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Q4443531 Português
A leitura está na moda. É o que afirmam reportagens recentes sobre o tema. A Festa Literária Internacional de Paraty, a FLIP, reúne milhares de pessoas que veem de perto uma seleção bem impressionante de autores estrangeiros e nacionais compartilhando suas obras, ideias e processos de criação. Em 2025, a Bienal do Livro do Rio de Janeiro recebeu, em dez dias, mais de 740 mil visitantes. Marcas de luxo internacionais têm lançado clubes de livro, como se o livro tivesse virado o novo acessório de desejo. Sem dúvida, números e iniciativas animadores. 

    Por outro lado, muito se fala sobre o dado alarmante da última pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, que, pela primeira vez em sua série histórica, identificou uma maioria de pessoas não leitoras no país. Mas como isso é possível? Se eventos literários estão lotados, pesquisas mostram aumento de venda de livros e diversas pessoas postam suas leituras nas redes sociais, como vivemos em um país em que a média de livros inteiros lidos ao ano não passa de dois? 

    Quando saímos de uma festa como a FLIP, por exemplo, e analisamos a realidade da leitura no país, os dados deixam claro que a sensação de que todo mundo está lendo não passa de um recorte bem delimitado do cenário ao nosso redor. 

    O Mapa dos Eventos Literários, lançado neste ano pelo Ministério da Cultura, reúne cerca de 500 eventos cadastrados, entre feiras, festas, bienais, saraus. Parece muito, até lembrar que o Brasil tem 5.570 municípios. Mesmo que cada evento acontecesse em uma cidade diferente, estaríamos falando de menos de uma cidade em cada dez. Segundo o IBGE, mais de 600 municípios não têm sequer uma biblioteca pública. E mais da metade das escolas públicas brasileiras, dezenas de milhares, não possui biblioteca ou sala de leitura, ou seja, para a maior parte do país, a leitura não está na moda. Ela sequer é uma realidade. 

Pedro Pacífico. Brasil, um país leitor? Internet: <https://oglobo.globo.com> (com adaptações).



Julgue o item subsecutivo, que diz respeito às ideias expressas no texto precedente bem como a aspectos da BNCC para o componente curricular de língua portuguesa.
No desenvolvimento do texto, o autor desmente completamente a afirmação inicial de que "A leitura está na moda" no Brasil ao confrontar as divulgações desse gosto em ascensão no meio digital e os dados de uma realidade nacional de pouco ou nenhum acesso à leitura.
Alternativas
Q4443530 Pedagogia
A leitura está na moda. É o que afirmam reportagens recentes sobre o tema. A Festa Literária Internacional de Paraty, a FLIP, reúne milhares de pessoas que veem de perto uma seleção bem impressionante de autores estrangeiros e nacionais compartilhando suas obras, ideias e processos de criação. Em 2025, a Bienal do Livro do Rio de Janeiro recebeu, em dez dias, mais de 740 mil visitantes. Marcas de luxo internacionais têm lançado clubes de livro, como se o livro tivesse virado o novo acessório de desejo. Sem dúvida, números e iniciativas animadores. 

    Por outro lado, muito se fala sobre o dado alarmante da última pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, que, pela primeira vez em sua série histórica, identificou uma maioria de pessoas não leitoras no país. Mas como isso é possível? Se eventos literários estão lotados, pesquisas mostram aumento de venda de livros e diversas pessoas postam suas leituras nas redes sociais, como vivemos em um país em que a média de livros inteiros lidos ao ano não passa de dois? 

    Quando saímos de uma festa como a FLIP, por exemplo, e analisamos a realidade da leitura no país, os dados deixam claro que a sensação de que todo mundo está lendo não passa de um recorte bem delimitado do cenário ao nosso redor. 

    O Mapa dos Eventos Literários, lançado neste ano pelo Ministério da Cultura, reúne cerca de 500 eventos cadastrados, entre feiras, festas, bienais, saraus. Parece muito, até lembrar que o Brasil tem 5.570 municípios. Mesmo que cada evento acontecesse em uma cidade diferente, estaríamos falando de menos de uma cidade em cada dez. Segundo o IBGE, mais de 600 municípios não têm sequer uma biblioteca pública. E mais da metade das escolas públicas brasileiras, dezenas de milhares, não possui biblioteca ou sala de leitura, ou seja, para a maior parte do país, a leitura não está na moda. Ela sequer é uma realidade. 

Pedro Pacífico. Brasil, um país leitor? Internet: <https://oglobo.globo.com> (com adaptações).



Julgue o item subsecutivo, que diz respeito às ideias expressas no texto precedente bem como a aspectos da BNCC para o componente curricular de língua portuguesa.
A leitura do texto apresentado e a discussão de suas ideias em sala de aula exemplificam atividades condizentes com o desenvolvimento da competência transversal de análise crítica de textos de circulação social, proposto na BNCC para o ensino fundamental e o ensino médio. 
Alternativas
Q4443529 Português
A leitura está na moda. É o que afirmam reportagens recentes sobre o tema. A Festa Literária Internacional de Paraty, a FLIP, reúne milhares de pessoas que veem de perto uma seleção bem impressionante de autores estrangeiros e nacionais compartilhando suas obras, ideias e processos de criação. Em 2025, a Bienal do Livro do Rio de Janeiro recebeu, em dez dias, mais de 740 mil visitantes. Marcas de luxo internacionais têm lançado clubes de livro, como se o livro tivesse virado o novo acessório de desejo. Sem dúvida, números e iniciativas animadores. 

