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____________ são fenômenos que podem ser vistos, ouvidos e sentidos ao entrar em contato com um novo grupo com uma cultura desconhecida. Eles incluem os produtos visíveis, como a arquitetura de seu ambiente físico; sua linguagem; sua tecnologia e produtos; suas criações artísticas; seu estilo personificado por roupas, maneiras de se comunicar e manifestações emocionais; os mitos e histórias contados sobre a organização; suas listas de valores explícitas; e seus rituais e cerimônias observáveis.
Leia o texto para responder à questão.
O olhar da truta
O homem pediu truta e o garçom perguntou se ele não gostaria de escolher uma pessoalmente.
— Como, escolher?
— No nosso viveiro. O senhor pode escolher a truta que quiser.
Ele não tinha visto o viveiro ao entrar no restaurante. Foi atrás do garçom. As trutas davam voltas e voltas dentro do aquário, como num cortejo. Algumas paravam por um instante e ficavam olhando através do vidro, depois retomavam o cortejo. E o homem se viu encarando, olho no olho, uma truta que estacionara com a boca encostada no vidro à sua frente.
— Essa está bonita... — disse o garçom.
— Eu não sabia que se podia escolher. Pensei que elas já estivessem mortas.
— Não, nossas trutas são mortas na hora. Da água direto para a panela. A truta continuava parada contra o vidro, olhando para o homem.
— Vai essa, doutor? Ela parece que está pedindo...
Mas o olhar da truta não era de quem queria ir direto para uma panela. Ela parecia examinar o homem. Parecia estar calculando a possibilidade de um diálogo. Estranho, pensou o homem. Nunca tive que tomar uma decisão assim. Decidir um destino, decidir entre a vida e a morte. Não era como no supermercado, em que os bichos já estavam mortos e a responsabilidade não era sua — pelo menos não diretamente. Você podia comê-los sem remorso. (...) Claro, era com sua aprovação tácita que bovinos, ovinos, suínos, caprinos, galinhas e peixes eram assassinados para lhe dar de comer. Mas você não estava presente no ato, não escolhia a vítima, não dava a ordem. (...) De certa maneira, pensou o homem, vivi sempre assim, protegido das entranhas do mundo. Sem precisar me comprometer. Sem encarar as vítimas. Mas agora era preciso escolher.
— Vai essa, doutor? — insistiu o garçom.
— Não sei. Eu...
— Acho que foi ela que escolheu o senhor. Olha aí, ficou paradinha. Só faltando dizer “Me come”.
O homem desejou que a truta deixasse de encará-lo e voltasse ao carrossel junto com as outras. Ou que pelo menos desviasse o olhar. Mas a truta continuava a fitá-lo.
— Vamos — estava dizendo a truta.
— Pelo menos uma vez na vida, seja decidido. Me escolha e me condene à morte, ou me deixe viver. (...) Não posso decidir a minha vida, ou a de ninguém. Mas você pode. (...) Até agora foi um protegido, um desobrigado, um isento da vida. Mas chegou a hora de se comprometer. (...)
— Vai essa mesmo, doutor? — quis saber o garçom, já com a rede na mão para pegar a truta.
— Não — disse o homem. — Mudei de ideia. Vou pedir outra coisa.
E de volta na mesa, depois de reexaminar o cardápio, perguntou:
— Esses camarões estão vivos?
— Não, doutor. Os camarões estão mortos.
— Pode trazer.
VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.
Leia o texto para responder à questão.
O olhar da truta
O homem pediu truta e o garçom perguntou se ele não gostaria de escolher uma pessoalmente.
— Como, escolher?
— No nosso viveiro. O senhor pode escolher a truta que quiser.
Ele não tinha visto o viveiro ao entrar no restaurante. Foi atrás do garçom. As trutas davam voltas e voltas dentro do aquário, como num cortejo. Algumas paravam por um instante e ficavam olhando através do vidro, depois retomavam o cortejo. E o homem se viu encarando, olho no olho, uma truta que estacionara com a boca encostada no vidro à sua frente.
— Essa está bonita... — disse o garçom.
— Eu não sabia que se podia escolher. Pensei que elas já estivessem mortas.
— Não, nossas trutas são mortas na hora. Da água direto para a panela. A truta continuava parada contra o vidro, olhando para o homem.
— Vai essa, doutor? Ela parece que está pedindo...
