Questões de Vestibular Sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português

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Q4130250 Português
De acordo com pesquisa do Observatório da Mulher contra a Violência do Senado Federal, no ano de 2025, 29% das mulheres participantes relataram ter sofrido algum tipo de violência, física, moral, patrimonial, sexual ou psicológica. No mesmo ano, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, foram registradas 1.568 vítimas de feminicídio, que é o homicídio cometido contra mulheres em situação de violência doméstica ou de discriminação de gênero, o que representou um crescimento de 4,7% em relação ao ano de 2024. Ainda, segundo os dados desse fórum, 8 a cada 10 dessas mulheres mortas em 2025 foram vitimadas por parceiros ou ex-companheiros. Combater este tipo de violência é uma obrigação de todas as pessoas no Brasil atual, e a Sociologia, junto de outras matérias da educação básica, busca através de debates e do desenvolvimento de competências e habilidades, aderir a esse combate.

Com base no exposto, assinale a opção correta.
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Q4130247 Português
Conforme Kupper (2023), os movimentos sociais contemporâneos possuem, de modo geral, uma tendência de reivindicar autonomia em relação ao Estado, e sua dinâmica política não é dada mais apenas pelas questões de classe, mas assumem “um caráter cultural por meio do controle da informação” e são contrários às classificações do mundo social pelos dominantes. Os atuais movimentos sociais, ainda, constroem-se em torno de disputas simbólicas sobre como as sociedades contemporâneas devem ser, centrando na inserção de diversas formas e estilos de vida.

KUPPPER, Agnaldo. Sociologia Ensino Médio: Poder e Política. 1ª ed. Maceió-AL: Editora Café com Sociologia, 2023.

Considerando o exposto, marque a opção correta.
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Q4130184 Português
O texto, a seguir, é parte da obra Os sertões, de Euclides da Cunha, publicado em 1902, intitulada “A terra”. A obra é resultado da cobertura jornalística da Guerra de Canudos, realizada entre agosto e outubro de 1897, para o jornal O Estado de S.Paulo.


TEXTO II

A terra



CUNHA, Euclides da. Os Sertões. Rio de Janeiro: Ediouro, 2003.
O trecho “Volvia ao turbilhão da vida sem decomposição repugnante, numa exaustão imperceptível.” (linhas 121-122) apresenta o sentido correspondente
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Q4130181 Português
O texto, a seguir, é parte da obra Os sertões, de Euclides da Cunha, publicado em 1902, intitulada “A terra”. A obra é resultado da cobertura jornalística da Guerra de Canudos, realizada entre agosto e outubro de 1897, para o jornal O Estado de S.Paulo.


TEXTO II

A terra



CUNHA, Euclides da. Os Sertões. Rio de Janeiro: Ediouro, 2003.
Considerando o conteúdo do texto, é correto afirmar que seu objetivo é
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Q4130180 Português
TEXTO I

Profetas da Chuva: a sabedoria da natureza e a fé



 
No trecho: “Esse fenômeno marca o fim do verão e a transição para o outono no Hemisfério Sul.” (linhas 42-43), o termo destacado refere-se, no texto,
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Q4130176 Português
TEXTO I

Profetas da Chuva: a sabedoria da natureza e a fé



 
De acordo com o texto, a expectativa dos profetas da chuva sobre a qualidade das chuvas é possível de ser entendida 
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Q4130175 Português
TEXTO I

Profetas da Chuva: a sabedoria da natureza e a fé



 
O texto I aborda os profetas da chuva, que são guardiões de saberes ancestrais. Assinale a opção que apresenta corretamente o objetivo do texto. 
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Q4103031 Português
TEXTO I


O padeiro


         Levanto cedo, faço minhas abluções, ponho a chaleira no fogo para fazer café e abroaportadoapartamento - mas não encontro o pão costumeiro. No mesmo instante me lembro de ter lidoalgumacoisa nos jornais da véspera sobre a "greve do pão dormido". De resto não é bemuma greve, éumlockout, greve dos patrões, que suspenderam o trabalho noturno; acham que obrigando opovoatomarseu café da manhã com pão dormido conseguirão não sei bem o que do governo.

