Questões de Vestibular Sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português

Foram encontradas 6.532 questões

Ano: 2024 Banca: COMVEST - UNICAMP Órgão: UNICAMP Prova: COMVEST - UNICAMP - 2024 - UNICAMP - Vestibular |
Q3107225 Português
A citação a seguir, de Vida e morte de M. J. Gonzaga de Sá, de Lima Barreto, apresenta como o narrador conheceu o protagonista.
Num país em que, com tanta facilidade, se fabricam manipansos milagrosos, ídolos aterradores e deuses onipotentes, causa pasmo que a Secretaria dos Cultos não seja tão conhecida como a da Viação. Há, entretanto, nela, no seu Museu e nos seus registros, muita cousa interessante e digna de exame.
Foi, por ocasião de desempenhar-me da incumbência do meu diretor, que vim a conhecer Gonzaga de Sá, afogado num mar de papeis, na seção de “alfaias, paramentos e imagens”, informando muito seriamente a consulta do vigário de Sumaré, versando sobre o número de setas que devia ter a imagem de S. Sebastião.
(BARRETO, Lima. Vida e morte de M. J. Gonzaga de Sá. São Paulo: Edição da Revista do Brasil, p. 17, 1919.)


A partir dessa citação e da leitura do romance, é correto afirmar que Lima Barreto usa a personagem Gonzaga de Sá para
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Ano: 2024 Banca: COMVEST - UNICAMP Órgão: UNICAMP Prova: COMVEST - UNICAMP - 2024 - UNICAMP - Vestibular |
Q3107224 Português
O excerto a seguir, do livro Alice no país das maravilhas, de Lewis Carrol, narra o encontro entre a protagonista e o Gato de Cheshire:
O Gato apenas sorriu ao avistá-la. Alice achou que ele parecia afável. Mas como tinha garras muito compridas e dentes bem graúdos, sentiu que devia tratá-lo com respeito. – Gatinho de Cheshire – começou a dizer timidamente, sem ter certeza se ele gostaria de ser tratado assim, mas ele apenas abriu um pouco mais o sorriso. “Ótimo, parece que ele gostou”, pensou ela, e prosseguiu: – Podia me dizer, por favor, qual é o caminho para sair daqui? – Isso depende muito do lugar para onde você quer ir – disse o Gato. – Não me importa onde... – disse Alice. – Nesse caso não importa por onde você vá – disse o Gato. – ...conquanto que eu chegue a algum lugar – acrescentou Alice como explicação. – É claro que isso acontecerá – disse o Gato –, desde que você ande por algum tempo.
(CARROLL, L. Aventuras de Alice no país das maravilhas. Tradução de Sebastião Uchoa Leite. São Paulo: Editora 34, p. 68-69, 2016.)

A partir da leitura do trecho e da compreensão do todo da narrativa, pode-se afirmar que o excerto é um exemplo 
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Ano: 2024 Banca: COMVEST - UNICAMP Órgão: UNICAMP Prova: COMVEST - UNICAMP - 2024 - UNICAMP - Vestibular |
Q3107223 Português

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O “duplo sentido” a que o autor se refere está relacionado a uma

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Ano: 2024 Banca: COMVEST - UNICAMP Órgão: UNICAMP Prova: COMVEST - UNICAMP - 2024 - UNICAMP - Vestibular |
Q3107222 Português
Qual o macete de ‘Macetando’?

Macetar, verbo transitivo: “golpear (alguém ou algo) com maceta ou macete, um martelo de cabo curto”. A definição está nos dicionários, mas o carnaval, como de praxe, mascarou o significado a seu bel-prazer. O coro da multidão que acompanhou Ivete Sangalo na abertura da folia de Salvador comprova que essa é a época ideal para enriquecer o vocabulário. Música gravada pela cantora baiana com participação de Ludmilla, “Macetando” despontou como hit nacional ao encher a boca do povo com o refrão-chiclete: “Ah, bebê, é a Veveta que tá no comando / Macetando, macetando, macetando...”.
(Adaptado de CUNHA, G. Qual o macete de ‘macetando’? O Globo (versão online), 10/02/2024.)