Mas o olhar da truta não era de quem queria ir direto para uma panela. Ela parecia examinar o homem. Parecia estar calculando a possibilidade de um diálogo. Estranho, pensou o homem. Nunca tive que tomar uma decisão assim. Decidir um destino, decidir entre a vida e a morte. Não era como no supermercado, em que os bichos já estavam mortos e a responsabilidade não era sua — pelo menos não diretamente. Você podia comê-los sem remorso. (...) Claro, era com sua aprovação tácita que bovinos, ovinos, suínos, caprinos, galinhas e peixes eram assassinados para lhe dar de comer. Mas você não estava presente no ato, não escolhia a vítima, não dava a ordem. (...) De certa maneira, pensou o homem, vivi sempre assim, protegido das entranhas do mundo. Sem precisar me comprometer. Sem encarar as vítimas. Mas agora era preciso escolher.
— Vai essa, doutor? — insistiu o garçom.
— Não sei. Eu...
— Acho que foi ela que escolheu o senhor. Olha aí, ficou paradinha. Só faltando dizer “Me come”.
O homem desejou que a truta deixasse de encará-lo e voltasse ao carrossel junto com as outras. Ou que pelo menos desviasse o olhar. Mas a truta continuava a fitá-lo.
— Vamos — estava dizendo a truta.
— Pelo menos uma vez na vida, seja decidido. Me escolha e me condene à morte, ou me deixe viver. (...) Não posso decidir a minha vida, ou a de ninguém. Mas você pode. (...) Até agora foi um protegido, um desobrigado, um isento da vida. Mas chegou a hora de se comprometer. (...)
— Vai essa mesmo, doutor? — quis saber o garçom, já com a rede na mão para pegar a truta.
— Não — disse o homem. — Mudei de ideia. Vou pedir outra coisa.
E de volta na mesa, depois de reexaminar o cardápio, perguntou:
— Esses camarões estão vivos?
— Não, doutor. Os camarões estão mortos.
— Pode trazer.
VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.
Leia o texto para responder à questão.
O olhar da truta
O homem pediu truta e o garçom perguntou se ele não gostaria de escolher uma pessoalmente.
— Como, escolher?
— No nosso viveiro. O senhor pode escolher a truta que quiser.
Ele não tinha visto o viveiro ao entrar no restaurante. Foi atrás do garçom. As trutas davam voltas e voltas dentro do aquário, como num cortejo. Algumas paravam por um instante e ficavam olhando através do vidro, depois retomavam o cortejo. E o homem se viu encarando, olho no olho, uma truta que estacionara com a boca encostada no vidro à sua frente.
— Essa está bonita... — disse o garçom.
— Eu não sabia que se podia escolher. Pensei que elas já estivessem mortas.
— Não, nossas trutas são mortas na hora. Da água direto para a panela. A truta continuava parada contra o vidro, olhando para o homem.
— Vai essa, doutor? Ela parece que está pedindo...
Mas o olhar da truta não era de quem queria ir direto para uma panela. Ela parecia examinar o homem. Parecia estar calculando a possibilidade de um diálogo. Estranho, pensou o homem. Nunca tive que tomar uma decisão assim. Decidir um destino, decidir entre a vida e a morte. Não era como no supermercado, em que os bichos já estavam mortos e a responsabilidade não era sua — pelo menos não diretamente. Você podia comê-los sem remorso. (...) Claro, era com sua aprovação tácita que bovinos, ovinos, suínos, caprinos, galinhas e peixes eram assassinados para lhe dar de comer. Mas você não estava presente no ato, não escolhia a vítima, não dava a ordem. (...) De certa maneira, pensou o homem, vivi sempre assim, protegido das entranhas do mundo. Sem precisar me comprometer. Sem encarar as vítimas. Mas agora era preciso escolher.
— Vai essa, doutor? — insistiu o garçom.
— Não sei. Eu...
— Acho que foi ela que escolheu o senhor. Olha aí, ficou paradinha. Só faltando dizer “Me come”.
O homem desejou que a truta deixasse de encará-lo e voltasse ao carrossel junto com as outras. Ou que pelo menos desviasse o olhar. Mas a truta continuava a fitá-lo.
— Vamos — estava dizendo a truta.
— Pelo menos uma vez na vida, seja decidido. Me escolha e me condene à morte, ou me deixe viver. (...) Não posso decidir a minha vida, ou a de ninguém. Mas você pode. (...) Até agora foi um protegido, um desobrigado, um isento da vida. Mas chegou a hora de se comprometer. (...)
