Questões Militares Sobre coesão e coerência em português

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Q4411615 Português
        Mobilidade urbana é um tema constantemente discutido no Brasil. A maioria das grandes cidades sofre com graves problemas de transporte e enfrenta desafios em promover meios de diminuir o impacto do trânsito no dia a dia da população. Uma das causas do aumento de engarrafamentos é bem óbvia: há mais carros nas ruas. O investimento no desenvolvimento da indústria automobilística facilitou o acesso a veículos particulares, o que deixou as vias públicas sobrecarregadas. Na contramão, não houve — e continua não havendo — programas de incentivo ao transporte público, coletivo, mais econômico.

         Para explicitar o contrassenso, basta observar as cidades pelo mundo em que o transporte público é prioridade, os ônibus e metrôs são de boa qualidade e as pessoas se locomovem com facilidade, enquanto aqui, pelo contrário, a infraestrutura é inadequada, os veículos são velhos, a malha de atendimento é ainda restrita; tudo isso dificulta o uso desses modais como prioridade pela população. Grande parte dessa realidade vem da falta de interesse governamental em estabelecer programas de desenvolvimento que contemplem a mobilidade urbana sustentável.

Janguiê Diniz. Mobilidade urbana também é democratização. 23/10/2019.
Internet: <abmes.org.br>  (com adaptações). 

Julgue o item a seguir, referente às ideias e a aspectos linguísticos do texto precedente.


No trecho “enquanto aqui, pelo contrário, a infraestrutura é inadequada, os veículos são velhos, a malha de atendimento é ainda restrita” (segundo parágrafo), a conjunção “enquanto” estabelece uma relação temporal entre a situação do transporte público no Brasil e a de outros países.

Alternativas
Q4404294 Português
Texto CG1A1

        Segundo estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) publicado em dezembro de 2022, entre os 15 países da América Latina e do Caribe analisados quanto à equidade de gênero no serviço público, o Brasil é o que tem a menor participação de mulheres em cargos de liderança na administração pública — apenas 18,6% das chefias, contra a média de 23,6% entre os pesquisados.

        O estudo do BID aponta também a permanência da presença das mulheres em funções consideradas femininas, em geral ligadas a formas de cuidado, como saúde e educação. O fato de que esse condicionamento a determinadas áreas continua sendo observado, mesmo naqueles países que já avançaram na garantia da presença de mulheres no serviço público, aponta para a dificuldade de superação das desigualdades estruturais de gênero e a importância de políticas específicas para apoiar o desenvolvimento das carreiras de mulheres.

        Quando uma maioria numérica é suprimida em uma minoria social, reforçamos desigualdades sociais, preconceitos e a exclusão social e econômica. A falta de diversidade prejudica o avanço na conquista de direitos, acesso a serviços e possibilidades profissionais. Mas, para além da questão ética, a diversidade aprimora o serviço público. Ela torna o setor mais inclusivo e preocupado em gerar resultados concretos para as demandas da sociedade.

        Temos evidências de que a presença de gestores com perfis diversos se converte em uma melhor prestação de serviços públicos e desempenho das organizações, assim como a redução dos níveis de corrupção.

        A pesquisa Equidade e representatividade: síntese de evidências sobre a presença de mulheres e pessoas negras em cargos de liderança e autoridade, realizada pelo Núcleo de Estudos Raciais do INSPER (NERI), compila diversos estudos sobre o tema da equidade racial e de gênero para concluir, por exemplo, que lideranças públicas femininas tendem a investir até 7% mais em bens como saúde e educação, em comparação com os homens.

        Elas também tendem a reduzir em até 32% a desigualdade de gênero na educação entre os adolescentes e em 25% entre homens e mulheres adultas, assim como em até 24% a mortalidade infantil. Quanto à corrupção, há evidências de que mulheres podem apresentar de 29% a 35% menos chances de envolvimento.

        Lideranças negras tendem a propor três vezes mais leis e políticas públicas dedicadas à inclusão, além de aumentar em até dois pontos percentuais o engajamento político do eleitorado negro em nível local e a participação da força de trabalho negra.

        Esses dados não devem ser generalizados, é claro, e é preciso considerar as complexidades e variáveis que ainda não foram analisadas a fundo, mas, ao reunir evidências de 95 estudos e artigos científicos dos últimos 20 anos, o documento do NERI reforça a importância da interseccionalidade na formulação e execução de políticas, e não apenas sob a perspectiva de gênero.

        De todo modo, em um país tão diverso e com problemas tão complexos como o Brasil, a representatividade da população na administração pública permite somar múltiplos olhares na construção e implementação de políticas mais efetivas e eficientes na solução de problemas.

Internet: <www.nexojornal.com.br>  (com adaptações). 
Mantendo-se o sentido e a correção do texto CG1A1, a expressão “De todo modo” (último parágrafo) poderia ser substituída por
Alternativas
Q4404292 Português
Texto CG1A1

        Segundo estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) publicado em dezembro de 2022, entre os 15 países da América Latina e do Caribe analisados quanto à equidade de gênero no serviço público, o Brasil é o que tem a menor participação de mulheres em cargos de liderança na administração pública — apenas 18,6% das chefias, contra a média de 23,6% entre os pesquisados.

        O estudo do BID aponta também a permanência da presença das mulheres em funções consideradas femininas, em geral ligadas a formas de cuidado, como saúde e educação. O fato de que esse condicionamento a determinadas áreas continua sendo observado, mesmo naqueles países que já avançaram na garantia da presença de mulheres no serviço público, aponta para a dificuldade de superação das desigualdades estruturais de gênero e a importância de políticas específicas para apoiar o desenvolvimento das carreiras de mulheres.

        Quando uma maioria numérica é suprimida em uma minoria social, reforçamos desigualdades sociais, preconceitos e a exclusão social e econômica. A falta de diversidade prejudica o avanço na conquista de direitos, acesso a serviços e possibilidades profissionais. Mas, para além da questão ética, a diversidade aprimora o serviço público. Ela torna o setor mais inclusivo e preocupado em gerar resultados concretos para as demandas da sociedade.

        Temos evidências de que a presença de gestores com perfis diversos se converte em uma melhor prestação de serviços públicos e desempenho das organizações, assim como a redução dos níveis de corrupção.

        A pesquisa Equidade e representatividade: síntese de evidências sobre a presença de mulheres e pessoas negras em cargos de liderança e autoridade, realizada pelo Núcleo de Estudos Raciais do INSPER (NERI), compila diversos estudos sobre o tema da equidade racial e de gênero para concluir, por exemplo, que lideranças públicas femininas tendem a investir até 7% mais em bens como saúde e educação, em comparação com os homens.

        Elas também tendem a reduzir em até 32% a desigualdade de gênero na educação entre os adolescentes e em 25% entre homens e mulheres adultas, assim como em até 24% a mortalidade infantil. Quanto à corrupção, há evidências de que mulheres podem apresentar de 29% a 35% menos chances de envolvimento.

        Lideranças negras tendem a propor três vezes mais leis e políticas públicas dedicadas à inclusão, além de aumentar em até dois pontos percentuais o engajamento político do eleitorado negro em nível local e a participação da força de trabalho negra.

        Esses dados não devem ser generalizados, é claro, e é preciso considerar as complexidades e variáveis que ainda não foram analisadas a fundo, mas, ao reunir evidências de 95 estudos e artigos científicos dos últimos 20 anos, o documento do NERI reforça a importância da interseccionalidade na formulação e execução de políticas, e não apenas sob a perspectiva de gênero.

        De todo modo, em um país tão diverso e com problemas tão complexos como o Brasil, a representatividade da população na administração pública permite somar múltiplos olhares na construção e implementação de políticas mais efetivas e eficientes na solução de problemas.

Internet: <www.nexojornal.com.br>  (com adaptações). 
Cada uma das opções a seguir apresenta uma proposta de reescrita para o seguinte período do segundo parágrafo do texto CG1A1: “O fato de que esse condicionamento a determinadas áreas continua sendo observado, mesmo naqueles países que já avançaram na garantia da presença de mulheres no serviço público, aponta para a dificuldade de superação das desigualdades estruturais de gênero e a importância de políticas específicas para apoiar o desenvolvimento das carreiras de mulheres.” Assinale a opção em que a proposta de reescrita preserva a coerência e a correção gramatical do texto original. 
Alternativas
Q4404289 Português
Texto CG1A1

        Segundo estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) publicado em dezembro de 2022, entre os 15 países da América Latina e do Caribe analisados quanto à equidade de gênero no serviço público, o Brasil é o que tem a menor participação de mulheres em cargos de liderança na administração pública — apenas 18,6% das chefias, contra a média de 23,6% entre os pesquisados.