Na letra da música em questão, um dos aspectos que contribuem para o mascaramento do significado de macetar é
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Ano: 2024 Banca: COMVEST - UNICAMP Órgão: UNICAMP Prova: COMVEST - UNICAMP - 2024 - UNICAMP - Vestibular |
Q3107221 Português



*Legenda das falas do último quadrinho:

“Quantos títulos eu tenho? / Quem foi meu avô?”

(Quadrinhos de Wesley Samp. Disponível em https://westrips.com.br/author/wesleysamp/. Acesso em 04/05/2024.)

Enquanto o povo da cidade se sentia muito importante, eu, por minha vez, me sentia necessário. Eles, porém, não me viam como alguém necessário, me viam como alguém útil. Para eles eu era um servidor, um serviçal. Eu era útil, mas poderia ser substituído porque não era necessário. Percebi que o povo da cidade tinha relações de utilidade e importância, mas não tinha relações de necessidade. Para nós, a pessoa que é importante não é quase nada. É aquela pessoa que se acha ótima, mas não serve. O termo que tem valor para nós é necessário. Há pessoas que são necessárias e há pessoas que são importantes. As pessoas que são importantes acham que as outras pessoas existem para servi-las. As pessoas necessárias são diferentes, são pessoas que fazem falta. Pessoas que precisam estar presentes, de quem se vai atrás.
(SANTOS, Antônio Bispo dos. A terra dá, a terra quer. São Paulo: UBU/Piseagrama, p. 24, 2023.)

Considerando o ponto de vista apresentado no texto de Antônio Bispo dos Santos sobre os “tipos de pessoa”, a personagem que fala nos quadrinhos de Wesley Samp pode ser caracterizada como alguém que
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Ano: 2024 Banca: COMVEST - UNICAMP Órgão: UNICAMP Prova: COMVEST - UNICAMP - 2024 - UNICAMP - Vestibular |
Q3107220 Português



*Legenda das falas do último quadrinho:

“Quantos títulos eu tenho? / Quem foi meu avô?”

(Quadrinhos de Wesley Samp. Disponível em https://westrips.com.br/author/wesleysamp/. Acesso em 04/05/2024.)

Na tira de Wesley Samp, a relação entre o verbal e o não verbal se dá por meio de uma 
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Ano: 2024 Banca: COMVEST - UNICAMP Órgão: UNICAMP Prova: COMVEST - UNICAMP - 2024 - UNICAMP - Vestibular |
Q3107219 Português
Leia o trabalho da grafiteira e muralista Simone Siss (Texto 1), reconhecida por abordar temáticas femininas em sua obra.

Texto 2
Maria era uma boa moça Pra turma lá do Gantois* Era Maria vai com as outras Maria de coser, Maria de casar Porém o que ninguém sabia É que tinha um particular Além de coser, além de rezar Também era Maria de pecar (Fragmento da canção Maria vai com as outras, de Vinícius de Moraes e Toquinho, gravada em 1971.) ------
* Um dos principais terreiros de candomblé da cidade de Salvador. Pronuncia-se gantoá


A partir da forma e do significado da expressão “maria vai com as outras”, podemos afirmar que
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Ano: 2024 Banca: COMVEST - UNICAMP Órgão: UNICAMP Prova: COMVEST - UNICAMP - 2024 - UNICAMP - Vestibular |
Q3107218 Português
Leia o trabalho da grafiteira e muralista Simone Siss (Texto 1), reconhecida por abordar temáticas femininas em sua obra.

Esse trabalho da artista Simone Siss expressa
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Q3042314 Português

Texto 9





Disponível em: https://valenews.com.br/2020/06/08/sao-jose-dos-campos-lanca-campanha-virtual-contra-violencia-domestica/. Acesso em: 18 jul. 2024.

