarelos anunciam o inverno.
Qual a magia que informa os ipês, todos eles, em lugares muito diferentes, que é hora de perder as folhas e florescer? E sem misturar as cores. Primeiro os rosas, depois os amarelos e, finalmente, os brancos.
Sugeri que algum compositor compusesse uma sinfonia ou uma brincadeira musical em três movimentos. Primeiro movimento, "Ipê-rosa", andante tranquilo, em que os violoncelos cantam a paz e a segurança. Segundo movimento, "Ipê-amarelo", rondo vivace, em que os metais, cores parecidas com a dos ipês, fazem soar a exuberância da vida. Terceiro movimento, "Ipê-branco", moderato, em que o veludo dos oboés cantam a mansidão. Seria bom se nós, como os ipês, nos abrissemos para o amor no inverno.
A precisão dos números marca o tempo das máquinas e do dinheiro. O tempo do amor se marca com o corpo.
Um calendário é coisa precisa: anos, meses, dias, horas, que são marcados com números. Esses números medem o tempo. Mas os pedaços de tempo são bolsos vazios: nada há dentro deles. O bolso vazio do tempo se torna parte do nosso corpo quando o enchemos com vida. Aí o tempo não mais pode ser representado por números. O tempo aparece como um fruto que vai sendo comido: é belo, é colorido, é perfumado. E, à medida que vai sendo comido, vai acabando. Vem a tristeza. O tempo da vida se marca por alegrias e tristezas. Há inícios e há fins.
Tempus fugit, o tempo foge. Portanto, carpe diem: colha o dia como um fruto que amanhä estará podre.
Viver ao ritmo de alegrias e tristezas é ser sábio. "Sapio", no latim, quer dizer, "eu saboreio". O sábio é um degustador da vida. A vida não é para ser medida. Ela é para ser saboreada.
Um texto bíblico diz: "Ensina-nos a contar os nossos dias de tal maneira que alcancemos um coração sábio". Acho que Jesus sorriria se eu acrescentasse ao "Pai-Nosso" outra súplica: "A fruta nossa de cada dia dános hoje...". Caqui, pitanga, morango à beira do abismo, melancia...
Heráclito foi um filósofo grego fascinado pelo tempo. Contemplava o rio e via que tudo é rio. Percebeu que não é possível entrar duas vezes no mesmo rio; na segunda vez, as águas serão outras, o primeiro rio já não existirá. Tudo é água que flui: as montanhas, as casas, as pedras, as árvores, os animais, os filhos, o corpo... Assim é tudo, assim é a vida: tempo que flui sem parar. Daquilo que ele supostamente escreveu, restam apenas fragmentos enigmáticos. Dentre eles, um me encanta: "Tempo é criança brincando, jogando; da criança o reinado".
Para nós, o tempo é um velho, cada vez mais velho, sobre quem se acumulam os anos que passam e de quem a vida foge.
Heráclito, ao contrário, diz que o tempo é criança, início permanente, movimento circular, o fim que volta sempre ao início, fonte de juventude eterna, possibilidade de novo começos.
Tempo é criança? O que o filósofo queria dizer exatamente eu não sei. Mas sei que as crianças odeiam Chronos, o deus dos cronômetros, dos segundos, dos centésimos de segundos. O relógio é o tempo do dever: corpo engaiolado.
ALVES, Rubem. O tempo. In: ALVES, Rubem. Viva a Jabuticaba! Campinas: Papirus, 2012. (Adaptado).
TEXTO I
O TEMPO
Rubem Alves
Há duas formas de marcar o tempo. Uma delas foi inventada por homens que amam a precisão dos números, matemáticos, astrônomos, cientistas, técnicos. Para marcar o tempo de forma precisa, eles fabricaram ampulhetas, relógios, cronômetros, calendários. Nesses artefatos técnicos, todos os pedaços do tempo - segundos, minutos, dias, anos - são feitos de uma mesma substância: números, entidades matemáticas. Não há inícios nem fins, apenas a indiferente sucessão de momentos, que nada dizem sobre alegrias e sofrimentos. Apenas um bolso vazio. Nele, a alma não encontra morada.
