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Q851057 Português

                             Dialética da mudança


      Certamente porque não é fácil compreender certas questões, as pessoas tendem a aceitar algumas afirmações como verdades indiscutíveis e até mesmo a irritar-se quando alguém insiste em discuti-las. É natural que isso aconteça, quando mais não seja porque as certezas nos dão segurança e tranquilidade. Pô-las em questão equivale a tirar o chão de sob nossos pés.

      No passado distante, quando os valores religiosos se impunham à quase totalidade das pessoas, poucos eram os que os questionavam, mesmo porque, dependendo da ocasião, pagavam com a vida seu inconformismo. Com o desenvolvimento do pensamento objetivo e da ciência, aquelas certezas inquestionáveis passaram a segundo plano, dando lugar a um novo modo de lidar com elas e com os valores. Questioná-los, reavaliá-los, negá-los, propor mudanças às vezes radicais tornouse frequente e inevitável, dando-se início a uma nova época da sociedade humana. Introduziu-se o conceito não só de evolução como o de revolução.

      Naturalmente, essas mudanças não se deram do dia para a noite, nem tampouco se impuseram à maioria da sociedade. O que ocorreu foi um processo difícil e conflituado em que, pouco a pouco, a visão inovadora veio ganhando terreno e, mais do que isso, conquistando posições estratégicas, o que tornou possível influir na formação de novas gerações, menos resistentes a visões questionadoras.

      A certa altura desse processo, os defensores das mudanças acreditavam-se senhores de novas verdades, mais consistentes porque eram fundadas no conhecimento objetivo das leis que governam o mundo material e social. Em outras palavras, bastaria apresentar-se como inovador para estar certo. Será isso verdade? Os fatos demonstram que tanto pode ser sim como não.

      Mas também pode estar errado quem defende os valores consagrados e aceitos. Só que, em muitos casos, não há alternativa senão defendê-los. E sabem por quê? Pela simples razão de que toda sociedade é, por definição, conservadora, uma vez que, sem princípios e valores estabelecidos, seria impossível o convívio social. Uma comunidade cujos princípios e normas mudassem a cada dia seria caótica e, por isso mesmo, inviável.

(Transcrição de trechos do artigo de Ferreira Gullar. Folha de S. Paulo, E10 Ilustrada, 6 de maio de 2012) 

... no conhecimento objetivo das leis que governam o mundo material e social. (4°parágrafo)


A mesma relação entre verbo e complemento assinalada na frase acima se repete em:

Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: E

Fundamento decisivo: "governam o mundo material e social / os que os questionavam": o comando pede a mesma relação entre verbo e complemento, e, no trecho-modelo, "governam" é verbo transitivo direto com objeto direto sem preposição; a mesma estrutura se repete em "questionavam", cujo complemento é o pronome "os" com função de objeto direto, o que conduz ao gabarito E.

Tema central: transitividade verbal direta
Análise das alternativas
A
Errada
Em "aquelas certezas inquestionáveis passaram a segundo plano", não há verbo transitivo direto com objeto direto. A construção envolve "passaram a", com complemento introduzido pela preposição "a", o que já a afasta da estrutura do modelo.
B
Errada
Em "um novo modo de lidar com elas e com os valores", o verbo "lidar" exige a preposição "com". Logo, o complemento é preposicionado, não objeto direto. A relação sintática, portanto, não repete a de "governam o mundo material e social".
C
Errada
Em "seria impossível o convívio social", o verbo "ser" funciona como verbo de ligação, com predicativo "impossível". A sequência "o convívio social" integra a estrutura como sujeito da oração, e não como objeto direto. Por isso, não há correspondência com o modelo.
D
Errada
Em "de que toda sociedade é, por definição, conservadora", a estrutura é introduzida por preposição e forma uma oração completiva, não uma relação de verbo transitivo direto com objeto direto. Mesmo sem recuperar toda a cadeia sintática anterior, a base é suficiente para excluir a alternativa porque ela não reproduz o padrão pedido.
E
Certa
A alternativa E reproduz a mesma estrutura sintática do trecho-base. Em "os que os questionavam", o verbo "questionavam" exige complemento sem preposição, e o pronome "os" exerce a função de objeto direto. É exatamente a mesma relação presente em "governam o mundo material e social": verbo transitivo direto + objeto direto. O critério decisivo é sintático, não de sentido.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre qualquer complemento e objeto direto. Também tenta induzir erro com a alternativa C, em que "o convívio social" pode parecer complemento, mas integra a oração como sujeito, e com a E, em que o pronome "os" pode passar despercebido como objeto direto por vir antes do verbo.
Dica para questões semelhantes
  • Leia o comando com precisão: se ele pede a mesma relação entre verbo e complemento, o foco é a transitividade verbal.
  • Verifique se o verbo exige preposição; se exigir, a estrutura já não repete um objeto direto.
  • Em construções com verbo de ligação, teste se o termo após o verbo é sujeito ou predicativo, e não objeto.
  • Quando houver pronome oblíquo antes do verbo, confira se ele está funcionando como objeto direto.

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Comentários

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governar - VTD 

questionar - VTD

 

Gabarito E)

Gabarito E


Governavam o quê? o mundo material e social.


Questionavam o quê? OS (Que faz papel de objeto direto) dê uma olhada em colocação pronominal - Próclise.

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