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Q2411235 Medicina

Um gestor resolve privilegiar a implantação de Unidades de Saúde da Família em áreas de menor índice de desenvolvimento humano (IDH) e determina que a quantidade de equipes básicas, bem como o acesso a equipamentos de saúde nas diferentes áreas devem ser orientados pelos indicadores socioeconômicos e epidemiológicos da população adscrita. Essa decisão do gestor visa promover o conceito do SUS de:

Alternativas
Q2411234 Medicina

A tomada de decisão clínica baseada em evidências é considerada ferramenta essencial para uma prática clínica ética e resolutiva aos usuários do SUS. A qualidade (níveis de evidência) é definida a partir do tipo de estudo que baseou as recomendações. A análise da metodologia dos estudos pode qualificar o nível de evidência de seus resultados. Na avaliação metodológica desses estudos, considera-se critério de qualidade da evidência nível A os:

Alternativas
Q2411233 Medicina

A importância histórica da VIII Conferência Nacional de Saúde no desenvolvimento do SUS no Brasil deve-se ao fato de que ela:

Alternativas
Q2411232 Medicina

As chamadas portas de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS) se constituem de serviços que ofertam atendimento inicial à saúde do usuário. Os serviços do SUS considerados como porta de entrada são os(as):

Alternativas
Q2411226 Português

Texto I

Escrever

Joaquim Ferreira dos Santos

A estudante perguntou como era essa coisa de escrever. Eu fiz o gênero fofo. Moleza, disse.

Primeiro, evite estes coloquialismos de “fofo” e “moleza”, passe longe das gírias ainda não

dicionarizadas e de tudo que soe mais falado do que escrito. Isto aqui não é rádio FM. De vez em

quando, para não acharem que você mora trancado com o Domingos Paschoal Cegalla ou outro

5 gramático de chicote, aplique uma gíria como se fosse um piparote de leve no cangote do texto, mas,

em geral, evite. Fuja dessas rimas bobinhas, desses motes sonoros. O leitor pode se achar diante de

um rapper frustrado e dar cambalhotas. Mas, atenção, se soar muito escrito, reescreva.

Quando quiser aplicar um “mas”, tome fôlego, ligue para o 0800 do Instituto Fernando Pessoa,

peça autorização ao bispo de plantão e, por favor, volte atrás. É um cacoete facilitador.

10 Dele deve ter vindo a expressão “cheio de mas-mas”, ou seja, uma pessoa cheia de “não é bem

assim”, uma chata que usa o truque de afirmar e depois, como se fosse estilo, obtemperar.

Não tergiverse, não diga palavras complicadas, não escreva nas entrelinhas. Seja acima de tudo

afirmativo, reto no assunto. [...]

[...]

Sempre cabe uma linha a menos no texto, é o efeito Rexona aplicado na axila gramatical. Evite

15 metáforas complicadas, passe por cima de expressões como “em geral”, como está no primeiro

parágrafo, pois elas têm a mesma função do paralelepípedo dos parênteses, dos travessões. Chute

para fora da página tudo mais que faça as pessoas tropeçarem na leitura ou darem aquela ré em

busca do verdadeiro sentido da frase que passou.

Deixe tudo em pratos limpos, sem tamanho lugar-comum. Ouça a voz do flanelinha semântico

20 gritando a chave para o bom texto. “Deixa solto”.

É mais ou menos por aí, eu disse para a menina que me perguntou como é essa coisa de

escrever.

Para sinalizar o trânsito das ideias, use apenas o ponto e vírgula, nunca juntos. Faça com que o

primeiro chegue logo, e a outra apareça o mínimo possível. Vista Hemingway, só frases curtas. Ouça

25 João Cabral, nada de perfumar a rosa com adjetivos.

Mergulhe Rubem Braga, palavras, de preferência de até três sílabas. “Pormenorizada”, vista de

cima, é um palavrão absurdo. Dispense, sem pormenores.

O texto deve correr sem obstáculos, interjeições, dois pontos, reticências e sinais que só

confundem os passageiros que quer chegar ao ponto final. Cuidado com o “que quer” da frase

30 anterior, pois da plateia um gaiato pode ecoar um “quequerequé” e estará coberto de razão. A

propósito, eu disse para a menina, perca a razão quando lhe aparecer um clichê desses pela frente.

Você já se livrou do “mas”, agora vai cuidar do “que” e em breve ficará livre da tentação de

sofisticar o texto com uma expressão estrangeira. É out. Escreva em português. Aproveite e diga ao

diagramador para colocar o título da matéria na horizontal e não de cabeça para baixo, como está na

35 moda, como se estivesse em um jornal japonês.

Pode-se escrever baixinho, como faz o Verissimo, que ouviu muito Mario Reis para chegar àquela

perfeição de texto de câmara. Outra opção é desabafar pelos cinco mil alto-falantes o que vai na pena

da alma, como faz o Xico Sá, que aprendeu a escrever com o Waldick Soriano. Escreva com a

sonoridade que lhe aprouver, nunca com cacófatos assim ou verbos que façam o leitor perguntar para

40 o vizinho do lado que maluquice é essa de “aprouver”. Fuja da voz passiva, da forma negativa, do

gerundismo e principalmente da voz dos outros. Se falo fino, se falo grosso, ninguém tem nada com

isso. [...]

De vez em quando, abra um parágrafo para o leitor respirar. Alguns deles têm a mania de pegar o

bonde no meio do caminho e, com mais parágrafos abertos, mais possibilidades de ele embarcar na

45 viagem que o texto oferece. Escrever é dar carona. Eu disse isso e outro tanto do mesmo para a

menina. Jamais afirmei, jamais expliquei, jamais contei ou usei qualquer outro verbo de carregação da

frase que não fosse o dizer. Evitei também qualquer advérbio em seguida, como “enfaticamente”,

“seriamente”, “bem-humoradamente”. Antes do ponto final, eu disse para a menina que tantas regras,

e outras a serem ditas num próximo encontro, serviam apenas de lençol. Elas forram o texto, deixam

50 limpo e dão conforto. Escrever é desarrumar a cama.



Fonte: adaptado por Augusto Nunes Revista Veja, 31 de julho de 2020. Disponível em: https://veja.abril.com.br/blog/augustonunes/8220-escrever-8221-um-texto-de-joaquim-ferreira-dos-santos/




Com base no Texto I, responda às questões de números 1 a 6.

No 12º parágrafo do texto, o autor faz uma observação sobre estrangeirismos na escrita. Nesse contexto, Joaquim Ferreira dos Santos utilizou, para construir a crítica, um recurso linguístico denominado:

Alternativas
Q2411225 Português

Texto I

Escrever

Joaquim Ferreira dos Santos

A estudante perguntou como era essa coisa de escrever. Eu fiz o gênero fofo. Moleza, disse.

Primeiro, evite estes coloquialismos de “fofo” e “moleza”, passe longe das gírias ainda não

dicionarizadas e de tudo que soe mais falado do que escrito. Isto aqui não é rádio FM. De vez em

quando, para não acharem que você mora trancado com o Domingos Paschoal Cegalla ou outro

5 gramático de chicote, aplique uma gíria como se fosse um piparote de leve no cangote do texto, mas,

em geral, evite. Fuja dessas rimas bobinhas, desses motes sonoros. O leitor pode se achar diante de

um rapper frustrado e dar cambalhotas. Mas, atenção, se soar muito escrito, reescreva.

Quando quiser aplicar um “mas”, tome fôlego, ligue para o 0800 do Instituto Fernando Pessoa,

peça autorização ao bispo de plantão e, por favor, volte atrás. É um cacoete facilitador.

10 Dele deve ter vindo a expressão “cheio de mas-mas”, ou seja, uma pessoa cheia de “não é bem

assim”, uma chata que usa o truque de afirmar e depois, como se fosse estilo, obtemperar.

Não tergiverse, não diga palavras complicadas, não escreva nas entrelinhas. Seja acima de tudo

afirmativo, reto no assunto. [...]

[...]

Sempre cabe uma linha a menos no texto, é o efeito Rexona aplicado na axila gramatical. Evite

15 metáforas complicadas, passe por cima de expressões como “em geral”, como está no primeiro

parágrafo, pois elas têm a mesma função do paralelepípedo dos parênteses, dos travessões. Chute

para fora da página tudo mais que faça as pessoas tropeçarem na leitura ou darem aquela ré em

busca do verdadeiro sentido da frase que passou.

