Questões de Vestibular Sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português

Foram encontradas 6.402 questões

Ano: 2024 Banca: COMVEST - UNICAMP Órgão: UNICAMP Prova: COMVEST - UNICAMP - 2024 - UNICAMP - Vestibular |
Q3107220 Português



*Legenda das falas do último quadrinho:

“Quantos títulos eu tenho? / Quem foi meu avô?”

(Quadrinhos de Wesley Samp. Disponível em https://westrips.com.br/author/wesleysamp/. Acesso em 04/05/2024.)

Na tira de Wesley Samp, a relação entre o verbal e o não verbal se dá por meio de uma 
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Ano: 2024 Banca: COMVEST - UNICAMP Órgão: UNICAMP Prova: COMVEST - UNICAMP - 2024 - UNICAMP - Vestibular |
Q3107219 Português
Leia o trabalho da grafiteira e muralista Simone Siss (Texto 1), reconhecida por abordar temáticas femininas em sua obra.

Texto 2
Maria era uma boa moça Pra turma lá do Gantois* Era Maria vai com as outras Maria de coser, Maria de casar Porém o que ninguém sabia É que tinha um particular Além de coser, além de rezar Também era Maria de pecar (Fragmento da canção Maria vai com as outras, de Vinícius de Moraes e Toquinho, gravada em 1971.) ------
* Um dos principais terreiros de candomblé da cidade de Salvador. Pronuncia-se gantoá


A partir da forma e do significado da expressão “maria vai com as outras”, podemos afirmar que
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Ano: 2024 Banca: COMVEST - UNICAMP Órgão: UNICAMP Prova: COMVEST - UNICAMP - 2024 - UNICAMP - Vestibular |
Q3107218 Português
Leia o trabalho da grafiteira e muralista Simone Siss (Texto 1), reconhecida por abordar temáticas femininas em sua obra.

Esse trabalho da artista Simone Siss expressa
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Q3042314 Português

Texto 9





Disponível em: https://valenews.com.br/2020/06/08/sao-jose-dos-campos-lanca-campanha-virtual-contra-violencia-domestica/. Acesso em: 18 jul. 2024.

Texto 10

Quase 400 milhões de crianças enfrentam violência em casa, afirma Unicef

      Quase 400 milhões de crianças com menos de cinco anos – aproximadamente 60% da faixa etária em todo o mundo – são disciplinadas com métodos de violência física ou psicológica em casa, de tapas a insultos, informou o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). As novas estimativas do Unicef compilam dados de 100 países entre 2010 e 2023, que envolvem tanto o “castigo físico” como a “agressão psicológica”.
   Para o Unicef, os maus-tratos psicológicos incluem gritos ou insultos, como “estúpido” ou “preguiçoso”, enquanto o abuso físico inclui sacudir, bater ou dar tapas em uma criança, ou qualquer ação que cause dor ou malestar, sem provocar ferimentos. Dos quase 400 milhões de menores de idade, 330 milhões sofrem castigos físicos, segundo a agência da Organização das Nações Unidas (ONU). Além disso, apesar de cada vez mais países proibirem o castigo físico, quase 500 milhões de crianças com menos de cinco anos estão desprotegidas na área jurídica contra essas práticas.
Disponível em: https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/afp/2024/06/10/quase-400-milhoes-de-criancas-enfrentam-violencia-em-casa-afirmaunicef.htm. Acesso em: 17 jul. 2024. Adaptado.

Os textos 9 e 10 abordam a situação da violência doméstica sofrida por crianças e adolescentes. Sobre a função predominante em cada um desses textos, pode-se afirmar que:
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Q3042312 Português

Texto 8



“Divertida Mente 2” já é o maior sucesso de bilheteira da história da Pixar


A animação “Divertida Mente 2”, da Pixar, lançado há pouco mais de três semanas, está sendo um sucesso nas bilheterias e, no Brasil, se tornou a maior bilheteria da história. Isso porque Divertida Mente 2 arrecadou até agora R$ 355 milhões. Com o número, a animação ultrapassou o marco de Vingadores: Ultimato, que abocanhou R$ 353 milhões no país em 2019.