         Está bem. Tomo o meu café com pão dormido, que não é tão ruim assim. E enquantotomocafévou me lembrando de um homem modesto que conheci antigamente. Quando vinha deixar opãoàportado apartamento ele apertava a campainha, mas, para não incomodar os moradores, avisava gritando:

         - Não é ninguém, é o padeiro!

         Interroguei-o uma vez: como tivera a ideia de gritar aquilo?

         "Então você não é ninguém?"

        Ele abriu um sorriso largo. Explicou que aprendera aquilo de ouvido. Muitas vezes lheacontecerabater a campainha de uma casa e ser atendido por uma empregada ou outra pessoa qualquer, eouvirumavoz que vinha lá de dentro perguntando quem era; e ouvir a pessoa que o atendera dizer para dentro: "nãoé ninguém, não senhora, é o padeiro". Assim ficara sabendo que não era ninguém...

        Ele me contou isso sem mágoa nenhuma, e se despediu ainda sorrindo. Eu não quis detê-loparaexplicar que estava falando com um colega, ainda que menos importante. Naquele tempoeutambém,como os padeiros, fazia o trabalho noturno. Era pela madrugada que deixava a redação de jornal, quasesempre depois de uma passagem pela oficina - e muitas vezes saía já levando na mão umdos primeirosexemplares rodados, o jornal ainda quentinho da máquina, como pão saído do forno.

         Ah, eu era rapaz, eu era rapaz naquele tempo! E às vezes me julgava importante porquenojornalque levava para casa, além de reportagens ou notas que eu escrevera sem assinar, ia uma crônicaouartigocom o meu nome. O jornal e o pão estariam bem cedinho na porta de cada lar; e dentro domeucoraçãoeu recebi a lição de humildade daquele homem entre todos útil e entre todos alegre; "não é ninguém, éopadeiro!"

        E assobiava pelas escadas.


Fonte: BRAGA, Rubem. O padeiro. In: ANDRADE, Carlos Drummond de et al. Crônicas I. 27. ed. São Paulo: Ática, 2006, p.61-62.
“Ele me contou isso sem mágoa nenhuma, e se despediu ainda sorrindo.” O termo grifado refere-se:
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Ano: 2025 Banca: UFRGS Órgão: UFRGS Prova: UFRGS - 2025 - UFRGS - Vestibular - 2º Dia |
Q4130697 Português
Instrução: A questão está relacionada ao texto abaixo.


Q__8.png (293×580)
Q1_8_.png (292×205)
Q1_8__.png (293×517)

Extraído de: BRADY, Kathleen. Lucille: The Life of Lucille Ball. Hyperion, 1994.
Considere as seguintes afirmações sobre o texto.

I - A atuação de Lucille Ball em filmes das décadas de 30 e 40 é pautada por sua expressividade. Tal marca acompanhou a atriz ao longo de sua carreira, conforme evidenciado pelo segmento exaggerated expressions (l. 79).
II - A personagem mais importante da atriz não pode ser considerada profunda. Lucy é simultaneamente malandra e atrapalhada, e seu humor está associado à subversão de convenções e ao lugar-comum.
III- Brady esteve na casa de Ball em 1986 para uma entrevista. Na ocasião, foram perceptíveis os esforços da atriz para reduzir os sinais da passagem do tempo através de grandes óculos azuis e da manutenção de duas características marcantes de seu cabelo.

Quais estão corretas? 
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Ano: 2025 Banca: UFRGS Órgão: UFRGS Prova: UFRGS - 2025 - UFRGS - Vestibular - 1º Dia |
Q4129401 Português
Instrução: Para responder a questão, leia o trecho abaixo, retirado de O avesso da pele, de Jeferson Tenório.


(...) Ao caminhar por Porto Alegre, você se sentia sem lugar. Porque, toda vez que você saía para caminhar, tinha a impressão de estar invadindo um espaço. Bastava dar uma olhada em volta para perceber que você não podia pertencer àquilo, mas acontece que você insistiu. Permaneceu. Porto Alegre era um lugar que você construiu fora de si. Você nunca esteve dentro dela. E agora caminho por essas mesmas ruas, tenho Ogum em minhas mãos, e ainda me sinto perdido, mas a palavra continua não sendo essa. Vou em frente, na direção do Guaíba. Tenho Ogum em minhas mãos porque agora é a minha vez. 
A partir do excerto acima e da leitura integral da obra O avesso da pele, considere as seguintes afirmações.

I - O trecho, presente no capítulo “A barca”, ilustra o final do enredo da obra, momento em que o narrador relembra a morte de seu pai.
II - O trecho pode ser caracterizado como a representação da tomada de consciência do narrador, amparado por Ogum, na luta contra a violência endereçada às pessoas pretas.
III- O trecho, presente no capítulo “O avesso”, recupera memórias do narrador quando estava no Departamento Médico-Legal de Porto Alegre, identificando o corpo de seu pai.

Quais estão corretas?
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Ano: 2025 Banca: UFRGS Órgão: UFRGS Prova: UFRGS - 2025 - UFRGS - Vestibular - 1º Dia |
Q4129399 Português
Instrução: Para responder a questão, leia os excertos abaixo, retirados de A carta de achamento do Brasil, de Pero Vaz de Caminha, e de A terra dos mil povos, de Kaká Werá Jecupé.


A carta de achamento do Brasil

A feição deles é serem pardos, um tanto avermelhados, de bons rostos e bons narizes, bem feitos. Andam nus, sem cobertura alguma. Nem fazem mais caso de encobrir ou deixar de encobrir suas vergonhas do que de mostrar a cara. Acerca disso são de grande inocência. Ambos traziam o beiço de baixo furado e metido nele um osso verdadeiro, de comprimento de uma mão travessa, e da grossura de um fuso de algodão, agudo na ponta como um furador. Metem-nos pela parte de dentro do beiço; e a parte que lhes fica entre o beiço e os dentes é feita a modo de roque de xadrez. E trazem-no ali encaixado de sorte que não os magoa, nem lhes põe estorvo no falar, nem no comer e beber.


A terra dos mil povos

O índio não se chamava nem se chama de índio. O nome “índio” veio dos ventos dos mares do século XVI, mas o espírito “índio” habitava o Brasil antes mesmo de o tempo existir e se estendeu pelas Américas para, mais tarde, exprimir muitos nomes, difusores da tradição do Sol, da Lua e do sonho. Então, o que é índio para o índio? Eu vou responder conforme me foi ensinado por meus avós, pelo Ayvu Rapyta, passado de boca a boca com a responsabilidade do fogo sobre a noite estrelada, e pelas cerimônias e pelos encontros por que tenho passado com os ancestrais na terra e no sonho. 
Assinale a alternativa correta sobre os fragmentos acima, considerando, também, a leitura integral da obra A terra dos mil povos. 
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Ano: 2025 Banca: UFRGS Órgão: UFRGS Prova: UFRGS - 2025 - UFRGS - Vestibular - 1º Dia |
Q4129388 Português
Instrução: A questão está relacionada ao texto abaixo.

Q9_15.png (309×405)
Q9_15_.png (308×537)



Adaptado de: FARACO, C. A. Apresentação. História sociopolítica da língua portuguesa. São Paulo: Parábola Editorial, 2016.
Na coluna da esquerda abaixo, estão listados sinais de pontuação e marcações gráficas; na da direita, o sentido ou a função que expressam no contexto em que ocorrem.

Associe corretamente a coluna da direita à da esquerda.

Q14.png (581×100)

A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
Alternativas
Ano: 2025 Banca: UFRGS Órgão: UFRGS Prova: UFRGS - 2025 - UFRGS - Vestibular - 1º Dia |
Q4129385 Português
Instrução: A questão está relacionada ao texto abaixo.

Q9_15.png (309×405)
Q9_15_.png (308×537)



Adaptado de: FARACO, C. A. Apresentação. História sociopolítica da língua portuguesa. São Paulo: Parábola Editorial, 2016.
Considere as seguintes afirmações sobre o texto.

