Questões de Vestibular Sobre interpretação de textos em português

Foram encontradas 9.830 questões

Ano: 2025 Banca: IPEFAE Órgão: UNIFAE - SP Prova: IPEFAE - 2025 - UNIFAE - SP - Vestibular - Medicina |
Q3729471 Português
Se essa rua fosse minha...

    Era uma vez uma rua. As meninas brincavam de elástico e amarelinha. Os meninos, de gude e jogavam pelada. E todos, num pique, escondiam-se e pegavam bandeirinhas e colavam e subiam nos muros. Havia gente. O São João era uma festa. A alegria misturava-se aos mitos, aos medos, às amizades, aos namoros, às fofocas, às brigas, aos perdões.

    Então, deu na tevê que ninguém mais podia sair na rua, por causa de uma bactéria alienígena. Tudo arrefeceu, ao contrário do medo. As festas minguaram. O riso acabou. As ruas, vazias, atraíram a violência. Sem perceber, a geração seguinte passou a juventude inteira em casa, por medo da bactéria. E dizem que é assim até hoje.

Disponível em <https://folhadabaixada.com.br/noticia/758/se-essa-ruafosse-minha>.
No trecho “Sem perceber, a geração seguinte passou a juventude inteira em casa, por medo da bactéria”, é possível identificar claramente uma figura de linguagem conhecida como: 
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Ano: 2025 Banca: IPEFAE Órgão: UNIFAE - SP Prova: IPEFAE - 2025 - UNIFAE - SP - Vestibular - Vantagens |
Q3729453 Português
TEXTO 1
País tinha 1,650 milhão de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil em 2024
O país tinha 1,650 milhão de crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos em situação de trabalho infantil em 2024, o que representa 4,3% da população nessa faixa etária. O resultado aponta 34 mil jovens a mais nessa condição em relação ao ano anterior, quando a proporção foi a menor da série histórica (4,2%).
Fonte: Agência Notícias IBGE

TEXTO 2
Trabalho infantil: dois terços das crianças são pretas ou pardas, aponta IBGE
O Brasil tinha 1,65 milhão de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos em situação de trabalho infantil em 2024. Desse total, 66% eram pretas ou pardas. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (19) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No geral, o trabalho infantil em 2024 registrou alta de 2,1% em relação a 2023. Crianças e adolescentes brancas representavam 32,8%. Em 2024, 3,6% estavam em situação de trabalho infantil. Já o percentual de pretas ou pardas era maior, 4,8%.
Fonte: Portal Itatiaia Brasil

A leitura conjunta dos textos 1 e 2 permite observar não apenas a persistência do trabalho infantil no Brasil, mas também a forma como as manchetes organizam a informação por meio do tempo verbal, contribuindo para a construção de sentido. Nesse contexto: 
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Ano: 2025 Banca: IPEFAE Órgão: UNIFAE - SP Prova: IPEFAE - 2025 - UNIFAE - SP - Vestibular - Vantagens |
Q3729451 Português
TEXTO 1

Fonte: https://www.facebook.com/tirasarmandinho/


TEXTO 2

O adeus do mestre do humor Luis Fernando Verissimo: 'A morte é uma sacanagem. Sou cada vez mais contra'

O escritor e cronista Luis Fernando Verissimo morreu neste sábado (30/8), aos 88 anos, em Porto Alegre (RS).

Verissimo estava internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Moinhos de Vento em Porto Alegre (RS), com princípio de pneumonia.

O escritor gaúcho, nascido em Porto Alegre em 26 de setembro de 1936, enfrentava há anos uma série de complicações de saúde.

Sua produção literária abrangeu gêneros diversos, desde crônicas humorísticas até contos e romances que retrataram com graça e maestria o cotidiano brasileiro.