Além do sucesso no Brasil, a continuação conquistou números impressionantes mundialmente. Ao todo, Divertida Mente 2 atingiu US$ 1.29 bilhão e entrou para a lista de animações com maiores bilheterias do cinema, ultrapassando Frozen: Uma Aventura Congelante (US$1.28 bi) e Os Incríveis 2 (US$1.24 bi) .Além disso, Divertida Mente 2 também chamou atenção por ter levado apenas 19 dias para passar a marca de US$ 1 bilhão mundialmente – antes disso, o recorde era de Frozen 2, com 25 dias.



Disponível em: https://istoe.com.br/divertidamente-2-ja-e-o-maior-sucesso-de-bilheteira-da-historia-dapixar/#:~:text=Isso%20porque%20Divertida%20Mente%202,continua%C3%A7%C3%A3o%20conquistou%20n%C3%BAmeros%20impressionante s%20mundialmente. Acesso em: 16 jul. 2024. Adaptado.

A construção de sentido do texto provém da organização de palavras e frases, gerando relações semânticas, marcadas por determinados operadores argumentativos. A esse respeito, é possível afirmar sobre os termos destacados, no texto 08, que
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Q3042311 Português

Texto 8



“Divertida Mente 2” já é o maior sucesso de bilheteira da história da Pixar


A animação “Divertida Mente 2”, da Pixar, lançado há pouco mais de três semanas, está sendo um sucesso nas bilheterias e, no Brasil, se tornou a maior bilheteria da história. Isso porque Divertida Mente 2 arrecadou até agora R$ 355 milhões. Com o número, a animação ultrapassou o marco de Vingadores: Ultimato, que abocanhou R$ 353 milhões no país em 2019.


Além do sucesso no Brasil, a continuação conquistou números impressionantes mundialmente. Ao todo, Divertida Mente 2 atingiu US$ 1.29 bilhão e entrou para a lista de animações com maiores bilheterias do cinema, ultrapassando Frozen: Uma Aventura Congelante (US$1.28 bi) e Os Incríveis 2 (US$1.24 bi) .Além disso, Divertida Mente 2 também chamou atenção por ter levado apenas 19 dias para passar a marca de US$ 1 bilhão mundialmente – antes disso, o recorde era de Frozen 2, com 25 dias.



Disponível em: https://istoe.com.br/divertidamente-2-ja-e-o-maior-sucesso-de-bilheteira-da-historia-dapixar/#:~:text=Isso%20porque%20Divertida%20Mente%202,continua%C3%A7%C3%A3o%20conquistou%20n%C3%BAmeros%20impressionante s%20mundialmente. Acesso em: 16 jul. 2024. Adaptado.

Analise as afirmativas a seguir e marque a alternativa que melhor caracteriza o texto lido. 
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Q3042310 Português

Texto 5


É verdade esse bilete: memes e a disputa pela verdade


Rangel Ramiro Ramos







A fim de ficar em casa e assistir a sua série preferida, Gabriel Lucca, de 5 anos, escreveu um bilhete passando-se por sua professora e o entregou à sua mãe. Nele, o recado era de que não haveria aula no dia seguinte, e, para finalizar sua “arte", Gabriel pós-escreveu: “é verdade esse bilhete”. A mãe de Gabriel não se conteve e publicou, no dia 21 de agosto, uma foto do bilhete no Facebook.

Alguns dias depois, a frase “é verdade esse bilhete” já havia se tornado um bordão nacional. Artistas, empresas e internautas das mais variadas regiões do país começaram a escrever absurdidades assinando de brincadeira: “é verdade esse bilhete”. O meme “é verdade esse bilhete” – que, no universo memeal, pode ser entendido como um bordão ou uma catchphrase – popularizou-se por sua ironia, figura de linguagem de oposição, que segundo Chagas (2016) é característica dos memes de discussão pública. [...]