Texto 10

Quase 400 milhões de crianças enfrentam violência em casa, afirma Unicef

      Quase 400 milhões de crianças com menos de cinco anos – aproximadamente 60% da faixa etária em todo o mundo – são disciplinadas com métodos de violência física ou psicológica em casa, de tapas a insultos, informou o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). As novas estimativas do Unicef compilam dados de 100 países entre 2010 e 2023, que envolvem tanto o “castigo físico” como a “agressão psicológica”.
   Para o Unicef, os maus-tratos psicológicos incluem gritos ou insultos, como “estúpido” ou “preguiçoso”, enquanto o abuso físico inclui sacudir, bater ou dar tapas em uma criança, ou qualquer ação que cause dor ou malestar, sem provocar ferimentos. Dos quase 400 milhões de menores de idade, 330 milhões sofrem castigos físicos, segundo a agência da Organização das Nações Unidas (ONU). Além disso, apesar de cada vez mais países proibirem o castigo físico, quase 500 milhões de crianças com menos de cinco anos estão desprotegidas na área jurídica contra essas práticas.
Disponível em: https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/afp/2024/06/10/quase-400-milhoes-de-criancas-enfrentam-violencia-em-casa-afirmaunicef.htm. Acesso em: 17 jul. 2024. Adaptado.

Os textos 9 e 10 abordam a situação da violência doméstica sofrida por crianças e adolescentes. Sobre a função predominante em cada um desses textos, pode-se afirmar que:
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Q3042312 Português

Texto 8



“Divertida Mente 2” já é o maior sucesso de bilheteira da história da Pixar


A animação “Divertida Mente 2”, da Pixar, lançado há pouco mais de três semanas, está sendo um sucesso nas bilheterias e, no Brasil, se tornou a maior bilheteria da história. Isso porque Divertida Mente 2 arrecadou até agora R$ 355 milhões. Com o número, a animação ultrapassou o marco de Vingadores: Ultimato, que abocanhou R$ 353 milhões no país em 2019.


Além do sucesso no Brasil, a continuação conquistou números impressionantes mundialmente. Ao todo, Divertida Mente 2 atingiu US$ 1.29 bilhão e entrou para a lista de animações com maiores bilheterias do cinema, ultrapassando Frozen: Uma Aventura Congelante (US$1.28 bi) e Os Incríveis 2 (US$1.24 bi) .Além disso, Divertida Mente 2 também chamou atenção por ter levado apenas 19 dias para passar a marca de US$ 1 bilhão mundialmente – antes disso, o recorde era de Frozen 2, com 25 dias.



Disponível em: https://istoe.com.br/divertidamente-2-ja-e-o-maior-sucesso-de-bilheteira-da-historia-dapixar/#:~:text=Isso%20porque%20Divertida%20Mente%202,continua%C3%A7%C3%A3o%20conquistou%20n%C3%BAmeros%20impressionante s%20mundialmente. Acesso em: 16 jul. 2024. Adaptado.

A construção de sentido do texto provém da organização de palavras e frases, gerando relações semânticas, marcadas por determinados operadores argumentativos. A esse respeito, é possível afirmar sobre os termos destacados, no texto 08, que
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Q3042311 Português

Texto 8



“Divertida Mente 2” já é o maior sucesso de bilheteira da história da Pixar


A animação “Divertida Mente 2”, da Pixar, lançado há pouco mais de três semanas, está sendo um sucesso nas bilheterias e, no Brasil, se tornou a maior bilheteria da história. Isso porque Divertida Mente 2 arrecadou até agora R$ 355 milhões. Com o número, a animação ultrapassou o marco de Vingadores: Ultimato, que abocanhou R$ 353 milhões no país em 2019.


Além do sucesso no Brasil, a continuação conquistou números impressionantes mundialmente. Ao todo, Divertida Mente 2 atingiu US$ 1.29 bilhão e entrou para a lista de animações com maiores bilheterias do cinema, ultrapassando Frozen: Uma Aventura Congelante (US$1.28 bi) e Os Incríveis 2 (US$1.24 bi) .Além disso, Divertida Mente 2 também chamou atenção por ter levado apenas 19 dias para passar a marca de US$ 1 bilhão mundialmente – antes disso, o recorde era de Frozen 2, com 25 dias.



Disponível em: https://istoe.com.br/divertidamente-2-ja-e-o-maior-sucesso-de-bilheteira-da-historia-dapixar/#:~:text=Isso%20porque%20Divertida%20Mente%202,continua%C3%A7%C3%A3o%20conquistou%20n%C3%BAmeros%20impressionante s%20mundialmente. Acesso em: 16 jul. 2024. Adaptado.

Analise as afirmativas a seguir e marque a alternativa que melhor caracteriza o texto lido. 
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Q3042310 Português

Texto 5


É verdade esse bilete: memes e a disputa pela verdade


Rangel Ramiro Ramos







A fim de ficar em casa e assistir a sua série preferida, Gabriel Lucca, de 5 anos, escreveu um bilhete passando-se por sua professora e o entregou à sua mãe. Nele, o recado era de que não haveria aula no dia seguinte, e, para finalizar sua “arte", Gabriel pós-escreveu: “é verdade esse bilhete”. A mãe de Gabriel não se conteve e publicou, no dia 21 de agosto, uma foto do bilhete no Facebook.

Alguns dias depois, a frase “é verdade esse bilhete” já havia se tornado um bordão nacional. Artistas, empresas e internautas das mais variadas regiões do país começaram a escrever absurdidades assinando de brincadeira: “é verdade esse bilhete”. O meme “é verdade esse bilhete” – que, no universo memeal, pode ser entendido como um bordão ou uma catchphrase – popularizou-se por sua ironia, figura de linguagem de oposição, que segundo Chagas (2016) é característica dos memes de discussão pública. [...]


Disponível em: https://museudememes.com.br/e-verdade-esse-bilete-memes-e-a-disputa-pela-verdade. Acesso em: 18 jul. 2024.


Texto 6







Disponível em: https://museudememes.com.br/e-verdade-esse-bilete-memes-e-a-disputa-pela-verdade. Acesso em: 18 jul. 2024. 

Leia o anúncio a seguir para responder a esta questão. Ele foi publicado pela empresa TIM, que atua como operadora de serviços de telefonia móvel, fixa, longa distância e transmissão de dados, numa revista mineira, disponibilizada em lugares de ampla circulação, como aeroportos, em 2011.

Texto 7
A TIM sabe que para mineiro qualquer lugar é perTIM. E tudo que tem tecnologia tem que ser perfeiTIM. E que quando ele liga, gosta de pagar um preço jusTIM Mineiro fala é assim. TIM: viver sem fronteiras...
Fonte: Revista Mais Propaganda. Belo Horizonte, ano 2, n. 23, 11 nov. 2011.

Por meio do anúncio, a empresa procurou gerar aproximação com os consumidores mineiros ao utilizar
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Q3042308 Português
Texto 4


Pátria dos direitos humanos? A expulsão em massa de sem-teto das ruas de Paris antes dos Jogos Olímpicos








Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/c2j3e4me0z9o. Acesso em: 20 jul. 2024. Adaptado. 
Os elementos de retomada exercem um papel fundamental para a progressão referencial. No texto analisado, várias expressões foram utilizadas para retomar o trecho “[...] esconder os pobres [...]” (linha 7), na construção de sentido do texto. Assinale a alternativa que apresenta um trecho que caracteriza uma tentativa de retomada dessa expressão de maneira a amenizar o seu sentido.
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Ano: 2023 Banca: VUNESP Órgão: FCM/SANTA CASA Prova: VUNESP - 2023 - FCM/SANTA CASA - Vestibular |
Q4150341 Português
    O dentista me passou a receita de remédio para ajudar a cicatrizar melhor uma pequena cirurgia. Parei na primeira farmácia. Aliás, uma grande farmácia, pertencente a uma dessas redes. Farmácia se tornou supermercado. A gente entra, recebe cestinha, procura os remédios nas gôndolas. E importamos o costume norte-americano de drugstore. Tem de tudo, de remédios a bolachas, leite em pó, calcinha e sutiãs, refrigerantes. Aguardem: cachorro-quente!
    Pois o jovem que me serviu apanhou a receita, olhou, reolhou e perguntou:

   — O que está escrito aqui?
   — O nome do remédio.
   — Sei, mas qual é o remédio?
   — Você é quem tem de saber.
   — Mas como vou saber, se não entendo a letra?
   — Acho que deve ser... Periogard... Isto? Existe um remédio com esse nome?
   — Vou ver.
   Ele foi. Olhou o que foi possível no P. E voltou.
   — Não temos.
   — Acabou ou está em falta?
   — Está em falta.
   Deixei por isso mesmo e continuei. Parei na próxima. Também o jovem olhou, reolhou, cochichou com outro que deu uma vista na receita.
    — Não temos.
    — Que remédio mesmo é? — É esse que está escrito aí. — Sei. Mas não entendo letra de médico.     — Nem eu. Por que não escreveu à máquina?
  Continuei mais um pouco, mas desisti. E fui para casa, pensando naqueles tempos em que o farmacêutico lia qualquer letra. E os médicos pareciam fazer de propósito aqueles garranchos, para colocar à prova o pobre boticário. Que, por sua vez, não dava o braço a torcer. Olhava, e sabia o medicamento. Pode ser que muita gente tenha tomado aquilo que o farmacêutico entendeu e que nem sempre correspondia ao prescrito. Mas, era batata, não falhava. Em Araraquara, de vez em quando, a professora apanhava a prova de um aluno:
      — Que letrinha, hein? Vai ser médico? O que pensa? Que o professor é farmacêutico?
    Eram duas castas bem estabelecidas. Os médicos com as letras ruins e os farmacêuticos que decifravam tudo, champolions1 dedicados. Muitas vezes imaginei que houvesse um conluio, principalmente quando se deixava a receita para aviar2 . Na calada da noite, o farmacêutico batendo à porta do médico e pedindo: “Socorro, doutor. Pode me decifrar as receitas de hoje?” E lá ficavam os dois, labutando.
   Hoje, médicos usam computadores. E as farmácias têm tantos, mas tantos remédios, que é impossível se guardar o nome de todos. Há pilhas de listas, grossíssimas. Ou o povo anda muito doente ou o melhor negócio do mundo é montar um laboratório e em seguida uma farmácia.

(Ignácio de Loyola Brandão. Crônicas para ler na escola, 2010.)

1     champolion: Jean-François Champollion, principal responsável pela decifração dos hieróglifos egípcios.

2    aviar: preparar um medicamento segundo uma prescrição.
Retoma uma expressão mencionada anteriormente no texto a palavra sublinhada em:
Alternativas
Ano: 2023 Banca: VUNESP Órgão: FCM/SANTA CASA Prova: VUNESP - 2023 - FCM/SANTA CASA - Vestibular |
Q4150336 Português
    O dentista me passou a receita de remédio para ajudar a cicatrizar melhor uma pequena cirurgia. Parei na primeira farmácia. Aliás, uma grande farmácia, pertencente a uma dessas redes. Farmácia se tornou supermercado. A gente entra, recebe cestinha, procura os remédios nas gôndolas. E importamos o costume norte-americano de drugstore. Tem de tudo, de remédios a bolachas, leite em pó, calcinha e sutiãs, refrigerantes. Aguardem: cachorro-quente!
    Pois o jovem que me serviu apanhou a receita, olhou, reolhou e perguntou:

   — O que está escrito aqui?
   — O nome do remédio.
   — Sei, mas qual é o remédio?
   — Você é quem tem de saber.
   — Mas como vou saber, se não entendo a letra?
   — Acho que deve ser... Periogard... Isto? Existe um remédio com esse nome?
   — Vou ver.
   Ele foi. Olhou o que foi possível no P. E voltou.
   — Não temos.
   — Acabou ou está em falta?
   — Está em falta.
   Deixei por isso mesmo e continuei. Parei na próxima. Também o jovem olhou, reolhou, cochichou com outro que deu uma vista na receita.
    — Não temos.
    — Que remédio mesmo é? — É esse que está escrito aí. — Sei. Mas não entendo letra de médico.     — Nem eu. Por que não escreveu à máquina?
  Continuei mais um pouco, mas desisti. E fui para casa, pensando naqueles tempos em que o farmacêutico lia qualquer letra. E os médicos pareciam fazer de propósito aqueles garranchos, para colocar à prova o pobre boticário. Que, por sua vez, não dava o braço a torcer. Olhava, e sabia o medicamento. Pode ser que muita gente tenha tomado aquilo que o farmacêutico entendeu e que nem sempre correspondia ao prescrito. Mas, era batata, não falhava. Em Araraquara, de vez em quando, a professora apanhava a prova de um aluno:
      — Que letrinha, hein? Vai ser médico? O que pensa? Que o professor é farmacêutico?
    Eram duas castas bem estabelecidas. Os médicos com as letras ruins e os farmacêuticos que decifravam tudo, champolions1 dedicados. Muitas vezes imaginei que houvesse um conluio, principalmente quando se deixava a receita para aviar2 . Na calada da noite, o farmacêutico batendo à porta do médico e pedindo: “Socorro, doutor. Pode me decifrar as receitas de hoje?” E lá ficavam os dois, labutando.
   Hoje, médicos usam computadores. E as farmácias têm tantos, mas tantos remédios, que é impossível se guardar o nome de todos. Há pilhas de listas, grossíssimas. Ou o povo anda muito doente ou o melhor negócio do mundo é montar um laboratório e em seguida uma farmácia.

(Ignácio de Loyola Brandão. Crônicas para ler na escola, 2010.)

1     champolion: Jean-François Champollion, principal responsável pela decifração dos hieróglifos egípcios.

2    aviar: preparar um medicamento segundo uma prescrição.
O cronista dirige-se explicitamente a seus leitores no seguinte trecho:
Alternativas
Ano: 2023 Banca: VUNESP Órgão: FCM/SANTA CASA Prova: VUNESP - 2023 - FCM/SANTA CASA - Vestibular |
Q4150335 Português

Examine o cartum de Richard Bittencourt, o Fí.


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Depreende-se do cartum que a mulher considera o conteúdo produzido pelo homem 

Alternativas
Ano: 2023 Banca: VUNESP Órgão: FCM/SANTA CASA Prova: VUNESP - 2023 - FCM/SANTA CASA - Vestibular - Medicina |
Q4149757 Português

Leia a tirinha de Jim Davis.


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Na tirinha, o gato se mostra

Alternativas
Ano: 2023 Banca: VUNESP Órgão: FCM/SANTA CASA Prova: VUNESP - 2023 - FCM/SANTA CASA - Vestibular - Medicina |
Q4149743 Português
Para responder às questões de 02 a 06, leia a crônica “Médicos e monstros”, de Moacyr Scliar, publicada originalmente no jornal Zero Hora, em 20.08.1997.


   Sentenças judiciais nem sempre têm sido muito felizes no que diz respeito aos direitos humanos, mas este 20 de agosto marca o quinquagésimo aniversário de uma decisão jurídica que se tornaria um marco não apenas na história da justiça como na da ética médica. Naquela data o Tribunal de Nuremberg condenou 23 médicos nazistas por participação em atividades de genocídio.

    O número não chega a ser impressionante. E os réus eram, na verdade, figuras secundárias. Ali não estava, por exemplo, Adolf Eichmann, que injetava corante nos olhos de crianças para torná-los arianamente azuis, ou que matou uma criança com suas próprias mãos para confirmar o diagnóstico de tuberculose, posto em dúvida por colegas. Como outros, ele tinha escapado — para ser alcançado depois pelo longo braço da justiça israelense.

     Importante, contudo, foi a sentença. Porque, anexo a ela, estava um documento que depois se tornaria conhecido como o Código de Nuremberg. Em sua defesa, os médicos nazis haviam alegado que estavam agindo em nome da ciência; para evitar que essa afrontosa alegação servisse de desculpa em crimes posteriores, o Código de Nuremberg estabeleceu vários princípios. Que hoje nos parecem óbvios: um experimento médico só pode ser feito com o consentimento da pessoa; deve proporcionar resultados que beneficiem a humanidade; deve evitar qualquer sofrimento. Que os doutores nazistas tenham violado princípios tão básicos mostra a que ponto chegaram em sua degradação. Mas não só eles, obviamente; em Tuskegee, no Alabama, médicos deixaram de usar a penicilina em pacientes negros com sífilis para observar como evoluiria a doença não tratada (um conhecimento, diga-se de passagem, há muito registrado nos manuais clínicos).

    Robert Louis Stevenson criou as figuras de Dr. Jekyll e Mr. Hyde, o médico e o monstro, para simbolizar o antagonismo entre o bem e o mal. Nos doutores nazistas esse antagonismo desapareceu: eram médicos e eram monstros. Diante da enorme quantidade de pessoas indefesas, a medicina optou pela extrema crueldade das experiências sem sentido, da tortura impiedosa, das câmaras de gás. Uma experiência que os médicos da ditadura, por exemplo, herdaram e que praticaram — inclusive aqui no Brasil — até há muito pouco tempo.

    Cinquenta anos depois da sentença do Tribunal de Nuremberg, é necessário lembrar, ainda uma vez, que a medicina surgiu, única e exclusivamente, para ajudar o ser humano. Qualquer ser humano.

(Moacyr Scliar. A nossa frágil condição humana, 2017.)
Retoma uma expressão mencionada anteriormente no texto a palavra sublinhada em:
Alternativas
Ano: 2023 Banca: VUNESP Órgão: FCM/SANTA CASA Prova: VUNESP - 2023 - FCM/SANTA CASA - Vestibular - Medicina |
Q4149739 Português
Para responder às questões de 02 a 06, leia a crônica “Médicos e monstros”, de Moacyr Scliar, publicada originalmente no jornal Zero Hora, em 20.08.1997.


   Sentenças judiciais nem sempre têm sido muito felizes no que diz respeito aos direitos humanos, mas este 20 de agosto marca o quinquagésimo aniversário de uma decisão jurídica que se tornaria um marco não apenas na história da justiça como na da ética médica. Naquela data o Tribunal de Nuremberg condenou 23 médicos nazistas por participação em atividades de genocídio.

    O número não chega a ser impressionante. E os réus eram, na verdade, figuras secundárias. Ali não estava, por exemplo, Adolf Eichmann, que injetava corante nos olhos de crianças para torná-los arianamente azuis, ou que matou uma criança com suas próprias mãos para confirmar o diagnóstico de tuberculose, posto em dúvida por colegas. Como outros, ele tinha escapado — para ser alcançado depois pelo longo braço da justiça israelense.

     Importante, contudo, foi a sentença. Porque, anexo a ela, estava um documento que depois se tornaria conhecido como o Código de Nuremberg. Em sua defesa, os médicos nazis haviam alegado que estavam agindo em nome da ciência; para evitar que essa afrontosa alegação servisse de desculpa em crimes posteriores, o Código de Nuremberg estabeleceu vários princípios. Que hoje nos parecem óbvios: um experimento médico só pode ser feito com o consentimento da pessoa; deve proporcionar resultados que beneficiem a humanidade; deve evitar qualquer sofrimento. Que os doutores nazistas tenham violado princípios tão básicos mostra a que ponto chegaram em sua degradação. Mas não só eles, obviamente; em Tuskegee, no Alabama, médicos deixaram de usar a penicilina em pacientes negros com sífilis para observar como evoluiria a doença não tratada (um conhecimento, diga-se de passagem, há muito registrado nos manuais clínicos).

    Robert Louis Stevenson criou as figuras de Dr. Jekyll e Mr. Hyde, o médico e o monstro, para simbolizar o antagonismo entre o bem e o mal. Nos doutores nazistas esse antagonismo desapareceu: eram médicos e eram monstros. Diante da enorme quantidade de pessoas indefesas, a medicina optou pela extrema crueldade das experiências sem sentido, da tortura impiedosa, das câmaras de gás. Uma experiência que os médicos da ditadura, por exemplo, herdaram e que praticaram — inclusive aqui no Brasil — até há muito pouco tempo.

    Cinquenta anos depois da sentença do Tribunal de Nuremberg, é necessário lembrar, ainda uma vez, que a medicina surgiu, única e exclusivamente, para ajudar o ser humano. Qualquer ser humano.

(Moacyr Scliar. A nossa frágil condição humana, 2017.)
De acordo com o cronista,
Alternativas
Ano: 2023 Banca: FGV Órgão: FEMPAR Prova: FGV - 2023 - FEMPAR - Vestibular - Medicina |
Q4141990 Português
Arqueologia da mentalidade
Partindo da análise de 4,5 milênios de textos literários da cultura egípcia, greco-romana, judaico-cristã, asiática, hindu, persa e medieval, pesquisadores brasileiros e argentinos encontraram semelhanças na estrutura não semântica entre textos datados da Idade do Bronze e relatos orais de crianças, adultos analfabetos e participantes com diagnóstico de psicose. Ao avaliar os textos selecionados, os pesquisadores procuraram fazer um resgate histórico do funcionamento da mentalidade humana, identificando que registros da Idade do Bronze (2.500 a 1.000 a.C.) são estruturalmente similares a relatos orais de crianças alfabetizadas e indivíduos adultos com diagnóstico de psicose da atualidade. Essa similaridade envolve uma estrutura de repetição do discurso, característica da linguagem oral que é modificada com a educação formal. Durante a Era Axial (800 a 200 a.C.), período da história antiga caracterizado por uma expansão do conhecimento em múltiplas áreas na Afro-Eurásia, a formação cognitiva do pensamento humano se tornou mais articulada, algo que é evidenciado pela literatura do período, que passou a contar com histórias mais complexas.
Adaptado de https://revistapesquisa.fapesp.br/arqueologia-da-mentalidade/
Sobre a relação entre escrita e evolução da função do pensamento, analise as afirmativas a seguir.
I. Pesquisas em arqueologia da mentalidade utilizam textos antigos como se fossem fósseis do pensamento humano, com base em estudos de neurociência, medicina, história e computação.
II. A mente de crianças e de indivíduos com diagnóstico de psicose funciona de modo análogo à dos primeiros hominídeos, com base em oralidade e, por isso, incapaz de armazenar memória social.
III. A pesquisa parte da hipótese de que diferentes tipos de registro (escrito ou oral) levam a diferentes sistemas de discurso, o que, por sua vez, tem influência sobre a cognição.
Está correto o que se afirma em
Alternativas
Respostas
121: C
122: D
123: B
124: D
125: A
126: D
127: C
128: B
129: C
130: B
131: A
132: C
133: D
134: B
135: B
136: C
137: A
138: C
139: E
140: C