Fonte: BBC News Brasil
Ao relacionar a tirinha (Texto 1) e a notícia sobre Luis Fernando Verissimo (Texto 2), observa-se que a construção de sentidos entre ambos revela não apenas a importância do cronista para a literatura brasileira, mas também a maneira como o humor e a leveza se articulam ao tratar de temas complexos, de modo que: 
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Ano: 2025 Banca: IPEFAE Órgão: FMPFM Prova: IPEFAE - 2025 - FMPFM - Vestibular - Medicina |
Q3727647 Português
“A vacina é considerada por especialistas como uma das maiores descobertas da ciência. No século 19, pouco depois da criação da primeira vacina, a expectativa de vida mundial não passava de 32 anos. Atualmente, com imunizantes contra dezenas de doenças à disposição da população, esse número é de 72,6 anos. Gabriel Orlando, historiador e educador do Museu Histórico do Instituto Butantan, enfatiza que, além de mortes, as doenças podem ocasionar problemas de saúde futuramente. Um exemplo das consequências benéficas da vacinação é a varíola, doença que matou mais de 300 milhões de pessoas no século 20 e foi erradicada em 1980. A OMS estima que mais de cinco milhões de vidas são salvas anualmente com a extinção da doença devido à vacinação, com a economia de mais de US$ 1 bilhão por ano. Ao contrário da varíola – um problema já do passado –, o sarampo é um problema do presente, mesmo que já exista um imunizante seguro e eficaz. Antes da vacina ser aplicada em massa a partir de 1963, a doença causava cerca de 2,6 milhões de mortes por ano no mundo. Em 2017, foram 110 mil óbitos no mundo, a maioria de crianças com menos de cinco anos. Em 2019, uma queda na cobertura vacinal contra a doença ocasionou um aumento no número de mortes, que foi de 207 mil mortes, também atingindo majoritariamente crianças.”
Adaptado de “O mundo antes e depois das vacinas”, Portal do Butantan, 14/03/2022. Disponível em <https://butantan.gov.br/noticias/o-mundoantes-e-depois-das-vacinas-a-historia-comprova-que-o-caminho-para-aerradicacao-de-doencas-e-a-imunizacao>

Assinale a alternativa incorreta sobre a história da vacinação e da saúde na Idade Contemporânea:
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Ano: 2025 Banca: IPEFAE Órgão: FMPFM Prova: IPEFAE - 2025 - FMPFM - Vestibular - Medicina |
Q3727644 Português
AMAR

Que pode uma criatura senão,

Entre criaturas, amar?

Amar e esquecer, amar e malamar,

Amar, desamar, amar?

Sempre, e até de olhos vidrados, amar?

Que pode, pergunto, o ser amoroso,

Sozinho, em rotação universal, senão

Rodar também, e amar?

Amar o que o mar traz à praia,

O que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,

É sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

Amar solenemente as palmas do deserto,

O que é entrega ou adoração expectante,

E amar o inóspito, o áspero,

Um vaso sem flor, um chão de ferro,

E o peito inerte, e a rua vista em sonho,

E uma ave de rapina.

Este o nosso destino: Amor sem conta,

Distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,

Doação ilimitada a uma completa ingratidão,

E na concha vazia do amor à procura medrosa,

Paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor,

E na secura nossa, amar a água implícita, e o beijo tácito,

e a sede infinita.

ANDRADE, Carlos Drummond de. Amar se aprende amando. Rio de Janeiro: Record, 1985.
No verso “Amar a nossa falta mesma de amor”, que figura de linguagem se destaca e qual o seu efeito de sentido principal? 
Alternativas
Ano: 2025 Banca: IPEFAE Órgão: FMPFM Prova: IPEFAE - 2025 - FMPFM - Vestibular - Medicina |
Q3727643 Português
AMAR

Que pode uma criatura senão,

Entre criaturas, amar?

Amar e esquecer, amar e malamar,

Amar, desamar, amar?

Sempre, e até de olhos vidrados, amar?

Que pode, pergunto, o ser amoroso,

Sozinho, em rotação universal, senão

Rodar também, e amar?

Amar o que o mar traz à praia,

O que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,

É sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

Amar solenemente as palmas do deserto,

O que é entrega ou adoração expectante,

E amar o inóspito, o áspero,

Um vaso sem flor, um chão de ferro,

E o peito inerte, e a rua vista em sonho,

E uma ave de rapina.

Este o nosso destino: Amor sem conta,

Distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,

Doação ilimitada a uma completa ingratidão,

E na concha vazia do amor à procura medrosa,

Paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor,

E na secura nossa, amar a água implícita, e o beijo tácito,

e a sede infinita.