Disponível em: https://museudememes.com.br/e-verdade-esse-bilete-memes-e-a-disputa-pela-verdade. Acesso em: 18 jul. 2024.


Texto 6







Disponível em: https://museudememes.com.br/e-verdade-esse-bilete-memes-e-a-disputa-pela-verdade. Acesso em: 18 jul. 2024. 

Leia o anúncio a seguir para responder a esta questão. Ele foi publicado pela empresa TIM, que atua como operadora de serviços de telefonia móvel, fixa, longa distância e transmissão de dados, numa revista mineira, disponibilizada em lugares de ampla circulação, como aeroportos, em 2011.

Texto 7
A TIM sabe que para mineiro qualquer lugar é perTIM. E tudo que tem tecnologia tem que ser perfeiTIM. E que quando ele liga, gosta de pagar um preço jusTIM Mineiro fala é assim. TIM: viver sem fronteiras...
Fonte: Revista Mais Propaganda. Belo Horizonte, ano 2, n. 23, 11 nov. 2011.

Por meio do anúncio, a empresa procurou gerar aproximação com os consumidores mineiros ao utilizar
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Q3042308 Português
Texto 4


Pátria dos direitos humanos? A expulsão em massa de sem-teto das ruas de Paris antes dos Jogos Olímpicos








Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/c2j3e4me0z9o. Acesso em: 20 jul. 2024. Adaptado. 
Os elementos de retomada exercem um papel fundamental para a progressão referencial. No texto analisado, várias expressões foram utilizadas para retomar o trecho “[...] esconder os pobres [...]” (linha 7), na construção de sentido do texto. Assinale a alternativa que apresenta um trecho que caracteriza uma tentativa de retomada dessa expressão de maneira a amenizar o seu sentido.
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Ano: 2023 Banca: FUVEST Órgão: USP Prova: FUVEST - 2023 - USP - Vestibular - Conhecimentos Gerais V |
Q4237224 Português
“Por quê? Porque pensar em direitos humanos tem um pressuposto: reconhecer que aquilo que consideramos indispensável para nós é também indispensável para o próximo. (...). Nesse ponto as pessoas são frequentemente vítimas de uma curiosa obnubilação. Elas afirmam que o próximo tem direito, sem dúvida, a certos bens fundamentais, como casa, comida, instrução, saúde, coisas que ninguém bem formado admite hoje em dia que sejam privilégio de minorias, como são no Brasil. Mas será que pensam que seu semelhante pobre teria direito a ler Dostoievski ou ouvir os quartetos de Beethoven? (...). Ora, o esforço para incluir o semelhante no mesmo elenco de bens que reivindicamos está na base da reflexão sobre os direitos humanos.”
CANDIDO, Antonio. Vários escritos. 3ª ed. revista e ampliada. São Paulo: Duas Cidades, 1995.


Com base na leitura do texto, pode-se afirmar que Antonio Candido defende que o acesso a bens como a literatura e a música 
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Ano: 2023 Banca: FUVEST Órgão: USP Prova: FUVEST - 2023 - USP - Vestibular - Conhecimentos Gerais V |
Q4237216 Português
Tempo de nos aquilombar


É tempo de caminhar em fingido silêncio,
e buscar o momento certo no grito,
aparentar fechar um olho evitando o cisco
e abrir escancaradamente o outro.

É tempo de fazer os ouvidos moucos
para os vazios lero-leros,
e cuidar dos passos assuntando as vias,
ir se vigiando atento, que o buraco é fundo.

É tempo de ninguém se soltar de ninguém,
mas olhar fundo na palma aberta
a alma de quem lhe oferece o gesto.
O laçar de mãos não pode ser algemas,
e sim acertada tática, necessário esquema.