        O estudo do BID aponta também a permanência da presença das mulheres em funções consideradas femininas, em geral ligadas a formas de cuidado, como saúde e educação. O fato de que esse condicionamento a determinadas áreas continua sendo observado, mesmo naqueles países que já avançaram na garantia da presença de mulheres no serviço público, aponta para a dificuldade de superação das desigualdades estruturais de gênero e a importância de políticas específicas para apoiar o desenvolvimento das carreiras de mulheres.

        Quando uma maioria numérica é suprimida em uma minoria social, reforçamos desigualdades sociais, preconceitos e a exclusão social e econômica. A falta de diversidade prejudica o avanço na conquista de direitos, acesso a serviços e possibilidades profissionais. Mas, para além da questão ética, a diversidade aprimora o serviço público. Ela torna o setor mais inclusivo e preocupado em gerar resultados concretos para as demandas da sociedade.

        Temos evidências de que a presença de gestores com perfis diversos se converte em uma melhor prestação de serviços públicos e desempenho das organizações, assim como a redução dos níveis de corrupção.

        A pesquisa Equidade e representatividade: síntese de evidências sobre a presença de mulheres e pessoas negras em cargos de liderança e autoridade, realizada pelo Núcleo de Estudos Raciais do INSPER (NERI), compila diversos estudos sobre o tema da equidade racial e de gênero para concluir, por exemplo, que lideranças públicas femininas tendem a investir até 7% mais em bens como saúde e educação, em comparação com os homens.

        Elas também tendem a reduzir em até 32% a desigualdade de gênero na educação entre os adolescentes e em 25% entre homens e mulheres adultas, assim como em até 24% a mortalidade infantil. Quanto à corrupção, há evidências de que mulheres podem apresentar de 29% a 35% menos chances de envolvimento.

        Lideranças negras tendem a propor três vezes mais leis e políticas públicas dedicadas à inclusão, além de aumentar em até dois pontos percentuais o engajamento político do eleitorado negro em nível local e a participação da força de trabalho negra.

        Esses dados não devem ser generalizados, é claro, e é preciso considerar as complexidades e variáveis que ainda não foram analisadas a fundo, mas, ao reunir evidências de 95 estudos e artigos científicos dos últimos 20 anos, o documento do NERI reforça a importância da interseccionalidade na formulação e execução de políticas, e não apenas sob a perspectiva de gênero.

        De todo modo, em um país tão diverso e com problemas tão complexos como o Brasil, a representatividade da população na administração pública permite somar múltiplos olhares na construção e implementação de políticas mais efetivas e eficientes na solução de problemas.

Internet: <www.nexojornal.com.br>  (com adaptações). 
Acerca dos mecanismos de coesão empregados no texto CG1A1, assinale a opção correta.
Alternativas
Q4381564 Português
TEXTO II


“A revolução digital já não é uma promessa, mas uma realidade concreta. Ela molda a forma como nos comunicamos, consumimos e trabalhamos. Isso impõe novos desafios à educação, que precisa não apenas se adaptar, mas também liderar mudanças.”


BARROS, M. L. Educação na era digital. Revista Educação em Pauta, n. 34, 2022.
De acordo com o Texto II, qual é a principal exigência que a revolução digital impõe à educação?
Alternativas
Ano: 2026 Banca: IDECAN Órgão: PM-ES Prova: IDECAN - 2026 - PM-ES - Soldado Combatente |
Q4380025 Português

O risco que ignoramos


    O câncer ainda é uma das principais causas de morte no mundo, em grande parte relacionado a fatores modificáveis. Para entender melhor esse panorama, a Organização Mundial da Saúde (OMS) realizou um estudo de mapeamento dos casos da doença no mundo e a relação com fatores que podem ser evitados.

    O tabagismo (15,1%), as infecções (10,2%) e o consumo de álcool (3,2%) foram os principais contribuintes para a carga de câncer. O estudo considerou ainda fatores como índice de massa corporal elevado, atividade física insuficiente, tabaco sem fumaça, poluição do ar e radiação ultravioleta.

    A divulgação dessas informações é extremamente importante. Afinal, conhecer os fatores de risco é o primeiro passo para poder combatê-los. O problema é que muitas vezes acabamos focando somente nos riscos que recebem mais destaque e deixamos de olhar para outros que atingem uma parcela muito maior da população. O Brasil é um excelente exemplo disso.

    Graças a décadas de campanhas educativas, restrições à publicidade, aumento de impostos e ambientes livres de fumaça, o número de fumantes caiu de forma impressionante. Hoje, menos de 10% da população adulta brasileira fuma regularmente. Trata-se de uma das maiores vitórias da saúde pública do país. Mas, enquanto comemoramos essa conquista, outro problema cresce silenciosamente.

    Segundo pesquisa da Quest, cerca de 52% dos brasileiros se consideram sedentários. Quando analisamos os critérios da OMS, a situação se torna ainda mais preocupante: aproximadamente 76% da população não atinge os níveis mínimos de atividade física recomendados para a manutenção da saúde. Isso significa que o sedentarismo está presente na vida de milhões de brasileiros todos os dias. E o impacto disso vai muito além da perda de condicionamento físico.

    Outro fator que merece atenção é a obesidade. Hoje, cerca de 30% da população brasileira é obesa. E a obesidade está associada a pelo menos 13 tipos diferentes de câncer. Mais uma vez, existe uma ligação direta com a atividade física.

    É importante deixar claro: o objetivo desta reflexão não é minimizar os riscos do cigarro ou do álcool. O ponto é outro. Quando pensamos em saúde pública, precisamos considerar não apenas o tamanho do risco individual, mas também o número de pessoas expostas a ele.

    Se menos de 10% da população fuma, mas mais da metade é sedentária e três em cada quatro brasileiros não alcançam sequer o mínimo recomendado de atividade física, talvez estejamos diante de uma das maiores oportunidades de prevenção da atualidade.

    A prevenção não depende apenas de eliminar hábitos ruins. Ela também exige a construção de hábitos saudáveis. E poucas intervenções de estilo de vida oferecem benefícios tão amplos quanto o movimento físico.

    Não é necessário se tornar atleta. Não é preciso correr maratonas nem passar horas por dia na academia. A mudança pode começar com atitudes simples: caminhar mais, usar escadas, levantar-se frequentemente ao longo do dia, brincar com os filhos, passear com cachorro, pedalar, dançar ou praticar qualquer atividade prazerosa. O exercício físico estruturado continua sendo algo extremamente importante, entretanto não podemos ignorar o valor do movimento incorporado à rotina. Nosso corpo foi feito para se mover. Cada passo conta.

    Talvez o maior desafio da saúde moderna não seja apenas convencer as pessoas a evitar o cigarro. Talvez seja fazê-las entender que passar grande parte do dia sentado também tem consequências importantes para a saúde. Alguns riscos são facilmente identificados. Outros são silenciosos, fazem parte da rotina e acabam sendo normalizados. O sedentarismo é um deles.


ATALLA, Marcio. O risco que ignoramos. Jornal O Globo, Rio de Janeiro, 3. jun. 2026. Disponível em: http://oglobo.globo.com. Acesso em: 4. jun. 2026

Uma das formas de estabelecer a coesão sequencial em um texto é a retomada de informações dadas em parágrafos anteriores por expressões presentes nos parágrafos subsequentes. É o que acontece no texto apresentado, quando, no 3º parágrafo, o autor utiliza a expressão “fatores de risco” que retoma:
Alternativas
Ano: 2026 Banca: IDECAN Órgão: PM-ES Prova: IDECAN - 2026 - PM-ES - Soldado Combatente |
Q4380020 Português

O risco que ignoramos


    O câncer ainda é uma das principais causas de morte no mundo, em grande parte relacionado a fatores modificáveis. Para entender melhor esse panorama, a Organização Mundial da Saúde (OMS) realizou um estudo de mapeamento dos casos da doença no mundo e a relação com fatores que podem ser evitados.