    Por outro lado, muito se fala sobre o dado alarmante da última pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, que, pela primeira vez em sua série histórica, identificou uma maioria de pessoas não leitoras no país. Mas como isso é possível? Se eventos literários estão lotados, pesquisas mostram aumento de venda de livros e diversas pessoas postam suas leituras nas redes sociais, como vivemos em um país em que a média de livros inteiros lidos ao ano não passa de dois? 

    Quando saímos de uma festa como a FLIP, por exemplo, e analisamos a realidade da leitura no país, os dados deixam claro que a sensação de que todo mundo está lendo não passa de um recorte bem delimitado do cenário ao nosso redor. 

    O Mapa dos Eventos Literários, lançado neste ano pelo Ministério da Cultura, reúne cerca de 500 eventos cadastrados, entre feiras, festas, bienais, saraus. Parece muito, até lembrar que o Brasil tem 5.570 municípios. Mesmo que cada evento acontecesse em uma cidade diferente, estaríamos falando de menos de uma cidade em cada dez. Segundo o IBGE, mais de 600 municípios não têm sequer uma biblioteca pública. E mais da metade das escolas públicas brasileiras, dezenas de milhares, não possui biblioteca ou sala de leitura, ou seja, para a maior parte do país, a leitura não está na moda. Ela sequer é uma realidade. 

Pedro Pacífico. Brasil, um país leitor? Internet: <https://oglobo.globo.com> (com adaptações).



Julgue o item subsecutivo, que diz respeito às ideias expressas no texto precedente bem como a aspectos da BNCC para o componente curricular de língua portuguesa.
Os dados oficiais do Ministério da Cultura citados no texto mostram um número de eventos literários — feiras, bienais e festas do livro — superior a 500, dado promissor que evidencia o alcance amplo de eventos de promoção da leitura na maior parte dos municípios brasileiros. 
Alternativas
Q4443528 Português
A leitura está na moda. É o que afirmam reportagens recentes sobre o tema. A Festa Literária Internacional de Paraty, a FLIP, reúne milhares de pessoas que veem de perto uma seleção bem impressionante de autores estrangeiros e nacionais compartilhando suas obras, ideias e processos de criação. Em 2025, a Bienal do Livro do Rio de Janeiro recebeu, em dez dias, mais de 740 mil visitantes. Marcas de luxo internacionais têm lançado clubes de livro, como se o livro tivesse virado o novo acessório de desejo. Sem dúvida, números e iniciativas animadores. 

    Por outro lado, muito se fala sobre o dado alarmante da última pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, que, pela primeira vez em sua série histórica, identificou uma maioria de pessoas não leitoras no país. Mas como isso é possível? Se eventos literários estão lotados, pesquisas mostram aumento de venda de livros e diversas pessoas postam suas leituras nas redes sociais, como vivemos em um país em que a média de livros inteiros lidos ao ano não passa de dois? 

    Quando saímos de uma festa como a FLIP, por exemplo, e analisamos a realidade da leitura no país, os dados deixam claro que a sensação de que todo mundo está lendo não passa de um recorte bem delimitado do cenário ao nosso redor. 

    O Mapa dos Eventos Literários, lançado neste ano pelo Ministério da Cultura, reúne cerca de 500 eventos cadastrados, entre feiras, festas, bienais, saraus. Parece muito, até lembrar que o Brasil tem 5.570 municípios. Mesmo que cada evento acontecesse em uma cidade diferente, estaríamos falando de menos de uma cidade em cada dez. Segundo o IBGE, mais de 600 municípios não têm sequer uma biblioteca pública. E mais da metade das escolas públicas brasileiras, dezenas de milhares, não possui biblioteca ou sala de leitura, ou seja, para a maior parte do país, a leitura não está na moda. Ela sequer é uma realidade. 

Pedro Pacífico. Brasil, um país leitor? Internet: <https://oglobo.globo.com> (com adaptações).



Julgue o item subsecutivo, que diz respeito às ideias expressas no texto precedente bem como a aspectos da BNCC para o componente curricular de língua portuguesa.
De acordo com o texto, a maior parte das escolas públicas brasileiras carece de bibliotecas ou salas de leitura, locais onde os estudantes teriam mais acesso a livros.
Alternativas
Q4443527 Pedagogia
A leitura está na moda. É o que afirmam reportagens recentes sobre o tema. A Festa Literária Internacional de Paraty, a FLIP, reúne milhares de pessoas que veem de perto uma seleção bem impressionante de autores estrangeiros e nacionais compartilhando suas obras, ideias e processos de criação. Em 2025, a Bienal do Livro do Rio de Janeiro recebeu, em dez dias, mais de 740 mil visitantes. Marcas de luxo internacionais têm lançado clubes de livro, como se o livro tivesse virado o novo acessório de desejo. Sem dúvida, números e iniciativas animadores. 