ANDRADE, Carlos Drummond de. Amar se aprende amando. Rio de Janeiro: Record, 1985.
Qual tese sobre o amor é defendida no poema?
Considere, entre outros, os trechos: “Amar o que o mar traz à praia, / o que ele sepulta…”, “amar o inóspito, o áspero…”, “Doação ilimitada a uma completa ingratidão” e “Amar a nossa falta mesma de amor”. 
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Ano: 2025 Banca: Ibest Órgão: UCB Prova: Ibest - 2025 - UCB - Vestibular - Medicina |
Q3664586 Português
     Para a maior parte do mundo a globalização, como tem sido conduzida, assemelha-se a um pacto com o demônio. Algumas pessoas nos países ficam mais ricas, as estatísticas do PIB, pelo valor que possam ter, aparentam melhoras, mas o modo de vida e os valores básicos da sociedade ficam ameaçados. Isto não é como deveria ser.

Joseph E. Stiglitz, Prêmio Nobel de Economia 2001.

Tomando o fragmento apenas como referência inicial, assinale a alternativa correta.
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Ano: 2025 Banca: Ibest Órgão: UCB Prova: Ibest - 2025 - UCB - Vestibular - Medicina |
Q3664572 Português

Texto para a questão.






Luís Fernando Veríssimo. Papos. In: Ana Maria Machado. (org.)

Comédias para se ler na escola. 1.ª ed. Editora Objetiva,

2001 (adaptado).

Falecido em 30 de agosto de 2025, Luís Fernando Veríssimo tinha um estilo literário acessível e abordava, com bom humor, desde temas delicados até situações triviais do dia a dia. No texto apresentado, a intenção central do autor é
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Ano: 2025 Banca: Ibest Órgão: UCB Prova: Ibest - 2025 - UCB - Vestibular - Medicina |
Q3664570 Português

Texto para a questão.





Oswald de Andrade. Canto de regresso à pátria. 

O poema apresentado é uma paródia de Canção do Exílio, de Gonçalves Dias, poeta da primeira geração do Romantismo brasileiro. Uma importante diferença entre tais obras encontra-se no fato de que Oswald de Andrade
Alternativas
Ano: 2025 Banca: Ibest Órgão: UCB Prova: Ibest - 2025 - UCB - Vestibular - Medicina |
Q3664568 Português

Texto para a questão.





Machado de Assis. Memórias Póstumas de Brás Cubas. 1ª ed. São

Paulo: Penguin Classics, Companhia das Letras, 2014 (originalmente

publicado em folhetins a partir de 1880).

Em romances como Memórias Póstumas de Brás Cubas e Dom Casmurro, Machado de Assis apresenta um estilo de escrita único, que transcende os padrões literários de sua época, apesar de tais obras serem comumente associadas à estética realista. Um dos recursos mais típicos do autor é o uso da metalinguagem, que, no texto em questão, está presente por meio da 
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Ano: 2025 Banca: Ibest Órgão: UCB Prova: Ibest - 2025 - UCB - Vestibular - Medicina |
Q3664567 Português

Texto para a questão.





José de Alencar. Iracema. Série prazer de ler, n.º 4.

Brasília: Câmara dos Deputados, Edições Câmara, 2013.

(originalmente publicado em 1865).

Do segundo ao quarto parágrafo, a descrição de Iracema é fundamentada predominantemente em relações de
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Ano: 2025 Banca: UEG Órgão: UEG Prova: UEG - 2025 - UEG - Vestibular (2º Semestre 2025) |
Q3510582 Português
Leia o poema a seguir para responder à questão.


MÃOS DADAS

Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho os meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.

Carlos Drummond de Andrade

ANDRADE, Carlos Drummond de. Nova reunião: 23 livros de poesia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015. p. 75.
No poema, o eu lírico assume o compromisso de produzir uma poética que busca registrar
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Ano: 2025 Banca: UEG Órgão: UEG Prova: UEG - 2025 - UEG - Vestibular (2º Semestre 2025) |
Q3510581 Português
Leia o poema a seguir para responder à questão.


MÃOS DADAS

Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho os meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.