    O tabagismo (15,1%), as infecções (10,2%) e o consumo de álcool (3,2%) foram os principais contribuintes para a carga de câncer. O estudo considerou ainda fatores como índice de massa corporal elevado, atividade física insuficiente, tabaco sem fumaça, poluição do ar e radiação ultravioleta.

    A divulgação dessas informações é extremamente importante. Afinal, conhecer os fatores de risco é o primeiro passo para poder combatê-los. O problema é que muitas vezes acabamos focando somente nos riscos que recebem mais destaque e deixamos de olhar para outros que atingem uma parcela muito maior da população. O Brasil é um excelente exemplo disso.

    Graças a décadas de campanhas educativas, restrições à publicidade, aumento de impostos e ambientes livres de fumaça, o número de fumantes caiu de forma impressionante. Hoje, menos de 10% da população adulta brasileira fuma regularmente. Trata-se de uma das maiores vitórias da saúde pública do país. Mas, enquanto comemoramos essa conquista, outro problema cresce silenciosamente.

    Segundo pesquisa da Quest, cerca de 52% dos brasileiros se consideram sedentários. Quando analisamos os critérios da OMS, a situação se torna ainda mais preocupante: aproximadamente 76% da população não atinge os níveis mínimos de atividade física recomendados para a manutenção da saúde. Isso significa que o sedentarismo está presente na vida de milhões de brasileiros todos os dias. E o impacto disso vai muito além da perda de condicionamento físico.

    Outro fator que merece atenção é a obesidade. Hoje, cerca de 30% da população brasileira é obesa. E a obesidade está associada a pelo menos 13 tipos diferentes de câncer. Mais uma vez, existe uma ligação direta com a atividade física.

    É importante deixar claro: o objetivo desta reflexão não é minimizar os riscos do cigarro ou do álcool. O ponto é outro. Quando pensamos em saúde pública, precisamos considerar não apenas o tamanho do risco individual, mas também o número de pessoas expostas a ele.

    Se menos de 10% da população fuma, mas mais da metade é sedentária e três em cada quatro brasileiros não alcançam sequer o mínimo recomendado de atividade física, talvez estejamos diante de uma das maiores oportunidades de prevenção da atualidade.

    A prevenção não depende apenas de eliminar hábitos ruins. Ela também exige a construção de hábitos saudáveis. E poucas intervenções de estilo de vida oferecem benefícios tão amplos quanto o movimento físico.

    Não é necessário se tornar atleta. Não é preciso correr maratonas nem passar horas por dia na academia. A mudança pode começar com atitudes simples: caminhar mais, usar escadas, levantar-se frequentemente ao longo do dia, brincar com os filhos, passear com cachorro, pedalar, dançar ou praticar qualquer atividade prazerosa. O exercício físico estruturado continua sendo algo extremamente importante, entretanto não podemos ignorar o valor do movimento incorporado à rotina. Nosso corpo foi feito para se mover. Cada passo conta.

    Talvez o maior desafio da saúde moderna não seja apenas convencer as pessoas a evitar o cigarro. Talvez seja fazê-las entender que passar grande parte do dia sentado também tem consequências importantes para a saúde. Alguns riscos são facilmente identificados. Outros são silenciosos, fazem parte da rotina e acabam sendo normalizados. O sedentarismo é um deles.


ATALLA, Marcio. O risco que ignoramos. Jornal O Globo, Rio de Janeiro, 3. jun. 2026. Disponível em: http://oglobo.globo.com. Acesso em: 4. jun. 2026

A partir das marcas linguísticas e das estratégias argumentativas empregadas no texto, assinale a alternativa que apresenta uma inferência textual correta.
Alternativas
Ano: 2026 Banca: IDECAN Órgão: PM-ES Prova: IDECAN - 2026 - PM-ES - Soldado Combatente |
Q4380019 Português

O risco que ignoramos


    O câncer ainda é uma das principais causas de morte no mundo, em grande parte relacionado a fatores modificáveis. Para entender melhor esse panorama, a Organização Mundial da Saúde (OMS) realizou um estudo de mapeamento dos casos da doença no mundo e a relação com fatores que podem ser evitados.

    O tabagismo (15,1%), as infecções (10,2%) e o consumo de álcool (3,2%) foram os principais contribuintes para a carga de câncer. O estudo considerou ainda fatores como índice de massa corporal elevado, atividade física insuficiente, tabaco sem fumaça, poluição do ar e radiação ultravioleta.

    A divulgação dessas informações é extremamente importante. Afinal, conhecer os fatores de risco é o primeiro passo para poder combatê-los. O problema é que muitas vezes acabamos focando somente nos riscos que recebem mais destaque e deixamos de olhar para outros que atingem uma parcela muito maior da população. O Brasil é um excelente exemplo disso.

    Graças a décadas de campanhas educativas, restrições à publicidade, aumento de impostos e ambientes livres de fumaça, o número de fumantes caiu de forma impressionante. Hoje, menos de 10% da população adulta brasileira fuma regularmente. Trata-se de uma das maiores vitórias da saúde pública do país. Mas, enquanto comemoramos essa conquista, outro problema cresce silenciosamente.

    Segundo pesquisa da Quest, cerca de 52% dos brasileiros se consideram sedentários. Quando analisamos os critérios da OMS, a situação se torna ainda mais preocupante: aproximadamente 76% da população não atinge os níveis mínimos de atividade física recomendados para a manutenção da saúde. Isso significa que o sedentarismo está presente na vida de milhões de brasileiros todos os dias. E o impacto disso vai muito além da perda de condicionamento físico.

    Outro fator que merece atenção é a obesidade. Hoje, cerca de 30% da população brasileira é obesa. E a obesidade está associada a pelo menos 13 tipos diferentes de câncer. Mais uma vez, existe uma ligação direta com a atividade física.

    É importante deixar claro: o objetivo desta reflexão não é minimizar os riscos do cigarro ou do álcool. O ponto é outro. Quando pensamos em saúde pública, precisamos considerar não apenas o tamanho do risco individual, mas também o número de pessoas expostas a ele.

    Se menos de 10% da população fuma, mas mais da metade é sedentária e três em cada quatro brasileiros não alcançam sequer o mínimo recomendado de atividade física, talvez estejamos diante de uma das maiores oportunidades de prevenção da atualidade.

    A prevenção não depende apenas de eliminar hábitos ruins. Ela também exige a construção de hábitos saudáveis. E poucas intervenções de estilo de vida oferecem benefícios tão amplos quanto o movimento físico.

    Não é necessário se tornar atleta. Não é preciso correr maratonas nem passar horas por dia na academia. A mudança pode começar com atitudes simples: caminhar mais, usar escadas, levantar-se frequentemente ao longo do dia, brincar com os filhos, passear com cachorro, pedalar, dançar ou praticar qualquer atividade prazerosa. O exercício físico estruturado continua sendo algo extremamente importante, entretanto não podemos ignorar o valor do movimento incorporado à rotina. Nosso corpo foi feito para se mover. Cada passo conta.

    Talvez o maior desafio da saúde moderna não seja apenas convencer as pessoas a evitar o cigarro. Talvez seja fazê-las entender que passar grande parte do dia sentado também tem consequências importantes para a saúde. Alguns riscos são facilmente identificados. Outros são silenciosos, fazem parte da rotina e acabam sendo normalizados. O sedentarismo é um deles.


ATALLA, Marcio. O risco que ignoramos. Jornal O Globo, Rio de Janeiro, 3. jun. 2026. Disponível em: http://oglobo.globo.com. Acesso em: 4. jun. 2026

Com base na organização das ideias e nos recursos linguísticos utilizados no texto, identifique a alternativa correta.
Alternativas
Q4372868 Português
Diferença de sotaques apenas demonstra que as línguas mudam conforme o contexto social e regional

    “Uai”, “bah”, “égua”, “oxe”, todas essas expressões fazem parte da diversidade linguística brasileira. Com cinco regiões e mais de 210 milhões de habitantes, o Brasil é um dos países mais diversificados do mundo. Com um vasto território, o idioma pode ser o mesmo, mas cada um possui suas particularidades. O português faz parte da família de línguas que se originou do latim (a qual chamamos de família latina ou românica). Vinda de Portugal no século 16, a língua portuguesa sofreu alterações quando chegou ao território brasileiro. O professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) Manoel Mourivaldo Santiago Almeida fala um pouco sobre o processo de formação dos diferentes sotaques.