    Por outro lado, muito se fala sobre o dado alarmante da última pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, que, pela primeira vez em sua série histórica, identificou uma maioria de pessoas não leitoras no país. Mas como isso é possível? Se eventos literários estão lotados, pesquisas mostram aumento de venda de livros e diversas pessoas postam suas leituras nas redes sociais, como vivemos em um país em que a média de livros inteiros lidos ao ano não passa de dois? 

    Quando saímos de uma festa como a FLIP, por exemplo, e analisamos a realidade da leitura no país, os dados deixam claro que a sensação de que todo mundo está lendo não passa de um recorte bem delimitado do cenário ao nosso redor. 

    O Mapa dos Eventos Literários, lançado neste ano pelo Ministério da Cultura, reúne cerca de 500 eventos cadastrados, entre feiras, festas, bienais, saraus. Parece muito, até lembrar que o Brasil tem 5.570 municípios. Mesmo que cada evento acontecesse em uma cidade diferente, estaríamos falando de menos de uma cidade em cada dez. Segundo o IBGE, mais de 600 municípios não têm sequer uma biblioteca pública. E mais da metade das escolas públicas brasileiras, dezenas de milhares, não possui biblioteca ou sala de leitura, ou seja, para a maior parte do país, a leitura não está na moda. Ela sequer é uma realidade. 

Pedro Pacífico. Brasil, um país leitor? Internet: <https://oglobo.globo.com> (com adaptações).



Julgue o item subsecutivo, que diz respeito às ideias expressas no texto precedente bem como a aspectos da BNCC para o componente curricular de língua portuguesa.
Segundo a BNCC, a análise do texto, que pertence ao gênero crônica argumentativa ou artigo de opinião, é adequada para o desenvolvimento, nos estudantes dos anos finais do ensino fundamental, da habilidade de justificar diferenças ou semelhanças no tratamento dado a uma mesma informação veiculada em textos diferentes, consultando sites e serviços de checadores de fatos.
Alternativas
Q4443526 Português
A leitura está na moda. É o que afirmam reportagens recentes sobre o tema. A Festa Literária Internacional de Paraty, a FLIP, reúne milhares de pessoas que veem de perto uma seleção bem impressionante de autores estrangeiros e nacionais compartilhando suas obras, ideias e processos de criação. Em 2025, a Bienal do Livro do Rio de Janeiro recebeu, em dez dias, mais de 740 mil visitantes. Marcas de luxo internacionais têm lançado clubes de livro, como se o livro tivesse virado o novo acessório de desejo. Sem dúvida, números e iniciativas animadores. 

    Por outro lado, muito se fala sobre o dado alarmante da última pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, que, pela primeira vez em sua série histórica, identificou uma maioria de pessoas não leitoras no país. Mas como isso é possível? Se eventos literários estão lotados, pesquisas mostram aumento de venda de livros e diversas pessoas postam suas leituras nas redes sociais, como vivemos em um país em que a média de livros inteiros lidos ao ano não passa de dois? 

    Quando saímos de uma festa como a FLIP, por exemplo, e analisamos a realidade da leitura no país, os dados deixam claro que a sensação de que todo mundo está lendo não passa de um recorte bem delimitado do cenário ao nosso redor. 

    O Mapa dos Eventos Literários, lançado neste ano pelo Ministério da Cultura, reúne cerca de 500 eventos cadastrados, entre feiras, festas, bienais, saraus. Parece muito, até lembrar que o Brasil tem 5.570 municípios. Mesmo que cada evento acontecesse em uma cidade diferente, estaríamos falando de menos de uma cidade em cada dez. Segundo o IBGE, mais de 600 municípios não têm sequer uma biblioteca pública. E mais da metade das escolas públicas brasileiras, dezenas de milhares, não possui biblioteca ou sala de leitura, ou seja, para a maior parte do país, a leitura não está na moda. Ela sequer é uma realidade. 

Pedro Pacífico. Brasil, um país leitor? Internet: <https://oglobo.globo.com> (com adaptações).



Julgue o item subsecutivo, que diz respeito às ideias expressas no texto precedente bem como a aspectos da BNCC para o componente curricular de língua portuguesa.
Infere-se da leitura global do texto que os levantamentos estatísticos oficiais, como Retratos da leitura no Brasil, excluem as leituras realizadas em suportes digitais ou redes sociais, que não abrangem livros impressos. 
Alternativas
Q4443525 Português

Em relação à charge de Jean Galvão, publicada em maio de 2024, por ocasião da divulgação de dados levantados pelo IBGE, julgue o item que se segue. 
A leitura de charges é indicada na BNCC como atividade de letramento a partir do 6.º ano do ensino fundamental e seu objetivo não se restringe ao entretenimento, estendendo-se ao desenvolvimento do senso crítico do leitor, como demonstra a charge apresentada. 
Alternativas
Q4443524 Português

Em relação à charge de Jean Galvão, publicada em maio de 2024, por ocasião da divulgação de dados levantados pelo IBGE, julgue o item que se segue. 
O primeiro quadrinho mostra que a família de retirantes desconhece os signos gráficos utilizados na linguagem escrita, por isso não consegue atribuir um significado ao aviso. 
Alternativas
Q4443523 Português

Em relação à charge de Jean Galvão, publicada em maio de 2024, por ocasião da divulgação de dados levantados pelo IBGE, julgue o item que se segue. 
A compreensão da mensagem global dessa charge é alcançada pela leitura sequencial da placa nos dois quadrinhos, observando-se uma mudança de perspectiva: o primeiro quadrinho representa a percepção dos personagens, enquanto o segundo, a do leitor da charge. Sendo assim, os elementos textuais não verbais ocupam uma posição secundária, por não contribuírem de maneira significativa para a apreensão do sentido da charge.
Alternativas
Q4443522 Português
    Começou a aula de escrita. Custa-me dizer que eu era dos mais adiantados da escola; mas era. Não digo também que era dos mais inteligentes, por um escrúpulo fácil de entender e de excelente efeito no estilo, mas não tenho outra convicção. Note-se que não era pálido nem mofino: tinha boas cores e músculos de ferro. Na lição de escrita, por exemplo, acabava sempre antes de todos, mas deixava-me estar a recortar narizes no papel ou na tábua, ocupação sem nobreza nem espiritualidade, mas em todo caso ingênua. Naquele dia, foi a mesma coisa; tão depressa acabei, como entrei a reproduzir o nariz do mestre, dando-lhe cinco ou seis atitudes diferentes, das quais recordo a interrogativa, a admirativa, a dubitativa e a cogitativa. Não lhes punha esses nomes, pobre estudante de primeiras letras que era; mas, instintivamente, dava - lhes essas expressões. Os outros foram acabando; não tive remédio senão acabar também, entregar a escrita, e voltar para o meu lugar. 

    Com franqueza, estava arrependido de ter vindo. Agora que ficava preso, ardia por andar lá fora, e recapitulava o campo e o morro, pensava nos outros meninos vadios, o Chico Telha, o Américo, o Carlos das Escadinhas, a fina flor do bairro e do gênero humano. Para cúmulo de desespero, vi através das vidraças da escola, no claro azul do céu, por cima do morro do Livramento, um papagaio de papel, alto e largo, preso de uma corda imensa, que bojava no ar, uma coisa soberba. E eu na escola, sentado, pernas unidas, com o livro de leitura e a gramática nos joelhos.

Machado de Assis. Conto de escola. In: Alfredo Bosi et.al. Machado de Assis.
Coleção Escritores Brasileiros. São Paulo, Ática, 1982. p. 192. 



Considerando o texto apresentado e aspectos da BNCC para o componente curricular de língua portuguesa, julgue o item a seguir. 
No trecho "pobre estudante de primeiras letras que era", o narrador associa a limitação de seu vocabulário à sua condição socioeconômica desfavorável.  
Alternativas
Q4443521 Português
    Começou a aula de escrita. Custa-me dizer que eu era dos mais adiantados da escola; mas era. Não digo também que era dos mais inteligentes, por um escrúpulo fácil de entender e de excelente efeito no estilo, mas não tenho outra convicção. Note-se que não era pálido nem mofino: tinha boas cores e músculos de ferro. Na lição de escrita, por exemplo, acabava sempre antes de todos, mas deixava-me estar a recortar narizes no papel ou na tábua, ocupação sem nobreza nem espiritualidade, mas em todo caso ingênua. Naquele dia, foi a mesma coisa; tão depressa acabei, como entrei a reproduzir o nariz do mestre, dando-lhe cinco ou seis atitudes diferentes, das quais recordo a interrogativa, a admirativa, a dubitativa e a cogitativa. Não lhes punha esses nomes, pobre estudante de primeiras letras que era; mas, instintivamente, dava - lhes essas expressões. Os outros foram acabando; não tive remédio senão acabar também, entregar a escrita, e voltar para o meu lugar. 

    Com franqueza, estava arrependido de ter vindo. Agora que ficava preso, ardia por andar lá fora, e recapitulava o campo e o morro, pensava nos outros meninos vadios, o Chico Telha, o Américo, o Carlos das Escadinhas, a fina flor do bairro e do gênero humano. Para cúmulo de desespero, vi através das vidraças da escola, no claro azul do céu, por cima do morro do Livramento, um papagaio de papel, alto e largo, preso de uma corda imensa, que bojava no ar, uma coisa soberba. E eu na escola, sentado, pernas unidas, com o livro de leitura e a gramática nos joelhos.

Machado de Assis. Conto de escola. In: Alfredo Bosi et.al. Machado de Assis.
Coleção Escritores Brasileiros. São Paulo, Ática, 1982. p. 192. 



Considerando o texto apresentado e aspectos da BNCC para o componente curricular de língua portuguesa, julgue o item a seguir. 
Identifica-se ironia na referência do narrador aos meninos vadios de seu bairro como a "fina flor do bairro e do gênero humano".
Alternativas
Q4443520 Português
    Começou a aula de escrita. Custa-me dizer que eu era dos mais adiantados da escola; mas era. Não digo também que era dos mais inteligentes, por um escrúpulo fácil de entender e de excelente efeito no estilo, mas não tenho outra convicção. Note-se que não era pálido nem mofino: tinha boas cores e músculos de ferro. Na lição de escrita, por exemplo, acabava sempre antes de todos, mas deixava-me estar a recortar narizes no papel ou na tábua, ocupação sem nobreza nem espiritualidade, mas em todo caso ingênua. Naquele dia, foi a mesma coisa; tão depressa acabei, como entrei a reproduzir o nariz do mestre, dando-lhe cinco ou seis atitudes diferentes, das quais recordo a interrogativa, a admirativa, a dubitativa e a cogitativa. Não lhes punha esses nomes, pobre estudante de primeiras letras que era; mas, instintivamente, dava - lhes essas expressões. Os outros foram acabando; não tive remédio senão acabar também, entregar a escrita, e voltar para o meu lugar. 

    Com franqueza, estava arrependido de ter vindo. Agora que ficava preso, ardia por andar lá fora, e recapitulava o campo e o morro, pensava nos outros meninos vadios, o Chico Telha, o Américo, o Carlos das Escadinhas, a fina flor do bairro e do gênero humano. Para cúmulo de desespero, vi através das vidraças da escola, no claro azul do céu, por cima do morro do Livramento, um papagaio de papel, alto e largo, preso de uma corda imensa, que bojava no ar, uma coisa soberba. E eu na escola, sentado, pernas unidas, com o livro de leitura e a gramática nos joelhos.

Machado de Assis. Conto de escola. In: Alfredo Bosi et.al. Machado de Assis.
Coleção Escritores Brasileiros. São Paulo, Ática, 1982. p. 192. 



Considerando o texto apresentado e aspectos da BNCC para o componente curricular de língua portuguesa, julgue o item a seguir. 
Entende-se da leitura do texto que o narrador tinha por hábito desenhar caricaturas ao término da lição de escrita, ocupação, segundo ele, "sem nobreza nem espiritualidade", embora ingênua. 
Alternativas
Q4443519 Português
    Começou a aula de escrita. Custa-me dizer que eu era dos mais adiantados da escola; mas era. Não digo também que era dos mais inteligentes, por um escrúpulo fácil de entender e de excelente efeito no estilo, mas não tenho outra convicção. Note-se que não era pálido nem mofino: tinha boas cores e músculos de ferro. Na lição de escrita, por exemplo, acabava sempre antes de todos, mas deixava-me estar a recortar narizes no papel ou na tábua, ocupação sem nobreza nem espiritualidade, mas em todo caso ingênua. Naquele dia, foi a mesma coisa; tão depressa acabei, como entrei a reproduzir o nariz do mestre, dando-lhe cinco ou seis atitudes diferentes, das quais recordo a interrogativa, a admirativa, a dubitativa e a cogitativa. Não lhes punha esses nomes, pobre estudante de primeiras letras que era; mas, instintivamente, dava - lhes essas expressões. Os outros foram acabando; não tive remédio senão acabar também, entregar a escrita, e voltar para o meu lugar. 

    Com franqueza, estava arrependido de ter vindo. Agora que ficava preso, ardia por andar lá fora, e recapitulava o campo e o morro, pensava nos outros meninos vadios, o Chico Telha, o Américo, o Carlos das Escadinhas, a fina flor do bairro e do gênero humano. Para cúmulo de desespero, vi através das vidraças da escola, no claro azul do céu, por cima do morro do Livramento, um papagaio de papel, alto e largo, preso de uma corda imensa, que bojava no ar, uma coisa soberba. E eu na escola, sentado, pernas unidas, com o livro de leitura e a gramática nos joelhos.

Machado de Assis. Conto de escola. In: Alfredo Bosi et.al. Machado de Assis.
Coleção Escritores Brasileiros. São Paulo, Ática, 1982. p. 192. 



Considerando o texto apresentado e aspectos da BNCC para o componente curricular de língua portuguesa, julgue o item a seguir. 
O narrador do texto é um dos alunos presentes em sala de aula e, em sua caracterização, contida pelos escrúpulos da modéstia, ele se descreve como menino de pouca inteligência, mas com muito vigor físico.
Alternativas
Q4443518 Literatura
    Começou a aula de escrita. Custa-me dizer que eu era dos mais adiantados da escola; mas era. Não digo também que era dos mais inteligentes, por um escrúpulo fácil de entender e de excelente efeito no estilo, mas não tenho outra convicção. Note-se que não era pálido nem mofino: tinha boas cores e músculos de ferro. Na lição de escrita, por exemplo, acabava sempre antes de todos, mas deixava-me estar a recortar narizes no papel ou na tábua, ocupação sem nobreza nem espiritualidade, mas em todo caso ingênua. Naquele dia, foi a mesma coisa; tão depressa acabei, como entrei a reproduzir o nariz do mestre, dando-lhe cinco ou seis atitudes diferentes, das quais recordo a interrogativa, a admirativa, a dubitativa e a cogitativa. Não lhes punha esses nomes, pobre estudante de primeiras letras que era; mas, instintivamente, dava - lhes essas expressões. Os outros foram acabando; não tive remédio senão acabar também, entregar a escrita, e voltar para o meu lugar. 

    Com franqueza, estava arrependido de ter vindo. Agora que ficava preso, ardia por andar lá fora, e recapitulava o campo e o morro, pensava nos outros meninos vadios, o Chico Telha, o Américo, o Carlos das Escadinhas, a fina flor do bairro e do gênero humano. Para cúmulo de desespero, vi através das vidraças da escola, no claro azul do céu, por cima do morro do Livramento, um papagaio de papel, alto e largo, preso de uma corda imensa, que bojava no ar, uma coisa soberba. E eu na escola, sentado, pernas unidas, com o livro de leitura e a gramática nos joelhos.

Machado de Assis. Conto de escola. In: Alfredo Bosi et.al. Machado de Assis.
Coleção Escritores Brasileiros. São Paulo, Ática, 1982. p. 192. 



Considerando o texto apresentado e aspectos da BNCC para o componente curricular de língua portuguesa, julgue o item a seguir. 
No último parágrafo do excerto, o narrador-personagem contrasta os movimentos amplos do papagaio de papel "que bojava no ar" com a imobilidade a ele imposta em sala de aula e realça seus anseios de liberdade e seu sentimento de inadaptação à escola, o que evidencia a crítica do autor da obra a um modelo de ensino de época, já superado pelos métodos da escola contemporânea. 
Alternativas
Q4443517 Pedagogia
    Começou a aula de escrita. Custa-me dizer que eu era dos mais adiantados da escola; mas era. Não digo também que era dos mais inteligentes, por um escrúpulo fácil de entender e de excelente efeito no estilo, mas não tenho outra convicção. Note-se que não era pálido nem mofino: tinha boas cores e músculos de ferro. Na lição de escrita, por exemplo, acabava sempre antes de todos, mas deixava-me estar a recortar narizes no papel ou na tábua, ocupação sem nobreza nem espiritualidade, mas em todo caso ingênua. Naquele dia, foi a mesma coisa; tão depressa acabei, como entrei a reproduzir o nariz do mestre, dando-lhe cinco ou seis atitudes diferentes, das quais recordo a interrogativa, a admirativa, a dubitativa e a cogitativa. Não lhes punha esses nomes, pobre estudante de primeiras letras que era; mas, instintivamente, dava - lhes essas expressões. Os outros foram acabando; não tive remédio senão acabar também, entregar a escrita, e voltar para o meu lugar. 

    Com franqueza, estava arrependido de ter vindo. Agora que ficava preso, ardia por andar lá fora, e recapitulava o campo e o morro, pensava nos outros meninos vadios, o Chico Telha, o Américo, o Carlos das Escadinhas, a fina flor do bairro e do gênero humano. Para cúmulo de desespero, vi através das vidraças da escola, no claro azul do céu, por cima do morro do Livramento, um papagaio de papel, alto e largo, preso de uma corda imensa, que bojava no ar, uma coisa soberba. E eu na escola, sentado, pernas unidas, com o livro de leitura e a gramática nos joelhos.

Machado de Assis. Conto de escola. In: Alfredo Bosi et.al. Machado de Assis.
Coleção Escritores Brasileiros. São Paulo, Ática, 1982. p. 192. 



Considerando o texto apresentado e aspectos da BNCC para o componente curricular de língua portuguesa, julgue o item a seguir. 
Segundo a BNCC, é preciso formar leitores que dominem os mecanismos da língua e consigam não apenas ler e entender o texto artístico, mas também expressar impressões e críticas em relação aos sentidos nele construídos; assim, na organização do currículo de língua portuguesa, a leitura de uma narrativa literária como Conto de escola deve ficar restrita às atividades do nono ano do ensino fundamental e às do ensino médio.
Alternativas
Q4443516 Linguística
    A escrita (enquanto manifestação formal do letramento), em sua faceta institucional, é adquirida em contextos formais: na escola. Daí também seu caráter mais prestigioso como bem cultural desejável. Daí também o fato de uma certa identificação entre alfabetização e escolarização, o que não passa de um equívoco, pois houve situações históricas, tal como o caso da Suécia, em que a alfabetização se deu desvinculada da escolarização. 

    Quanto à presença da escrita, pode-se dizer que, mesmo criada pelo engenho humano tardiamente em relação ao surgimento da oralidade, ela permeia hoje quase todas as práticas sociais dos povos em que penetrou. Até mesmo os analfabetos, em sociedades com escrita, estão sob a influência do que contemporaneamente se convencionou chamar de práticas de letramento, isto é, um tipo de processo histórico e social que não se confunde com a realidade representada pela alfabetização regular e institucional lembrada há pouco. Deve-se ter imenso cuidado diante da tendência à escolarização do letramento, mal crônico decorrente da suposição de que só existe um letramento. O letramento não é o equivalente à aquisição da escrita. Existem "letramentos sociais" que surgem e se desenvolvem à margem da escola. 

    A escrita é usada em contextos sociais básicos da vida cotidiana, em paralelo direto com a oralidade. Esses contextos são, entre outros: o trabalho, a escola, o dia a dia, a vida burocrática. 

    Em cada um desses contextos, as ênfases e os objetivos do uso da escrita são variados e diversos. Inevitáveis relações entre escrita e contexto devem existir, fazendo surgir gêneros textuais e formas comunicativas, bem como terminologias e expressões típicas. Seria interessante que a escola soubesse algo mais sobre essa questão para enfrentar sua tarefa com maior preparo e maleabilidade, servindo até mesmo de orientação na seleção de textos e definição de níveis de linguagem a trabalhar. 

Luiz Antônio Marcuschi. Da fala para a escrita: atividades de retextualização.
10.ª ed. São Paulo: Cortez, 2010, p. 19 (com adaptações).



A partir do texto apresentado, julgue o item subsequente. 
Ao afirmar, ao final do segundo parágrafo, que o "letramento não é o equivalente à aquisição da escrita" e que "Existem 'letramentos sociais' que surgem e se desenvolvem à margem da escola", o autor deprecia o letramento adquirido fora do ambiente escolar, prática que consiste na apropriação de elementos do código escrito na vivência social cotidiana, sem compromisso com o uso competente da linguagem na comunicação. 
Alternativas
Q4443515 Português
    A escrita (enquanto manifestação formal do letramento), em sua faceta institucional, é adquirida em contextos formais: na escola. Daí também seu caráter mais prestigioso como bem cultural desejável. Daí também o fato de uma certa identificação entre alfabetização e escolarização, o que não passa de um equívoco, pois houve situações históricas, tal como o caso da Suécia, em que a alfabetização se deu desvinculada da escolarização. 

    Quanto à presença da escrita, pode-se dizer que, mesmo criada pelo engenho humano tardiamente em relação ao surgimento da oralidade, ela permeia hoje quase todas as práticas sociais dos povos em que penetrou. Até mesmo os analfabetos, em sociedades com escrita, estão sob a influência do que contemporaneamente se convencionou chamar de práticas de letramento, isto é, um tipo de processo histórico e social que não se confunde com a realidade representada pela alfabetização regular e institucional lembrada há pouco. Deve-se ter imenso cuidado diante da tendência à escolarização do letramento, mal crônico decorrente da suposição de que só existe um letramento. O letramento não é o equivalente à aquisição da escrita. Existem "letramentos sociais" que surgem e se desenvolvem à margem da escola. 

    A escrita é usada em contextos sociais básicos da vida cotidiana, em paralelo direto com a oralidade. Esses contextos são, entre outros: o trabalho, a escola, o dia a dia, a vida burocrática. 

    Em cada um desses contextos, as ênfases e os objetivos do uso da escrita são variados e diversos. Inevitáveis relações entre escrita e contexto devem existir, fazendo surgir gêneros textuais e formas comunicativas, bem como terminologias e expressões típicas. Seria interessante que a escola soubesse algo mais sobre essa questão para enfrentar sua tarefa com maior preparo e maleabilidade, servindo até mesmo de orientação na seleção de textos e definição de níveis de linguagem a trabalhar. 

Luiz Antônio Marcuschi. Da fala para a escrita: atividades de retextualização.
10.ª ed. São Paulo: Cortez, 2010, p. 19 (com adaptações).



A partir do texto apresentado, julgue o item subsequente. 
No primeiro período do segundo parágrafo, o elemento de coesão "ela" poderia ser substituído por "esta" sem prejuízo semântico ou sintático, pois não comprometeria a ideia de que praticamente todos os povos desenvolveram um tipo de escrita, ainda que tardiamente. 
Alternativas
Q4443514 Linguística
    A escrita (enquanto manifestação formal do letramento), em sua faceta institucional, é adquirida em contextos formais: na escola. Daí também seu caráter mais prestigioso como bem cultural desejável. Daí também o fato de uma certa identificação entre alfabetização e escolarização, o que não passa de um equívoco, pois houve situações históricas, tal como o caso da Suécia, em que a alfabetização se deu desvinculada da escolarização. 

    Quanto à presença da escrita, pode-se dizer que, mesmo criada pelo engenho humano tardiamente em relação ao surgimento da oralidade, ela permeia hoje quase todas as práticas sociais dos povos em que penetrou. Até mesmo os analfabetos, em sociedades com escrita, estão sob a influência do que contemporaneamente se convencionou chamar de práticas de letramento, isto é, um tipo de processo histórico e social que não se confunde com a realidade representada pela alfabetização regular e institucional lembrada há pouco. Deve-se ter imenso cuidado diante da tendência à escolarização do letramento, mal crônico decorrente da suposição de que só existe um letramento. O letramento não é o equivalente à aquisição da escrita. Existem "letramentos sociais" que surgem e se desenvolvem à margem da escola. 

    A escrita é usada em contextos sociais básicos da vida cotidiana, em paralelo direto com a oralidade. Esses contextos são, entre outros: o trabalho, a escola, o dia a dia, a vida burocrática. 

    Em cada um desses contextos, as ênfases e os objetivos do uso da escrita são variados e diversos. Inevitáveis relações entre escrita e contexto devem existir, fazendo surgir gêneros textuais e formas comunicativas, bem como terminologias e expressões típicas. Seria interessante que a escola soubesse algo mais sobre essa questão para enfrentar sua tarefa com maior preparo e maleabilidade, servindo até mesmo de orientação na seleção de textos e definição de níveis de linguagem a trabalhar. 

Luiz Antônio Marcuschi. Da fala para a escrita: atividades de retextualização.
10.ª ed. São Paulo: Cortez, 2010, p. 19 (com adaptações).



A partir do texto apresentado, julgue o item subsequente. 
Depreende-se da leitura do texto que a "alfabetização regular e institucional", praticada na escola, é um processo restrito da aquisição e domínio de um código, o da escrita, ao passo que o "letramento" é um processo mais abrangente de inserção na cultura escrita. 
Alternativas
Q4443513 Português
    A escrita (enquanto manifestação formal do letramento), em sua faceta institucional, é adquirida em contextos formais: na escola. Daí também seu caráter mais prestigioso como bem cultural desejável. Daí também o fato de uma certa identificação entre alfabetização e escolarização, o que não passa de um equívoco, pois houve situações históricas, tal como o caso da Suécia, em que a alfabetização se deu desvinculada da escolarização. 

    Quanto à presença da escrita, pode-se dizer que, mesmo criada pelo engenho humano tardiamente em relação ao surgimento da oralidade, ela permeia hoje quase todas as práticas sociais dos povos em que penetrou. Até mesmo os analfabetos, em sociedades com escrita, estão sob a influência do que contemporaneamente se convencionou chamar de práticas de letramento, isto é, um tipo de processo histórico e social que não se confunde com a realidade representada pela alfabetização regular e institucional lembrada há pouco. Deve-se ter imenso cuidado diante da tendência à escolarização do letramento, mal crônico decorrente da suposição de que só existe um letramento. O letramento não é o equivalente à aquisição da escrita. Existem "letramentos sociais" que surgem e se desenvolvem à margem da escola. 

    A escrita é usada em contextos sociais básicos da vida cotidiana, em paralelo direto com a oralidade. Esses contextos são, entre outros: o trabalho, a escola, o dia a dia, a vida burocrática. 

    Em cada um desses contextos, as ênfases e os objetivos do uso da escrita são variados e diversos. Inevitáveis relações entre escrita e contexto devem existir, fazendo surgir gêneros textuais e formas comunicativas, bem como terminologias e expressões típicas. Seria interessante que a escola soubesse algo mais sobre essa questão para enfrentar sua tarefa com maior preparo e maleabilidade, servindo até mesmo de orientação na seleção de textos e definição de níveis de linguagem a trabalhar. 

Luiz Antônio Marcuschi. Da fala para a escrita: atividades de retextualização.
10.ª ed. São Paulo: Cortez, 2010, p. 19 (com adaptações).



A partir do texto apresentado, julgue o item subsequente. 
No primeiro parágrafo, o autor do texto estabelece um vínculo lógico entre a norma culta da língua, a escolarização e o consequente prestígio social obtido por quem domina a escrita institucional. 
Alternativas
Q4443512 Português
    A escrita (enquanto manifestação formal do letramento), em sua faceta institucional, é adquirida em contextos formais: na escola. Daí também seu caráter mais prestigioso como bem cultural desejável. Daí também o fato de uma certa identificação entre alfabetização e escolarização, o que não passa de um equívoco, pois houve situações históricas, tal como o caso da Suécia, em que a alfabetização se deu desvinculada da escolarização. 

    Quanto à presença da escrita, pode-se dizer que, mesmo criada pelo engenho humano tardiamente em relação ao surgimento da oralidade, ela permeia hoje quase todas as práticas sociais dos povos em que penetrou. Até mesmo os analfabetos, em sociedades com escrita, estão sob a influência do que contemporaneamente se convencionou chamar de práticas de letramento, isto é, um tipo de processo histórico e social que não se confunde com a realidade representada pela alfabetização regular e institucional lembrada há pouco. Deve-se ter imenso cuidado diante da tendência à escolarização do letramento, mal crônico decorrente da suposição de que só existe um letramento. O letramento não é o equivalente à aquisição da escrita. Existem "letramentos sociais" que surgem e se desenvolvem à margem da escola. 

    A escrita é usada em contextos sociais básicos da vida cotidiana, em paralelo direto com a oralidade. Esses contextos são, entre outros: o trabalho, a escola, o dia a dia, a vida burocrática. 

    Em cada um desses contextos, as ênfases e os objetivos do uso da escrita são variados e diversos. Inevitáveis relações entre escrita e contexto devem existir, fazendo surgir gêneros textuais e formas comunicativas, bem como terminologias e expressões típicas. Seria interessante que a escola soubesse algo mais sobre essa questão para enfrentar sua tarefa com maior preparo e maleabilidade, servindo até mesmo de orientação na seleção de textos e definição de níveis de linguagem a trabalhar. 

Luiz Antônio Marcuschi. Da fala para a escrita: atividades de retextualização.
10.ª ed. São Paulo: Cortez, 2010, p. 19 (com adaptações).



A partir do texto apresentado, julgue o item subsequente. 
A expressão "essa questão" (último período do último parágrafo) retoma a ideia anterior a respeito das relações entre escrita e contexto a serem observadas no desenvolvimento da linguagem a que se propõe a escola no ensino da língua. 
Alternativas
Respostas
1: E
2: C
3: E
4: C
5: E
6: E
7: C
8: C
9: E
10: E
11: C
12: C
13: E
14: E
15: E
16: E
17: E
18: C
19: C
20: C