No verso “Para fingir que inda é gente”, há uma pressuposiçã...

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Q1334292 Português
Com base no Texto, responda a questão.

TEXTO VI
Quantas vezes a memória
Para fingir que inda é gente,
Nos conta uma grande história
Em que ninguém está presente.
(PESSOA, Fernando. Quadras ao Gosto Popular. Lisboa: Ática. 1973. p. 57.)
No verso “Para fingir que inda é gente”, há uma pressuposição. Esse pressuposto consiste em a memória
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Comentário da Questão – Pressuposição e Interpretação de Texto

Tema central: A questão explora interpretação de texto, com foco em pressuposição. Isso requer atenção ao que está subentendido no discurso, segundo a norma-padrão.

O que é Pressuposição?
Segundo Bechara, a pressuposição é uma informação implícita, não dita mas necessária para o entendimento de uma frase. Exemplo: em “João parou de fumar”, pressupõe-se que ele já fumou.

Análise do verso:
A frase “Para fingir que inda é gente” contém dois elementos importantes:

  • “inda” = forma arcaica de “ainda”, indicando continuidade de estado anterior;
  • “fingir” = simular uma condição que não mais existe.

Se a memória “finge que ainda é gente”, está implícito que já foi “gente” algum dia.

Justificativa da alternativa correta (B):
A alternativa B) ter sido gente capta a pressuposição central: a memória tenta manter uma aparência de “gente” porque um dia o foi. Esse sentido implícito está em conformidade com o conceito de pressuposição tratado em gramáticas como Cunha & Cintra: “Toda pressuposição é um fato tomado como já existente no plano subjacente ao enunciado.”

Análise crítica das alternativas incorretas:
A) Ser confiável – Não há nada no texto sobre confiança.
C) Diferenciar-nos – O verso não sugere uma função de distinção.
D) Interferir na história – Não é dito que a memória altera os fatos.
E) Colocar-nos em movimento – Não há indicação de ação motivada pela memória.

Estratégia para provas: Quando encontrar o termo “fingir” ou “ainda” em questões, avalie o que já deve ter ocorrido anteriormente para que faça sentido o fingimento ou a continuidade. Estas palavras ativam causas subentendidas!

Referências: Bechara, E. Moderna Gramática Portuguesa; Cunha & Cintra, Nova Gramática do Português Contemporâneo.

Resumo: A resposta correta é B) ter sido gente, pois o verso pressupõe que a memória já foi “gente” antes.

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