    “Esse dialeto está em formação, variação e mudança desde seus primeiros contatos ocorridos na extensa região do então planalto de Piratininga entre falantes da língua portuguesa e das diversas línguas indígenas. A partir dos séculos 17 e 18, essa variedade se expandiu para o interior tanto paulista quanto brasileiro, principalmente para o Centro-Oeste do Brasil, tendo como caminho as águas do Tietê, pela ação dos bandeirantes e bolseiros, aqueles que se utilizam de vias fluviais, e também para o Sul do Brasil pela rota dos tropeiros. É preciso somar a esse contexto o contato entre as línguas africanas, da época da escravidão e também depois com as línguas europeias, como o italiano, dentre outras e de outros continentes”, afirma.

    A criação de sotaques diversos tem relação histórica: como exemplo, a vinda da corte portuguesa para o Rio de Janeiro. “Por exemplo, é comum dizer que o C ou o S chiado no final de sílaba do falante carioca, como em casca, e que também está presente na maioria dos sotaques litorâneos do Sul ao Norte do Brasil, é devido à maior presença do português europeu, que também chia o C ou o S no mesmo contexto de final de sílaba, e é de prestígio. É um ingrediente sócio-histórico e cultural que ativa a formação e a constante variação em mudança de diferentes sotaques, dialetos ou variedades linguísticas em toda e qualquer língua, em todo e qualquer tempo, em todo e qualquer lugar”, acrescenta o professor da FFLCH.


    Morfologia e o estudo da língua portuguesa

    Em alguns casos, as variações morfológicas, como o uso de certas formas verbais ou pronominais, podem estar associadas a diferenças de sotaque. A morfologia trata de um modo geral do estudo da estrutura e formação das palavras. O professor Santiago Almeida exemplifica diferentes formas semânticas de estudar a variedade linguística. “Existem diferenças de diversas naturezas. Semântico-lexical, que trata da diferença de sentido de uma palavra de região para região, como mandioca, aipim, macaxeira, rapariga, moça. Morfossintática, que trata da diferença de construção de uma estrutura de uma frase ou de emprego de termos ou de concordância: tu vais, ele vai etc. Fonético-fonológico, que geralmente é a mais comentada e que trata da realização dos fonemas ou sons de uma língua. Por exemplo, os diferentes tipos de pronunciar um Re ou um R, como um retroflexo, porta, um aspirado ou um vibrante. E, como já foi dito, essas diferenças são reflexos da história social e cultural e dos contatos linguísticos de cada região ou lugar onde tais variações são percebidas”, comenta.


    Preconceito linguístico

    Apesar de ser um país extremamente diverso, o preconceito linguístico ainda é um fator existente no Brasil. O preconceito linguístico é a discriminação ou o julgamento negativo que ocorre com base na maneira como uma pessoa fala, escreve ou utiliza a língua. Ele se manifesta quando se valoriza uma forma de falar ou de escrever (geralmente a variante considerada “padrão” ou “culta”) em detrimento de outras variedades linguísticas, como dialetos regionais, sotaques ou formas de linguagem de grupos sociais específicos. O preconceito linguístico reflete desigualdades sociais e culturais, associando certas formas de falar a estereótipos de inferioridade, à falta de educação ou até mesmo à incapacidade.

    “Eu diria que não é só no Brasil, no mundo todo existem preconceitos linguísticos. O preconceito linguístico ocorre, obviamente, a partir da percepção que cada um tem naturalmente de variedades ou dialetos e sotaques distintos do seu sotaque, da sua variedade. O preconceito linguístico ou estigma tem a ver com a identificação do falante de uma determinada região ou grupo social que, por algum motivo, é também estigmatizado pelo preconceituoso”, discorre o professor.

    Esse tipo de preconceito ignora que as línguas são vivas e mudam conforme o contexto social e regional, e que a variação linguística é uma característica natural e legítima de qualquer idioma. A língua é parte essencial da identidade cultural de cada indivíduo e grupo social e discriminar alguém, com base no seu modo de falar, perpetua desigualdades históricas e sociais. Enfrentar esse preconceito é garantir o reconhecimento da diversidade linguística como uma riqueza cultural, além de assegurar que todos tenham igualdade de oportunidades, independentemente de sua forma de comunicar. A valorização das variantes linguísticas contribui para a construção de uma educação mais democrática e de um convívio social livre de discriminação.

    Santiago conclui ressaltando a importância da diversidade. “É preciso reconhecer que, quando se discute a variedade de uma determinada língua, com o risco de lhe imprimir um único selo ou lhe caracterizar por apenas uma de suas multifaces, o que se pode destacar dentro do redemoinho da variação infinita de toda e qualquer língua são tendências ao maior ou menor grau de inclinação para uma ou outra de suas multifaces. Aí, por ser a língua produto da ação histórica, sociocultural de seus falantes, podemos rumar por caminhos distintos quão distinta seja essa ação histórica, social e cultural. Enfim, basta que o tema seja posto, livre de qualquer inclinação que o conduza deliberadamente para o estigma daquilo que, por natureza, é diverso”, finaliza.

Disponível em: https://jornal.usp.br/radio-usp/diferenca-de-sotaques-apenas-demonstra-que-as-linguas-mudam-conforme-o-contexto-social-e-regional/.
Acesso em: 15 jul. 2026.
“Aí, por ser a língua produto da ação histórica, sociocultural de seus falantes, podemos rumar por caminhos distintos quão distinta seja essa ação histórica, social e cultural.”
No que se refere aos mecanismos de coesão responsáveis pela progressão temática, o termo destacado:
Alternativas
Q4350941 Português

Texto para a questão.


“A Inteligência Artificial não é, como supõem os entusiastas do Vale do Silício, uma entidade dotada de consciência; é, antes, um sofisticado simulacro estatístico. No âmago de seus algoritmos, reside a tentativa de mimetizar a cognição humana — tarefa que, se por um lado fascina a ciência, por outro, suscita temores éticos profundos. Aos programadores, cabe o código; à máquina, o processamento; aos filósofos, contudo, resta a árdua missão de definir os limites entre o silício e o espírito.”

A retextualização exige que o redator preserve o núcleo semântico e as relações de subordinação lógica, ainda que altere o gênero textual ou o nível de formalidade. Considere o texto de referência e analise as propostas de reescritura abaixo. Assinale a alternativa que promove a transposição do trecho para um registro técnico-normativo, mantendo a correção gramatical e a fidelidade às inferências originais.
Alternativas
Q4350936 Português

Texto para a questão.


Nas favelas, apostas online vendem sobrevivência e entregam precariedade.


Nas favelas brasileiras, as apostas online não chegam como entretenimento. Chegam como promessa de renda. Em mais de dois anos de pesquisa, ouvi repetidamente: “Quem diz que joga por diversão está mentindo. Você joga por dinheiro, dinheiro fácil.”

Essa frase desmonta a ideia de lazer digital. O que emerge é outra coisa: uma economia informal mediada por plataformas. Pix instantâneo, depósitos mínimos de poucos reais, bônus de entrada e influenciadores exibindo ganhos. O cassino não se apresenta como um cassino. Se apresenta como oportunidade. Mas oportunidade para quem?

Pedro, de 32 anos, começou com pequenas apostas. Ganhou no início e teve a sensação de ter “entendido o sistema”. Quando perdeu, tentou recuperar. Apostar mais parecia lógico. Insistir parecia uma estratégia. O raciocínio era simples: continuar até reverter. Ele perdeu as economias da família.

Endividado, pegou dinheiro de alguém ligado ao tráfico. Sem conseguir pagar, passou a trabalhar para quitar a dívida, vendendo drogas. O que começou como promessa de renda terminou em violência, ruptura familiar e vergonha. O jogo saiu da tela e atravessou a vida.

A história de Roberta, de 40 anos, revela outro tipo de impacto. O dinheiro do mês começou a desaparecer em pequenos valores: Pix de dez, quinze, vinte reais. Isoladamente, pareciam irrelevantes. Somados, desorganizaram o orçamento.