Nas Olimpíadas, a performance dos corredores e nadadores é medida até os centésimos. Fico a me perguntar: "Como é que conseguem? Que diferença faz?".
A outra foi inventada por homens que sabem que a vida não pode ser medida com calendários e relógios. A vida só pode ser marcada com a vida. Os amantes do Cântico dos Cânticos marcavam o tempo do amor pelos frutos maduros que pendiam das árvores. Quando as folhas dos plátanos ficam amarelas sabemos que o outono chegou. Os ipês-rosas e amarelos anunciam o inverno.
Qual a magia que informa os ipês, todos eles, em lugares muito diferentes, que é hora de perder as folhas e florescer? E sem misturar as cores. Primeiro os rosas, depois os amarelos e, finalmente, os brancos.
Sugeri que algum compositor compusesse uma sinfonia ou uma brincadeira musical em três movimentos. Primeiro movimento, "Ipê-rosa", andante tranquilo, em que os violoncelos cantam a paz e a segurança. Segundo movimento, "Ipê-amarelo", rondo vivace, em que os metais, cores parecidas com a dos ipês, fazem soar a exuberância da vida. Terceiro movimento, "Ipê-branco", moderato, em que o veludo dos oboés cantam a mansidão. Seria bom se nós, como os ipês, nos abrissemos para o amor no inverno.
A precisão dos números marca o tempo das máquinas e do dinheiro. O tempo do amor se marca com o corpo.
Um calendário é coisa precisa: anos, meses, dias, horas, que são marcados com números. Esses números medem o tempo. Mas os pedaços de tempo são bolsos vazios: nada há dentro deles. O bolso vazio do tempo se torna parte do nosso corpo quando o enchemos com vida. Aí o tempo não mais pode ser representado por números. O tempo aparece como um fruto que vai sendo comido: é belo, é colorido, é perfumado. E, à medida que vai sendo comido, vai acabando. Vem a tristeza. O tempo da vida se marca por alegrias e tristezas. Há inícios e há fins.
Tempus fugit, o tempo foge. Portanto, carpe diem: colha o dia como um fruto que amanhä estará podre.
Viver ao ritmo de alegrias e tristezas é ser sábio. "Sapio", no latim, quer dizer, "eu saboreio". O sábio é um degustador da vida. A vida não é para ser medida. Ela é para ser saboreada.
Um texto bíblico diz: "Ensina-nos a contar os nossos dias de tal maneira que alcancemos um coração sábio". Acho que Jesus sorriria se eu acrescentasse ao "Pai-Nosso" outra súplica: "A fruta nossa de cada dia dános hoje...". Caqui, pitanga, morango à beira do abismo, melancia...
Heráclito foi um filósofo grego fascinado pelo tempo. Contemplava o rio e via que tudo é rio. Percebeu que não é possível entrar duas vezes no mesmo rio; na segunda vez, as águas serão outras, o primeiro rio já não existirá. Tudo é água que flui: as montanhas, as casas, as pedras, as árvores, os animais, os filhos, o corpo... Assim é tudo, assim é a vida: tempo que flui sem parar. Daquilo que ele supostamente escreveu, restam apenas fragmentos enigmáticos. Dentre eles, um me encanta: "Tempo é criança brincando, jogando; da criança o reinado".
Para nós, o tempo é um velho, cada vez mais velho, sobre quem se acumulam os anos que passam e de quem a vida foge.
Heráclito, ao contrário, diz que o tempo é criança, início permanente, movimento circular, o fim que volta sempre ao início, fonte de juventude eterna, possibilidade de novo começos.
Tempo é criança? O que o filósofo queria dizer exatamente eu não sei. Mas sei que as crianças odeiam Chronos, o deus dos cronômetros, dos segundos, dos centésimos de segundos. O relógio é o tempo do dever: corpo engaiolado.
ALVES, Rubem. O tempo. In: ALVES, Rubem. Viva a Jabuticaba! Campinas: Papirus, 2012. (Adaptado).
Seguindo as regras de conjugação verbal da norma culta da Lingua Portuguesa, a opção que completa corretamente os espaços das orações abaixo é:
1 - A paixão ______ minha alma com toda sua força consumidora.
2 - O advogado da família _______ a partilha da herança.
3 - O veredito do júri _______ de caso para caso.
4 - A menina, muito vaidosa, _______ seu cabelo todas as manhãs.
Read text VI to answer question.
The internet went into overdrive when the song "Heart on My Sleeve" first dropped in 2023. Fans were on cloud nine, fully convinced that Drake and The Weeknd had just casually dropped a surprise collaboration. Social media lit up with excitement as listeners praised the track, thinking it was another hit from two of music's biggest creators - and could a whole album be on the way?
But as the song racked up millions of streams on TikTok, the truth surfaced this wasn't a new Drake and The Weeknd collab.
AI-generated music is a polarizing topic; depending on who you ask, it's either the next big innovation or a cultural catastrophe waiting to happen.
These technologically capable algorithms compose everything from background music to full-fledged songs.
But here's the flip side: AI doesn't understand human emotion.
Looking out for tomorrow, what does AI mean for the future of creativity?
As AI continues to evolve, artists and creators will have to find ways to use AI as a tool while ensuring that the heart of music its ability to move, inspire, and connect remains in human hands.
Adapted from
Read text VII to answer question.

The Versificator - acrylic on canvas 600mm x 600mm
The title for this painting comes from George Orwell's dystopian novel Nineteen Eighty Four and refers to a fictional device employed by Ingsoc, the ruling party of Oceania. Its primary purpose is to act as a 'writing machine' to produce both literature and music, whose target audience is the working-class people. The Versificator provides a means of creating output without having any of the party members actually engaged in a creative thought, as it can be seen in the excerpt from Orwell's book:
"The tune had been haunting London for weeks past. It was one of countless similar songs published for the benefit of the proles by a sub-section of the Music Department. The words of these songs were composed without any human intervention whatever on an instrument known as a Versificator. But the woman sang so tunefully as to turn the dreadful rubbish into an almost pleasant sound."
Adapted from: https://www.shardcore.org/spx/2023/11/08/the-versificator/
It is possible to state that both modern Artificial Intelligence and the Versificator machine, in George Orwell's Nineteen Eighty Four, are capable of writing songs that:
Read text VII to answer question.

The Versificator - acrylic on canvas 600mm x 600mm
The title for this painting comes from George Orwell's dystopian novel Nineteen Eighty Four and refers to a fictional device employed by Ingsoc, the ruling party of Oceania.
"The tune had been haunting London for weeks past.
Adapted from:
Read text VI to answer question.
The internet went into overdrive when the song "Heart on My Sleeve" first dropped in 2023.
But as the song racked up millions of streams on TikTok, the truth surfaced this wasn't a new Drake and The Weeknd collab.
AI-generated music is a polarizing topic; depending on who you ask, it's either the next big innovation or a cultural catastrophe waiting to happen.
These technologically capable algorithms compose everything from background music to full-fledged songs.
But here's the flip side: AI doesn't understand human emotion.
Looking out for tomorrow, what does AI mean for the future of creativity?
As AI continues to evolve, artists and creators will have to find ways to use AI as a tool while ensuring that the heart of music its ability to move, inspire, and connect remains in human hands.
Adapted from
Read text VI to answer question.
The internet went into overdrive when the song "Heart on My Sleeve" first dropped in 2023.
But as the song racked up millions of streams on TikTok, the truth surfaced this wasn't a new Drake and The Weeknd collab.
AI-generated music is a polarizing topic; depending on who you ask, it's either the next big innovation or a cultural catastrophe waiting to happen.
These technologically capable algorithms compose everything from background music to full-fledged songs.
But here's the flip side: AI doesn't understand human emotion.
Looking out for tomorrow, what does AI mean for the future of creativity?
As AI continues to evolve, artists and creators will have to find ways to use AI as a tool while ensuring that the heart of music its ability to move, inspire, and connect remains in human hands.
Adapted from
Read text VI to answer question.
The internet went into overdrive when the song "Heart on My Sleeve" first dropped in 2023.
But as the song racked up millions of streams on TikTok, the truth surfaced this wasn't a new Drake and The Weeknd collab.
AI-generated music is a polarizing topic; depending on who you ask, it's either the next big innovation or a cultural catastrophe waiting to happen.
These technologically capable algorithms compose everything from background music to full-fledged songs.
But here's the flip side: AI doesn't understand human emotion.
Looking out for tomorrow, what does AI mean for the future of creativity?
As AI continues to evolve, artists and creators will have to find ways to use AI as a tool while ensuring that the heart of music its ability to move, inspire, and connect remains in human hands.
Adapted from
Read text V to answer question.
More than 58,000 Brazilians are living in Ireland with a growing number working in professional roles, a quarter having Irish partners and more than 40 per cent saying they do not intend to return to Brazil, according to a new report.
The survey, published on Friday by Brazil's embassy in Ireland, suggests 78.5 per cent of the estimated 58,500 Brazilians living in the State have arrived since 2016.
Despite high levels of fluency in English, participation in the workforce and social engagement with Irish people, 56 per cent of the respondents said they had experienced discrimination.
The survey findings suggest there has been a substantial evolution in the type of work being undertaken since Brazilians arrived in the 1990s to work in Irish meat processing plants and on construction sites.
It found 61 per cent of Brazilians in Ireland live in Dublin, with 8 per cent in Cork.
Mr. Biato described the research as "the first of its kind, a pioneering effort to provide a detailed profile of Brazilians living in this country".
With the research suggesting more than 80 per cent maintain strong links to home or their culture, Mr. Biato said the embassy was working to support a new generation of Brazilian-Irish who he hoped would be "true ambassadors of their dual inheritance".
Adapted from
Read text V to answer question.
More than 58,000 Brazilians are living in Ireland with a growing number working in professional roles, a quarter having Irish partners and more than 40 per cent saying they do not intend to return to Brazil, according to a new report.
The survey, published on Friday by Brazil's embassy in Ireland, suggests 78.5 per cent of the estimated 58,500 Brazilians living in the State have arrived since 2016.
Despite high levels of fluency in English, participation in the workforce and social engagement with Irish people, 56 per cent of the respondents said they had experienced discrimination.
The survey findings suggest there has been a substantial evolution in the type of work being undertaken since Brazilians arrived in the 1990s to work in Irish meat processing plants and on construction sites.
It found 61 per cent of Brazilians in Ireland live in Dublin, with 8 per cent in Cork.
Mr. Biato described the research as "the first of its kind, a pioneering effort to provide a detailed profile of Brazilians living in this country".
With the research suggesting more than 80 per cent maintain strong links to home or their culture, Mr. Biato said the embassy was working to support a new generation of Brazilian-Irish who he hoped would be "true ambassadors of their dual inheritance".
Adapted from
Read text V to answer question.
More than 58,000 Brazilians are living in Ireland with a growing number working in professional roles, a quarter having Irish partners and more than 40 per cent saying they do not intend to return to Brazil, according to a new report.
The survey, published on Friday by Brazil's embassy in Ireland, suggests 78.5 per cent of the estimated 58,500 Brazilians living in the State have arrived since 2016.
Despite high levels of fluency in English, participation in the workforce and social engagement with Irish people, 56 per cent of the respondents said they had experienced discrimination.
The survey findings suggest there has been a substantial evolution in the type of work being undertaken since Brazilians arrived in the 1990s to work in Irish meat processing plants and on construction sites.
It found 61 per cent of Brazilians in Ireland live in Dublin, with 8 per cent in Cork.
Mr. Biato described the research as "the first of its kind, a pioneering effort to provide a detailed profile of Brazilians living in this country".
With the research suggesting more than 80 per cent maintain strong links to home or their culture, Mr. Biato said the embassy was working to support a new generation of Brazilian-Irish who he hoped would be "true ambassadors of their dual inheritance".
Adapted from
In the sentence "In order to contribute with the defense and sovereignty over Brazilian Jurisdictional Waters" (1st paragraph), the underlined phrase is used to express:
Read text III to answer question
Cross-country skiing: "It means everything. It's the whole
universe to me," says Bruna Moura
At the age of 31, Brazilian Bruna Moura realized her Olympic dream.
For the Olympic debut, the Brazilian slipped a photo of her best friend, who died suddenly of a pulmonary embolism, under her wetsuit.
More than just a result, Milan/Cortina marks the culmination of a lifetime of fighting.
Adapted from
Read text III to answer question
Cross-country skiing: "It means everything. It's the whole
universe to me," says Bruna Moura
At the age of 31, Brazilian Bruna Moura realized her Olympic dream.
For the Olympic debut, the Brazilian slipped a photo of her best friend, who died suddenly of a pulmonary embolism, under her wetsuit.
More than just a result, Milan/Cortina marks the culmination of a lifetime of fighting.
Adapted from
Read text II to answer question.
Bruna Moura nearly died trying to get to the Olympics. Now
she's back on her skis.
By Nic Zaccardi
Published February 23, 2023
Back in 2011, Moura, then 17, was a promising mountain biker.
During her recovery, Brazilian sports officials gifted her equipment for roller skiing, which cross-country skiers use for summer training.
In 2015, Moura competed at the world junior championship in biathlon.
She competed in her first world championship in cross-country skiing in 2017 and by January 2022 was in contention for the second and last Brazil women's Olympic berth.
Two days later, Moura tested positive for COVID-19 with symptoms that were not life-threatening.
She remembers details about that morning that altered their estimated arrival time.
Yevgeny drove fast enough that Moura became afraid and instinctively looked for the seatbelt.
About an hour later, Moura woke up.
Images showed the van up against a guard rail.
A
After two surgeries, she was discharged the next week and taken 11 hours by ambulance taxi to the Netherlands, where she lives with Luiten. They rented a hospital bed and put it in the living room. The first night was the worst. "All night it was just moaning from pain," said Luiten, who slept on a couch in the room. "That did not stop until the morning." She was prescribed stronger medication the next day. That's about the time the Olympics began. "I wanted to watch it," she said. "At first, it was not easy. The Opening Ceremony was like a punch in my face."
Luiten said they watched the Games on TV all day every day.
She spent most of her time in bed for those first three weeks, the rest in a wheelchair.
Also that summer, she began working at a bike shop and then taking kickboxing classes.
In the fall, Moura ran for the first time since the accident.
Moura said she asks herself daily why she continues this pursuit, which began as a mountain biker more than a decade ago.
Adapted from
Read text II to answer question.
Bruna Moura nearly died trying to get to the Olympics. Now
she's back on her skis.
By Nic Zaccardi
Published February 23, 2023
Back in 2011, Moura, then 17, was a promising mountain biker.
During her recovery, Brazilian sports officials gifted her equipment for roller skiing, which cross-country skiers use for summer training.
In 2015, Moura competed at the world junior championship in biathlon.
She competed in her first world championship in cross-country skiing in 2017 and by January 2022 was in contention for the second and last Brazil women's Olympic berth.
Two days later, Moura tested positive for COVID-19 with symptoms that were not life-threatening.
She remembers details about that morning that altered their estimated arrival time.
Yevgeny drove fast enough that Moura became afraid and instinctively looked for the seatbelt.
About an hour later, Moura woke up.
Images showed the van up against a guard rail.
A
After two surgeries, she was discharged the next week and taken 11 hours by ambulance taxi to the Netherlands, where she lives with Luiten. They rented a hospital bed and put it in the living room. The first night was the worst. "All night it was just moaning from pain," said Luiten, who slept on a couch in the room. "That did not stop until the morning." She was prescribed stronger medication the next day. That's about the time the Olympics began. "I wanted to watch it," she said. "At first, it was not easy. The Opening Ceremony was like a punch in my face."
Luiten said they watched the Games on TV all day every day.
She spent most of her time in bed for those first three weeks, the rest in a wheelchair.
Also that summer, she began working at a bike shop and then taking kickboxing classes.
In the fall, Moura ran for the first time since the accident.
Moura said she asks herself daily why she continues this pursuit, which began as a mountain biker more than a decade ago.
Adapted from
Say if the statements below are true (T) or false (F) about the athlete Bruna Moura and then mark the correct option.
( ) She tested positive for COVID-19 shortly before the 2022 Olympics.
( ) She represented Brazil at the 2016 Rio Games, racing cross-country skiing.
( ) She had an accident in 2022, in which her coach did not survive.
( ) She was not wearing a seat belt when the car accident happened.