— Vai essa mesmo, doutor? — quis saber o garçom, já com a rede na mão para pegar a truta.
— Não — disse o homem. — Mudei de ideia. Vou pedir outra coisa.
E de volta na mesa, depois de reexaminar o cardápio, perguntou:
— Esses camarões estão vivos?
— Não, doutor. Os camarões estão mortos.
— Pode trazer.
VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.
Leia o texto para responder à questão.
O olhar da truta
O homem pediu truta e o garçom perguntou se ele não gostaria de escolher uma pessoalmente.
— Como, escolher?
— No nosso viveiro. O senhor pode escolher a truta que quiser.
Ele não tinha visto o viveiro ao entrar no restaurante. Foi atrás do garçom. As trutas davam voltas e voltas dentro do aquário, como num cortejo. Algumas paravam por um instante e ficavam olhando através do vidro, depois retomavam o cortejo. E o homem se viu encarando, olho no olho, uma truta que estacionara com a boca encostada no vidro à sua frente.
— Essa está bonita... — disse o garçom.
— Eu não sabia que se podia escolher. Pensei que elas já estivessem mortas.
— Não, nossas trutas são mortas na hora. Da água direto para a panela. A truta continuava parada contra o vidro, olhando para o homem.
— Vai essa, doutor? Ela parece que está pedindo...
Mas o olhar da truta não era de quem queria ir direto para uma panela. Ela parecia examinar o homem. Parecia estar calculando a possibilidade de um diálogo. Estranho, pensou o homem. Nunca tive que tomar uma decisão assim. Decidir um destino, decidir entre a vida e a morte. Não era como no supermercado, em que os bichos já estavam mortos e a responsabilidade não era sua — pelo menos não diretamente. Você podia comê-los sem remorso. (...) Claro, era com sua aprovação tácita que bovinos, ovinos, suínos, caprinos, galinhas e peixes eram assassinados para lhe dar de comer. Mas você não estava presente no ato, não escolhia a vítima, não dava a ordem. (...) De certa maneira, pensou o homem, vivi sempre assim, protegido das entranhas do mundo. Sem precisar me comprometer. Sem encarar as vítimas. Mas agora era preciso escolher.
— Vai essa, doutor? — insistiu o garçom.
— Não sei. Eu...
— Acho que foi ela que escolheu o senhor. Olha aí, ficou paradinha. Só faltando dizer “Me come”.
O homem desejou que a truta deixasse de encará-lo e voltasse ao carrossel junto com as outras. Ou que pelo menos desviasse o olhar. Mas a truta continuava a fitá-lo.
— Vamos — estava dizendo a truta.
— Pelo menos uma vez na vida, seja decidido. Me escolha e me condene à morte, ou me deixe viver. (...) Não posso decidir a minha vida, ou a de ninguém. Mas você pode. (...) Até agora foi um protegido, um desobrigado, um isento da vida. Mas chegou a hora de se comprometer. (...)
— Vai essa mesmo, doutor? — quis saber o garçom, já com a rede na mão para pegar a truta.
— Não — disse o homem. — Mudei de ideia. Vou pedir outra coisa.
E de volta na mesa, depois de reexaminar o cardápio, perguntou:
— Esses camarões estão vivos?
— Não, doutor. Os camarões estão mortos.
— Pode trazer.
VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.
Segundo a lei complementar n.° 97/2009, que dispõe sobre a criação do plano de carreira, cargos e vencimentos dos servidores públicos do Poder Executivo do município de Bombinhas, em seu art. 3°, a carreira dos servidores públicos municipais de Bombinhas tem como princípios básicos:
I. Organização técnica e administrativa do trabalho.
II. Racionalização da estrutura de cargos e carreiras.
III.Qualificação profissional e valorização profissional.
É correto o que se afirma em:
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Vacinas inversas: esperança contra doenças autoimunes
Muitas vacinas simulam uma infecção natural e estimulam o sistema imunitário a gerar as respostas necessárias para evitar a infecção por agentes patogênicos de tipo selvagem e, possivelmente, a ocorrência de doenças. Nesse processo, alguns componentes do patógeno invasor são reconhecidos como estranhos e marcados para eliminação e/ou processamento por mecanismos específicos, que permitem o desenvolvimento de uma resposta imune de memória de longa duração e eficaz, que protegerá contra novas infecções no futuro.