O responsável era o neto, “o menino que entende de tecnologia”. Ele tinha acesso à conta, conhecia os aplicativos, os bônus e os horários de promoção. A curiosidade virou uma retirada constante de recursos essenciais. O impacto foi também relacional: a confiança familiar se rompeu.

Esses casos não são exceção. São padrão. As plataformas são desenhadas para manter os usuários. O primeiro ganho cria a sensação de possibilidade. O saque exige novos depósitos. Os bônus aparecem nos momentos certos. As perdas são reconfiguradas como aprendizado. Sempre há a promessa de recuperação.

Em contextos de precariedade, essa arquitetura encontra terreno fértil. Muitos dizem apostar apenas o dinheiro que sobra. Trata-se de fechar o mês, pagar contas, aliviar a pressão. Apostar vira estratégia de sobrevivência em um cenário de trabalho instável e de renda insuficiente. Mas essa estratégia aprofunda o problema.

As bets funcionam como infraestruturas financeiras paralelas. Não se aposta capital excedente, mas dinheiro de mercado, aluguel, remédio. Pequenas quantias que fazem falta concretamente.

O discurso dominante individualiza o risco: perdeu porque errou, ganhou porque mereceu. Essa lógica oculta que as probabilidades são estruturadas por algoritmos opacos, concebidos para garantir lucro às plataformas.

Enquanto isso, clubes exibem marcas de apostas; influenciadores lucram com cadastros e monetizam links. Entre jovens homens, apostar também se torna uma identidade. Demonstra capacidade de prover.

O resultado raramente é estabilidade. O que aparece são dívidas, conflitos familiares, depressão. Pequenos depósitos que corroem o orçamento. Pequenos empréstimos que viraram grandes dívidas. Pequenas mentiras que abalam relações.

Tratar isso como um vício individual é insuficiente. O que vemos é uma transformação estrutural: plataformas convertendo precariedade em especulação cotidiana. Ninguém aposta porque gosta de perder dinheiro. Aposta porque o salário não basta, a mobilidade parece distante e a promessa de ganho rápido se torna visível.

O problema é que a probabilidade raramente favorece quem já começa em desvantagem. O cassino está no bolso. Cada notificação é uma nova chance de transformar necessidade em risco.

No fim, o prejuízo atravessa casas e comunidades. As bets não são apenas jogos. São um modelo de negócios que transforma vulnerabilidade em lucro. E, quanto mais difícil é sobreviver, mais sedutora se torna a aposta.


NEMER, David. Nas favelas, apostas online vendem sobrevivência e entregam precariedade. 28/03/2026, às 22:00. Tendências e Debates. Folha de São Paulo. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/03/nas-favelas-apostas-online-vendem-sobrevivencia-e-entregamprecariedade.shtml. Acesso em: 23/03/2026.

Considerando os mecanismos de coesão textual empregados na progressão temática do texto, especialmente no que se refere à referenciação, substituição lexical e uso de conectores, analise o funcionamento dos elementos coesivos e identifique a alternativa que apresenta interpretação tecnicamente correta, em conformidade com a norma-padrão da língua portuguesa e com a construção de sentido do texto. 
Alternativas
Q4350933 Português

Texto para a questão.


Nas favelas, apostas online vendem sobrevivência e entregam precariedade.


Nas favelas brasileiras, as apostas online não chegam como entretenimento. Chegam como promessa de renda. Em mais de dois anos de pesquisa, ouvi repetidamente: “Quem diz que joga por diversão está mentindo. Você joga por dinheiro, dinheiro fácil.”

Essa frase desmonta a ideia de lazer digital. O que emerge é outra coisa: uma economia informal mediada por plataformas. Pix instantâneo, depósitos mínimos de poucos reais, bônus de entrada e influenciadores exibindo ganhos. O cassino não se apresenta como um cassino. Se apresenta como oportunidade. Mas oportunidade para quem?

Pedro, de 32 anos, começou com pequenas apostas. Ganhou no início e teve a sensação de ter “entendido o sistema”. Quando perdeu, tentou recuperar. Apostar mais parecia lógico. Insistir parecia uma estratégia. O raciocínio era simples: continuar até reverter. Ele perdeu as economias da família.

Endividado, pegou dinheiro de alguém ligado ao tráfico. Sem conseguir pagar, passou a trabalhar para quitar a dívida, vendendo drogas. O que começou como promessa de renda terminou em violência, ruptura familiar e vergonha. O jogo saiu da tela e atravessou a vida.

A história de Roberta, de 40 anos, revela outro tipo de impacto. O dinheiro do mês começou a desaparecer em pequenos valores: Pix de dez, quinze, vinte reais. Isoladamente, pareciam irrelevantes. Somados, desorganizaram o orçamento.

O responsável era o neto, “o menino que entende de tecnologia”. Ele tinha acesso à conta, conhecia os aplicativos, os bônus e os horários de promoção. A curiosidade virou uma retirada constante de recursos essenciais. O impacto foi também relacional: a confiança familiar se rompeu.

Esses casos não são exceção. São padrão. As plataformas são desenhadas para manter os usuários. O primeiro ganho cria a sensação de possibilidade. O saque exige novos depósitos. Os bônus aparecem nos momentos certos. As perdas são reconfiguradas como aprendizado. Sempre há a promessa de recuperação.

Em contextos de precariedade, essa arquitetura encontra terreno fértil. Muitos dizem apostar apenas o dinheiro que sobra. Trata-se de fechar o mês, pagar contas, aliviar a pressão. Apostar vira estratégia de sobrevivência em um cenário de trabalho instável e de renda insuficiente. Mas essa estratégia aprofunda o problema.

As bets funcionam como infraestruturas financeiras paralelas. Não se aposta capital excedente, mas dinheiro de mercado, aluguel, remédio. Pequenas quantias que fazem falta concretamente.

O discurso dominante individualiza o risco: perdeu porque errou, ganhou porque mereceu. Essa lógica oculta que as probabilidades são estruturadas por algoritmos opacos, concebidos para garantir lucro às plataformas.

Enquanto isso, clubes exibem marcas de apostas; influenciadores lucram com cadastros e monetizam links. Entre jovens homens, apostar também se torna uma identidade. Demonstra capacidade de prover.

O resultado raramente é estabilidade. O que aparece são dívidas, conflitos familiares, depressão. Pequenos depósitos que corroem o orçamento. Pequenos empréstimos que viraram grandes dívidas. Pequenas mentiras que abalam relações.

Tratar isso como um vício individual é insuficiente. O que vemos é uma transformação estrutural: plataformas convertendo precariedade em especulação cotidiana. Ninguém aposta porque gosta de perder dinheiro. Aposta porque o salário não basta, a mobilidade parece distante e a promessa de ganho rápido se torna visível.

O problema é que a probabilidade raramente favorece quem já começa em desvantagem. O cassino está no bolso. Cada notificação é uma nova chance de transformar necessidade em risco.

No fim, o prejuízo atravessa casas e comunidades. As bets não são apenas jogos. São um modelo de negócios que transforma vulnerabilidade em lucro. E, quanto mais difícil é sobreviver, mais sedutora se torna a aposta.


NEMER, David. Nas favelas, apostas online vendem sobrevivência e entregam precariedade. 28/03/2026, às 22:00. Tendências e Debates. Folha de São Paulo. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/03/nas-favelas-apostas-online-vendem-sobrevivencia-e-entregamprecariedade.shtml. Acesso em: 23/03/2026.

A partir das relações implícitas construídas no texto e da articulação entre os exemplos apresentados, infere-se que a narrativa dos casos individuais cumpre a função de:
Alternativas
Q4350932 Português

Texto para a questão.


Nas favelas, apostas online vendem sobrevivência e entregam precariedade.


Nas favelas brasileiras, as apostas online não chegam como entretenimento. Chegam como promessa de renda. Em mais de dois anos de pesquisa, ouvi repetidamente: “Quem diz que joga por diversão está mentindo. Você joga por dinheiro, dinheiro fácil.”