É tempo de formar novos quilombos,
em qualquer lugar que estejamos
e que venham dias futuros, salve 2020
A mística quilombola persiste afirmando:
“a liberdade é uma luta constante”.

Conceição Evaristo. Jornal O Globo, 31/12/2019. 

Considerando o enfoque do texto na denúncia social, o eu lírico revela, predominantemente, 
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Ano: 2023 Banca: UFRGS Órgão: UFRGS Prova: UFRGS - 2023 - UFRGS - Vestibular 2024 - 1º Dia |
Q4164037 Português
Instrução: Os fragmentos abaixo referem-se a três momentos da história de Ponciá Vicêncio, de Conceição Evaristo. Considere-os, no contexto do enredo da obra, para responder à questão.


I.
E, depois de longa ausência pela cidade, durante o tempo de seu regresso, Ponciá encontrou com Nêngua Kainda. A mulher, que era alta e magra, pareceu-lhe mais alta e magra ainda. Continuava ereta, apesar da idade, como uma palmeira seca. A pele do rosto, das mãos, do pescoço e dos pés descalços era enrugada como a de um maracujá maduro. Tinha o olhar vivo, enxergador de tudo. A velha pousou a mão sobre a cabeça de Ponciá Vicêncio dizendo-lhe, que, embora ela não tivesse encontrado a mãe e nem o irmão, ela não estava sozinha. Que fizesse o que o coração pedisse. Ir ou ficar? Só ela mesma é quem sabia, mas, para qualquer lugar que ela fosse, da herança deixada por Vô Vicêncio ela não fugiria. Mais cedo ou mais tarde, o fato se daria, a lei se cumpriria.


II.
Nêngua Kainda, falando a língua que só os mais velhos entendiam, abençoou Luandi. Falou que a mãe do rapaz estava viva e que eles se encontrariam um dia. Falou de Ponciá Vicêncio também. A irmã estava na cidade, não muito longe dele. Carecia de encontrá-la urgente, acolhê-la antes que a herança se fizesse presente.

III.
Foi preciso que a herança de Vô Vicêncio se realizasse, se cumprisse na irmã para que ele entendesse tudo. Só agora atinava também com o riso e as palavras de Nêngua Kainda. 
A partir da leitura dos fragmentos, considere as seguintes afirmações.

I - A “herança” do Vô Vicêncio permitiu que Luandi comprasse uma casa para acolher sua mãe e sua irmã, Ponciá.
II - Nêngua Kainda representa uma voz ancestral que orienta as personagens na realização de seus destinos.
III- A trajetória de Ponciá se completa quando reencontra sua mãe e seu irmão.

Quais estão corretas?
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Ano: 2023 Banca: UFRGS Órgão: UFRGS Prova: UFRGS - 2023 - UFRGS - Vestibular - 1º Dia |
Q4162812 Português
Leia o segmento abaixo.

Perguntava-me quais poderiam ser as causas e motivos que levavam tantos homens, clérigos e outros, a maldizer as mulheres e a condenar suas condutas em palavras, tratados e escritos. Isso não é questão de um ou dois homens [...] Filósofos, poetas e moralistas, e a lista poderia ser bem longa, todos parecem falar com a mesma voz para chegar à conclusão de que a mulher é profundamente má e inclinada ao vício. [...] Mas, pelo meu conhecimento e experiência e por mais que examinasse profundamente a questão, não conseguia compreender, nem admitir, a legitimidade de tal julgamento sobre a natureza e a conduta das mulheres.

CHRISTINE DE PIZAN. A cidade das damas. Tradução e apresentação de Luciana Eleonora de Freitas Calado Deplagne. Florianópolis: Editora Mulheres, 2012. p. 58-59.