No entanto, surpreendentemente, o sistema imunitário também pode atacar células, tecidos e órgãos saudáveis do próprio hospedeiro, processo este conhecido como autoimunidade, que resulta em uma variedade de patogenias. Estima-se que 7% da população mundial viva com algum tipo de autoimunidade. Mas como fazer para frear esse ataque do sistema imunitário ao próprio organismo em indivíduos com doenças autoimunes em curso? Existem mecanismos comuns relacionados à geração de respostas autoimunes dirigidas a diferentes órgãos, tecidos e células?
A resposta para essas perguntas pode estar em uma nova estratégia de desenvolvimento de vacinas, concebida por Andrew Tremain e colaboradores e publicada em setembro de 2023 na Nature Biomedical Engineering . Trata-se de uma vacina inversa. Ou seja, em vez de gerar uma memória de longo prazo que vai estimular uma resposta imunitária robusta a partir do reconhecimento de componentes de um patógeno invasor − como acontece com as vacinas tradicionais −, ela remove a memória do sistema imunitário em relação a uma molécula de proteína do próprio corpo que é incorretamente reconhecida como estranha por células de defesa (linfócitos T).
Para criar a vacina, a equipe acoplou a molécula N-acetilgalactosamina (pGal) a proteínas (chamadas de antígenos) responsáveis por provocar a reação do sistema imunitário contra determinados órgãos, tecidos ou células do próprio corpo. A molécula pGal marca essas proteínas e sinaliza que elas não devem ser identificadas como estranhas ao organismo, gerando tolerância imunológica específica.
Existem diferentes antígenos associados às doenças autoimunes. Por exemplo, na esclerose múltipla − doença autoimune que afeta o sistema nervoso −, os linfócitos T reagem à mielina, que forma a camada proteica protetora que fica ao redor dos nervos. Já no caso da doença de Crohn, as células T têm como alvo a parte inferior do intestino delgado. A ideia é que a molécula pGal possa ser ligada a qualquer proteína antigênica do corpo para direcionar o sistema imunológico a tolerá-la, atenuando ou eliminando a resposta imune contra essa proteína.
Em estudos com modelos experimentais (ratos e macacos), os pesquisadores demonstraram que as vacinas inversas poderiam efetivamente interromper a reação autoimune associada a uma doença semelhante à esclerose múltipla, atestando que doenças autoimunes em curso poderiam ser reduzidas e/ou curadas após imunização com vacina inversa.
É importante destacar que um ensaio inicial de fase I, para avaliar a segurança da abordagem da vacina inversa, já foi realizado em pessoas com doença celíaca, e outros ensaios de segurança em humanos com esclerose múltipla estão em andamento, todos com o apoio da empresa farmacêutica Anokion S/A.
Espera-se que a vacina inversa seja mais eficaz no tratamento das doenças autoimunes do que os métodos usados hoje em dia, que são principalmente direcionados para enfraquecer o sistema imunitário e restringir a resposta imunológica, deixando os pacientes suscetíveis a infecções e efeitos colaterais.
Retirado e adaptado de: GALLER, Ricardo. Vacinas inversas: esperança contra doenças autoimunes. Ciência hoje. Disponível em: https://cienciahoje.org.br/artigo/vacinas-inversas-esperanca-contra-doe ncas-autoimunes/ Acesso em: 12 mar., 2024.
Analise os seguintes trechos, retirados do texto:
Trecho I: Nesse processo, alguns componentes do patógeno invasor são reconhecidos como estranhos e marcados para eliminação e/ou processamento por mecanismos específicos, que permitem o desenvolvimento de uma resposta imune de memória de longa duração e eficaz, que protegerá contra novas infecções no futuro.
TrechoII: Estima-se que 7% da população mundial viva com algum tipo de autoimunidade.
Agora, analise as afirmações a seguir:
I. A primeira palavra em destaque exerce a função sintática de pronome relativo.
II. A segunda palavra em destaque exerce a função sintática de conjunção coordenativa explicativa.
III. A terceira palavra em destaque exerce a função sintática de conjunção subordinativa.
É correto o que se afirma
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Vacinas inversas: esperança contra doenças autoimunes
Muitas vacinas simulam uma infecção natural e estimulam o sistema imunitário a gerar as respostas necessárias para evitar a infecção por agentes patogênicos de tipo selvagem e, possivelmente, a ocorrência de doenças. Nesse processo, alguns componentes do patógeno invasor são reconhecidos como estranhos e marcados para eliminação e/ou processamento por mecanismos específicos, que permitem o desenvolvimento de uma resposta imune de memória de longa duração e eficaz, que protegerá contra novas infecções no futuro.