Essa frase desmonta a ideia de lazer digital. O que emerge é outra coisa: uma economia informal mediada por plataformas. Pix instantâneo, depósitos mínimos de poucos reais, bônus de entrada e influenciadores exibindo ganhos. O cassino não se apresenta como um cassino. Se apresenta como oportunidade. Mas oportunidade para quem?

Pedro, de 32 anos, começou com pequenas apostas. Ganhou no início e teve a sensação de ter “entendido o sistema”. Quando perdeu, tentou recuperar. Apostar mais parecia lógico. Insistir parecia uma estratégia. O raciocínio era simples: continuar até reverter. Ele perdeu as economias da família.

Endividado, pegou dinheiro de alguém ligado ao tráfico. Sem conseguir pagar, passou a trabalhar para quitar a dívida, vendendo drogas. O que começou como promessa de renda terminou em violência, ruptura familiar e vergonha. O jogo saiu da tela e atravessou a vida.

A história de Roberta, de 40 anos, revela outro tipo de impacto. O dinheiro do mês começou a desaparecer em pequenos valores: Pix de dez, quinze, vinte reais. Isoladamente, pareciam irrelevantes. Somados, desorganizaram o orçamento.

O responsável era o neto, “o menino que entende de tecnologia”. Ele tinha acesso à conta, conhecia os aplicativos, os bônus e os horários de promoção. A curiosidade virou uma retirada constante de recursos essenciais. O impacto foi também relacional: a confiança familiar se rompeu.

Esses casos não são exceção. São padrão. As plataformas são desenhadas para manter os usuários. O primeiro ganho cria a sensação de possibilidade. O saque exige novos depósitos. Os bônus aparecem nos momentos certos. As perdas são reconfiguradas como aprendizado. Sempre há a promessa de recuperação.

Em contextos de precariedade, essa arquitetura encontra terreno fértil. Muitos dizem apostar apenas o dinheiro que sobra. Trata-se de fechar o mês, pagar contas, aliviar a pressão. Apostar vira estratégia de sobrevivência em um cenário de trabalho instável e de renda insuficiente. Mas essa estratégia aprofunda o problema.

As bets funcionam como infraestruturas financeiras paralelas. Não se aposta capital excedente, mas dinheiro de mercado, aluguel, remédio. Pequenas quantias que fazem falta concretamente.

O discurso dominante individualiza o risco: perdeu porque errou, ganhou porque mereceu. Essa lógica oculta que as probabilidades são estruturadas por algoritmos opacos, concebidos para garantir lucro às plataformas.

Enquanto isso, clubes exibem marcas de apostas; influenciadores lucram com cadastros e monetizam links. Entre jovens homens, apostar também se torna uma identidade. Demonstra capacidade de prover.

O resultado raramente é estabilidade. O que aparece são dívidas, conflitos familiares, depressão. Pequenos depósitos que corroem o orçamento. Pequenos empréstimos que viraram grandes dívidas. Pequenas mentiras que abalam relações.

Tratar isso como um vício individual é insuficiente. O que vemos é uma transformação estrutural: plataformas convertendo precariedade em especulação cotidiana. Ninguém aposta porque gosta de perder dinheiro. Aposta porque o salário não basta, a mobilidade parece distante e a promessa de ganho rápido se torna visível.

O problema é que a probabilidade raramente favorece quem já começa em desvantagem. O cassino está no bolso. Cada notificação é uma nova chance de transformar necessidade em risco.

No fim, o prejuízo atravessa casas e comunidades. As bets não são apenas jogos. São um modelo de negócios que transforma vulnerabilidade em lucro. E, quanto mais difícil é sobreviver, mais sedutora se torna a aposta.


NEMER, David. Nas favelas, apostas online vendem sobrevivência e entregam precariedade. 28/03/2026, às 22:00. Tendências e Debates. Folha de São Paulo. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/03/nas-favelas-apostas-online-vendem-sobrevivencia-e-entregamprecariedade.shtml. Acesso em: 23/03/2026.

Considerando a organização argumentativa do texto e a construção de seu sentido global, é correto afirmar que a tese central desenvolvida sustenta que:
Alternativas
Ano: 2026 Banca: IDECAN Órgão: CBM-MG Prova: IDECAN - 2026 - CBM-MG - Cadete BM |
Q4349415 Português

Texto para a questão. 

O Silêncio sob os Escombros e a Geopolítica do Terror

Antenor Teixeira de Almeida Júnior

A conivência internacional diante da sistemática aniquilação de estruturas civis no Irã atingiu um patamar de degradação moral insustentável após o bombardeio que ceifou a vida de 168 crianças em uma instituição de ensino. Sob o pretexto de neutralizar alvos estratégicos, a coalizão entre Estados Unidos e Israel transgride não apenas as fronteiras geográficas, mas os pilares mais elementares do Direito Internacional Humanitário, convertendo escolas em necrópoles e o futuro de uma nação em dano colateral. O que se testemunha não é uma manobra defensiva de precisão, mas uma demonstração de força bruta que utiliza a assimetria bélica para punir populações vulneráveis, revelando um desprezo absoluto pela distinção entre combatentes e inocentes.

O argumento da autodefesa, frequentemente esgrimido por Washington e Tel Aviv para justificar incursões em solo iraniano, desmorona diante do massacre de crianças em idade escolar. Quando mísseis de alta tecnologia são direcionados a um ambiente de aprendizado, a narrativa de erro técnico ou de escudos humanos torna-se uma retórica cínica que visa mascarar o terrorismo de Estado. A história ensina que a destruição de infraestruturas educacionais é um método eficaz de desarticulação social a longo prazo, mas o custo humanitário dessa estratégia é uma mancha indelével na consciência das potências que se autointitulam guardiãs da democracia e da liberdade.

Ademais, a paralisia dos órgãos multilaterais, como o Conselho de Segurança da ONU, diante da agressão unilateral das forças ocidentais, reforça a percepção de uma justiça seletiva que opera conforme os interesses do capital e do controle energético. Ao ignorar as vozes que clamam por sanções contra os agressores e ao permitir que 168 vidas infantis sejam reduzidas a estatísticas em relatórios burocráticos, a comunidade internacional torna-se cúmplice por omissão. A paz não será alcançada por meio de ataques que semeiam o ódio em gerações inteiras; ao contrário, a violência desenfreada contra o Irã apenas alimenta o ciclo de retaliações que ameaça a estabilidade global.

Em suma, é imperativo que o mundo desperte para a urgência de cessar a impunidade que protege os autores desse infanticídio deliberado. A condenação dos ataques de Estados Unidos e Israel não deve ser apenas um gesto diplomático de conveniência, mas um movimento concreto de ruptura com a lógica da barbárie travestida de ordem mundial. Se a morte de centenas de crianças dentro de uma sala de aula não for capaz de reverter a engrenagem da guerra, o que restará da nossa humanidade será apenas o eco de um silêncio covarde sobre os escombros da civilização.

A coesão textual não se limita à mera ligação entre palavras, ela constitui uma rede de remissões e sequenciações que orientam a interpretação do leitor. Com base nos mecanismos de referenciação e conectividade empregados no texto, analise as proposições abaixo e assinale a alternativa tecnicamente correta.
Alternativas
Ano: 2026 Banca: VUNESP Órgão: PM-SP Prova: VUNESP - 2026 - PM-SP - Aluno-Soldado PM |
Q4334470 Português
Leia o texto para responder a questão:


Respeito entre nações

        A Copa do Mundo é muito mais do que uma competição esportiva. A cada quatro anos, ela transforma o futebol em uma linguagem comum, capaz de ser compreendida por pessoas de diferentes países, culturas, religiões e formas de vida. Em um mundo cada vez mais marcado por disputas políticas, desigualdades econômicas e demonstrações de preconceito e separatismo, a competição oferece uma rara oportunidade de encontro simbólico entre as nações. Dentro e fora dos estádios, povos que muitas vezes se conhecem apenas por estereótipos passam a se observar, torcer, admirar e reconhecer uns aos outros.

        O futebol possui uma força especial porque combina simplicidade e emoção. Suas regras básicas permitem que crianças, trabalhadores, estudantes e idosos acompanhem o jogo com a mesma intensidade, ainda que vivam em realidades muito distintas. Durante a Copa, bandeiras, hinos e camisas nacionais expressam orgulho e pertencimento, mas também revelam a diversidade do planeta. O torcedor celebra sua própria identidade ao mesmo tempo em que entra em contato com a identidade do outro. Assim, a competição ajuda a mostrar que a diferença não precisa ser vista como ameaça: pode ser motivo de curiosidade, respeito e aprendizado.