Deixe tudo em pratos limpos, sem tamanho lugar-comum. Ouça a voz do flanelinha semântico

20 gritando a chave para o bom texto. “Deixa solto”.

É mais ou menos por aí, eu disse para a menina que me perguntou como é essa coisa de

escrever.

Para sinalizar o trânsito das ideias, use apenas o ponto e vírgula, nunca juntos. Faça com que o

primeiro chegue logo, e a outra apareça o mínimo possível. Vista Hemingway, só frases curtas. Ouça

25 João Cabral, nada de perfumar a rosa com adjetivos.

Mergulhe Rubem Braga, palavras, de preferência de até três sílabas. “Pormenorizada”, vista de

cima, é um palavrão absurdo. Dispense, sem pormenores.

O texto deve correr sem obstáculos, interjeições, dois pontos, reticências e sinais que só

confundem os passageiros que quer chegar ao ponto final. Cuidado com o “que quer” da frase

30 anterior, pois da plateia um gaiato pode ecoar um “quequerequé” e estará coberto de razão. A

propósito, eu disse para a menina, perca a razão quando lhe aparecer um clichê desses pela frente.

Você já se livrou do “mas”, agora vai cuidar do “que” e em breve ficará livre da tentação de

sofisticar o texto com uma expressão estrangeira. É out. Escreva em português. Aproveite e diga ao

diagramador para colocar o título da matéria na horizontal e não de cabeça para baixo, como está na

35 moda, como se estivesse em um jornal japonês.

Pode-se escrever baixinho, como faz o Verissimo, que ouviu muito Mario Reis para chegar àquela

perfeição de texto de câmara. Outra opção é desabafar pelos cinco mil alto-falantes o que vai na pena

da alma, como faz o Xico Sá, que aprendeu a escrever com o Waldick Soriano. Escreva com a

sonoridade que lhe aprouver, nunca com cacófatos assim ou verbos que façam o leitor perguntar para

40 o vizinho do lado que maluquice é essa de “aprouver”. Fuja da voz passiva, da forma negativa, do

gerundismo e principalmente da voz dos outros. Se falo fino, se falo grosso, ninguém tem nada com

isso. [...]

De vez em quando, abra um parágrafo para o leitor respirar. Alguns deles têm a mania de pegar o

bonde no meio do caminho e, com mais parágrafos abertos, mais possibilidades de ele embarcar na

45 viagem que o texto oferece. Escrever é dar carona. Eu disse isso e outro tanto do mesmo para a

menina. Jamais afirmei, jamais expliquei, jamais contei ou usei qualquer outro verbo de carregação da

frase que não fosse o dizer. Evitei também qualquer advérbio em seguida, como “enfaticamente”,

“seriamente”, “bem-humoradamente”. Antes do ponto final, eu disse para a menina que tantas regras,

e outras a serem ditas num próximo encontro, serviam apenas de lençol. Elas forram o texto, deixam

50 limpo e dão conforto. Escrever é desarrumar a cama.



Fonte: adaptado por Augusto Nunes Revista Veja, 31 de julho de 2020. Disponível em: https://veja.abril.com.br/blog/augustonunes/8220-escrever-8221-um-texto-de-joaquim-ferreira-dos-santos/




Com base no Texto I, responda às questões de números 1 a 6.

Nos fragmentos a seguir, há correspondência entre a conjunção e o seu respectivo valor semântico em:

Alternativas
Q2411224 Português

Texto I

Escrever

Joaquim Ferreira dos Santos

A estudante perguntou como era essa coisa de escrever. Eu fiz o gênero fofo. Moleza, disse.

Primeiro, evite estes coloquialismos de “fofo” e “moleza”, passe longe das gírias ainda não

dicionarizadas e de tudo que soe mais falado do que escrito. Isto aqui não é rádio FM. De vez em

quando, para não acharem que você mora trancado com o Domingos Paschoal Cegalla ou outro

5 gramático de chicote, aplique uma gíria como se fosse um piparote de leve no cangote do texto, mas,

em geral, evite. Fuja dessas rimas bobinhas, desses motes sonoros. O leitor pode se achar diante de

um rapper frustrado e dar cambalhotas. Mas, atenção, se soar muito escrito, reescreva.

Quando quiser aplicar um “mas”, tome fôlego, ligue para o 0800 do Instituto Fernando Pessoa,

peça autorização ao bispo de plantão e, por favor, volte atrás. É um cacoete facilitador.

10 Dele deve ter vindo a expressão “cheio de mas-mas”, ou seja, uma pessoa cheia de “não é bem

assim”, uma chata que usa o truque de afirmar e depois, como se fosse estilo, obtemperar.

Não tergiverse, não diga palavras complicadas, não escreva nas entrelinhas. Seja acima de tudo

afirmativo, reto no assunto. [...]

[...]

Sempre cabe uma linha a menos no texto, é o efeito Rexona aplicado na axila gramatical. Evite

15 metáforas complicadas, passe por cima de expressões como “em geral”, como está no primeiro

parágrafo, pois elas têm a mesma função do paralelepípedo dos parênteses, dos travessões. Chute

para fora da página tudo mais que faça as pessoas tropeçarem na leitura ou darem aquela ré em

busca do verdadeiro sentido da frase que passou.

Deixe tudo em pratos limpos, sem tamanho lugar-comum. Ouça a voz do flanelinha semântico

20 gritando a chave para o bom texto. “Deixa solto”.

É mais ou menos por aí, eu disse para a menina que me perguntou como é essa coisa de

escrever.

Para sinalizar o trânsito das ideias, use apenas o ponto e vírgula, nunca juntos. Faça com que o

primeiro chegue logo, e a outra apareça o mínimo possível. Vista Hemingway, só frases curtas. Ouça

25 João Cabral, nada de perfumar a rosa com adjetivos.

Mergulhe Rubem Braga, palavras, de preferência de até três sílabas. “Pormenorizada”, vista de

cima, é um palavrão absurdo. Dispense, sem pormenores.

O texto deve correr sem obstáculos, interjeições, dois pontos, reticências e sinais que só

confundem os passageiros que quer chegar ao ponto final. Cuidado com o “que quer” da frase

30 anterior, pois da plateia um gaiato pode ecoar um “quequerequé” e estará coberto de razão. A

propósito, eu disse para a menina, perca a razão quando lhe aparecer um clichê desses pela frente.

Você já se livrou do “mas”, agora vai cuidar do “que” e em breve ficará livre da tentação de

sofisticar o texto com uma expressão estrangeira. É out. Escreva em português. Aproveite e diga ao

diagramador para colocar o título da matéria na horizontal e não de cabeça para baixo, como está na

35 moda, como se estivesse em um jornal japonês.

Pode-se escrever baixinho, como faz o Verissimo, que ouviu muito Mario Reis para chegar àquela

perfeição de texto de câmara. Outra opção é desabafar pelos cinco mil alto-falantes o que vai na pena

da alma, como faz o Xico Sá, que aprendeu a escrever com o Waldick Soriano. Escreva com a

sonoridade que lhe aprouver, nunca com cacófatos assim ou verbos que façam o leitor perguntar para

40 o vizinho do lado que maluquice é essa de “aprouver”. Fuja da voz passiva, da forma negativa, do

gerundismo e principalmente da voz dos outros. Se falo fino, se falo grosso, ninguém tem nada com

isso. [...]

De vez em quando, abra um parágrafo para o leitor respirar. Alguns deles têm a mania de pegar o

bonde no meio do caminho e, com mais parágrafos abertos, mais possibilidades de ele embarcar na

45 viagem que o texto oferece. Escrever é dar carona. Eu disse isso e outro tanto do mesmo para a

menina. Jamais afirmei, jamais expliquei, jamais contei ou usei qualquer outro verbo de carregação da

frase que não fosse o dizer. Evitei também qualquer advérbio em seguida, como “enfaticamente”,

“seriamente”, “bem-humoradamente”. Antes do ponto final, eu disse para a menina que tantas regras,

e outras a serem ditas num próximo encontro, serviam apenas de lençol. Elas forram o texto, deixam

50 limpo e dão conforto. Escrever é desarrumar a cama.