I - O texto é predominantemente expositivo, organizado em torno de informações consideradas científicas sobre mudança linguística.
II - O texto não apresenta o ponto de vista argumentativo do autor, o que se evidencia pela ausência de primeira pessoa.
III- O texto apresenta interrogações, que têm a função de externalizar as dúvidas do autor sobre o tema tratado.

Quais estão corretas?
Alternativas
Ano: 2025 Banca: UFRGS Órgão: UFRGS Prova: UFRGS - 2025 - UFRGS - Vestibular - 1º Dia |
Q4129384 Português
Instrução: A questão está relacionada ao texto abaixo.

Q9_15.png (309×405)
Q9_15_.png (308×537)



Adaptado de: FARACO, C. A. Apresentação. História sociopolítica da língua portuguesa. São Paulo: Parábola Editorial, 2016.
Considere a afirmação que está de acordo com o sentido global do texto. 
Alternativas
Ano: 2025 Banca: UFRGS Órgão: UFRGS Prova: UFRGS - 2025 - UFRGS - Vestibular - 1º Dia |
Q4129380 Português
Instrução: A questão está relacionada ao texto abaixo.

Q1_8.png (293×565)
Q1_8_.png (292×224)
Q1_8__.png (293×565)
Q1_8___.png (296×209)


Adaptado de KENEDY, E. Celulares não vão derreter o cérebro de seus filhosmas quase. Disponível em: <https://lefufrj.wordpress.com/2024/12/16/celulares-naovao-derreter-o-cerebro-de-seus-filhos-mas-quase/>.
Acesso em: 25 ago. 2025.
Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as afirmações abaixo.

( ) O autor, ao escrever em primeira pessoa, narra a sua experiência com as ferramentas tecnológicas, de 1980 a 2024, e os impactos dessa experiência em sua vida, sem expressar posicionamentos.
( ) O autor apresenta vozes de outros, por meio de citações (l. 10-11, 19-20), para mostrar uma posição completamente oposta às apresentadas nessas citações.
( ) O texto apresenta oscilações entre o passado e o presente, por ter ora sequências tipológicas narrativo-descritivas, ora sequências tipológicas argumentativas.
( ) O autor do texto, ao valer-se da primeira pessoa do plural, fala de si, incluindo seus amigos, por terem vivido experiências semelhantes com as ferramentas tecnológicas.

A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
Alternativas
Ano: 2025 Banca: UFRGS Órgão: UFRGS Prova: UFRGS - 2025 - UFRGS - Vestibular - 1º Dia |
Q4129377 Português
Instrução: A questão está relacionada ao texto abaixo.

Q1_8.png (293×565)
Q1_8_.png (292×224)
Q1_8__.png (293×565)
Q1_8___.png (296×209)


Adaptado de KENEDY, E. Celulares não vão derreter o cérebro de seus filhosmas quase. Disponível em: <https://lefufrj.wordpress.com/2024/12/16/celulares-naovao-derreter-o-cerebro-de-seus-filhos-mas-quase/>.
Acesso em: 25 ago. 2025.
Assinale a alternativa que corresponde, correta e respectivamente, às remissões estabelecidas por nesses retângulos luminosos (l. 33-34) e eles (l. 88). 
Alternativas
Ano: 2025 Banca: UFRGS Órgão: UFRGS Prova: UFRGS - 2025 - UFRGS - Vestibular - 1º Dia |
Q4129376 Português
Instrução: A questão está relacionada ao texto abaixo.

Q1_8.png (293×565)
Q1_8_.png (292×224)
Q1_8__.png (293×565)
Q1_8___.png (296×209)


Adaptado de KENEDY, E. Celulares não vão derreter o cérebro de seus filhosmas quase. Disponível em: <https://lefufrj.wordpress.com/2024/12/16/celulares-naovao-derreter-o-cerebro-de-seus-filhos-mas-quase/>.
Acesso em: 25 ago. 2025.
Considere as seguintes afirmações sobre algumas das ideias expressas no texto.

I - O texto trata dos possíveis efeitos negativos do uso excessivo de ferramentas tecnológicas por crianças, adolescentes e jovens.
II - O texto aborda as mudanças das ferramentas tecnológicas a partir de 1980 e os impactos dessas ferramentas na vida de pessoas mais velhas.
III- O texto trata de pesquisas em ciências cognitivas que têm apontado a importância do convívio com diferentes tipos de interação para o crescimento humano.

Quais estão corretas?
Alternativas
Ano: 2025 Banca: VUNESP Órgão: EINSTEIN Prova: VUNESP - 2025 - EINSTEIN - Vestibular - Prova I - 1º Semestre 2026 |
Q4116351 Português
Analise as manchetes publicadas pelo jornal de notícias BBC News Brasil.
“Parece leite, mas não é”: como crise “empobreceu” a fórmula dos produtos lácteos do Brasil. (13.08.2022.)
Azeite: por que fraudes são tão comuns — e como escolher o mais saudável. (18.09.2022.)
A verdade sobre o “café fake”: por dentro do “parece, mas não é” que se espalha pelos supermercados. (10.02.2025.)
As manchetes apresentam um processo comum nos últimos anos, em que o desenvolvimento técnico e científico ofereceu alternativas às indústrias, modificando a cadeia produtiva, da indústria ao produto final. No contexto do modelo capitalista de produção, as manchetes apontam para o interesse em
Alternativas
Ano: 2025 Banca: VUNESP Órgão: EINSTEIN Prova: VUNESP - 2025 - EINSTEIN - Vestibular - Prova I - 1º Semestre 2026 |
Q4116334 Português
Para responder à questão, leia um trecho da obra Ideias para adiar o fim do mundo, uma adaptação de duas palestras e uma entrevista realizadas com o autor Ailton Krenak.

        O fim do mundo talvez seja uma breve interrupção de um estado de prazer extasiante que a gente não quer perder. Parece que todos os artifícios que foram buscados pelos nossos ancestrais e por nós têm a ver com essa sensação. Quando se transfere isso para a mercadoria, para os objetos, para as coisas exteriores, se materializa no que a técnica desenvolveu, no aparato todo que se foi sobrepondo ao corpo da mãe Terra. Todas as histórias antigas chamam a Terra de Mãe, Pacha Mama, Gaia. Uma deusa perfeita e infindável, fluxo de graça, beleza e fartura. Veja-se a imagem grega da deusa da prosperidade, que tem uma cornucópia1 que fica o tempo todo jorrando riqueza sobre o mundo… Noutras tradições, na China e na Índia, nas Américas, em todas as culturas mais antigas, a referência é de uma provedora maternal. Não tem nada a ver com a imagem masculina ou do pai. Todas as vezes que a imagem do pai rompe nessa paisagem é sempre para depredar, detonar e dominar.

        O desconforto que a ciência moderna, as tecnologias, as movimentações que resultaram naquilo que chamamos de “revoluções de massa”, tudo isso não ficou localizado numa região, mas cindiu o planeta a ponto de, no século XX, termos situações como a Guerra Fria, em que você tinha, de um lado do muro, uma parte da humanidade, e a outra, do lado de lá, na maior tensão, pronta para puxar o gatilho para cima dos outros. Não tem fim do mundo mais iminente do que quando você tem um mundo do lado de lá do muro e um do lado de cá, ambos tentando adivinhar o que o outro está fazendo. Isso é um abismo, isso é uma queda. Então a pergunta a fazer seria: “Por que tanto medo assim de uma queda se a gente não fez nada nas outras eras senão cair?”.

        Já caímos em diferentes escalas e em diferentes lugares do mundo. Mas temos muito medo do que vai acontecer quando a gente cair. Sentimos insegurança, uma paranoia da queda porque as outras possibilidades que se abrem exigem implodir essa casa que herdamos, que confortavelmente carregamos em grande estilo, mas passamos o tempo inteiro morrendo de medo. Então, talvez o que a gente tenha de fazer é descobrir um paraquedas. Não eliminar a queda, mas inventar e fabricar milhares de paraquedas coloridos, divertidos, inclusive prazerosos. Já que aquilo de que realmente gostamos é gozar, viver no prazer aqui na Terra. Então, que a gente pare de despistar essa nossa vocação e, em vez de ficar inventando outras parábolas, que a gente se renda a essa principal e não se deixe iludir com o aparato da técnica.

(Ideias para adiar o fim do mundo, 2020.) 1   cornucópia: vaso em forma de chifre, com frutas e flores que dele extravasam profusamente, antigo símbolo da fertilidade, riqueza, abundância.
No último parágrafo, o autor faz uma analogia que utiliza as imagens da “queda” e do “paraquedas”. Ao propor que fabriquemos paraquedas, Krenak sugere 
Alternativas
Ano: 2025 Banca: VUNESP Órgão: EINSTEIN Prova: VUNESP - 2025 - EINSTEIN - Vestibular - Prova I - 1º Semestre 2026 |
Q4116332 Português
Para responder à questão, leia um trecho da obra Ideias para adiar o fim do mundo, uma adaptação de duas palestras e uma entrevista realizadas com o autor Ailton Krenak.

        O fim do mundo talvez seja uma breve interrupção de um estado de prazer extasiante que a gente não quer perder. Parece que todos os artifícios que foram buscados pelos nossos ancestrais e por nós têm a ver com essa sensação. Quando se transfere isso para a mercadoria, para os objetos, para as coisas exteriores, se materializa no que a técnica desenvolveu, no aparato todo que se foi sobrepondo ao corpo da mãe Terra. Todas as histórias antigas chamam a Terra de Mãe, Pacha Mama, Gaia. Uma deusa perfeita e infindável, fluxo de graça, beleza e fartura. Veja-se a imagem grega da deusa da prosperidade, que tem uma cornucópia1 que fica o tempo todo jorrando riqueza sobre o mundo… Noutras tradições, na China e na Índia, nas Américas, em todas as culturas mais antigas, a referência é de uma provedora maternal. Não tem nada a ver com a imagem masculina ou do pai. Todas as vezes que a imagem do pai rompe nessa paisagem é sempre para depredar, detonar e dominar.

        O desconforto que a ciência moderna, as tecnologias, as movimentações que resultaram naquilo que chamamos de “revoluções de massa”, tudo isso não ficou localizado numa região, mas cindiu o planeta a ponto de, no século XX, termos situações como a Guerra Fria, em que você tinha, de um lado do muro, uma parte da humanidade, e a outra, do lado de lá, na maior tensão, pronta para puxar o gatilho para cima dos outros. Não tem fim do mundo mais iminente do que quando você tem um mundo do lado de lá do muro e um do lado de cá, ambos tentando adivinhar o que o outro está fazendo. Isso é um abismo, isso é uma queda. Então a pergunta a fazer seria: “Por que tanto medo assim de uma queda se a gente não fez nada nas outras eras senão cair?”.

        Já caímos em diferentes escalas e em diferentes lugares do mundo. Mas temos muito medo do que vai acontecer quando a gente cair. Sentimos insegurança, uma paranoia da queda porque as outras possibilidades que se abrem exigem implodir essa casa que herdamos, que confortavelmente carregamos em grande estilo, mas passamos o tempo inteiro morrendo de medo. Então, talvez o que a gente tenha de fazer é descobrir um paraquedas. Não eliminar a queda, mas inventar e fabricar milhares de paraquedas coloridos, divertidos, inclusive prazerosos. Já que aquilo de que realmente gostamos é gozar, viver no prazer aqui na Terra. Então, que a gente pare de despistar essa nossa vocação e, em vez de ficar inventando outras parábolas, que a gente se renda a essa principal e não se deixe iludir com o aparato da técnica.

(Ideias para adiar o fim do mundo, 2020.) 1   cornucópia: vaso em forma de chifre, com frutas e flores que dele extravasam profusamente, antigo símbolo da fertilidade, riqueza, abundância.
Segundo as ideias do autor, o “fim do mundo” é representado 
Alternativas
Respostas
1: A
2: C
3: D
4: B
5: A
6: A
7: B
8: E
9: D
10: C
11: E
12: A
13: A
14: E
15: E
16: C
17: D
18: A
19: E
20: E