         Esse entendimento entre as nações não significa ausência de rivalidade. Pelo contrário, a Copa do Mundo é feita de disputas intensas, vitórias inesquecíveis e derrotas dolorosas. No entanto, quando a rivalidade permanece no campo do jogo, ela se converte em uma forma civilizada de coexistência entre povos geográfica, cultural, historicamente distantes. Onde mais, não sendo em uma competição assim, é possível encontrar tunisianos e japoneses, belgas e iranianos, espanhóis e árabes, uruguaios e cabo-verdianos dividindo um mesmo espaço público? E conhecer histórias de atletas de países com os quais temos pouquíssimo contato — Jordânia, Curaçao, Nova Zelândia —, e ainda torcer por eles?

        Seleções se enfrentam segundo regras aceitas por todos, árbitros medeiam conflitos, atletas se cumprimentam ao final das partidas e torcedores compartilham espaços públicos. A mensagem simbólica é poderosa: é possível competir sem destruir, defender a própria história sem negar a humanidade do adversário.

         Por isso, o torneio tem valor para o entendimento entre as nações: ele mostra que a humanidade compartilha emoções básicas, como alegria, frustração, esperança e orgulho. Mostra também que as diferenças culturais podem conviver em uma mesma celebração global. Em tempos de fronteiras rígidas, crises diplomáticas e discursos de intolerância, o futebol recorda que o outro não é apenas rival, estrangeiro ou desconhecido; é alguém que também sofre, vibra e sonha. Nesse sentido, a Copa é uma metáfora do mundo possível: plural, competitivo, imperfeito, mas capaz de reconhecer no encontro entre povos uma oportunidade de respeito, diálogo e paz. 


(Editorial. https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao,
22.06.2026. Adaptado)
No editorial, fica explícita a ideia de que
Alternativas
Ano: 2026 Banca: IDECAN Órgão: PM-RR Prova: IDECAN - 2026 - PM-RR - Sargento QPC PM - Geral |
Q4322078 Português
Texto para a questão.


DESAFIOS DA SEGURANÇA PÚBLICA E A NECESSIDADE DE INTEGRAÇÃO INSTITUCIONAL


    A segurança pública ocupa posição central nos debates contemporâneos sobre democracia, cidadania e governabilidade. Em um contexto marcado pela expansão das organizações criminosas e pela crescente sensação de insegurança da população, torna-se cada vez mais evidente a necessidade de construção de políticas públicas capazes de articular diferentes níveis de governo e instituições estatais. Nesse cenário, o fortalecimento do Sistema Único de Segurança Pública surge como uma proposta voltada à ampliação da coordenação entre os diversos órgãos responsáveis pela prevenção e repressão da criminalidade.

    Entre os principais desafios enfrentados pelo país encontra-se a dificuldade histórica de integração entre União, estados e municípios. Embora as competências de cada ente federativo estejam definidas constitucionalmente, a fragmentação de informações, estratégias e procedimentos frequentemente compromete a eficiência das ações de segurança. Por essa razão, especialistas têm defendido mecanismos que permitam maior cooperação institucional sem que sejam desconsideradas as autonomias administrativas previstas no pacto federativo.

    Outro aspecto relevante refere-se ao enfrentamento do crime organizado, fenômeno que ultrapassa fronteiras estaduais e nacionais. O tráfico de drogas, o contrabando, a lavagem de dinheiro e outras modalidades criminosas estruturam-se em redes complexas que exigem respostas igualmente articuladas. Nesse contexto, diversos especialistas têm argumentado que a troca permanente de informações entre forças policiais, órgãos de inteligência e instituições de controle constitui um dos caminhos mais promissores para ampliar a capacidade investigativa do Estado.

    Paralelamente às medidas operacionais, o debate sobre segurança pública também envolve a preservação dos princípios democráticos e dos direitos fundamentais. Muitos estudiosos têm advertido que o combate à criminalidade não pode ser conduzido de forma dissociada das garantias constitucionais, sob pena de enfraquecimento das próprias bases do Estado Democrático de Direito. Assim, a busca por eficiência deve ser acompanhada de mecanismos de controle, transparência e respeito aos direitos humanos.

    Diante desse panorama, a consolidação de uma política nacional de segurança pública dependerá da capacidade de integração entre instituições, da cooperação entre os entes federativos e do compromisso permanente com os valores democráticos. Mais do que ampliar estruturas administrativas, o desafio consiste em construir estratégias duradouras que articulem prevenção, inteligência e repressão qualificada, fortalecendo a confiança social e contribuindo para a redução sustentável da criminalidade.


Texto adaptado de: Desafios da Política Nacional de Segurança Pública, com Mario Sarrubbo. Fundação Fernando Henrique Cardoso. Disponível em: https://fundacaofhc.org.br/debate/desafios-da-politica-nacional-de-seguranca-publica-com-mario- sarrubbo. Acesso em: 15 jun. 2026.
A construção da progressão temática constitui elemento fundamental para a organização textual. Considerando as estratégias de coesão e coerência empregadas no texto, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Ano: 2026 Banca: IDECAN Órgão: PM-RR Prova: IDECAN - 2026 - PM-RR - Sargento QPC PM - Geral |
Q4322064 Português
 Texto para a questão.


A semente da verdade


    Havia um imperador na China que não tinha filhos nem parentes próximos. Como necessitava de um sucessor, decidiu chamar todas as crianças do reino. Thai foi uma delas. Era um ótimo menino, que se dedicava ao jardim de sua casa; cada planta tocada por ele crescia viçosa e forte. No dia marcado, dirigiu-se até o palácio, onde havia milhares de pequenos súditos. O imperador disse:

    — Crianças, preciso escolher o meu sucessor entre vocês. Vou lhes dar uma tarefa. Aqui estão algumas sementes; quero que vocês as cultivem. O trono será daquele que me trouxer, daqui a um ano, a planta mais bonita.

    Thai era um excelente jardineiro e, com certeza, faria muito bem o que o imperador pedira. Porém, por mais que se esforçasse, a semente não brotava. O menino fez tudo o que podia, mas seus esforços não adiantaram. Até o dia de apresentar a planta ao imperador, a semente de Thai não havia brotado, e o menino estava tão preocupado que não queria enfrentar as outras crianças; porém, seu avô disse:

    — Você é honesto. Vá até o imperador e diga a verdade. Sua dedicação foi máxima, mas a semente não brotou. Não se envergonhe. Apenas explique o que você fez, pois devemos sempre agir com honestidade, buscando a felicidade, sem que a nossa alegria faça alguém infeliz.

    Thai obedeceu ao avô e foi ao palácio. Entretanto, ao chegar lá, ficou assustado, pois era a única criança que não levava consigo uma belíssima planta. O imperador chamava as crianças e examinava os vasos, mas não sorria nem esboçava contentamento. Thai estava muito nervoso, pois se o imperador não havia até então aprovado aquelas plantas maravilhosas, o que não diria de seu vaso sem nada? Thai foi ficando para trás e, quando se deu conta, era o último da fila. Mas sua vez chegou, e ele não poderia mais adiar o encontro com o imperador.

    — Vejamos, meu jovem, o que tem aí para mim.

    Thai não pôde mais evitar as lágrimas. Com a cabeça baixa, mostrou o vaso com terra ao imperador e disse:

    — Senhor, sou um jardineiro e uma de minhas virtudes é a perseverança, mas por mais que eu tenha me esforçado, a semente não brotou. Meu avô ajudou-me a pensar sobre o que fazer e optei por dizer a verdade, contar meu esforço e pedir-lhe perdão.

     O imperador encarou o menino e, diante da multidão, declarou:

    — Não se envergonhe, criança, você fez o certo. A sua grande virtude foi dizer a verdade, pois eu havia queimado todas as sementes e nenhuma poderia germinar. Portanto, você foi o único que, de fato, plantou a semente da verdade. Você será o meu sucessor.