Considerando o texto de Christine de Pizan (1363-1430) e a produção de conhecimento nos períodos conhecidos como medieval e moderno, é correto afirmar que
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Ano: 2023 Banca: UFRGS Órgão: UFRGS Prova: UFRGS - 2023 - UFRGS - Vestibular - 1º Dia |
Q4162789 Português
Instrução: A questão refere-se ao Texto 2.


Texto 2

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Adaptado de: OLIVEIRA JR., M. O que é entonação? In: OTHERO, G. A.; FLORES, V. N. O que sabemos sobre a linguagem? São Paulo: Parábola, 2022.
Considere as seguintes afirmações sobre a síntese dos parágrafos do texto.

I - O primeiro parágrafo traz uma contextualização do tema, via exemplos que o autor procura apresentar para situar o leitor.
II - O segundo parágrafo apresenta a argumentação do autor, relacionada ao papel que as propriedades, acima do nível segmental, têm para expressar diferentes sentidos de uma frase.
III- O terceiro e quarto parágrafos retomam exemplos, com a apresentação do termo entonação, relativamente à fala e à escrita.

Quais estão corretas?
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Ano: 2023 Banca: UFRGS Órgão: UFRGS Prova: UFRGS - 2023 - UFRGS - Vestibular - 1º Dia |
Q4162781 Português
Instrução: A questão está relacionada ao texto 1.


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Adaptado de: ASSIS BRASIL, L. A. O pintor de retratos. Porto Alegre: L&PM, 2002.
Assinale a alternativa que melhor expressa a ideia central do texto.
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Ano: 2023 Banca: VUNESP Órgão: FCM/SANTA CASA Prova: VUNESP - 2023 - FCM/SANTA CASA - Vestibular |
Q4150341 Português
    O dentista me passou a receita de remédio para ajudar a cicatrizar melhor uma pequena cirurgia. Parei na primeira farmácia. Aliás, uma grande farmácia, pertencente a uma dessas redes. Farmácia se tornou supermercado. A gente entra, recebe cestinha, procura os remédios nas gôndolas. E importamos o costume norte-americano de drugstore. Tem de tudo, de remédios a bolachas, leite em pó, calcinha e sutiãs, refrigerantes. Aguardem: cachorro-quente!
    Pois o jovem que me serviu apanhou a receita, olhou, reolhou e perguntou:

   — O que está escrito aqui?
   — O nome do remédio.
   — Sei, mas qual é o remédio?
   — Você é quem tem de saber.
   — Mas como vou saber, se não entendo a letra?
   — Acho que deve ser... Periogard... Isto? Existe um remédio com esse nome?
   — Vou ver.
   Ele foi. Olhou o que foi possível no P. E voltou.
   — Não temos.
   — Acabou ou está em falta?
   — Está em falta.
   Deixei por isso mesmo e continuei. Parei na próxima. Também o jovem olhou, reolhou, cochichou com outro que deu uma vista na receita.
    — Não temos.
    — Que remédio mesmo é? — É esse que está escrito aí. — Sei. Mas não entendo letra de médico.     — Nem eu. Por que não escreveu à máquina?
  Continuei mais um pouco, mas desisti. E fui para casa, pensando naqueles tempos em que o farmacêutico lia qualquer letra. E os médicos pareciam fazer de propósito aqueles garranchos, para colocar à prova o pobre boticário. Que, por sua vez, não dava o braço a torcer. Olhava, e sabia o medicamento. Pode ser que muita gente tenha tomado aquilo que o farmacêutico entendeu e que nem sempre correspondia ao prescrito. Mas, era batata, não falhava. Em Araraquara, de vez em quando, a professora apanhava a prova de um aluno:
      — Que letrinha, hein? Vai ser médico? O que pensa? Que o professor é farmacêutico?
    Eram duas castas bem estabelecidas. Os médicos com as letras ruins e os farmacêuticos que decifravam tudo, champolions1 dedicados. Muitas vezes imaginei que houvesse um conluio, principalmente quando se deixava a receita para aviar2 . Na calada da noite, o farmacêutico batendo à porta do médico e pedindo: “Socorro, doutor. Pode me decifrar as receitas de hoje?” E lá ficavam os dois, labutando.
   Hoje, médicos usam computadores. E as farmácias têm tantos, mas tantos remédios, que é impossível se guardar o nome de todos. Há pilhas de listas, grossíssimas. Ou o povo anda muito doente ou o melhor negócio do mundo é montar um laboratório e em seguida uma farmácia.