No entanto, surpreendentemente, o sistema imunitário também pode atacar células, tecidos e órgãos saudáveis do próprio hospedeiro, processo este conhecido como autoimunidade, que resulta em uma variedade de patogenias. Estima-se que 7% da população mundial viva com algum tipo de autoimunidade. Mas como fazer para frear esse ataque do sistema imunitário ao próprio organismo em indivíduos com doenças autoimunes em curso? Existem mecanismos comuns relacionados à geração de respostas autoimunes dirigidas a diferentes órgãos, tecidos e células?
A resposta para essas perguntas pode estar em uma nova estratégia de desenvolvimento de vacinas, concebida por Andrew Tremain e colaboradores e publicada em setembro de 2023 na Nature Biomedical Engineering . Trata-se de uma vacina inversa. Ou seja, em vez de gerar uma memória de longo prazo que vai estimular uma resposta imunitária robusta a partir do reconhecimento de componentes de um patógeno invasor − como acontece com as vacinas tradicionais −, ela remove a memória do sistema imunitário em relação a uma molécula de proteína do próprio corpo que é incorretamente reconhecida como estranha por células de defesa (linfócitos T).
Para criar a vacina, a equipe acoplou a molécula N-acetilgalactosamina (pGal) a proteínas (chamadas de antígenos) responsáveis por provocar a reação do sistema imunitário contra determinados órgãos, tecidos ou células do próprio corpo. A molécula pGal marca essas proteínas e sinaliza que elas não devem ser identificadas como estranhas ao organismo, gerando tolerância imunológica específica.
Existem diferentes antígenos associados às doenças autoimunes. Por exemplo, na esclerose múltipla − doença autoimune que afeta o sistema nervoso −, os linfócitos T reagem à mielina, que forma a camada proteica protetora que fica ao redor dos nervos. Já no caso da doença de Crohn, as células T têm como alvo a parte inferior do intestino delgado. A ideia é que a molécula pGal possa ser ligada a qualquer proteína antigênica do corpo para direcionar o sistema imunológico a tolerá-la, atenuando ou eliminando a resposta imune contra essa proteína.
Em estudos com modelos experimentais (ratos e macacos), os pesquisadores demonstraram que as vacinas inversas poderiam efetivamente interromper a reação autoimune associada a uma doença semelhante à esclerose múltipla, atestando que doenças autoimunes em curso poderiam ser reduzidas e/ou curadas após imunização com vacina inversa.
É importante destacar que um ensaio inicial de fase I, para avaliar a segurança da abordagem da vacina inversa, já foi realizado em pessoas com doença celíaca, e outros ensaios de segurança em humanos com esclerose múltipla estão em andamento, todos com o apoio da empresa farmacêutica Anokion S/A.
Espera-se que a vacina inversa seja mais eficaz no tratamento das doenças autoimunes do que os métodos usados hoje em dia, que são principalmente direcionados para enfraquecer o sistema imunitário e restringir a resposta imunológica, deixando os pacientes suscetíveis a infecções e efeitos colaterais.
Retirado e adaptado de: GALLER, Ricardo. Vacinas inversas: esperança contra doenças autoimunes. Ciência hoje. Disponível em: https://cienciahoje.org.br/artigo/vacinas-inversas-esperanca-contra-doe ncas-autoimunes/ Acesso em: 12 mar., 2024.
A partir da leitura do texto, analise as afirmações a seguir. Marque V, para verdadeiras, e F, para falsas:
(__) Os estudos realizados com pessoas, ainda que em fase inicial, demonstraram que as vacinas inversas poderiam efetivamente interromper a reação autoimune associada a uma doença semelhante à esclerose múltipla.
(__) A vacina descrita no estudo atua de modo a criar uma tolerância imunológica específica, marcando proteínas que não devem ser atacadas pelo sistema imunológico.
(__) Uma das principais vantagens da vacina inversa, no que diz respeito às doenças autoimunes, é que não prejudicam o sistema imunológico, como fazem os atuais tratamentos.
(__) As chamadas vacinas inversas ainda apresentam um desafio: como existem distintos antígenos associados às doenças autoimunes, as vacinas precisam ser pensadas para cada um desses antígenos.
É correto o que se afirma
O memorando pode ser utilizado para: