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Q4297434 Português

Texto: SOBRE OS ENGOLIDOS PELAS TELAS, CONDENADOS À INEXISTÊNCIA

A cena foi simples e ainda assim distópica, inesquecível. Estava parado no sinal vermelho, por acaso sem buscar distração, olhar perdido no vazio, ou mais precisamente nos carros opostos a mim. O sinal verde se abriu e ninguém se moveu. O primeiro motorista, dominado por seu celular, não percebeu que era hora de partir. Em outros tempos teria ouvido um buzinaço hostil, mas agora imperou o silêncio. Atrás dele havia outro motorista perdido no celular, e atrás desse mais outro, e atrás desse mais outro, até um insondável limite. Uma fila de sujeitos de todo indiferentes ao momento de seguir, sem pressa para chegar a lugar nenhum, talvez sem saber aonde ir.

A imagem me pareceu mais reveladora do que outras típicas da nossa época, como os casais em restaurantes que mal se falam e mal se veem, ou os passageiros de ônibus, aviões, trens, sentados lado a lado e totalmente alheios, cada um consumido por sua tela resplandecente. O caso que eu testemunhava era mais chocante pela paralisia: aquelas pessoas estavam detidas no tempo, suspensas numa hora qualquer de seus dias, num ponto qualquer do mundo, absortas numa futilidade qualquer, ausentes de si mesmas. Já não precisavam de nada, estavam saciadas: o testemunho de um mundo fantasmático era suficiente para a continuidade de suas vidas.

Todos o sabemos, todos o dizemos de inúmeras maneiras, nem sei por que me repito. Me sinto, como tantos, refém de uma existência que privilegia mais a emoção fácil, efêmera, vazia, do que qualquer tipo real de experiência. Um mundo que nos convoca à contemplação passiva, hipnótica, e assim nos afasta de toda ação, de todo encontro, de toda vivência efetiva. Um mundo em que o ato, quando enfim se dá, se restringe ao comentário breve e banal, uma ação inativa. Nos tornamos quase todos não mais que espectadores, a observar o caos do mundo como se fosse teatro ou pantomima, como se não nos dissesse respeito, como se não fosse feito do trançado dos nossos próprios caminhos.

“Se eu chegarei a ser o herói da minha própria vida, ou se esse posto será ocupado por qualquer outra pessoa, é o que estas páginas devem mostrar”. Eis a antológica primeira frase do romance David Copperfield, de Charles Dickens. O romance tem sido há séculos o gênero que nos traz tal veredicto, afirmando se chegamos ou não a ser os heróis dos nossos próprios dias, mesmo que sejamos heróis pouco heroicos, comuns, falhos, às vezes até indignos. Agora, a julgar por essa entrega absoluta do nosso tempo e da nossa atenção, o caso é que já não somos, já não temos a menor chance de ser os heróis das nossas vidas. Só o que fazemos é assistir às vidas dos outros, se é que os outros de fato vivem.

É uma questão de presença no espaço, em algum agora, algum aqui. Isso que se tornou a nossa vida prescinde da nossa presença, por isso não temos mais pressa em chegar a algum lugar, porque nós mesmos nos fizemos prescindíveis. E, no entanto, talvez para nos defendermos dessa consciência incômoda, preferimos sentir o contrário, um desejo forte de não faltar ao mundo virtual, que se traduz em ansiedade. Daí nosso terror de deixar escapar um acontecimento essencial, uma notícia, uma palavra avulsa de quem quer que seja, o terror de não a ouvir no exato instante em que é proferida. Daí a ilusão contraditória de que nossa presença ali seria necessária, mesmo que tão passiva e tão espectral, a ilusão de que o nosso mundo precisa do nosso olhar para existir.

Agora escrevo afastado do celular. Há algumas semanas adquiri esse hábito, preciso deixar o aparelho a alguns metros de distância para não correr o risco de ser absorvido, de me perder por seus labirintos e demorar a encontrar a saída. É uma tática ingênua, até ridícula, mas eficaz. Onde ele não está, finalmente eu estou, com meu corpo e meu pensamento, mais preservados até do que seria de se esperar, depois de tanta turvação estúpida. Se ele não está, eu ainda estou aqui, eu existo.

JULIÁN FUKS
Adaptado de uol.com.br, 29/11/2025

Sobre os engolidos pelas telas, condenados à inexistência (título)

Em relação ao tema abordado no texto, a palavra “telas”, empregada no título, representa a seguinte figura de linguagem:

Alternativas
Q4297433 Pedagogia
Os recursos de tecnologia assistiva e de comunicação aumentativa e alternativa ocupam lugar central no trabalho do professor de AEE, na medida em que ampliam as possibilidades de participação, comunicação e aprendizagem dos estudantes. Uma informação correta sobre esses recursos está apresentada na seguinte alternativa:
Alternativas
Q4297432 Pedagogia
Para atender às necessidades educacionais dos alunos com deficiência, a escola pode lançar mão de flexibilizações e adaptações curriculares, que materializam o princípio da equidade no acesso ao currículo. No que diz respeito a essas medidas, é uma afirmativa correta:
Alternativas
Q4297431 Pedagogia
A efetivação da educação inclusiva impõe novos contornos ao trabalho docente e à organização dos apoios pedagógicos na escola. Sobre a formação e a atuação dos professores nessa perspectiva, é correta a seguinte afirmativa:
Alternativas
Q4297430 Estatuto da Pessoa com Deficiência - Lei nº 13.146 de 2015
A construção de uma escola inclusiva não se realiza apenas no interior da sala de aula: envolve diferentes atores dentro e fora da escola. No que se refere à relação entre escola, família e sociedade no processo de inclusão do aluno com deficiência, podemos afirmar que:
Alternativas
Q4297429 Estatuto da Pessoa com Deficiência - Lei nº 13.146 de 2015
Os estudantes com altas habilidades ou superdotação frequentemente têm suas necessidades educacionais invisibilizadas na escola. A alternativa que apresenta uma informação verdadeira sobre o atendimento educacional a esses estudantes é a seguinte:
Alternativas
Q4297428 Pedagogia
Na prática do atendimento educacional especializado, a distinção entre dificuldades de aprendizagem e transtornos de aprendizagem é decisiva para o planejamento das intervenções pedagógicas adequadas a cada situação. Sobre essa distinção, podemos afirmar que:
Alternativas
Q4297427 Pedagogia
O professor de atendimento educacional especializado (AEE) ocupa posição estratégica na construção da escola inclusiva, atuando na interface entre o aluno, a família e os demais profissionais da escola. Das alternativas abaixo, aquela que apresenta atribuição própria desse cargo é a seguinte:
Alternativas
Q4297426 Pedagogia
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é o documento de caráter normativo que define o conjunto orgânico e progressivo de aprendizagens essenciais que todos os alunos devem desenvolver ao longo da educação básica. Considerando a relação entre a BNCC e os estudantes que constituem o público da educação especial, é correta a seguinte afirmativa a respeito da BNCC:
Alternativas
Q4297425 Pedagogia
A Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, promulgada pelo Decreto nº 6.949/2009, consolidou o modelo social da deficiência e o direito à educação inclusiva no ordenamento brasileiro. No que diz respeito ao conteúdo e ao alcance dessa Convenção, podemos afirmar que ela:
Alternativas
Q4297424 Libras
A Lei nº 10.436/2002 representou marco fundamental para a comunidade surda brasileira ao dispor sobre a língua brasileira de sinais. Uma afirmativa correta sobre o estatuto jurídico e as características da Libras, segundo essa lei, está apresentada na seguinte alternativa:
Alternativas
Q4297423 Pedagogia
A Lei nº 14.254/2021 estabeleceu diretrizes para o acompanhamento integral de educandos com dislexia, transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) ou outros transtornos de aprendizagem, articulando as áreas da educação e da saúde. Das alternativas abaixo, aquela que apresenta uma afirmativa correta sobre as disposições dessa lei é a seguinte:
Alternativas
Q4297422 Pedagogia
O Decreto nº 12.773, de 8 de dezembro de 2025, promoveu ajustes no Decreto nº 12.686/2025, inclusive quanto à formação dos profissionais e aos instrumentos de planejamento pedagógico individualizado. Considerando a redação atualizada da norma, podemos afirmar que o Decreto nº 12.773/2025:
Alternativas
Q4297421 Estatuto da Pessoa com Deficiência - Lei nº 13.146 de 2015
Entre as inovações do Decreto nº 12.686/2025 está a disciplina do estudo de caso, uma metodologia de produção, sistematização e registro de informações e estratégias relativas ao AEE. Sobre o estudo de caso, é correta a seguinte afirmativa:
Alternativas
Q4297420 Pedagogia
O Decreto nº 12.686, de 20 de outubro de 2025, instituiu a Política Nacional de Educação Especial Inclusiva e disciplinou a organização e a oferta do atendimento educacional especializado (AEE), revogando o Decreto nº 7.611/2011. Quanto à sua natureza nesse novo marco normativo, podemos corretamente afirmar que o AEE:
Alternativas
Q4297419 Estatuto da Pessoa com Deficiência - Lei nº 13.146 de 2015
A Lei nº 12.764/2012, conhecida como Lei Berenice Piana, instituiu a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, com repercussões diretas no campo educacional. Das alternativas abaixo, aquela que apresenta uma afirmativa verdadeira a respeito das disposições dessa lei é a seguinte:
Alternativas
Q4297418 Estatuto da Pessoa com Deficiência - Lei nº 13.146 de 2015
A Lei nº 13.146/15, também conhecida como Estatuto da Pessoa com Deficiência, dedica capítulo específico ao direito à educação, atribuindo ao poder público e às instituições de ensino um conjunto de incumbências destinadas a assegurar sistema educacional inclusivo em todos os níveis e aprendizado ao longo de toda a vida. Sobre o direito à educação nessa lei, podemos corretamente afirmar que:
Alternativas
Q4297417 Direito da Criança e do Adolescente - Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) - Lei nº 8.069 de 1990
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) consagra a doutrina da proteção integral e assegura o direito à educação como instrumento de desenvolvimento pessoal, preparo para a cidadania e qualificação para o trabalho. No que se refere ao direito à educação nele previsto, é verdadeira a seguinte afirmativa:
Alternativas
Q4297416 Pedagogia
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) dedica capítulo próprio à educação especial, definindo-a como modalidade de educação escolar oferecida para educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação. Os artigos 58 e 59 da LDB dispõem que:
Alternativas
Q4297415 Direito Constitucional
A Constituição Federal de 1988 inaugurou novo patamar de proteção ao direito à educação das pessoas com deficiência, tratando a matéria no capítulo dedicado à educação. Sobre o tema, podemos corretamente afirmar que a Constituição de 1988:
Alternativas
Respostas
221: D
222: B
223: C
224: B
225: A
226: B
227: D
228: C
229: B
230: A
231: C
232: D
233: B
234: A
235: C
236: D
237: A
238: C
239: A
240: D