(Ignácio de Loyola Brandão. Crônicas para ler na escola, 2010.)

1     champolion: Jean-François Champollion, principal responsável pela decifração dos hieróglifos egípcios.

2    aviar: preparar um medicamento segundo uma prescrição.
Retoma uma expressão mencionada anteriormente no texto a palavra sublinhada em:
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Ano: 2023 Banca: VUNESP Órgão: FCM/SANTA CASA Prova: VUNESP - 2023 - FCM/SANTA CASA - Vestibular - Medicina |
Q4149741 Português
Para responder às questões de 02 a 06, leia a crônica “Médicos e monstros”, de Moacyr Scliar, publicada originalmente no jornal Zero Hora, em 20.08.1997.


   Sentenças judiciais nem sempre têm sido muito felizes no que diz respeito aos direitos humanos, mas este 20 de agosto marca o quinquagésimo aniversário de uma decisão jurídica que se tornaria um marco não apenas na história da justiça como na da ética médica. Naquela data o Tribunal de Nuremberg condenou 23 médicos nazistas por participação em atividades de genocídio.

    O número não chega a ser impressionante. E os réus eram, na verdade, figuras secundárias. Ali não estava, por exemplo, Adolf Eichmann, que injetava corante nos olhos de crianças para torná-los arianamente azuis, ou que matou uma criança com suas próprias mãos para confirmar o diagnóstico de tuberculose, posto em dúvida por colegas. Como outros, ele tinha escapado — para ser alcançado depois pelo longo braço da justiça israelense.

     Importante, contudo, foi a sentença. Porque, anexo a ela, estava um documento que depois se tornaria conhecido como o Código de Nuremberg. Em sua defesa, os médicos nazis haviam alegado que estavam agindo em nome da ciência; para evitar que essa afrontosa alegação servisse de desculpa em crimes posteriores, o Código de Nuremberg estabeleceu vários princípios. Que hoje nos parecem óbvios: um experimento médico só pode ser feito com o consentimento da pessoa; deve proporcionar resultados que beneficiem a humanidade; deve evitar qualquer sofrimento. Que os doutores nazistas tenham violado princípios tão básicos mostra a que ponto chegaram em sua degradação. Mas não só eles, obviamente; em Tuskegee, no Alabama, médicos deixaram de usar a penicilina em pacientes negros com sífilis para observar como evoluiria a doença não tratada (um conhecimento, diga-se de passagem, há muito registrado nos manuais clínicos).

    Robert Louis Stevenson criou as figuras de Dr. Jekyll e Mr. Hyde, o médico e o monstro, para simbolizar o antagonismo entre o bem e o mal. Nos doutores nazistas esse antagonismo desapareceu: eram médicos e eram monstros. Diante da enorme quantidade de pessoas indefesas, a medicina optou pela extrema crueldade das experiências sem sentido, da tortura impiedosa, das câmaras de gás. Uma experiência que os médicos da ditadura, por exemplo, herdaram e que praticaram — inclusive aqui no Brasil — até há muito pouco tempo.

    Cinquenta anos depois da sentença do Tribunal de Nuremberg, é necessário lembrar, ainda uma vez, que a medicina surgiu, única e exclusivamente, para ajudar o ser humano. Qualquer ser humano.