Fonte: adaptado por Augusto Nunes Revista Veja, 31 de julho de 2020. Disponível em: https://veja.abril.com.br/blog/augustonunes/8220-escrever-8221-um-texto-de-joaquim-ferreira-dos-santos/




Com base no Texto I, responda às questões de números 1 a 6.

“Não tergiverse, não diga palavras complicadas, não escreva nas entrelinhas.” (l. 12). O verbo sublinhado pode ser substituído, sem prejuízo de sentido, por:

Alternativas
Q2411223 Português

Texto I

Escrever

Joaquim Ferreira dos Santos

A estudante perguntou como era essa coisa de escrever. Eu fiz o gênero fofo. Moleza, disse.

Primeiro, evite estes coloquialismos de “fofo” e “moleza”, passe longe das gírias ainda não

dicionarizadas e de tudo que soe mais falado do que escrito. Isto aqui não é rádio FM. De vez em

quando, para não acharem que você mora trancado com o Domingos Paschoal Cegalla ou outro

5 gramático de chicote, aplique uma gíria como se fosse um piparote de leve no cangote do texto, mas,

em geral, evite. Fuja dessas rimas bobinhas, desses motes sonoros. O leitor pode se achar diante de

um rapper frustrado e dar cambalhotas. Mas, atenção, se soar muito escrito, reescreva.

Quando quiser aplicar um “mas”, tome fôlego, ligue para o 0800 do Instituto Fernando Pessoa,

peça autorização ao bispo de plantão e, por favor, volte atrás. É um cacoete facilitador.

10 Dele deve ter vindo a expressão “cheio de mas-mas”, ou seja, uma pessoa cheia de “não é bem

assim”, uma chata que usa o truque de afirmar e depois, como se fosse estilo, obtemperar.

Não tergiverse, não diga palavras complicadas, não escreva nas entrelinhas. Seja acima de tudo

afirmativo, reto no assunto. [...]

[...]

Sempre cabe uma linha a menos no texto, é o efeito Rexona aplicado na axila gramatical. Evite

15 metáforas complicadas, passe por cima de expressões como “em geral”, como está no primeiro

parágrafo, pois elas têm a mesma função do paralelepípedo dos parênteses, dos travessões. Chute

para fora da página tudo mais que faça as pessoas tropeçarem na leitura ou darem aquela ré em

busca do verdadeiro sentido da frase que passou.

Deixe tudo em pratos limpos, sem tamanho lugar-comum. Ouça a voz do flanelinha semântico

20 gritando a chave para o bom texto. “Deixa solto”.

É mais ou menos por aí, eu disse para a menina que me perguntou como é essa coisa de

escrever.

Para sinalizar o trânsito das ideias, use apenas o ponto e vírgula, nunca juntos. Faça com que o

primeiro chegue logo, e a outra apareça o mínimo possível. Vista Hemingway, só frases curtas. Ouça

25 João Cabral, nada de perfumar a rosa com adjetivos.

Mergulhe Rubem Braga, palavras, de preferência de até três sílabas. “Pormenorizada”, vista de

cima, é um palavrão absurdo. Dispense, sem pormenores.

O texto deve correr sem obstáculos, interjeições, dois pontos, reticências e sinais que só

confundem os passageiros que quer chegar ao ponto final. Cuidado com o “que quer” da frase

30 anterior, pois da plateia um gaiato pode ecoar um “quequerequé” e estará coberto de razão. A

propósito, eu disse para a menina, perca a razão quando lhe aparecer um clichê desses pela frente.

Você já se livrou do “mas”, agora vai cuidar do “que” e em breve ficará livre da tentação de

sofisticar o texto com uma expressão estrangeira. É out. Escreva em português. Aproveite e diga ao

diagramador para colocar o título da matéria na horizontal e não de cabeça para baixo, como está na

35 moda, como se estivesse em um jornal japonês.