SECCO, Patrícia Engel. A semente da verdade. Adaptação de conto folclórico oriental. São Paulo: Editora DPaschoal, 2002 (Adaptado). 
A progressão narrativa e as interações verbais estabelecidas entre os personagens estruturam o sentido global do texto. Tendo por base o exposto, marque o item que informa a correta caracterização do conflito central e de sua resolução no conto.
Alternativas
Q4306039 Português

Leia o texto “Zonas mortas nos oceanos”, do biólogo brasileiro Fernando Reinach, para responder à questão.



    É fácil sensibilizar o mundo para o desmatamento da floresta amazônica, fotos de troncos carbonizados fazem metade do trabalho. O que poucos sabem é que um desastre semelhante está ocorrendo nos oceanos. Ao longo de toda a costa, acompanhando as grandes ocupações humanas, estão pipocando zonas mortas, áreas onde a biodiversidade dos mares praticamente desaparece. Apesar de essas regiões não serem fotogênicas, elas vêm crescendo de maneira assustadora.    

    Hoje há mais de quatrocentos locais onde praticamente não existe mais vida oceânica. No total, estima-se que 245 mil quilômetros quadrados estejam morrendo, o que equivale a aproximadamente 5% da área coberta pela floresta amazônica. A causa desse fenômeno é a queda na quantidade de oxigênio dissolvido na água. Sem oxigênio, os peixes e outros animais desaparecem.

    A diminuição da quantidade de oxigênio é desencadeada pelo aumento na quantidade de nutrientes nas regiões costeiras. Essa abundância provoca um aumento rápido dos organismos que utilizam nutrientes, luz e gás carbônico. Num primeiro momento, esse crescimento no número de organismos capazes de fazer fotossíntese atrai outros animais, mas logo a água se turva com o excesso de algas e bactérias e, sem luz, eles morrem. Os cadáveres se acumulam no fundo do mar e permitem a multiplicação de organismos que consomem oxigênio para degradar a matéria orgânica acumulada. Nessa fase, o oxigênio diminui e desaparecem os peixes e outros animais maiores. Na falta de oxigênio, só sobrevivem os organismos anaeróbicos (que crescem na ausência de oxigênio), os quais produzem uma quantidade crescente de compostos de enxofre, o que acaba por tornar o ambiente inóspito para a maioria dos animais.

    Embora escapem aos olhos e com isso não sejam sentidas pelo coração de cada um de nós, as zonas mortas não são menos importantes que o desmatamento da floresta amazônica. Na realidade, esse é mais um problema a ser enfrentado à medida que nos preparamos para dobrar a produção de alimentos. É bom lembrar que nos próximos cinquenta anos o número de bocas a ser alimentadas no planeta vai dobrar. Como sustentar essas pessoas preservando a Amazônia e os oceanos é um dos desafios tecnológicos a ser enfrentado por uma nova geração de agrônomos e ecólogos.


(Fernando Reinach. A longa marcha dos grilos canibais e outras crônicas sobre a vida no planeta Terra, 2010. Adaptado.)

“esse é mais um problema a ser enfrentado à medida que nos preparamos para dobrar a produção de alimentos” (4º parágrafo)



Em relação ao trecho que o antecede, o trecho sublinhado expressa ideia de

Alternativas
Q4306022 Português

Para responder à questão, leia um trecho do conto “A pátria”, do escritor Olavo Bilac (1865-1918), o Patrono do Serviço Militar. Não por acaso, a sua data de nascimento, 16 de dezembro, foi consagrada como Dia do Reservista.



1     O pai, velho soldado que a vida das guerras alquebrara1 , gostava de lembrar, à noite, quando toda a família se reunia na sala de jantar em roda da grande mesa antiga, os episódios das campanhas que vira.

    A mulher não ouvia com prazer aquelas histórias de cargas de cavalaria, de emboscadas, de assaltos, tão cheias de sangue e de horror. Quando o velho recordava aquele tempo, ela revivia a angústia dos dias passados na solidão, sem notícias do marido que lá andava pelo Paraguai. Lembrava-se da ansiedade e do medo com que esperava o correio, naquelas amaldiçoadas tardes de desespero. Quando o carteiro lhe entregava um envelope fechado, — quantos minutos ficava ela a mirar e a revolver nas mãos aquele pedaço de papel que vinha do querido ausente, e que tinha recebido os seus beijos e as suas lágrimas de saudade!

    Por fim abria a carta. A princípio não podia ler. Tremia-lhe nos dedos o papel. Tinha de repousar um pouco: e, quando conseguia terminar a leitura, ficava abatida e sem consolo diante daquelas notícias que não variavam nunca. Era sempre a mesma coisa: não se sabia quando acabaria a guerra; mas Deus velava por ele; era preciso assegurar, conquistando um bom posto, um futuro feliz para os filhos; além disso a Pátria estava acima de tudo...

    Ela amarrotava a carta... A Pátria! que era a Pátria, para valer mais do que ela, mais do que aquelas duas crianças, pobres inocentes que talvez a essa mesma hora já estivessem sem pai? Ia então contemplar os filhos, e ali ficava chorando, horas inteiras...

5      Quando o pai voltou da guerra, vinha major. Fora ferido. Perdera uma perna. A mulher abençoou essa desgraça. Ao menos, assim mutilado, ficava ele posto à margem, dispensado de voltar à mesma existência de perigos e canseiras. Podiam viver modestamente com seu soldo2. Qualquer outro trabalho leve de que se pudesse encarregar dar-lhe-ia o suficiente para educar os filhos. Agora, porém, quando o velho major, durante os serões domésticos, começava a contar os seus episódios de campanha, a mulher estremecia.

    No entusiasmo da narração, o velho transfigurava-se. O seu braço, estendido no ar, indicava os golpes de espada. A sua voz imitava, ora o ruído contínuo e seco da fuzilaria, ora o estrondo rouco dos canhoneios. Diante dele, Carlos, também transfigurado, bebia as suas palavras, com inveja, respirando a custo, agitando-se na cadeira. E a mãe quase rebentava em soluços, vendo a alegria do filho. Era aquele, há muito tempo, o seu maior receio... Pobre mãe! Desde o tempo em que apenas devia pensar em bonecos, o menino manifestava uma grande predileção pelas coisas da vida militar.

    Ficava horas inteiras contemplando as fardas do pai: e, à noite, deixando de estudar, fechando sobre a mesa as suas gramáticas e os seus dicionários, era ele o primeiro a pedir ao velho mais uma daquelas narrações que o embriagavam. Quando foi preciso escolher uma carreira, Carlos, sem hesitação, declarou que queria ir para a Escola Militar. O velho exultou3. A mulher, resignada, não teve protesto.



(Olavo Bilac & Coelho Neto. Contos pátrios, 1906. Adaptado.)



1 alquebrar: dobrar ou sofrer curvatura da espinha por doença, fraqueza ou velhice.


2 soldo: salário de militares.


3  exultar: exprimir grande alegria.

Os termos sublinhados no segundo e no sexto parágrafos do texto referem-se, respectivamente, a
Alternativas
Ano: 2026 Banca: VUNESP Órgão: PM-SP Prova: VUNESP - 2026 - PM-SP - Cadete PM |
Q4246584 Português
    A sensação de proximidade com celebridades e figuras midiáticas sempre existiu na história. Ao acompanhar esses indivíduos por meio de canais midiáticos, é comum que as pessoas acreditem que, de fato, construíram uma espécie de amizade com aqueles que acompanham por meio das telas. Assim, com o fortalecimento das redes sociais, esses tipos de interações, conhecidos como “relações parassociais”, tornaram-se ainda mais frequentes na sociedade.
    Pesquisadores avaliam que, como o conteúdo produzido por essas celebridades é absorvido de forma única por cada um dos indivíduos, é comum que eles acreditem que, de fato, criaram uma relação única e próxima de celebridades. Esse fenômeno explica, dessa forma, os motivos pelos quais certa credibilidade é atribuída a pessoas famosas em propagandas publicitárias, por exemplo.

(Julia Galvão. https://jornal.usp.br, 29.11.2023.)

As relações parassociais, apresentadas no excerto, tendem a
Alternativas
Respostas
1: E
2: A
3: B
4: D
5: E
6: E
7: B
8: E
9: E
10: C
11: A
12: B
13: A
14: C
15: C
16: C
17: B
18: B
19: E
20: D