(Moacyr Scliar. A nossa frágil condição humana, 2017.)
Para evitar a sua repetição, garantindo assim uma maior coesão textual, verifica-se no primeiro parágrafo da crônica a omissão do substantivo
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Ano: 2023 Banca: VUNESP Órgão: FCM/SANTA CASA Prova: VUNESP - 2023 - FCM/SANTA CASA - Vestibular - Medicina |
Q4149739 Português
Para responder às questões de 02 a 06, leia a crônica “Médicos e monstros”, de Moacyr Scliar, publicada originalmente no jornal Zero Hora, em 20.08.1997.


   Sentenças judiciais nem sempre têm sido muito felizes no que diz respeito aos direitos humanos, mas este 20 de agosto marca o quinquagésimo aniversário de uma decisão jurídica que se tornaria um marco não apenas na história da justiça como na da ética médica. Naquela data o Tribunal de Nuremberg condenou 23 médicos nazistas por participação em atividades de genocídio.

    O número não chega a ser impressionante. E os réus eram, na verdade, figuras secundárias. Ali não estava, por exemplo, Adolf Eichmann, que injetava corante nos olhos de crianças para torná-los arianamente azuis, ou que matou uma criança com suas próprias mãos para confirmar o diagnóstico de tuberculose, posto em dúvida por colegas. Como outros, ele tinha escapado — para ser alcançado depois pelo longo braço da justiça israelense.

     Importante, contudo, foi a sentença. Porque, anexo a ela, estava um documento que depois se tornaria conhecido como o Código de Nuremberg. Em sua defesa, os médicos nazis haviam alegado que estavam agindo em nome da ciência; para evitar que essa afrontosa alegação servisse de desculpa em crimes posteriores, o Código de Nuremberg estabeleceu vários princípios. Que hoje nos parecem óbvios: um experimento médico só pode ser feito com o consentimento da pessoa; deve proporcionar resultados que beneficiem a humanidade; deve evitar qualquer sofrimento. Que os doutores nazistas tenham violado princípios tão básicos mostra a que ponto chegaram em sua degradação. Mas não só eles, obviamente; em Tuskegee, no Alabama, médicos deixaram de usar a penicilina em pacientes negros com sífilis para observar como evoluiria a doença não tratada (um conhecimento, diga-se de passagem, há muito registrado nos manuais clínicos).

    Robert Louis Stevenson criou as figuras de Dr. Jekyll e Mr. Hyde, o médico e o monstro, para simbolizar o antagonismo entre o bem e o mal. Nos doutores nazistas esse antagonismo desapareceu: eram médicos e eram monstros. Diante da enorme quantidade de pessoas indefesas, a medicina optou pela extrema crueldade das experiências sem sentido, da tortura impiedosa, das câmaras de gás. Uma experiência que os médicos da ditadura, por exemplo, herdaram e que praticaram — inclusive aqui no Brasil — até há muito pouco tempo.

    Cinquenta anos depois da sentença do Tribunal de Nuremberg, é necessário lembrar, ainda uma vez, que a medicina surgiu, única e exclusivamente, para ajudar o ser humano. Qualquer ser humano.

(Moacyr Scliar. A nossa frágil condição humana, 2017.)
De acordo com o cronista,
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Ano: 2023 Banca: VUNESP Órgão: FAMERP Prova: VUNESP - 2023 - FAMERP - Vestibular - Conhecimentos Gerais |
Q4144300 Português
Leia o artigo “Sobre homens e ratos”, do médico Drauzio Varella, para responder à questão.

        Mulheres e homens têm apenas 30 mil genes! A divulgação desse dado pelo Projeto Genoma foi um balde de água fria no orgulho humano: imaginávamos que fossem pelo menos 100 mil. Se as moscas têm 13 mil genes, qualquer verme, 20 mil, um abacateiro, 25 mil, e os camundongos que caçamos nas ratoeiras têm 30 mil, 100 mil para nós parecia uma estimativa razoável. Afinal, não foi culpa nossa havermos sido criados à imagem e semelhança de Deus. A bem da verdade, já sabíamos que cerca de 98% de nossas sequências de DNA são idênticas às dos chimpanzés. Mas chimpanzés são animais políticos que formam comunidades com culturas próprias, uti lizam instrumentos rudimentares e matam seus semelhantes premeditadamente. São, por assim dizer, seres mais humanos. Admitir, no entanto, que nosso genoma é formado pelo mesmo número de genes dos ratos, e que somente 300 genes são responsáveis pelas diferenças entre nós e eles, constitui humilhação inaceitável.

        A visão antropocêntrica, segundo a qual a vida na Terra teria evoluído dos seres unicelulares para indivíduos cada vez mais complexos até chegar ao homem, é um mau entendi mento das leis da natureza. No “ranking” evolutivo, não existe primeira posição. A prova é que as bactérias foram os primeiros habitantes do planeta e não só ainda estão por aí como representam mais da metade da biomassa terrestre, isto é, se somarmos o peso de cada uma, obteremos mais da metade da massa de todos os demais seres vivos somados, incluindo árvores, elefantes e baleias. O Homo sapiens é simplesmente uma entre milhões de espécies. Nascemos há 5 milhões de anos, um segundo evolutivo comparado aos 4 bilhões de anos das bactérias. Não fizemos nenhuma falta à vida na Terra durante praticamente toda a existência dela e, se um dia formos extintos, nenhuma formiga, cigarra ou besouro chorará a nossa ausência. A evolução continuará seu caminho inexorável de competição e seleção natural, como ensinaram Charles Darwin e Alfred Wallace.

        Na verdade, os números do Projeto Genoma são lógicos. Os seres vivos mantêm a quase totalidade de seus genes ocupados na execução das tarefas do dia a dia: respiração, circulação, movimentação, digestão, excreção e produção de energia, entre outras. Muitos desses genes são tão essenciais ao trabalho doméstico que a evolução os preservou praticamente intactos de um ser vivo para outro. Entender a razão pela qual temos 30 mil genes como os ratos é fácil: eles são mamíferos como nós e apresentam fisiologia tão semelhante à nossa que podem ser utilizados em experiências para entender a fisiologia humana. O que intriga na evolução não é a proximidade genética entre as espécies, mas os genes responsáveis pelas diferenças.

(Drauzio Varella. Borboletas da alma: escritos sobre ciência e saúde, 2006. Adaptado.)
Por se tratar de um artigo de divulgação científica (e não de um artigo científico propriamente), predomina no texto uma linguagem
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Ano: 2023 Banca: FGV Órgão: FEMPAR Prova: FGV - 2023 - FEMPAR - Vestibular - Medicina |
Q4141978 Português
“Bom piloto é aquele que tem um número igual de decolagens e aterrissagens.”
Assinale a opção que apresenta a qualidade que se destaca no “bom piloto”. 
Alternativas
Ano: 2023 Banca: FGV Órgão: FEMPAR Prova: FGV - 2023 - FEMPAR - Vestibular - Medicina |
Q4141970 Português
Analise o texto a seguir, retirado de um livro dedicado ao ensino da redação.
“As palavras são os utensílios, a ferramenta do escritor. E como em todo ofício ou profissão é imprescindível o conhecimento – o manejo – dos utensílios de trabalho, assim também na arte de escrever. Nossa base, pois, é o conhecimento do vocabulário. O emprego da palavra exata, própria e adequada, é uma das regras fundamentais do estilo. Como o pintor, por exemplo, deve conhecer as cores, assim o escritor deve conhecer os vocábulos.” VIVALDI, Martin. Curso de Redação
Assinale a opção que apresenta a mensagem mais importante desse texto, considerando o livro em que está inserido.
Alternativas
Respostas
141: D
142: C
143: B
144: C
145: B
146: A
147: C
148: D
149: B
150: C
151: D
152: D
153: E
154: A
155: B
156: B
157: E
158: E
159: A
160: C