Pode-se escrever baixinho, como faz o Verissimo, que ouviu muito Mario Reis para chegar àquela

perfeição de texto de câmara. Outra opção é desabafar pelos cinco mil alto-falantes o que vai na pena

da alma, como faz o Xico Sá, que aprendeu a escrever com o Waldick Soriano. Escreva com a

sonoridade que lhe aprouver, nunca com cacófatos assim ou verbos que façam o leitor perguntar para

40 o vizinho do lado que maluquice é essa de “aprouver”. Fuja da voz passiva, da forma negativa, do

gerundismo e principalmente da voz dos outros. Se falo fino, se falo grosso, ninguém tem nada com

isso. [...]

De vez em quando, abra um parágrafo para o leitor respirar. Alguns deles têm a mania de pegar o

bonde no meio do caminho e, com mais parágrafos abertos, mais possibilidades de ele embarcar na

45 viagem que o texto oferece. Escrever é dar carona. Eu disse isso e outro tanto do mesmo para a

menina. Jamais afirmei, jamais expliquei, jamais contei ou usei qualquer outro verbo de carregação da

frase que não fosse o dizer. Evitei também qualquer advérbio em seguida, como “enfaticamente”,

“seriamente”, “bem-humoradamente”. Antes do ponto final, eu disse para a menina que tantas regras,

e outras a serem ditas num próximo encontro, serviam apenas de lençol. Elas forram o texto, deixam

50 limpo e dão conforto. Escrever é desarrumar a cama.



Fonte: adaptado por Augusto Nunes Revista Veja, 31 de julho de 2020. Disponível em: https://veja.abril.com.br/blog/augustonunes/8220-escrever-8221-um-texto-de-joaquim-ferreira-dos-santos/




Com base no Texto I, responda às questões de números 1 a 6.

O texto traz, em sua estrutura, várias metáforas. O fragmento em que se percebe um exemplo de metáfora está em:

Alternativas
Q2411222 Português

Texto I

Escrever

Joaquim Ferreira dos Santos

A estudante perguntou como era essa coisa de escrever. Eu fiz o gênero fofo. Moleza, disse.

Primeiro, evite estes coloquialismos de “fofo” e “moleza”, passe longe das gírias ainda não

dicionarizadas e de tudo que soe mais falado do que escrito. Isto aqui não é rádio FM. De vez em

quando, para não acharem que você mora trancado com o Domingos Paschoal Cegalla ou outro

5 gramático de chicote, aplique uma gíria como se fosse um piparote de leve no cangote do texto, mas,

em geral, evite. Fuja dessas rimas bobinhas, desses motes sonoros. O leitor pode se achar diante de

um rapper frustrado e dar cambalhotas. Mas, atenção, se soar muito escrito, reescreva.

Quando quiser aplicar um “mas”, tome fôlego, ligue para o 0800 do Instituto Fernando Pessoa,

peça autorização ao bispo de plantão e, por favor, volte atrás. É um cacoete facilitador.

10 Dele deve ter vindo a expressão “cheio de mas-mas”, ou seja, uma pessoa cheia de “não é bem

assim”, uma chata que usa o truque de afirmar e depois, como se fosse estilo, obtemperar.

Não tergiverse, não diga palavras complicadas, não escreva nas entrelinhas. Seja acima de tudo

afirmativo, reto no assunto. [...]

[...]

Sempre cabe uma linha a menos no texto, é o efeito Rexona aplicado na axila gramatical. Evite

15 metáforas complicadas, passe por cima de expressões como “em geral”, como está no primeiro

parágrafo, pois elas têm a mesma função do paralelepípedo dos parênteses, dos travessões. Chute

para fora da página tudo mais que faça as pessoas tropeçarem na leitura ou darem aquela ré em

busca do verdadeiro sentido da frase que passou.

Deixe tudo em pratos limpos, sem tamanho lugar-comum. Ouça a voz do flanelinha semântico

20 gritando a chave para o bom texto. “Deixa solto”.

É mais ou menos por aí, eu disse para a menina que me perguntou como é essa coisa de

escrever.

Para sinalizar o trânsito das ideias, use apenas o ponto e vírgula, nunca juntos. Faça com que o

primeiro chegue logo, e a outra apareça o mínimo possível. Vista Hemingway, só frases curtas. Ouça

25 João Cabral, nada de perfumar a rosa com adjetivos.

Mergulhe Rubem Braga, palavras, de preferência de até três sílabas. “Pormenorizada”, vista de

cima, é um palavrão absurdo. Dispense, sem pormenores.

