Entende-se da leitura do texto que o narrador tinha por hábi...
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Ano: 2026
Banca:
CESPE / CEBRASPE
Órgão:
SEDUC-AL
Prova:
CESPE / CEBRASPE - 2026 - SEDUC-AL - Professor - Português |
Q4443520
Português
Texto associado
Começou a aula de escrita. Custa-me dizer que eu era dos
mais adiantados da escola; mas era. Não digo também que era dos
mais inteligentes, por um escrúpulo fácil de entender e de
excelente efeito no estilo, mas não tenho outra convicção. Note-se
que não era pálido nem mofino: tinha boas cores e músculos de
ferro. Na lição de escrita, por exemplo, acabava sempre antes de
todos, mas deixava-me estar a recortar narizes no papel ou na
tábua, ocupação sem nobreza nem espiritualidade, mas em todo
caso ingênua. Naquele dia, foi a mesma coisa; tão depressa acabei,
como entrei a reproduzir o nariz do mestre, dando-lhe cinco ou seis
atitudes diferentes, das quais recordo a interrogativa, a admirativa,
a dubitativa e a cogitativa. Não lhes punha esses nomes, pobre
estudante de primeiras letras que era; mas, instintivamente, dava - lhes essas expressões. Os outros foram acabando; não tive remédio
senão acabar também, entregar a escrita, e voltar para o meu lugar.
Com franqueza, estava arrependido de ter vindo. Agora que
ficava preso, ardia por andar lá fora, e recapitulava o campo e o
morro, pensava nos outros meninos vadios, o Chico Telha, o
Américo, o Carlos das Escadinhas, a fina flor do bairro e do gênero
humano. Para cúmulo de desespero, vi através das vidraças da
escola, no claro azul do céu, por cima do morro do Livramento,
um papagaio de papel, alto e largo, preso de uma corda imensa,
que bojava no ar, uma coisa soberba. E eu na escola, sentado,
pernas unidas, com o livro de leitura e a gramática nos joelhos.
Machado de Assis. Conto de escola. In: Alfredo Bosi et.al. Machado de Assis.
Coleção Escritores Brasileiros. São Paulo, Ática, 1982. p. 192.
Considerando o texto apresentado e aspectos da BNCC para o
componente curricular de língua portuguesa, julgue o item a
seguir.
Entende-se da leitura do texto que o narrador tinha por hábito
desenhar caricaturas ao término da lição de escrita, ocupação,
segundo ele, "sem nobreza nem espiritualidade", embora
ingênua.