Carlos Drummond de Andrade

ANDRADE, Carlos Drummond de. Nova reunião: 23 livros de poesia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015. p. 75.
Ao tomar a elaboração poética como elemento temático, o eu lírico constrói o poema a partir de um procedimento
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Ano: 2025 Banca: UEG Órgão: UEG Prova: UEG - 2025 - UEG - Vestibular (2º Semestre 2025) |
Q3510580 Português
Leia a tirinha a seguir.
Imagem associada para resolução da questão DAHMER, André. Malvados. São Paulo: Quadrinhos na Cia., 2019. p. 7.

O efeito de humor presente na tirinha está baseado no jogo de sentido que se constrói a partir do seguinte procedimento metalinguístico: 
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Ano: 2025 Banca: UEG Órgão: UEG Prova: UEG - 2025 - UEG - Vestibular (2º Semestre 2025) |
Q3510578 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.


O primeiro parágrafo do texto Dificuldade de expressar emoções, contexto competitivo e empobrecimento da linguagem é desenvolvido a partir da seguinte estratégia de textualização:
Alternativas
Ano: 2025 Banca: UEG Órgão: UEG Prova: UEG - 2025 - UEG - Vestibular (2º Semestre 2025) |
Q3510577 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.


No trecho “Eles concluem que a alexitimia pode ser encontrada na personalidade do tempo atual [...]” (linha 29), o pronome “eles” faz uma retomada de 
Alternativas
Ano: 2025 Banca: UEG Órgão: UEG Prova: UEG - 2025 - UEG - Vestibular (2º Semestre 2025) |
Q3510576 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.


De acordo com os pesquisadores citados no texto, a alexitimia é um problema de saúde psíquica que está associado ao 
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Q3508173 Português

Texto I


Entendo que poesia é negócio de grande responsabilidade, e não considero honesto rotular-se poeta quem apenas verseje por dor de cotovelo, falta de dinheiro ou momentânea tomada de contato com as forças líricas do mundo, sem se entregar aos trabalhos cotidianos e secretos da técnica, da leitura, da contemplação e mesmo da ação. Até os poetas se armam, e um poeta desarmado é, mesmo, um ser à mercê das inspirações fáceis, dócil às modas e compromissos.


ANDRADE, Carlos Drummond de. Prosa seleta. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2003.



Texto II

POESIA


Gastei uma hora pensando um verso

que a pena não quer escrever.

No entanto ele está cá dentro

inquieto, vivo.

Ele está cá dentro

e não quer sair.

Mas a poesia deste momento

inunda minha vida inteira.


ANDRADE, Carlos Drummond de. Nova reunião: 23 livros de poesia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015. p. 24.



Texto III

 O LUTADOR

 

Lutar com palavras

é a luta mais vã.

Entanto lutamos

mal rompe a manhã.

São muitas, eu pouco.

[...]

 

Mas lúcido e frio,

apareço e tento

apanhar algumas

para meu sustento

num dia de vida.

Deixam-se enlaçar,

tontas à carícia

e súbito fogem

[...].

 

Insisto, solerte.

Busco persuadi-las.

[...]

 

Sem me ouvir deslizam,

perpassam levíssimas

e viram-me o rosto.

 

Lutar com palavras

parece sem fruto.

Não têm carne e sangue…

Entretanto, luto.

Palavra, palavra

(digo exasperado),

se me desafias,

aceito o combate.

[...]

 

Luto corpo a corpo,

luto todo o tempo,

sem maior proveito

que o da caça ao vento.

[...]

 

Iludo-me às vezes,

pressinto que a entrega

se consumará.

Já vejo palavras

em coro submisso,

esta me ofertando

seu velho calor,

aquela sua glória

feita de mistério,

outra seu desdém,

outra seu ciúme,

e um sapiente amor

me ensina a fruir

de cada palavra

a essência captada,

o sutil queixume.

[...].

 

O ciclo do dia

ora se conclui

e o inútil duelo

jamais se resolve.

O teu rosto belo,

ó palavra, esplende

na curva da noite

que toda me envolve.

Tamanha paixão

e nenhum pecúlio.

Cerradas as portas,

a luta prossegue

nas ruas do sono.

 

Andrade, Carlos Drummond de. Nova reunião: 23 livros de poesia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015. p. 104-105.



Texto IV

PROCURA DA POESIA


Não faças versos sobre acontecimentos.

Não há criação nem morte perante a poesia.

Diante dela, a vida é um sol estático,

não aquece nem ilumina.

As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não

contam.

Não faças poesia com o corpo,

esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à

efusão lírica.

Tua gota de bile, tua careta de gozo ou dor no escuro

são indiferentes.

Não me reveles teus sentimentos,

que se prevalecem de equívoco e tentam a longa viagem.

O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.


Não cantes tua cidade, deixa-a em paz.

O canto não é o movimento das máquinas nem o segredo

das casas.

Não é música ouvida de passagem, rumor do mar nas ruas

junto à linha de espuma.

O canto não é a natureza

nem os homens em sociedade.

Para ele, chuva e noite, fadiga e esperança nada

significam.

A poesia (não tires poesia das coisas)

elide sujeito e objeto.


Não dramatizes, não invoques,

não indagues. Não percas tempo em mentir.

Não te aborreças.

Teu iate de marfim, teu sapato de diamante,

vossas mazurcas e abusões, vossos esqueletos de família

desaparecem na curva do tempo, é algo imprestável.


Não recomponhas

tua sepultada e merencória infância.

Não osciles entre o espelho e a

memória em dissipação.

Que se dissipou, não era poesia.

Que se partiu, cristal não era.


Penetra surdamente no reino das palavras.

Lá estão os poemas que esperam ser escritos.

Estão paralisados, mas não há desespero,

há calma e frescura na superfície intata.

Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.

Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.

Tem paciência, se obscuros. Calma, se te provocam.

Espera que cada um se realize e consume

com seu poder de palavra

e seu poder de silêncio.

Não forces o poema a desprender-se do limbo.

Não colhas no chão o poema que se perdeu.

Não adules o poema. Aceita-o

como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada

no espaço.


Chega mais perto e contempla as palavras.

Cada uma

tem mil faces secretas sob a face neutra

e te pergunta, sem interesse pela resposta,

pobre ou terrível que lhe deres:

Trouxeste a chave?


Repara:

ermas de melodia e conceito

elas se refugiaram na noite, as palavras.

Ainda úmidas e impregnadas de sono,

rolam num rio difícil e se transformam em despreza.


ANDRADE, Carlos Drummond de. Nova reunião: 23 livros de poesia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015. p. 104-105.

Os poemas Poesia (Texto II) e Procura da poesia (Texto IV) se referem, respectivamente, à ideia de que o verso está inerte na interioridade subjetiva do poeta e à ideia de que os poemas estão adormecidos em algum lugar da língua. Identifique os versos que expressam, respectivamente, essas duas ideias. 
Alternativas
Q3508171 Português

Texto I


Entendo que poesia é negócio de grande responsabilidade, e não considero honesto rotular-se poeta quem apenas verseje por dor de cotovelo, falta de dinheiro ou momentânea tomada de contato com as forças líricas do mundo, sem se entregar aos trabalhos cotidianos e secretos da técnica, da leitura, da contemplação e mesmo da ação. Até os poetas se armam, e um poeta desarmado é, mesmo, um ser à mercê das inspirações fáceis, dócil às modas e compromissos.


ANDRADE, Carlos Drummond de. Prosa seleta. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2003.



Texto II

POESIA


Gastei uma hora pensando um verso

que a pena não quer escrever.

No entanto ele está cá dentro

inquieto, vivo.

Ele está cá dentro

e não quer sair.

Mas a poesia deste momento

inunda minha vida inteira.


ANDRADE, Carlos Drummond de. Nova reunião: 23 livros de poesia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015. p. 24.



Texto III

 O LUTADOR

 

Lutar com palavras

é a luta mais vã.

Entanto lutamos

mal rompe a manhã.

São muitas, eu pouco.

[...]

 

Mas lúcido e frio,

apareço e tento

apanhar algumas

para meu sustento

num dia de vida.

Deixam-se enlaçar,

tontas à carícia

e súbito fogem

[...].

 

Insisto, solerte.

Busco persuadi-las.

[...]

 

Sem me ouvir deslizam,

perpassam levíssimas

e viram-me o rosto.