O texto deve correr sem obstáculos, interjeições, dois pontos, reticências e sinais que só

confundem os passageiros que quer chegar ao ponto final. Cuidado com o “que quer” da frase

30 anterior, pois da plateia um gaiato pode ecoar um “quequerequé” e estará coberto de razão. A

propósito, eu disse para a menina, perca a razão quando lhe aparecer um clichê desses pela frente.

Você já se livrou do “mas”, agora vai cuidar do “que” e em breve ficará livre da tentação de

sofisticar o texto com uma expressão estrangeira. É out. Escreva em português. Aproveite e diga ao

diagramador para colocar o título da matéria na horizontal e não de cabeça para baixo, como está na

35 moda, como se estivesse em um jornal japonês.

Pode-se escrever baixinho, como faz o Verissimo, que ouviu muito Mario Reis para chegar àquela

perfeição de texto de câmara. Outra opção é desabafar pelos cinco mil alto-falantes o que vai na pena

da alma, como faz o Xico Sá, que aprendeu a escrever com o Waldick Soriano. Escreva com a

sonoridade que lhe aprouver, nunca com cacófatos assim ou verbos que façam o leitor perguntar para

40 o vizinho do lado que maluquice é essa de “aprouver”. Fuja da voz passiva, da forma negativa, do

gerundismo e principalmente da voz dos outros. Se falo fino, se falo grosso, ninguém tem nada com

isso. [...]

De vez em quando, abra um parágrafo para o leitor respirar. Alguns deles têm a mania de pegar o

bonde no meio do caminho e, com mais parágrafos abertos, mais possibilidades de ele embarcar na

45 viagem que o texto oferece. Escrever é dar carona. Eu disse isso e outro tanto do mesmo para a

menina. Jamais afirmei, jamais expliquei, jamais contei ou usei qualquer outro verbo de carregação da

frase que não fosse o dizer. Evitei também qualquer advérbio em seguida, como “enfaticamente”,

“seriamente”, “bem-humoradamente”. Antes do ponto final, eu disse para a menina que tantas regras,

e outras a serem ditas num próximo encontro, serviam apenas de lençol. Elas forram o texto, deixam

50 limpo e dão conforto. Escrever é desarrumar a cama.



Fonte: adaptado por Augusto Nunes Revista Veja, 31 de julho de 2020. Disponível em: https://veja.abril.com.br/blog/augustonunes/8220-escrever-8221-um-texto-de-joaquim-ferreira-dos-santos/




Com base no Texto I, responda às questões de números 1 a 6.

No texto I, Joaquim Ferreira dos Santos apresenta algumas orientações sobre como escrever. A partir da leitura do texto, afirma-se que o autor defende o(a):

Alternativas
Q2041272 Medicina
A ressecção cirúrgica completa é a única modalidade potencialmente curativa no tratamento de câncer de pâncreas. Os critérios de ressecabilidade estão listados a seguir, à exceção de um. Assinale-o. 
Alternativas
Q2041270 Medicina
Paciente feminina, hipertensa, diabética tipo 2, obesa grau 1, dá entrada no pronto-socorro devido a dor abdominal de forte intensidade, inicialmente em FIE e posteriormente difusa, de início há mais de 72 horas, acompanhada de parada de eliminação de gases e fezes.
Ao exame encontra-se torporosa, desidratada, hipocorada, PA: 98 x 67 mmHg; FC: 122 bpm; FR: 27 ipm; SaTO2 91%. Abdome globoso, distendido, tenso, muito doloroso a palpação e com descompressão dolorosa difusamente.
Após ressuscitação volêmica foi encaminhada à tomografia que evidenciou volumoso pneumo-peritôneo, líquido livre na cavidade peritoneal e massa heterogênea em topografia do sigmoide distal. Diante desses achados foi submetida à laparotomia exploradora que evidenciou ceco muito distendido e com área de perfuração, além de grande quantidade de secreção entérica na pelve, onde também palpava-se tumor de sigmoide obstrutivo, sem critérios de irressecabilidade.
Assinale a opção que indica a melhor conduta para o caso.
Alternativas
Q2041269 Medicina
Paciente feminina, 39 anos, foi submetida a videolaparoscopia devido a abdome agudo, sendo encontrado apendicite aguda, com apêndice aumentado, perfurado no terço médio, com pequeno abscesso periapendicular. Foi procedido a apendicectomia e lavagem da cavidade. Apresentou boa evolução pós-operatória, com alta no segundo dia. O laudo histopatológico evidenciou tumor carcinoide de 1,6cm no terço médio do apêndice, perfurado, sem invasão mesoapendicular e linfovascular. Margens livres.
Assinale a opção que apresenta a melhor conduta para o caso. 
Alternativas
Q2041268 Medicina
Paciente masculino, 64 anos, em exame colonoscópico de rotina encontrou as seguintes alterações: - pólipos sésseis e pediculados no descendente e sigmoide - lesão de espraiamento lateral granular heterogênea no reto médio - diverticulose pancolônica Os pólipos foram ressecados e a lesão do reto não foi biopsiada. O resultado do histopatológico dos pólipos foi de adenoma tubular com displasia epitelial de baixo grau. O paciente só retornou ao seu médico após 4 meses, quando foi solicitado uma ressonância da pelve que evidenciou lesão de 2,0 cm, a 9,0cm da borda anal, com preservação da camada muscular subjacente e linha de hipersinal entre a lesão e a camada muscular, sinais sugestivos de lesão T1 (sm1/sm2), além de pequeno linfonodo na gordura mesorretal esquerda com critérios morfológicos para linfonodo suspeito de acometimento secundário.
Diante dos dados acima, assinale a conduta adequada. 
Alternativas
Q2041267 Medicina
A respeito do câncer de bexiga, assinale a afirmativa correta.
Alternativas
Q2041266 Medicina
A respeito das neoplasias malignas do ovário, analise as afirmativas a seguir e assinale (V) para a verdeira e (F) para a falsa.
( ) O adenocarcinoma de ovário pode se apresentar como massas muito grandes, ou também como pseudomixoma. ( ) Deve ser feita quimioterapia neoadjuvante nos casos em que se prevê que a cirurgia citorredutora deixará muita doença residual. ( ) A cirurgia não deve ser com preservação da fertilidade nos casos de tumores germinativos.
As afirmativas são, na ordem apresentada, respectivamente,
Alternativas
Q2041265 Medicina
Paciente do sexo feminino, 64 anos, com diagnóstico de adenocarcinoma de endométrio grau 2, com 2cm de diâmetro, 40% de invasão no miométrio e ausência de adenomagalias ou metástases à distância.
Assinale a opção que apresenta a conduta cirúrgica adequada.  
Alternativas
Q2041264 Medicina
Considerando um paciente com cirrose por vírus C, Child C, e apresentando um hepatocarcinoma, assinale a opção em que há a indicação de tratamento que não deve ser utilizado. 
Alternativas
Q2041263 Medicina
O Art. 41 do Código de Ética Médica dispõe que é vedado ao médico abreviar a vida do paciente, ainda que a pedido deste ou de seu representante legal.
Sobre esse assunto, podemos afirmar que:
Alternativas
Q2041262 Medicina
Paciente jovem, 38 anos, em investigação de dor lombar fez um diagnóstico tomográfico de sarcoma retroperitoneal, com 9,0cm no maior diâmetro, próximo à pelve renal esquerda, que foi confirmado por biópsia com agulha tru cut.
Sobre o caso, indique a melhor conduta:
Alternativas
Q2041261 Medicina
Paciente masculino, 53 anos, apresentava dor abdominal, perda de peso e anemia. Foi submetido a colonoscopia que evidenciou lesão no íleo terminal, a 10cm da válvula íleo cecal, e cuja biópsia revelou tratar-se de Linfoma de células B.
Diante desse quadro, indique a melhor conduta:
Alternativas
Respostas
661: A
662: B
663: D
664: A
665: A
666: B
667: D
668: A
669: D
670: D
671: D
672: E
673: C
674: E
675: A
676: C
677: D
678: B
679: E
680: E