 

Lutar com palavras

parece sem fruto.

Não têm carne e sangue…

Entretanto, luto.

Palavra, palavra

(digo exasperado),

se me desafias,

aceito o combate.

[...]

 

Luto corpo a corpo,

luto todo o tempo,

sem maior proveito

que o da caça ao vento.

[...]

 

Iludo-me às vezes,

pressinto que a entrega

se consumará.

Já vejo palavras

em coro submisso,

esta me ofertando

seu velho calor,

aquela sua glória

feita de mistério,

outra seu desdém,

outra seu ciúme,

e um sapiente amor

me ensina a fruir

de cada palavra

a essência captada,

o sutil queixume.

[...].

 

O ciclo do dia

ora se conclui

e o inútil duelo

jamais se resolve.

O teu rosto belo,

ó palavra, esplende

na curva da noite

que toda me envolve.

Tamanha paixão

e nenhum pecúlio.

Cerradas as portas,

a luta prossegue

nas ruas do sono.

 

Andrade, Carlos Drummond de. Nova reunião: 23 livros de poesia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015. p. 104-105.



Texto IV

PROCURA DA POESIA


Não faças versos sobre acontecimentos.

Não há criação nem morte perante a poesia.

Diante dela, a vida é um sol estático,

não aquece nem ilumina.

As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não

contam.

Não faças poesia com o corpo,

esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à

efusão lírica.

Tua gota de bile, tua careta de gozo ou dor no escuro

são indiferentes.

Não me reveles teus sentimentos,

que se prevalecem de equívoco e tentam a longa viagem.

O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.


Não cantes tua cidade, deixa-a em paz.

O canto não é o movimento das máquinas nem o segredo

das casas.

Não é música ouvida de passagem, rumor do mar nas ruas

junto à linha de espuma.

O canto não é a natureza

nem os homens em sociedade.

Para ele, chuva e noite, fadiga e esperança nada

significam.

A poesia (não tires poesia das coisas)

elide sujeito e objeto.


Não dramatizes, não invoques,

não indagues. Não percas tempo em mentir.

Não te aborreças.

Teu iate de marfim, teu sapato de diamante,

vossas mazurcas e abusões, vossos esqueletos de família

desaparecem na curva do tempo, é algo imprestável.


Não recomponhas

tua sepultada e merencória infância.

Não osciles entre o espelho e a

memória em dissipação.

Que se dissipou, não era poesia.

Que se partiu, cristal não era.


Penetra surdamente no reino das palavras.

Lá estão os poemas que esperam ser escritos.

Estão paralisados, mas não há desespero,

há calma e frescura na superfície intata.

Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.

Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.

Tem paciência, se obscuros. Calma, se te provocam.

Espera que cada um se realize e consume

com seu poder de palavra

e seu poder de silêncio.

Não forces o poema a desprender-se do limbo.

Não colhas no chão o poema que se perdeu.

Não adules o poema. Aceita-o

como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada

no espaço.


Chega mais perto e contempla as palavras.

Cada uma

tem mil faces secretas sob a face neutra

e te pergunta, sem interesse pela resposta,

pobre ou terrível que lhe deres:

Trouxeste a chave?


Repara:

ermas de melodia e conceito

elas se refugiaram na noite, as palavras.

Ainda úmidas e impregnadas de sono,

rolam num rio difícil e se transformam em despreza.


ANDRADE, Carlos Drummond de. Nova reunião: 23 livros de poesia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015. p. 104-105.

Qual tese expressa o tema abordado no Texto I e nos poemas Poesia (Texto II), O lutador (Texto III) e Procura da poesia (Texto IV)? 
Alternativas
Q3508169 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão


No texto “O vicioso círculo do espelho no celular”, a frase “O aparelho banaliza a imagem por sua instantaneidade, de maneira irresistível para a maioria, jovens em especial” – que, na linguagem jornalística, é convencionalmente chamada de subtítulo – cumpre a seguinte função na textualidade: 
Alternativas
Respostas
161: C
162: D
163: C
164: B
165: B
166: B
167: B
168: A
169: E
170: C
171: C
172: C
173: B
174: B
175: D
176: E
177: B
178: E
179: B
180: A